Muito bem no vídeo de hoje nós vamos começar as discussões aqui sobre crônica da casa assassinada que é um romance publicado Originalmente em 1959 pelo Lúcio Cardoso na verdade é consenso dizer que essa é a grande obra da carreira literária do Lúcio Cardoso e não sou eu quem vou discutir ou tentar discordar dessa colocação muito pelo contrário se você não viu o primeiro vídeo desse Projeto de leitura conjunta no qual eu falo um pouquinho sobre como vai funcionar esse calendário de leitura etc e tal eu vou deixar o link para esse vídeo na descrição mas
já fica aqui dito que hoje eu vou falar um pouquinho das coisas que acontecem entre o capítulo 1 e o Capítulo 14 aqui de crônica da casa assassinada e significa que se você é uma pessoa que não gosta de receber spoilers e não está aí não leu ainda até O Capítulo 14 Talvez seja o caso de você voltar a esse vídeo depois de ter feito essa leitura previamente certo outra coisa que já é muito importante dizer Logo no início desse vídeo é que pelo volume de anotações que eu fui fazendo ao longo da minha leitura
e já posso adiantar já posso prever que esse será um vídeo bem longo Então é se preparem né Você assiste esse vídeo sei lá ao longo da semana você vai assistindo 15 minutos por dia outra Coisa hoje está chovendo e aí o que acontece a iluminação aqui do meu quarto está diferente Espero que isso não interfira muito na qualidade do vídeo mas como esse é o único horário que eu tenho para gravar então vai ser hoje mesmo tá bom enfim esse meu essa minha fala aqui eu pretendo começar a partir da tentativa de localizar a
crônica da casa assassinada dentro do resto da obra do Lúcio Cardoso e me Parece que esse seja um movimento interessante em se tratando desse romance aqui porque ao longo desses últimos tempos eu tenho me dedicado bastante a leitura da obra do Lucas Cardoso e também a pesquisa envolvendo a obra deste mesmo autor ainda que seja uma pesquisa informal mas ainda assim uma pesquisa e aí o que que acontece o que eu fui percebendo e vocês aí que são especialistas nos Cardoso podem discordar de mim mas enfim o que eu fui Percebendo é que me parece
que o Lúcio Cardoso desde lá do primeiro livro dele que é uma lei de 1934 ele tentava criar um único projeto literário quase como se todos os livros dele se passassem em um mesmo universo digamos assim com isso várias coisas vão se repetindo de um livro para o outro e eu não acho que essas repetições sejam mero acaso na verdade Acredito eu que o conjunto dessas repetições acaba ensejando a construção argumentativa Aqui de crônica da casa assassinada E isso não significa que toda obra pregressa do Luís Cardoso tenha sido uma preparação para aquilo que foi
esse romance de 59 mas sim que este romance se adequa muito bem a uma série de pressupostos que já apareciam com muita recorrência na obra desse autor Como eu disse esse romance foi publicado pela primeira vez em 1959 mas os manuscritos dele foram entregues para a publicação a editora ainda em 1956 e mais o registro Mais antigo sobre este romance aqui data de outubro de 1951 que é enfim um momento em que o Lúcio Cardoso escreveu o seguinte em seu diário assim isso que eu vou ler está na página 35 desce desse Volume 2 de
todos os Diários do Lúcio Cardoso que foi publicado recentemente pela companhia das Letras enfim essa entrada que eu vou ler está no dia 29 de outubro de 1951 e diz o seguinte desci hoje de Valença de ônibus e como estivesse me sentindo pessimamente desci Em Barra do Piraí sou informado aqui que o primeiro trem que passa para o Rio está marcado para as 4:30 da tarde é este o motivo porque vaguei um dia de chuva peneirado e triste na mais triste e desalentada da cidade do mundo impossível imaginar a gente mais feia e que transmita
com mais intensidade a atmosfera humilde e pobre que me cerca tudo tem um ar de fuligem e respira ao transitório caminho antes de comprar este caderno e sonho que seria numa Cidade assim num dia em tudo idêntico a este que regressaria ao seu pequeno Burgo o personagem sem nome de crônica da cidade assassinada Então veja que é nesse primeiro momento aqui nessa entrada do diário que data então de outubro de 51 o romance é citado mas com outro título ao invés de crônica da casa assassinada crônica da cidade assassinada até por conta de todo esse
clima que o autor bem descreve aqui nesse trecho que eu acabei de ler para Vocês Além disso como eu já venho dizendo há algum tempo em vários outros vídeos que eu fiz sobre a obra deste autor crônica da casa assassinada se insere em um projeto maior que de uma maneira ou de outra já em construção desde uma Leita que é então romance de estreia do autor publicado lá em 1934 isso porque já nesse primeiro romance o narrador menciona uma família muito rica que fundou uma cidade no interior de Minas Gerais e o nome dessa família
é justamente Menezes E aí eu gostaria de ler aqui um trechinho do romance que está na página 12 dessa Minha edição aqui eu já fiz vídeos sobre uma Leita o link para ele vai estar em uma playlist que eu vou deixar linkado na descrição desse vídeo que você está vendo agora então se você não assistiu aqueles meus vídeos anteriores da obra do autor eu sugiro que você assista assim tem um material um pouco vastos são Acho que Uns cinco ou seis vídeos mas eu acho que vale a pena dar uma revisada nesse material por conta
dessas conexões que eu vou estabelecer aqui com crônica da casa assassinada Mas enfim na página 12 aqui de uma letra está dito o seguinte fumavamos para um lugarejo desconhecido naquela época era verdade que alguém dava notícia de Pirapora os Aventureiros e os companheiros perdidos falavam nas caçulas e na maleita que devastava porém Os Menezes Comerciantes em Grosso da cidade de Curvelo escutaram coisas melhores alguém de Tato profundo e vistas largas notou a extraordinária a possibilidade de um porto comercial no lugarrejo que magiava o Rio São Francisco eu chegava então a Curvelo ardendo para penetrar o
sertão mandaram me chamar e propuseram-me um contrato representaria em Pirapora com todas as regalias a companhia cedo e cachoeira de fiação e tecidos teria obrigação de Organizar o comércio e incentivar a vida no povoado Nascente Então veja que isso é logo assim nas primeiras páginas do romance O Narrador já diz isso e esse Como eu disse várias vezes no meu vídeo aqui sobre uma lenta Esse é um romance que fala justamente desse processo desse projeto de modernização do interior de Minas Gerais né e o narrador aqui será Então esse Arauto da modernidade digamos assim e
quem manda ou quem sugere que esse narrador vá até essa região de Pirapora é justamente uma família muito rica de Comerciantes chamada Menezes Ainda que os Menezes aqui sejam com z e os Menezes aqui do crônica da casa assassinada seja um meme esses com s digamos Além disso no capítulo 3 aqui ainda de uma Leita o narrador comenta que se corresponde com um desses meses aqui de Curvelo evidentemente que pode não ser a mesma família mas é uma coincidência muito interessante né Entre esses nomes Que aparecem nesses dois romances assim como também é curioso perceber
que a mesma cidade de Vila Velha onde se passam as ações aqui de crônica da casa assassinada também já havia Aparecido Antes aqui em dias perdidos que é um romance com tons bastante autobiográficos que o Lúcio Cardoso publica em 1943 não tem vídeo para ele ainda no canal mas Haverá Em algum momento do Futuro E além disso além de já teria aparecido aqui em dias perdidos Vila Velha Voltaria a aparecer depois da publicação aqui de crônica da casa assassinada neste romance chamado O Viajante que foi publicado posta uma mente em 1973 com organização do Octavio
de Faria que era um grande amigo do Lúcio Cardoso e aliás é importante ainda mencionar que a obra do Lúcio Cardoso é composta por várias trilogias e com crônica da casa assassinada não seria diferente uma vez que a ideia que ele fosse o primeiro volume de uma Trilogia que não chegou a ser terminada E aí O Viajante seria o segundo livro dessa dessa trilogia mas aí ele só foi publicado póstumamente enfim a partir de algumas anotações mais bem acabadas que o autor havia deixado e o terceiro Volume que tem apenas algumas anotações e por isso
ele não foi publicado nunca se chamaria rack né então é muito interessante pensar que de certa maneira o destino desses Personagens aqui de crônica da casa assassinada se desaguaria digamos em outras narrativas do autor felizmente nós temos aqui ainda viajante Mas é uma pena que requen não chegou a ser elaborado de maneira um pouco mais completa para que nós o tenhamos Não é vamos torcer agora para que a companhia das Letras Publique também esse ou viajante agora na sequência dessas quer dizer vamos torcer Para que a companhia das Letras Publique toda a obra do Lucio
Cardoso nessa sequência de publicações que vem acontecendo ainda pensando pontos de contato com outras obras o narrador da novela intitulada ou anfiteatro que é uma novela de 1946 e que eu tenho nessa Minha edição aqui chamada Três Histórias da cidade na qual constam ainda Inácio e ou enfeitiçado Mas enfim o narrador dessa novela de 46 que é o anfiteatro afirma ainda do Momento que era membro de uma família mineira decadente que era chamada de a família Menezes Silva Então veja que aqui nós estamos também esse nome Menezes associado a uma família decadente né além disso
a mansão dos Menezes que aparece aqui em crônica da casa assassinada é muito parecida com a fazenda Desterro que havia Aparecido Anos Antes em 1940 e numa ela intitulada céu escuro que hoje em dia é publicada Aqui neste livro chamado contos da ilha e do continente sobre o qual também tem vídeo aqui no canal e ele vai estar naquela mesma playlist lá embaixo e essa novela se é o escuro por sua vez era a primeira versão da segunda novela da chamada trilogia da luta contra a morte que havia sido iniciada em 1936 com a publicação
aqui de alunos no subsolo para o qual também tem vídeo no canal né então esse daqui foi o volume 1 o volume 2 seria uma novela intitulada Apocalipse Mas que acabou aparecendo sobre o título de céu escuro pensando nisso tanto lá em céu escuro quanto aqui em crônica da casa assassinada nós temos narrativas nas quais existe um clima de desconfiança geral começou a chover forte agora espero que isso não abafe aí a minha Mas enfim Em ambos os textos nós temos todo esse clima de desconfiança geral entre os personagens esse clima pelombroso esse clima de
ameaça por Vezes até injustificada além disso Em ambos os textos as ações se passam em cidades do interior lá em céu escuro tudo se passava em São João das Almas e aqui em crônica da casa assassinadas aos eventos se passam em Vila Velha como eu já disse E além disso ambas as narrativas acompanham uma série de tensões e disputas familiares que acontecem em casarões decadentes E essas disputas ficam Ainda mais acirradas depois da chegada de personagens Externas a família né então por exemplo no caso aqui de crônica da casa assassinada nós temos a Nina que
essa mulher jovem que vem do Rio de Janeiro parece a Província de Minas Gerais né E aí ela não se consegue ela não consegue se adaptar àquela vida em uma cidade do interior e no caso aqui de céu escuro a personagem que ocupa esse lugar do estranhamento é uma personagem chamada Bárbara que é amante de um dos irmãos aqui dessa Fazenda chamada Desterro E Durante ambas as narrativas fica-se sempre com a impressão de que a memória e o ressentimento vão corroendo vão ficar comendo as relações familiares que se estabelecem entre os personagens E aí finalmente
os personagens pensando nesse primeiro bloco do vídeo os personagens aqui de crônica da casa assassinada São muito parecidos com personagens de textos anteriores do autor então por exemplo toda a construção da Ana aqui em crônica como Essa mulher apagada essa mulher reservada faz lembrar muito da personagem Marta que havia aparecido aqui em Salgueiro que foi o segundo romance do autor publicado lá em 1935 e para o qual também também tem vídeo aqui no canal né então e assim como a Ana faz lembrar muito a Marta aqui de Salgueiro a Nina de crônica da casa assassinada
representa a ruptura tal qual a Rita que também havia aparecido aqui em Salgueiro representava E por sinal tanto nesse romance de 35 quanto no romance de 59 a relação entre essas personagens femininas né Marta e Rita em Salgueiro Ana e Nina em crônica da casa assassinada essa relação entre essas personagens femininas é pautada por uma dinâmica que é própria da temática do duplo ou seja rica e Marta são duplo uma da outra assim como Nina e Ana também os são aqui em crônica da casa assassinada e o tema do duplo apareceu de um jeito muito
interessante E um outro texto do Lúcio Cardoso que é uma peça de teatro intitulada a corda de prata que eu comentei nos em um dos meus vídeos aqui sobre o teatro reunido do autor com organização do Antônio arnone Prado então esses dois vídeos que eu fiz aqui sobre este livro estarão naquela mesma playlist né então e nessa peça aqui esse esse tema do duplo aparece de um jeito mais direto ao passo que nesses romances esse tema ele aparece a partir de outros Pressupostos porque veja bem aqui na peça A protagonista ela passa por uma cisão
literal na própria identidade na própria subjetividade na medida em que nós percebemos que ela está enlouquecendo ao passo que aqui em crônica ou em Salgueiro as personagens são figuras Independentes entre si né mas apesar dessa Independência existe uma relação de espelhamento de complementariedade de umas em relação às outras de modo que Essa temática ela acaba surgindo de um jeito mais simbólico né uma vez que essas personagens aqui dos romances se constroem como contrapontos umas das outras aqui em acorde de prata esse tema do duplo é mais literal mesmo por conta da presença aqui de uma
personagem específica que faz um jogo interessante com a protagonista E aí ainda pensando na relação dos personagens Entre esses dois romances né entre crônica da casa assassinada e aqui Salgueiro o Valdo que Aparece aqui na crônica é um sujeito tão Submisso quanto o João aqui de Salgueiro assim como o Timóteo da crônica Ocupa um lugar Marginal Tal Qual a personagem Teresa homem neste romance de 35 havia ocupado também E aí como eu também já falei nossa eu tô falando várias coisas né tô citando vários romances aqui mas eu acho que é interessante para a gente
ir vendo de onde que nasce aqui esse esse romance de 59 Mas enfim no meu vídeo aqui sobre A luz no subsolo eu comentei que me parece que esse terceiro romance já traz de modo embrionário vários elementos que depois voltariam amadurecidos em crônica da casa assassinada e um bom exemplo disso é o modo como os personagens Pedro aqui da luz no subsolo e Demétrio aqui da crônica da casa assassinada são construídos o Pedro ele é tão Sombrio e tão malvado quem alguns momentos ele chega a ser quase que uma caricatura ao Passo que o Demétrio
de crônica da casa assassinada ele consegue ser ameaçador de um jeito muito mais natural de um jeito muito mais Sutil e portanto muito mais efetivo Na verdade o Demétrio é tão imponente quanto a própria chácara em que se passam as ações do romance E aí já que eu tô falando do Demétrio é importante dizer o seguinte tanto ele quanto a casa aqui deste romance de 59 mas também pensando no Pedro nesse romance de 36 todos esses três elementos Representam cada um a seu modo o declínio a falência a decadência da aristocracia e do patriarcalismo E
aí sobre toda essa construção do Demétrio existem alguns trechos aqui do romance que eu gostaria muito de destacar dessa minha primeira leitura então por exemplo na página 44 do dessa Minha edição está dito o seguinte isso quem está falando é a Nina fazendo referência ao Demétrio era preciso ter visto aquele olhar de simulado me acompanhando ao Longo do corredor e devorando meus gestos e descerrando as portas por trás das quais não brigava era preciso ter sentido contato esfomeado de suas mãos nas poucas vezes em que ousou me tocar revelando o que de mórbido havia por
trás de sua máscara de Menezes E aí um pouquinho mais abaixo ela continua sem Pelo visto ainda adivinhava sua presença por trás de mim e o galope de seu coração Nem sequer me voltei Juro mas no decorrer da noite como se tivesse Poder para varar as paredes sentir durante todo o tempo suas pupilas que me acompanhavam e eram as pupilas de um louco de um homem com sede e com fome sem coragem para tocar no alimento que se achava diante dele é inútil descrever ele que espécie de demônio você tem em casa aqui como eu
disse a Nina fazendo referência ao demetra em uma carta que ele escreve para o Valdo E aí veja bem toda essa coisa de que os olhos desse sujeito Ele eles varam as paredes ele Consegue é quase como se ele tivesse observando as pessoas o tempo todo isso acontece com o Pedro aqui um dia a luz não subsolo também inclusive uma personagem que vai embora da casa Exatamente porque ela fica com medo tamanho o caráter opressivo da do Pedro aqui na residência em que se passam as ações desse romance mas enfim é outro trecho que eu
gostaria de ler para vocês aqui ainda pensando no Demétrio é um trecho que está entre as páginas 66 e 67 E nele lê-se o seguinte a chácara aos seus olhos representavam a tradição e a dignidade dos costumes mineiros segundo ele ou seja segundo Demétrio os únicos realmente autênticos existentes no Brasil podem falar de mim costumava dizer mas não ataquem esta casa vem ela do império e representa várias gerações de Menezes que aqui viveram com altanera e dignidade Então veja aqui nesse trecho a gente percebe muito bem essa ligação do Demétrio tanto com a casa quanto
com As tradições ligadas a essa aristocracia indecadência e aí por fim eu gostaria de ler também a página na qual se leu o seguinte isso daqui é um momento em que o Demétrio ele acertadamente faz a seguinte descrição sobre a família Menezes você sabe muito bem o que representamos uma família arruinada do Sul de Minas que não tem mais gado em seus pastos que vive de alugar esse espaços quando eles não estão Secos e não produz nada Absolutamente nada para substituir rendas que se esgotaram a muito nossa única oportunidade é esperarmos desaparecer quietamente sobre esse
teto a menos que uma alma Generosa venha em nosso auxílio E aí essa última descrição feita pelo Demétrio sobre a família Menezes é de certa maneira confirmada algumas páginas depois na página 71 está esse trecho que eu vou ler agora em um momento em que a Nina diz o seguinte também se referindo a família Menezes Essas velhas famílias sempre guardam um ranço no fundo delas Creio que não suportam o que eu represento uma vida nova uma paisagem diferente e aí veja por sinal a ideia de decadência é um dos pontos centrais tanto aqui de crônica
da casa assassinada quanto aqui de alunos no subsolo mas veja não é uma decadência apenas econômica e social essa que nós acompanhamos nessas duas narrativas essas decadências também se dão A partir de termos ligados a moral e também há uma decadência espiritual na medida em que o autor enfoca mais o conflito interno decorrente dessa decadência do que questões externas que quando aparecem em ambas as narrativas se ligam a degradação física do espaço e do corpo de alguns dos personagens desses romances E aí pensando nessa degradação de uma classe fortemente ligada a um passado escravocrata me
parece interessante Citar aqui um trecho do diário do Lúcio Cardoso esse trecho que eu vou ler agora está aqui no Volume 1 dessa nova edição dos Diários do autor publicada recentemente pela companhia das Letras isso que eu vou ler está na página 331 dessa Minha edição e trata-se da entrada data do dia 16 de agosto de 1950 O Mistério da Fazenda de Penedo me observa que vida ouve lá que é com de civilização Sacudiram seus muros que nomes de poder e de fartura viveram aqui a sua legenda a proprietária da casa onde me acho e
cujo marido morreu há quatro anos numa cheia do córrego avisa-me que a fazenda é mal-assombrada e não me resta Nenhuma Dúvida tão grande Casarão abandonado ao silêncio e a devastação só pode constituir um pesadelo em torno dele a vida foges favorita só os Espinheiros e as urtigas crescem com sombria ferocidade enquanto os Camaleões as Cobras e os escorpiões se alinham sobre as pedras esverdeadas pelo músico no entanto não estaria aqui como um aviso a ser decifrado a história desse espírito que tantas vezes eu procurei encontrar uma manifestação pessoal autêntica da nossa maneira de ser a
medida que o Brasil se afasta para o interior sua alma se torna mais forte mais positiva foi em Minas Gerais nos becos e vielas de suas cidades mortas que vice erguer mais alto e mais cheio de grandeza o Espírito da nossa gente todo esse passado é como o estrume que alimenta o porvir a terra estuda ao poder desses fermentos e a alma tanto tempo oculta e irradia uma fosforescência miraculosa e nova Não há dúvida neste Casarão brasileiro há um tom de grandeza indescritível quem quer que tenha vivido aqui encarna Hoje essas raízes sem as quais
é impossível criar um sedimento de povo ou de nação a legenda que acompanha e que faz a gente Ingênua a guardar distância dele ou traçar o sinal da cruz a sua simples lembrança é o prestígio que o mantém de pé e que o transforma num monumento vivo o caráter de uma possível raça se estrutura ao longo de suas colunas semi derrocadas e o que se vê de suas velhas janelas é a paisagem conquistada da terra que se exprime Por meio dessa voz que Desafia o tempo o interessante nesse longo trecho que eu acabei de ler
aqui para vocês é o modo como o autor Interpreta a construção como uma alegoria de um passado associado a um determinado projeto civilizatório que foi superado graças à modernização e segundo Walter Benjamin em um texto muito interessante intitulado a origem do drama Barroco alemão durante o período do Barroco a história surge como ruína na representação dos palcos na medida em que a história estaria ligada aquilo que o autor aquilo que o Walter Benjamin chamou de inevitável declínio a Ideia proposta por ele é a seguinte com a modernização tudo aquilo que se liga a transcendência entra
em declínio e a alegoria representa justamente esses destroços de uma transcendência que não existe mais e que é a transcendência da própria história por isso mesmo segundo até Benjamin alegoria está diretamente relacionada ao fragmento pensando tanto nas imagens fragmentadas que constroem o sentido da alegoria quanto na fragmentação e na linguagem alegórica em Si mesmo porque essa representação alegórica de um mundo destituído de transcendência é atravessada pela violência graças a junção de elementos aparentemente desconexos ou seja alegoria é por si só esse movimento de juntar as peças de um mundo destruído e a destruição é fruto
direto de um processo de violência e na crônica da casa assassinada toda essa noção de alegoria de fragmento etc se manifesta na composição estrutural dessa narrativa Pensando nos diferentes gêneros de escritas do eu que aparecem aqui como por exemplo a confissão diário o depoimento e sobretudo a memória Além disso e a partir desse ponto do vídeo eu começo a me aproximar cada vez mais aqui desse romance de 59 existe na narrativa aqui de crônica da casa assassinada um forte componente gótico que também já esteve presente aqui em a luz no subsolo então Em ambos Os
romances nós temos uma Atmosfera pelo umbrosa um clima de desconfiança que se estabelece entre os personagens a descrição de um espaço que é na mesma medida opressivo e decadente e sobretudo em ambas as narrativas nós temos o tema de um passado que continua assombrando o presente e no romance de 59 aqui essa essa ideia se dá em termos do retorno do recalcado então durante o processo de modernização algumas estruturas arcaicas Foram preservadas de maneira latente e aqui neste romance de 59 essas estruturas arcaicas acabam vindo à tona quando Nós pensamos em toda a dinâmica de
violência de aprisionamento e de opressão que conduz a vida desses personagens E aí essa discussão sobre como a modernização por vezes depende da manutenção e da Preservação de estruturas arcaicas essa discussão já havia Aparecido antes no primeiro romance do Lúcio Cardoso como eu falei Bastante no meu vídeo aqui sobre uma Leita então novamente se você não viu aquele vídeo me parece que é uma boa ideia você dá uma olhada nele e aí pensando ainda nesse gótico nesse tom gótico que aparece aqui em crônica da casa assassinada todo esse clima de ruína todo esse clima de
degradação inevitável faz lembrar também de textos como a queda de uma casa de Usher de 1839 O Morro dos Ventos Uivantes de 1847 ou ainda o som e a Fúria de 1929 sobre o qual já tem vídeo aqui no canal e eu vou deixar o link para aquele meu vídeo na descrição sendo que nesse romance de 29 né escrito lá pelo William fuckner tanto nele quanto aqui neste romance de 59 do Lúcio nós temos narrativas fragmentadas narrativas não lineares e nas quais nós temos personagens que são construídas a partir de vários pontos de vista por
vezes até conflitantes então por exemplo Dependendo de quem está Narrando aqui a crônica da casa assassinada a Nina Pode parecer culpada ou Inocente em relação aos eventos narrados O que torna essa uma personagem desde o início e aí eu já falei bastante sobre como a estética gótica aparece no na obra do Lúcio Cardoso em um dos vídeos que eu fiz aqui sobre o teatro reunido do autor então se você se interessou por essa temática na obra aqui do Lúcio Talvez seja uma boa ideia você dar uma assistida no meu vídeo aqui Sobre este outro livro
é deste mesmo autor Mas enfim no fim das contas pensando nesse aspecto mais social do romance na medida em que como eu já Adiantei Aqui nós temos alegroricamente uma discussão sobre a volta de estruturas arcaicas que sobreviveram a modernização né pensando Então nesse aspecto mais social deste livro nós estamos falando de um projeto de sociedade que se estrutura a partir da permanência do arcaico quase como se A casa assassinada aqui representasse o Brasil ou pelo menos uma parcela bastante conservadora do Brasil portanto a decadência da casa e da família Menezes nos dá notícia também do
enfraquecimento de uma visão de mundo aristocrático escravocrata autoritária e sobretudo patriarcal E isso se liga a história de Minas Gerais de um modo mais amplo Se nós formos considerar que aquele estado era o centro econômico do Brasil no século XVIII mas aí passou por Todo um processo de industrialização razoavelmente tardia e aí essa industrialização tardia acabou preservando algumas estruturas do passado que não necessariamente funcionam ou são úteis no presente e aqui faz todo sentido a declaração da modelo Lúcio Cardoso e que é uma declaração bastante famosa durante uma entrevista concedida ao jornalista Fausto Cunha E
aí eu gostaria de ler aqui essa declaração do autor Porque me parece interessante para essa leitura que eu estou estabelecendo aqui do romance de 59 diz o autor então meu movimento de luta aquilo que Visa destruir incendiar pela visão de uma imagem Apocalíptica e sem remissão é Minas Gerais meu inimigo é Minas Gerais o punhal que eu levanto com a aprovação ou não de quem quer que seja é contra Minas Gerais que me entendam bem contra a família mineira contra literatura mineira contra religião mineira contra a Concepção de vida mineira contra a família mineira né
Então veja que evidentemente quando o autor está aqui se referindo a essa família mineira ele está falando dessa família tradicional que perde lugar a partir da modernidade E aí se você vê se você pensa bem vários textos de autores mineiros tratam exatamente disso se você pega que tem vários poemas do do Carlos Drummond de Andrade lá no boitempo lá no Claro Enigma que tratam justamente desse Declínio das grandes das grandes famílias e fazendas tradicionais de Minas Gerais né E aí veja com isso a gente percebe que aquela distinção entre o romance social e o romance
psicológico que geralmente a gente associa a literatura produzida na década de 1930 essa distinção entre esses dois tipos de romance só vale até a página 2 e na verdade tem propósitos meramente pedagógicos isso porque é possível fazer sim um comentário social a partir da Sondagem psicológica como acontece aqui em crônica da casa assassinada que retrata Então esse declínio da aristocracia mineira decadente e orientada por valores ultrapassados assim como também é possível explorar a psicologicamente a mente de um personagem em um romance social como acontece por exemplo lá em São Bernardo do Graciliano Ramos que foi
publicado em 1934 Então veja que a escolha pela estética gótica por parte do Lúcio Cardoso acaba sendo ressignificada na medida em que por exemplo ao invés de um castelo que era o cenário recorrente na literatura gótica do século 18 basta pensar que o primeiro Marco da literatura gótica é o castelo de o trampo do wallpaper né com já no título daquele livro se tem essa imagem do Castelo Mas enfim aqui ao invés de um castelo aristocrático que nós temos é essa espécie de casa grande perdida nos Confins de Minas Gerais é significativo então pensar no
duplo sentido da palavra casa que do título desse romance de 49 já aqui como bem disso O Lúcio Cardoso quando da publicação aqui deste livro A palavra casa se refere aqui tanto ao ambiente onde se passam as ações da narrativa quanto a linhagem familiar dos Menezes essa casa dos Menezes e isso reforça que existe uma relação de quase equivalência entre os personagens e o espaço relação Essa que também é um traço muito ligado à literatura gótica mesmo porque a casa aqui deste romance parece um verdadeiro presídio então por exemplo é uma casa que tá sempre
fechada tanto por representar uma aristocracia que se fecha em si mesma e se retro alimenta E aí nesse aspecto o tema da relação incestuosa ganha outro sentido dentro do romance quanto e isso essa essa casa totalmente fechada acaba criando uma distância entre os que estão dentro e os Que estão fora da casa e aí eu não sei se essas janelas emperradas dificultam a entrada ou na verdade a saída dessas pessoas aqui por outro lado a palavra crônica do título se liga aquele gênero anterior a historiografia e que se sustenta a partir principalmente do registro de
relatos orais que é o que nós temos aqui no fim das contas com essa junção de textos por vezes contraditórios entre si e que tem em comum essa tentativa de criar e Reinterpretar o passado e aí a última coisa interessante antes de falar da narrativa em si porque eles vejam já tô aqui há quase uma hora pelo menos enfim segundo tempo que eu tô aqui é estou há quase uma hora aqui e ainda nem cheguei na no enredo em si né mas a última coisa que eu gostaria de falar antes de chegar na parte que
mais interessa é sobre a epígrafe do livro né Veja essa epígrafe é retirada do Evangelho de João né Capítulo 11 Versículo 39 e 40 e essa Epígrafe diz respeito a glória de Deus que se manifesta a partir daquilo que é grotesco no caso aqui um cadáver que já cheira mal diz então a epígrafe Jesus disse tirai a pedra disse-lhe Marta irmã do defunto Senhor ele já cheira mal porque já está aí há quatro dias disse-lhe Jesus não te disse eu que se tu creres verás a glória de Deus nem Então veja essa imagem da morte
de um Cadáver se decompondo e de algo grotesco a partir do qual se revela se manifesta a glória de Deus tudo isso já se confirma no primeiro Capítulo do romance que fala da morte da personagem Nina que talvez seja o mais próximo de uma protagonista aqui nesse romance e aliás o fato de nós já sabemos da Morte dela no primeiro capítulo instala uma dinâmica de memento Mori ao longo de todo o resto da narrativa na medida em que sempre ou pelo menos isso Aconteceu comigo sempre que a Nina aparece em um determinado momento a gente
já sabe que no fim das contas ela vai morrer de um jeito trágico né de modo que o autor desloca aquilo que Teoricamente seria o clima que da narrativa Pelo menos é o que eu acredito até agora dessa minha leitura e ao invés de estar no clímax essa informação sobre a morte de Nina aparece logo no início e isso poderia ter sido Um tiro no pé mas até agora o enredo continua bastante interessante justamente por nós já sabemos como tudo aquilo está sendo tudo aquilo que está sendo contado vai acabar no fim das contas então
enquanto na narrativa gótica tradicional o presente era Assombrado por um passado fantasmagórico por uma história que assombrava e que se recusava a passar nesse romance do Lúcio Cardoso essa imagem do passado é assombrada por um dado do Futuro que é a Informação de que a protagonista vai morrer depois de uma longa agonia e isso vai se confirmando aos poucos nos momentos em que por exemplo a própria Nina cita em uma carta para o Valdo que é o seu ex-marido que ela está paralítica E aí como eu já Adiantei a narrativa aqui desse romance de 59
é composta de maneira fragmentada e isso acaba conferindo aos fatos narrados uma organização circular Então tudo gira em torno de alguns detalhes que se repetem Quase como se não houvesse maneira de fugir nas coisas que estão sendo contadas daí é que vem essa impressão de que o fim é inevitável porque tudo gravita em torno dos Menezes mesmo a despeito da quantidade de narradores de ponto de vistas e de registros que vão se acumulando conforme avanço romance E aí veja bem talvez uma das maiores críticas que podem ser feitas aqui ao crônica da casa assassinada é
o fato de que apesar desse excesso de narradores o Estilo de narração é sempre o mesmo então não importa se quem tá contando a história é um empregado ou um médico ou sei lá dona da casa o fato é que todo mundo fala do mesmo jeito usa as mesmas expressões tem o mesmo estilo de comportamento Enfim nem Veja essa crítica realmente é uma crítica válida Na verdade eu acho que de início pelo menos isso foi me incomodando muito mas aí é eu acho que esse tom que se mantém acaba e eu percebi isso só na
hora que Eu fui assim revisando as minhas anotações para poder montar esse vídeo para vocês e aí eu fui me dando conta de que esse mesmo tom que se mantém o tempo todo acaba reforçando o caráter meio claustrofóbico dessa Chácara dos Menezes e da narrativa em si então é como Se Tudo Fosse um eco ou como se essas vozes fossem Na verdade uma mesma voz que vai se desagregando o que para mim faz todo sentido pensando na Proposta desse romance Então veja os fatos são sempre os mesmos os estilos de narrativa são sempre os mesmos
então é como se a vida desses personagens estivesse estagnada porque a crise que eles atravessam parece não ter fim em momento algum Além disso esses vários fragmentos de vozes que se contradizem apesar de serem muito parecidas entre si aumenta a impressão de que todo mundo fala o tempo todo mas ninguém se escuta Em momento algum E aí veja essa Conjunção de fragmentos que apesar de sua semelhança são contraditórios entre si leva novamente a ideia de que essa corrosão da casa da família dos valores e a corrosão do próprio corpo é inevitável essa corrupção se mantém
ao longo do tempo já que tudo se repete tudo está fadado a se repetir e a cada repetição novas peças vão se acumulando de modo que ao invés de resolvendo as coisas o romance acaba atenção tudo cada vez mais e pelo menos até agora eu não Vejo isso como um problema uma vez que apesar de já estar no capítulo 14 Nós ainda estamos muito no início da narrativa né Então Ainda falta muita coisa para acontecer então acredito eu que todas essas portas serão fechadas Em algum momento e mesmo que elas não sejam fechadas eu acho
que essa não finalização também faz todo sentido para proposta do romance de maneira que assim como a família tradicional aqui presente está se dissolvendo a Narrativa tradicional com começo meio e fim com uma loja de com uma lógica de concatenação de ideias muito bem orquestrada é essa narrativa tradicional também não está mais se sustentando ela também está se corroendo de modo que a desagregação da família é também a desagregação do próprio romance e agora pouco eu usei o termo corrupção para falar desse destino dos personagens e eu estou aqui me referindo sobre tudo a uma
corrupção que é espiritual uma vez que Como o próprio autor defendeu o pecado vai ser o grande tema desse romance é o pecado que assassina essa casa e essa família porque é curioso pensar nisso morrer e ser assassinado são coisas diferentes e essa é uma família que foi assassinada né então não é preciso manter isso sempre Invista a todo momento e pelo menos até agora nessa minha leitura a grande pecadora dessa narrativa é a Nina que já No primeiro capítulo aparece como alguém que tem uma relação incestuosa com o André que é o seu próprio
filho O André é o narrador desse início da narrativa e na verdade esse início é anunciado como a conclusão de tudo daí essa minha fala anterior de que a morte da Nina ela estabelece um movimento de memento Mori ao longo de todo o resto do livro porque você vê alguém falando dela você pensa bom ela vai morrer de um jeito trágico né E aí eu gostaria de ler alguns trechos interessantes sobre essa relação entre eles e aliás de início até pensei que estava entendendo errado que eles eram apenas amantes mas não assim logo sei lá
na quinta página da narrativa a gente já percebe que eles são mãe e filho mesmo né então tanto que existe um trecho no início da narrativa que é um trecho muito simbólico no qual o André percebe que entre ele e o pai está o corpo da mãe no caixão demarcando portanto esse Afastamento não apenas físico mas também afetivo entre eles né Eu gostaria de ler aqui alguns trechos do romance que falam dessa relação incestuosa entre mãe e filho então por exemplo aqui é um trecho da página 25 Descubra o rosto adorado e espanto-me de que
conserve uma tal serenidade que me impõe uma tal grande distância a mim que fui seu filho mais do que idolatrado que tantas vezes cobre de beijos e de soluços aquelas têmporas que agora o Calor vai embranquecendo que colei meus lábios aos seus lábios duramente apertados que aflorei com minhas mãos a curva cansada do teu seio que lhe beijei o ventre as pernas e os pés que só Vivi para a sua ternura e morri também um pouco por todas as veias do meu corpo pelos meus cabelos pelo meu sangue pelo meu Paladar e pela minha voz
enfim por todas as minhas fontes de energia quando ela sentiu em morrer e morrer sem mim E aí mais adiante um pouquinho na página 29 ele disse comigo mesmo pensava eu não podia odiá-la estava Acima das minhas forças Deus ou o diabo que me houvesse gerado minha paixão elevava-se Acima das contingências terrenas nada mais conhecia senão a sensação daquele corpo ofegando em meus braços e ofegava de um modo tão Preciso no seu transe de morte como estremecer outrora nas suas horas de amor e aí por fim eu gostaria de ler aqui também um trecho que
está na página 36 isso aqui é a Nina se conversando ali com o André pouco antes de morrer quero que em certas noites lembre-se de como eu tocava com minhas mãos e nunca se esqueça do primeiro do primeiro beijo que trocamos junto aquela Árvore Grande no pavilhão quero que nunca mais pise no jardim sem lembrar do Jardim que foi nosso parêntese no meu vídeo sobre o a luz no subsolo eu falei para vocês que Desde aquele romance de 36 o Jardim o espaço do Jardim já aparece como esse lugar da subversão isso se confirma aqui
né por essa fala da Nina que faz com que a nossa imaginação fértil imagine coisas demais mas enfim e nem que espere pessoal alguma neste mundo sem lembrar esse de como me esperava sentado naquele banco dos últimos encontros quero que você sempre se lembre do calor do meu corpo e das coisas que eu disse quando você me tomou Em seus braços Então veja que como se não bastasse ser essa uma mulher sedutora misteriosa e que cultiva a própria Liberdade o que faz dela quase que uma espécie de Ema bovari que é aquela personagem importantíssima do
romance do flaber uma gangorra Hi de 1856 então se não bastasse tudo isso a Nina ainda nos é apresentada a partir de um dos grandes tabus da nossa sociedade uma vez que a Relação dela não é apenas incestuosa como é uma relação incestuosa entre mãe e filho e assim ela rasura a ideia Imaculada que a gente pode ter maternidade Por isso mesmo outro tema associado ao pecado e que vai aparecer aqui graças a essas vozes dos outros personagens sobre a Nina é o tema da culpa mas o pecado também se associa por exemplo a confissão
considerando os capítulos narrados pela Ana e também o pecado se associa a ideia de interdição Quando Nós pensamos em figuras desviantes Como por exemplo o Timóteo e a Maria Sinhá sendo que o primeiro é tratado como segundo palavras de um dos personagens aqui uma doença reservada sobre a qual não se deve falar e a segunda é sempre mencionada como uma mulher de hábitos e trejeitos masculinos então tanto é assim pensando na Maria Sinhá que havia um retrato dela na parede no passado mas acabaram escondendo esse retrato em um Quarto de despejo da casa com medo
de que aquele passado de liberdade aquele passado de transgressão que ela representa acabassem influenciando negativamente o Timóteo que já era uma pessoa que tinha ali alguns desvios muito visíveis e o trecho que descreve esse quadro Vale a Pena Ser mencionado aqui e ele me fez lembrar bastante de uma coisa meio Retrato de Dorian Rey lá do Oscar Wilde né porque esse quadro Ele fica ali oculto em um canto abandonado da casa quase como se fosse a representação de todo mal que afeta os Menezes e esse essa descrição Inicial desse quadro não sei se ele vai
ser mencionado futuramente no livro mas enfim pelo menos essa primeira descrição dele é uma descrição quase cinematográfica porque a imagem do quadro ela vai ela o quadro ele está todo empoeirado E aí a imagem ela vai aparecendo bem lentamente ali quase que Criando um suspense uma tensão muito grande e aí isso acontece Justamente na página 111 aqui 111 não desculpa 150 aqui dessa Minha edição e nela se lê o seguinte encontrar um então um retrato que se achava coberto por densa camada de pó Anastácia que é uma das empregadas arrastou o quadro para debaixo da
luz e esfregou um pano sobre sua superfície devagar como se emergência do fundo parado de uma lagoa a fisionomia foi Surgindo E à medida que os traços iam se revelando mais fortemente batiam nossos corações como se violassemos um segredo que para sempre devesse dormir na escuridão do passado era um rosto de mulher não havia dúvida mas tão Severo tão fechado sobre suas próprias emoções então definitivamente ausente de cogitações imediatas e mesquinhas que mais se assemelhava ao rosto de um homem e de um homem totalmente desiludido das vaidades desse mundo mas aí é claro que Como
toda a família tradicional brasileira os Menezes vão sendo aos poucos corroídos pelo Adultério pela relação incestuosa por questões ao gênero quando Nós pensamos na Maria Sinhá e no Timóteo Mas eles vão fingir que não está acontecendo nada varrer todos esses Fantasmas ali para baixo do tapete né trancar nesses esqueletos nos armários e nos quartinhos de despejo E assim a deterioração da casa é como se fosse ali um sintoma algo que torna Explícita uma degradação que de outro modo passaria desapercebida e eu falo aqui em sintoma porque desde o início existe uma equivalência muito forte entre
a casa e o corpo na medida em que a casa passa por um processo de humanização mas sempre em termos de uma vida que se desfaz de uma vida que se acaba E aí sobre isso existem aqui alguns trechos interessantes que eu gostaria de ler porque assim nós estamos numa leitura conjunta então né eu vou Ler bastante aqui o vídeo é longo como eu disse no início você pode assistir esse vídeo ao longo da semana sei lá página 111 diz o seguinte isso daqui é o trecho é um trecho da primeira confissão de Ana lá
o Capítulo 8 é dito o seguinte então Padre acredito ter visto a presença tangível do diabo e mais do que isso ter alimentado com o meu silêncio a minha aqui Essência portanto a destruição latente da casa da família que há muitos anos são as minhas desde Que entrei para esta casa aprendi a referir-me a ela como se se tratasse de uma entidade Viva sempre eu vi meu marido dizer que o sangue dos Menezes criaram uma alma para essas paredes e sempre andei entre essas paredes com certo receio amedrontado e mesquinha imaginando que desmesurados ouvidos escutassem
e julgassem os meus atos páginas depois entre as páginas 113 e 114 está dito o seguinte quem sabe no fundo também para ele ou seja para Timóteo a chácara significa alguma coisa talvez a idade seja uma doença de sangue essas pedras argamassam toda a estrutura interior da família são eles Menezes de cimento e tal e por fim na página 164 está escrito o seguinte isso daqui quem diz é um acho que é o médico deixa eu ver aqui Se não me engano é um médico quem quem descreve a casa nesse momento durante uma de suas
visitas a família dos Menezes Exatamente a segunda narrativa do médico Capítulo 13 ele diz o seguinte Rui a casa dos Menezes mas a sombra já alcançava também sepultando em seus escombros não era a sua casa aquele renunciava era si próprio pois não podia aceitar a casa sem a integridade do seu orgulho dirão que isso talvez não passasse de impressão exagerada mas a verdade é que há muito eu pressentia o mal qualquer devorando os alicercedes da Chácara Aquele reduto que desde a minha infância eu aprender a respeitar e admirar como um monumento de tenacidade agora surgir
a vulnerável aos meus olhos frágil anti a destruição próxima como um corpo gangrenado que se abre ao fluxo dos próprios venenos que traz no sangue e aí mais adiante Gangrena carne desfeita arroxeada e sem serventia por onde o sangue já não circula e a força se vai delatando a pobreza do tecido e essa eloquente Miséria da carne humana veias Em fúria escravizadas a Alucinação de um outro ser oculto e monstruoso que habita a composição final de nossa Trama famélico e desregrado erguendo ao longo do terreno vencido os esteios escarlates de sua vitória mortal E purulenta
e essa relação entre a casa e o corpo é tão forte principalmente no que se refere ao corpo da Nina lá no Capítulo 1 que assim que a protagonista morre o André anda pelos corredores e diz que era como se aquele fosse um cenário sem Atores né e mais ele diz que a partir da morte da Nina era como sim a casa dos Menezes não existisse mais e isso logo assim no primeiro capítulo do livro mas como esse capítulo é na verdade a conclusão da história existe Então essa equivalência entre o fim do corpo e
o fim simbólico da casa e da família o que nós vamos acompanhando então ao longo do romance Ou pelo menos ao longo dos 14 primeiros Capítulos foi quando eu parei aqui para poder gravar esse vídeo O que nós acompanhamos então são os momentos que antecedem e de certa maneira antecipam essa ruína completa dos Menezes e todo esse processo é narrado por vários personagens e me parece que justamente nos Capítulos narrados por personagens mais distantes da família Menezes é que a gente fica sabendo de mais detalhes infames sobre essa linhagem pensando por exemplo nos Capítulos narrados
pelo médico e pelo farmacêutico em maior escala ou mesmo Naqueles narrados pela Beth que é a governanta da casa em uma escala um pouco menor pensando nesse nível de informações sobre a família e aí como eu já Adiantei a narrativa aqui de crônica da casa assassinada se passa perto de Uma cidadezinha mineira chamada Vila Velha o que não apenas indica o atraso daquele lugar que é um lugar arejo com um único médico uma farmácia um padre quase sem energia elétrica então é um lugar onde todo mundo se conhece todo Mundo comenta sobre a vida de
todo mundo né mas isso também reforça esse nome também reforça a imagem da Nina como alguém que representa a novidade por ter vindo do Rio de Janeiro Então existe a Vila Velha que é esse lugar arcaico e existe o Rio de Janeiro que é esse lugar da modernidade Mais especificamente a narrativa se passa ali na fazenda dos Menezes que antes eram uma propriedade grande imponente mas que agora se reduz a um pedaço de terra infértil Já que as Partes férteis desse lugar foram aos poucos sendo vendidas para fazendeiros da região Por isso mesmo esses personagens
da família estão ali enclausurados nesse espaço encrausurados também naquela antiga Glória do passado de modo que no presente eles vivem muito mais das aparências do que de algo concreto tanto que eles quase não se relacionam com as pessoas de fora da casa o que só faz aumentar os boatos que rondam Vila Velha E que tem os Menezes como protagonistas uma vez que todo mundo quer saber como é a vida dessa família tão recluso e tão polêmica e tão importante no passado e aí atualmente a família Menezes é composta por três irmãos o Timóteo que é
o irmão mais novo e que vive enfurnado dentro de um quarto sem poder sair porque ele é visto como um degenerado por usar as roupas que pertenceram a mãe e por dizer explicitamente que ele não se sentia confortável usando roupas Masculinas tanto que a empregada da família diz que ele é um ser estranho e sem sexo tão luxuoso e tão inútil quanto as lantejoulas que ele tanto gosta de usar mas ainda pensando nesse filho que se apropria das roupas da mãe como se ele quisesse ali ter o corpo dessa mãe simbolicamente isso também aponta para
uma relação incestuosa dele em relação a ela ainda que a partir dessa transferência do Desejo da mãe para as suas roupas Além disso o Timóteo vive bebendo e ele está visivelmente se destruindo se desfazendo como bem dizem alguns trechos que o descrevem então por exemplo eu vou ler dois trechos aqui sobre esse personagem um está na página 89 e diz o seguinte eu o conhecer a moço ainda sem aquele excesso de gordura sem aqueles visíveis sinais de devastamento impressos no rosto não era propriamente um ser humano que Eu tinha diante de mim mas uma construção
de massa amorfa e enxada e aí mais abaixo a pintura que ele usava não era a pintura comum que uma mulher usa mas um excesso um transbordamento qualquer coisa de raivoso e de Incontrolável como alguém que houvesse perdido o senso do gosto e aí na página 124 é dito o seguinte os ricos e extravagantes vestidos que haviam pertencido a sua mãe e que tanto Luz pro haviam dado outrora a crônica social da Chácara estouravam agora pelos cantos rompiam em cicatrizes esgarçados em lugares onde o excesso já torneava as primeiras e irremediáveis deformidades Então veja aqui
esses esse trecho final aqui que eu acabei de ler para vocês da página 124 é um texto é um trecho interessante porque nos mostra que o desgaste físico do Timóteo é como se fosse um símbolo desse desgaste da imagem da família Menezes ao longo do Tempo mas ao mesmo tempo o Timóteo é muito consciente sobre a situação atual da família tanto que ele diz que ele e os irmãos são os frutos podres de uma linhagem bastarda e por isso isso segundo os irmãos o Timóteo se alimenta de uma vontade de destruição quando na verdade o
próprio Timóteo diz que o que desprezavam nele é justamente o sangue dos Menezes já que ele representa uma verdade em suas palavras grotesca incômoda e absurda Então esse é o primeiro dos irmãos o segundo é o Valdo o irmão do meio e sobre o qual nem tem muito que falar porque ele é um sujeito bem Medíocre para falar a verdade né Ele é o que tem a personalidade menos interessante em toda a família e mesmo a empregada diz que ele nunca perdia a linha e que ele era dominado por um sentimento de impotência em relação
as coisas apesar disso segundo os boatos que corriam em Vila Velha o Valdo era um verdadeiro Mulherengo que despertava a paixão das moças pela cidade afora e era um nascido frequentador dos lupanares daquela região e aliás isso me fez lembrar que lá em maleta que é o romance de 34 havia dois sinais de modernização de Pirapora são eles então o aumento de Roubos e a inauguração de lupanares de prostíbulos na cidade e aqui em crônica da casa assassinada esses dois índices modernizantes também aparecem então fica Aqui apenas essa pequena observação o fato então é que
por ser essa pessoa meio apática meio Medíocre todo mundo ficou muito surpreso ao saber que ele havia se casado ou que ele estava em vias de se casar com uma verdadeira beldade que ele havia conhecido no Rio de Janeiro que é justamente a nossa protagonista aqui a Nina e por fim nós temos o terceiro irmão que é o Demétrio o mais velho sobre o qual já falei algumas coisas no início desse vídeo né E ele como eu acho que já ficou muita Evidente naquela minha fala anterior o Demétrio representa os valores da antiga aristocracia dos
Menezes né Além disso o nome Demétrio está intimamente ligado a deusa da agricultura dos gregos né A deméter então talvez isso explique esse apego desse personagem as raízes familiares tanto é assim que ele não enxerga Ou pelo menos ele não quer enxergar o declínio dos Menezes e isso faz com que um dia ele e o Timóteo Big Depois que o Caçula diz que todo aquele prestígio da família não existe mais e que um barão da cidade vizinha jamais iria visitar a Chácara dos Menezes E aparentemente o Demétrio acreditava que a visita do barão seria um
modo de validar a relevância social dessa família ainda no presente então depois dessa briga que acontece que o Timóteo se tranca no quarto sobre o risco de perder parte da sua herança muito embora ele próprio Diga que as joias da mãe que estão ali com ele seria um suficiente para reerguer as economias da família mas ele não vai fazer isso justamente porque ele quer o fim dos meses por tudo isso a gente percebe que a relação que o Demétrio tem com o passado não é uma relação melancólica mas sim uma relação amargurada E isso se
reflete mesmo no aspecto dele uma vez que como diz o farmacêutico o Demétrio tinha um ar doentio de alguém que vive nas sombras e Isolado no mundo porque no fim das conta s é isso ele se isolou do mundo por se manter desse passado glorioso dos Menezes além desses Três Irmãos vivem ainda nessa Chácara Bete que é a governanta e quem entende e vai aos poucos revelando todos os mecanismos de funcionamento da casa e da família por estar ali há muito tempo Alberto que é o jardineiro e que desenvolve uma paixão avassaladora Pela nina que
é essa mulher inalcançável que Ele sempre vai cortejar e essa paixão do Alberto Pela nina acaba gerando uma série de problemas uma vez que alguns outros personagens acabam vendo determinada cenas que se passam entre os dois e vão deduzir que eles têm um caso e isso vai ter um fim trágico para esse rapaz como nós já vimos aqui em um dos últimos Capítulos dessa parte do romance que nós lemos nesse primeiro momento do projeto de leitura conjunta e por fim mora ainda nessa Fazenda A Ana que a Esposa Demétrio e que tem uma história de
vida muito triste uma vez que ela desde a infância foi preparada para ser a esposa perfeita para alguém da família Menezes mas especificamente para o Demétrio ou seja ele é muito mais velho do que ela porque quando ele já era um adulto ela ainda era uma criança né de modo que a própria Ana reconhece que ela sempre se esforçou cada vez mais para se tornar a pessoa pálida e artificial que ela acabou se Tornando e mesmo os outros personagens como é o caso do farmacêutico dizem que a Ana foi aos poucos sendo triturada por essa
vida junto dos Menezes Por isso mesmo como Eu mencionei no início desse vídeo a Ana vai funcionar como duplo e ao mesmo tempo como contraste da Nina A Ana é essa mulher reprimida amargurada sobria que sempre se veste com muito recado uma mulher muito religiosa uma mulher criada nessa cidadezinha provinciana e conservadora uma mulher Que a vida toda aceitou passivamente aquilo que era imposto E por aí vai por outro lado a Nina se destaca como uma mulher da cidade grande uma mulher extravagante de uma beleza proverbial uma mulher muito ativa em relação a tudo uma
mulher que não descansa em momento algum que tem vários vestidos que é vaidosa que faz tudo aquilo que a Ana aparentemente gostaria de fazer que não aceita desaforos calada que é decidida e representa Então essa modernidade te Gera ao mesmo tempo incômodo e algum tipo de Encanto né E essa construção da personagem é interessante porque em momento algum existe uma descrição física direta dela a gente fica sabendo muito mais sobre as Sensações e as impressões que a menina desperta rta em outros personagens do que sobre como ela é de fato objetivamente falando Então veja só
a Ana que sempre foi levando aquela vida Medíocre de repente Se vê confrontada pela existência de uma outra mulher e é quase como se a Ana sentisse é quase como não a Ana acaba se tornando alguém com inveja da Nina até porque fica bem nítido que o Demétrio é hostil em relação a nina não só por causa da modernidade que ela representa mas também porque ele está ali reprimindo a dura as penas o desejo que sente por ela e tem uma fala da Ana que eu achei muito interessante que é quando ela disse que o
principal Dom do diabo é Despojar a realidade de qualquer ficção e ela diz isso fazendo uma alusão ao fato de que a partir do momento em que a Nina chegou a chácara ela ou seja a Ana foi se dando conta da própria condição e daquilo que ela sentia de verdade então a presença da Nina ali foi esse elemento diabólico que destituiu de ficção aquela realidade dura e nua que começa enfim a se apresentar cada vez mais diretamente aos olhos de Ana então por exemplo a Ana não só reconhece que nunca amou o marido como também
percebe que ele gosta da Nina depois que essa outra mulher chega na fazenda Além disso ao se comparar com essa sua rival a Ana vai se dando conta da própria apatia E para piorar isso tudo por mais que isso não fique muito dito é Bem óbvio que a Ana gosta do Jardineiro que por sua vez gosta da Nina mas a Ana só percebe isso quando ela fica Sabendo que esse ela só percebe que ela gosta do Jardineiro quando ela ficar sabendo que o Alberto foi rejeitado pela Nina tanto é assim que logo ao fim dessa
parte que nós lemos é a Ana escuta dois tiros dado pelo dados pelo Alberto depois de um desentendimento que ele teve ali com a Nina e aí a Ana fica toda feliz pensando que o Alberto matou assassinou ali a sua suposta amante né então a Nina ela se comprasse diante da possibilidade de assassinato dessa sua Rival mas na verdade não foi nada disso O que aconteceu foi o seguinte assim que a Nina chegou ela acabou descobrindo que foi enganada pelo Valdo que sempre lhe disse que era um homem rico que era um homem de uma
família muito importante de fato era mas no presente não é mais tão rico Nem tão importante assim né isso demonstra que Essas mentiras demonstram que por mais que ele não seja tão direto quanto o Demétrio o Valdo também dá valor a essa Importância a esse nome dos Menezes porque se ele não ligasse para isso ele não teria mentido para moça né porém assim que a Nina se depara com aquele lugar sem vida com aquela atmosfera de pesadelo com aqueles espaços claustrofobicos labirinticos penombrosos e decadentes a mina vai se dando conta de que ela foi tapeada
e aqui nós já temos um clima de tensão estabelecido entre ela e o Demétrio uma vez que ele faz ali algumas provocações que ela Simplesmente não ignora por isso a mina acaba indo morar no pavilhão que é uma casa bem mais simples que fica ali no mesmo terreno da Chácara dos Menezes perto do Jardim e todos esses espaços tem um simbolismo muito forte dentro da narrativa uma vez que a casa ou a chácara enfim é esse lugar onde tudo deve acontecer de acordo com os valores morais rígidos da família tradicional o Jardim por outro lado
como eu já mencionei anteriormente isso também está Presente lá em luz no subsolo o jardim é esse lugar do segredo é esse lugar da liberdade é esse lugar da transgressão onde supostamente a Nina teria ali os seus Encontros com o jardineiro e por fim nós temos dentro desse mesmo território o Pavilhão que seria esse lugar intermediário entre a casa e o Jardim portanto a liberdade do Pavilhão é maior do que a da casa mas não chega a ser tão grande quanto a liberdade que o Jardim Oferece acontece que a Nina ela gosta muito de flores
principalmente de Violetas e eu fiquei me perguntando o porquê dessa flor tão específica mas enfim eu não cheguei a conclusão nenhuma se você pensou em alguma coisa por favor diga nos comentários mas enfim a Nina gosta muito de flores e aí ela pede que o Alberto faça um canteiro perto do Pavilhão e como rapaz está apaixonado por ela e também é claro por Ele ser um empregado ali o Alberto prontamente atende a esse pedido e a partir disso tanto o Demétrio quanto a Ana vão flagrar algumas situações suspeitíssimas entre mina e o jardineiro então por
exemplo a Ana Vê a moça dando um tapa na cara do rapaz daí ela pensar depois que ele se vingaria da mina né e por outro lado o Demétrio vê o Alberto ajoelhado aos pés de da mina e como o Alberto já estava ali querendo Motivos para se ver livre da cunhada Essa visão esse flagra que ele deu foi o suficiente para que ele criasse todo uma situação de modo afastar a Nina e o Valdo e ele chega inclusive ele o Demétrio chega Inclusive a sugerir que na verdade a Nina havia se mudado para o
Pavilhão para poder se encontrar secretamente com o seu amante de um jeito mais fácil sem chamar tanta atenção e o Demétrio ele queria que a Nina fosse Embora logo ali da da Chácara dos Menezes porque ela estava grávida e como o próprio Demétrio não tem filhos Isso significa que a propriedade dos Menezes passaria para o Valdo que sempre foi um cara que não ligou muito por administrar as terras e os bens da família né E aliás esse essa música Entre Irmãos por bens da família também aparecem em um dos Contos lá do contos da Ilha
do continente Inclusive eu falei desse desse conto no vídeo que eu fiz sobre Aquele livro mas enfim então primeiro o Demétrio diz que a Nina tinha que ir embora porque ali na cidade de Vila Velha e tampouco na região não havia recursos para fazer o parto mas agora com esse possível Adultério ele tinha a desculpa perfeita para mandar a moça embora dali e de fato a mina acaba indo embora e te ndo filho no Rio de Janeiro mas aí é engraçado eu não entendi o porquê disso Talvez isso explique depois Uma coisa que eu achei
engraçada é que a Nina ela tem esse filho mas quando a Ana vai até o Rio de Janeiro para tentar pegar a criança para criar a menina disse que não tem criança nenhuma que ela deu o filho para adoção no hospital mesmo então assim a gente sabe que isso é mentira porque lá no primeiro capítulo O André se desfile da Nina né então não sei o porquê disso talvez ela tenha mentido justamente para não deixar o essa descendência dos Menezes se Estabelecer de maneira mais direta não sei mas enfim outra coisa engraçada é a seguinte
né Apesar de querer a separação entre Valdo e mina o Demétrio aconselha que o irmão não se divorciasse legalmente porque assim eles manteriam as aparências uma vez que a cidade inteira de Vila Velha estava de olho nesse casamento desde o início tanto que antes mesmo da Nina se mudar para a chácara em Vila Velha surgiram vários boatos sobre esse casal Perfeito tamanha a expectativa de Todo Mundo em relação a chegada dessa forasteira porque é isso né gente Vila Velha É Uma cidadezinha pequena perdida no interior então assim qualquer coisa diferente já é a desculpa perfeita
para que se ame todo um circo porque a vida das pessoas se tornaria assim um pouco mais interessante Então no presente da narrativa 15 anos se passaram depois que a Nina foi embora né e agora essa protagonista está ali doente e manda uma Carta ao Valdo que se não me engano é o segundo Capítulo da narrativa E aí a Nina manda uma carta ao Valdo anunciando que voltaria para a Chácara e nessa carta elamente então é o momento em que ela mente dizendo que tinha dado o filho para adoção mas na verdade o filho dela
é aquele mesmo André que narrou o capítulo 1 e que nasceu em meio a todo um processo de dissolução de desagregação da família Menezes tanto que ele mesmo disse que os Menezes Tinham um estranhamento que era fruto de um longo processo de destruição um longo processo de degradação mas perceba que aqui a Nina acaba amplificando ou antes explicitando a crise da família Menezes e o destino dela como anuncia logo como se anuncia logo no primeiro capítulo nos mostra que o único legado dessa família é destruição Por isso mesmo ao longo desse trecho do romance que
nós lemos o elemento feminino quase sempre aparece Associado à transgressão e ao mal principalmente né seja por exemplo quando Nós pensamos na nina com toda a sua modernidade com toda a sua liberdade seja quando Nós pensamos no Timóteo com todos os seus traços femininos seja quando Nós pensamos lá na Maria Sinhá que rasurava a noção de feminilidade ao adotar uma performance mais masculina seja até em detalhe simples como fato de que a arma que o Demétrio compra do farmacêutico é descrita como uma arma Feminina e essa mesma arma que vai ser usada em um atentado
muito estranho contra o Valdo Então veja o Valdo sua atenta contra a própria vida por conta desse instrumento usando-se desse instrumento feminino né E aí quando chama um médico para examiná-lo dizem que na verdade o Valdo ele não tentou se matar ele estava ali Teoricamente limpando a arma e acabou sem querer não sei como atirando em si mesmo mas aí fica na dúvida se na Verdade o Demétrio tentou assassinar o irmão porque essa é uma possibilidade muito plausível ou se o Valdo tentou se matar depois que a Nina disse que iria embora tanto é assim
que depois ela acaba ficando na chácara por mais tempo e aí se muda para o Pavilhão enquanto o Valdo está se recuperando desse tal acidente né mas o fato é que mesmo que tenha sido uma tentativa de suicídio todo mundo percebe ou se tenha sido que seja lá um acidente coisa que eu acho Praticamente impossível mas enfim em todo caso fica muito claro todo mundo meio que percebe Ou pelo menos eu percebi isso que o Demétrio fazia questão de deixar o revólver sempre à vista como se ele estivesse induzindo alguém a fazer alguma besteira então
ele sempre deixava o revólver em cima da mesa ele sempre apontava por revólver falava Olha aqui que revólver bonito quando o Valdo tava passando então assim É meio Claro que ele tava planejando que o irmão fizesse alguma coisa e aquilo eu quero matar o meu irmão mas eu não posso fazer isso diretamente assim eu dou a arma para ele e aí se ele se matar o problema não é meu né Eu não posso ser acusado de nada além do mais essa arma feminina também é a mesma que o jardineiro usa para cometer o suicídio e
em ambas as ocasiões o médico da cidade é chamado para examinar esses feridos de modo que ele vai aos poucos unindo os Pontos e percebendo que tem alguma coisa realmente muito estranha acontecendo ali com os Menezes e essa é a mesma conclusão a qual chega o farmacêutico que é um homem bastante desconfiado interesseiro e curioso e que percebe muito bem todos esses melindres da família protagonista do romance isso porque por exemplo ele só entrega a arma ao Demétrio depois que este último conta toda uma história Muito esquisita sobre um e é uma história assim estapafúrdia
até o Demétrio chega na farmácia e fala assim não farmacêutico é que tem um lobo nas redondezas da Chácara eu queria matá-lo com veneno mas assim não se mata lobo com veneno né ainda mais assim você vai comprar veneno numa farmácia então assim é uma história idiota e não tô falando que um erro do livro tá é uma história idiota porque o personagem pensou nessa idiotice para tentar burlar Ali o outro né porque aquilo ele fala Ah queria um veneno aí o farmacêutico ia falar ah mas Lobo não morre com veneno eu tenho aqui em
casa uma arma e aí se você quiser você pode levar essa arma para poder enfim é matar o tal do lobo e era de conhecimento público que esse farmacêutico tinha um revólver em casa porque estava acontecendo muito uma série de roubos pela cidade E aí o farmacêutico para se defender comprou Aquele revólver e ficava com ele ali né casa acontecesse alguma coisa então todo mundo sabia que havia esse revólver essa arma ali na farmácia né mas é o que acontece o farmacêutico escuta toda aquela pataquada do Demétrio E aí depois é ele vai enfim requentando
aquela história ele vai desviando de assunto etc diz que nossa é tão difícil a vida hoje em dia não é porque a farmácia precisa de uma reforma e blá blá só depois que o Demétrio promete que vai Ajudar ali a na reforma da farmácia é que o farmacêutico finalmente ele entrega a tal da arma né Então veja que esse farmacêutico é um personagem interessante Porque como ele é muito curioso e muito safo ele percebe todos esses melins ele percebe que o Demétrio tá mentindo para ele desde o início mas ele vai levando aquela mentira ele
vai empurrando aquela mentira com a barriga para ver onde é que o outro vai chegar e aí quando ele fica sabendo que é um Revólver ele fica Por que que ele quer um revólver Será que tem um lobo mesmo não acredito que tem um lobo na nas redondezas da chave então assim esse farmacêutico ele vai pescando essas informações de um jeito muito interessante e tudo isso faz aumentar ainda mais aquela sensação de que todo mundo está conspirando o tempo todo contra todos né tudo isso vai aumentando aquele clima de desconfiança de todos contra todos e
é essa família Absolutamente problemática que acaba acolhendo entre muitas aspas a Nina que por sua vez também teve uma vida bastante complicada né Ou pelo menos enfim a vida dela não foi das mais fáceis isso porque a Nina tinha que cuidar do pai que era um coronel aposentado ou algo do tipo né ele era um sujeito um militar aposentado e doente e esse pai da Nina ele passava as noites jogando cartas ou algum outro jogo qualquer com Um colega de profissão esse colega é um coronel e ele arma também todo uma arapuca para poder enganar
o pai da Nina e assim se casar com uma moça Ou pelo menos ele tenta fazer isso então ele vai ali como se ele fosse a Sherazade ele esse Coronel amigo do pai da Nina né esse Coronel ele começa ali a contar toda uma história e aí ele sempre deixa a parte mais emocionante para o dia seguinte e assim ele vai conquistando a confiança do pai da Nina até que chega Um momento em que ele conta uma história maravilhosa e diz que ele só continuaria a história se o velho permitisse que ele se casasse com
a moça e é bem nesse momento que o Valdo acaba conhecendo a Nina e contando a ela um monte de mentiras de modo a atraí-la para a chácara meses a partir disso julgando pelo fim dessa personagem que apareceu lá no primeiro capítulo A partir dessa imagem que o Como é o nome do cara que escreveu o prefácio meu Deus o Chico Felipe ele ele escreve nesse prefácio uma expressão que eu achei muito interessante ele fala que na primeira no primeiro no primeiro Capítulo de crônica da casa assassinada nós observamos ali uma Pietá invertida né pensando
que a Pietra tradicional é assim que nós temos a mãe amparando o filho né Maria amparando Jesus Aqui nós temos o contrário é o filho amparando a mãe e essa inversão em termos simbólicos também quando a gente fica sabendo de Qual é a relação que se estabelece entre mãe e filho nesse caso nem então a julgar por esse primeiro Capítulo do romance me parece que a Nina foi aos poucos se enredando em toda essa decadência patológica dos Menezes e Agora resta saber como é que tudo isso vai continuar daqui para frente certo enfim eu acho
que eu falei tudo que havia me planejado para para falar para o próximo vídeo nós leremos do capítulo 15 até o Capítulo 28 Então veja aqui é Um período um pouco menor do romance né eu vou deixar aqui na tela agora e também na descrição certinho a data em que vai ao ar o vídeo da segunda da segunda discussão Se não me engano ele vai ao ar no dia 29 de setembro né mas em todo caso fica aí essa esse meu convite para que você dê a sua opinião agora nos comentários Diga aí o que
que você achou desse primeiro momento da nossa leitura Eu particularmente gostei muito né Não sei se os próximos vídeos Vão ficar menores ou maiores do que esse Espero que fiquem menores mas também porque nesse primeiro vídeo eu fiz toda aquela primeira parte um pouco panorâmica sobre a obra dos Cardoso isso não vai se repetir para os próximos né então não sei como será o segundo vídeo desse projeto Enfim então é isso se você gostou desse vídeo Não esqueça de curtir compartilhar etc e tal na descrição desse vídeo estarão os links para tudo Isso que eu
fui mencionando vou deixar também aqui o link para o meu perfil no apoia-se e assim caso você possa e queira contribuir financeiramente com esse meu trabalho basta você entrar em contato com os planos de apoio e também com as recompensas equivalentes a cada um desses planos fica aqui o meu agradecimento as pessoas que já contribuem e para você aí que quer contribuir mas que não pode fazer o financeiramente basta você mostrar para O algoritmo do YouTube que meu conteúdo é relevante de algum modo então curta esse vídeo compartilhe comente etc etc etc certo vemos então
nos próximos vídeos e um complexo