Olá sejam todos bem-vindos e bem-vindas a mais um episódio da série leituras aqui do canal que vem com vídeos com uma frequência menos regular mas não é menos importante porque a maioria das leituras que eu trago são clássicos e são leituras que têm uma grande envergadura filosófica então não deixa de assistir esses vídeos também hoje a gente vai falar sobre o Cândido de Voltaire Cândido ou sobre o otimismo uma obra que é uma sátira da te Odisseia O que que é uma te Odisseia a te Odisseia é uma obra que advoga pela bondade Divina pela
não culpabilidade de Deus Diante do problema do mal então já é uma obra inevitavelmente filosófica e aqui ele tá se reportando muito diretamente ao que foi um filósofo muito popular no século XVII o maior dos racionalistas do período o mais falado dos racionalistas do período pois como vocês talvez saibam godfried libit um filósofo alemão e matemático que rivalizou com Newton ele tem uma te Odisseia uma famosa te odisseia na qual ele diz que nós estamos no melhor dos mundos possíveis e que não não teria sido possível para Deus criar um mundo mais perfeito que esse
com menos sofrimento do que esse Porque por mais que a gente não compreenda tudo faz parte de uma Harmonia Divina mesmo os Sofrimentos mais gratuitos as doenças os terremotos como o Terremoto de Lisboa que é tematizado aqui na história que se passa no ano que ele aconteceu 1755 ou 756 que era também o ano o período em que volta estava vivendo quando escreveu essa obra Então vamos falar sobre tudo isso no Cândido de [Música] Voltaire Então volta como muitos sabem foi um Pensador revolucionário pré-revolucionário francês um famoso polemista que vivia em intrigas que passou duas
vezes na prisão da Bastilha por causa da sua dissidência com relação às ideias dominantes no período ele que foi um Apóstolo da tolerância alguém que estava muito à frente do seu tempo Lembrando que é um tempo anterior a revolução francesa que ele tava ali naquele burburinho que ia culminar na Revolução francesa mas ao contrário de Rousseau ele não era um pobretão ele era alguém que vinha de uma família burguesa e ele tinha certa ambição monetária também ele era alguém que queria conquistar a fama que queria conquistar os títulos e as graças da aristocracia e ele
não se envergonhava disso muito pelo contrário mas volta não assinou essa obra assim como outras de suas obras polêmicas porque ele sabia que isso era muito perigoso inclusive tá escrito no começo da obra o seguinte traduzido do Alemão de autoria do Senor Dr Ralf com os adendos que se encontraram no bolso do doutor quando morreu em minden no ano da Graça de 1759 Então como era muito comum no período esses grandes pensadores não podiam assinar suas obras Mas essa aqui é uma obra de maturidade de Voltaire é uma obra que volta publicou se eu não
me engano quando ele tava já com os seus 65 anos depois de viver anos de maturação intelectual de publicar muitos poemas e contos existe também o o volume dos Contos Voltaire eu tenho aqui uma edição dos contos de Voltaire que é também recomendada aí para quem quiser se se aproximar mais desse escritor e se aprofundar na sua obra é muito baratinho você encontra essa edição nos e na internet o mais famoso é o zadig Mas nenhum deles se compara ao Cândido que a gente vai ler aqui alguns comentários do Ítalo Calvino Mas é uma obra
que é muito paradigmática porque ela já é muito moderna ela é tanto uma sátira dos romances de Aventura como uma ironia das ideias filosóficas dominantes no período o racionalismo de e a sua metafísica ilusória volta muito embora não fosse ateu ele fosse um deísta ele acreditava que existia um Deus ele rejeitava toda todos esses sistemas teológicos e escolásticos e racionalistas porque ele sabia que aquilo não passava da ilusão humana tentando justificar problemas que eram injustificáveis na realidade e que se encontram sob o título de o problema do mal o grande problema do Mal tanto o
mal natural quanto o mal de índole humana que tenta se explicar pelo livre arbítrio Mas e o mal natural e o Terremoto de Lisboa que os personagens enfrentam e as Desventuras associadas a doenças e patologias então o que acontece é que tem esse personagem um Cândido que era um jovem que vivia num castelo de um barão na vestfália na Alemanha e ele era provavelmente filho da Baronesa com alguém que não queria assumir e ele foi crescendo ali naquela nobreza apaixonado pela senhorita cunegundes que era a filha da Baronesa eh eu posso estar confundindo alguns detalhes
mas isso é muito menos relevante do que o arcabouço filosófico e literário da obra né as referências depois na sua leitura você vai ficar mais por dentro mas ele por uma série de fatores de sorte ou melhor azar ele acaba sendo expulso do Castelo perseguido eh torturado escravizado vendido é quase um um grande jogo de dados a As Aventuras de de Cândido e ele eh tem o seu preceptor que é o Dr pangloss que é o oos o filósofo O que representa né uma sátira de leibnitz né que é vai trazer todos os argumentos leibnitz
e anos estamos no melhor dos mundos possíveis tudo tem sua razão suficiente nada acontece sem uma razão suficiente para acontecer né todo efeito tem sua causa e Cândido admirava muito esse cara ele ouvia Os Sermões desse cara como se fosse a verdade absoluta como se ele fosse realmente o maior filósofo o maior físico da Alemanha e o que há nessa história é um grande contraste entre a teoria de pangloss e a realidade enfrentada por Cândido e pelo próprio pangloss que no final da história depois de ser enforcado chicoteado e escravizado quase morto né Tem uma
ironia do morre não morre dos personagens ele ele não admite embora reconheça no seu íntimo que ele tá errado ele não admite que a sua teoria é falsa que esse não é o melhor dos mundos possíveis e que o problema do mal é um problema muito real e que desbanca essa teologia que eh defende do mal o Deus Cristão Então vamos ler um pedacinho logo do começo da obra essa é uma obra que tem capítulos muito curtos e nesse sentido ele é muito parecido com o que a gente encontra aqui no Brasil em Machado de
Assis inclusive uma Machado já apareceu aqui na série leituras você pode assistir Minha análise do Dom Casmurro clicando acima no card Mas então são capítulos muito curtos muito irônicos e ao mesmo tempo perspicazes profundos filosóficos Vamos ler por exemplo o finalzinho do primeiro capítulo de como cândido foi criado num Belo Castelo um dia cunegundes ao passear junto do castelo no pequeno Bosque que chama de parque viu entre moitas o Dr pangloss que dava uma aula de física experimental à camareira de sua mãe moreninha bem bonita e dócil como a senorita conegundes tinha muita disposição para
as ciências observou sem fôlego as experiências reiteradas de que foi testemunha viu claramente a razão suficiente do doutor os efeitos e as causas e voltou para casa agit pensativa cheia do desejo de ser sábia sonhando que ela bem que podia ser a razão suficiente do jovem Cândido que podia também ser a dela de volta ao Castelo encontrou Cândido e corou Cândido também corou ela o cumprimentou com voz entrecortada e Cândido Lhe Falou sem saber o que dizia no dia seguinte após o jantar ao saírem da mesa cunegundes e Cândido se encontraram atrás de um biombo
cunegundes deixou cair ir Seu Lenço Cândido o apanhou ela tomou inocentemente a mão dele o rapaz beijou inocentemente a mão da Senhorita com uma vivacidade uma sensibilidade e uma graça toda particular suas bocas se reuniram seus olhos se inflamam se inflamaram seus joelhos tremeram suas mãos se extraviaram o senhor Barão de thunder tronk passou junto do biombo e vendo tal causa e tal efeito expulsou Cândido do Castelo com grandes pontapés no traseiro cunegundes cunegundes desmaiou foi esbofeteada pela senhora Baronesa tão logo voltou a si e no mais belo e mais agradável dos castelos possíveis tudo
ficou uma consternação só então isso é só para você ter uma noção do Tom da ironia de Voltaire e de seu pano de fundo filosófico você encontra o Cândido para comprar aqui na descrição tá bom o enredo pode ser dividido em duas grandes metades separadas por um ponto Central que é a descoberta de eudorado que é um país mítico que Cândido encontra na sua viagem à América n no meio das suas Desventuras com o seu fiel que se torna um fiel escudeiro cacambo e lá ele encontra um país onde tudo se vai bem onde realmente
parece ser o maior dos países possíveis mas é muito diferente do que se vê na Europa que é um lugar da hipocrisia e da falsidade e e da ganância e da mesquinhas e lá em Eldorado o ouro é a poeira Eles deixam o Cândido ir embora com quantos diamantes ele quiser com quantas peças de ouro ele quiser e eles não entendem Realmente esse fascínio do europeu por essa Pedrinha que eles têm em abundância Que não significa nada além disso lá eles vivem em excesso nunca falta nada e eles recebem muito bem os seus hóspedes já
na Europa é muito diferente assim como no império turco otomano que também aparece na história e é curioso porque tem um momento que Cândido se encontra ceando com seis Reis que foram depostos e É engraçado como que esse tom já antecipa né esse tom dos acontecimentos já antecipa o que tava no ar com a revolução francesa que ia acontecer em algumas décadas mas eh é interessante que aparece um outro personagem chamado Martinho que é um personagem maniqueísta que acredita não só na existência do bem como também na existência do mal ao passo que leibnitz e
o seu personagem nessa história que é o pangloss defendem apenas a existência do bem sendo mal algo que não tem substância tal qual prega a teologia [Música] Cristã Martinho defende que tanto mal quanto bem Tem substância e é como uma balança um equilíbrio né um pendor à existência volta no caso assim como Cândido rejeita ambas essas visões Cândido vai defender que nem pangloss que sabia que estava errado mas não admitia nem Martinho Estavam certos com suas vãs filosofias ele vai defendendo no final da história quando ele já tá do lado de sua tão amada conegundes
mas que se encontra feia e enferma e a vida é novamente um fardo uma dureza uma dificuldade uma desilusão ele vai defender que a verdadeira sabedoria é aquela mais prática aquela mais calcada na realidade no pensamento aquela de que nós devemos cultivar o nosso próprio jardim todos esses discursos filosóficos são belos Mas no fim do dia um camponês que cuida do seu jardim e cultiva uma vida simples é mais feliz do que um rei que é guilhotinado no fundo ou perudo que elun comentos vino que escreveu Porque ler os clássicos o que que é Um
clássico é uma obra que nunca termina de dizer o que ela tem a dizer no bom sentido ela nunca deixa de ser atual Então vamos ler o que ele diz com velocidade e leveza uma sucessão de desgraças suplícios e massacres corre pela página salta de capítulo em Capítulo se ramifica e multiplica sem provocar na emotividade do leitor outro efeito a além de uma vitalidade Alegre e primordial é um grande cinematógrafo mundial que Voltaire projeta em seus fulminantes fotogramas é a Volta ao Mundo em 80 páginas realmente é muito parecido com a velocidade moderna com a
velocidade do cinema imagina o que Voltaire teria sido capaz de fazer ele Que adorava peças de teatro o que que ele teria conseguido fazer com os aparatos cinematográficos como diretor de cinema seria incrível ver o filme do Voltaire o filósofo Franklin de Matos comenta no artigo a moral do Jardim publicado em seu filósofo e o Comediante da editora UFMG visto que o mal existe que o mundo no qual vivemos é este não o melhor dos possíveis trata-se agora de saber como se pode viver nele quer dizer trata-se de formular a sabedoria que nos resta a
sabedoria final do conto recusa tanto pangloss Martinho a sabedoria de Candido é a que devemos cultivar o nosso próprio jardim esses discursos são muito bonitos mas devemos cultivar o nosso jardim um dia após o outro vivendo Como Um Homem Comum já que você assistiu esse vídeo da série leituras fique aí e assista mais um agora fazendo esse paralelo que eu fiz rapidamente no vídeo com o nosso grande escritor brasileiro Machado de Assis e veja o que eu tenho a dizer sobre o seu Dom Casmurro uma leitura fundamental te vejo daqui a pouquinho lá [Música]