[Música] Professor aí obrigado queria agradecer queria agradecer você em público aqui pelo pela ajuda que tá nos dando nessa nova fase do programa literatura que nós vamos falar aqui sobre textos em língua portuguesa queria agradecer você por colaborar com a gente e também por vir aqui inaugurar o programa com esse com esse texto né falando sobre esse texto explicando pra gente como é que a gente deve ler esse diálogo sobre a conversão do Gentil qu começar perguntando para você o seguinte qual é a importância de um texto desse tipo escrito em 1500 e 56 57
é importante pra literatura brasileira isso aqui sim Acho que sim é um texto decisivo mesmo do em relação à posição digamos inicial dos colonizadores e em particular dos padres jesuítas é um texto decisivo né o Darcy o Darcy Ribeiro diz mesmo que esse é o o texto mais importante da literatura brasileira de uma coisa É verdade o Darc Ribeiro dizia isso outros consideravam o texto muito importante quer dizer falar em termos literários aqui é falar em termos um pouco diversos do que nós compreendemos hoje que é uma ideia de uma coisa completamente ficcional um gênero
como romance conto esse tipo de coisa que nós temos mais em mente hoje né aqui literatura entendido como prática letrada prática de Cultura como de de compreensão mesmo do mundo não é num sentido que não implica necessariamente só invenção né aqui é um gênero muito particular que é o diálogo que é praticado e é talvez o gênero de mais prestígio durante esse período chamado aí de renascentista não é é cientismo como é que a gente chama esse período é são nomes genéricos né totalizantes que não importam muito né Depende da do que você queira colocar
em evidência né mas é um gênero esse gênero diálogo é claramente um gênero desses que emulam os gêneros antigos né os gêneros gregos e Romanos né né Então essa ideia e ele tem uma um grande prestígio nesse momento como forma de reflexão filosófica adaptada geralmente a temas polêmicos o diálogo é próprio de um de um de de uma situação polêmica de uma situação em que eh a resolução do problema não é óbvia não é que coloca em jogo posições diversas quer dizer Você coloca ali duas posições ou antagônicas ou diferente ele pode ser mais antagônico
ou mais colaborativo o diálogo pode ser de um jeito ou do outro por exemplo no Platão que é o grande modelo de todos esses diálogos renascentistas né em geral muito alguns Eles são muito tem muito antagônicos né Muito muito coloca eh digamos pessoas que entram em confronto duro né outros são mais colaborativos né qu dizer não não as divergências não são tão grandes mas aí se busca um um caminho Central aí sei lá é exato uma espécie de posição Não exatamente não necessariamente consensual mas uma hipótese de resolução né né mas o que é importante
no diálogo não é eh exatamente o o o final o Consenso o desfecho final né mas é também o próprio processo em que as coisas se ajustam dentro de uma perspectiva mais Ampla do que aquela que cada uma das personagens domina tá E esse diálogo aqui ele fala muito sobre a nossa história né sobre o início do Brasil quando os portugueses eram recém chegado né não dá para dizer que é o primeiro texto mas enfim é um texto sei lá lá daquele tempo que estav acabando de chegar dos primeiros textos né primeos Eh qual a
importância histórica dele o que que você a gente depende o que que a gente depende dele eh em termos históricos em termos históricos ele tem uma importância absolutamente decisiva porque ele estabelece a Rigor se fosse para falar de uma única vez eu diria esse texto é o texto mais decisivo no sentido de estabelecimento do método eh de de de relação dos indígenas estabelecido pelos Jesuítas quer dizer a a partir daí daí até o século XVI digamos 1 é o modelo de certa forma que os Jesuítas adotam tá estabelecido aqui perfeitamente Claro e estabelecido pelo Manuel
da Nobrega pelo Manuel da Nobrega eu diria que por exemplo o Vieira lá no século xv7 que é que tem muito mais repercussão do que o Nóbrega ainda eh segue esse modelo de conversão e de estab ele ele ele ele escreveu o que que os Jesuítas tinham que fazer e eles fizeram exato fizeram não ele foi o orientador básico esse texto determina Claro junto com as cartas e tudo aquilo que faz parte da orientação Jesuíta mas aqui já tá estabelecido o modo digamos de se estabelecer o contato com os indígenas e a forma de relacionamento
com os moradores com o governo e com enfim todo o processo de colonização compreendido por ele é um texto que a gente não que o quer dizer não se não se estuda muito esse texto né não é um texto como é que a gente deve ler isso aqui primeiro eu queria dizer o seguinte eu não encontrei não há uma edição Eh vamos dizer moderna nova recente desse diálogo Mas você encontra ele na internet em vários sites enfim texto completo eh escrito naquele português eh que se com o qual se se comunicava no século entendeu dá
uma certa dificuldade para ler mas depois que você acostuma você você acaba indo em frente como é que é tem alguma explicação esse português parece que ele era baseado no na forma de falar não é isso como é que explica um fala um pouco sobre esse português do século X não é não é não tem uma normativa não é como não tinha uma uma regra uma gramática quer dizer eles justamente nesse período justamente século XV esse período dito quinhentista ou renascentista que em Portugal começam as primeiras o esforço de construção das primeiras gramáticas ou seja
de sistematização do português tal como depois vão se tornar estabelecido pela Norma Cult e tudo mais nesse momento não há então a escrita tem admite muitas variações são formas digamos eh não tem erro não não tem uma você po falar assim tá errado não ele existe mesmo dentro de de de uma prática vamos dizer assim de tentativa de de transcrição do da das formas orais ou a partir dos dos documentos escritos mas não há uma uma normativa absolutamente estabelecida em que se diga isso tá errado isso não existem variações dentro do mesmo texto bacana é
de uma palavra ele escreve uma palavra de de diversas maneiras porque tem também a entonação o jeito como a pessoa fala tem essa ligação com a fala não é isso sim tem quer dizer a ênfase isso a a própria forma de estabelecimento dos parágrafos com o uso da das vírgulas eh tem muito a ver com uma uma espécie de entonação ou um tipo de ênfase retórica vamos dizer assim que não é não corresponde necessariamente a nenhuma regra propriamente escrita tá e tem um texto que é mais estudado que é a carta do pervas de Caminha
que ela é muito elogiada pelos parágrafos que da forma como ele coloca os parágrafos as vírgulas esse texto também é assim é é bem escrito se eu diria que ele é uma uma um um bom trabalho vamos dizer assim sim não eu acho que é um texto excepcional eu diria que é é é um é um texto que tem tem tem um Digamos um esforço de construção dentro de um modelo digamos do século X é um um texto estabele de de de grande valor de grande interesse não só digamos pro pro pro Brasil ou mesmo
paraa língua portuguesa é um diálogo de enorme interesse então explica pra gente como é que a gente tem que estudar Isso aqui Professor bom nós podíamos pensar eh em analisar de várias maneiras né uma primeira forma é pensar nele como uma uma uma forma do Diálogo do gênero que nós já conversamos né vê quando um diálogo se coloca que é exatamente essa em que existe uma situação de dúvida de polêmica em que se colocam posições diversas em jogo vamos dizer assim isso é o primeiro ponto né então portanto a escolha dele já suscita uma questão
então que em que H digamos uma espécie de de de lugar problemático na colonização e na inserção dos Jesuítas dentro dela quer dizer Esse é ele tematiza um problema isso é uma coisa bem interessante né E no caso do do do desse desse texto A grande questão é saber eh por exemplo Qual é o método adequado de conversão e se a conversão é possível porque o grande dilema que vai aparecer na conversa entre os os dois personagens irmãos leigos né então Eh Fala deles um pouquinho antes esses irmãos leigos são o diálogo tem uma geralmente
tem uma cena nãoé ali é uma cena dentro da da aparentemente da ferraria né do do lugar onde está o Ferreiro que é um uma das personagens que é o Mateus Nogueira Mateus Nogueira Você tá vendo que começa com m e Mateus Nogueira é m n ou seja as mesmas in iniciais do Nóbrega né e o outro que é Gonçalo Alves ou Álvares né que é um que é um um língua Ou seja um intérprete os os os Jesuítas levavam consigo né esses línguas que conheciam muito bem a língua em geral eram eram eh descendentes
de portugueses que já tá já estavam no Brasil já dominavam bem a língua eh dos índios né E que serviam justamente de intérpretes eram chamados de irmão leigos tanto o Ferreiro que eram digamos aceitos pela companhia no Brasil que eram e tinham esse esse lugar de práticos vamos chamar de práticos muitas vezes se diz que o Gonçalo Álvares era um teólogo era um padre ou era um é porque dá você não não fica muito Claro no início do texto vai ficar só não mas fica bem claro que ele tá falando muitas vezes do que ele
ouve e dos Padres ou em n o que ele acompanha os padres mas ele é um irmão leigo portanto a ideia de que ele é um teórico em relação ao ou um teólogo isso é não não funciona dentro desse texto não é essa discussão quer dizer ele os dois trabalham com para os Jesuítas com os jesuítas na conversão dos índios e querem saber qual é que a melhor forma é de converter exato Qual a melhor forma ou ainda mais se é possível converter porque o que ele porque aindaa no começo disso né não sabia nem
se o cara aquela questão da alma se o índio tem alma ex tudo isso a A grande questão é que ele se coloca um pouco como o que eles cham de resfriado resfriados aí no caso quer di ser sem ânimos quer dizer sem capacidade já de ser um pouco desanimados em relação ao esforço da conversão porque era evidentemente isso implicava em sacrifícios enormes né quer dizer andar pelo Mato pelos matos pelas florestas e diante de índios hostios muitas vezes né em situações que ele absolutamente não dominavam né e a ideia é que de certa forma
eles sentiam que começava a fazer muito pouco fruto a missão isso tá no bojo de uma grande decepção no fundo porque os Jesuítas quando vieram e o Nóbrega em particular veio pro Brasil em 49 né com a primeira leva de jesuítas ele veio certo de que era muito de que as ele as primeiras cartas dele são muito animadas achando que ele faria conversão com simples exposição da doutrina que os índios eram muito dóceis muito ele chamava de ele aplicava até uma metáfora aristotélica diziam que era eram como páginas em branco que se podia escrever nele
o que quisesse então eles ele tinha uma uma animação assim e um resultado muito imediato no começo no começo em seis meses não em se meses ele começa a se desiludir sobre isso ele começa a perceber que o que parecia docilidade na verdade era uma arma contrária ao que ele pensava Porque os índios aprendiam muito rápido mas também esqueciam muito rápido quer dizer saíam de lá também eles eram nômades muitas vezes eles eles andavam até uma aldeia que era relativamente distante Iam até lá todos os dias quando conversavam com os índios davam aulas e tudo
mais outros dias eles voltavam as tribo já não estava lá então I embora ou seja eles começaram com o tempo né a perder um pouco dessa e dessa ideia Inicial e começaram a ter uma ideia mais negativa tanto dos índios né que parece cuja brutalidade bruteza né a o que eles chamavam muitas vezes de a boçalidade né e começava a ficar Evidente também a ideia das Guerras que eles pensavam que era episódicos depois eles viram como guerras contínuas que haviam entre eles né o que eles eh também a ideia da da antropofagia né que era
o outro outras questões apavorava os europeus né apavorava e tudo mais agora na própria Europa também tem havido né nos cercos e tudo mais enfim mas uma série de de decepções fizeram com que eles começaram a imaginar que essa conversão não seria tão fácil N Então nesse momento que ele que eles que eles se colocam essa dúvida será que essa empresa né vale a pena será que os índios são convertíveis não é será que o enfim é possível fazer com que vale a pena todo esse esforço de da Companhia de Jesus eh dentro no no
Brasil né e na na ideia do Brasil e aí é que se coloca essa essa conversa entre esses dois personagens o intérprete né E aquele que convivia mais com os padres falando com a doutrina não é com o ensino da doutrina e esse o Ferreiro que trabalhava justamente com aquilo com a forja né e aquilo produzindo os instrumentos necessários paraa construção das casas para para enfim tudo mais tá então quer dizer e eles não são necessariamente antagônicos aqui não tem não é um pensamento antagônico desse diálogo sim mas eles mostram eles não não é antagônico
até tem aspectos em vários momentos são muito colaborativos em outros eles São relativamente hostis uma certa ironia que eles empregam entre si um com o outro mas digamos eles têm um princípio de colaboração mas eles também têm digamos tendências diversas o língua tende por uma perspectiva vamos chamar assim mais racionalista em que ele quer encontrar razões efetivas para que se justifique tanto o esforço de conversão quanto a natureza dos frutos tá e de outro lado o Ferreiro que é que é um homem Justamente que que trabalha ali na forja né o tempo todo operando eh
por uma nação vamos dizer assim ele tem um princípio mais voluntarista né ele tá associado inclusive à foja ao fogo né ao ânimo ao Zelo como ele diz né então ele tá associ um princípio mais voluntarista né em que pergunta menos pelas razões do que quer saber na sua disposição efetiva para fazer sim mas em determinados momentos aqui ele parece ter mais eh Lucidez a respeito do trato com os índios do que o ele ele tem mais sim ele tem mais segurança de modo geral ele ele que predomina no no no no diálogo diríamos que
as Possivelmente a posição dele tende a predominar no andamento do do diálogo e E por que escolha desses dois era os tipos da época eh um Ferreiro um cara que trabalha com mais bruto e outro que trabalhava mais com pensamento é isso aham é b um você podia pensar um tá associado mais a uma ideia de língua né ou seja eles estão Associados a uma ideia do que é necessário o que é um perfeito missionário que ele deve ter Quais as qualidades o língua é o conhecimento da língua quer dizer é necessário que o que
o Jesuíta domine e se esforce para compreender a língua ehess com exato com a comunicação aquele com com a com a gente com quem ele vai lidar Então esse essa aproximação da gente e com que ele vai lidar mais ou menos bruta Faz parte dessa técnica Jesuíta importante quer dizer eles se debruçaram eles criaram as gramáticas Eles foram absolutamente gramáticas da língua exato eles se esforçaram e de outro lado você tem aquele que age o tempo todo e que que justamente forja digamos com as mãos os instrumentos necessários a ação ali dentro eficaz né e
qual quais são os recados que tem aqui dentro do Nóbrega pra comunidade Jesuíta Tái no Brasil Quais são esses recados bom os recados eu diria que de modo geral na minha porque é isso né é um é um recado como é um um jeito de trabalhar né sim é um recado é um estabelecimento mesmo de um modelo a partir dali ele determina como superior como as coisão embora ele ele ali já não seja mais superior que ele passou ele foi o primeiro superior mas depois passou pro padre Luiz da Gran mas ele é o ele
é o homem realmente mais importante de toda a companhia ele é o mais intelectualizado o que tem a formação realmente né E que tem grande ascendência sobre todos eles né eu diria que dentro de um esquema argumentativo desse sermão desse diálogo ele tem três partes é possível digamos estabelecer três grandes núcleos argumentativos né o primeiro que que em que ele pergunta como fazer para para tentar esquentar essa missão vamos dizer assim né dentro desse espírito desanimado ele discute a natureza do índio vamos dizer assim a natureza do índio é o primeiro ponto o segundo ponto
tá ele estabelece o que seria vamos dizer assim o o o método adequado da conversão o método mais ajustado a essa natureza primeiro você discute a natureza depois qual o método que é mais eficaz em relação a ela a natureza assim é tipo tem alma não tem alma é bruto não é bruto é possível conversar não é possível é isso a natureza e o método da conversão é se con ele como se convertem os japoneses os enfim basicamente exato tem dois dois métodos pelo menos que estão aqui em jogo um método que eles chamavam por
amor que é um método basicamente um método em que se ensina a doutrina expõe o o catecismo os manuais da religião católica digamos assim e um outro método que é justamente esse que o ele vai se decidir aqui dentro que é o que ele chama de método o método da suiga ou método da sujeição que é um método de uma sujeição política o que nós podíamos chamar de conversão pela política né o Nóbrega vai finalmente aqui eh chegar à conclusão que é mais importante que o índio seja integrado ao corpo digamos do Estado portanto como
um súdito ele seja sujeitado digamos a a ao estado português né e uma vez sujeito ele se torna Então mas aí se estabelecem as formas e da do aprendizado do ensino propriamente catequético ou seja ele pensa na na na no método adequado estabelecido como uma aliança entre as práticas temporais de suiga né de de subjugação de tipo dominação sei lá sim de dominação política no sentido quer dizer ele passa a fazer parte do Estado político não é pela necessariamente e portanto sujeito a todas as leis do reino ele pode ser eh punido digamos criminalmente por
pelas ações que ele faça contra as leis do reino e ao mesmo tempo ele é inserido vamos dizer ao ser inserido nesse corpo político ele passa a ser eh também ensinado na religião né esse esse ensino na religião é um ponto decisivo porque os moradores estavam muito mais preocupados digamos os moradores em geral em em estabelecer um princípio de simplesmente de subserviência de de trabalho quer dizer um processo de escravização mais ou menos simples e os Jesuítas tentam estabelecer ser vamos dizer assim uma espécie de eh Uma uma recusa da da da da escravização e
uma incorporação do indígena como súdito não é mas ao mesmo tempo com o com todas as obrigações de súdito e também com a necessidade de aprendizado da da religião tá esse esse é o método vamos dizer assim o método que você podia chamar também por medo se você quiser dizer ele a questão é por amor ou por medo o que faz mais fruto é o que faz mais fruto né esse é um um diálogo em que o basicamente o o Nóbrega acha que o muitas vezes o medo pode fazer melhor efeito né e ele cita
aqui as teses da igreja sobre caridade é não não é isso sobre que esse método Enfim pode não dar certo porque o camarado pode concordar com você e ao mesmo tempo não tá convertido né Ah tá bom sim esse isso daí isso que você tá dizendo que ele pode ele pode conversar concordar e não tá convertido É talvez o o o na questão da da dos maus hábitos dos índios é o pior para eles todos é o Nóbrega vai estabelecer isso isso vai ser repetido por todos os Jesuítas o Vieira ainda vai falar disso que
é basicamente isso eles achavam essa ideia de que o índio se facilmente se era dócil facilmente aprendia participava com alegria da da da da confissão dos dos coros da missa tudo isso e que depois isso se esvaziava porque rapidamente ele esquecia ou tomava outras atitudes diversas né ele vai V vai falar isso isso ele vai dizer dentro vai chamar de inconstância os índios são inconstantes né Ou seja a credulidade quando ela é excessiva leva a uma ausência de credulidade de absoluta incredulidade isso que ele tá chamando de inconstância quer dizer quando você acredita muito facilmente
você não não não tem uma fricção exatamente no aprendizado você nunca de fato chega a crer naquilo facilmente você perde também aquilo não é aquilo então é basicamente esse ele vai considerar o pior de todos os os males digamos do índio essa inconstância essa essa credulidade excessiva que leva a nenhuma credulidade sei que mais e é um terceiro ponto do do daqui não é que é que é o estabelecimento definitivo da humanidade do índio que esse é um texto que que de acordo com também aquilo que os teólogos da igreja né católica determinaram o índio
foi definitivamente considerado homem não é quer dizer com alma um ser com alma que era uma coisa que nesse momento era muito discutível né havia grandes debates né quer dizer sobretudo os ah digamos aqueles ligados mais às empresas de conquistas né tanto em Portugal mas muito mais na Espanha quer dizer o os teólogos em torno do do do dos dos Reis eram contrários à ideia de que o índio eh tivesse alma nãoé A ideia era um pouco assim e a ideia de que eles podiam ser eram como animais né que deveriam ser amestrados ali em
função da da da eh em função do dos usos instrumentais que eles pudessem ter no caso da igreja a igreja tendeu depois de muito debate no interior dela mesma a ter essa posição que finalmente se se estabelece em bula pelo Papa de que os índios são partes da humanidade né eles vão usar exatamente um termo do Agostinho né A humanidade é uma e incluem os índios dentro disso O isso depois de 10 anos que eles estavam aqui né Sim esse texto produzido ess esse texto é aqui e aqui ele define mesmo ele discute longamente Como
os índios têm Humanidade para usar isso ele usa basicamente vários argumentos de de ordem tanto argumentos bíblicos da teologia bíblica né Por exemplo de que o Ele eles têm a mesma imagem e semelhança de Deus do que todos os outros né mas um argumento definitivo que é muito repetido né É que ele usa partir da da da noção de de Agostinho né que diz que alguém tem alma né quando ela tem as três propriedades eh que são entendimento vontade e memória e ele mostra pela prática que eles têm com os índios que eles que é
fácil para qualquer Jesuíta seria impossível negar que eles têm essas três coisas eles conseguem compreender perfeitamente O que eles dizem mostram às vezes muito espírito e e humor digamos nas coisas eles têm memória eles falam das coisas aqui que se passaram E tem também vontade eles T muito marcam muito o que querem o que não querem quer dizer é evidente para que tem uma prática com eles que eles que eles têm todos esses elementos determinados da humanidade Então essa essa é o é o é o cerne desse diálogo Esse é o cernea questão quer dizer
exato e nesse caso estabelecida a humanidade eh enquanto parte da humanidade ele tem que ser a partir daí isso suscita uma série de outras medidas as medidas são a incorporação ao estado né panto súdito eles têm direito a isso claro que é uma incorporação proporcional não se trata de democracia aqui nós estamos muito longe disso né não se trata de fazer muitas vezes se lê como se fossem os Jesuítas fossem protetores dos dos índios de uma forma que como se fossem eh um sentido de defesa de minoria Não é nada disso né Nós estamos muito
longe desse momento quer dizer a ideia é que só há salvação através da igreja A Hierarquia é absolutamente nítida o corpo hierárquico eh do Reino é é perfeitamente estabelecido os índios entram nessa base digamos assim dos pés ali da da da da República né da resp pública como se dizia portanto eles têm vamos dizer assim uma incorporação proporcional àquilo que é devido nãoé não se trata de nenhuma e a conversão Se daria a partir daí a partir daí sim desse lugar de sujeito de sujeito sujeito quer dizer sujeito ao ao ao às leis do estado
e portanto também com os seus direitos por exemplo de aprendizado da da verdadeira doutrina que seria a da Igreja Católica né numa perspectiva Jesuíta perspectiva Jesuíta bacana o texto é ótimo Professor eu queria encaminhando pro final eu acho que a gente precisaria falar um pouquinho do Nóbrega quer dizer ele é um ele não era qualquer Jesuíta ele era um Jesuíta e foi um Jesuíta importante digamos de primeira hora assim não é isso da dessa dessa linha criada pelo eh Inácio ilol é isso uhum sim é um jesuí importante ele tem tem uma uma família importante
né o pai Desembargador acho que teve um tio que chegou a ser chanceler mor do reino quer dizer um homem importante chegou a fazer a fazer Universidade estudou em Salamanca depois em Coimbra chegou a tentar a prestar a cátedra duas vezes foi reprovado né disse por um problema de gagueira né O que é um pouco estranho mas não tem certeza disse é disse que sim mas é estranho porque ao mesmo tempo ele foi nomeado pregador e teve uma Uma Vida Ativa como pregador no reino né mas era um homem de de de talento O que
é evidente por esse texto pelas cartas é um realmente um homem de de Formação importante e que formula toda a política dos negócios indígenas da companhia que se estabelece aqui e que permanece ao longo de todo o século X até pelo menos o final dele né ex então é da cabeça dele que veio essa da cab não só da cabeça porque Claro ele tá instrumentalizado ele tá pensando dentro do corpo do corpo jesuítico e dominicano de uma de digamos um pensamento católico do século XV em particular que se chama de segunda Escolástica ou de neotomismo
porque ele tá dentro desse processo e e e nisso ele realmente é bastante importante Professor a gente tá chegando aqui no final eh então assim eu acho que a gente conclui aqui que isso é um texto que a gente tem que ler apesar de ninguém dar muita bola para ele a gente tem que ler para compreender como é que os portugueses chegaram aqui como é que os Jesuítas trabalharam de todos os pontos de vista tem que dar atenção do ponto de vista histórico porque isso é um texto decisivo no estabelecimento das práticas jesuíticas no Brasil
é importante do ponto de vista literário Porque como gênero do Diálogo como eu mostrei ele tem um tipo de estruturação exemplar Como eu disse aqui em três partes em que os os oponentes se distribuem ali dentro até digamos a a resolução final não é com uma com a sua com a com a sua disposição nova nãoé de de conversão né é importante paraa compreensão das situação da Companhia de Jesus porque aqui todas as correntes que estão dentro dela né O que aparecem também aparecem enfim é um texto decisivo mesmo eu diria mas eu acho que
a fora essa dificuldade que você mencionou no início né de compreensão do português de época né ele tem um mesmo é muito prazeroso acompanhar como a argumentação vai se estabelecendo é é interessante isso e é realmente no início você sente uma certa dificuldade mas se você ele é curto é um texto curto não é um não é um texto muito longo se você ler uma segunda vez você vai eh enfim aprender melhor as coisas que que estão dentro dele é é realmente um tipo de texto que que demanda notas né em geral demanda notas Ou
demandaria pelo menos um esforço de de de às vezes por exemplo na Inglaterra se faz muito o que eles chamam de eh de tradução pro pro pro inglês contemporâneo eles pegam esses textos antigos e fazem atualizações do texto né o que pro por um lado torna mais claro mas por outro lado perde um pouco doç éa exato a maca da histórica né exatamente Professor obrigado Mais uma vez obrigado por sua colaboração com a gente Obrigado por vir aqui nos ensinar um pouquinho sobre manal da Nobre até a [Música] próxima [Música] k