Bicho, nos últimos meses tu já deve ter visto esse meme no cara do picpa-u aqui que bate uma para desenho. E por causa desse meme aí que eu acabei querendo fazer esse vídeo, porque tem algo nele que eu acho que a maioria das pessoas não percebeu. Ou só ignora e segue com a vida mesmo.
Beleza? Mas tu já parou para pensar como diabo o ser humano consegue sentir atração por desenho? O que que aconteceu ao longo de milhares de anos de evolução do Homo Sapiens para um dia ele olhar para um monte de rabisco e ficar com tesão nisso?
[ __ ] quando foi que de repente não é só mais o nerd, o taco da escola que fica tiçado por essas coisas? Então vamos analisar esse rolê todo aí. Para começar, eu acho que é legal a gente falar um pouco sobre a história do Rentai.
O rentai não surgiu porque alguém uns 100 anos atrás criou o primeiro mangá ou desenho animado e de repente um outro olhou e pensou que seria engraçado botar os personagens que tava ali para [ __ ] Não tem registro histórico de pintura rentai desde o século XI. Até até aí tu pode achar que é porque o japonês é um bicho estranho de gosto duvidoso, né? Só que tem arte europeia pornográfica, que é da mesma época, escultura, desenho.
Então, dá pra gente afirmar que isso não é um problema moderno vindo da nossa geração ou dos nossos avós. Na real, esses desenhos duvidoso aí são ainda mais antigo que isso, vindo direto do Palolítico. Os homens das cavernas não faziam só pintura rupestre dezinho erguendo lança para caçar javali, mas de muita sacanagem também, velho.
>> [risadas] >> Tem tanta pintura rupestra indecente que não dá nem para ficar mostrando aqui no vídeo sem o risco do YouTube quebrar minhas pernas. Então, se tu quer ver mais coisas, eu recomendo pesquisar elas no Google aí. Tanto as pinturas pestre quanto os rentão antigo.
Tu vai ver que tentáculo de polvo entrando em orifício é mais velho do que você imagina. Epa! >> Dito isso, a gente pode afirmar que a atração por desenho não surgiu simplesmente porque começou a ter mais otaco que sofria bullying na infância e era excluído, que a única coisa sobrando para ele fazer seria jogar videogame e ver anime.
E meio que por causa disso, se só viver nesses dois mundinhos, o desejo dele sairia de pessoas reais para vampira dos X-Men. Não. Você agora sabe que o cérebro é capaz de sentir esse tipo de coisa e que isso acontece há muito mais tempo do que você imagina.
Mas por que caralhos, um desenho afetaria alguém assim? Beleza, que acontece isso, mas por que acontece? E aí que entra a hipnose, não aquela que te faz andar com os braços pra frente porque alguém balançou um relógio na tua cara.
Não. Acontece que hipnose, não é isso que a maioria de nós aprendeu com pica-pau ou algum outro desenho. Você na verdade se hipnotiza todos os dias e nem percebe.
O próprio ato de ver um filme com pessoas reais é se hipnotizar. Você não fica se lembrando conscientemente que nada daquilo é real, que são só atores, que o sangue é falso, que tem efeito especial, é fundo verde que tá ali para dar o cenário, que tem um monte de cameraman e cabo em volta do cenário. Se você ficasse pensando nisso o filme todo, você não ia conseguir nem dar risada com qualquer cena que aparecesse, porque você ia ficar pensando, o Tarantino teve que pensar nisso por horas, escreveu num pedaço de papel e depois passou pro ator ler.
Daí esse ator teve que ficar ensaiando para dizer isso dentro de um set de filmagem. Então eu não vou rir, pois é só fingimento. Nem os atores acham graça disso?
Não, [ __ ] Uma pessoa assim seria absurdamente insuportável e ninguém ia querer ter como amigo. Mas qual que é o lance de eu falar sobre esse ponto dos filmes com atores reais para chegar nos desenhos e nos animes? Basicamente a mesma coisa.
Você sabe que aquilo não é real de fato, que é só um monte de imagem rápida sucessão, uma atrás da outra, para criar a sensação de movimento, que os personagens só falam porque teve um dublador no estúdio que gravou a voz. efeito sonoro, música para ambientar e mesmo assim você se diverte e se emociona vendo esse processo de hipnose que você passa é basicamente o que te permite entrar no mundo da imaginação e do lúdico e fazer com que você chore vendo no Rei Leão, em que você pode sair e entrar a qualquer momento desse mundo. E dentro desse mundo você acaba encontrando muita coisa da realidade também.
personagens que seguem um arquétipo e um padrão do que você acha legal e interessante. O cara que é bonito no desenho é além de belo, forte e heróico. Coisas que você talvez também gostaria de ser na vida real.
E isso acaba aprofundando a sua conexão com a obra e o seu interesse por ela. Você vê naquele ou naquela personagem uma extensão do seu próprio eu, do que você gostaria de ser ou vivenciar. pode ser algo como ser mais forte, mais bonito, mais interessante, mais rico, ao mesmo tempo em que você também consegue projetar aplausos e reconhecimento pelos motivos que você gostaria de receber na vida real.
Por exemplo, você é alguém que se considera bem gente boa e empático. Daí você encontra essas características suas no noturno dos X-Men. E isso te faz gostar mais dele e esperar mais coisas do personagem por você se enxergar um pouco nele.
A realização desse personagem dentro da obra pode acabar também significando a sua própria realização, especialmente quando você não tem aquilo que deseja. O personagem representa suas faltas. Esse campo da imaginação acaba sendo uma zona segura e sem riscos para você explorar todo tipo de emoção sem consequência na vida real.
Já diria o pai da psicologia, Sigmon Freud, o pensamento é o ensaio da ação. E é essa capacidade de pensar o que ainda não existe ou pode acontecer é o que te permite ser capaz de sentir prazer por antecipação de algo que ainda não aconteceu. Ou ansiedade, que é basicamente o mesmo princípio, só que do lado negativo.
O livro Zebras não tem úlceras mostra muito bem isso. Você nunca vai ser tão pleno e calmo na sua vida quanto um boi no pasto ou qualquer outro animal silvestre. Eles só vivem o presente e não se preocupam com o futuro porque eles sequer tm aparato cerebral necessário para isso.
Eles são incapazes de pensar. Enquanto isso, pra gente serviu para formar estratégia e pensar nos recursos de um lugar que a gente tava enquanto era caçador coletor Nôm. O problema é que agora esses mecanismos primitivos já não são mais tão necessários quanto antes.
E meio que eles acabam se voltando contra a gente, te fazendo querer ter certezas e previsibilidade dentro de uma sociedade em que tudo é incerto e amanhã aquilo que é tesouro hoje pode virar o lixo, te fazendo ficar calvo aos 22 de tanto estresse. >> Tome. >> Beleza.
Agora, você também sabe que além de rir ou chorar para um desenho, você também pode acabar sentindo tesão nele, porque o nosso cérebro acha que não tem nada demais nisso e que isso também é algo que acontece desde a idade da pedra. Mas por que que tem tanta gente interessada nisso nos últimos anos? Os relatórios daquele site de gente boa laranja que você já sabe qual é, indicam que pesquisas por Rentai não param de crescer desde 2013, com foco aqui pros últimos 3 4 anos, que virou a categoria mais pesquisada nesse site, em vários outros, com destaque especial para Shun Lee, que em 2023 foi a personagem mais pesquisada de todas.
E daí tu pode olhar para mim e dizer: "Mas o men, olha como a Ch é maravilhosa no Street Fighter 6. Os gráficos são tão realistas que até parece uma pessoa de verdade. Pois é, só que tem um pequeno problema aí.
Não é a chuli do Street Fighter 6, é a chul [risadas] do Fortnite >> com modelo parece um boneco de plástico, velho. Então daí dá pra gente perceber que não precisa parecer tão real assim, né? Ou pelo menos ter curvas que compensem.
>> E além disso, por que que tá tão em alta? E aí que as coisas começam a ficar mais interessantes. De 2020 para cá, desde a pandemia e o lockdown, o conteúdo que antes era chamado de coisa de nerd e geek ficou muito mais popular.
E com isso, várias outras pessoas começaram a consumir esse tipo de conteúdo com mais frequência e se vincular a ele com mais intensidade. O quanto consumimos algo também influencia na força do efeito que ele exerce sobre a gente. Vamos conhecendo mais um personagem e com isso vamos aumentando mais o nosso vínculo com ele no ponto em que a atração ganha outros atributos além de você achar os traços bonitos por simular um corpo sensual.
Muito bem. Mas a identidade do personagem dá um gás extra na sua atração. Diferente de um vídeo pornô com pessoas reais aleatórias que você não conhece, que você simplesmente clica, se satisfaz, e depois segue a sua vida sem saber nada a respeito daquele ator ou atriz do vídeo.
A única coisa que importou naquele momento foi a satisfação do seu desejo, mas depois que acabou, não sobrou mais nada para fazer ali. Por isso você vai embora. Diferente de um personagem que você conhece, você consegue ver coisas além de um pedaço de carne, ainda que ele seja só um monte de desenho.
Porque você já viu a personagem em momentos de coragem, de comédia, de tragédia, de superação e outras coisas, interagindo também com personagens que você gosta mais, temperando o seu desejo e adicionando um sabor especial por todas essas características. O que acontece também reflete nos vídeos com pessoas reais que vão criando uma trama e um enredo até chegar nessa aliência. Aquilo para muita gente torna o conteúdo ainda melhor por adicionar contexto a ele, como o casal que você tá torcendo para ficar junto no final, por ter que ver tudo que eles passaram.
Ou você acha que eles só tem afinidade química mesmo? E o rent pode ter ainda mais contexto, pois o limite é a imaginação do autor, tanto pra lor e a história, quanto pro corpo que vai ser desenhado, explorando a fantasia a outro nível também de alguém que de repente quer ver uma giromba tão grande que você colocasse no cu, saiu na boca, o que é impossível na realidade. Mas o mundo da fantasia garante essa segurança e alguma satisfação.
Satisfação essa que você pode tentar trazer pra vida real. E aí que entraria a vontade de transar com a pessoa fazendo cosplay de quem você gosta. Curioso também como o que antes era visto como coisa que só nerjão, sem vida social gostava, hoje chegou em muito mais gente, o que é irônico para [ __ ] diga-se de passagem, porque tinha um moleque que estudava comigo no fundamental e sofria bullying direto, tinha uns 4 anos já.
Para piorar, teve um dia no intervalo que pegaram ele batendo uma parrenta de Naruto e dali o B escalou, velho, para coisa de filme, de escola nos Estados Unidos, passar a sessão da tarde. Guspiam no cara, dava rasteira, colava papel nas costas, ficava cantando musiquinha quando ele ficava bravo. >> Nossa, velho, para quê?
O mano com certeza cresceu traumatizado e ainda continua sendo zoado. Isto que fez o ensino médio com a mesma galera. Galera essa que zoava ele no passado e hoje em dia reclama no Twitter que diminuíram os peitos de uma personagem ou que elas são lindas tendo corpos reais que parecem mais reais, só demonstrando a hipocrisia ou que elas acabaram gostando daquilo que um dia elas zombavam e abominavam.
Mas esse assunto de hipocrisia e tabu a gente deixa pro próximo vídeo. Afinal, ninguém que tá vendo esse vídeo realmente bate uma para desenho, né?