E porque entra também, né, nessa parte aí, né, em toda a guerra entra toda essa parte de ética também, né, e tudo, né, o que que o que que qual que é qual que é o limite aí, né? >> Ah, mas pois é, se você imaginar, né, rapaz, isso aí é um é um imenso problema, né? Porque quando nós vamos paraa guerra, nós já vamos escor premissa, vai ganhar o mais forte.
>> Ah, sim. >> Não é bom. Então, os limites éticos tenderão a ser respeitados quando a sua infração não for absolutamente necessária para que o mais forte vença.
Mais ou menos assim, uma força nuclear como a Rússia, uma força não nuclear como a Ucrânia. Então, vamos fazer uma guerra convencional. Então, ou eu combino com você, a guerra é convencional.
Enquanto eu tiver ganhando, tudo bem, vamos no convencional. A hora que você me aborrecer, eu falo: "Malando, é o seguinte, eu tenho que ganhar essa coisa de qualquer jeito. Eu vou, então, quer dizer, você vai, eh, usar até o talo todos os teus recursos para fazer prevalecer a tua condição.
Ninguém perde levando bala para casa, né? Então, eh, nesse sentido, eh, falar em ética num cenário de guerra, bandeira branca, né? Sei quê, aí não pode atacar porque não sei quê.
Bá, olha, a história absolutamente mostra que na hora que o Calo aperta é assim, é, é no limite mais. >> Mas o que que você acha que faz, por exemplo, você pega a guerra ali da da Ucrânia e da e da Rússia, que é uma grande guerra, porque essa de agora a gente não sabe quanto tempo que vai durar. >> Hum.
O pessoal espera que ela seja rápida, mas a gente nunca sabe. A Ucrânia com a Rússia, o pessoal imaginava que fosse rápida também. E tá aí se arrastando há 4 anos, né?
>> Pois é. >> E você acha que teve uma certa, vamos dizer assim, uma certa ética do Putin de Não, cara, eu posso acabar com essa guerra a hora que eu quiser, >> mas não vou, não. >> Não tem, né?
Não, porque sei lá, mas veja, já que você me perguntou, [risadas] eu sei o que eu acho. Ética do Putin, assim, >> não pode falar que ele é um cara ético aí, pô, podia ter detonado. >> É, me parece alguma coisa como sair para dentro, né, ou subir para baixo, uma espécie de impossibilidade lógica.
Mas eh o que que eu penso? Ora, eh, por que que eu não usei ainda tudo que eu posso usar? Então eu faço um cálculo.
>> Sim, >> isso não é cálculo. Vai. Se eu meter uma bomba na Ucrânia, de fato, a guerra acaba mais rápido.
Mas aí eu abro um um um precedente. Eu eu eu inauguro uma guerra que eu não tenho condição de saber se eu vou sair vencedor dela no final, que será uma guerra em outro patamar. Então, é melhor eu ficar aqui dando tiro para cá, tiro para lá, eh, queimando a minha sucata de guerra convencional, etc e tal, e dizendo pro mundo inteiro, ó, eu tô brincando com o cara aqui, não vem do que porque tudo isso é é calculado estrategicamente, né?
E não é o Putin ali. Tem n especialistas que que lidam com isso, são formados para isso. Eh, né?
A Rússia e guerra e são, eh, coisas que a guerra faz parte da história daquiles, né? Eles estão o tempo inteiro, então eles eles conhecem isso demais da conta. Então, eh, não há que esperar dali nenhum tipo de ingenuidade ou coisa, não.
Eu tô indo porque esse é o limite que me é autorizado. Claro que eu posso ir por, mas aí eu abro um flanco eh arriscado para mim por enquanto. Claro, se precisar aí na hora que o que não pode acontecer a na escalada é o pega para capá, digamos assim.
Bom, agora que tá tudo perdido, nós vamos sair com tudo, né? Sabe aquele quando o goleiro >> Sim, goleiro vai pra área, né? goleiro vai pra área tentar cabecear.
Isso não não dá para chegar, porque o Putin como goleiro indo pra área cabecear, é possível que o mundo esteja em grande perigo. >> Não, isso é isso é isso é mesmo. E o e porque aí junto com isso tem essa guer essa propaganda, né?
Propaganda de guerra também importante, né? A guerra de narrativas, eu digo. >> Ah, mas não tem dúvida, né?
Porque no final das contas o acesso à realidade objetiva do placar da guerra é impossível, né? Porque a guerra é um fenômeno, >> é, >> disperso, complicado, difícil de ser eh objetivamente mensurado. Então, no final das contas, o que há é um um uma espécie de de resultado provisório antecipado, que é do interesse de uns e de outros alardear a vitória, dado que a checagem é muito pouco provável.
É mais ou menos o que acontece quando dois candidatos se enfrentam. Eh, pô, eh, um atacou, o outro defendeu, o outro atacou, esse defendeu e um, né, um, um, um, um, um foi bem num ponto, o outro foi bem em outro ponto e tal. E aí no final, se quem ganhou, eh, eh, uma avaliação objetiva da vitória de um candidato sobre outro, só se houve um massacre, senão é muito difícil de fazer.
Então, os grupos eles vão construir >> o resultado do debate a partir de uma reconstrução narrativa do que aconteceu, eh, dando ênfase aspectos que são favoráveis ao seu grupo e minimizando os aspectos favoráveis ao grupo adversário. Então, há um trabalho de eh mesmo eh semântico de de de construção ideológica do resultado legítimo do debate, eh, que é tão ou mais importante do que o próprio debate, do que o próprio debate. >> Resultado, >> porque o resultado ele é definido muitas vezes longe do debate, fora do debate, justamente através do uso desses recursos, >> desse recursos.
Não, isso aí é mesmo.