[Música] então a gente morava de graça não pagava aluguel não pagava água não pagava força no tempo de moço a gente vivia só em Carioba a gente tinha Clube tinha eh Campo futebol tinha quadra então a gente não precisava sair de Carioba a gente passou a mocidade lá né Eh tudo que era feito namoro tudo foi tudo em Carioba gente era autossuficiente não precisava inclusive os outros iam pra cariola né as outras pessoas iam para lá para se divertir Ana tinha de tudo tinha Armazém tinha farmácia tinha padaria tinha um senhor que a gente chamava
de Zé fogo que era como se fosse um médico mas a turma morria de medo das injeções dele e tinha sog tinha dois bares tinha Hotel tinha barbearia então tudo que a gente precisava tinha ali cinema que nós ia todos os dias o asfalto também foi feito da primeiro da América Latina né que foi feito que em Carioba era assim era a rua do bambu que era um paraíso né pra gente passear no final de semana né dar uma volta e assim não podia entrar pessoas estranha A não ser que passasse na cancela e asse
a pessoa lá então aí você poderia passar na cancela e ir na casa do seu parente ao contrário você não entraria no bairro era família não tinha esse negócio de de um brigar com o outro nada era uma santa paz mesmo poderia deixar assim bicicleta assim na porta assim da casa no outro dia tava do jeito que deixou a gente saía só encostava a porta ninguém entrava ninguém mexia nada era todo mundo muito amigo o que acontecia lá em cima chegava rapidinho lá embaixo e vice-versa porque era assim o povo era muito comunicativo e quando
chegava uma pessoa estranha na casa de alguém a gente também sabia que tinha alguém estranho lá perigo não tinha perigo não existia meus pais falam que o abidala foi um bom patrão que n no final de ano ele cumprimentava um por um dos funcionários entregava um corte de tecido na mão de cada um me cumprimentava precisava de um vale para comprar tal coisa buscar ou ele iam levar na minha casa eles eram assim ajudaram muito mesmo os patrão de Carioba eles faziam um churrasco no campo de futebol que tinha lá e a gente ia participar
tinha banda tinha Coreto a banda tocava e muitos falam que é o sistema paternalista né o patrão tomava conta mas funcionava perfeitamente bem né era uma família entãoo todo mundo brincava I no Jardim que tinha o busto dos milas brincava ali de peteca brincava de vôlei Ah então eu lembro que assim no Dia das Crianças a gente ia no campo né aí tinha cachorro quente aquelas guaranazinho caçulinha para todo mundo pipoca era muito gostoso e a gente frequentava os bailes que tinha lá né era assim cada 15 dias ou uma vez por mês tinha baile
a gente frequentava e você não tem ideia do número de pessoas que vinham de Americana para lá pro pro baile em junho tinha as festas lá em Carioba que já começou naquele tempo e ainda continua festa de Natal e final de ano a gente pegava a panela a gente pegava a panela ia tocando a panela batendo panela de porta em porta para desejar um feliz Natal pra família Então unia tudo sabe a parte ruim né que foi destruiu que a gente fez uma comissão para tentar eh salvar o bairro então Eh veio uns uns uns
estudantes de São Paulo que estavam fazendo um o TCC deles né então eles incitaram vamos dizer assim a gente fazer um movimento então a gente fez um movimento na igreja mas poucas pessoas participaram né a pessoa o o pessoal tinha eh tinha medo porque estavam recebendo tal da indenização que o o patrão pagou pras pessoas saírem né E então tinha medo de parar de receber então poucas e o pessoal não acreditava mais [Música] né [Música] muito triste nós viemos para cá quando terminou a construção aqui que foi tudo feito com o material que era de
lá foi feito essa casa quando nós viemos para cá Ninguém queria vir meu pai falou vamos arrumar mudança que tem que sair eles estão pedindo para sair da casa todo mundo chorando todo mundo arrumando as coisas para vir para cá e foi assim um ano terrível para nós foi horrível horrível a minha mãe sentava na janela ali ficava o tempo todo chorando porque muita saudade quando passava quando vinha o Natal final de ano na cabeça da gente a gente nunca ia sair de lá a gente imaginava assim que todo mundo ia morar em carba para
sempre essa é a verdade na nossa cabeça era assim a gente nunca vai sair daqui esse bairro é maravilhoso deixaram derrubar tudo né o poder público deu uma um suporte e hoje né Hoje tá tudo abandonado tá tudo invadido por pessoas que nem né não sab nem o que aconteceu lá e motivo político colocaram todo mundo lá tão invadido lá né tá tá invadido então você não pode chegar no nas ruínas na na nas casas lá porque você é ameaçado se você for lá ver a pessoa ameaça você você não pode chegar lá perto tá
deteriorando tá sendo construído coisas lá que não não sei como que pode estão construindo coisa anexo no nos prédios que era que seria um para ser restaurado né e eu fui passear um pouco lá onde nós moramos porque as casas que eu morei ainda existe mas tá Caino os pedaços mora pessoas lá mas tá assim Detonado e a minha maior decepção foi quando há 4 anos atrás eu fui dar uma volta lá e eu vi a usina depredada sabe Levaram tudo os maquinários tudo eu fazia piquenique com as minhas filhas lá então levava elas passear
lá e eu tenho a minha filha mais velha fala assim nossa mãe eu queria ter vivido esse tempo de vocês porque vocês realmente tiveram uma infância e uma Adolescência maravilhosa de vez em quando eu vou para lá viu eu vou para lá e passeio lá realmente tá muito feio é perigoso nós fazemos reuniões hoje pra gente se rever a gente precisa né Não tenho coragem de ir mais em Carioba Dói muito dói muito dói muito demais a saudade é demais de ver do jeito que era E hoje como está né