Tarcísio de Freitas, ex-ministro da infraestrutura do Bolsonaro e atual governador de São Paulo, era até pouco tempo herdeiro o óbvio da direita, como as coisas mudaram. Tarcío é militar, formado em engenharia no com a nota mais alta da história da instituição. Serviu na missão de paz do Haiti e chegou a trabalhar como diretor de um órgão público no governo Dilma.
Tudo isso é legal, mas tudo que ele tem de inteligência, ele não tem de carisma e só ficou famoso mesmo quando virou ministro do Bolsonaro em 2019, função que exerceu com competência. Ser um bom perfil técnico fez concorrer e ganhar o governo de São Paulo em 2022 e é o principal atrativo para sua campanha presidência. É o queridinho do mercado financeiro e do centrão para enfrentar Lula em 2026.
Seu desafio é equilibrar a base bolsonarista mais radical com pragmatismo necessário para governar. Também há dúvida se trocaria uma reeleição quase certa pro governo de São Paulo para uma turbulenta eleição presidencial. Romeu Zema é da família de empresários donos do grupo Zema, que foi presidente até 2016, quando pouco tempo depois decide entrar paraa política no recém-crido partido Novo.
Em 2018, ele choca o Brasil ao ser eleito governador de Minas Gerais, na primeira vez que o seu partido concorre à eleições. Sucesso que foi atribuído ao fato do Zema declarar apoio ao Bolsonaro, a revelia das orientações do Novo. 22, ele é reeleito no primeiro turno e no meio tempo consegue, como líder da facção bolsonarista, vencer a guerra civil do partido Novo contra os liberais.
Mesmo assim, para uma possível campanha presidencial, ele é considerado menos barulhento que a família Bolsonaro e foca seu discurso em reduzir o estado, fazer o dever de casa fiscal em políticas de bom senso em segurança pública. Sem exageros. Com a queda de apoio entre os mineiros, há boatados que ele tenta implacar uma vice-presidência, dado que seu perfil sapatênis não agrada a todos os brasileiros.
Ronaldo Caiado é médico de formação e o vovô do grupo, mas ele é reconhecido mesmo como coronel do agro de Goiás. É de uma família ruralista tradicional e entra na política exatamente para defender os agricultores contra a desapropriação de terras na constituinte de 88. Ele chega a concorrer pra presidência do Brasil em 89 contra o Lula, mas fracassa e passa os próximos 30 anos representando a direita no legislativo brasileiro, seja na Câmara dos Deputados, seja no Senado.
Em 2018, ele se elege governador de Goiás e faz dois mandatos muito bem avaliados em que o estado se destaca pelo forte crescimento econômico e bons índices de segurança pública. se aproximou de Bolsonaro durante seu governo, mas por ser um nome da política já estabelecidao antes do capitão, não é tão ligado à família e representa uma versão mais antiga e institucional do que seria uma direita no Brasil. Hoje ele luta para garantir sua legenda para disputar a presidência.
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Então não perca, se inscreva no canal Novos Clássicos Show, link na descrição. Ratinho Júnior é o atual governador do Paraná com ótimos índices de aprovação, feito que compartilha com o governador goiano Ronaldo Caiado. A semelhança continua na forte relação com o agronegócio que tem tido bons resultados no seu estado.
Em parte também pelo papel de seu pai, o Ratinho Páter, que além de apresentador de TV, é um grande produtor rural da região. Hoje a candidatura de Ratinho é mais uma das cartas na manga do presidente do seu partido, Gilberto Cassabe, e se estabeleceu como plano B razoável para o setores produtivos do Brasil, caso o Tarcísio de Freitas não queira correr o risco de disputar a presidência. Sua posição é complicada porque mesmo com apelido não é um candidato carismático e não tem o currículo para provar que é Bolsonaro mesmo, o que pode acabar produzindo alguma candidatura de revolta entre a base bolsonarista.
Flávio Bolsonaro, o primogênito, o único senador e também o mais articulado, pragmático, empreendedor, se assim podemos dizer, dos filhos. Diferente dos irmãos, ele faz um grande esforço para preservar a coesão entre os grupos radicais e moderados da direita brasileira no legislativo federal e não tem vergonha de estender a mão para criar ponte com o sistema. Dos herdeiros sanguíneos do capitão é o mais razoável, mas talvez esse seja justamente seu calcanhar de Aquiles.
Dentre eles, é também o único que tem o nome associado a escândalo de corrupção, o que já gerou grande desgaste. E além disso, mesmo com a fisionomia idêntica do pai, a sua imagem de político tradicional e o jeitão mais burocrático acabam alienando boa parte do movimento, que tem um comportamento mais ideológico e agressivo. Muito por conta do afastamento de seu irmão Eduardo, foi apontado como substituto do pai.
Mas não está claro ainda se essa candidatura é algum tipo de estratégia exótica da família ou se foi um passo confiante para centralizar mais uma vez o capital político da direita no sobrenome Bolsonaro. Fato é que cada dia o nome de Flávio parece mais consolidado, levantando apoio de nomes muito diversos, como Ricardo Nunes e até de Pablo Marçal. Nicolas Ferreira, ele é hoje o deputado federal mais votado do país, acumulando 1.
500. 000 votos em Minas Gerais e se consolidando como a nova voz da militância conservadora. Todo jovem bolsonarista quer ser o Nicolas.
E todo jovem político bolsonarista precisa do Nicolas para consolidar seu nome. Isso de São Paulo até o Ceará. Ninguém pode negar que o jovem talento é bem articulado, eloquente e extremamente influente nas redes sociais com seus 19 milhões de seguidores.
Ele se consolidou como símbolo do bolsonarismo, especialmente em pautas da guerra cultural, focando seu discurso no combate à ideologia de gênero e a suposta doutrinação comunista nas universidades, por mais que essas pautas já não sejam tão fortes. Recentemente, muitos bolsonaristas vem reparando que ele já não performa a mesma lealdade incondicional à família como antigamente e muitas vezes aparece na berlinda. ameaçando criar algo só seu.
Dados seus 29 anos, o futuro é muito incerto. Não se sabe se Nicolas é fenômeno com prazo de validade ou herdeiro legítimo da direita. Pablo Marçal, coach, autor de 85 livros e empresário, assustou a família Bolsonaro nas eleições de 2024, em que quase foi para o segundo turno da Prefeitura de São Paulo contra o Ricardo Nunes, que era apoiado pela família.
Seu discurso é exaltado, antipolítico, anti-institucional, contrário à esquerda e populista, o que naturalmente gera interesse de boa parte da base bolsonarista. Seus desafios para as futuras eleições são não só resolver seus problemas na justiça eleitoral, mas superar a rejeição gerada pelo seu estilo controverso e conseguir convencer os setores econômicos tradicionais que ele não é só um doidinho bom em chamar atenção, mas ruim de executar. Eduardo Bolsonaro, terceiro filho do Jair, Eduardo foi por muito tempo considerado o sucessor natural de seu pai em disputas majoritárias.
Era o filho considerado mais carismático pela base. Não era envolvido nas mesmas controvérsias que seu irmão Flávio e teve um êxito eleitoral tremendo, batendo o recorde de deputado federal mais votado da história do Brasil em 2018, com 1. 8 milhões de votos.
O problema é que o mesmo radicalismo que gerava seu sucesso acabou se provando a raiz da sua decadência. Em 2025, ele se exilou do Brasil, nos Estados Unidos, numa missão para fazer o governo Trump sancionar a economia e autoridades brasileiras para que soltassem seu pai. Isso não deu certo e Eduardo não só teve seu mandato de deputado cassado, como corre risco de prisão e aumentou a rejeição ao seu sobrenome por ter conspirado com potências estrangeiras contra o seu próprio país para benefício político próprio.
Carlos Bolsonaro. Dizem que Carlos Bolsonaro é o maior QI entre os filhos do Jair e o grande estrategista digital. Essa narrativa foi caindo com o tempo, muito por conta dos posts malucos dele no X, mas em 2018 as pessoas achavam que ele era o embaixador da dita internacional fascista junto do controverso conselheiro trampista Steve Bennon.
Na verdade, Carlos talvez seja o filho menos ambicioso do capitão, tendo sido eleito vereador no Rio aos 17 anos e permanecido no mesmo cargo há duas décadas. Carlos de fato é responsável pelos códigos e senhas das redes do pai e é também o grande guardião dos itens de sua história, mas não é um grande político. Afinal, sua candidatura ao Senado em Santa Catarina irritou a militância local, o que, combinado com sua aversão à exposição pública e o temperamento estável, fazem dele um sucessor improvável.
Jair Renan, o único que compete com Carlos na disputa de Kei, se destaca também pela sua habilidade retórica. Na sua juventude foi conhecido como terror das meninas, a quem diga que não só delas, do seu condomínio na Barra da Tijuca. teve uma breve carreira como streamer e influencer, mas em 2024 descobriu seu propósito de vida, combater o sistema de balneário camburiu.
Por isso, o carioca se mudou para a cidade catarinense e se elegeu vereador, onde faz um mandato amplamente considerado brilhante. Se continuar nessa trajetória, é só uma questão de tempo até ardar todo o império político da família e guiá-lo a patamares nunca antes vistos. Michele Bolsonaro, a ex-preira dama é o principal nome feminino da direita.
Isso é um trabalho que já vem de muitos anos. Sem experiência política prévia e muitas vezes mostrando que a sua relação com os filhos do seu marido não é boa, ela mesmo assim acabou se consolidando como um nome poderoso dentro do eleitorado bolsonarista. Muito forte entre mulheres e evangélicos do norte e nordeste do Brasil, Michelle representa uma ala mais religiosa e purista do bolsonarismo, sem nenhum desejo de criar pontes políticas com outros grupos.
Ela roda o Brasil em cultos neopentecostais e eventos do PL Mulher, recebendo apoio próximo do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e tendo grande proximidade com Silas Malafa Damares Alves, Carol de Tony e Ana Campanholo. Renan Santos, fundador e criador do MBL, teve um histórico complicado com o bolsonarismo, mas agora pleiteia liderar a direita como um todo, superando a influência do capitão. Renan esteve presente em todos os eventos da Fundação da Nova Direita Brasileira e topou integrar seu grupo ao governo do Bolsonaro.
O trabalho junto não deu certo, já que na visão do grupo, o capitão não estava disposto a entregar as promessas que o tinham levado ao poder, principalmente o combate à corrupção e a liquidação do PT. Com MBL expulso pela direita mainstream em 2022, hoje eles carregam através da candidatura de Renan Santos um resgate em um aprofundamento da mesma energia que derrubou Dilma em 2016. Mas maduros estruturados contam com o próprio partido, a missão, e prometem entregar um mandato de guerra contra o crime organizado, desde regulamentação econômica e reformas administrativas profundas.
O principal desafio é provar para boa parte do eleitorado que sim, eles ainda estão por aí e mais fortes do que nunca. É uma missão difícil, dado que é a única alternativa que rejeita abertamente o bolsonarismo, mas é também uma das mais promissoras, dado que já é o favorito da direita entre os jovens.