[Música] onde está a cultura a cultura tá em todos os cantos do Brasil o vídeo do Instituto Cultural Vale mostra diversas pessoas performando atividades culturais como tocando instrumentos dançando visitando museus ou apreciando obras de arte 160 municípios onde tem Cultura a Vale está apoiando e valorizando Nossa cultura crescemos eolos Juntos Boa noite obrigada pela presença Então hoje eu quero apresentar o professor Elton adverse que participa do ciclo de debates filosóficos mutações para falar sobre o tema mundo sem pensamento sem ideologia sem memória o sempre um papo é viabilizado através do Patrocínio do Instituto Cultural vale
e semig via lei federal incentivo a cultura do ministério da cultura o ciclos de debates mutações é realizado Pelo arte pensamento e Sesc com apoio institucional da embaixada da França no Brasil apoio cultural da diretoria do livro leitura literatura bibliotecas circuito Liberdade Minas literária decentra cultura e Secretaria de Estado da cultura e turismo de Minas Gerais Vamos aplaudir a plateia recebe Elton com um carinhoso aplauso Elton é um homem branco de cabelo curto grisalho e sem barba ele usa um óculos de astes pretas É um é um grande prazer integrar é o o ciclo que
Adalto novaz promove há tanto há tanto tempo né o alum algumas décadas já e e por isso de início Agradeço vivamente ao ao Adalto por ter me convidado mais uma vez a fazer parte do ciclo e mas tem de agradecer também ao Afonso Borges se dispôs a receber e organizar o ciclo aqui em Belo Horizonte e a equipe que eh me recebeu que tá dando o apoio eh para que essa comunicação hoje possa Acontecer em especial a a Ana Teresa e o que eu pretendo falar hoje surgiu de uma de uma conversa com o próprio
Adalto novaz há algum tempo em que o Adalto se inquietava né sobre o tema do espírito do mundo e que é o mote não é do do evento e a partir dessa conversa eu Opa eu eu a partir dessa conversa eu eu levantei essa essa questão e o que eu escrevi eh resulta né dessa dessa pergunta eu levantei essa questão Sobre o que faz com que nós possamos perder o mundo perder o mundo no sentido o mundo no sentido do Comum do espaço comum onde as nossas existências ganham o sentido onde elas ganham significado né
quais são são as causas pelas quais nós perdemos o mundo que era um outro modo de pensar a questão sobre a morte do Espírito como o espírito pode morrer finalmente as duas perguntas estão estão fortemente associadas elas remetem e uma a outra não elas se implicam Mutuamente e então o o título inicial do texto seria isso como o espírito morre né como o espírito pode morrer e mas no na escrita né no no preparo do texto acabou adquirindo um outro título né sobre o mundo eh como podemos perder o mundo é e evocando nesse título
já como a Ana Teresa aqui lembrou evocando já Ah três tópicos que é eh o da ausência de pensamento o da memória e o tópico da ideologia Então o que eu aquilo que eu gostaria de falar para Vocês hoje pois que se trata sobretudo disso de uma de uma interlocução de uma de uma conversa com vocês o que eu gostaria de falar é sobre essas e esses riscos essa possibilidade eh que eh é evidente a meu ver na nossa realidade atual na nossa realidade contemporânea a possibilidade de perder o mundo né e e eu acredito
que a essa perda do mundo pode ser causada dentre outros fatores evidentemente mas acho Que ela pode ser causada pela ausência de pensamento pela pelo esquecimento daí o tema da memória e também nós podemos detectar este fen da perda do mundo com a Adesão a ao discurso ideológico a ideologia Então o texto se estrutura na verdade a partir desses três tópicos n eu vou falar um pouco deles Eu praticamente não vou ler o texto a não ser uma passagem ou outra e E o momento final as considerações finais eu faço eu faço questão porque eu
acho importante ler pelo menos a a as páginas eh finais do texto Mas então o texto tá organizado dessa maneira eu quero compreender como nós podemos perder o mundo entendendo então o mundo como esse espaço comum como que envolve evidentemente a noção de espaço público envolve também a noção de de espaço político então o mundo numa definição Arenti não de haná que é uma autora vocês já verão de imediato hanar é a autora que me guia e que me serve de referência para elaborar essas reflexões numa numa definição arentia o mundo é aquilo que está
entre nós simultaneamente nos unindo e separando né O mundo nos une e nos separa ele e ele nos une nos separa Exatamente porque nós somos iguais e nós somos diferentes n cada um de nós na Perspectiva arentia que me parece bastante plausível cada um de nós guarda com os outros uma relação de identidade Somos Iguais por outro lado cada um de nós é único é singular portanto a existência a existência em comum ela envolve tanto a igualdade quanto a diferença N E isso tem toda a relevância Para se entender o que é o mundo pois
o mundo é este lugar onde nós exercemos a igualdade nós conhecemos A igualdade é um lugar onde nós nos apresentamos em condições de igualdade mas é o lugar também em que nós nos diferenciamos uns dos outros ou é o lugar também que nós manifestamos a as nossas singularidades aquilo que especifica eh cada um de nós a as nossas individualidades Então esse esse o sentido do mundo que é claramente um sentido político do mundo n o mundo tem de ser tomado aqui numa acepção política então eu eu Organizei o texto dessa forma são três partes na
em cada uma delas eu trato de um tópico então na primeira parte eu trato do tópico da ausência de pensamento na segunda O tópico do memória e esquecimento e na terceira parte eh O tópico da ideologia e como eu começo o texto eu começo o texto eh lembrando um livro eh de han arent que este ano aliás completa 60 anos de publicação ou seja o livro Foi publicado Originalmente em 1963 um livro bastante polêmico de hann arend que que se chama eichman em Jerusalém né o livro publicado em 63 ah este livro resultou na verdade
de uma série de reportagens que han arit escreveu eh ela se ofereceu como repórter para New yorker Magazine ela e o editor que de bobo não tinha nada não é Hana Art já era uma intelectual bastante conhecida na na sua época ou na época do do do julgamento né o editor Não não hesitou não vacilou em aceitar o pedido da arte de ser uma repórter enviada pelo New yorker a Jerusalém para acompanhar o julgamento do e então o livro resulta dessa dessa série de reportagens que ela fez em 61 62 o julgamento aconteceu em 1961
e eu parto desse livro né do eichman do Adolf eichman que foi um criminoso nazista ele foi um funcionário foi um sa né ele integrava A Sa mas ó perdão a SS ele integrava a s mas eh Integrava o aparato burocrático da s não é então o o eichman não era propriamente né Eh um homem de ação digamos não é um soldado ss e não se ocupava diretamente das ações perpetradas pela pela SS mas ele era um sobretudo um burocrata um homem de gabinete e um burocrata cuja função era basicamente organizar o transporte né transporte
do da dos perseguidos pelo pelo governo nazista perseguidos em especial os Judeus mas mas não só e esse transporte em geral consistia no no encaminhamento dos perseguidos pelo regime nazista aos campos de concentração e aos Campos de extermínio não é eh aa se ocupou sobretudo dos Transportes no dos transportes eh para os campos de extermínio eh sobretudo Ach vitz né E então ela escreve esse texto a partir né da do julgamento ela tendo Assistido o julgamento de a em Jerusalém e Quando publica o livro em 1963 de imediato de pronto tem origem uma uma polêmica
que rendeu a á uma série de de sabores né e causados eh por certas declarações da autora no livro Uma delas era o fato dela eh afirmar que os conselhos judaicos haviam desempenhado um papel no no extermínio dos judeus e um papel colaborador o que evidente isso isso é Um fato né não cabe contestação mas do seu ponto de vista essa colaboração eh acelerou o processo de destruição em massa dos judeus essa declaração da arte não era nenhuma novidade alguns anos antes dela um Historiador havia publicado um trabalho alentado e minucioso sobre a destruição dos
judeus esse esse Historiador se chama Raul hilberg e cujo livro arit conhecia e que chama Justamente a destruição dos judeus Arit conhecia esse livro ela cita o livro e mas o fato de ela colocar isso no seu texto evidentemente não poderia agradar a Comunidade Judaica a qual ela pertencia Vale lembrar não é á também era era judia mas um outro ponto da Polêmica E é isso que me interessa mais um outro ponto da Polêmica é uma expressão que aparece no título do livro e aparece no final do livro que é a expressão banalidade do mal
esse termo Eh foi muito mal recebido foi muito mal compreendido porque deixava entender que estaria minim o impacto do do holocausto do genocídio transformando né num crime banal por por intermédio da figura de eichman não seria então um homem banal e portanto os seus crimes seriam seriam banais então nessa interpretação estaria desmistificando o o ídio mais do que Isso não é ela estaria mitigando a verdadeira dimensão do que aconteceu não é esse em absoluto o ponto de vista da autora e não é não é também o meu porque eu tenho a impressão que o termo
banalidade do mal mal entendido mas o termo banalidade do mal é na verdade profundamente perturbador e não por essas razões não porque arte estaria contrariando uma evidência histórica que é um massacre sem dimensões e uma um Assassinato em massa desconhecido na história não por isso não é por isso que eu acho que o termo seja perturbador mas pelo fato de que a banalidade do Mal indicar uma surpreendente desproporção entre a o crime cometido e a natureza do perpetrador quando arent diz na parte inicial do seu livro sobretudo nos Capítulos primeiro e segundo que a eraa
um Homem Medíocre ela chega a dizer mesmo né que a era era um palhaço ela usa esse termo Clown ele era um palhaço eh o que o que interessa a ela é colocar a em primeiro plano este aparente paradoxo entre um crime então desmesurado n é e o seu perpetrador o seu o o seu criminoso que era Um Homem Comum quer dizer o que aret estava fazendo era seguir uma uma um abrindo um um um uma explicação um um entendimento do que aconteceu em uma via na Qual a Figura do criminoso Demoníaco era desqualificada era
colocada em suspeita era colocada em cheque ou seja para para ar eichman não era um um um uma A figura a figura monstruosa n esse esse gênio do mal que eh muitas vezes foi essa figura muitas vezes foi construída eh sobretudo pela pelas grandes mídias mas não só não é porque eh é compreensível que alguém que É responsabilizado por um crime dessa magnitude seja entendido como uma figura monstruosa diabólica né e e que portanto Tu seria possível encontrar Não exatamente toda a explicação mas indícios para compreender porque aquilo aconteceu na natureza de quem cometeu o
crime né é uma lógica natural é uma lógica perfeitamente eh familiar e não surpreende absoluto mas o que arent faz é Esso que me parece tão eh eh perturbador na sua né no seu texto o Que ela faz é justamente mostrar que essa não é a melhor forma para entendermos o que se passou então o caminho que ela segue é outro para entendermos o que se passou temos que abrir mão dessa construção segundo ela fantasiosa e imaginária mas que tem sua razão mas que é imaginária essa construção né da diabolização do do itman em favor
da sua da sua banalização não é ora e isso para ela para sua argumentação isso é importante eu acho Que para nós também finalmente posso avançar um pouco na naquilo que eu escrevi não é isso é importante porque permite entender que um um advento um acontecimento como o genocídio ou a implementação de sistemas totalitários é uma possibilidade que está inscrita diria mesmo enraizada na sociedade quando quer dizer Nós não precisamos é um outro modo de dizer a mesma coisa nós não Precisamos de uma organização Demoníaca para entendermos o surgimento de um sistema totalitário paraar a
sociedade de massas quer dizer aquela em que pessoas como eichman são Legião pessoas como chama constitui a um número expressivo a sociedade massa contém em si Ela traz em seu interior as condições de possibilidade para o surgimento de um sistema totalitário por isso essa referência a mediocridade do aish Mediocridade que claro vocês podem entender em duplo sentido não é de um lado da mediocridade como a média uma mulher assiste atentamente aisman era um homem mediano quer dizer ele está na média ele é como a maioria ou como o maior número e a mediocridade pode ser
entendido também como ausência de um brilhantismo de uma de um espírito particularmente arguto ou perspicaz não é dois sentidos do termo mediocridade mas esse é o ponto Principal para ela n eu acho que ela tem pleno êxito de né na realização desse objetivo quando ela publica o seu texto ou seja eh porque que eu acho que ela tem pleno êxito porque as reações me parece mesmo que não confessem que não reconheça ou que não acompanhe áa tem todo o desenvolvimento da sua argumentação eu acho que essas reações extremamente virulentas são testemunho de uma certa estupefação
que este argumento produz e que coloca diante de Nós o fato Evidente de que estamos pelo menos potencialmente dispostos a embarcar numa aventura é genocida ou numa numa aventura destrutiva e uma e uma política né que é finalmente antipolítica pois que na na Perspectiva arentia um sistema totalitário rigorosamente não é um sistema político é um sistema antipolítico pois que o que orienta o o político isso é essencial A política o que orienta o político é a Ideia de um bem comum e não a destruição do Comum o que nós vemos no sistema totalitário para para
arent é precisamente essa destituição do comum e a destituição do mundo o sistema totalitário encontraria Mas isso é uma hipótese Porque de fato isso não aconteceu em nenhum regime totalitário do qual nós temos notícia mas a ambição de um sistema totalitário é a destruição do mundo veja não é a destruição do Planeta é a destruição do mundo quer dizer é a destruição do espaço comum esse espaço comum onde nós comparecemos como iguais e como diferentes Vocês pode ter uma uma amostra disso na virulência com a qual sistemas totalitários perseguem a diferença o sistema totalitário abriga
o desejo de conformação da sociedade é uma é um bloco monolítico que rejeita toda e qualquer heterogeneidade o sonho ou pesadelo Totalitário é de uma sociedade plenamente massificada às vezes aret usa uma imagem para expressar essa pretensão antipolítica do sistema totalitário que seria seres humanos amalgamados né unid de modo a se tornarem indistinguíveis anulando portanto a individualidade de cada um E é isso que estaria em jogo em princípio num sistema totalitário e por isso um regime rigorosamente um regime Antipolítico pois bem se o sistema totalitário pode ser implementado eh Em uma sociedade de massa se
essa é uma de suas condições de possibilidade ele requer o sistema totalitário ele que é um ser humano que seja capaz ou esteja disposto a abrir mão do mundo abrir mão do mundo significa para arte em primeiro lugar E aí eu vou ao primeiro tópico eh do texto que eu preparei abrir mão do mundo significa em primeiro lugar abrir mão da Capacidade de pensamento fazer parte do mundo estar no mundo viver frequentar esse espaço comum em que encontramos o mesmo e o outro quer o exercício da capacidade de pensamento pois que o mundo exige que
nós nos posicionem o mundo exige que sobre ele nós tenhamos um ponto de vista como nós manifestamos as nossas individualidades expressando o o o modo como nós vemos as coisas o modo como nós vemos a realidade o modo como nós vemos O mundo é sempre um é um é pelo juízo que é uma forma de atividade intelectual né é uma atividade espiritual é pelo juízo e pelo pensamento que nós manifestamos a nossa visão do mundo o modo como nós compreendemos o mundo ou como gostava de dizer arit o modo como o mundo aparece para nós
por isso há uma forte relação segundo ela entre o pensamento e o mundo e pelo mesmo motivo há uma forte Relação entre perda do mundo abandono do mundo e ausência de pensamento se voltarmos se voltarmos a eichman para ar eichman não pensava ela diz exatamente isso ela usa um termo no livro É verdade que ele aparece só no finalzinho para ser mais preciso o termo aparece só num posfácio do livro mas se o termo não está na na na na parte não é principal do livro A ideia está lá a coisa está lá digamos assim
não é bom Qual é esse termo esse termo é ausência de pensamento né thoughtlessness como ela escreve em inglês n thoughtlessness ausência de pensamento então do ponto de vista arenti ano eichman carecia de pensamento eichman não pensava uma das características então definitivas ou definitório era a ausência de pensamento n é essa ausência de pensamento então é correlata A perda do mundo ela é correlata ao abandono do mundo e o que que ISO significa praticamente eu quer dizer quando eu falo praticamente eu falo nessa esfera da ação política que é o que é onde nós Agimos
com o outro no mundo é essa a esfera pública a esfera política o que que qu Quais são as consequências da ausência de pensamento segundo á claro já é abandono do mundo você já sabemos mas o Que que ISO significa mais e é propriamente ISO significa a Adesão incondicionada ou quase incondicionada signif a a a Adesão quase incondicionada ao poder isso significa a obediência a obediência está conjugada para a ar com a irreflexão quero dizer a obediência evidentemente é obediência cega justamente aquela que é exigida de um funcionário como Eichman que embora não fosse do
primeiro Escalão n é da das SS ou do departamento de segurança que era enfim não é a fazer das SS um dos né mas eh essa obediência era um princípio basilar Sem o qual uma estrutura como a máquina de destruição a máquina assassina nazista não poderia funcionar sem esta obediência então a está inclinado De esse eu acho que é o fulcro do seu argumento a está inclinado a abicar de qualquer centelha de em favor da Obediência pois que a obediência lhe assegura um lugar a obediência lhe assegura um pertencimento um Per mesmo que esse pertencimento
seja a uma máquina destrutiva mesmo que esse pertencimento seja a de a de um projeto genocida n Mas é isso que para que se que Transparecia né na personagem do do do eichman a sua inclinação a sua disposição a dar a sua adesão né É isso que ela denomina de ausência do pensamento a que não deve ser confundida essa ausência de pensamento não deve ser confundida com estupidez não deve ser confundida com incapacidade de calcular para ar há uma diferença importante entre né a capacidade lógica do Cálculo e a capacidade de pensar e de julgar
são coisas distintas para ela e uma não necessariamente é acompanhada da outra o que nós vemos no com com aisman é precisamente um homem capaz de organizar ele foi um um excelente organizador no que conceria a função que lhe era incumbida não é o transporte e para os campos Ash a executava excelentemente quer dizer sua Capacidade organizativa estava fora de questão mas isso para ar não tem forçosamente nenhuma relação com o pensamento com capacidade de pensar o pensamento significa uma abertura para o mundo o pensamento significa um recuo um pensamento significa também assumir a individualidade
assumir a particularidade assumir a especificidade e a parcialidade com a qual nós vemos o mundo mas o pensamento significa também a disposição a Reformular as nossas opiniões ou aquilo que para nós parece parece verdadeiro a atividade do pensamento muitas vezes é infrutífera na medida em que ela não assegura o acesso a a uma verdade definitiva mas a atividade do pensamento é imprescindível para para a produção de significados é isso que está em jogo no pensar no pensamento E é disso segundo ela que arte que aichem estava desprovido eichman então não pensava ele Se servia evidentemente
de uma capacidade intelectual que é articulação lógica não é Ou cálculo Como diz arent e por vezes mas não propriamente o pensamento o ser humano portanto incapaz de exercer o próprio pensamento ora para ar essa esse embotamento do pensamento tem forte ligação com o fenômeno da Solidão outro aspecto importante para ela da sociedade de massa sociedade de Massa é uma sociedade fragmentada ou seja ela pode produzir ela pode disseminar a solidão o que não quer dizer que nós que pertencemos a uma sociedade de massa nos sintamos sempre todo o tempo solitários Mas é uma experiência
possível para os seres humanos em geral e particularmente comum em uma sociedade de massa essa solidão também pode ser entendida negativamente como ausência de Vínculos como ausência de Laços que nos une aos aos nossos semelhantes que nos une aos demais uma sociedade massa de massas portanto fomenta essa experiência da solidão e paraar entre a experiência da Solidão tem uma consequência não apenas política mas também tem uma consequência intelectual e as duas coisas estão ligadas para ela o que seria a consequência política da Solidão uma Despolitização a a a a a atrofia da capacidade de agir
no espaço público com o outro a solidão retira a nossa disposição para encontrar o outro no espaço público visto que ela é fundamentalmente o sentimento do desamparo Então essa é sua consequência política imediata não é essa despolitização mas há uma consequência Intelectual da solidão que é a dificuldade que quando nós experimentamos a solidão a dificuldade de pensar em que sentido de estabelecer com a realidade uma relação na qual nós nós exercemos a faculdade de julgar quer dizer me expressando de uma outra forma na solidão torna-se mais difícil separar o que é o verdadeiro e o
que é o falso distinguir o que são as nossas Impressões meramente subjetivas daquilo que poderíamos chamar assim de objetivo por para ar ent o pensamento ele requer um encontro com o outro ele requer portanto a inserção em uma comunidade então a a solidão enfraquece a nossa capacidade de julgar o modo como nós entendemos o mundo como nós compreendemos o mundo como nós julgamos o mundo depende da nossa presença em uma Comunidade se vocês quiserem aprender isso de uma forma mais intuitiva basta lembrar do nosso sentimento de realidade o que nós chamamos de realidade Depende do
que os outros chamam de realidade nenhum ser humano sozinho é capaz de desdobrar de né de retirar dentro de si mesmo como como uma aranha retira a sua teia nenhum ser humano é capaz de retirar de si mesmo e esse o senso da realidade o sentido da realidade ele é externo quer dizer ele é construído Externamente então para nós compreendermos algo como real e considerarmos algo como real nós precisamos do outro Precisamos do outro negativamente basta pensar que se nós estivermos inseridos em uma comunidade que diz que o real é completamente diferente daquilo que nós
p nós começamos a duvidar de nós mesmos mas será que isso que eu penso de tal coisa é verdadeiro porque se todos estão Dizendo que não é para além de um de um de um construtivismo eh sociológico de botiquim o que está em jogo aí é uma condição humana para ar qual seja o de que nós nos humanizamos na no pertencimento a uma comunidade isso no sentido mais pleno nós nos tornamos humanos nós desenvolvemos as nossas capacidades Espirituais em comunidade com o outro no espaço público é isso que está em questão é isso que é
o que é o centro do do problema então se voltarmos a aisman a parait era um homem solitário que portanto segundo ela né havia aberto mão de sua capacidade não é de refletir sobre o mundo e sobre aquilo que ele próprio fazia não é uma não é uma desculpa não é uma atenuante para eichman pelo contrário Vale lembrar que arent em Momento algum posicionou-se de modo contrário ao veredito do tribunal de Jerusalém a você sabe o veredito do tribunal foi culpado e a pena a morte ar em momento algum do seu livro contesta a legitimidade
do veredito pelo contrário ela acompanha o tribunal que também rendeu uma série de críticas por justamente por aqueles que são mais simpáticos a ela não é mas Mas por que ela acompanha o Veredito porque apontar este fenômeno da ausência do pensamento em eichman não significa retirar de eichman a responsabilidade por aquilo que ele fez todos os seres humanos são responsáveis por aquilo que eles fazem é evidente que deve ser resguardadas as as as circunstâncias os casos né em que a atribuição de responsabilidade deve ser mitigada ess é uma trivialidade nós sabemos disso mas do ponto
de vista de arent a tinha plenas condições de agir De uma outra forma ou seja o argumento de de arent a respeito de eichman nada tem de um determinismo nada tem de uma de uma causalidade direta simpl redutora a poderia ter feito de outra maneira como muitos fizeram como muitos se revoltaram como muitos não deram a sua adesão asman escolheu a acomodação isso portanto para arend é suficiente para responsabilizá-lo pelos crimes que ele Cometeu Então esse esse ponto me parece importante não é esse ponto da ausência de pensamento no caso extremo do do criminoso nazista
não é do do eichman porque permite que nós compreendamos a verdadeira natureza da ausência de pensamento e a verdadeira consequência nefasta por sinal eh do de abrir mão dessa capacidade de pensar e dar a Adesão a sistemas que são ah abertamente não é antipolítico para arent Então esse esse é um ponto do do Caso aon que Que Me interessou destacar mas há um outro ponto que é E aí esse é o segundo tópico do meu texto o outro ponto é a memória e o esquecimento para ar arent Aim E ela diz isso no texto vocês
encontram isso no texto não é para ar eichman tinha péssima memória ele era um bom organizador ele era um bom burocrata mas ele não tinha muito boa memória o que que isso Significa isso significa que na A retomada do passado com frequência eichman uma mulher ouve atentamente ele confundia datas acontecimentos causas consequências e não não como um processo de autodefesa ou como procedimento não é de proteção visto que ele estava sendo julgado num tribunal não é não por isso mas como segundo ar pelo menos como expressão da sua natureza ele tinha uma memória ruim ele
Se esquecia e isso para arte está ligado essa má memória não é essa esquecimento do eichman para ela está ligado à ausência de pensamento essa dificuldade de fixar na memória de manter viva na memória a ordem dos acontecimentos os seu sentido pois que manter viva na memória é uma condição sem a qual não é possível fazer o juízo Ou ou avaliar a realidade aisman portanto tinha essa inclinação essa tendência a Se esquecer das coisas o que se coaduna também Vale lembrar sempre segundo á o que se coaduna também com eh a facilidade com a qual
aem utilizava clichês no lugar do pensamento clichês quer dizer o pensamento mecânico e em diversas ocasiões segundo ela asman deu mostras de ao invés de expressar digamos o o que uma pessoa racional naquela circunstâncias diria Ele substituía uma proposição por um Clichê não é por um ditado por exemplo os ditados fazem às vezes de clichê não é Claro é claro que nós podemos colocar em cheque duvidar da pertinência de um ditado mas isso exercer o pensamento mas quando o ditado fala por nós nós então estamos nesse registro do pensamento mecânico e não raro então segundo
ela itman demonstrava o seu apreço pelos Pelos clichês é uma forma também de desmemoria é uma forma de esquecimento é uma forma de não trazer de volta as experiências passadas e os sentidos que elas podem produzir é uma forma de tamponar quer dizer o pensamento mecânico a utilização de clichês é uma forma de tamponar tamponar a brecha através da qual o pensamento pode emergir então há uma uma associação para Entre a ausência do pensamento e o esquecimento e por isso segundo ela eichman teria essa essa natureza não é desmemoriada e que segundo ela é um
fenômeno então detectável em um indivíduo mas é um fenômeno de massa também n o esquecimento pode ser um eh um processo coletivo da mesma forma que o indivíduo pode esquecer e fudir o seu passado uma comunidade pode fazê-lo em um outro texto contemporâneo Ao livro sobre eichman um texto que Art escreve no comecinho também dos anos 60 então um texto que se chama verdade e política e que se encontra numa coletânea cujo título é entre o passado e o futuro Nesse texto aret fala de uma verdade factual ela usa esse essa expressão verdade factual e
essa verdade factual seria na verdade perdoe a redundância mas essa verdade factual seria então a o Registro dos fatos a verdade factual se diferencia de uma verdade lógica a verdade lógica ela não depende dos fatos ela é uma verdade meramente racional não é nós a qual nós damos o nosso assentimento sem grandes dificuldades 2+ 2 faz em quatro por exemplo não é então essa essa é uma verdade racional uma verdade lógica a verdade factual é algo de outra ordem a verdade factual então concerne aos acontecimentos do portanto ao passado e Que são registrados ora para
Arens toda comunidade política necessita de conservar o seu passado a sua memória factual é isso que seria uma memória coletiva ela ela não usa o termo memória coletiva n se eu sou eu que estou aplicando o termo ao texto de arent mas eu acho que há uma afinidade Evidente entre verdade factual e eh memória coletiva pois que eh a verdade factual como ela não é digamos Racional filosófica ou lógica Ela depende de duas coisas a verdade factual depende do Testemunho não é para ela ser registrada né ela precisa do testemunho alguém que esteve presente e
que portanto né testemunhou viu ou viu o que se passou a verdade factual depende do testemunho mas ela depende também da partilha de uma experiência comum pois que sem sem esse segundo elemento essa partilha a verdade factual seria na Verdade vítima de subjetivismo né quer dizer se reduzí-las por um lado é algo que aconteceu testemunhado por alguém e que é partilhado e que ganha portanto o status de comum sem a verdade factual para arent não existe comunidade política Então qual é o argumento dela certamente nós podemos discorrer Discutir sobre fatos passados nós fazemos isso o
tempo todo não é fazemos isso todo o tempo nós podemos dar sentido significados diferentes ao que aconteceu no passado é óbvio não é mas é preciso que seja consolidada segundo ela uma estrutura veritativo sobre alguma coisa né é uma estrutura veritativo é isso que é a verdade factual se essa estrutura que que é Mínima se ela não é conservada por exemplo el á cita algumas verdades factuais os alemães perderam a segunda guerra se nós passarmos a colocar em questão e que é possível evidentemente não é é uma potência do nosso discurso colocar tudo em questão
mas se nós passarmos a colocar em questão este fato que é registrado que foi testemunhado que se consolidou na partilha e que deu sentido a ao a uma comunidade ou a várias comunidades Se nós passarmos a colocar em questão este fato Nós perdemos segundo á a base sobre a qual nós Eros o mundo em comum Por isso me parece plausível colocar no mesmo pé ausência de pensamento e o fenômeno do esquecimento uma coisa e outra São imprescindíveis para se compreender o que arte tem em mente quando fala né do mundo e para se compreender também
isso que eu estou chamando aqui das Possibilidades de perder o mundo ausência de pensamento e esquecimento são ameaças à destruição do nosso mundo em comum o terceiro tópico Então já avançando aqui para eh o final do texto o terceiro tópico concerne a ideologia a ideologia que na verdade engloba os dois primeiros para compreender isso melhor acho que vale a pena tereme o que ar entende por Ideologia ideologia bom vocês sabem o termo tem uma tem uma longa história né na tradição do do pensamento e é claro que Marx é sem dúvida eh uma referência incontornável
quando falamos de ideologia mas quando arent utiliza o termo ideologia ela faz uma redução ou seja não interessa a ela seguir Marx no que diz respeito a a concepção sociopolítica e econômica de Ideologia grosso modo para Marx a ideologia é uma justificativa é um curso que justifica a dominação de classe n ainda grosso modo para Marx a ideologia naturaliza a dominação de Classe A diferença entre as classes e em última instância finalmente a exploração que o capital impinge ao ao trabalhador Mas ar não se detém nesse nessa acepção econômico social e Política de ideologia interessa
a ele a ela tomar a ideologia como uma visão de mundo quer dizer um uma concepção reduzida de ideologia que tem muita afinidade com o conceito de ideologia antes de Marx que é um conceito filosófico de ideologia na qual ela se resume ela a ideologia se resume a um ideário é um conjunto de ideias mas é um conjunto de ideias que tem uma um aspecto político pois que esse conjunto de ideias é uma Interpretação do mundo é uma visão do mundo a arent usa essa expressão para eh às vezes designar a ideologia ela é uma
visão de mundo é uma visão de mundo que enquadra o mundo o que que significa enquadrar o mundo significa que a ideologia produz sentido mas até a aí é difícil distinguir ideologia de uma teoria é difícil distinguir ideologia de uma doutrina é difícil Distinguir ideologia de uma mera opinião compartilhada por muitos então tem mais elementos aí para se especificar a ideia e para um desses elementos é que a ideologia é uma visão de mundo totalizante a ideologia poderia nos dizer com ela satura o mundo de significado satura o mundo de sentido não sobra não sobra
brecha não sobra vazio não sobra nada a ideologia outro modo de dizer a ideologia tudo Explica tudo explica E aí quando estamos nesse registro quando falamos na ideologia com nessa acepção os sistemas totalitários constituem por por Excelência sistemas ideológicos pois todo sistema totalitário dispõe de uma visão de mundo que explica o Real em sua totalidade e quando eu falo seguindo Arens quando eu falo da totalidade Isso deve ser tomado tanto no espaço quanto no tempo Pois que a ideologia totalitária não explica apenas o mundo real não é que na verdade é o mundo fictício não
explica apenas o mundo real em sua totalidade sem falha mas explica também o passado e antecipa o futuro prevê aquilo que vai acontecer se você se interessar ou se vocês se interessam pelo tema não é basta lembrar os discursos dos líderes nazistas talvez escolhendo aqui o principal deles não é Hitler seus discursos eram repletos de profecias que explicitavam não apenas o curso do acontecimento presente mas vinculava o presente ao passado pois que é a raça ariana a raça Ger Na verdade era uma herdeira do passado inclusive dos gregos na ideologia nazista oficial todos os povos
dominadores do passado eram gregos eram eram eram eram germânicos e Eram arianos todos eles Então os gregos eram alemães para os alemães nazistas né os gregos eram alemães e então o passado mas o futuro também o re o terceiro deveria durar 1000 anos tá e se a as evidências para esta realização não são as mesmas para todos a culpa é de quem [Música] vê a ideologia portanto é englobante ora então ela perfeitamente conjugada Segundo ar com a ausência de pensamento pois que a Adesão a um discurso totalitário a um discurso ideológico tomada sempre nessa acepção
a adesão ao discurso ideológico suprime a atividade do pensamento não é preciso pensar basta servir-se da ideologia que tem as respostas para todas as questões não tem enigma o mundo ideologizado é o mundo sem Enigma é o mundo sem interrogação por isso ar pode dizer em Um outro livro em origens do totalitarismo na num Capítulo que foi acrescentado eh mais tarde no ela pode ela pode dizer que sobretudo a ideologia é uma Logical a ideologia é uma lógica da ideia quer dizer tem um traço tem um um caráter fortemente formalista na ideologia Ela opera sobretudo
como lógica e a lógica é pensamento mecânico não é mecânico mecanizado não é uma o pensamento está Encadeado de modo a evitar ou a impedir que as lacunas se transformem em ocasião para a reflexão lógica da ideia Logical didade é como ela entende também a a ideologia então em um sistema totalitário sobretudo nazismo que é sobre o qual ela mais se deteve então nós temos ausência de pensamento então há uma relação Clara segundo ela entre ideologia e ausência de pensamento mas há também uma relação entre ideologia e Esquecimento porque a ideologia não tem limites a
verdade factual para ar é um limite a verdade dos fatos impõe um limite não apenas a nossa interpretação da história mas ela impõe limite também a nossa a nossa vontade quando nos referimos ao que passou quando eu F mais cedo não é dessa estrutura vertiv do passado da verdade factual está em questão aí para ar a limitação o passado Passou e nós não podemos modificar Isso é verdade que em outros momentos se lembra de uma frase famosa do William FK né que uma peça do F que se chama hecken para uma freira uma frase que
o f um personagem do F dizia não que o passado nunca é passado claro isso tem todo o sentido certamente podemos compreender a peça toda do FK n Demonstra o sentido dessa frase ela a f a coloca na peça não sem Razão porque a peça em cena uma história em que o passado dos personagens é revivido de modo a reconfigurar por completo As suas existências mas vejam isso é também o reconhecimento da [Música] inelutável essa passagem do folk né se o passado pode voltar e transformar as nossas existências é porque ele é mais forte do
que as nossas vontades sobre Esse aspecto o passado Então guarda Uma Como dizia a ar o passado guarda uma teimosia ela usa esse termo há uma uma certa obstinação no ser do passado por isso ele limita por isso ele pode o passado se servir servir de base ora voltando aqui à ideologia e conjugando com a ausência de pensamento a ideologia arruína essa estrutura verita tudo pode ser verdadeiro no discurso ideológico tudo vale desde Claro desde que certas condições sejam atendidas né Por exemplo que seja o Líder de um movimento totalitário que eu diga não basta
qualquer um dizer evidentemente né mas tudo pode ser no discurso ideológico e num sistema totalitário tudo pode ser transformado e para arent na sociedade de massas Vejam Só nós estamos mais do que nunca inclinados a acreditar no que quer que seja a credulidade então para arent essa adesão ao às coisas mais absurdas aos discursos mais disparatados essa disposição é um traço do homem de Massa né perdão do homem de massa é um traço uma espectadora acompanha atentamente da sociedade massa como em sua em sua em toda sua extensão por isso o tema da ideologia me
parece ser também importante para se compreender esses dispositivos não sei se o termo se aplica mas talvez esses meios pelos quais nós podemos perder o mundo o discurso ideológico também arruína a nossa relação com o outro no espaço público a ideologia destrói o Mundo e destrói a meu ver produzindo essa adesão né que é da Ordem da ausência de pensamento e destrói também ultrapassando todos os limites que somente o passado e a sua estrutura veritativo por isso a ideologia integra esse terceiro tópico como eu disse eu queria ler apenas eh a parte final do texto
para encerrar A a minha comunicação as razões que me levaram a retomar o livro diara sobre o caso eichman pouco tem a ver com as polêmicas que ele suscitou e ainda suscita o criminoso nazista Me interessou porque sua história permite compreender as condições sob as quais uma parte das pessoas dá sua adesão a um regime totalitário de um lado a personagem de Eichman Explicita uma inclinação a abrir mão da capacidade de pensar que não é incomum Em uma sociedade de massas de outro lado sua falta de memória indica que a produção de um mundo fictício
requer o autoengano e o esquecimento do mundo real talvez por isso aa mostre-se em determinados momentos pouco capaz de compreender exatamente a realidade em que ele se encontrava o abandono do mundo real quer Dizer o mundo efetivamente partilhado pelos seres humanos o lugar em que simultaneamente constróem suas subjetividades e suas relações em torno de um interesse comum tem entre suas causas a neutralização da capacidade de pensar Além disso requer também o esquecimento entendido como a destruição da Verdade factual e o consequente uso sistemático da mentira a ideologia permite que as duas coisas se realizem atuando
na produção De um sujeito obediente e irreflexivo sem ligação com o passado realmente acontecido e inclinado a substituí-lo por um passado inventado as páginas finais do relato que vassil grosman as páginas finais do relato que vassil grosman escreveu sobre treblinka lá em grosman escritor Russo quer dizer ucraniano Né judeu e em um livro que depois eh eh um texto que depois foi integrado no livro chamado a estrada Então as páginas finais do relato de grosman que que ele escreveu sobre treblinka e publicou em 1945 já em 1945 colocam em termos inequívocos a gravidade Doa o
grande mal que nos acomete quando perdemos o mundo em comum e eu termino citando essa passagem do grosman hoje cada pessoa é obrigada perante sua Consciência perante seu filho e sua mãe perante a pátria e a humanidade a responder com toda a força de sua inteligência a seguinte pergunta o que deu origem ao racismo o que é necessário para que o nazismo o fascismo o hitlerismo jamais renasçam Nem desse nem do outro lado do jamais e para todo o sempre devemos nos lembrar que o racismo o fascismo vão emergir dessa guerra não apenas com o
amargor da Derrota mas com a doce lembrança da facilidade de cometer assassinatos em massa matar Nações inteiras revelou-se algo Não realmente muito difícil apenas com um lápis é possível demonstrar que qualquer grande empresa de construção com experiência no uso de concreto armado pode ao longo de 6 meses e com uma força de trabalho adequadamente organizada erigir câmeras de gás suficientes para toda a população da Terra devem se lembrar disso com Rigor e todos os dias todos que tem apreço pela honra pela Liberdade e pela vida de todos os povos e de toda a humanidade Muito
obrigado Elton é contemplado com os aplausos da plateia gente vamos começar nas perguntas um homem recebe o microfone para fazer uma pergunta a Elton Professor tem vai precisar de um líder Populista carismático e se se dá por carência afetiva ou mais Por ignorância de Inteligência Emocional que eu acho que são todos esses fatores né quer dizer não há uma uma resposta única nãoé porque trata-se de um fenômeno complexo que portanto que que concerne a nossa vida coletiva agora o que me parece crucial aqui eu eu acho que eu insisti muito sobre Esse aspecto é que
eh faz sentido O apelo à Responsabilidade de cada um isso faz sentido quer dizer para além né de um de um mero moralismo ou enfim não é eh de uma de uma de um panflex a nossa responsabilidade quer dizer finalmente é imprescindível mesmo fazer isso para evitar esses efeitos nefastos né da conjugação desses elementos Em uma sociedade de massa onde pode aparecer um líder populista onde a ideologia pode se disseminar onde o sentimento de Realidade pode facilmente ser enfraquecido e onde a mentira pode ser organizada e ocupar o lugar da Verdade né Acho que não
cabe eh colocar em dúvida a necessidade de lembrar a nossa responsabilidade n eu acho que esse foi o o fio que eu tentei seguir mas obrigado pela questão mas perdão Passa muito por mais uma questão emotiva do que intelectual é mas eu acho que você tem razão agora eu eu Penso também que eh as coisas estão conjugadas quer dizer não é valendo lembrar essa eh essa advertência da arent né de que a racionalidade ela também ela também contém uma Logical que pode ser uma grande armadilha né quer dizer eu acho que a oposição não pode
ser de um lado a racionalidade e a inteligência racional e de outro lado o o aspecto eh emocional embora nos fenô como você bem lembrou eu acho que nos fenômenos de Massa é palpável essa dimensão emotiva né afetiva era palpável e onde os afetos imperam Claro dificilmente é possível o exercício da reflexão certamente Mas por outro lado é preciso lembrar que a razão também guarda as suas armadilhas e que portanto a atitude crítica compreendida como se recuo constante com relação às suas próprias convicções faz parte desse porque não dizer desse exercício político o espectador Faz
uma pergunta Boa noite Professor obrigado Pela palestra eh eu vou colocar uma questão que talvez a han arid não tenha se detido sobre ela até porque eh a discussão se deu posterior a ela eh mas talvez haja uma possibilidade de interpretar a questão a luz de han arend né É sobre o segundo tópico da sua da sua palestra sobre a ausência de memória né alguns autores sobretudo a partir da década de 1970 80 vão pensar na ideia de uma saturação da memória de uma fetichização do passado e vão requerer Né um direito ao esquecimento e
pensando inclusive uma dimensão positiva do Pens eh do esquecimento então queria só contrapor eh colocar isso como um ponto de não contraposição mas de inclinação a partir daá Ok obrigado pela pela pergunta e é um debate não é isso que envolve sobretudo os historiadores né sobre este este lugar da memória sobre o você usou uma ótima expressão né dessa fetichização não é do passado essa fetichização da memória porque eh É uma faca de dois gumes finalmente porque nós podemos também entender que esta força verita da memória pode significar também o encurtamento do espaço da liberdade
e pode se tornar também uma estratégia política esta o passado Pode legitimar Ele Pode ser também um instrumento de legitimação e de legitimação de qualquer projeto político desde que encontre esse Contexto apropriado Ou seja aquele em que o passado é considerado então a fonte a partir da qual nós podemos de fato encontrar um fundamento e um princípio de legitimidade então qualquer projeto mesmoos mais autoritários pode se servir do passado né Então esse é um outro aspecto da questão há ainda um outro Ao qual eu fiz alusão que também é é é frequente no debate eh
entre os historiadores eu não sou um Historiador eu sou um filósofo ou ao menos um Professor de Filosofia mas eh eh é um debate eh que também se que começa a ganhar mais intensidade nos anos 70 entre os historiadores que é justamente a a contraposição mais do que contraposição a oposição mesmo entre memória e história tá n quer dizer enfim a história estaria do lado da objetividade né e eh ao passo que a memória é sempre flutuante a memória é sempre suscetível A as influências emocionais ela é sempre suscetível aos interesses não é então a
memória é vulnerável n é e o trabalho do Historiador Não é com a memória o trabalho do historiador é com a história n então eh eu entendo a essas essas distinções e sua pertinência Mas eu insisto no seguinte apoiando me em ar eu insisto no seguinte há algo na memória que é a meu ver fundamental para compreendermos a vida em comum e para organizarmos a vida em Comum um outro modo de dizer não existe comunidade se não houver uma memória coletiva Mas eu insisto também na qualificação coletiva não se trata em absoluto quando olhamos por
esse ângulo que é o ângulo político não se trata em absoluto de negar as flutuações da memória subjetiva mas se trata de compreender a força política do passado quando ele é partilhado quando ele constitui essa base sem a qual uma comunidade não pode de fato se erigir Então essa dimensão coletiva da memória que me interessa colocar no primeiro plano e eu acho que ar ela ela não usa o termo na memória coletiva você você lembrou Aí eh a discussão entre os historiadores né Vale lembrar que é a partir do livro do Michel H vx nos
anos 50 que o termo memória coletiva passa a circular mas que á não não conhecia e não não se refere a ele mas o o alvx numa numa abordagem muito negativa né Ele faz da memória coletiva né ele tem uma visão muito negativa da memória coletiva justamente porque ele ainda a meu ver está fortemente sob o impacto de uma concepção positivista da história eu leio assim nãoé eu leio dessa forma mas então eu penso que isso uma um posicionamento como esse do do eh do do alivax né de você desqualificar a memória coletiva eu acho
que perde de vista a o significado político e a função política Da memória eh sem uma memória comum sem uma memória coletiva não vejo a possibilidade de Constituição de uma vida de uma vida comum essa memória coletiva não é intocável essa memória coletiva não é a a a única fonte de legitimidade para o presente n é ela a ar se serve de uma metáfora espacial ela fala nesse livro perdão nesse texto do verdade e mentira ela fala que a a a a verdade factual é o chão e é o céu quer dizer precisamente Isso que
limita um espectador grava a fala de Elton com o celular mas a verdade factual não é onde nós Agimos Então essa é é é isso que me parece importante reter a diferença entre o que é do campo da ação e que claro aquilo que nós fazemos no espaço comum Isso vai ser um insumo da memória isso vai constituir a a memória comum mas a memória é essencialmente coleta e Registro ela portanto É concerne a habilidades diferentes dos seres humanos diferentes daquelas que são propriamente políticas como a ação não é portanto como a liberdade então quando
ela se se serve dessa imagem eh está em jogo para ela mostrar qual é o campo em que nós exercemos a liberdade e a liberdade para ela não tem limite prévio não tem uma normatividade que presida e que orienta a ação então Espaço da liberdade é o espaço do imprevisível é o espaço da espontaneidade mas essa espontaneidade ela tem de encontrar algum enquadramento a memória faz essas vezes a memória coletiva faz essas vezes do enquadramento não é o único As instituições fazem esse enquadramento a universidade faz esse enquadramento a lei a lei o sistema normativo
o sistema jurídico é um enquadramento que permite que nós Exerçamos a liberdade é em um em um determinado espaço então eu compreendo que ela compreende a memória assim né vai vale Observar isso sou eu lendo arent né porque ela ela não se detém embora o tema da memória seja presente toda a obra de hanar toda a obra tem a memória mas ela não elabora desta forma o problema da memória e em sua relação com a verdade factual em especial não sei se responde a questão mas agradeço enorme o espectador Faz uma Pergunta Elton Oi boa
noite obrigado pela palestra obrigado muito obrigado eh mas eu fazer duas questões no seu objetivo e talvez voltando um pouco talvez você já tenha respondido um pouco a segunda eh pensando na ideia eh você não falou priamente da burocracia mas pensando no papel que a burocracia teria produzir esquecimento e produzir também falta de pensamento em alguns momentos sen não que na burocracia não se pense exatamente né mas é É acho que no Contexto que você trouxe acho que é importante falar e e e acho que a burocracia já tem outras dimensões hoje em dia né
Eh e outra coisa é o momento se nesse texto a a Hana fala da da da Democracia que lugar a democracia teria né Eh em lidar com entre entre o esquecimento o pensamento e e como que como ela poderia balizar a ideologia né sobretudo hoje em dia quando a gente não tem então usando termos da sua palestra eh acho que a gente não tem Falta são tantos lugares de experiência comum que tá faltando falta eh Tá difícil construir verdades factuais Em alguns momentos Então a gente tem eh eh mais espaço para ideolog para ideologia né
do que para para construir consensos factuais né e uma descrença muito grande n instituições tradicionais né hoje em dia eh né um questionamento que já existia lá for pensar no pós-modernismo né tal e e que acabou virando outra coisa né nesses né na segunda década aí Do do do milênio né Então quer que você trouxesse a reflexão um pouco mais para pra atualidade assim podendo eh contribuir a gente a pensar também no dia a dia obrigado obrigado a você pela pelas questões eu acho que eh a questão da burocracia que também que que interessa ela
né em em diversas ocasiões eh sobretudo num num Esteio veber né de uma forma de dominação burocrática que é característica da sociedade moderna né e Enfim que tem uma que detém uma racionalidade específica E então Eh o tema recorrentemente Ressurge nos textos da da á eh mas eh aqui pelo menos pelo menos se tomarmos por referência o livro sobre sobre eichman é mais a figura aparece menos a figura da dominação propriamente burocrática né embora isso esteja no horizonte e mais o fato de que a o a personagem do Burocrata não é não é tanto a
dominação burocrática mas o personagem do burocrata configura um dos a para brincar com o Weber configura um dos tipos ideais do súdito de um sistema totalitário né Eu acho que é esse o foco dela no no no texto sobre sobre asma né então problema da da da burocracia está colocado mas nesse ângulo bem bem mais enviesado ali né E E é claro a questão da Democracia da Democracia moderna ela Toca forçosamente na questão da da ideologia visto que estamos falando de uma nova reconfiguração da existência política em comum não da existência em comum simplesmente Então
eu acho que na perspectiva de ar não se pode separar o surgimento da Democracia moderna quando eu falo da Democracia moderna eu me refiro a democracia como nós vamos conhecê-la a partir do século X N quer dizer com seu mecanismo representativo mas também com O fato de ser uma uma democracia Universal inclusiva nesse sentido jurídico não é mesmo que se de fato ela não é sempre inclusiva Todos nós sabemos disso mas juridicamente sim né Eu me refiro a essa democracia a democracia também da sociedade de mass essa democracia que já é tão bem capturada em
sua essência por to vilho esse autor que é crucial para a ar na no na democracia da América nãoé então o Autor do século XIX que já entende a grande novidade que é o surgimento de uma democracia e uma sociedade de massas Mas então se o século XIX é o momento em que nasce a democracia moderna é também o mesmo momento o contexto do surgimento da ideologia uma coisa não vai sem a outra pois que a ideologia nesse sentido moderno que ultrapassa portanto a definição de do ideário de mera doutrina Né a ideologia ela produz
a organização da massa Então somente em um contexto democrático moderno é possível o advento o surgimento o aparecimento de ideologias Nesse sentido arenan porque a ideologia então mobiliza organiza a massa mas a ideologia também ela se constitui como uma espécie de de negativo da experiência democrática o que que eu quero dizer com isso o que eu Quero dizer é que as democracias modernas elas são marcadas pela contingência pela pela imprevisibilidade elas são marcadas pela me lembrando de um outro autor que sempre me vem à memória quando eu quando eu leio o aret que aliás eraa
um leitor de ar que é Claude leff as democracias modernas são marcadas pela indeterminação que que quer dizer indeterminação porque as democracias Modernas são são regimes políticos mas também são regimes sociais o que que isso quer dizer isso quer dizer que nas democracias modernas não é apenas o poder instituído que é questionado e que não é ele é ocupado alternadamente por pessoas partidos diferentes Não é só isso a democracia moderna também é um regime em qual no qual investigamos e colocamos em em questão A os pilares da nossa vida em comum uma sociedade democrática portanto
ela é também caracterizada não apenas pela forma política Mas ela é caracterizada também por uma relação com o poder que é do questionamento é marcada também por uma relação com o saber que é a dúvida é marcada também com por uma relação com a lei que é o desejo de sua reformulação a criação de direitos a sua ampliação o desejo de inclusão São traços de uma sociedade que não está presa que não está arraigada ou enraizada em princípios que a enreg seriam a sociedade moderna é uma sociedade sempre em movimento Ora por ser uma sociedade
em movimento ela também é suscetível da sua negação por isso que eu falei da ideologia como O negativo a a sociedade moderna pode também produzir a ideologia que suplanta essa indeterminação a Ideologia eu falei isso mais cedo né na minha comunicação a ideologia silencia as perguntas porque ela dá a resposta então toda essa flutuação toda essa incerteza que caracteriza uma sociedade democrática ela é tamponada Ela é neutralizada pela ideologia pelo discurso ideológico então há portanto uma relação eh a meu ver interna entre sociedade democrática e ideologia isso não tem remédio não tem solução para isso
Nós Não seremos capazes de nos livrarmos das ideologias em um mundo que seja plenamente não é racionalizado e que todos nós finalmente não é conseguimos suportar a contingência a indeterminação isso é falso esse mundo não existe nem vai existir agora e esse foi um pouco morte eh do meu do meu texto isso isso nos obriga a lembrar que a indeterminação a incerteza é uma obrigação para Nós nós temos de assumir a incerteza temos de assumir essa essa terminação e há modos então de lidar com isso aí voltamos novamente o poder organiza a nossa vida social
devemos sempre contestá-lo devemos sempre colocá-lo dentro de certos limites mas ele organiza a nossa vida social o conhecimento também e a Lei também eu acho que ar dar um passo importante no que concerne a essa forma de Organização prática eh da vida comum no no livro sobre a revolução que é um livro que ela publica no mesmo ano do livro sobre eichem em 63 eu acho que é um livro fabuloso em que para para quem se interessa por essas questões não é porque é um livro em que arte vai tentar avançar essa questão que você
colocou mas uma sociedade democrática que por natureza é efervescente que pode pode produzir o seu contrário que é o totalitarismo né Por meio da ideologia ela pode produzir o seu contrário como é que essa sociedade pode fazer para ela tentar conservar a sua existência para tentar conservar a liberdade por exemplo Então nesse livro sobre a revolução Ela vai caminhar em direção a essas estruturas que dão uma certa ordenação à liberdade dentre elas ela privilegia a lei a Constituição em especial e ela vai retomar então a história americana para Mostrar como neste momento crucial da fundação
de um país que coincide com a fundação da própria modernidade política a lei por via nãoé do aparato constitucional pode ser um meio valioso Mas jamais definitivo visto que o remédio né não existe mas um meio que pode estabilizar a as nossas relações comum e panto conservar a democracia república e democracia estão conjugadas em á o homem faz uma pergunta no microfone boa noite boa noite Professor Palestra maravilhosa e é só para trazer um ponto que eu assim sobre essa questão que o senhor traz da da rente trabalh O Homem Medíocre esse Homem Medíocre burocrata
né E que na época assim né se você pensa dessa lógica desse lugar do do Homem Medíocre enquanto aquele homem que numa estrutura tão tão complexa de assassinato como foi né o próprio processo o próprio projeto nazista apresentar esse homem que ficou a cargo da logística né Por mais que seja Logística mas que ficou a cargo desse projeto que foi o reisman é quase ter entendido que ele fosse simplista demais dar a ele este lugar né Não tô dizendo que é simples Eu falo que inclusive foi um dos pontos de trazer isso né né ou
seja eh dizer que esse homem é apenas um burocrata para um projeto tão grande como esse de extermínio é quase que tipo assim é quase que brincar com a gente né nesse sentido por que que eu tô trazendo Esse é porque eu tô tentando pensar para Os dias de hoje a questão do analfabeto funcional enquanto aquele que aparece num lugar neste país ou né pensando nesse lugar de manifestação de de germe de como se diz do germe e da manifestação da ideologia de uma ideologia como o senhor mesmo falou a questão daquele lugar que ela
responde tudo ou seja tudo em si nela né ela responde a verdade tá com ela ela mesmo produz ela mesmo Responde e eu tô tentando pensar isso é nesse país hoje Nesse ponto eu queria trazer essa questão da problematização se se o senhor pode falar um pouco que é cabível a gente tentar pensar a partir de haret sobre o Homem burocrata Medíocre o analfabeto funcional que inclusive busca o tempo todo se encontrar nesses lugares de ambos estatais e mesmo em vários lugares dos segmentos da sociedade porque a partir disso que nós estamos assistindo inclusive no
hoje o instrumento seria o WhatsApp eu falo Assim de um lugar onde simplesmente a verdade factual se encontra num aplicativo que a partir do momento que ele diz é ele que conduz todo o processo sejao político social e que nós estamos assistindo essa exacerbação do racismo do fascismo e de tantas coisas homofobia E tantas outras coisas a mais é isso obrigado eh obrigado eh pela pela questão e e mas eu acho que isso que você se eu entendi corretamente a sua pergunta isso que você está chamando do Analfabeto funcional tem forte relação com a ausência
de pensamento né quer dizer com essa predisposição a a aderir a discursos ideológicos não é Ou a esses projetos que visam a fabricação de um mundo não é a produção de um mundo fictício e agora vai lembrar foi importante você você voltar a este ponto porque em momento algum ar vai encontrar no eichman né um uma explicação ela não busca isso nem deseja isso uma explicação Causal para aquilo que aconteceu ela não está dizendo porque existe burocracia Porque existe burocrata Então existe o genocídio Então existe sistema totalitário não é simples assim né quer dizer o
que ela está dizendo é que nós não compreendemos algo terrível nefando como o genocídio e como ele foi praticado né Se abrirmos mão desta peça tem outras mas se abrirmos mão dessa peça que é a ausência de pensamento que é isso que ela chama da banalidade do mal que é isso que ela chama então digamos né de uma personalidade burocrática Bur dizer o totalitarismo requereu essa alma então é burocratizada mecanici não é e para que a sua Implementação é um dos elementos mas não é evidentemente um princípio de explicação e portanto outra vez não acho
que ela foi vítima de incompreensão né de entender que não é essa a ordem das coisas né uma mulher faz uma pergunta não eu era nesse sentido a pergunta era se o A de ar era era real se esse indivíduo que tem essa capacidade de não pensar essa capacidade de esquecimento um ser exclusivamente ideológico ou se Ela tá nos dizendo de um sintoma de uma sociedade que esquece que não pensa eh eu queria questionar essa personificação porque me me parece que hoje quando a gente quer trazer para para aqui para agora esse pensamento a gente
precisa também pensar um pouco mais fazer o o de novo neologismo mas também no sentido de que se esse homem é real se esse indivíduo é real Como que o nosso mundo vai sobreviver aí é É uma ótima questão ou ótimas questões né e é É certo que Aren se carrega um pouco nas tintas né quando ela descreve eu acho que ela ela tem noção também do da força retórica né da da sua descrição do do eichman de qualquer forma ela está convencida de que capturou algo da realidade e que esse algo da realidade então
é essa ausência de pensamento e banalidade do Mal n é Se aism Era Exatamente assim não é acho que não era tão importante para ela mas se se lermos uma biografia do tem uma ótima biografia de um aor chamado David cesarani uma ótima biografia do e nós vemos que não vai ass não vai coincidir plenamente não é esse eichman bem biografado pelo tarani com o a descrito pela pela ar mas eu tenho a impressão que ela sabia Disso n é eu acho que E ela diz isso de alguma maneira numa entrevista também da mesma épocaem
que ela retoma alguns dos argumentos eh do livro eu acho que eh ela quer chamar a atenção pro fenômeno E como que é ausência de pensamento e como este fenômeno tem consequências políticas é isso que é o mais importante para ela porque ela sabe que se ela por demais at terce a personagem do eichman será Difícil eh ela realizar o seu objetivo será difícil Porque é raro encontrar alguém como a né então se ela quer nos convencer de que o aish é uma possibilidade Então ela tem de diluir né esse aichem como ela retrata em
uma um elemento que esteja presente na sociedade ela não quer dizer ela tem cuidado com isso ela não quer dizer que cada um de nós é um aisman ela não diz isso ela não está dizendo que cada um de nós é um atima em Potencial porque isso seria universalizar aquilo que é da Ordem do singular ela não se dá a essas Abstrações Não a essa se dá outras mas não a essa o que ela diz é que o eichman não é uma figura extraordinária eh essa figura está presente ela faz parte do nosso universo ela
faz parte do nosso mundo ele não é de outro lugar a não ser este lugar por isso a crítica A A demonização do itma então o itma pertence a nós ele faz parte do nosso mundo Esse é o ponto em que ela Concentra o seu argumento justamente para mostrar a que a o que nós vemos em eem é na verdade um aspecto da sociedade de massa que permite em parte compreender aquilo que parece ser incompreensível não sei se respondi também a questão mas agradeço muito por tê-la Colocado gente muito obrigada a plateia se despede com
uma salva de palmas