Toda piada você vai ter o transmissor, né, que pode ser o comediante, pode ser um rádio, pode ser um vídeo no YouTube, pode ser uma pichação na parede. Você tem o meio nesse contexto, o comediante ele é só a o meio. Então você tá me dizendo, esse aí é a persona cômica.
A persona cômica que tá entregando a piada. Esse tá dizendo é se se a pessoa for no teatro me ver, tá? Vamos pegar vamos pegar dois casos aqui, porque aí o que que acontece?
Muita gente, muitos autores fazem algo que chama falsa equivalência, hã, que é você comparar situações e colocar lado a lado na mesma prateleira coisas que não pertencem à mesma prateleira. Você não pode julgar essas são fenômenos de natureza distintas, só que eles pegam um pedaço, ó, qual que é a justificativa aqui? Foi só uma piada.
Qual que é a justificativa aqui? Foi só uma piada. Olha aí.
Fala, mas pera aí, cara. Não é a mesma coisa. são completa, são situações completamente distintas.
É, isso é uma falsa equivalência. Por exemplo, vamos pegar uma situação que é um comediante contando a piada no palco de um teatro pra plateia e vamos pegar uma situação que é a fila de um mercado, um sujeito chega pra moça que tá parada na fila, conta uma piada para ela do nada. Essas duas situações, tá?
Eh, como eu falei, a gente tem o meio transmissor, receptor e contexto. São esses três. Eh, isso aqui é o triângulo do pacto simbólico.
Quando você tem os três pontos, o vértice tá perfeito. É isso. É isso aqui.
Sinaliza queim é humor. Você pode não gostar, você pode se irritar, você pode protestar. Então aqui, qual que é o transmissor?
Um comediante. O comediante por natureza, pressupõe-se que o que ele fala é humor, né? Eu não sou um jornalista.
É diferente do William Bonner do abriu o jornal contando piada. Pressupõe-se que o que eu falo é piada. Ok.
Aqui, qual que era o meio transmissor? Um cliente. Uhum.
É um cara que tá na fila. Eu não tô esperando que esse cara conte uma piada. Então já tem ruído aqui, né?
Eh, quem que é o meu receptor? A plateiac pagou para entrar no teatro sabendo que é um show de humor. Como é o nome do teu mesmo?
Perturbador. Perturbador. O de agora é o peste branca.
[risadas] Cara, não chega lá achando que vai ouvir uma piada do Exato, cara. Era bullying arte, perturbador, peste branca, de agora enterrado vivo. Então, cara, tá muito claro.
Eh, qual que é o meio receptor na outra situação? É uma mulher que tá parada com as compras dela na fila do mercado. [ __ ] ela não tá lá para ouvir piada.
Qual que é o ambiente? Teatro. um ambiente que é um ambiente milenar para você apresentar uma performance artística, principalmente no caso da comédia ligado a transgressão, né?
Isso aí surgiu na a comédia institucionalizada, vem lá na Grécia, 486 anes de. Cristo, que foi quando ela entrou na nas festas dionísicas como um eles tinham uma espécie de competição e ali entrou a comédia, né? A palavra comédia, inclusive vem daí, que é comódia.
Comos era um uma festividade, um desfile. Eh, e Oide vem de canto. Então, Comódia é canto do Comos.
Então, era essa procissão, uma espécie, vamos colocar pro pessoal entender, uma espécie de carnaval, onde você e transgride regras, subverte normas. Eh, então isso aqui tá na essência da comédia. Na essência da comédia.
Qual que é o ambiente aqui? Um mercado é dispensa explicações. Dispensa explicações.
Então aqui tudo sinaliza que é humor. Aqui nada sinaliza que é humor. E esses dois casos estão, por exemplo, no livro Racismo Recreativo, como iguais na mesma prateleira, colocando, olha aí a desculpa aqui que foi só uma piada e aqui também.
Aí tem que condenar os dois, [ __ ] velho. A, aí não dá. Aí não dá, velho.
Eu penso, é, é burrício ou malcaratismo. É bom. É, [ __ ] velho.
Essa que é a dúvida, né? Entende? Eh, e eu até entendo que às vezes não não é maldade.
Eu eu entendo que muitas às vezes é burrice, pô. É, é, é, é. [risadas] Às vezes é só burrice mesmo.
É. Não tem. Eu, e eu nesses meus estudos, hum, eu fiz o seguinte, você tem, quer ver?
Ó, tá, um cubo mágico. Tem uma metáfora. Exatamente.
Isso aqui é o cubo mágico. Cubo de Rubik, né, que foi o inventor. É o Rubik.
Uma pena que esse daí, infelizmente, você pegou um exemplar de merda do cubo de Rubik. É, não, esse eu tô vendo. Ele tá meio meio não, mas tá de boa.
Eh, eu tenho uma metáfora que é o cubo cômico de Rubik em vez do cubo mágico de Rubik. Porque o que que é? Eh, eu vou fazer uma piada.
Eu tenho uma intenção. Aham. A minha intenção tá aqui, é azul.
Essa é a minha intenção. Só que o humor ele é por natureza, a arte em geral permite múltiplas interpretações. A piada que eu vou transmitir, ela vai chegar em cada pessoa e ela vai atravessar o que eu chamo de filtros cômicos.
São diversos filtros. Eh, o filtro etário determina um determinado tipo de gosto. O que você rios não é o que você ria com tinha 10.
Obviamente tem uma mudança. Eh, você tem um filtro etário, você tem um filtro eh sexo, dependendo do masculino, feminino, gênero ou sexo, isso também vai influenciar. Tem pesquisas que comprovam isso.
Eh, o ambiente onde você nasceu vai influenciar. Eh, tem um tipo de humor em tal local, tem um tipo de humor em outro local. Então, tem uma série de fatores que a piada precisa atravessar e vai influenciar.
Ou seja, não necessariamente você vai enxergar a cor que eu pretendi. Aham, entendi. Entende?
porque vai atravessar filtros. Então, esses filtros vão determinar a posição das pessoas. É como se eu fiz a piada eh com a intenção azul e amarela, que é o que eu tô vendo exatamente do do ângulo que eu tô aqui, tá?
Eh, uma pessoa posicionada aqui vai falar: "Ah, não é azul e amarelo mesmo, dá risada". Eh, você tá vendo, [ __ ] verde, laranja e verde. Eh, numa dessa o verde você pensa: "Você vai rir porque você interpretou diferente da minha intenção.
" Falou azul, eu entendi verde é engraçado assim, mas tu deu risada também. Tu deu risada também, entende? Eh, um sujeito que tá, [ __ ] o que que acontece?
Tem pessoas que estão aqui, ó, com a cara Aham. no vermelho, enfiada no cubo, a cara enfiada no cubo, ele só vê vermelho. Ele só vê vermelho.
Então, para ele é como se fosse piada com minoria, é ofensa e preconceitos. Não há outra interpretação, é ofensa e preconceito. E aí o erro é ele presumir que todo o cubo é vermelho.
Ele não ter a noção que tem outras cinco faces em jogo. E não tem também aí um problema, Léo, que é achar e tentar impor que todo mundo enxergue só vermelho também. Também, também é você presumir que a sua leitura, isso aí se chama realismo ingênuo.
Uhum. Realismo ingênuo é a crença de que a gente interpreta a realidade 100% como ela é. E não, né?
Você interpreta uma representação criada na sua mente. Cabe você entender isso, né? É o que eu eu acho que a gente tem intérpretes.
Você tem o intérprete fechado, semiaberto e aberto. O fechado é o cara que ele é o realismo ingênuo. Ele acha que a visão dele é real.
E quem não tá enxergando dessa forma, não tá enxergando porque tá com alguma cegueira ideológica, religiosa, tá sendo manipulado, mas a verdade dele é absoluta. Mas esse cara também, a gente não tem como como mudar ele para um outro patamar, tem, Léo, porque ele precisa ele mesmo despertar, porque esse cara ele não tá preparado, entra parte do meu trabalho com o meu livro, tá? Esse cara, ele não tá preparado para responder qualquer coisa que tu falar para ele sobre isso, ele não tá nem preocupado em entender o que você tá falando.
Ele tá só esperando você acabar de falar para ele responder. E aí, como tu conversa? Como tu como tu põe algum tipo como como essa conversa de uma forma geral faz sentido com um cara que não tá a fim de conversar?
É, cara, na internet difícil, você não vai convencer ninguém. Vai conver ninguém porque a internet é coliseu romano. Isso.
Ninguém tá ali para debate, tá ali para empurrar o cristão aos leões. [risadas] Quer ver sangue. É isso.
É isso. Então ali ninguém vai convencer ninguém de nada. É cada um eh lutando para manter o seu ground ali, o seu território.
Mas qual que é o jeito de a maneira de você pelo menos tentar fazer a pessoa refletir, né? Eu eu acho que é isso para você refletir e fala hum [ __ ] pode ser que tanto que tanto que eu eu não falei isso ah, humor pode ofender? Pode, claro que pode.
Humor pode o o humor ele pode tanto ofender quanto fazer bem. Ele pode tanto gerar uma coesão e unir as pessoas como promover uma exclusão. Eh, ele é como se fosse um íã.
Ele tem principalmente o humor negro. você tem um um polo positivo e um polo negativo. Qual que é a falácia de algumas pessoas, o erro delas?
É achar que você pode eliminar o lado negativo. Isso aí é acabar com a natureza do fenômeno. Você não tem como tirar o polo negativo do ímã.
Impossível. Então não é mais íã. É isso.
Então esse é é um grande erro interpretativo. Eh, uma maneira de você pelo menos fazer a pessoa refletir, eh, tem uma metáfora de um sujeito chamado Jonathan Height. Sabe quem é?
Não. Pô, os livros dele são muito bons, cara. Eh, tem um que é a hipótese da felicidade, happiness hypotesis, aonde ele cria essa metáfora que é do elefante e do condutor, seria o elefante e e o ginete, eh, onde o elefante ele representa a emoção, ele vai, ele é o seu emocional, tá?
E o condutor, ele é o racional. Eh, tem diversas metáforas que explicam essa relação, razão, emoção no ser humano. Eh, essa dele é, e de fato eu concordo, uma metáfora eh boa e intuitiva, fácil de você entender, porque, cara, se o elefante quiser ir para um lado, por isso ele usa um elefante, não interessa se o condutor não é um cavalo, não é um poney, é um elefante.
Se ele quiser ir pr pra esquerda, ele vai. Dane-se que o o condutor tá puxando pra direita, ele vai, entendeu? Eh, então, qual que é os E aí muitas vezes o que que acontece?
Que a pessoa não vai ouvir eh diversas das respostas, elas não são racionais, elas são emocionais. Sim. A racionalização, ela vem pós emoção, atuando como se fosse o seu advogado de defesa.
Ela só vai justificar a sua escolha. É isso. Ela não é a razão da sua escolha, tá?
Eh, perfeito. Tô entendendo. Entendeu?
Aham. Você já reagiu emocionalmente? Mas eu tô sentindo que para mim eu tô te eu tô te dando razões, mas na real eu tô explicando eh eu na verdade eu tô dando, inventando uma explicação paraa minha reação emocional.
Exatamente. Exatamente. E na sua cabeça você pensa, não é isso porque, pô, eu raciocinei e cheguei nessa nessa conclusão racinei depois.
Exatamente. Exatamente. Você raciocinou depois e muitas vezes sem nem fundamento.
Sem nem fundamento. Eh, uma das pesquisas que eles que eles fizeram, eh, por exemplo, ah, a mulher pegou e tinha uma bandeira velha do país, no caso dos Estados Unidos, que a a pesquisa foi lá e aí ela decidiu rasgar, fazer um pano de chão e fizeram essa pesquisa na rua. Que que você acha?
Tinha gente não p acho errado. Mas por quê? Não, alguém pode se ofender que é o símbolo do país.
E antes eles antes tinham descrito, não, mas ela mora sozinha, não tem ninguém vendo. Aham. Não, mas ainda assim é Não, não é legal.
Mas por quê? Não, porque alguém pode se ofender, mas ninguém sabe. Ô, a reação é emocional, mas por que que ela não pode fazer isso?
Não, não. E aí o a pessoa vai tentado tentando buscar. Não, não pode porque vai ofender.
Não, porque é um é um símbolo nacional, mas ninguém viu. Não, mas não pode porque na Constituição, mas ninguém vai saber. Não, mas não pode porque E aí termina a uma outra proposição dele, dois irmãos, um um menino e uma menina maior de idade, eles chegam numa conversa e falam: "Olha, eles decidem.
Isso é uma hipótese moral para ver o julgamento". Exatamente isso. Lá vem não, não.
Eles decidem, pô, bora transar. Exatamente. Exatamente.
Pô, vamos transar. Os dois consentem, falam: "Não, vamos usar preservativo, vamos fazer uma vez, ver qual vai ser". Fazem, OK?
Sentem até que, pô, aproximou eles, mas optam por OK, não, até ajudou, mas não vamos fazer de novo. OK, essa é a situação. E aí, pesquisa na rua.
Que que você acha? Não, acho errado, pô. Mas por quê?
Não, porque não pode, pô. Irmão com irmão é consanguíneo, não pode. Mas por quê?
Não vai, pô. Pode nascer, [ __ ] questão genética, pode nascer tem um filho com problema, mas usaram camisinha. Não, mas pode afetar o relacionamento deles.
Ele ficou até melhor. Não, mas aí pode prejudicar outro relacionamento. Não, eles falaram que não vai ter de novo.
Não, mas a tentando caçar aonde que eu, aonde que eu processo esse humorista. É isso. É o que ofensa a minoria.
O que que é? Ele ofendeu a igreja. e tentando caçar uma justificativa.
E tem gente que uma hora fala: "Ah, eu não sei por, mas eu sinto que é errado. " Aham. É isso, é emocional.
Eh, então, qual que é o jeito? Que para mim é a mesma coisa. É a mesma coisa de um de um cristão fervoroso quando ele ouve uma piada de Deus.
Não pode, não pode. Por quê? Porque é sagrado.
Não, mas esse cara nem acredita nisso. Não, mas ele tem que me respeitar. Não, tudo bem, mas ele fez no pau.
Não, mas não pode não. É emocional. Do mesmo jeito.
Com minoria, mesma coisa. Não pode falar da minoria, mas um comediante no pau. Não, mas não pode, vai gerar preconceito.
Tem prova disso? Não, não, não. Mas não pode.
Não há uma justificativa racional. É um julgament é é uma reação emocional aonde você cria uma justificativa racional para explicar a sua emoção. Então esse é o grande problema também.
Se você pega debates políticos, quem é [ __ ] um extremista, seja de esquerda ou de direita, a pessoa que não quer ouvir, a reação dela é emocional e a justificativa ela não tem nem uma, ela só tá justificando. E aí esse é o problema de assim, se você derruba com todos os argumentos sólidos, com pesquisa, com tudo, se você derruba a explicação, o cara não vai mudar de opinião. Por quê?
Porque aquela opinião não é fruto dessa explicação. Então não adianta você derrubar ela a explicar o fruto é emocional. Perfeito.
Não adianta. E aí não adianta. Qual que é o jeito?
tentar falar com o elefante, tentar falar não com o condutor, não com argumentos, tentar ir no emocional, tentar fazer a pessoa refletir sobre essa racionalização em relação à emoção. Se ela começa a pensar isso, aí pode ser que ela entenda e mude opinião. Então esse é o ponto.
E gritando e argumentando na internet, esquece, você não vai mudar ninguém, ninguém. Yeah.