[música] [música] Pessoal, o vídeo de hoje é sobre uma ação que ela pode parecer trivial, né, da China, mas que tá ligando muitos alarmes, tá acendendo a luz amarela no ocidente. Eu tô falando do aumento exponencial das reservas estratégicas da China. Quando a gente olha por satélite, a instalação de armazenamento de petróleo de Dong Janku na China parece uma bandeja de formas de bolo em escala surreal.
E à medida que o combustível vai enchendo os tanques, os tetos flutuantes sobem transformando esses reservatórios em cúpulas com formato de panetone. E ultimamente os reservatórios têm enchido bastante. Cerca de 10 milhões de barris de petróleo foram adicionados desde meados de janeiro, elevando o total para 24 milhões de barris.
E esse complexo de armazenamento estatal, o maior do tipo na costa chinesa, tem apenas 2 anos e já tá 56% cheio. Dongaku é só um dos símbolos visíveis de uma estratégia muito mais ampla que tá espalhada pela costa e pelo interior do país. Depósitos estatais e comerciais formam uma teia de segurança energética que permite a China absorver choques, pressionar preços e negociar com mais calma em crises internacionais.
Do ponto de vista militar, reservas robustas também reduzem a vulnerabilidade a bloqueios marítimos e um cenário de conflito. Mas deixa eu voltar pro começo dessa história, fazer uma pausa no vídeo para falar do nosso parceiro e patrocinador a Surf Shark. E eles têm uma ferramenta que ajuda a proteger os seus dados, ajuda a navegar e acessar informações que normalmente não são permitidas para todo mundo, dependendo do lugar onde você tá, te ajuda na privacidade.
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A obsessão chinesa por petróleo, ela faz parte de um plano muito mais amplo. Desde o início de 2024, quando ficou claro que o Trump poderia voltar à Casa Branca, as autoridades chinesas começaram a estocar combustível, alimentos e metais para reduzir a vulnerabilidade às sanções e tarifas. E essas medidas se intensificaram e se expandiram depois do Trump impor as tarifas elevadas sobre os produtos chineses no começo desse ano, 2025, e continuaram firmes enquanto os resultados da conversa recente entre eles não t resultado prático.
Alguns vem essa corrida chinesa como um sintoma de paranoia ou até como uma preparação pra invasão de Taiwan. Eu já comentei com vocês que eu ouvi em Taiwan, que esse é um dos indicadores que a ilha usa. Eles acreditam que a China vai partir para um ataque quando os níveis de estoque eh de alimento, combustível e matériapra atingi um certo estágio.
O ponto é que seja qual for o motivo, essa campanha tá tornando a China mais difícil de ser intimidada, fortalecendo a sua posição em negociações comerciais, mas também existem desvantagens. Ao transformar os mercados globais de commodities, o país também desperdiça recursos e cria novas dependências e se expõe a riscos adicionais. Bom, mas a preocupação chinesa com o fornecimento de energia, claro que tem fundamento.
Apesar do boom dos carros elétricos, o país vai continuar precisando de cerca de 16 milhões de barris de petróleo por dia, 3/4 disso importados. E as suas compras de gás natural triplicaram na última década, impulsionados pela demanda de aquecimento urbano e pela indústria de fertilizantes. E a China ainda importa meio bilhão de tonelada de carvão por ano, combustível responsável por 60% da sua geração de energia.
E essa dependência, ela combina riscos físicos, né, rotas marítimas vulneráveis, gargalos como do estreito de Malaca e risco político, como sanções, embargos e crises regionais. Para uma potência que aspira a disputar a liderança global, depender desse volume [música] de suprimentos externo, é visto como um ponto crítico de pressão estratégica. Embora seja um dos principais centros mundiais do refino mineral, o país importa 85% do ferro.
usado na produção de aço. É carente de bachita, minério base do alumínio e traz do exterior 88% do cobre bruto usado nas suas fundições. A China também depende do cobalto, nítas.
E conforme a renda e os hábitos alimentares mudaram, as importações de alimento dispararam e a China compra 80% dos 120 milhões de tonelados de soja destinada aos seus 430 milhões de porcos. e 70% do óleo vegetal usado na indústria alimentícia. Nenhum outro país importa tantas cabeças de gado.
Em outras palavras, a fábrica do mundo se alimenta de insumos externos. Essa vulnerabilidade cruzada, industrial e alimentar explica porque que a China trata commodities como questão de segurança nacional e não apenas de mercado. Para reduzir essas vulnerabilidades, a China aciona três alavancas.
Um, ampliar a produção interna. dois, formar estoques. E três, diversificar fornecedores.
A primeira começou em 2019, quando o Xijinpin lançou um plano de 7 anos para desenvolver recursos domésticos de petróleo e gás, com cortes de impostos e incentivos ao investimento. E desafiando as previsões de declo, a produção do petróleo subiu de 3. 8 para 4.
4 milhões de barris por dia desde então e a de gás aumentou 50%. [música] O avanço interno ele não elimina a dependência, mas ele gera narrativa de autossuficiência relativa, que é importante pro consumo doméstico e para mostrar para fora, pro mundo que a China não pode ser estrangulada facilmente. E também fortalece empresas estatais de energia como braços diretos da política de Chin.
Mesmo com os preços baixos de petróleo, as empresas chinesas elas reduziram os investimentos externos, mas reforçaram os projetos internos. Espera-se que a produção de gás ela vá crescer. entre 3 e 6% esse ano e no próximo, enquanto a do petróleo vai permanecer nos níveis records.
O carvão poluente mais estratégico voltou a ser incentivado. Em maio, o órgão de planejamento energético pediu novas minas. Em setembro, oito ministérios lançaram um plano de 2 anos para expandir a exploração de 10 metais, incluindo cobre, lítio e o cobalto.
Como novos projetos demoram, a segunda alavanca, que é são os estoques, tá sendo acionada. E segundo a empresa de dados Ky Hoss, desde fevereiro, as reservas observáveis da China cresceram 110 milhões de barris, chegando a 1. 2 bilhão, três vezes o tamanho das reservas de petróleo americano.
Uma lei aprovada em janeiro obriga todas as empresas de energia a manter esto a China tem comprado intensamente do Irã, da Rússia e Venezuela todos sob sanções dos Estados Unidos. As exportações desse países para Kingdown, o maior porto de Shandong, chegaram a 590. 000 barris por dia em setembro, um recorde.
E mesmo com o Trump ameaçando sanções a países que compram petróleo dos principais empresas russas, o impacto ainda é incerto, já que muitas refinarias chinesas não dependem do sistema financeiro baseado no dólar. E ao favorecer fornecedores sancionados, a China ganha desconto. Ela ajuda os parceiros políticos e testa na prática um ecossistema novo, financeiro e logístico paralelo, separado do dólar.
Isso reduz a eficácia das sanções do ocidente e acelera a formação de um mercado cinza de energia fora das regras tradicionais. A capacidade de armazenamento da China é de 2 bilhões de barris e tá somente em 58% cheia, com mais tanques ainda sendo construídos. E se continuar no ritmo atual, a China vai alcançar 1.
5 bilhão de barris em 2025, o suficiente para cobrir 140 a 150 dias de importações. O país também quer aumentar suas reservas de gás. Hoje ele tem só 30, 40 bilhões de met³, menos de 10% da demanda anual.
Em julho, a maior instalação subterrânea adicionou 700 milhões de met cúbicos de capacidade e o país constrói tanques gigantes para gás natural, líquito. Esse colchão volumoso, ele não serve só em caso de guerra ou de bloqueio. Em qualquer crise de oferta ou disparada de preços, a China pode liberar ou segurar volumes, influenciando o mercado global e ganhando poder de barganha silencioso.
Apesar do sigilo estatal, os analistas também acreditam que há um acúmulo de metais em curso. Ton Price do banco Pen Liberian aponta que as importações aumentaram mesmo com o setor industrial enfraquecido. Ele estima que os estoques formados nos últimos 20 meses cubram 20% da demanda anual de cobre e 50% da de zinco e 108% da de níquel.
O sigilo em torno desses metais é por si só uma arma e torna difícil pros concorrentes preverem demanda, ajustarem oferta ou coordenarem sanções. Enquanto isso, a China vai garantindo o acesso antecipado a insumos críticos para baterias, cabos, turbinas e toda a transição energética. Como alguns desses recursos, né, ou dessas matérias primas são escassas ou perecíveis, elas não podem ser estocadas.
Então, elas não podem ser solucionadas pela segunda alavanca. Isso nos traz ou nos faz falar da terceira alavanca, que é a diversificação. Desde 2022, a Rússia tenta vender mais gás pra China.
Em 2025, o país vai receber 38 bilhões de m cbicos via gasoduto russo, um recorde. E pode receber mais 50 bilhões se o projeto Power of Siberia 2 for concluído. E também aumentar as compras da Malásia e do Qatar.
A diversificação, porém, ela não é neutra. Ela aproxima a China de regime sob pressão ocidental e cria novas interdependências políticas, em especial com Moscou. Ao mesmo tempo que a China tá, no fundo, reduzindo a exposição aos Estados Unidos, ela tá também amarrando parte do seu futuro energético a parceiros mais voláteis.
Ao mesmo tempo, a China também expande investimentos em Minas e infraestrutura no exterior. Em abril, iniciou uma ferrovia para importar mais carvão da Mongólia. Empresas chinesas de cobre adquiriram nove concorrentes estrangeiros desde 2024.
Uma estatal chinesa negocia a compra de boa parte da rede elétrica do Chile, torno das maiores reservas mundiais de cobre e lítio. Mineradoras chinesas também ampliam as operações de níquel na Indonésia, mesmo com o preço em baixa. Isso consolida uma espécie de cinturão de recursos sobre a influência chinesa.
Estradas, ferrovias, portos e redes elétricas financiados pela China funcionam simultaneamente como projetos comerciais e instrumentos geopolíticos, criando dependências de longo prazo nos países anfitriões. O esforço mais notável aqui é reduzir a dependência da soja americana, que representa 1/4 das importações e tá sujeito a tarifa de 20% desde abril. A China ainda não comprou um único carregamento da colheita recente nos Estados Unidos, preferindo recordes de importação do Brasil e volumes altos da Argentina.
Os contratos futuros indicam que isso não deve mudar nessa safra, mesmo que o acordo alardeado pelo Trump acabe se consolidando. Ao punir a soja dos Estados Unidos e premiar a soja brasileira, a China tá enviando recado simultâneo. Sinaliza um custo político para Washington e aprofunda os laços com o fornecedor chave no sul global.
Essa gigantesca campanha de aquisição chinesa tá remodelando não só o seu próprio mercado, mas do mundo inteiro. Os agricultores brasileiros estão expandido o plantil de soja, enquanto os americanos reduzem nas suas áreas. A China, ela tornou-se um fornecedor pêndulo global de gás, revendendo cargas quando os preços sobem e enfraquecendo o poder dos grandes exportadores.
Seus estoques, gigantes e opacos tornam os preços ainda mais imprevisíveis, enquanto as compras clandestinas de petróleo e gás russos alimentam uma indústria paralela de transporte e financiamento. Esse papel de core trader permite a China arbitrar mercados, lucrar com volatilidade e reduzir lucros de rivais, mas também suscita desconfiança crescente entre parceiros que enxergam na China menos um cliente previsível e mais um ator que manipula os ciclos e fragiliza as regras. Mas nem tudo é flores, né?
E essas mudanças elas favorecem a China, mas tem um custo e ele é alto. O país tá comprando petróleo antes de uma esperada queda dos preços. E se o barril do petróleo cair 10 ou 20 no próximo ano, a China pode estar desperdiçando bilhões de anos por mês.
O cobre também tem os preços elevados no momento. E o Brasil, por sua vez, vende soja aos chineses com um preço acima dos praticados normalmente. Ou seja, do ponto de vista econômico, parte dessa estratégia, ela se parece menos com uma gestão eficiente, mais com um seguro caro.
Os ganhos geopolíticos justificam as perdas financeiras. significativas, desde que mantenha o Partido Comunista Chinês no controle da narrativa de estabilidade. Ou seja, mais uma vez, o que eu sempre falo para vocês, a lógica geopolítica se sobrepõe à lógica econômica e financeira, comercial múltiplas ocasiões.
Esse aqui é um grande exemplo. Mas vamos voltar ao problema, né? Em alguns desses mercados concentrados, a China tá só trocando, no fundo uma dependência por outra.
Segundo alguns especialistas da OTAN, hoje o país tem menos diversidade de fornecedores alimentares do que ele tinha uma década. E para vocês entenderem uma coisa importante aqui, por incrível que pareça, a China tá especialmente vulnerável aos choques climáticos ou políticos do Brasil, porque é o maior fornecedor de carne, grãos e açúcar. E essa estratégia de estocagem, ela pode ter funcionado até aqui, mas ela continua sendo uma aposta arriscada.
Aqui tem uma um contraponto, né? Um outro lado da moeda. Eu sempre comento como é perigoso o Brasil tá dependendo da China, mas nessa estratégia chinesa, a China também tá se tornando dependente do Brasil.
Eh, cuidado que isso não é a mesma coisa que dizer que existe uma interdependência, né, ou uma dependência mútua. Então, então ninguém vai querer o mal do outro. O que existe ou que a gente pode concluir é que um está abraçando o outro.
Ou seja, o problema de um pode ser o problema do outro, a derrocada de um pode ser a derrocada do outro e assim por diante. Então, não é só eh que o Brasil depende da China, a China também depende do Brasil, mas isso não necessariamente é um exemplo de uma interdependência, aonde ninguém vai se livrar do outro, mas aonde o destino de um tá amarrado ao destino do outro de muitas maneiras. Então, eh, no final das contas, a vulnerabilidade continua existindo eh, para o Brasil e também existe paraa China.
Bom, mas a mensagem final aqui, pessoal, ela é ambivalente, né? O que que eu quero dizer? Quanto a China tenta se blindar contra sanções ou pressão ocidental, ela tem construído defesas estratégicas importantes, mas ela também tá amarrando seu destino a menos parceiros e construindo estoques do ponto de vista econômico e financeiro caros.
E se o cenário global mudar de forma inesperada, questões climáticas, a política, os preços, o que hoje parece ser uma reserva estratégica, pode se revelar um lastro pesado. Não esqueçam de dar like no vídeo, seguir o canal, ativar o sininho, compartilhar com seus amigos e venham conhecer o meu aplicativo Rock Academy. [música] Lá você tem cursos, aulas especiais, exclusivas e o bunker do rock, que é um feed de notícias em tempo real, que te informa sobre tudo que tá acontecendo no mundo.
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