[Música] Olá sejam todos bem-vindos a mais uma edição do encontro com a autora um programa que celebra o livro e a leitura e é feito numa parceria entre o centro cultural e o centro de documentação e informação da Câmara dos Deputados nós estamos aqui na biblioteca da câmara meu nome é Maria amé Elo sou escritora jornalista e que quem vai mediar este bate-papo comigo é o meu colega o historiador Ricardo oriá o nosso programa Hoje recebe a grande escritora Socorro Acioli que é celebrada festejada pelos leitores e pela crítica muito bem-vinda Socorro muito obrigada Bom
dia muito obrigada pelo convite é uma felicidade muito grande est aqui para começar eu vou ler uma breve biografia da escritora Socorro Acioli nasceu em Fortaleza Ceará em 1975 é jornalista Doutora em Literatura pela Universidade Federal Fluminense e professora da Universidade Fortaleza onde coordena a especialização em escrita e Criação em 2013 ganhou o prêmio Jabuti na categoria infantil com a obra ela tem olhos de céu no ano seguinte publicou a cabeça do santo que já ganhou edições na Inglaterra Estados Unidos França México e Itália em 2023 estreou na poesia em taimar as Ilhas invisíveis e
lançou seu segundo romance oração para desaparecer o livro mais vendido na flip no ano passado que alegria recebê-la Socorro cara conterrânea né primeiro eu vou pedir que você leia para nós um trecho do Seu Último Romance oração para desaparecer Acordei com os olhos grudados de lama o nariz entupido de terra e a boca cheia de areia estralando nos dentes alguém me interror bichos alisavam minha língua rastejavam pelos ouvidos e por outros caminhos para dentro das carnes debaixo do chão era uma agonia gelada molhada fedida não sentia braços e pernas no breu daquela cova perdi a
noção do meu corpo achei que me transformaria em um bicho morto me desfazendo até virar pó ninguém sabe o que fazer na hora da morte quando eu já suplicava pelo fim o buraco me apertou com uma mão gigante de terra envolveu meu corpo inteiro e começou a me expulsar os olhos lacrados a hora do parto a boa hora de nossa senhora as palavras se repetiam no pensamento tomado de desespero comecei a sentir os músculos ossos nervos minha pele toda invadida pelo Espírito Impetuoso de um parafuso a forma humana preservada Não virei bicho nem pó girava
para cima com ritmo e firmeza sem fazer esforço na pressão lenta da terra cada vez mais forte ao redor do meu eixo apertando dos lados empurrando no meio das pernas pelas plantas dos pés o monstro subterrâneo estava decidido sobre o meu destino queria me expulsar dali dois pares de braços surgiram cavando falando abrindo espaço buscavam por mim duas mãos encontraram meu pescoço seguraram pelos lábios e Puxaram com força outro par de mãos agarrou minha cabeça Ouvi as suas vozes apressadas comentando como era pesada Cuidado pro pescoço não quebrar e matar de uma vez puxa o
braço com jeito para não arrancar o ombro que pele fria Será que a criatura está viva e se sair morta o que faremos deixa de asneira Eles saem vivos sempre você sabe que é assim que impactante né esse início já dá para ver que o livro é maravilhoso eh Eu e o Ricardo oriá vamos começar aqui com algumas perguntas mas se a plateia quiser também sugerir e perguntas pode mandar pra gente tá bom eh Socorro esse livro é uma ficção né que se alimenta de muitos lugares personagens histórias reais eh foi uma obra Concebida ao
longo de vários anos que certamente exigiu muita pesquisa muita eh criatividade também né eh você pode contar pra gente como é que foi assim como é que você chegou ao tema e aos personagens e esse processo mesmo Maria Amélia foi de fato um percurso longo de de pesquisa e de busca da história primeiro né porque e começou quando eu eu já tinha escrito cabeça do Santo e uma amiga fo foi para uma exposição de fotos históricas do Ceará lá no no Dragão do Mar e me ligou de lá dizendo Olha eu vi uma foto aqui
que eu tô mandando para ti porque eu acho que é incrível achei a tua cara que era a igreja de almofala enterrada com areia assim sei lá terço da igreja com areia e umas pessoas na frente e e uma legenda dizendo que a foto era de 1780 eu acho 1800 alguma coisa e e nada mais e a informação de que a igreja ficou 45 anos completamente coberta por uma duna lá em almu fala no no distrito de Itarema Então eu só tinha isso a princípio uma imagem então eu de fato achei impactante uma história de
uma igreja enterrada né Eu já tenho um uma um uma inclinação a tratar de temas que ligam a religiosidade às pessoas ao povo às cidades pequenas já tinha feito isso com cabeça do Santo e aquilo me instigou mas eu passei um bom tempo pesquisando lendo material sobre a igreja procurando Liv artigos de arquitetos falando das obras de restauro da da história da igreja mas eu não consegui a princípio encontrar de onde daquela foto como eu poderia puxar ali um fio para criar uma história e fiquei um tempo nessa girando girando até conseguir até acontecer na
verdade e quando eu pensei em desistir várias vezes eu parei de pesquisar várias vezes uma das primeiras coisas que eu descobri quando eu coloquei a almu fala no Google foi que existem sete almof falas em Portugal que almofala é uma palavra árabe que é significa acampamento temporário almala então muito comum que que em Portugal tivessem vários acampamentos temporários né na da da invasão isca e tudo e mas não consegui encontrar e quando eu tava para desistir eu fui procurando esses esses textos de técnicos de arquitetura que eu entendia tipo 20% do texto inteiro porque falava
dos materiais da igreja da do material do restauro do estilo arquitetônico e num desses artigos o arquiteto diz determinado momento ele diz segundo drumon e continua e aí eu fui vero na bibliografia eu disse Será que o drumon é o drumon poeta e era o drumon lidava trabalhava como funcionário público com eh com arquivos com processo de patrimônio E chegou a ele essa história da igreja era um texto do drumon de 17 de novembro de 46 no Correio da Manhã o título da crônica era areia e vento e aí ele começa a crônica assim eu
peço aos poetas aos sábios aos pintores prestem atenção na igreja de amala isso chegou para mim num dia que eu tinha decidido praticamente decidido desistir aí foi o Milagre né O primeiro é aí eu disse bom o drumu tá pedindo desde 46 Ninguém fez eu vou ter que fazer coitado é muito muito tempo que ele tá esperando e aí eu fui ler a crônica dele e a crônica Ele tem ele ele tem ele resgata a história inteira da igreja e situa a a essa porque tudo que eu tinha lido até então era o fenômeno geológico
das Dunas móveis que é comum no no litoral e litoral cearense e essa depois eu fiquei sabendo que existem várias igrejas enterradas por areia no mundo eu Visitei uma no deserto nos Emirados Árabes me levaram lá as pessoas vão para Dubai fazer outras coisas eu fui para para uma cidade Deserta eu fui dar um curso em Dubai e o meu pedido de turismo foi para uma cidade amaldiçoada por um demônio ainda foi ainda tem isso a cidade foi o negócio não aqui foi amaldiçoada por um demônio por isso que foi coberto e eu fui fiquei
aterrorizada fiquei com muito medo fui embora assim muito rápido mas quando ele nessa crônica do drumon ele vai dar uma outra explicação porque o que eu sabia era o fenômeno do das donas móveis mas ele fala que a essa esse soterramento para os tremembés que eram os donos da da faixa Litorânea ali do que os donos de almu fala são os donos de almu fala eles acreditam que foi uma Vingança porque essa igreja ele conto que essa igreja foi uma construção feita e iniciada como um pacto de paz entre os padres seculares lá da região
e osem que tinham encontrado uma imagem de uma santa na praia viram a imagem meiodia ela tinha uma pintura de ouro acharam que era uma chama de fogo chamado de labareda adoravam a imagem como uma chama de fogo essa Nossa Senhora da Conceição que dizem que cai de um Galeão espanhol não se sabe direito a origem e a Igreja era para ser um pacto de paz entre os trem e os padres seculares veio o material da Bahia veio não foi pro Ceará trazido por escravizados então só que o pacto não se cumpriu os tremembés cuidaram
da construção da igreja eles iam pra praia pegavam os Búzios faziam a Cal a cal de Mariscos para que a igreja tivesse o espírito do mar e depois de construída houve um massacre de de tremembés lá no cajo eral deles e no Coqueiral e não e por vingança dos Encantados isso tudo tá na crônica do drumon essa igreja foi coberta pelo pelas Dunas porque o vento é um Encantado E aí ele fala assim quando a igreja estava para quase já tava perigoso entrar na igreja o Padre Antonio Tomás que era o bispo da do Ceará
foi até a igreja e proibiu as pessoas de entrar e levou as imagens que tentou levar as imagens pra Fortaleza aí o drumom me dá além da da ordem de escrita ele me dá a minha personagem porque ele dizia uma mulher chamada Joana camelo tirou o tamanco da cabeça e jogou na tirou o tamanco do pé e jogou na cabeça do pai Antônio Tomás tirar o tamanco da cabeça mas tirou o tamanco do pé e jogou na cabeça para antô Tomás para salvar a imagem de Nossa Senhora e aí era o que eu precisava porque
no cabeça do Santa também o era uma matéria de jornal com fotografia mas na matéria já já existia lá o personagem que eu queria e aí eu não tinha então levou um tempo eu só tive o personagem e a coragem de seguir de não desistir porque eu fiquei me sentindo mal com drumon porque eu acredito em espírito então depois eu ele podia me cobrar assim se ele aparecesse para mim mas não apareceu e e o percurso foi aí veio muita coisa depois que a gente pode ir falando aqui ao longo da conversa eh socorro e
a gente considera né lendo os dois romances o oração para desaparecer o cabeça do santo que é uma preocupação muito grande na sua escrita com a questão relacionada à memória identidade e pertencimento dos personagens seja Samuel né no cabeça do Santo ou sida e Joana essa como a questão da memória se faz presente e esse Resgate através também desses lugares de memória Como é a estátua inconclusa de Santo Antônio né que é outra história bastante interessante e agora que você se reportou a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e almofala é Ricardo eu acho que
tem os os protagonistas T relações diferentes com a memória né O Samuel Ele quer negar a memória dele a memória da cidade do joaz que é uma cidade que vive em torno da fé e ele não tem fé ele não acredita naquilo ele acha tudo aquilo uma ilusão porque não adiantou a mãe dele ter fé então ele é um sujeito Amargurado pelas circunstâncias da vida e ele quer justamente negar essa memória que ele tem que reencontrar que ele acaba reencontrando né ele acaba eh tendo que lidar com isso e a a memória real da cidade
de de de caridade que tem lá por mais que ninguém acredite que tem lá a cabeça do Santo até hoje no meio da rua o corpo não tá mais inteiro o corpo era do pescoço para baixo né e agora eles quebraram tá só do joelho para baixo Quando eu soube que estavam quebrando eu fui lá de noite para e e dei um um um pagamento assim fiz um pix pro vigia PR pegar um pedaço para mim então eu tenho um pedaço da coxa do Santo Antônio em casa nossa que legal que na verdade vocês tem
que acreditar que é a coxa porque é só um quadrado então eu posso dizer que é qualquer coisa mas é um pedaço da cor e eu tive que dar um agrado lá pro vigia ele não entendia nada aí eu fui pro pé do Santo nunca tinha ido para cima né acendi vela sim mas voltando pra memória Essa é que se eu começar a contar as coisas que foram acontecendo mas essa essa relação com com a memória que fica mais forte no oração é muito a O Lamento que a gente tem acho que que Como brasileiro
em geral de ver a nossa memória se apagando se apagando se apagando se apaga nas estruturas físicas se apaga na nas gerações nas coisas que se perdem e Esse livro foi construído com muitas depoimentos de idosos então tem pessoas inclusive idosas mulheres que já faleceram como o livro Demorou e e elas e tem e eu faço questão disso eu espero continuar tendo esse privilégio de ouvir pessoas que têm eh muito a me ensinar que eu acho que eu não respondi nada mas depois É isso [Risadas] mesmo Enquanto o colega Historiador quer saber mais dos aspectos
históricos eu queria puxar um pouco pros aspectos literários também eh tem um personagem que eu acho que contribuiu muito enriqueceu muito a forma né do seu romance que é aquele eh Félix Ventura né que é vendedor de passados que é um personagem que já existe né já existia do escritor angolano José Eduardo agalu né Eu queria saber como foi por que você o incluiu E se o autor apoiou e se você mostrou os originais para ele que que ele achou quando eu decidi que a que a protagonista ia ser essa mulher que que joga o
tamanco na cabeça do padre eu depois eu vi que tinha que tinha uma almofala existia uma almofala no Ceará e sete alm falas em Portugal eu sabia que eu ia associar a eu ia fazer algum tipo de associação que eu não sabia ainda como que tipo de de relação eu ia construir entre as duas entre as almofadas uma uma das almofadas de lá e a nossa almofala no Ceará então eu fiquei pensando como seria eu tava na aí eu fui várias vezes à almofala V muitas e muitas e muitas incontáveis vezes ao longo da da
escrita escrevi muito lá escrevi dentro da igreja escrevi E aí uma vez eu tava lá er meu aniversário tava tomando banho de mar e eu pensei assim olha já tenho tudo que eu preciso para escrever esse livro mas falta uma coisa que eu não eu já tinha ido pra casa de cura do streem Bz eu já tinha recebido re eu já tinha dançado torém Eu só não bebi o mocororó Inclusive eu tenho uma uma tristeza porque eu não consegui que é o a bebida de sonhar não bebi o mocororó mas eu pesquisei tudo que eu
pude fui no nos stream da Barra no Mundaú estudei muita coisa falei com muita gente mas eu não tinha ainda falado com alguém que estivesse vivo que fosse criança lógico enquanto a igreja estava enterrada e eu tava tomando banho de mais e pensando ó que coisa triste ainda não entrevistei ninguém aparece um senhor idoso na praia vindo do nada assim é e eu meu Deus eu olhei assim pelas contas Talvez ele tenha visto a igreja enterrada mas eu comecei a sair correndo do mar mas mas é muito assustador para um senhor idoso a pessoa sair
de biquíni do mar correndo eu vou ter calma e só que aí ele foi sentar com a família dos meus amigos de almofala que estava lá e fui conversar com ele mexe Júlio pescador viu sim a igreja enterrada foi me contar um monte de coisa me deu um monte de explicação e aí ele disse olha Eh lua cheia na lua cheia a gente ia pra duna porque a gente tinha medo de ir quando não tava Claro pela lua porque a gente ouvi o som da missa debaixo a igreja enterrada a gente escutava música A Gente
escutava o cino mas a gente ia quando tava na lua cheia e as coisas desapareciam em Portugal e apareciam aqui e desapareciam aqui e apareciam em Portugal e aí eu fique bom é o que eu preciso para fazer a ligação entre a Joana Camelo e as duas almofadas vai desaparecer aqui aparecer lá tá resolvido mas como é que eu vou explicar que vai desaparecer fui perguntar para antropólogo que fez a que tá morando em Brasília inclusive o Ronaldo e aí eu fui perguntar Ronaldo como é que eu vou fazer desaparecer o negócio aqui e aparecer
em almofala aí o Ronaldo muito tranquilamente pesquisador da religiosidade do streem dis Socorro fácil o streem tem uma oração para desaparecer e aí e na verdade muitos ameríndios têm recursos para desaparecer aí aparecimento que é o envento ele vai se dando de maneiras diferentes pros tremembés é desaparecer mesmo eles têm a oração que todo mundo quer saber eu vou dizer a oração de São Jorge interrompida eles rezam no perigo desaparecem Eu nunca desapareci eu já testei já rezei as pessoas têm testado mas não não funciona com se a gente não for tremer b não tiver
em perigo só para avisar porque o pessoal quer às vezes é bom né ah mas eh personagem o uf é assim quando eu decidi que Ventura quando eu decidi que ela ia desaparecer exato quando eu decidi que ela então que é pronto ela vai rezar a oração para desaparecer e vai desaparecer aqui e aparecer lá quando chegar lá eu quero que ela não ten a memória eu eu queria que ela tivesse apagado a memória e fosse tentar encontrar ter só a língua portuguesa como Norte isso era uma coisa também que tava decidida que a língua
portuguesa é personagem importante nesse livro então eu pensei ela não vai ela vai ter esquecido tudo e ela vai pedir ajuda porque ela vai chegar lá sem documento sem nada como é que ela vai ter ajuda para como é que ela vai conseguir levar a vida adiante né E aí eu pensei ela pode ir num consulado brasileiro e pedir e dizer ó sou brasileira não lembro de nada não sei quem eu sou me arranja um passaporte que eu para eu voltar mas eu achei sem graça aí depois eu pensei ela pode ir a um médico
porque ela precisava eu precisava de um recurso literário para que ela Contasse a história paraas para alguém eu precisava que ela Contasse para alguém que ela o que é que ela lembra os as lembranças dos sonhos para que alguém ajudasse essa mulher a recuperar a memória então pensei no consulado pensei no numa consulta médica pensei num psicólogo num psiquiatra pensei el internarem como louca e ela pensei em vários várias possibilidades assim eu tenho tenho um professor um autor de de livro sobre roteiro de cinema eu fiz dois cursos com ele o Robert maquia um senhor
americano especialista em teatro inglês especialista em Shakespeare e ele disse que quando você vai precisar encontrar um recurso narrativo você tem que pegar fazer uma lista de 10 possibilidades nenhuma das 10 serve porque essas 10 são os clichês que você tem na no topo da memória e a partir da 11ª que a coisa vai ser boa então eu fiz uma lista de 10 psiquiatra médico Consulado n fiz essa lista E aí quando eu vi que realmente as 10 eram coisas que eu já tinha visto muito muito comuns eu tava em casa e o áa luser
me disse que ia passar por Fortaleza numa conexão e me chamou para tomar um café com ele fui tomar ele foi embora depois que ele foi embora eu disse o Félix Ventura o personagem desse personagem do água luz é um cara que é ele se você se alguém né se caso ele existisse tivesse cometido um crime não era um bom lugar para estar falando dessas coisas porque eu posso ser presa dando essas essas indicações mas se o ficcionalmente a pessoa tivesse cometido um crime e quisesse apagar o próprio passado Ele criava uma nova vida novos
documentos para pessoa então eu sou mas ele poderia me me refazer ali como outra pessoa e aí era perfeito para ela porque ela ia pedir a ele que fizesse uma identidade para ela ficcional eu pedi ao água luza respondendo a pergunta dessa vez vou responder eu pedi ao água Lusa o personagem pedi autorização Ele autorizou muito feliz ele foi a primeira pessoa a ler o livro Ele leu ele terminou de ler na minha frente na minha casa o que é bem assustador e felizmente ele gostou Graças Ai que bom e e Socorro hoje por sinal
né 19 de Abril num calendário oficial comemoramos o dia nacional dos povos indígenas certo oração para desaparecer além de tratar da personagem principal Sida Joana né Eh suas passagens em almofala tanto em Portugal como no Ceará resgata a memória e ancestralidade dos índios Tremembé eh como é que você chegou até esses índios Porque mesmo como Historiador aí veem um depoimento meu pessoal durante muito tempo a história dos índios treme e como os outros povos indígenas ficou praticamente silenciada né na historiografia oficial Então como é que você chegou e resgatou essa memória essa ancestralidade dos indios
treme conte um pouco aí pra gente primeiro Ricardo era impossível escrever sobre essa igreja sem falar deles já que a igreja existe porque eles encontraram essa santa na praia que é é é recorrente essa histórias de imagens que são encontradas né Por por povos originários no mar no rio na praia a gente tem no brasil tem no México tem na Bolívia a Copacabana brasileira e a imagem da Copacabana na Bolívia que é a mesma história encontrada na praia então eu não poderia escrever esse livro sem passar pela história dos tremembés O que foi um um
peso uma preocupação muito grande para mim porque eu tinha muito medo de tratar do tema não sendo antropóloga nem historiadora e eu não poderia levar eu não poderia levar isso paraa ficção sem responsabilidade sem a responsabilidade de ter um controle do que eu do até até onde eu poderia falar ali com com propriedade né então eu tive a ajuda de dois antropólogos o Ronaldo Queiroz que tinha feito um mestrado sobre a religiosidade dos tremembés lá na UFC e do Sérgio brissac que é um antropólogo trabalha no ministério público no Ceará e cuida de questões da
das Comunidades Quilombolas e e indígenas no Estado então eu tive o tempo inteiro essa essa Assessoria inclusive as viagens para almofala eram sempre com Ronaldo com porque por por coincidência por coincidência não por por obra minha ele acabou casando com essa minha amigo que é de alu fala eu fiz o casamento então facilitou para mim facilitou para eles e deu foi tudo ótimo porque a gente começou a ir então eu já ia com Ronaldo de carro de Fortaleza para almor fala conversando aí já tem dieren do cabeça do Santo né do Santo Antônio né o
santo casamenteiro Mas eu sou bem Eu sou casamenteira a coviteira eu tenho essa facilidade de um dom assim de de identificar casais e potenciais casais e fazer e esse casamento da ivna com Ronaldo é uma história muito bonita inclusive e o Ronaldo me ajudou muito então eu tive eu não tenho como eu falei não tinha anteriormente eu tinha um contato com a cultura dos cariris do Cariri do Ceará né mas eu precisei muito contar com essa Assessoria deles e e com o convívio com os tremem o oração para desaparecer fala muito sobre a força transformadora
do amor né Eh Joana camelo é uma mulher maravilhosa é linda sensual desperta sentimentos fortes nos homens né E ela acredita nessa força e narra em primeira pessoa o amor dela tanto pelo Jorge quanto pelas próprias origens pelo Brasil e tudo mais e a gratidão também pelos portugueses que acolheram eh você foi de alguma forma criticada por alguma autora brasileira contemporânea assim achou por alguma feminista ou algum leitor assim falou ah não isso tá muito água com açúcar tá otimista e amoroso demais esse romance na minha cara não pode ter falado por trás o que
já aconteceu foi em clube do livro eh às vezes Me cham pro clube do livre o clube já tem começado Eu sempre peço o clube vai começar clubes online eu tenho ido a todos que eu posso E aí o clube tá marcado para começar às 10 eu peço para chegar 10:40 sempre porque eu quero que as pessoas possam falem sem que eu que eu esteja presente para poder ter a liberdade de falar mal porque eu acho que é importante quando alguém não gosta do livro porque é faz é importante que as pessoas tenham se sintam
à vontade para ter a sua a sua opinião seus sentimento sobre os textos e E aí às vezes quando eu entro diz assim é porque algumas pessoas aqui umas duas pessoas não dizem os nomes né acharam que livro tem uma temática de amor muito exacerbada um amor romântico muito talvez até ilusório Falam assim teve uma leitura com 10 alunos meus que eles leram a primeira versão do livro aí uma no final ficou muito revoltada que não era para ser assim que era para ela ser livre era para ela não querer homem nenhum era para ela
segir e foi uma confusão foi uma briga muito grande mas vai ter vai ter gente é possível que se critique muitas coisas no livro em qualquer outro livro né mas eu vou continuar romântica infelizmente se tivesse um remédio de para curar eu tomaria mas é é é de fato eu acredito nessa força mesmo do do do amor como transformação e salvação é o meu signo também tem essa influência astrológica Mas eu acredito de fato até pela minha própria experiência na que a que a vida tudo isso falando sério agora que tudo isso que a história
a memória as relações com a nossa ancestralidade elas são super passadas pelo amor elas são essa esse isso que faz doer na gente quando a gente vê uma cidade sem sendo cada prédio destruído né Ricardo a gente vê em Fortaleza dói cza cada demolição a gente tá vivendo lá o a demolição do edifício lenta dolorosissima do edifício de São Pedro que do que é o tema do meu próximo romance dói ver aquilo mas dói por causa do amor e que a gente tem aquela memória aquele lugar a nossa cidade eu acho não tem como falar
de memória sem falar de amor certeza eh e nesse sentido você falou também em clube de leitura nós temos uma pergunta aqui da Renata Neves da plateia que coordena um grupo um clube de leitura só de autoras mulheres né Socorro Parabéns pelo seu trabalho seu livro Cabeça do Santo foi discussão neste clube de leitura você considera seu estilo o realismo mágico como de seu professor Gabriel Garcia Marques Qual o peso de gabo no seu estilo Renata obrigada eu eu nem sei se o que eu faço é realismo mágico porque na verdade a os temas não
foram uma decisão deliberada assim eu vou escrever foi o contrário Quando eu fui para em 2006 quando eu decidi que eu ia tentar me dedicar à carreira de escritora exclusivamente eu sou jornalista já tinha feito mestrar literatura trabalhava numa Editora que o Ricardo tem trabalhou também junto com comigo lá com com o projeto de livro sobre de história edições Fundação Demócrito Rocha Fundação Demócrito Rocha que é do Jornal Povo em Fortaleza então eu pedi demissão para me dedicar à Literatura e eu e a minha primeira Providência foi procurar cursos para fazer é uma história longa
mas eu vou resumir e o curso encontrei esse curso do Garcia Marx que ele ministrou durante 20 anos eh tentei entrar passei 8 meses tentando entrar no curso da que conseguir e a pessoa me disse você tem dois dias para mandar uma sinopse de uma história para aí eu mando por fax para ele se ele ele gostar ele te convida E aí surgiu a história da cabeça do Santo por causa de notícia do jornal Ou seja eu não foi uma escolha minha e até as coisas que eu já escrevi antes eu escrevi dois ensaios biográficos
da sobre a Raquel de Queiróz sobre o frei Tito de alenca essa história da cabeça apareceu porque eu precisava em dois dias encontrar uma história que agradasse o prêmio Nobel Gabriel Garcia Marques e aí eu fui pro curso e a história começou no curso eu escrevi o livro depois essa minha amiga me ligou e me disse tem uma foto de uma igreja enterrada veio à igreja enterrada então não foi uma tomada de decisão de escrever o Pareci assim seguir mais ou menos o realismo mágico a verdade é que a minha resposta é muito parecida com
a resposta que o Garcia Marx sempre deu sobre os temas dele é assim eu no cabeça do Santo um as pessoas uma pessoa à vezes disz que eu exagerei porque eu criei inventei uma cidade que só tinha sete pessoas é cocoi no Ceará só tem sete pessoas só na verdade só tem seis porque o rapaz foi embora um rapaz que morava lá então cocoi é uma cidade abandonada no sertão do zamun com seis pessoas se moradores seis 1 2 3 4 5 se não é mentira outra coisa é que no cabeça do Santo as mulheres
avisam quando vão morrer da família do protagonista né também já disseram que era um exagero mas é a minha família A minha avó a minha bisavó avisou inclusive fez uma maquiagem antes de morrer é para morrer maquiado o real é bem absurdo é a minha bisavó chegou pra minha pra minha tia avó e passou a maquiagem assim ruo e batom né ela morava no no sertão do Rio Grande do Norte e aí passando o rud disse Alda hoje eu vou vou lá encontrar a mamãe aí as vacas você fica com a vaca tal a outra
vaca você dei pro Fulano as galinhas resolveu o pouco que ela tinha e muito obrigada você foi uma filha é resolveu muito obrigada você foi uma filha muito boa você cuidou muito de mim e e a minha tia achou que era demência senil e ela vestiu o vestidinho de missa dela fez a maquiagem dela e deitou e foi e a e avisou Minha avó me avisou minha mãe me avisou eu já disse para as minhas filhas que eu vou avisar e e é não tem é não tem como é é a minha a minha formação
assim fui criada por essa voz sertaneja cheia de histórias nesse e todo mundo que é tem esse esse esse parente que tem essa relação com as cidades pequenas de Interior no Brasil inteiro tem vai ter essa histórias também ess talvez mais menos dependendo da família mas eu não tenho eu eu nem sei eu não sei se é porque o realismo mágico também é um termo muito datado ligado ali aos anos 60 é um termo mais histórico do que de estilo né Eu só sei que eu só sei escrever sobre essas coisas e e vai ser
o outro livro ainda é pior então não sei não sei nem de que é que vão chamar numa outra entrevista você falou de um termo Realismo anímico né me parece é que é um termo dos estudos da literatura africana pós-colonial o esse Realismo anímico que é um pouco do estilo do Mia Couto até mais do que do ag luus Mas um pouco desses autores africanos contemporâneos incríveis né homens e mulheres que T escrito é um termo possível mas esse papel aí de de batizar é da crítica eu eu tenho essa vida eu tenho uma formação
acadêmica na crítica literária mas aí eu tento não não pensar quando eu vou escrever o Nem o que é que eu tô fazendo Qual é a classificação é que tipo de texto eu persigo a história eu encontrei Eu vi a foto da igreja eu queria contar uma história que se sustentasse a partir dessa igreja é só o que eu quero é minha meu único objetivo é conseguir construir a história inteira a partir de uma imagem ou de uma ideia assim como no seu livro eh alguns outros livros assim muito festejados né pela crítica e pelo
público eh como o som do rugido da Onça da Micheline verun que tort arado do Itamar viira Júnior que também já participaram aqui do nosso encontro com ator eh também tratam desses seres fantásticos né Místico dos Encantados e tudo mais eh e eu vejo que eles estão indo para fora sendo muito traduzidos premiados eh como é assim essa brasilidade fora como é que você você também participa de eventos fora como as pessoas percebem essa coisa Mística do do Brasil e aí outra pergunta Quando o seu livro é publicado fora Ele fica em qual instante assim
ele fica junto com os do Gabriel Garcia Marques do Ítalo Calvino Isabel alende como que é fica eu adoro as fotos das livrarias estrangeiras que tá sempre com os meus autores favoritos tem esse olhar pro Bras pro exotismo né do do leitor estrangeiro dos editores estrangeiros que que gostam de fazem comparações inclusive com Jorge Amado tem esse olhar pro pro exotismo brasileiro mas eu acho muito bom porque citando também a Micheline e O Itamar que são meus amigos e eu sou grande admiradora do trabalho deles eu acho que a gente tem engraçado Porque existiu um
movimento parecido no romance de 30 45 no Brasil desses autores de origem nordestina maioria nordestinos que escreveram romance regionalista né romance regionalista e que escreveram alguns não todos né eles eram muito mais próximo do Realismo da prosa na Raquel de Queiroz minha minha conterrânea era muito realista e muito crua no que ela escreveu e agora eh a gente a gente vê uma a a história é cíclica né Ricardo a história literária também é cíclica a gente tá vivendo uma coisa parecida em outros termos né o mercado literário é outro o mundo é outro a forma
de difusão do livro Hoje é outro a gente tem redes sociais facilitando muito as coisas e e ao contrário do que se pensa promovendo muito a leitura principalmente entre jovens e eu eu eu vejo com muito otimismo as pessoas têm Suas críticas em relação a a essa a mostrar o Brasil algumas pessoas têm críticas em relação a essa essa forma de ver o Brasil pelo viés do misticismo e das crenças mas é a nossa formação de o povo brasileiro passa por isso por mais que a a gente tem várias formas de olhar a história do
Brasil e olhar essa construção do povo brasileiro e olhar as consequências dessa história violenta nos dias de hoje e a minha Ótica e a Tamar aí o Tamar que também é antropólogo já vai também um pouco por outro caminho mas a o nosso jeito de ver é esse pela nossa própria vivência né pela é é a frase que eu uso sempre com com os alunos nos cursos de literatura a gente tem que escrever a história cada um tem que escrever a história que só você pode contar a história que só eu posso contar é perpassada
por esse olhar de um Brasil invisível um olhar para pro que é invisível no Brasil mas ao mesmo tempo é o que é o que comanda o mundo tem na edição portuguesa tá saindo agora o doração para desaparecer e eles colocaram essa frase do livro na capa é o invisível que comanda o mundo eh Socorro você iniciou sua trajetória com literária né pela literatura infanto juvenil tendo sido agraciada até com o prêmio Jabuti de 2013 pelo livro ela tem olhos de céu ela tem olhos de céu pela Editora Gaivota recentemente você teve outro livro seu
que tá mostrando aí na bancada o tempo de Caju né que foi de certa forma apropriado e serviu como mote para o samba enredo da Escola de Samba Mocidade Padre Miguel conta um pouco dessa experiência de ter seus livros né sejam transformados na linguagem cinematográfica como vai ser o cabeça do Santo e esse tempo de Caju como um samba enredo de uma escola de samba o ela tem ol de céu foi foi adaptado para uma uma animação um curso de chamado Sebastiana que ganhou prêmio em muitos países ganhou prêmios em festivais de curto de animação
em muitos países é um um um curta lindo dirigido pelo pelo Cláudio Martins com trilha sonora original ganhou sim no Ceará ganhou e prêmio no em vários festivais e até aí adaptação pro Teatro adaptação cinematográfica tava dentro dos meus planos dos meus desejos inclusive mas um dia eu estou na minha casa vivendo minha vida e uma pessoa me disse Socorro Parabéns aí pelo carnaval e eu nunca fui carnavales que eu não tenho nenhuma relação com carnaval eu nunca pulei carnaval e que eu não entendi porque que tava me dando os parabéns pelo carnaval até que
eu soube que uma a mocidade tinha usado os os enred distas da da Mocidade Independente Padre Miguel tinha usado tempo de Caju na composição do enredo que foi um enredo que ficou uma samba que ficou muito famoso no pré-carnaval no carnaval do Rio esse ano e foi lindo assistir a primeira vez que eu assisto um desfile de escola de samba inclusive mas foi muito bonito inclusive tive aprender sobre o quanto a escola de samba é importante PR pras comunidades do Rio de Janeiro e E aí eu passei a conversar com o Fábio fabato que é
um dos in ristas e entender como é que foi F acompanhando infelizmente de longe eu gostaria de ter desfilado mas não deu tempo porque eu fiquei sabendo uma semana antes do carnaval aí imagina um susto foi muito muito bom e não foi o único né vários livros esse ano foram tema de de Várias escolas de defeito de cor né defeito de cor o Alberto bua também a teve ala que homenageou a Micheline com som do rugido da unsa foi um carnaval literário eu espero que continue assim e que no próximo eu desfile eh falando aí
da Literatura Infantil você também que é especialista em Monteiro Lobato né O que você acha das obras que estão sendo publicadas hoje porque muitas vezes eu percebo que alguns autores fazem livros assim meio didáticos demais assim para cumprir aqueles parâmetros da bncc né base Nacional como curricular você acha que isso pode empobrecer a Literatura Infantil a descoberta pelas crianças eh a Literatura Infantil é um gênero que corre vários riscos primeiro porque eh a nós adultos a gente quer ler um livro a gente compra o livro online ou vai na livraria e compra ou ganha ou
pega emprestado e a criança sempre tem um mediador que vai ser o professor né a escola o bibliotecário da escola ou o adulto que vai vai raramente uma criança infelizmente tem a possibilidade de fazer a própria escolha de estar em um ambiente familiar Ou escolar Que ela possa ir para uma biblioteca ou ir a uma livraria comprar o livro pegar emprestado o livro que ela quer ela passa a leitura infantil passa pela mediação necessariamente e para o bem ou para o mal porque às vezes é muito bom eh você fala do Monteiro Lobato a minha
pesquisa de Mestrado foi sobre como os livros como o Monteiro Lobato tratou dentro da obra essa recepção e circul a dos livros então detalhes assim como muito influenciado na época pela minha orientadora que me me apresentou Roger Chartier e o trabalho da professora Marisa la jol e Regina zilberman para pensar nessa circulação do livro então a Dona Benta tinha um Livreiro na capital que trazia as novidades Então ela tinha uma biblioteca de clássicos mas ela tinha as novidades E ela tinha esse pequeno clube de leitura como a Renata tem e que era com os moradores
do sítio né As crianças a boneca o milho todo mundo lá o o sabugo de milho e esse era um espaço de leitura e discussão muito democrático as pessoas podiam os participantes podiam gostar não gostar era um espaço democrático de construção da leitura e e toda minha pesquisa foi sobre isso E aí no contraponto da vida real não é assim não é tão democrático não é tão tão direto e aí com essa a gente tem uma dificuldade de de de discernir entre o livro para crianças e a Literatura Infantil o livro para crianças pode ser
o livro de desenhar o livro de o livro educativo que tem uma função de aprender a fazer determinada coisa fazer amarrar cadarço ou parte do Desenvolvimento Infantil e o livro texto o texto literário né o texto construído Como dizia o Bartolomeu Campos de Queiroz o texto que não serve para nada porque a gente escuta eu escutei ele escutou isso de de em situações de avaliação de livros pra pra criança pra infância da pessoa dizer mas esse livro não tá ensinando nada ele não serve para nada porque não tem ali um um um um viés pedagógico
claro eu acho que isso sacrifica a qualidade da Literatura Infantil é difícil de mudar é é difícil de de fazer de de discernir Assim entre literatura texto e livro para criança mas ao mesmo tempo o Brasil tem uma fantástica coleção biblioteca de autores brasileiros que escrevem pra infância uma delas nossa querida Roseana muray que saiu ontem do hospital felizmente viva e que já diz que vai aprender a escrever com a mão esquerda para continuar escrevendo Socorro eu tenho outra pergunta aqui da plateia da Dani querida Socorro Você acredita que a memória é inerente ao ser
humano mesmo quando desejamos aniquilar ou aniquilar qualquer possibilidade de lembrança negando essa tentativa é na realidade em Glória somos de fato o que lembramos é uma pergunta psicanalítica pelo amor de Deus eita foi da Dani Dani Dani eu eu preciso fazer um mestrado para te responder eu preciso fazer um outro mestrado para te dar uma resposta digna somos o que lembramos né uma coisa até um pouco existencial também né é Dani pelo amor de Deus mas É engraçado porque eu tô lendo eu eu tô lendo agora a Interpretação dos Sonhos do Freud ele fica desde
eu tô no começo e ele fala várias vezes sobre isso né sobre o que a gente lembra o que a gente apaga e e que o sonho busca o que a gente acha que não lembra e o sonho busca eh somos o que lembramos mas a gente é muito o que a gente esquece também eu o oração para desaparecer tem muita influência da psicanálise eu não sou especialista em psicanálise mas eu tenho um uma experiência como como analisando e e uma experiência de leitura superficial que eu mas uma Fascinação também então eu eu essa do
da gente buscar na verdade o no processo de análise a gente tem a única coisa o único instrumento é a palavra e é a palavra buscando essa memória buscando o esquecimento buscando o que foi esquecido é É nesse esquecimento que estão as coisas então a a a a personagem a SIDA na hora que ela tem essa busca pelo que ela esqueceu na hora que ela faz essa busca pelo ativa pelo que ela esqueceu é que ela vai se encontrando tô complicando bastante a resposta para para ficar à altura da sua pergunta mas eu acho que
é mais é mais o que a gente faz o tempo inteiro é buscar o que a gente esqueceu e o que a gente não sabe mais do que eu que a gente lembra chegou uma outra pergunta aqui a pessoa não assinou da Dani de novo eh eu queria perguntar como você concebe os personagens de seus livros se você se baseia em pessoas reais se os personagens puxam eh características e jeitos de conhecidos seus filhos amigos conhecidos estranhos varia bastante Eh esses personagens como eu falei né A Joana camelo tem e eh foi essa personagem que
que tava na crônica do drumon que e eu fui desenvolvendo eu eu tento não não fazer essas associações com a minha vida e com as pessoas que eu conheço de forma direta Lógico que não tem que uma coisa ou outra escapa Mas eu tento de fato fazer um trabalho de criação de personagem eu uso uma ficha que é que é como uma ficha semelhante a semelhante às anamneses que a gente que os profissionais de saúde fazem que os profissionais fazem eu tento fazer o trabalho mais aproximado lado do do trabalho literário mesmo eu eu separo
bastante a o que eu escrevo das minhas experiências da minha viven Lógico aí tem o Félix Ventura que é um personagem do agola E aí vai ter um o Samuel do cabeça do santo que nesse caso fisicamente ele acabou sendo muito semelhante a um aluno meu lá da da fundação Casagrande no Cariri mas eu evito bastante eu t eu tento trabalhar com a imaginação e com a técnica literária para construir as pessoas mais absurdas que eu consigo gente o papo tá tão bom e tá quase acabando or vamos fazer mais uma ou duas pra gente
terminar infelizmente Socorro nos últimos anos nós temos presenciado um Boom de cursos e oficinas literárias presenciais e também online nas plataformas digitais e redes sociais sobre escrita criativa você é professora de um curso de pós--graduação escrita criativa na unió como ele funciona fale um pouco sobre a suas experiência no magistério superior e nesses cursos de escrita criativa e que conselho você daria para o iniciante que pretende se aventurar na literatura de ficção já são quando eu voltei do curso com Garcia Marques Fiz alguns outros cursos eu eu me senti na obrigação de criar um curso
lá no Ceará porque a gente não não existia né um curso desse tipo eu tive que ir para fora do Brasil para fazer o curso ou fazer curso CSO com professores estrangeiros né como da Garcia Max do Robert marqu com Guilherme ariaga e eu me senti com a obrigação de a feliz obrigação de devolver isso ao ao ao meu estado criando esses cursos então eu comecei em 2014 são 10 anos dando aula para grupos de de alunos que querem escrever ficção na maioria ficção E aí eu tenho muita muita experiência com com esse assunto ao
longo desses anos e eu vejo muitas coisas eu acho primeiro eu acredito na formação na na preparação do escritor na necessidade da preparação do escritor porque eu acredito que isso é um trabalho de muita responsabilidade eh eu pelo menos o o que eu tento fazer o que eu faço na verdade é é encarar cada desafio desse né escrever uma história a partir de uma igreja a partir de um prédio que tá sendo demolido a partir de uma cabeça que tá no meio da rua eu eu tento eu eu tento não eu sou imbuída de um
senso de grande responsabilidade na hora de escrever primeiro ponto é isso eu falo nas aulas segundo ponto eu sei porque que eu tô escrevendo eu sei quais são os meus objetivos eu eu sempre soube que tipo de de carreira eu queria ter eu sempre soube que eu queria ser líder eu queria ser popular eu não tava escrevendo para um público eu não queria escrever para um público privilegiado maor alegria que eu tenho é quando alguém me manda foto de alguém no terminal de ônibus no metrô ou alguém me conta uma história de uma pessoa que
nunca tinha lido um livro na vida e ler um livro então sempre tive claro essa essa vontade de escrever para para públicos amplos né sem nenhum recorte elitista apesar do livro acabar sendo o recorte elitista Pelas nossas condições né de preço de falta de biblioteca felizmente nós estamos num mas é ainda é uma questão no Brasil e dentro dos cursos de escrita eu também falo muito sobre eh essa essa dificuldade de compreensão do trabalho artístico que ainda existe porque é ou é confundido com diletantismo ou é confundido com uma mera expressão do Ego vontade de
de falar dos seus dos próprios sentimentos ou é ou confundido com o trabalho de menor importância e nos cursos o que eu tento o que eu faço nos cursos o que eu falo Resumindo aqui a resposta é tudo que eu queria ter escutado quando eu comecei para evitar os erros que eu cometi e também eu falo as coisas que deram certo para mim então nos meus cursos eu eu respondo todas as perguntas que as pessoas querem saber inclusive as mais espinhosas sobre pagamento contratos e técnica e método tudo que eu faço tudo eu mostro os
meus cadernos eu mostro porque é só o que eu posso fazer é falar de como foi o meu percurso e o meu percurso é de muita responsabilidade com que eu faço Apesar de eu ser muito brincalhona mas muita responsabilidade com que eu escrevo porque eu entendo já nesse nesse tempo inteiro o que acontece quando os livros chegam à vida das pessoas eu entendo o que é que o livro pode o que é que pode pode acontecer nessa nesse encontro né a partir que a partir do momento que o livro é publicado e eu acho importantíssimo
afastar o trabalho do escritor o trabalho artístico do ego da necessidade do aplauso da necessidade da vaidade eu tô num momento muito bom de novembro para cá o o oração né tem acontecido todas essas coisas boas o livro Tá vendendo muito mas não é o Meu Ego é o meu trabalho o resultado do meu trabalho eu quero que as pessoas que vão PR os cursos tenham o mesmo resultado eu tenho o Estênio Gardel um aluno meu que que tá brilhando ganhou um prêmio estrangeiro que não é nemum autor brasileiro ganhou antes eu quero que eu
quero que aconteça isso com todas as pessoas que passam pelo curso mas eu sou uma professora muito eh Realista e eu jogo o o a a a desde o começo do curso eu digo você tá escrevendo para quê se não for paraas pessoas é só deixar num caderno dentro de casa a escrita é uma responsabilidade é uma ponte para chegar no coração e na alma das outras pessoas Socorro Acioli muito muito obrigada pela sua participação É sempre um prazer ler as suas obras e esse bate-papo também foi delicioso Muito obrigado obrigada Maria M Obrigada Ricardo
eu achei rápido a gente podia conversar mais tempo mas muito obrigada também todo mundo que tá aqui e até a próxima e [Aplausos] a resposta vem também sobre a forma de aplausos pelo reconhecimento do seu trabalho Socorro Muito obrigado pela sua participação aqui no encontro com o autor obrigada também a todos vocês que participaram presencialmente na biblioteca da câmara e aqueles que nos assistem pela TV Câmara e pelo canal da câmara no YouTube vamos continuar promovendo a literatura nacional e até a próxima tchau pessoal [Aplausos] C [Música]