Olá, seja muito bem-vindo ao meu canal. Meu nome é Gilbert de Angângeles e eu quero conversar com você sobre esse tema tão caro e tão sensível, um vídeo papo reto, sem edição, sem corte, sem montagem, sem música de fundo, pra gente realmente conversar sobre o que importa. Como você viu no título, esse vídeo, de certa forma, é um desabafo, um desabafo em nome de milhares de professores desse país.
Bem verdade que eles não me deram a procuração, mas ainda assim me sinto no direito, até por ser parte da categoria como professor universitário que sou, filho de professor, irmão de professor, neto, eh primo, eh sobrinho de professor. Tudo isso faz com que eu me sinta legitimado para tentar representar esse grupo nessa conversa com você. Se você é professor, por favor, já comente aqui embaixo sobre esse tema, me ajude a construir essa eh explicação e, por favor, faça parte dessa luta comigo.
Você que não é professor, seja muito bem-vindo também. E eu quero poder contar com você como um aliado. Precisamos de aliados nessa luta.
Quando digo que os professores pedem socorro, isso aqui é um grito, um pedido por uma atenção. Não é novidade para ninguém que a docência no Brasil passa por uma crise, que a educação no Brasil é um fracasso de modo geral, que estou generalizando, mas de modo geral vivemos um fracasso, uma crise gigantesca que, segundo Darc Ribeiro, isso não é uma crise, isso é um projeto. É disso que estamos falando.
Mas o que que eu trago de novo aqui para a nossa conversa? Primeiro, vivemos um mundo em que um mundo atual aqui, um contexto brasileiro em que as livrarias estão fechadas, um contexto em que a evasão segue em alta, um contexto em que uma pesquisa recente fala que teremos apagão de professores, professores indo embora da docência, os jovens não querendo mais essa profissão. um contexto em que temos a figura do neném, aquele que nem trabalha e nem estuda.
Tudo isso se relaciona de alguma forma com a crise que estamos vivendo. Para falar sobre o nosso pedido de socorro, eu começo tratando sobre o mais sensível, que é a violência. A questão da segurança do professor é um dos problemas centrais.
Professores que dão aula em áreas de risco, professores que dão aula em locais remotos e perigosos, esses vivem na pele diariamente. O que eu aqui estou tratando. Essa é uma realidade do país.
Eu quero especificamente falar da violência e dos riscos em sala de aula. Primeiro que o Brasil passou a incorporar o que há de pior nos Estados Unidos agora com casos de ataques em escolas. algo medonho, assustador, que precisa da atenção de todos.
Além disso, casos como agora da professora no Rio Grande do Sul que foi atacada em sala de aula por dois alunos. Minha solidariedade é essa professora que por muito pouco não perdeu a sua vida nesse ataque covarde, brutal, que precisa da nossa preocupação. A minha solidariedade é uma professora que por um milagre sobreviveu e graças a Deus teve alta recentemente.
Além dela, outras professoras já sofreram ataques similares. Nem todas tiveram, vamos chamar aqui, de sorte sobreviver. 2023, uma professora faleceu num ataque como esse em São Paulo.
Violência contra professor na forma de de desde a tentativa de homicídio até lesão corporal, xingamentos, ameaças, difamação, calúnia, tantas formas faz com que seja uma profissão de risco em alguma medida. Só que além do que eu estou falando, nós temos um desrespeito mais amplo, muitas vezes até velado, um desrespeito que é dos alunos, professor que antigamente tinha um pouco mais de respeito, professor que em alguma medida era uma autoridade, era admirado muitas vezes pelos seus professores, hoje sofre situações complexas desse respeito. em muitos casos vem dos alunos, vem dos familiares, vem da sociedade em geral e dos políticos.
O desrespeito que se mostra também nas condições de trabalho. Professor que não tem um pincel, um jeans, um giz, não tem um quadro adequado, não tem um computador, não tem material de trabalho, não tem um banheiro, não tem café. Em muitas instituições, professores, fazem vaquinha para conseguir ter um café para tomar.
não tem água em alguns casos. Então são exemplos aqui de como esse desrespeito se manifesta. E aí eu tenho que falar do salário.
O clássico professor Raimundo. Clássico professor Raimundo já nos dizia que o salário, ó, isso continua sendo uma realidade. Em alguns casos, em algumas instituições, o salário, na verdade, tem caído.
Professores ganhavam mais outrora do que ganham hoje. E aí aquela pergunta clássica do aluno, professor, você só dá aula ou você também trabalha? Essa frase traz inúmeros elementos, desde a percepção de que dar aula não é trabalho, mas uma percepção real de que não dá para viver mais só da docência.
Por isso, sim, nós também trabalhamos, entrando aqui na brincadeira, também trabalhamos. Diversos professores precisam dar aula em instituições diferentes, complementar a renda. Em outros casos, a docência é bico, é complemento de renda, porque a renda principal vem de outra fonte e isso impacta na qualidade do ensino.
professor que ganha pouco, que é desrespeitado pelos estudantes, que é desrespeitado pela sociedade, que sofre com a insegurança. Ele é um professor que desenvolve estresse, burnout, ansiedade. É um professor que precisa pegar várias disciplinas, trabalhar em inúmeros lugares, complementar renda em outros trabalhos e chega em sala cansada.
Não tem tempo de preparar a aula. Prepara a aula as pressas. não conhece os seus alunos porque as condições que lhes são dadas são péssimas.
Essa é uma realidade de muitos professores no Brasil. Não é tua. Eu sou professor universitário, recebo em sala de aula muitos estudantes que, infelizmente, não estão preparados para o ensino superior porque não tem base.
E não tem base por causa desses problemas aqui que a gente tá tratando, entre outros. Um professor desmotivado, um professor com a sua saúde em colapso, um professor que ganha pouco, ele dificilmente será alguém capaz de motivar profundamente o seu aluno, de inspirar. Os jovens já perceberam isso e não querem a docência como profissão.
Estudos mostram que a pedagogia, por exemplo, é a opção de muitos que se vê sem opção. Alunos que tiveram baixo desempenho no ensino médio, alunos que tiveram notas baixas no Enem, vão para a pedagogia como uma alternativa, não como um chamado, uma vocação e muito menos com um verdadeiro desejo de dar aula. e que chegam também totalmente despreparados.
Os professores do futuro são hoje pessoas que estão no ensino superior e que não estão preparados para esse momento e esse nível educacional. O que nós vivemos é em todas as áreas. Eu escrevi um livro ensino jurídico em colapso para falar sobre as falhas de formação no exercício da advocacia.
E hoje eu percebo que, na verdade, essa falha não é só do direito. Claro que ali eu estava focado em uma pesquisa específica, mas o que identificamos é que esse problema é geral. Falei da insegurança, falei do desrespeito, falei dos salários e das condições de trabalho, falei um pouco da saúde mental, do burnout, da ansiedade, de tudo que afeta o professor.
A sua saúde física também, trabalhando tanto, muitos não têm condição de cuidar da sua saúde. Isso tudo repercute, repercute em sala de aula, professor. muitas vezes para ganhar um pouco mais ou para se manter no seu emprego, acaba tendo que pegar mais turmas, assumir outras disciplinas, disciplinas que muitas vezes ele não domina.
Essa é outra realidade chocante, chocante que nós temos, professores, por exemplo, de física que dão aula da disciplina, mas que na verdade são formados em geografia. estão ali ensinando uma matéria que eles mesmos não dominam e o fazem por uma necessidade. Se ele não domina e se ele está sofrendo tudo que eu aqui mencionei, qual será a qualidade dessa aula?
Sim, nós professores amamos. Isso é viciante. A gente gosta do que faz, mas não dá para viver só de vocação.
E não dá para tratar o professor apenas como um herói, como alguns pintam. Porque tratar como herói é ignorar que ele precisa de uma profissão séria, que precisamos atrair para a docência os melhores. Pessoas que optam pela docência, em geral recebem menos do que aqueles que optam pela área equivalente no mercado de trabalho.
Por exemplo, o professor de direito, ao escolher ser professor de direito especificamente, ele provavelmente ganhará menos do que alguém que estará exercendo advocacia ou estará fazendo um concurso público para uma carreira jurídica. Um concursado, nível médio no poder judiciário ganha mais do que um professor de ensino superior que dá aula de direito. Nível médio.
Nível médio que trabalha no tribunal ganha mais do que professor de direito em uma faculdade. Isso ilustra um pouquinho que o mercado de trabalho chama a gente para sair, não para ficar. A gente fica porque é teimoso, porque as condições que não são dadas são péssimas.
Só que quando eu digo que a gente fica, na verdade muitos estão saindo. Vários professores pensam em desistir, vários desistiram. Os relatos são vários, estão aí na internet, inúmeras reportagens, os professores que abandonaram a docência porque não viram vantagem.
professores que depois de episódios como os que mencionei aqui, largaram a profissão. Professores que em busca de oportunidades melhores foram embora, professores que se aposentaram e aí não temos a substituição porque os novos não querem seguir essa carreira. Então, quando falamos que pedimos socorro, é por isso.
Mas por que que você que não é professor deveria se importar? Porque nós formamos o médico que irá atendê-lo. Nós formamos o advogado que irá cuidar do seu processo.
Nós formamos o engenheiro que vai construir o seu prédio ou a sua casa. Formamos também o piloto de avião que vai conduzi-lo de uma cidade a outra. Controlador de voo, o militar das Forças Armadas.
Nós formamos os eleitores, aqueles que vão à urna a cada 2 anos, considerando as eleições municipais, e vão escolher os nossos representantes e vão escolher o representante com base na formação que eles têm, na capacidade que eles têm de identificar desinformação, discursos mentirosos, discursos de ódio, falácias. Sem essa capacidade desenvolvida, eles vão escolher o próximo representante e teremos como representantes pessoas que foram formadas ou não por nós professores, que estarão lá no parlamento, estarão lá na Assembleia, estarão no executivo representando bem ou mal, você e eu. Nós estamos falando também das pessoas que desviam-se e vão para o mundo do crime, vão para facções criminosas, optam por caminhos de vida ou são chamados por caminhos de vida distantes, porque nós professores não conseguimos render, reter esse aluno.
Imagina um professor numa comunidade, numa favela, falando que só o estudo salva, que se ele quiser ser alguém na vida, ele tem que ser estudar. E aquele aluno olha pro professor e diz: "Professor, você que diz isso? Olha a sua condição pessoal.
Você que estudou para caramba, tá aí pegando dois ônibus para vir me dar aula, dando aula nessa condição precária. Eu posso ganhar mais do que você sendo aviãozinho do tráfego. Existem argumentos pra gente convencer esse esse aluno, mas não é fácil.
Quando o próprio professor não é uma referência de alguém de sucesso, de alguém que venceu na vida. Em alguns casos, pasme, é mais vantajoso ser motorista de Uber, é mais vantajoso ser entregador de aplicativo um iFood, por exemplo, do que ser professor. E eu não falo isso que fique muito claro com qualquer desdém dessas profissões, porque num país que não valoriza o professor a ponto de uma profissão que não exige nenhuma qualificação profissional, exige apenas que saiba dirigir ou conduzir algum veículo, eh, e se não souber fazer isso, uma bicicleta será o bastante em muitos casos.
Aqui no caso do do entregador, quando ser entregador do iFood às vezes é mais benéfico do que dar aula, é a demonstração de que a educação faliu, que talvez esse projeto tenha dado muito certo. Trazendo pra iniciativa privada, pessoal, a busca desenfreada pelo lucro, empresas gigantes que compram outras empresas e que dominam, praticamente monopolizam o mercado, o lucro sendo a grande prioridade, o grande foco. Não o aluno, não o professor.
Imagina a qualidade e o futuro do país num contexto como esse. Eu falo do futuro, mas basta olhar o presente. O presente está aí esfregando na nossa cara uma realidade dolorosa.
E quando eu digo que nós pedimos socorro, é porque nós professores precisamos da sua ajuda. E a sociedade, na verdade, Sangra, a sociedade precisa de uma atenção e deve levar esse tema a sério. Eu peço a você que é professor que comente aqui embaixo sobre esse tema.
Você que não é, fale um pouquinho da sua realidade, da sua percepção. Compartilhe esse conteúdo com alguém que possa se interessar, com outros professores, com aqueles que convivem com profissionais da docência, porque só com a ajuda de vocês poderíamos tentar fazer alguma diferença. em 2040, a previsão é que em 2040 tenhamos um apagão, um apagão de professores no país.
Isso equivale a dois governos, três governos, considerando aí eventuais reeleições, e teremos um apagão. Se nada for feito, a situação ficará ainda pior. E o governo federal sabe disso, tanto é que lançou alguns programas, programas complicados, programas que merecem algumas críticas e eu farei oportunamente.
Problemas, programas que não resolvem, ao meu sentir, o problema que estamos aqui discutindo. E 2026 tá perto, tá muito perto. 26 vocês verão os candidatos ao governo, candidatos à presidência, deputados, senadores, todos falando o quanto a educação é importante, o quanto eles valorizam, quando na verdade, quando na verdade essa não é uma prioridade.
Será uma prioridade se você colocar isso como prioridade, se nós eleitores exigirmos algo, senão, senão, infelizmente não teremos um futuro promissor. Se você acompanha esse vídeo até aqui, por favor, me conte de que cidade você está acompanhando e qual é a realidade no seu estado. Vai ser um prazer seguir essa conversa contigo nos comentários.
Forte abraço, foi um prazer. Até o próximo vídeo e vamos juntos nessa grande e difícil luta. Até o próximo vídeo.