Olá, pessoal. Boa noite para todos. Eh, bom, que que eu ia comentar com vocês, né?
Falando um pouquinho aqui, eu coloquei uma frase aí pra gente pensar. Será que isso quer dizer amor? Não sei.
Acho que a gente tem que se perguntar bastante sobre isso. Eu tenho escutado muitos relatos de pacientes durante eh algumas sessões, algumas eh, né, análises que são realizadas, por falar assim, né, sem abrir muito detalhe, sem citar nomes e tudo isso. E mas é interessante como que a questão do amor é uma coisa que é colocada muito em questão.
e as diferentes formas de amor, as diferentes formas de simbolizar, as diferentes formas de demonstrar afeto. E muitas vezes a gente acredita que tá amando, que tá cuidando, que tá sabe e a gente percebe que a forma como cada um pensa o amor, a forma como cada um simboliza o amor é bem diferente, pessoal. é bem diferente e nem sempre a gente tá falando das mesmas coisas ou da mesma percepção sobre o amor.
Mais uma coisa que eu acho que a gente pode conversar e que cabe para esse momento é mais do que a gente ficar se apegando à ideia do amor, daquela daquele sentimento da paixão, daquilo que a gente viveu lá atrás, toda aquela, aquele enamoramento, todo aquele aquele sentimento de querer, de querer estar junto, de querer estar próximo. muito do trabalho que eu tenho feito com os meus pacientes é ajudá-los a olhar o quanto a relação daqui pra frente faz sentido para eles, o quanto eles são capazes de renovar esse querer, de renovar esse contrato, esse esse desejo de estar junto, esse desejo de continuar construindo algo ao lado do seu parceiro, da sua parceira. Eh, e o amor é algo que a gente renova cada dia, gente.
A gente acorda e a gente respira. E a gente fala, tá bom, né? Mais um dia.
Eu tô aqui porque esse dia faz sentido para mim. Eu tô aqui porque esse sentido parece que me representa. E eu vou tentar viver isso da melhor forma possível.
Vou tentar isso viver plenamente, pessoal, porque eh amor é uma coisa muito fluida, né? E e a gente precisa entender os pequenos gestos. E aí eu acho que eu vou, deixa eu chegar no ponto que eu queria chegar com vocês.
Escutem. Presta atenção no que eu vou dizer para vocês. Nós falamos a mesma língua.
Nó todos nós falamos, praticamente todos nós que estamos aqui agora presentes, acompanhando, falamos português. E sabe qual que é a grande verdade de tudo isso? Nós estamos falando a mesma língua, mas nós não estamos falando a mesma linguagem, porque cada um tem formas de diferentes de amar.
Cada um tem formas diferentes de perceber o que é o amor. E às vezes o que o amor para um são os gestos de de de cuidado, de afeto, eh os pequenos gestos do dia a dia e para outro amor são presentes. Para outro amor é tempo de qualidade.
Então, ah, quando eu eu eu trabalhei um pouco essa questão com alguns pacientes sobre as linguagens do amor, eu confesso que foi muito interessante, porque eu percebo que um dos grandes problemas dos casais não é que eles não se amam, eles se amam. Não é que eles não querem estar juntos. Muitas vezes eles querem estar juntos.
Eles continuam nesse desejo de estarem juntos. O que pega é que eles não conseguem falar a mesma linguagem. E às vezes você conseguir demonstrar pro outro que eles estão falando as mesmas coisas, porém de formas diferentes, a mesma coisa, porém de forma diferente, isso reforça eh o quando a gente tem que fazer um exercício de tentar alcançar uma linguagem, um estilo de comunicação que faça sentido pro outro.
Mas muitas vezes a gente quer que o o o amor da nossa vida, o parceiro, a parceira, que eles adivinhem, né? Deixa ele adivinhar o que que eu tô sentindo, o que que eu tô querendo, o que que eu tô esperando pra minha vida, o que que eu tô pensando nesse momento. Gente, a vida não é sobre o outro adivinhar, porque o outro não é adivinha, ele não é um oráculo.
A gente precisa aprender verbalizar. E a terapia traz a gente um pouco para esse lugar, aprender a verbalizar, mas não de qualquer forma, porque eu também preciso aprender a verbalizar da forma que faça sentido pro outro. Então não adianta falar com outra assim: "Olha, mas você não arruma nada, você não coisa, você não cuida da casa, você não ajuda em nada".
Mas a linguagem do amor do outro talvez não seja sobre isso, sobre os cuidados da casa, das coisas. Talvez a linguagem do amor do outro seja, exemplo, está tempo junto, assistir televisão, tá abraçado, ver um filme, comer uma pipoca, toma um café, jantar junto, toma um café junto. São diferentes linguagens e tá tudo bem, pessoal.
Eu queria deixar que eu acho que a proposta é essa. Eu eu tenho escutado muito sobre amor e eu percebo que essa palavra virou uma espécie de clichê na nossa vida. É um clichê, pessoal.
Falar que eu amo é algo muito fácil. As pessoas se conhecem hoje, já te diz: "Eu te amo". O que é o amor afinal, né?
Que amor é esse? Como que ele se sustenta? De que forma que esse amor vai se solidificando, vai se edificando, vai sendo construído?
É muito difícil a gente perceber o que é o amor de verdade, se ele se tornou uma espécie de clichê na nossa história de vida. Então, pessoal, fica uma dica. Mais do que dizer eu te amo, porque isso pode cansar, isso cansa quem fala e cansa quem escuta também.
Desculpem a sinceridade, eh, a gente precisa demonstrar. E os o a forma de demonstrar depende muito muito de verdade, pessoal, de quem tá do lado de lá, quais são as formas de amor, como outro simboliza o amor, como o outro percebe que tá sendo amado. E a gente tem que ser capaz de compatibilizar essa linguagem.
E nem sempre é um exercício fácil. Enquanto para alguns a linguagem do amor é o tempo de qualidade, tá junto, tá abraçado, tá? Para outros, a linguagem do amor, por exemplo, pode ser os gestos de cuidado, de as pequenas coisas do dia a dia, da casa, das rotinas, da do cuidado com as crianças, do cuidado com as coisas.
Então, se o outro não faz, então ele não me ama, né? ou se eu não recebo flores, eu não recebo presente. É ótimo, viu, pessoal, receber flores e presentes.
Mas se eu não recebo flores, se eu não recebo presente, eh, significa que eu também não sou amado, eu não sou amado e o outro não me ama. Como é que é essa história? Pessoal, terapia um pouco sobre isso.
A gente coloca muito todas essas questões, porque muito do que a gente percebe na vida, a forma como a gente percebe a nossa experiência, a nossa própria história de vida, como que nós vamos construindo a nossa narrativa sobre o amor, sobre amar, sobre ser amado, tem muito a ver com a forma como nós simbolizamos o mundo. E nós simbolizamos a partir de uma construção, de uma estrutura interna. E a gente às vezes precisa ser capaz de trabalhar isso, trabalhar isso em análise para reconhecer qual que é a nossa estrutura.
E eu tô adorando. Eu queria ficar mais aqui com vocês agora. Eu queria tirar mais um tempinho pra gente poder compartilhar.
Eu queria ouvir perguntas, gente. Tá todo mundo amando, todo mundo se sente amado. Isso quer dizer amor?
Vocês sentem que existe amor nessa história de vida de vocês, na na nas relações, no outro? Como vocês percebem o amor? Eu gostaria que depois vocês deixassem para mim aqui nos comentários, até para que a gente possa começar a elaborar junto alguma dessas ideias, porque esse ideal romântico que aparece na nossa história de vida, especialmente na nossa sociedade, nós somos uma sociedade romântica por natureza, a gente constrói muita expectativa a partir do outro.
Esse ideal romântico, ele ele demanda muito de nós, mas ele nos coloca também num lugar de muita expectativa, de muita espera e muita espera do outro. A gente coloca muita expectativa no outro. Então, eram algumas pequenas provocações que eu queria deixar aqui para vocês, inclusive porque na leitura que eu que eu trouxe aqui recente do Beon, ele fala assim: "Na análise nós temos que esquecer se a interpretação é correta ou se a interpretação ela é lacaniana, ela é freudiana, ela é cliniana, ela é winicotiana, não importa qual seja, ele fala tudo isso é irrelevante.
A única coisa relevante é se a interpretação é verdadeira. E só existe interpretação verdadeira se eu sou capaz de acolher o que o meu paciente tá trazendo e sou capaz de escutar o que ele pensa sobre, por exemplo, o amor. Aí eu consigo devolver uma interpretação que faça sentido para ele.
Pessoal, olha, era poucos minutinhos, mas era um pouquinho desse desejo de estar aqui com vocês também e viver essa experiência aqui também da live no TikTok. Um abraço para vocês. Boa noite.
Até a próxima.