E aí [Música] o Olá seguimos as nossas discussões sobre formação sociocultural e ética e Nesta aula nós vamos fazer uma contraposição ao conteúdo da nossa aula anterior isso mesmo se você conheceu o multiculturalismo na nossa quinta aula esse é o momento de falarmos sobre necropolítica uma outra maneira de pensarmos como estado se organiza para regular a vida em sociedade portanto empatando os aspectos sócio-culturais e éticos que permeiam a nossa vida para começar é preciso ter em mente O que quer dizer o termo necropolítica micropolítica é a junção de dois termos né claro que tem a
ver com morte e política da lógica daquilo que a gente já e o tio sobre política em aula anterior pensada como uma forma de regular a vida em sociedade por meio de poder instituições e modos de definição de normas e suas aplicações necropolítica então somando os dois termos significa a morte política ou a maneira como estado se organiza para que seja possível que politicamente determinados grupos sejam exterminados por assim dizer ou deixem de aparecer dentro dos arranjos sociais e na primeira parte do seu material didático eu falo sobre dois autores que nos trazem as bases
da noção do que seria a necrópole tica o primeiro Michel fuco já fucou foi um autor que se dedicou a estudos sobre a vida em sociedade e aos impactos das relações de poder sobre a vida dos indivíduos o que serve de sautor para a gente pensar a negro política tá relacionada aos conceitos de biopoder e biopolítica e o biopoder seria então um poder sobre os corpos um poder sobre aspectos biológicos e Praça o cor o estado exerceria o biopoder porque ele tem a soberania sobre a vida dos indivíduos que que significa Professor significa que na
visão do foi o o estado pode decidir sobre a nossa vida individual ou o estado não regula somente as políticas públicas o funcionamento da Democracia as formas de participação como nós já tratamos em aulas anteriores mas o estado também seria a responsável por olhar para as nossas individualidades e deste-me a maneira como nós podemos viver a AB o política seria a maneira como o estado exerce esse poder sobre nós Portanto o modo como a política é pensada e executada Aí sim Quais são as formas de participação disponibilizadas para cada grupo social Quais são os modos
de reconhecimento das demandas e necessidades desses grupos Quais são os espaços pelos quais essas pessoas podem encaminhar as Suas Irmãs das podem vocalizar como nós dizemos em Ciência Política ou seja os espaços em que elas têm voz para dizer do que precisam para fazer as críticas ao que não funciona de uma maneira adequada e isso tudo tem a ver com a biopolitica e provocou o biopoder e hábil política trabalhariam em função de algo que o rolê para não enroscar no termo governamentalidade e essa governamentalidade significa que o Estado por meio do seu poder sobre os
corpos definir ações políticas que acabam direcionando a definição sobre Quais vidas serão cuidadas ou mais vidas valem mais e aí a gente tem uma série de desdobramentos possíveis e pensa comigo uma coisa eu já te passou pela mente que o estado trata diferente determinados grupos que os governos não trabalham para atender a todos que quando a gente olha para as demandas por políticas públicas para determinados perfis que sofrem mais para conseguir alguma coisa não são todos os grupos faz a gente consegue identificar que tem um segmento que enfrenta esse problema tem um outro que não
consegue avançar nessa política isso seria a noção de vidas das quais o estado decide cuidar e vidas das quais o estado decide não cuidar hábil política Então se aplicaria o governo nessa medida de definir por meio do Poder paz vidas me importam e quais vivas não me importa e talvez te pareça uma discussão incômoda ou um conceito pesado forte mas essa base o cotiana da né pro política é justamente a força que é conferida para os impactos de buscar a morte política de grupos a outra base da micropolítica vende italiano de óleo Argan dem E
ele fala sobre a existência dentro do Estado de uma estratégia de gestão chamada estado de exceção e o que seria o estado de exceção seria o estado que se preocupa com os grupos Mas ou seja aí a exceção definir que para determinado grupo ou para determinado segmento mesmo que haja uma lei que implique o atendimento das demandas essa lei não vai ser cumprida daí a noção de exceção pro agamben a exceção ocorreria geralmente para grupos que são minorias em termos de direitos e aí nós remetemos aos marcadores sociais que foram tratados na aula passada e
nas próximas aulas a gente vai avançar para falar sobre direitos humanos e direitos de grupos específicos mas estado de exceção se aplicaria por exemplo para a classe trabalhadora aqueles que detêm menos recursos financeiros e ainda dentro da classe trabalhadora de uma maneira de e para homens e mulheres para pessoas negras e brancas para pessoas que têm alguma deficiência e para pessoas que não têm e diversos outros desdobramentos a lógica seria o estado sabe que essas pessoas têm direitos a gente pensar no caso brasileiro e na maioria das constituições lá fora depois da Revolução Francesa elas
dizem que todos os indivíduos ou todos os cidadãos são iguais perante a lei mas pro agamben esse termo ou essa máxima tão bonita de que todos são iguais perante a lei acaba não se confirmando na prática justamente porque o estado escolhe para quem a lei vai valer e para quem a lei não vai valer e nesse sentido Ele disse que se cria uma categoria social chamada homo Sacer O homo Sacer seria o indivíduo que pode morrer aquele que é deixado à própria sorte ou como ele coloca no texto o indivíduo matável mas não sacrificavam eu
e o que que significa significa que existem perfis de pessoas dentro de uma sociedade que o estado não vai matar o governo não vai ter uma ação efetiva para tirar a vida dessas pessoas para findar com a vida dessas pessoas mas o estado como não vai atender suas necessidades básicas ele vai deixar com essas pessoas mor bom então essas pessoas não são sacrificados esses porque o governo não vai sacrificá-los mas elas são matáveis' porque se elas são deixados à própria sorte existe a possibilidade de que elas venham a morrer esse conjunto então devia política biopoder
e a noção de estado de exceção e da existência de um homo Sacer é que conformam a admissão da necropolítica que foi um termo cunhado há poucas décadas por um filósofo camaronês chamado a tilly baby oh baby estudou e criou essa teoria a partir dos processos de colonização dos africanos por meio dos quais Ele identificou que os grupos europeus que promoveram a colonização entendiam os africanos como menores como pessoas que não necessariamente precisavam a graça direitos e veja ele não tá falando só sobre a colonização que por exemplo aconteceu no Brasil lá no século 16
que para outros países acontecia desde o século 15 mas pensando a colonização na África até poucas Décadas atrás porque tem países africanos que se emanciparam algumas décadas a gente olhar para um século atrás na história da humanidade ainda é um Tempo muito curto e o filósofo camaronês basicamente diz o seguinte os povos africanos foram povos deixados de lado por exemplo pelas políticas definidas por pelos governos e também por muitos organismos internacionais é como se Esses povos colonizados fossem homo Sacer Ou seja pessoas que ninguém vai lá para matar é mas sobre as quais não se
tem um cuidado para que a preservação da vida de fato aconteça e se você tiver pensando ah mas a África tem um contexto muito específico lá de fato são países muito pobres então é difícil transpor aquele conceito para outras realidades e eu vou te falar basicamente sobre a história do caso brasileiro para escravidão e vou voltar para 1.500 não vou parar no fim da nossa escravidão em 1888 e ali nós vivêssemos um processo de tentativa de incorporação dos negros na nossa sociedade só que foi um processo desprovido de uma mudança cultural se lembra da nossa
primeira aula quando eu falei da Cultura como um conjunto de valores de traduções de modos de olhar para a sociedade EA importância de olhar e reconhecer o outro isso não aconteceu com a população negra no Brasil lá no fim do século 19 e se você olha para o desenvolvimento das relações sociais dos negros com outros grupos no Brasil a partir disso você vai perceber que esses grupos sempre tiveram uma diferenciação existe uma segregação racial EA social que é espacial com relação aos negros e que implica a inclusive em políticas públicas que existem mas não são
cumpridas de novo a lógica do Estado de exceção e para a gente pensar nisso de uma maneira mais específica ainda ou para refinar ainda mais sair da África vir para o Brasil sair do contexto de início da República fim da escravidão e olhar para os dias atuais não olha mais dos negros como um todo mas para uma população específica pense sobre a população estação de rua a hora eles são cidadãos pelo texto constitucional eles deveriam ter acesso aos mesmos direitos que todos nós E quando a gente olha para essas pessoas talvez a diferença para mim
para você seja o fato de que elas não tem um ar uma moradia no espaço determinado e fixo para evitar mas elas devem ter acesso a todos os outros direitos saúde educação alimentação e São Direitos previstos no artigo 6º da nossa Constituição e essas pessoas têm esse acesso não o de uma maneira muito fragmentada muito pontual específica são grupos extremamente marginalizados Ah e por que esses grupos são marginalizados um por um áudio Porque existe estigma com relação a eles ou seja uma visão cultural a partir da nossa perspectiva sobre quem é esse outro sobre como
esse outro vive e a própria ideia e pense se você nunca fez esse tipo de julgamento de que essas pessoas estão na rua porque não trabalham porque elas fazem uso de drogas porque Elas tiveram que se afastar da família porque a família não aguentava mais esse algo muito recorrentemente ouvir mas nem sempre a construção da imagem sobre a população de rua é feita a partir do que essa população tem a dizer as políticas públicas para esse grupo apesar de serem chamadas de políticas de acolhimento dentro da Assistência Social elas são políticas impositivas ou seja elas
não estão preocupadas em acolher essa população em promo é uma integração com inclusão e a gente ainda vai falar sobre a integração e inclusão e próximo às aulas mas a população em situação de rua não é de fato a corrida a ela é imposta uma série de condicionalidades E essas condicionalidades buscam mitigar as suas especificidades ou seja podar a sua existência então o caso da população em situação de rua é um exemplo clássico para a gente pensar na entrou política hoje são pessoas que estão dentro do Estado mas da mesma forma estão à margem do
estado ou seja a gente vê essas pessoas nas cidades o poder público também ver mas não necessariamente algo é feito para que essas pessoas tenham acesso a serviços e equipamentos públicos algum tipo de melhoria ou perspectiva de é devida desde que elas entendam que aquela mudança pode ser positivo on Oi e aí faz sentido eu espero que você tenha buscado algum tipo de comparação ao longo dessa aula em três dimensões de necropolítica e multiculturalismo e tenha percebido que enquanto multiculturalismo sobre o a gente falou na aula anterior tem uma perspectiva de estado ampliado hoje o
governo busca estabelecer políticas para todos os diferentes grupos e segmentos a necro política busca excluir grupos deixá-los à margem do Estado promovendo a sua morte política e aí em alguma medida deixando com que com o tempo ocorra também é só morte física já que eles não têm acesso a uma série de garantias mínimas de sobrevivência a gente avança na próxima aula para falar sobre direitos humanos e aí as missões multiculturalismo e né que o política vão fazer ainda mais sentido dentro da nossa disciplina eu te encontro lá São Paulo [Música]