[Música] eu sempre fui meio fanático por brechó sei lá tem algo naquelas roupas antigas que me fascina não é nem pelo preço é mais pela história que cada peça carrega cada mancha cada desgaste cada costura refeita é um pedaço da vida de outra pess nunca me incomodou essa ideia de usar roupas que já pertenceram a desconhecidos até aquele dia eu tô morando aqui no interior do Paraná faz Uns anos cidade pequena sabe como é todo mundo se conhece e as novidades chegam devagar tava fazendo um frio danado e eu resolvi dar um pulo num brechó
que tinha aberto faz pouco tempo na rua de cima da minha casa o lugar era pequeno meio apertado mas tinha muita coisa boa foi lá que vi aquele casal era elegante um modelo antigo e de lã grossa bem pesado preto o forro era de um tecido vermelho vinho parecia coisa de gente rica de antigamente no instante Em que toquei nele senti um arrepio mas ignorei devia ser por causa do frio o preço estava uma Pechincha e o casaco estava conservado demais nem pensei duas vezes paguei e levei PR casa naquela noite quando fui experimentá-lo de
verdade notei um cheiro estranho era um cheiro de terra molhada sabe como se o casaco tivesse sido guardado num porão por anos achei que era coisa de roupa velha então botei para arejar passei um pano com vinagre e pendurei na janela Mas o cheiro não saí nos dias seguintes comecei a sentir um incômodo sempre que vestia o casaco a primeira vez que usei para sair senti um peso estranho nos ombros como se tivesse algo pressionando minhas costas também começou a vir um cheiro forte de terras sempre que me mexia muito como se tivessem acabado de
cavar um buraco do meu lado eu não sei explicar mas parecia que o casaco esquentava mais do que devia o frio cortante da rua não entrava de jeito Nenhum mas dentro dele eu suava como se tivesse uma febre ainda assim continuei usando era um casaco bonito e eu não sou do tipo que se impressiona fácil com essas coisas mas isso mudou rápido uma noite enquanto eu dormia acordei de repente sem ar meu peito parecia pesado como se alguém tivesse sentado em cima de mim meu corpo não se mexia no canto do quarto perto do armário
onde eu tinha pendurado o casaco vi uma sombra não dava para distinguir direito mas parecia Um homem alto parado ali olhando para mim o cheiro de terra molhada ficou insuportável eu quis gritar mas minha voz não saía foi só quando consegui mexer os dedos e esfregar as mãos que a sensação passou a sombra não tava mais lá fiquei ali suando o coração disparado tentei convencer a mim mesmo de que tinha sido um pesadelo mas no fundo eu sabia que não era no dia seguinte decidi investigar a origem daquele casaco voltei ao brechó e perguntei pra
dona de Onde tinham vindo aquelas roupas ela hesitou um pouco mas depois disse que a maioria das peças vinha de doadores locais pessoas que limpavam os armários e deixavam as roupas lá perguntei especificamente do casaco preto ela franziu a testa e disse que não sabia ao certo mas que lembrava de um senhor que tinha trazido uma sacola cheia de roupas antigas ele morava perto do cemitério da cidade saí de lá sentindo um frio na espinha alguma coisa me dizia que aquele Casaco tinha uma história sombria Decidi ir até esse bairro ver se conseguia descobrir mais
alguma coisa conversei com algumas pessoas descrevi o casaco Foi então que uma senhora mais velha Dona Dalva ficou pálida quando eu falei ela pediu para ver a peça quando mostrei ela levou a mão à boca e sussurrou meu Deus isso era dele meu estômago gelou de quem perguntei ela olhou ao redor como se tivesse medo que alguém escutasse e falou bem baixinho esse casaco era do Estevão ele foi enterrado com ele eu congelei na hora Como assim ele foi enterrado com o casaco isso não faz sentido como como assim enterrado swingue perguntei sentindo um nó
na garganta Dona Dalva olhou ao redor de novo como se tivesse medo que alguém escutasse e puxou meu braço para mais perto dela a voz saiu baixinha quase um sussurro o Estevão ele morreu faz uns anos foi enterrado com esse casaco sim eu mesma vi no velório era o casaco Preferido dele a família fez questão que ele fosse pro caixão com ele eu senti um arrepio subir pela espinha minha boca secou meu cérebro tentava encontrar alguma explicação lógica como aquele casaco tinha saído do túmulo de um homem morto e ido parar no brechó Mas então
como ele veio parar aqui Dona Dalva hesitou ela olhou ao redor mais uma vez e suspirou como se tivesse tomado coragem para contar uns tempos atrás teve um problema no cemitério chuva Demais muita ter alguns túmulos foram mexidos disseram que um ou outro caixão teve que ser realocado mas Teve boatos de que mexeram em mais túmulos do que deviam uns funcionários foram demitidos Teve gente que sumiu da cidade e dizem que algumas coisas desapareceram dos caixões roupas relógios joias Meu Coração batia tão forte que eu conseguia ouvir no ouvido Então tá me dizendo que alguém
roub esse casaco de dentro do túmulo do Cara component placement perguntei sentindo um frio no estômago Dona Dalva fez o sinal da cruz é o que parece E se eu fosse você me livrava disso aí agora eu engoli em seco o cheiro de terra molhada parecia estar impregnado em mim no meu nariz na minha pele aquele casaco eu precisava me livrar dele voltei para casa quase correndo joguei o casaco no chão da sala e fiquei encarando ele de repente ele já não parecia mais tão elegante parecia pesado errado abaixei Peguei ele com as pontas dos
dedos e levei até o quintal acendi um fósforo e joguei em cima nada o fósforo apagou joguei outro o fogo lambeu a lã grossa por um segundo e sumiu como se tivesse sido sugado para dentro do tecido meu peito Ficou apertado era como se o casaco se recusasse a ser destruído Foi aí que escutei um barulho bem baixinho quase um sussurro me devolve meu sangue gelou olhei ao redor a respiração presa mas eu estava sozinho O vento soprou e o cheiro de terra molhada ficou mais forte e então eu ouvi de novo dessa vez mais
alto mais perto me devolve eu corri corri sem pensar corri para longe com a certeza de que alguma coisa estava atrás de mim e foi só quando me virei para trás no meio da rua Deserta que eu vi o casaco ele não estava mais no chão do meu quintal ele estava no portão pendurado esperando me esperando eu fiquei parado ali no meio da rua olhando para o casaco pendurado No portão sentindo o ar gelado que parecia se agarrar a minha pele meu peito subia e descia rápido a respiração curta eu não tinha como explicar aquilo
eu o tinha deixado no quintal eu tenho tentei queimá-lo mas agora ele estava ali pendurado como se alguém o tivesse colocado de volta para mim de repente eu me dei conta de que não estava sozinho atrás do portão na escuridão do quintal algo se mexeu meu coração quase parou quando vi uma sombra alta parada ali os Contornos eram indefinidos mas eu soube na hora era um homem e ele estava me olhando o cheiro de terra molhada ficou tão forte que eu quase vomitei me devolve eu ouvi de novo dessa vez foi como se a voz
tivesse saído de dentro da minha cabeça meus pés pareciam pregados no chão cada instinto dentro de mim gritava para correr para fugir dali mas eu não conseguia me mexer A Sombra ficou mais nítida E então eu vi o rosto Ou melhor o que deveria ser um rosto era Pálido enrugado os olhos Fundos como buracos negros a boca parecia costurada por fios invis e a pele a pele Parecia ter sido enterrada por muito tempo tinha manchas escuras como carne apodrecida a sombra ergueu a mão lentamente e apontou para o casaco meu corpo Finalmente obedeceu eu corri
corri como nunca tinha corrido antes passei direto pelo portão empurrei com força agarrei o casaco sem nem pensar e saí em disparada não sei para Onde fui só corri quando perce estava no cemitério o que eu tava fazendo ali eu não sabia mas algo dentro de mim dizia que era onde eu deveria estar o vento uivava entre os túmulos a lua iluminava fracamente a terra úmida eu andei devagar o casaco apertado contra o peito cada passo fazia meu coração martelar no peito e então eu vi a lápide rodrig 199 o descanso vem para todos minha
boca ficou seca eu sabia aquilo não era Coincidência sem pensar muito ajoelhei e comecei a cavar com as mãos mesmo a terra estava molhada fofa cedia fácil debaixo dos meus dedos eu sentia a umidade entrando so minhas unhas sentia o cheiro forte subir com cada punhado que eu jogava pro lado minhas mãos bateram em madeira o caixão me afastei um pouco o peito arfando o suor escorria pelas minhas costas apesar do frio o casaco parecia queimar nas minhas mãos eu respirei fundo serrei os dentes e Joguei o casaco ali dentro o cheiro de terra molhada
ficou tão forte que minha visão turvou meu estômago revirou o ar pareceu pesar ao meu redor E então o silêncio o vento parou o mundo pareceu segurar a respiração eu fiquei ali imóvel esperando esperando o pior esperando que algo saísse dali que mãos cadavéricas me agarrasse para a terra mas nada aconteceu apenas um sussurro carregado pelo vento obrigado e então o cheiro sumiu o ar voltou ao normal o Vento soprou leve o peso no meu peito desapareceu eu cobri o buraco rapidamente jogando a terra de volta como um desesperado quando terminei me sentei no chão
sem forças sem fôlego o casaco não estava mais comigo nem o cheiro nem a sombra e foi ali deitado no meio das lápides que eu finalmente entendi o casaco nunca deveria ter saído dali alguém mexeu onde não devia e eu eu só Consertei o erro Eu nunca fui muito ligado nessas coisas De espiritualidade ou religião apesar de saber que minha avó sempre teve uma fé grande em Yemanjá ela era daquelas pessoas que acreditavam nas Forças da natureza nos orixás mas nunca ficava insistindo com ninguém eu por outro lado sempre fui mais do tipo cético Na
verdade eu via tudo isso mais como folclore uma cultura bonita mas sem muito significado até que encontrei aquele maldito lenço Foi numa dessas feiras de antiguidades que eu fui no fim De semana a cidade onde moro não é muito grande mas tem essas feirinhas que aparecem de vez em quando com roupas antigas objetos que ninguém mais quer e uns acessórios esquisitos eu estava só procurando algo para passar o tempo e quem sabe achar alguma peça interessante para casa no meio das barracas entre roupas e utensílios foi aquele lenço que chamou minha atenção era pequeno de
um tecido que eu não sabia identificar mas com uma estampa muito Bonita tinha uma cor azul mas não um azul qualquer Parecia um azul profundo como o mar à noite e tinha desenhos de peixes ondas e algumas flores brancas parecia até algo de algum artesanato antigo no começo achei até bonito mas não foi só isso que me atraiu o que realmente me fez pegar o lenço nas mãos foi a sensação de calor como se ele estivesse quase vivo uma sensação estranha que eu não soube explicar quando eu peguei a vendedora me olhou Com uma expressão
meio estranha como se tivesse visto algo que ela não queria ver esse lenço não é qualquer lenço ela disse como quem sabe um segredo ele foi usado em uma oferenda a i manjar não sei se você sabe mas coisas assim tem seus próprios destinos eu dei uma risada nervosa achando que ela estava tentando me empurrar alguma história de crendice para justificar o preço mas por algum motivo a curiosidade falou mais alto e acabei comprando paguei uns trocados Levei o lenço para casa e nem pensei muito mais sobre isso eu moro sozinho fiquei com o lenço
em cima da mesa ali meio jogado não me incomodava mas não conseguia tirar a sensação de que ele estava me observando eu sei parece maluquice Mas foi assim que me senti como se aquele pedaço de tecido tivesse um peso que não correspondia à sua aparência por volta da noite eu decidi ir dormir e foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas durante o Sono eu sonhei com o mar um mar revolto escuro com ondas gigantescas que pareciam querer me engolir eu estava dentro dessas águas me afundando e não conseguia me mover como se algo
estivesse me segurando não eram só as ondas era como se uma força invisível estivesse me puxando para baixo eu tentei gritar mas a água entrava na minha boca e em vez de som o que saía era um silêncio absoluto mas o que realmente me aterrorizou foi a mulher Ela apareceu no meio da água flutuando sobre as ondas com um vestido branco com os cabelos negros cobrindo o rosto não conseguia ver seu rosto direito mas eu sabia que ela estava me olhando aqueles olhos vazios sem expressão me encaravam fixamente ela não falava Mas sua presença me
fazia sentir como se fosse parte daquelas águas turbulentas o pior é que no sonho eu não sabia se estava dormindo ou acordado sentia como se ela fosse real como se estivesse ali em Carne e osso perto de mim e sem dizer uma palavra ela estendeu a mão como se pedisse algo ou como se me chamasse quando acordei meu corpo estava todo suado O Pesadelo foi tão real que eu ainda sentia o gosto da água salgada na minha boca fui até o banheiro lavei o rosto e tentei me convencer de que foi só um pesadelo mas
o que me deixou ainda mais desconfortável foi o fato de o lenço estar agora dobrado sobre a cama como se tivesse sido movido não me Lembro de tê-lo tocado e nem vi quem poderia ter mexido nele as noites seguintes não foram muito melhores eu sonhava com ela todas as noites o mar estava lá mais forte mais imenso eu sentia a pressão das águas o peso da mulher e as mãos dela Frias e g adas puxando minha alma Eu tentava me soltar gritar mas minha voz era abafada pelo som das ondas em cada sonho ela vinha
mais perto até que um dia no meio da madrugada quando eu acordei suando frio Eu a vi ela estava ali no pé da minha cama com os olhos vazios com uma expressão de dor no rosto ela me observava sem dizer nada apenas estendia a mão como se me chamasse para segui-la quando eu tentei me mexer não conseguia meu corpo estava paralisado como se o próprio medo tivesse me prendido senti o ar gelado invadir meu peito e então ela falou mas não com palavras a voz dela era como o som do mar uma voz profunda cheia
de lamentos que parecia vir de Dentro da minha cabeça sussurrando sua alma é minha eu consegui finalmente me mover e corri até o lenço que agora estava jogado no chão próximo da porta eu o peguei tentando entender o que estava acontecendo olhei para ele e quando toquei o tecido foi como se uma onda de choque passasse pelo meu corpo era como se a água o mar e aquela presença estivessem dentro de mim como se eu tivesse invocado algo que não deveria eu queria jogá-lo fora queimá-lo Mas algo dentro de mim me impedia como se ao
fazer isso eu estivesse rompendo um pacto que eu não entendia eu tentei procurar algo que me ajudasse um livro alguma coisa que explicasse o que estava acontecendo mas cada vez que eu me afastava do Lenço ele parecia me seguir como uma sombra Eu tentava me convencer de que era tudo coisa da minha cabeça mas as visões os sonhos a mulher estavam se tornando cada vez mais reais uma noite quando já estava quase sem forças Para continuar eu tomei uma decisão eu ia me livrar daquele maldito lenço de qualqu jeito peguei ele fui até o quintal
e Joguei dentro de uma fogueira que estava acesa Eu vi as chamas subindo queimando o tecido Mas não foi o que eu esperava quando o lenço começou a pegar fogo uma brisa fria passou por mim e eu ouvi mais uma vez a voz sua alma é minha eu olhei para o fogo mas o lenço não se consumia completamente as chamas pareciam se apagar e reacender como se Estivesse Resistindo ao fogo como algo estivesse tentando impedir que ele fos destruído eu não sabia o que fazer e foi aí que eu percebi com uma sensação de horror
indescritível que a mulher estava me observando mais uma vez daquela água turva que parecia me envolver cada vez mais aquela noite foi a última em que eu tentei lutar contra o Destino daquele lenço eu vi o fogo se apagando lentamente mas o lenço não estava queimando como deveria era como Se ele estivesse protegido por algo além de uma simples chama o ar estava pesado e a voz dela continuava ressoando na minha mente tão clara como a água do mar como se estivesse dentro de mim Eu te avisei a voz sussurrou desta vez mais forte agora
você não pode mais fugir eu tentei dar um passo para trás mas meu corpo não respondia senti uma pressão sobre o peito como se alguém estivesse me segurando apertando minhas costelas o pânico tomou conta de mim e a sensação De que não havia mais saída me consumiu o fogo que antes estava tão intenso agora Parecia um espectro fraco e sem vida lutando contra uma força Invisível o lenço com sua estampa azul e flores brancas ainda estava lá parcialmente consumido mas em sua essência intacta e foi nesse momento enquanto eu estava paralisado que ela apareceu de
novo mas dessa vez não era mais um sonho a mulher de olhos vazios estava ali bem na minha frente Saindo da Escuridão eu não conseguia me mover não conseguia gritar ela estava vestida de branco com cabelos negros que pareciam se estender para o chão como se o mar fosse parte dela como se ela fosse o próprio mar a luz da fogueira iluminava seu rosto pálido seus olhos sem vida ela sorriu e não eram sorriso de conforto mas um sorriso Cruel de quem sabe que a alma do outro já foi tomada já pertence a ela ela
não falou nada mas eu ouvi a mesma voz na minha cabeça Ressoando com a força das águas turbulentas agora você está comigo eu senti algo gelado se espalhar por todo o Nino meu corpo era como se uma onda estivesse me envolvendo por dentro me arrastando para um abismo profundo O Mundo ao Meu Redor começou a se distorcer como se eu estivesse sendo puxado para dentro de um vórtice e eu sabia que não conseguiria mais escapar eu estava perdido Nas Profundezas daquele mar imenso ela levantou a mão e Tudo ao redor se fez silêncio o vento
parou o fogo se apagou completamente e eu fiquei ali diante dela com os olhos fixos nela sabendo que não havia mais retorno o lenço estava agora diante de mim no chão com suas cores vibrantes quase como se fosse Vivo eu caí de joelhos as lágrimas escorrendo pelo meu rosto mas algo dentro de mim já sabia que não adiantava mais eu havia sido marcado tomado ela se aproximou lentamente e estendeu a mão para mim não Sei se foi uma oferta de perdão ou apenas um gesto final mas eu sabia que não poderia mais recusar o que
fosse me acontecer agora era Irreversível a última coisa que lembro foi sentir a mão dela ela tocando a minha e de repente uma onda de escuridão me envolveu era como se meu corpo e minha alma estivessem sendo levados para as profundezas do mar sem chance de retorno eu não sabia mais onde estava não sabia mais quem eu era quando Acordei não estava mais em casa não estava mais em lugar algum que eu conhecesse eu estava em um lugar escuro abafado como se estivesse submerso o som das ondas quebrando à distância ecoava em minha cabeça e
eu sentia o peso da água ao meu redor quando olhei para baixo eu vi as minhas mãos mas elas estavam molhadas pálidas e com as unhas longas como se o tempo tivesse se arrastado enquanto eu estava em algum outro lugar aquela mulher eu sabia que Ela ainda estava lá em algum lugar dentro de mim eu havia sido tocado por algo que não era deste mundo que não pertencia à Terra eu havia dado a minha alma a ela sem perceber o lenço aquele maldito lenço ainda estava comigo eu sentia ele em minhas mãos como se o
tecido estivesse preso a mim como uma parte de meu ser eu sabia que o mar agora era minha prisão e a mulher de olhos vazios minha guardiã eu não sei o que acontecerá comigo daqui em diante às Vezes eu acordo em meu quarto mas as lembranças do Mar e da mulher ainda estão lá como se estivessem me observando eu sei que a qualquer momento a água pode me puxar de volta me arrastar para aquele Abismo eterno onde o lenço nunca deixa de me chamar a cada noite eu fecho os olhos e mais uma vez escuto
o som do mar mas agora eu sei que não sou mais o mesmo não sou mais livre e tudo começou com aquele maldito lenço tudo começou quando eu decidi Me Casar Meu noivo o Rafael sempre foi muito parceiro e a gente estava planejando um casamento simples só pro pessoal mais próximo mesmo o problema é que dinheiro tava curto né e vestido de noiva é caro demais um absurdo Foi aí que minha mãe deu a ideia de eu procurar um vestido de segunda mão tem um bazar lá no centro que sempre recebe coisa boa Filha vai
lá dar uma olhada de repente você acha alguma coisa bonita e barata ela disse eu ai a ideia boa no sábado seguinte fui Lá sozinha já que o Rafael estava trabalhando o bazar era numa rua meio afastada do centro num prédio antigo com aquele cheiro de madeira velha e mofo misturado o lugar estava meio vazio só umas senhoras mexendo em umas roupas e uma atendente atrás do balcão foi quando eu vi o vestido ele estava pendurado num daqueles manequins sem cabeça bem no fundo da loja era lindo de um branco meio amarelado pelo tempo cheio
de renda delicada um modelo clássico parecia Coisa de filme antigo mas o que mais me chamou a atenção foi que ele estava em perfeito estado sem nenhum rasgo ou defeito aparente só tinha uma coisa estranha uma mancha bem discreta na barra meio avermelhada como ferrugem fiquei encarando o vestido um tempão encantada e ao mesmo tempo com um friozinho estranho na barriga sei lá alguma coisa nele me deixava quieta mas como eu sou teimosa ignorei esse sentimento e chamei a atendente moça Quanto tá esse vestido ela olhou para mim depois pro vestido e fez uma cara
esquisita esse aí Ah minha filha esse vestido tá aqui faz tempo ninguém quer levar por quê perguntei ela deu de ombros dizem que dá azar usar roupa de noiva que já foi usada ainda mais esse aí franzi a testa Como assim ela hitou parecia escolher as palavras mas no fim só abanou a mão besteira coisa de gente supersticiosa se gostou te faço um preço bom eu devia ter insistido perguntado Mais mas a ideia de economizar um bom dinheiro falou mais alto fechamos negócio paguei bem barato e levei o vestido para casa e foi aí que
tudo começou eu cheguei em casa feliz da vida achando que tinha feito um ótimo negócio minha mãe até elogiou o vestido quando mostrei para ela disse que parecia coisa de novela antiga que só precisava de uma boa lavada para ficar perfeito só que naquela mesma noite aconteceu a primeira coisa estranha eu tinha deixado o Vestido pendurado na porta do guarda-roupa dentro do saco plástico do Bazar no meio da madrugada acordei sentindo um cheiro esquisito no quarto era um cheiro doce mas enjoativo como flores murchas sabe um cheiro de coisa velha de coisa esquecida virei pro
lado e tentei ignorar mas aí veio outra coisa um barulho bem baixinho como se fosse um tecido roçando na hora meu coração acelerou abri os olhos devagar e fiquei olhando pro escuro o Barulho vinha do guarda-roupa um som leve como se alguém estivesse passando a mão no vestido prendi a respiração e me forcei a olhar o quarto tava escuro só um filete de luz da Rua entrava pela janela mas deu para ver o vestido ele estava balançando bem de leve como se uma brisa estivesse passando por ele só que a janela tava fechada o ventilador
estava desligado e o quarto estava completamente parado na mesma hora um arrepio gelado subiu pela Minha espinha fiquei paralisada sem saber se levantava ou se fingia que não vi nada meu coração martelava tão forte que eu sentia no ouvido foi quando ouvi um suspiro baixinho bem bem perto de mim não gritei porque a voz ficou presa na garganta só puxei o cobertor até a cabeça e fechei os olhos rezando para aquilo ser coisa da minha cabeça demorei para dormir de novo mas quando o sol nasceu o vestido ainda estava lá do mesmo jeito ignorei devia
ter sido coisa Do sono só podia mas depois daquela noite as coisas começaram a piorar no dia seguinte levei o vestido pra Lavanderia a mulher que me atendeu pegou ele com um cuidado exagerado analisando o tecido quando chegou na barra onde tava aquela mancha franziu a testa Você sabe o que é isso aqui perguntou apontando parece ferrugem respondi mas no fundo eu já tava com um pressentimento ruim ela passou o dedo na Mancha como se estivesse analisando e Fungou não é ferrugem não parece sangue senti um frio no estômago mas tá seco né pode ser
só sugeira antiga ela deu de ombros posso tentar tirar Mas se for o que eu tô pensando não vai sair fácil deixei o vestido lá e fui embora tentando não pensar muito naquilo só que naquela noite sonhei com o vestido no sonho eu tava numa igreja sozinha as velas no Altar tremel luziam mas não tinha vento nenhum e então eu ouvia um choro baixo sofrido Quando Me virei vi Uma noiva ela tava no meio da igreja de costas para mim O vestido era idêntico ao meu mas tinha algo errado nele a barra tava molhada pingando
um líquido escuro no chão meu coração disparou a mulher virou devagar o rosto dela meu Deus os olhos fundos a pele pálida como vela a boca aberta como se tivesse gritando mas sem som nenhum saindo Foi aí que acordei Suada com o coração disparado o cheiro de flores murchas ainda tava no ar no outro dia fui buscar O vestido na lavanderia A mulher me olhou estranho conseguiu tirar a mancha perguntei ela negou com a cabeça passei produto forte esfreguei deixei de molho mas parecia que a mancha voltava fiquei arrepiada peguei o vestido e fui para
casa com aquela sensação ruim grudada em mim mas ainda não tinha visto Nada porque na noite seguinte aconteceu o pior aquela noite foi a pior da minha vida depois de pegar o vestido na lavanderia fiquei com ele dobrado dentro Da sacola sem coragem de pendurar no guarda-roupa de novo alguma coisa dentro de mim dizia que aquilo não estava certo que eu não devia mais ficar com aquele vestido mas ao mesmo tempo me sentia estranhamente apegada a ele era como se ele me chamasse quando chegou à noite Rafael percebeu que eu tava estranha Tá tudo bem
amor parece preocupada fiz que sim com a cabeça só tô cansada não queria contar nada para ele ele ia rir da minha cara dizer que era a coisa da Minha cabeça mas a verdade é que eu estava morrendo de medo de dormir naquela noite algo me dizia que ia acontecer alguma coisa e aconteceu dormi mal toda vez que fechava os olhos sentia como se tivesse alguém no quarto comigo em algum momento da madrugada acordei de supetão a primeira coisa que senti foi aquele cheiro de novo flores murchas mas dessa vez estava mais forte como se
tivessem jogado um buquê podre bem do meu lado foi então que ouvi um sussurro Baixinho vindo do Canto do quarto meu sangue gelou eu não queria olhar eu sabia que tinha algum uma coisa ali mas mesmo assim Virei a cabeça devagar o quarto tava escuro mas na penumbra tinha alguém ali uma mulher ela tava em pé no canto do quarto o corpo imóvel o vestido dela era Branco comprido e eu soube na hora que era o mesmo que eu tinha comprado só que nele a mancha era maior Mais Escura ela tava olhando para mim os
olhos dela eram Fundos vazios Minha Respiração ficou presa na garganta meu corpo inteiro ficou gelado e então ela veio na minha direção não andou deslizou rápido eu abri a boca para gritar mas antes que o som saísse a coisa tava em cima de mim as mãos geladas seguraram meu pescoço e então tudo escureceu Acordei com um solavanco minha garganta queimava Eu sentei na cama desesperada levando a mão ao pescoço tava dolorido como se alguém tivesse me apertado de verdade olhei ao redor o quarto estava Vazio Rafael dormia ao meu lado como se nada tivesse acontecido
tremendo acendi a luz e olhei pro canto do quarto não tinha nada mas quando meu olhar desceu pro chão meu coração quase parou o vestido ele estava fora da sacola aberto no chão manchada molhada e naquele momento eu soube aquilo não era um sonho naquela hora meu corpo inteiro ficou paralisado o vestido tava ali estirado no chão do meu quarto como se alguém tivesse tirado da sacola e o espalhado Cuidadosamente Mas eu sabia que não tinha sido eu minha respiração tava Curta meu peito subia e descia rápido eu queria gritar queria acordar Rafael Mas alguma
coisa dentro de mim dizia que se eu fizesse barulho aquilo podia piorar engoli seco devagar me levantei da cama meus pés descalços tocaram o chão frio cada passo até o vestido parecia pesar toneladas eu não queria encostar nele mas também não podia deixar ali quando me abaixei para pegar senti um arrepio Subir pela minha espinha o tecido estava gelado molhado e quando Virei a barra para ver melhor meu estômago revirou a mancha estava maior um vermelho escuro profundo quase preto e o pior parecia recente era sangue joguei o vestido no canto e saí do quarto
em disparada no corredor minha visão estava turva meu corpo tremia inteiro corri até o banheiro abri a torneira e lavei o rosto tentando me acalmar foi quando vi no espelho atrás de mim a noiva ela tava Ali no canto do banheiro o rosto pálido os olhos Fundos como buracos a boca levemente aberta como se estivesse tentando dizer alguma coisa só que dessa vez ela chorava lágrimas escuras escorriam pelo rosto dela manchando o vestido e então ela sussurrou ele prometeu naquele instante todas as luzes piscaram e o cheiro de flores murchas se espalhou tão forte que
meu nariz ardeu eu gritei caí para trás bati as costas na pia e saí correndo pelo corredor Rafael acordou assustado veio atrás de mim sem entender nada que foi o que aconteceu eu só consegui apontar para o banheiro mas quando Ele olhou não tinha nada eu contei tudo desesperada ainda tremendo mas ele me olhou com aquela de quem acha que a gente tá ficando maluca disse que eu estava cansada estressada com o casamento Mas eu sabia eu sabia que aquilo era real no outro dia fui atrás da atendente do Bazar moça pelo amor de Deus
de onde veio aquele vestido Ela me olhou com a mesma expressão estranha de antes por que tá perguntando isso me diz tem algo errado com ele eu sei que tem ela ficou em silêncio por um momento e depois soltou um suspiro a gente recebeu esse vestido faz uns meses foi doado por uma senhora idosa ela disse que era da filha dela e onde ela tá agora a mulher mordeu o Lábio ela morreu meu sangue gelou como a atendente olhou em volta como se tivesse medo de que alguém estivesse ouvindo então Abaixou a voz dizem que
foi no Altar ela ia se casar tudo pronto mas bem na hora do sim o noivo desistiu Minha respiração ficou presa a coitada não aguentou teve um ataque ali mesmo caiu dura na frente de todo mundo a visão ficou turva e o sangue na barra a atendente hesitou o povo diz que quando ela caiu bateu a cabeça na quina do altar O vestido ficou manchado E desde então ninguém mais quis tocar meu coração quase parou eu tava usando o Vestido de uma noiva que morreu no próprio casamento naquela noite tomei uma decisão acordei Rafael e
disse que precisava dar um fim naquele vestido ele ainda achava que eu tava exagerando mas aceitou me ajudar pegamos o vestido e fomos até um terreno baldio longe de casa joguei o vestido no chão e risquei o fósforo o fogo começou a subir rápido Chamas lamberam o tecido consumindo a renda delicada mas foi quando o fogo chegou na barra manchada que aconteceu Algo que eu nunca vou esquecer no meio das chamas por um segundo eu vi um rosto os olhos fundos a boca aberta em um grito mudo e então ouvi de novo ele prometeu o
fogo ficou mais alto como se tivesse explodido e eu dei um pulo para trás Rafael me puxou assustado a gente ficou ali vendo o vestido virar cinzas o cheiro de flores murchas ainda pairava no ar mas depois daquela noite nunca mais vi a noiva o casamento aconteceu como planejado Mas até hoje às vezes Quando passo perto de igrejas sinto um cheiro de flores murchas no ar e lembro Ela ainda tá esperando esperando pelo sim que nunca veio esperando pela promessa quebrada eu sempre fui uma pessoa simples gosto das coisas que fazem parte do meu cotidiano
das coisas que parecem comuns mas que no fundo tem uma história para contar eu moro em uma cidade pequena onde todos conhecem todos ou pelo menos é assim que a gente sente o Clima é tranquilo as ruas não são muito movimentadas e a maioria das pessoas que habitam por aqui são mais velhas mas reservadas Foi numa dessas lojas de roupas de segunda mão que encontrei O suéter uma dessas lojas simples cheia de coisas usadas mas que tem aquele toque de nostalgia sabe entre a pilha de roupas esquecidas O suéter me chamou a atenção era de
uma cor cinza meio opaca mas com um tom de azul que dava um to de Aconchego eraa de lã grossa mas macio ao Mesmo tempo bem confortável como se fosse feito para aquecer alguém de uma forma especial como se fosse uma peça que quisesse te abraçar e acredite era isso que me passou a sensação quando passei a mão nele senti algo familiar algo que me fez sentir vontade de levá-lo a senhora que me atendeu na loja era um amor de pessoa com aquele jeito simples de quem vive a vida devagar e com calma ela me
olhou viu que eu estava interessado no suéter e com um sorriso Meio tímido disse ah esse suéter é bem confortável sabe já tem bastante tempo por aqui mas nunca vi ninguém levar ele tem um toque especial tem que sentir para entender eu ri achei o engraçado e acabei levando o preço estava ótimo então não pensei duas vezes naquele dia eu nem sabia que estava trazendo para casa algo que mudaria minha vida para sempre a noite seguinte foi quando tudo começou cheguei em casa coloquei O suéter e logo senti aquela sensação Confortável era como se ele
realmente estivesse me abraçando apertando suavemente os meus ombros e peito mas de uma forma aconchegante sabe nada fora do normal eu até pensei em como ele era gostoso de usar me de chou com aquela sensação de acolhimento fiquei na sala assistindo TV me sentindo à vontade relaxado foi uma das melhores sensações de conforto que eu já tinha experimentado mas à medida que o tempo foi passando a sensação de Abraço começou a ficar estranha eu estava sozinho em casa o que já era normal mas à medida que a noite avançava O suéter parecia apertar um pouco
mais não era algo que eu pudesse se explicar direito primeiro pensei que fosse só coisa da minha cabeça como se fosse uma sensação que vinha de um lugar profundo e que logo passaria mas não passou durante a madrugada eu acordei com uma sensação de desconforto meu peito estava apertado como se alguém tivesse colocado As mãos ali de forma a me segurar de um jeito Sutil mas muito firme eu me levantei e fui até o espelho O suéter estava bem ajustado mas nada que fosse desconfortável demais Aisa é que eu senti uma pressão como se O
suéter estivesse apando mais do que o necessáo tirei O suéter e o coloquei Nair tentando escer o que tinha sentido dmi de novo sensação de estar send observado dego estan no ar me incomoda não conseguia entender o que estava Acontecendo mas algo me dizia que aquilo não era normal nos dias seguintes a sensação foi ficando cada vez mais desconfortável eu já não conseguia mais usar o suéter por muito tempo à medida que eu o vestia sentia como se as mãos invisíveis de alguém me tocassem primeiro era apenas um leve toque no ombro depois no braço
como se uma presença Estivesse se aproximando eu tentei ignorar Afinal são só roupa certo mas a sensação só aumentou uma noite Estava sentado no sofá vendo um filme e Então senti as mãos se moverem por trás de mim elas não eram frias mas também não eram quentes elas eram invisíveis sentia como se alguém estivesse tentando me abraçar por trás de um jeito que não fazia sentido mas não era uma sensação boa era como se o toque fosse possessivo como se fosse algo que não queria me deixar ir O que mais me assustou foi quando eu
percebi que não estava mais sozinho naquela sala eu senti uma Presença olhei ao redor e nada a única coisa que estava lá era O suéter Mas a sensação de estar sendo tocado de alguém se aproximando não passou foi como se naquele momento as mãos invisíveis do suéter se tornassem mais reais mais presentes a última gota foi em uma noite em que ao tentar dormir as mãos elas estavam lá de novo no meu peito me apertando eu tentei me mexer tentei me soltar mas não consegui era como se O suéter tivesse se tornado uma Prisão eu
não conseguia mais sentir meu corpo livre as mãos eram cada vez mais fortes como se estivessem me agarrando com firmeza tentando me prender onde eu estava eu gritei mas não houve resposta não havia ninguém na casa nem mesmo nas ruas tudo estava calmo demais mas a pressão em meu peito aumentava o medo se espalhou pelo meu corpo eu tentei tirar o suéter mas mais uma vez ele estava preso como se tivesse vida própria eu forcei mais uma vez e quando Finalmente Consegui arrancá-lo joguei no chão fui até a janela olhei para a rua tentando me
acalmar eu estava suando o coração batendo forte mas o que mais me assustou foi o som o som do suéter ele estava se mexendo ouvia-se um barulho suave como se O suéter Estivesse se contorcendo no chão como se algo estivesse tentando sair de dentro dele no dia seguinte decidi me livrar do suéter eu o dobrei e o coloquei dentro de uma sacola tentando esquecer tudo o que tinha acontecido mas A sensação de de estar sendo observado nunca se foi a cada noite eu sentia as mãos invisíveis me tocando às vezes na cadeira onde eu o
havia colocado às vezes na cama enquanto eu dormia era como se O suéter não me deixasse em paz como se tivesse tomado uma parte de mim e agora ele não queria mais me soltar eu não sabia o que fazer eu tentei queimar O suéter jogá-lo no lixo mas não adiantava sempre que eu deixava de lado por um tempo ele sempre voltava e com Ele a sensação de ser tocado de estar sendo abraçado por algo invisível fui até a loja onde eu comprei mas a senhora que me atendeu não estava lá a loja estava vazia sem
ninguém por perto não encontrei mais nada naquele lugar só o silêncio hoje eu não uso mais O suéter ele está guardado em algum lugar da casa mas nunca me deixou ele ainda está lá me esperando me tocando como uma presença que nunca se cansa de me Seguir meu nome é Rogério mas me chamam de Rogerinho aqui na cidade Moro em uma cidade pequena no interior onde as coisas costumam ser bem calmas Mas a gente sempre sabe que tem umas histórias estranhas rolando por aqui sempre ouvi falar de macumba de entidades e de alguns objetos que
de tão carregados de energia podem até mudar a vida de quem se aproxima mas eu nunca levei essas histórias muito a sério até o dia em que encontrei o casaco a história começa Numa tarde quente de sábado quando eu decidi dar uma volta por um brechó que tinha aberto no centro da cidade aquelas lojas cheias de tralhas roupas velhas e peças antigas que não servem mais para ninguém eu sempre gostei de dar uma olhada porque às vezes a gente encontra alguma coisa boa e de quebra ainda economiza mas naquele dia eu não esperava encontrar o
que encontrei o Brechó estava bem bagunçado como sempre com roupas espalhadas móveis antigos e Uma mistura de cheiros de poeira madeira velha e um incenso meio estranho no fundo da loja entre umas Araras de roupas algo vermelho me chamou atenção era um casaco não um casaco qualquer mas um vermelho intenso como o fogo brilhante e chamativo que logo me fez parar o casaco parecia meio fora de lugar ele tinha um corte meio antigo mas um estilo que ainda podia ser usado se você soubesse combinar direito aquele vermelho era tão forte que parecia Saltar dos outros
objetos da loja eu não sei explicar mas logo senti uma atração por ele como se estivesse puxando a minha atenção de forma Irresistível a dona do brechó era uma senhora de cabelo grisalho mas com um olhar penetrante quase como se me estivesse observando de um jeito que me fez sentir desconfortável ela estava sentada atrás de uma mesa mexendo em papéis mas a assim que me aproximei do casaco ela olhou para mim e disse sem nenhuma Emoção na voz Esse casaco tem uma história rapaz uma história forte eu dei uma risada nervosa achando que ela estava
querendo me vender o casaco com Algum papo de espírito ou lenda urbana A Mulher não parecia estar brincando mas como sou cético ignorei perguntei o preço e estava barato muito barato para o que o casaco parecia ser ela não demorou para me vender e com um sorriso meio triste me entregou o casaco dizendo você vai ver o que ele pode fazer só Tome cuidado com o que deseja paguei peguei o casaco e saí da loja sem dar muita bola para o que ela tinha dito não sabia na época mas aquele casaco seria o início do
meu fim cheguei em casa já era noite e o casaco estava jogado no banco do carro senti uma vontade estranha de colocá-lo imediatamente não sei se era Pelo frio que estava começando a fazer ou se algo me empurrava a usá-lo mas assim que entrei em casa foi o que fiz quando o Vesti algo dentro de mim se acendeu não sei se era pela sensação de calor de proteção ou se foi a cor vibrante e intensa do casaco que me fez sentir mais seguro mas aquilo me veu de uma maneira única eu nunca me senti tão
vivo a noite seguiu normalmente com uma cerveja e uma série qualquer na TV porém não demorou muito para que algo estranho começasse a acontecer comecei a sentir uma energia diferente como se tivesse mais disposição como se estivesse mais Agressivo meu corpo parecia tenso os músculos estavam mais firmes e sem querer comecei a pensar em coisas mais radicais aquelas ideias de fazer algo que eu normalmente não faria sabe como se uma força me empurrasse para o risco eu sempre fui tranquilo Sem pressa mas com o casaco parecia que o mundo estava me desafiando de repente me
vi pensando em fazer algo completamente impulsivo a ideia de sair sem motivo e provocar alguma confusão talvez vez quebrar Alguma coisa ou até sair correndo pela rua era absurda mas parecia fazer sentido como se uma voz dentro de mim estivesse dizendo faça isso vai ser divertido era como se eu não fosse mais o mesmo tirei o casaco e fui dormir mas não consegui descansar direito naquele quarto escuro com o casaco dobrado na cadeira eu sentia que ele me observava e mais estranho ainda parecia que o casaco começava a me chamar como se ele fosse uma
entidade própria não demorou muito Para que eu adormecesse nos dias seguintes a coisa foi se agravando o casaco não era mais apenas uma peça de roupa eu comecei a usar ele todos os dias como se não fosse possível sair de casa sem ele cada vez que eu vestia parecia que algo dentro de mim mudava a cada momento eu sentia uma energia crescente um desejo de tomar decisões perigosas e destrutivas coisas que eu nunca imaginaria fazer como brigar com Estranhos na rua discutir com pessoas que sempre gostei ou até mesmo sair para beber até perder a
consciência tudo parecia muito mais fácil e o casaco parecia me dar uma confiança irrestrita uma noite depois de uma briga que não fazia sentido nenhum eu saí de casa com o casaco sem pensar em mais nada e fui para um bar da cidade Quando entrei percebi que estava me comportando de forma estranha estava provocando as pessoas de um jeito que nunca faria as Palavras saíam da minha boca de maneira agressiva e eu começava lá achar graça em situações que antes me incomodariam quando uma briga quase começou eu senti uma espécie de prazer foi como se
eu estivesse no controle de tudo como se nada me atingisse eu estava perdido o casaco tinha me transformado aquela energia que ele me dava não era boa mas eu não conseguia mais parar eu queria mais e mais e mais estava como uma pessoa possuída foi em Uma dessas noites que eu comecei a ver a mulher não fisicamente mas em minha mente como uma presença uma sombra atrás de mim sempre que eu usava o casaco ela aparecia Quando eu menos esperava nos momentos em que eu me sentia mais impulsivo era uma mulher que se movia nas
sombras com os cabelos escuros e uma expressão vazia suas roupas eram vermelhas como o casaco ela estava sempre ali me observando esperando e então ela falou pela primeira vez não Com palavras mas com uma sensação uma pressão em minha cabeça sinta-se como eu comando do fogo comanda a destruição comanda a vida a partir daquele momento ela foi quem passou a me guiar a mulher da entidade a pombagira agora estava dentro de mim ela se apoderou de mim e eu já não sabia mais onde terminava Rogério e onde começava ela eu fazia coisas que nunca teria
feito eu não sabia mais quem eu era a presença dela estava em cada gesto em passo que eu Dava eu não sei se posso chamar o que aconteceu depois de fim porque até hoje eu sinto a presença dela eu continuo usando o casaco não sei o que aconteceu com a dona do brechó mas eu nunca mais a vi Será que ela sabia o que estava me entregando eu não sei mas uma coisa é certa o casaco não é só um pedaço de tecido Ele carrega consigo a força da entidade que nele é a cada dia
que passa me sinto mais distante de mim mesmo não sei o que será De mim mas o casaco e a mulher de vermelho meam agora não posso mais fugir disso eu só espero que se alguém algum dia achar esse casaco que tenha mais cuidado do que eu ti porque uma vez que você o coloca você já não é mais o mesmo e pomb gira já não quer mais te deixar ir sempre fui meio fascinado por coisas antigas não é que eu acreditasse em energias ou coisa do tipo mas gostava de imaginar a história por trás
de cada Peça de onde ela tinha vindo quem tinha usado essas coisas talvez eu até procurasse um pouco de significado nas coisas velhas mas nunca imaginei que um simples objeto poderia mudar minha vida tão drasticamente foi lá entre aquelas bancas cheias de quinquilharias que eu vi o chapéu era um Fedora Preto meio amassado de feltro com uma faixa de tecido que estava começando a desbotar Sabe aquele tipo de chapéu que você vê e já sabe que deve ter sido de alguém Importante como se o simples fato de usá-lo Já fosse carregar alguma aura de feito
o velho que estava vendendo um cara já bem idoso devia ter uns 80 e poucos anos ele tava lá sentado com a cara amarrada quase como se Esperasse que alguém pegasse aquele chapéu como se soubesse que ele tinha um destino bonito né ele disse com uma voz rouca quase como se falasse Só para si mesmo dizem que foi de um homem importante um homem que não gostava de ser esquecido Aquelas palavras ficaram na minha cabeça mas eu só brinquei é E quem seria esse tal homem ele me deu um sorriso torto mas não respondeu e
de alguma forma eu sabia que ele não estava mentindo havia algo naquele chapéu que fazia você pensar que ele tinha sido de alguém que tinha vivido muito e que de alguma forma ainda estava presente paguei uns trocados por ele bem menos do que o velho queria inicialmente Mas ele não se importou e com um aceno de cabeça ele me deixou levar na hora nem pensei muito sobre o que ele quis dizer com um homem que não gostava de ser esquecido mas à noite quando cheguei em casa meu destino já estava selado eu joguei o chapéu
na cadeira na sala como quem deixa qualquer coisa e fui tomar banho nada demais mas quando saí a casa tava quieta o silêncio estranho de quem vive sozinho peguei uma cerveja na geladeira e sentei no sofá ligando a TV E o chapé lá estava el na cadeir me encarando não sei como explicar mas parecia que ele estava olhando para mim de um jeito que me dava uma sensação estranha uma sensação de que eu não tava sozinho mesmo estando na minha casa eu tentei ignorar porque né quem não tem essas paranoias de vez em quando mas
não dava o chapéu parecia me chamar de alguma forma como se ele estivesse esperando por algo eu não tinha medo pelo menos não de verdade mas tinha algo Ali naquela peça que parecia mais que um simples acessório e sem querer comecei a me perguntar o que realmente havia por trás dele eu olhava para ele e senti uma presença pesado no ar o que aquilo significava a noite foi passando normal até que por volta das 2 da manhã o cansaço bateu fui dormir pensando que no dia seguinte eu ia dar uma pesquisada sobre aquele chapéu Quem
era esse tal homem importante mas o sono não veio rápido a Sensação de estar sendo observado me Manteve acordado por mais tempo do que eu gostaria de admitir e foi então no meio da madrugada que a coisa toda começou eu acordei subitamente não sei se foi algum barulho ou se algo no ar simplesmente mudou estava tudo escuro a única luz vinha da rua pela fresta da janela e foi então que eu senti uma presença uma sensação que te Aperta o Peito e te congela de medo eu não sei explicar como mas ele estava lá na
porta Do meu quarto parado a de um homem al vestio umap nãoa ver o rosto porque o que eu vi ali era só uma sombra EA mais Sid queris que euo era ilusão ó era euis olando era S TR da luzim não a figura não se movia só ficava ali imóvel na porta não parecia ameaçadora mas a presença era forte como se ela me estivesse observando eu tentei me mexer mas meu corpo parecia não responder era como se o medo me tivesse Paralisado tudo o que eu conseguia fazer era olhar e quando eu olhei mais
de perto eu vi que o homem Estava usando meu chapéu o chapéu que eu tinha comprado poucas horas antes nesse momento meu coração Eu queria gritar mas minha garganta estava apertada não conseguia fazer som algum E no meio dessa tensão a figura se mexeu lentamente ela deu um passo à frente como se estivesse se aproximando cada movimento parecia carregar uma Carga de energia como se o ar estivesse mais denso Foi aí que eu percebi a pior parte ele não tinha rosto não havia nada onde deveria estar o rosto era uma superfície lisa um vazio e
quando o medo tomou conta de mim eu Finalmente consegui me mexer mas ao tentar gritar a única coisa que eu consegui foi um suspiro abafado um som que não fazia sentido algum eu queria correr mas parecia que as paredes do meu quarto estavam se fechando eu não conseguia me Mover não conseguia escapar e o pior a figura estava cada vez mais perto ela deu mais um passo E então quando eu achei que não podia piorar ela falou uma voz baixa rouca como se estivesse vindo de um lugar muito distante muito antigo você me libertou aquelas
palavras ecoaram na minha cabeça eu não sabia o que aquilo significava mas o medo tomou conta de mim de um jeito tão intenso que eu não conseguia mais raciocinar Foi aí que ele avançou e tudo Ficou preto quando eu acordei algo estava muito errado o quarto estava escuro Mas diferente a luz da rua não estava mais ali como antes tudo parecia distorcido como se o tempo esse parado ou como se eu esse sido transportado para outro lugar mas ainda assim no meu próprio apartamento minha cabeça estava pesada minha visão turva e quando tentei me levantar
o corpo estava extremamente pesado como se algo tivesse me arrastado para Aquele estado levantei devagar e foi quando percebi que o chapéu estava ali na cadeira ele parecia diferente não de forma física mas no ar havia algo sobre ele como uma presença ameaçadora uma sensação de que ele não era mais só um objeto inanimado o que eu não sabia era que o chapéu já tinha começado a me consumir de uma maneira que eu não podia entender poderia ter sido o medo me enganando mas quando eu o toquei de novo aquela Sensação gelada voltou o frio
não era só físico era algo mais profundo algo que parecia entrar em minha pele em meus ossos Eu sabia que devia jogá-lo fora mas em algum ponto comecei a duvidar de minha própria sanidade eu só queria acabar com aquilo mas as palavras do velho do homem sem rosto ainda estavam na minha cabeça e agora você é meu essas palavras ficaram ecoando em minha mente o que aquilo significava eu estava começando a questionar se tinha feito Algo errado se tinha aberto uma porta que não deveria ter sido aberta algo estava ali comigo algo estava me observando
E como sempre a sombra apareceu novamente Não era mais só uma sombra era uma forma uma figura sólida que se materializou à minha frente na porta do quarto ele estava lá ele o homem sem rosto estava mais perto agora mais real mais claro não só uma sensação de presença eu conseguia ver seus contornos a altura a silhueta da sua Roupa mas o rosto continuava ausente e quando ele deu um passo à frente o ar ficou ainda mais denso eu sabia que não podia mais lutar contra isso não era só o medo era como se uma
força invisível tivesse tomado conta de mim o medo agora era maior mais palpável e o chapéu o chapéu parecia ser a chave de tudo isso eu tinha me atrevido a tocá-lo e agora estava preso eu queria fugir correr mas meu corpo não respondia estava paralisado como se minhas próprias Pernas não tivessem forças para me levar a lugar algum ele se aproximou com passos lentos e pesados e as palavras ecoaram mais uma vez mais nítidas mais afiadas você não pode fugir você me libertou agora você vai ser lembrado as palavras não faziam sentido mas eu sabia
eu sabia que de alguma forma ele tinha razão eu não era mais o mesmo eu não sabia o que ele queria de mim mas algo me dizia que eu já tinha sido marcado de uma maneira que não podia mais mudar Algo que já estava em mim um peso uma presença uma energia que eu não conseguia explicar Quando ele estava a poucos passos de mim algo dentro de mim Finalmente cedeu uma parte do meu ser queria resistir mas outra parte outra parte queria entender o que estava acontecendo que eu havia feito ao pegar aquele chapéu ao
libertar algo que deveria ter ficado escondido a figura se aproximou mais uma vez e a sensação de pavor tomou conta de mim como se minha Própria alma estivesse sendo consumida mas antes que ele pudesse me alcançar a luz começou a piscar e então tudo ficou quieto a figura desapareceu o ar antes pesado e opressor Parecia ter se dissipado como se a presença que me cercava tivesse ido embora a luz voltou ao normal mas a sensação a sensação de que ele ainda estava ali observando nunca me deixou quando Finalmente consegui me mover não sabia se ainda
estava sonhando ou se realmente tinha Acontecido o chapéu estava de volta à cadeira mas naquela noite eu não consegui dormir o medo ainda estava ali mais forte do que nunca o homem sem rosto não me deixou ele não precisava aparecer mais eu sabia que ele estava lá na sombra esperando assistindo e a cada dia a cada hora ele estava mais perto de mim não havia mais como escapar Porque por mais que eu tentasse o chapéu o chapéu nunca me deixou eu passei a perceber ele em tudo nas sombras nas Esquinas nas ruas à noite eu
não sabia mais distinguir onde terminava o mundo real e onde começava o que ele havia trazido comigo o homem sem rosto estava me acompanhando mesmo quando eu não o via ele me olhava de longe esperando que eu fizesse algo e por mais que tentasse resistir Eu sabia que a cada dia que passava eu estava ficando mais perto de me tornar parte dele eu era apenas mais um pedaço do que quebra-cabeça que ele havia começado a montar e eu não sabia Como sair o chapéu ainda estava lá sempre ao meu lado sempre me lembrando que eu
não estava sozinho e mais assustador ainda era que eu sabia que quando ele quisesse o homem sem rosto voltaria para me levar se você gostou desses relatos não se esqueça de deixar seu like comentar o que achou e se inscrever no canal para não perder nenhuma história Ah e se você assistiu até o final deixe um emoji de fantasma nos comentários assim eu saberei que Você é um dos Corajosos que enfrentaram as histórias até o fim e se quiser fazer parte da nossa comunidade e ter acesso a benefícios exclusivos torne-se membro do canal isso fortalece
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