[ Trilha Musical com hip hop animado] [Tabuh] Olá, tudo bem? Eu sou o professor Tabuh Correa Silva. Hoje nós vamos falar sobre a janela de interpretação, mas antes, deixa eu me apresentar.
Eu sou pedagogo formado pela UFPE e sou mestre em estudos da tradução pela UNB. Trabalho na área de acessibilidade, tanto com língua de sinais, também com audiodescrição. Eu sou um homem branco, magro, tenho cabelos castanhos escuros, lisos, curtos, tenho olhos castanhos, uso barba e bigode.
Uso óculos, os aparelhos auditivos que não são visíveis, mas estão aqui. Nesse momento estou usando uma camiseta preta. Atrás de mim tem um cenário com uma tela amarela mostarda.
Temos também caixotes, cadeiras, algumas plantas dispersas aqui no cenário. Ao meu lado direito temos uma mesinha com o meu copo de água, e você já consegue visualizar mais ou menos o cenário onde eu estou e quem eu sou. Nós vamos falar sobre a janela de interpretação de Libras ou o espaço de interpretação de Libras Aquele espaço que aparece no vídeo destinado ao tradutor intérprete de Libras Sinalizar tudo o que acontece, todos os eventos sonoros passados para a língua de sinais.
Mas a gente precisa fazer do jeito certo, respeitando todas as especificidades, para que o produto fique o melhor possível. Vamos pensar um pouquinho, então quem é o público da janela de Interpretação de Língua de Sinais. A Pesquisa Nacional de Saúde PNS de 2019 foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, e revela que havia no Brasil, naquele ano que foi divulgado a pesquisa, 17.
3 milhões de pessoas que têm um ou dois anos de idade ou mais, com algum tipo de deficiência em pelo uma de suas funções. No caso específico da deficiência auditiva, nós temos 2. 3 milhões de brasileiros e brasileiras que têm dois anos de idade ou mais, que declararam ter muita dificuldade ou não ouvi de modo algum, o que constitui 1.
1% da população brasileira, naquele período. Do total, 22,4% disseram conhecer a Língua Brasileira de Sinais, Libras. São 511.
000 pessoas surdas usuárias da língua de sinais. Enquanto cresce, a criança ela é exposta a insumos linguísticos. Você, por exemplo, que é ouvinte.
Você foi crescendo, escutando a sua família, conversando em português. Você foi exposto ou exposto a esse fenômeno linguístico. Na língua de sinais é a mesma coisa, uma criança surda que ela é exposta ao fenômeno linguístico, ou seja, ela tem contato com uma língua.
Ela vai desenvolvendo o pensamento e a linguagem com base nesse código que foi oferecido para uma criança. A criança ouvinte, a língua oral, no caso o português. A criança surda, precisa ser exposta à sinalização em LIBRAS desde muito cedo.
Pode procurar na internet vídeo de crianças surdas aprendendo língua de sinais. Você vai se apaixonar. É muito bonitinho.
Se você é ouvinte, deve ter aprendido o português falado primeiro e depois você começou a aprender, deve ter demorado um bocado, para começar a aprender a versão escrita da língua portuguesa. Nossa escrita ela é de base fonética, ou seja, nós aprendemos uma associação que acontece entre o som do fonema e o desenho da letra. O nosso aprendizado de escrita é toda baseada nessa consciência fonológica.
Então, para para pensar um pouquinho, exigir a mesma coisa para as pessoas surdas não é uma coisa justa, não é? Porque, se a criança aprende a associação entre o som e a escrita, o significado o significante, ali, o sonzinho do símbolo, o desenho da letra. Para poder aprender a língua escrita como é que você vai exigir a mesma coisa de quem não escuta, não é verdade?
Então, por isso a importância da língua de sinais. Às vezes a gente pensa que o português, por ser visual, o português escrito já é suficiente para uma pessoa surda. Não é bem assim.
Aprender português é muito mais do que apenas olhar para as letrinhas. É entender o significado daquilo, imediatamente. Não, a gente precisa aprender a sintaxe da língua.
A gente precisa aprender toda a questão semântica. O que há por trás das palavras, dos significados das palavras. E esse aprendizado, ele acontece de uma forma diferente entre crianças surdas e crianças ouvintes.
Entendemos que pessoas surdas podem ter diferentes histórias de vida. Eventualmente, você vai conhecer aquela pessoa surda que tem uma ótima leitura, uma ótima escrita do português. E inclusive existem pessoas surdas que falam o português, pronunciam bem as palavras, fazem leitura labial.
Mas essa não é a realidade de todas as pessoas surdas. Cada um tem a sua história. E existem aquelas pessoas surdas que preferem se comunicar na língua de sinais.
Por quê? Porque a língua de sinais, ela é falada com o recurso que está aqui acessível para a gente, o nosso corpo. E ela é captada pelo visual.
E é por isso que não podemos generalizar, pensando que a legenda em português vai atender a todos os públicos. Eu já ouvi de produtor culturais que a presença do intérprete de LIBRAS enfeia a obra, porque é como se fosse um corpo estranho, um corpo a mais ali. Eu convido a refletir sobre.
O seu produto ele é feito para alcançar qual o percentual de pessoas? Quando você pensa num produto e você quer que esse produto atinja todas as pessoas, quem cabe no seu, todos? Será que no seu todos cabe o grupo de pessoas que se identifica e se comunica melhor em língua de sinais?
E eis a resposta; No público de qualquer produto audiovisual existem pessoas diversas, com diversas realidades. E dentre o público de pessoas surdas, existem aquelas que se identificam com a língua portuguesa, que têm uma boa leitura e existem aquelas que se identificam com a língua de sinais. Óbvio que existem também aquelas pessoas que se identificam com ambos os recursos, mas o fato de existirem pessoas que se identificam com um ou com outro não nos exime de colocar os dois recursos disponíveis para o grande público.
O ensino e aprendizagem do português para surdos nos convida a pensar em metodologias diferenciadas que considerem as características de um público diferente dos ouvintes. As pessoas surdas podem chegar a ter um português escrito, fluente e excelente, porque a barreira não está na pessoa surda e em suas capacidades individuais, e sim nos métodos que lhe são oferecidos. Por isso que existe, por exemplo, hoje em dia, um curso de licenciatura em ensino da Língua Portuguesa para surdos como segunda língua.
Sim, o português precisa sim ser oferecido para as pessoas surdas como segunda língua, desde que a gente respeite que a primeira língua desse público é a língua de sinais. Por isso que nós defendemos, que sim, a legenda ela é muito importante e isso não exclui a necessidade de oferecer a janela de interpretação com bons intérprete de Libras fazendo toda a interpretação na nossa língua de sinais. Eu, como professor de Libras, antes de falar da janela de interpretação, eu acho muito importante refletir um pouquinho sobre a língua de sinais.
Afinal, como é que você vai entender esse recurso da intérprete de Libras aparecendo aqui do meu lado, falando em língua de sinais, Se você não entendeu muito bem o que é a Libras E existem muitos conhecimentos que estão aí no senso comum, e eu acho que alguns deles são equivocados e talvez eles estejam aí na sua cabeça agora vamos tentar desvendar um pouquinho esses mitos ou verdades sobre a língua de sinais? Crença. A língua de sinais é universal?
Se eu falo a língua de sinais aqui no Brasil e eu for para outro país, por exemplo, para Portugal, eu já sei falar com os surdos de lá? Língua de sinais não é universal. Cada país fala a sua própria língua de sinais.
Inclusive existem países que falam mais de uma língua de sinais. Por exemplo, na Espanha existe a língua de sinais espanhola e existe a língua de sinais catalã. Crença.
Pessoas surdas também são mudas? Existe esse mito de que pessoas surdas são chamadas de mudas. Afinal, se a pessoa não escuta, ela também não fala.
Não é bem assim. A deficiência ela acontece aqui, no ouvido. Ela não acontece no aparelho fonador.
Por isso nós não podemos dizer que uma pessoa surda também é muda. Crença. O Brasil tem uma única língua de sinais?
Pois é, a língua de sinais brasileira, a Libras Se você está no Rio Grande do Sul, conhece a Libras e foi para o Acre, você vai falar na mesma língua de sinais. Mas você sabia que existem as línguas de sinais indígenas? Pois é, várias comunidades indígenas, várias aldeias e etnias possuem, além da sua própria língua oral, a sua própria língua de sinais.
Libras é língua ou linguagem? Libras é língua, não é linguagem. Língua é um tipo de código específico que tem a sua própria gramática, sua própria sintaxe, seu próprio vocabulário e linguagem é uma coisa muito mais ampla.
Então nós podemos sim considerar a Libras como língua. Libras é o alfabeto manual? Já pensou que trabalhão você falar, por exemplo, P-O-R E-X-E-M-P-L-O E-S-S-A F-R-A-S-E daria muito trabalho.
Nós temos sinais para as ideias, para as coisas concretas e abstratas. Então, Libras não é o alfabeto manual. Libras é o português sinalizado?
Eu posso, por exemplo, pegar uma frase em português, substituir palavra por palavra, por sinais e tá tudo certo? Essa crença também está equivocada, não é? A língua de sinais tem sua própria sintaxe, tem seus próprios vocabulários.
E assim, provavelmente você já trabalhou com mais de um idioma e reparou que a ordem das palavras não necessariamente aparece igualzinha de uma língua para outra. Língua de sinais é a mesma coisa. Eventualmente, a gente precisa respeitar uma sintaxe diferente da que você está acostumado em português.
As línguas de sinais possuem palavras como léxicos, aquelas partezinhas com significado. Na Libras os léxicos são os sinais, e um sinal ele é feito de partes. As várias partes que formam um todo.
Nós chamamos essas partes de parâmetros gramaticais, que são cinco. O primeiro é a configuração de mãos, ou seja, como é que você vai organizar os seus dedos na hora de montar um sinal? Por exemplo, essa aqui é uma configuração, com o polegar e o dedo mínimo.
Todos os dedos abertos é outra configuração, todos eles abertos mas com os dedos grudados é outra. A mão totalmente fechada é outra. Cada forma de organizar os dedos é uma configuração de mãos.
O segundo parâmetro é a localização. Onde é que o sinal vai acontecer. Então o sinal pode acontecer aqui na frente do meu peito.
Pode acontecer assim na altura da minha cabeça, pode tocar em alguma parte do meu corpo ou pode acontecer perto da minha testa. Enfim, existem vários espaços de localização diferentes. O terceiro é a orientação ou direção, ou seja, para onde a minha mão vai estar apontando.
Por exemplo, você pega a configuração em Y e eu faço, do queixo para o meu lado direito, é uma direção para o meu lado esquerdo é outro. De fora para dentro, de dentro para fora. São diferentes orientações e direções.
O quarto parâmetro é o movimento. Nesse sinal que eu estou usando como exemplo, nós temos um movimento reto que vai de dentro para fora. Não seria um movimento torto e esse aqui seria o sinal de aviso.
Eu avisando alguém que está aqui ao meu lado direito. O quinto parâmetro é a expressão corporal facial. Muitos sinais acompanham expressões faciais ou corporais, e essas expressões elas não são apenas afetivas.
Elas são gramáticais. Mas se você não utiliza essa expressão, você está falando errado. A expressão facial também é muito importante, por exemplo, para você dar um tom da frase.
Um exemplo, ele é rico como uma expressão de interrogação ou sem expressão nenhuma. Seria uma expressão afirmativa. Ou eu mexendo a cabeça negativamente.
Estou falando que ele não é rico. Ou com uma expressão chamativa. Seria uma frase exclamativa.
Dependendo da expressão facial que você coloca, a frase vai mudar a sua entonação. Outra coisa também muito legal na Libras são os tempos verbais. São muito mais simples do que no português.
No português nós temos aquela conjugação verbal complexa que muda com o tempo, não é? Na Libras a gente sabe se a frase está no passado, no presente e no futuro, de acordo com os sinais que acompanham, por exemplo, um advérbio de tempo. Ontem eu comi pizza.
Amanhã eu comerei pizza. Então, de acordo com o sinal que você coloca dentro da frase, você sabe se a frase está no passado ou no futuro. Nós dizemos que o português é uma língua oral com modalidade escrita.
A língua de sinais é chamada de gesto visual ou viso espacial, porque? Ea é gestual. Afinal, nos utilizamos de gestos feitos com o corpo.
Ela é visual, afinal, ela é captada com nossos sentidos da visão e ela é espacial. Por que ela é chamada de espacial? Nós precisamos de um espaço de sinalização.
O espaço necessário para que os sinais se articulem. A língua de sinais se articula da altura da cintura até um palmo acima da cabeça. Nas laterais nós costumamos usar como referência os nossos cotovelos quando abrimos os braços.
Esse é o espaço que nós precisamos para sinalizar. Não dá para falar a língua de sinais amarradinho com os braços juntos do corpo. É impossível.
E uma informação sobre a língua de sinais que muita gente nem imagina é que, sim, ela tem uma modalidade escrita nós estamos mostrando agora na tela, um pequeno texto que foi escrito na língua de sinais escrita é um código chamado Sign Writing. Esse código foi inventado por uma americana chamada Valerie Sutton. Ele é bastante utilizado para anotação da língua de sinais.
Como vocês podem perceber, não é escrito com as letrinhas do alfabeto latino que a gente está acostumado a conhecer As letrinhas A, B, C, D, E, não. e não existem outras notações, outros sinais gráficos que são utilizados para que você pegue uma frase falada ou pensada na língua de sinais e transcreva ela para o papel através desses sinais gráficos. Agora que nós falamos bastante sobre a língua de sinais, sobre mitos e verdades, sobre algumas de suas características, é hora de a gente pensar um pouquinho sobre o profissional tradutor intérprete de Libras Mas isso a gente vai fazer no próximo vídeo.
Espero que vocês tenham gostado do conteúdo desse vídeo e a gente se vê daqui a pouquinho.