Colocar aqui a gravação, sempre importante para nós. Então, vocês viram que hoje, né, não sei se vocês todos receberam o nosso calendário, mas a ideia hoje é que a gente faça a nossa aula inaugural da pós-graduação. Então, a gente tem aqui um convidado muito especial que é Antônio Prado. Eu vou apresentá-lo adequadamente, mas em primeiro lugar eu queria, a gente já bater um papo aqui, né? já ficou Falando do nosso eh rebuliço internacional e do causo das cidades aqui também. Nós somos de muitos lugares do Brasil. O Prado viu o perfil de vocês. A gente
também vai analisar um pouco o perfil da turma na quarta-feira. Mas eu queria dizer que é um grande prazer começar a 12ª turma de economia eh e trabalho da nossa pós-graduação já tão tradicional aqui na escola de senso do trabalho. Para nós é sempre um dia de celebração, de festa, né? eu, Eliana, o Pessoal da secretaria, a gente fica super emocionado sempre, porque tanto a nossa graduação quanto os nossos cursos de pós-graduação e as atividades extensionistas da escola eh tem tido uma vida ativa, enfim, tem sido efetivamente a realização de um sonho, né, da construção
de uma escola de trabalhadores para os trabalhadores. Então, que tem uma proposta pedagógica que por si só é transformadora, né? Vocês sabem que o ensino superior eh no Brasil sempre foi um privilégio de elites, né? Gente, até os anos 80 não tinha sequer 1 milhão de pessoas eh em universidades no Brasil, então pouquíssimas pessoas efetivamente ingressavam eh nas universidades. E quando a gente fala de educação superior, pós-graduação e da construção de uma escola que não só abriga, né, a classe trabalhadora, então com todas as nossas especificidades, com as dificuldades com tempo, né, que a Maioria
da classe trabalhadora tem, nós todos aqui estamos sempre pressionados, né, em diversas atividades, mas abrigando também eh uma pauta e uma agenda de transformação social pela nossa ótica. Então isso é muito diferente também do fazer ciência, do construir conhecimento que se faz nas universidades mais tradicionais. Claro que nas universidades tradicionais eh do nosso país, inclusive as que têm constituição Mais elitista, há grandes intelectuais que são nossos parceiros, né? Nós, eh, felizmente temos contato com a Unicamp, com a UFRJ, com a UFEBC, que inclusive está conveniando com a gente nesse momento, eh, com a FESP, que
é uma faculdade também bastante tradicional aqui de São Paulo, privada, mas o professor Prado é membro do conselho da FESP, também sou professora lá. Óbvio que nós temos as nossas pontes porque há intelectuais críticos em todos esses Lugares, né? Mas a gente sabe que a função geral das universidades no Brasil era um projeto pensado para as classes dominantes. Então a nossa escola, né, não sei se todos vocês conhecem o projeto da escola do Jez. Jaz fez 70 anos em 2025. Então, o GZ enquanto eh um espaço de pesquisa, de produção de conhecimento com rigor técnico,
mas sempre sob a ótica da classe trabalhadora, já completou 70 anos. Mas havia um sonho Dos fundadores eh dessa casa de constituir efetivamente uma universidade dos trabalhadores e claro, né, por todas as tensões políticas, expressões também de ordem financeira, esse sonho foi sendo postergado. E aí, finalmente, né, nos anos 2000, a gente conseguiu, eh, fundar essa escola, um curso de graduação e pós-graduação. Continuamos fazendo os nossos cursos de formação sindical, de extensão universitária. Isso a gente já fazia, Né, há muitas décadas. E nos últimos tempos, né, com a formalização, claro, sendo um projeto muito experimental,
né, com a nossa graduação em ciências do trabalho, bacharelado interdisciplinar em ciências do trabalho, que traz eh além, né, dos conhecimentos no eixo trabalho, também um eixo linguagem, um eixo artes. Acho que o pessoal que fez graduação aqui conhece, mas tendo uma formação humanista muito completa e também, né, a Nossa pós-graduação de conteúdo bastante crítico, a gente sempre teve muito medo de como seria essa institucionalização, como seríamos avaliados. E hoje, né, nós somos uma faculdade com nota máxima no MEC, como poucas das grandes privadas aqui eh na região de São Paulo conseguem. PUC São Paulo,
sim, Maquenze, sim, mas são poucas as universidades que têm esse conceito máximo. Então isso nos dá muito orgulho, né? sem abrir mão do nosso projeto, sem Abrir mão de uma metodologia e de uma pedagogia crítica transformadora, porque vocês vão ver nas nossas aulas que eh não existe essa escola sem a participação de vocês, que nós aqui, enquanto docentes, enquanto coordenadores, construímos um espaço, óbvio, né, de mediação com relação ao conhecimento, de auxílio, mas valorizando o que vocês trazem de bagagem, o que vocês trazem de repertório. prévio para justamente o Fazer dos trabalhadores na sua realidade
seja, digamos, traduzido para uma linguagem acadêmica e legitimado, né? Porque os trabalhadores sempre tiveram conhecimento, sempre foram produtores de conhecimento, apenas tinham sido desautorizados, né, nos seus saberes. Então, é um pouco essa a nossa concepção. Eu tenho muito orgulho, sempre, espero não me decepcionar com essa turma, mas de dizer que a gente tem o EAD mais participativo do Brasil. Eu Dou aula em pós e em vários lugares, na FESP, na FIA, eh, enfim, já dei aula em outros lugares. E aqui no Jazz a gente tem um diferencial que é a participação. Muitos dos lugares a
gente eh com o EAD acabou perdendo muita qualidade pedagógica, muito da troca. E aqui vocês vão ver, né, a gente garante o funcionamento de grupo de WhatsApp. Eh, há plantões para quem tá aqui em São Paulo, para quem eventualmente eh passe, né, porque tem alguma Atividade aqui na região, mas a gente sempre tá disponível também por telefone, para todo tipo de interação, para que cada um e cada uma de vocês tenha um acompanhamento individualizado e mais afetivo possível. E mais do que isso, o próprio grupo, né, de colegas, eh, que aqui se constitui, acaba também
sendo responsável pelo acompanhamento. Então, é muito comum que a turma fale: "Olha, tal colega não tá vindo, vamos ligar para ele, vamos mobilizar para que Ninguém desista, né? O percurso não é simples, ele é pesado, ele tem muito conteúdo. Essa pós é uma pós de muita qualidade, uns professores que vem são muito preparados, então eh demandam um esforço da gente, mas existe um diferencial que é essa coletividade, uma ajuda mútua, não competitiva, muito cooperativa, uma forma de conhecimento que é democrática, então que nos estimula, né, a tá sempre aqui, não só por nós, mas Pelos
colegas também. E quase sempre eu como coordenadora, tenho que brigar para as pessoas pararem a aula. Toda aula de pós-graduação acaba sendo um pouco eh desanimada no geral. Nas outras universidades as pessoas ficam com a câmera fechada. Aqui a gente tem o nosso acordo que sempre há um esforço de câmera aberta, de fugir das distrações. A nossa cabeça tem sido muito demandada, né, pra gente ficar aqui na tela, mas também ficar olhando Instagram, notícia, outros temas de trabalho. Isso faz muito mal pro nosso cérebro, né? Isso acaba com as nossas capacidades de memória, com as
nossas capacidades de concentração. Provavelmente as nossas gerações vão ter um envelhecimento muito pior, né, por causa dessas condições. tá? Que a gente também faz um esforço de tentar baixar um pouco a nossa agitação cotidiana e se dá o direito de tá aqui, de estar presente, de abrir a câmera, Porque isso nos ajuda também a não ceder, né, as as tentações das telinhas pulando, que tudo isso é muito bem calculado, né, para nos chamar atenção o tempo inteiro e não permitir que a gente eh preste atenção em mais nada. E também porque no fim das contas
é uma sala em que todo mundo fala. né? Elisa até eh dá risada, eu falo, gente, a gente sempre tenta fazer um acordo com os professores de não alongar muito, né, de até 9:30, 9:40, apesar do nosso Horário oficial ser até 10:40, mas eu acho que é muito tempo de tela. E aí eu entro na sala, falo: "Ué, por que que o professor tá demorando, né? Não desliga a sala e eu entro". Não é culpa do professor, são os alunos que tão Não, mas eu qu tá perguntando. Então isso é muito legal assim, né? Acho
que a gente tem esse espaço de interação. Vocês vão ver que esse investimento na metodologia e eh no no na aproximação de vocês também, na autorização de vocês enquanto Fazedores de conhecimento, produtores de conhecimento, eu acho que é o que fica como grande saldo aqui da pós, né? Quero que vocês aprendam os conteúdos, mas sobretudo quero que vocês fazendo essa pós-graduação, se autorizem e se reconheçam como produtores de conhecimento, como pessoas que têm muito a dizer, como pessoas que têm muito a produzir via escrita, via vídeos, que seja, mas que tem ideias que precisam ser
circuladas. Acho que é isso. Nós Vamos ter ainda muito tempo para discutir todos esses aspectos pedagógicos, metodológicos para conhecer a turma. Eh, principalmente na quarta-feira. também a gente vai conhecer a equipe da escola. Portanto, hoje, eh, eu proporia, aproveitando a presença do nosso querido Antônio Prado aqui na sala, que a gente se concentrasse em usar o nosso tempo com o Antônio Prado, então dedicar o Tempo à aula inaugural e que no momento das interações vocês se apresentem, né? Muita gente aqui já se conhece, mas quem for pegar a palavra, se apresente. E na quarta-feira a
gente vai ter um tempo maior também para se conhecer, para contar um pouco da nossa trajetória. Mas hoje, se vocês estiverem de acordo, eu já passaria a palavra pro nosso querido Antônio Prado. Pode ser assim? Ah, tem mais uma coisa que eu esqueci de dizer. Hoje não está toda a nossa equipe Aqui da escola. Elas vêm na quarta-feira, né, a maior parte. Mas nós estamos em duas aqui na equipe. Sou eu, professora Bárbara, esqueci de me apresentar, né, porque sou a Bárbara Valjos Vasque, sou doutora em desenvolvimento econômico, sou professora aqui na escola de Jésia,
coordenadora da Pós, eh, professora na FESP, também professora visitante na Universidade de Castilha La Mancha. Enfim, a gente faz aí um monte de Atividades. Sou eh secretáriaagal da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho, a gente vai se conhecendo, né? Eh, e tem aqui uma querida ex-aluna, eh, também especialista em economia do trabalho aqui pela escola de economista também pós-graduada pela Unicamp, né, na em sindicalismo e trabalho na lá no CESIT, que é a Elisa Figueiredo, que é a nossa monitora aqui na turma. Vai ser muito importante aqui pro acompanhamento da turma, tá? Tá aqui com
a gente já há Muitos anos, enfim. Então, sem mais eh enrolações, eu vou apresentar professor Antônio Prado para vocês. Antônio Prado é ex-secretário executivo adjunto da CEPAL, da comissão eh econômica paraa América Latina. Antônio Prado, economista brasileiro, assumiu como secretário executivo adjunto da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe, a CEPAL, em primeiro de novembro de 2009, sendo Designado pelo secretário geral das Nações Unidas. Durante grande parte de sua carreira profissional, especializou-se em análise das mudanças tecnológicas na indústria e seu impacto no desenvolvimento econômico no mercado de trabalho e nas relações industriais do Brasil.
previamente a esse cargo, eh, desempenhou-se como, eh, chefe de assuntos governamentais da presidência do Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico Social do Brasil, o BNDS, onde dedicou-se a analisar políticas anti-inflacionárias e de desenvolvimento. Foi assessor do líder da bancada do governo no Senado Federal do Brasil. foi conselheiro da Agência Brasileira para Promoção de Exportações, a APEX, da Agência Brasileira para o Desenvolvimento da Indústria, ABDI, e do Centro Celso Furtado, entre outras instituições. Foi mesa eh foi membro da mesa diretora técnica e encarregado da divisão de pesquisas do Jez, um centro de pesquisa sobre assuntos do
trabalho no Brasil. ali elaborou pesquisas estatísticas sobre o custo de vida, emprego, eh, e estudo sobre a distribuição de renda, assuntos raciais e de gênero, planejamento estratégico, mudanças industriais e macroeconomia. No Jés responsável por tudo, basicamente, né? Nos anos 90 coordenou o trabalho de Pesquisa com o Conselho Nacional para o Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia e realizou estudos inovadores sobre gênero raça no mercado de trabalho das áreas metropolitanas do Brasil. Foi professor da Universidade Católica em São Paulo e do Instituto Rio Branco, do Ministério de Relações Exteriores do Brasil. Possui mestrado em economia industrial e
doutorado em política econômica para o desenvolvimento pela Universidade Estadual de Campinas, tendo Publicado livros e colaborado com artigos para imprensa especializada do Brasil. Bom, vejam que é um currículo gigante e ainda há muito mais. atualmente para do além de membro do conselho da FESP aqui, a Fundação Escola de Sociologia e Política também eh membro do Corecom São Paulo. E aí eu deixo para ele contar um pouquinho mais da trajetória. Prado é um dos nossos notáveis que saíram aqui do jazz. Sempre uma figura que nos deixa assim cheio de Orgulho, também nos inspira muito, além de
ser uma pessoa muito benquista, muito querida aqui no JAZ por todas as outras qualidades. Então, Prado, obrigada por estar aqui e passo finalmente a palavra para você. Bárbara, muito obrigado. Palavras muito gentis, né? Agradeço muito. Eh, você listou aí a minha a minha biografia até a CEPAL, né? E eu depois da CPA, eu fiquei 8 anos na CEPAL, como eu era o a segunda autoridade, né, da da CPAL. Eh, e depois eu fui para Roma paraa FAL, né? Uhum. >> Eh, trabalhar com o Zé Graziano, que era o diretor geral da FAL na época, né?
E assumi lá na FAL a diretoria de políticas sociais e instituições rurais, né? E então eu tive essa essa experiência nas Nações Unidas, não é? Depois de ter tido uma grande experiência no próprio Jés, eu trabalhei 23 anos no Jés, um período longo, não é? Eh, e passei depois por várias instituições, como você disse, né? Hoje eu sou o vice-presidente do Corecon São Paulo, né? eh coordena o Instituto, eh, aliás, coordeno a Associação Brasileira de Economistas pela Democracia e sou membro do Instituto Fome Zero Também, né, além de estar lá na na sociologia e política,
não é? Eh, no Conselho Superior e também no Núcleo Brasileiro de Estudos Estratégicos, né, que eu coordeno ali, né, sou curador, hoje em dia se chama de curador, né? Eu sou curador do tema de neoindustrialização e política industrial e tenho realizado uma série de de seminários sobre o tema. E eu já convido todos e todas vocês a acompanharem esses seminários. Eles são Muito interessantes, enriquecem muito. Dia 9 de março agora nós vamos ter outro especificamente sobre experiências internacionais sobre política industrial, né? Então acho que vale a pena. tem dois especialistas em China na nesse debate,
não é? Então, acho que vale muito a pena. Eh, e Bárbara, eu eh eu me sinto muito honrado eh desse convite, né? Eh, e também da de ter participado da história do Dés durante tanto tempo, né? Eu vou conversar com Com vocês hoje sobre um tema eh que eu comecei a desenvolver eh ainda na CPAL, né? Eh, o período que eu fiquei na CEPAL, nós publicamos eh quatro documentos de posição. A CPAL elabora esses documentos de posição de dois em dois anos eh e apresenta aos Estados membros, né? Quando eu saí da CEPAL, eram 50
Estados membros, né? Uma instituição eh grande, não é? Eh, e Esses quatro documentos de posição todos eram sobre o tema da igualdade, né? Eh, um resgate muito importante na história da CPAL, não é? Eu quando fui para CEPAL, né, eh, a sugestão que eu recebi, né, eh, dos companheiros que me apoiaram para ir para CPAL, foi de resgatar um pouco a a história, né, eh, do pensamento cepalino. Claro que atualizando para momento eh atual, né? Então, resgatar o tema da igualdade, né, é uma coisa muito Significativa que ter sido abandonado, né, eh, a mesma coisa
em relação a a planejamento, em relação à política industrial. durante muito tempo, eh, era proibido falar de política industrial eh nesta instituição, lamentavelmente, porque foi uma instituição que justamente eh explicava lá nas suas origens o desenvolvimento da América Latina, né, a partir da do processo de industrialização, né, identificava com a Industrialização como um elemento fundamental necessário pro desenvolvimento da América Latina no Caribe. Então, vocês imaginam que significa isso eh para uma instituição, né, deixar de falar sobre política industrial, né, sendo este tema um tema eh crucial, chave, né, para a instituição. Mas isso são os
os efeitos do do neoliberalismo, né, da ideologia neoliberal. e que não foi só no Brasil Que nós tivemos eh ministros dizendo que a melhor política industrial era não ter política industrial, não é? Ou de que o planejamento só distorcia o funcionamento do mercado, gerava ineficiências, etc., né? Então, eh, esse era o, vamos dizer, o contexto que nós recebemos quando assumimos aí a a CEPAL e resgatamos esse tema da igualdade, né, com esses quatro documentos, né, o primeiro foi a Hora da igualdade, né, foi lançado aqui no Brasil no último ano do do dos primeiros dois
mandatos do Lula, foi em 2010. né? Um documento muito interessante, eu acho que vale a pena vocês lerem, né? Eh, e o outro, mudança estrutural para a igualdade, não é? É uma excelente análise sobre eh política industrial, política macro para desenvolvimento, políticas sociais, era bem bem abrangente, bem interessante, né? um outro que era sobre pactos sociais para a igualdade, na medida que a gente sabe Que políticas de igualdade eh necessitam eh de apoio, né, e de alianças políticas para que para que se possa eh realizar. Precisa de base social para fazer isso também, né? E
base política eleitoral, evidentemente, né? E o último foi sobre o big push ambiental, eh, e igualdade, né, que é um tema muito contemporâneo, muito muito importante, né, no lançamento do segundo documento, né, esse mudança estrutural para a Igualdade, eu acho que entrou alguma coisa aqui que vocês, eu não sei se vocês estão ouvindo, mas eu estou ouvindo. Não, paraa gentear não deveria estar. Espera só um pouquinho, deixa eu. >> Tá bom. Oi. Eh, entrou uma coisa no YouTube. Bem, eh, o, no segundo, no lançamento do segundo documento, que é o mudança estrutural para igualdade, né,
que foi feito no Peru, né, houve um debate numa das mesas, eh, em que a, a embaixadora da Noruega, que estava presente, né, comentando o documento, falou uma coisa interessante que ele falou: "Olha, porque na Noruega nós temos uma cultura da igualdade, não Não é? Eu achei interessante quando eu fui comentar, falei: "Olha, eh, realmente é uma coisa muito positiva, é um país que tem uma cultura da igualdade na América Latina o que nós temos é uma cultura de Privilégios, né? É justamente eh o contrário, né, da cultura da igualdade. E a partir daí nós
começamos a a explorar mais na CEPAL, né, o tema da cultura dos privilégios, né? Eh, e esse é um tema interessante porque a análise da da CEPAL, né, é uma análise eh históricoestrutural, né? Então, se nós formos olhar, né, a o tema da desigualdade no Brasil, a partir da perspectiv perspectiva cepalina, né, Nós estaremos olhando o quê, né, eh, a história eh do do Brasil, né, e as mudanças estruturais fundamentais ocorridas nessa história do Brasil, né? Então, são esses os grandes determinantes. Então, olhando a história do Brasil, um grande determinante, né, são os 350 anos
de escravização de índios e negros no Brasil, né? Isso é um elemento histórico, né, e que eh penetra nas relações sociais de forma eh significativa, né? Eh, isso já foi Analisado por muitos sociólogos brasileiros. Quem vem analisando isso recentemente, eh, com alguma, eh, eh, tendo alguma visibilidade pública, vamos dizer assim, é o GS Souza, né, que que tem escrito sobre isso, né, com todas as críticas que possam se fazer ao trabalho dele, mas ele levantou o tema eh novamente deu visibilidade a ele, né? Então esse é um elemento eh da história que nós temos que
ter presentes quando nós pensamos eh Brasil, né? 350 anos de escravização de índios eh e negros, né? Isso é fundamental, né? Eh, o segundo elemento que uma análise tipicamente cepalina faria, né? é o fato de nós nunca termos tido uma eh reforma agrária profunda no Brasil, né? Pelo contrário, quer dizer, nós tivemos a lei das terras que bloqueia, né, a possibilidade eh de uma de uma reforma agrária, né, ou de ocupação de terras, né, eh como foi feito nos Estados Unidos, em que isso Foi eh mais aberto do que houve aqui, por exemplo, né? Então,
nós não tivemos uma reforma agrária e se manteve uma estrutura fundiária muito concentrada, né, eh, e muito, eh, plena de de privilégios, ela ela é uma fonte muito grande de privilégio, né, até hoje, né, se a gente for olhar o que ocorre, né, nesse setor. Então, essa é uma outra dimensão importante, né? Eh, a outra é a industrialização tardia brasileira, né? Eh, a industrialização Tardia brasileira, eu ela tem algumas características específicas, mas uma característica é que ela se concentrou na região sudeste do país, né? Então aí nós já temos uma questão territorial significativa que já
estabelece desigualdades territoriais eh eh importantes, né, dentro do país, mas também eh ela faz com que haja uma uma eh uma diferença de tecnologias, de safras tecnológicas Convivendo ao mesmo tempo, né? eh que gera produtividades muito distintas dentro de cada setor e entre setores. E o que a CEPAL chama de heterogeneidade estrutural, tá? Eh, isso seria, vamos dizer, de uma forma muito rápida, né? O que a CEPAL estaria faria para analisar, né, um processo de de desenvolvimento com o brasileiro, não é? E vocês podem ver com eh com muitas obras, principalmente a de céus furtado,
vocês vão ter eh isso eh melhor aprofundado Até do que os os cepalinos de origem, né? Ele ele contribuiu muito com essa análise, né? Agora, isso seria objeto de um de uma outra aula, né? Eu não tô aqui tratando eh dos elementos históricos estruturais eh estrito senso, né? Eu tô aqui tratando do que nós chamamos da cultura dos privilégios no Brasil, né? E por que que é importante, né, além de analisar, né, pela dimensão histórico estrutural, fazer uma análise que inclui esses elementos que são mais Antropológicos. eh, culturais, sociais, né, eh na nossa análise, porque
basicamente, né, a a cultura dos privilégios, eh, ela trabalha no sentido de naturalizar a desigualdade, né, de reproduzir, né, eh, o mesmo contexto social da desigualdade, né, eh, e por que que é cultura? porque ela se expressa, né, eh, elas se expressas nos símbolos, nas crenças, nos usos de Costumes, eh nas instituições, né, até na linguagem, né, eh, que nós utilizamos, né, eh, é muito comum, eu ouvi isso muitas vezes ao longo da vida, em várias situações, por exemplo, aquela coisa de, eh, Eh, eh, quem pode manda e quem não pode obedece, né? Quem tem
juízo obedece. Eh, você tem várias frases, né, que fazem parte do do nosso cotidiano, né, essa coisa de chama chama o você chega no posto gasolina, vem lá o frentista Assim, ô doutor, ô chefe, né, ô bacana, né, isso são é é já exatamente a a cultura do privilégio se expressando a partir da linguagem eh cotidiana, né? né? Isso naturaliza o privilégio, né? Eu tive a oportunidade de de viver na Europa, né? Eh, esse tipo de eh de tratamento que é muito comum no Brasil, né? Não se não se acha na Europa, não é nada
eh que seja parte do cotidiano, né? Claro que existe uma uma estrutura de privilégios também, né? eh, mas eh não Está tão profundamente arraigado, né, nas relações sociais, né? Então, acho primeiro importante isso, né? Por que olhar paraa cultura dos privilégios? Porque ela tem um papel relevante nação da desigualdade, na naturalização da da hierarquização eh extrema da sociedade, né? eh, e até naização da discriminação, né? Então, nós temos ter que ter um um olhar, né, bastante eh Afiado em relação a esse tema, né? Eu vou eh trabalhar um pouco, né, eh para com algumas com
alguns pontos com vocês, né? Eh, esse material que eu vou apresentar para vocês já é o desenvolvimento de um trabalho que eu fiz com um grupo muito bom, não é? Eh, eh, para o Instituto Lula, né? E em que nós tratamos especificamente desse tema, entrevistamos nomes de grande eh influência, né? jurista Pedro Serrano, um sujeito excelente, né? Eh, a o o Beluso, o João Manuel Cardoso de Melo, que estud estuda muito esse tema, né? Eh, Leonardo Bof e sindicalistas, né? Eh, que que participaram também dessa, eh, dessas entrevistas, né? E e a partir desse trabalho,
eh, nós desenvolvemos uma tipologia, né, que eu já vinha trabalhando, continuei desenvolvindo, desenvolvendo com esse grupo e agora vou apresentar um pouco a evolução desse trabalho, né, eh, para Vocês aqui. Primeiro ponto de que nós temos que tratar, tratar é o que nós chamamos de privilégio hereditário, não é? Por que discutir privilégio hereditário, né? Eh, primeiro porque tem uma relação direta, né, com a falácia da meritocracia. Nós ouvimos muito o o debate sobre meritocracia, né? E e sabemos que isso é uma falácia, isso É uma algo que faz parte da ideologia eh neoliberal, né? Eh,
não tanto por causa do método de seleção de pessoas em atividades específicas, não é a questão do método, né? A questão principal aí é atribuir ao indivíduo, né, a responsabilidade pelo seu sucesso ou fracasso social, né? Esse é o ponto principal. É assim, assim, olha, eh, aquele que fracassou porque não tinha capacidade, né? fracassou porque não estava Preparado, fracassou porque não estudou o suficiente, não é bem? Eh, isso é penalizar, né, o indivíduo por algo que é determinado socialmente, né, que não está sob controle apenas dele, né? Então, esse debate aqui é um debate muito
delicado, né? Eh, porque nós estamos hoje vivendo eh num num país em que a teologia da prosperidade tá muito presente, né? Então, as pessoas não, mas olha, eh o esforço tem que ser tem que ser premiado, né? Isso até uma coisa que está acima da própria relações materiais terrenas, é uma coisa também de algo, um reconhecimento divino, né? dessa, desse esforço, desse trabalho, etc. Bem, a questão nova, mais uma vez, não é? A questão não é essa diretamente. É evidente que quem se esforça, né, eh você deve reconhecer esse esforço, né? Não há nenhuma dúvida
em relação a isso. O que existe é o seguinte, este esforço poderia ser potencializado, né, se fosse e realizado em uma sociedade, né, em que cada um tem um ponto de partida semelhante para os seus eh processos de mobilidade, né? Essa aqui é a questão, porque uma eu recentemente eh ouvindo um debate, né, alguém lembrou que na época da ditadura no Brasil, né, as escolas de medicina públicas tinha lá O que eles chamavam de cota dos fazendeiros, né? Que que era isso? era cota dos filhos dos fazendeiros, que de alguma forma conseguiam entrar nas universidades,
principalmente nas escolas de medicina, né, com esta influência política, né, eh, dos fazendeiros, né? Ora, eh, isso é uma coisa que tá diretamente ligada a uma questão hereditária. O, né, o meu pai é fazendeiro, é rico, Etc., tem influência política e ele de alguma forma consegue facilitar a minha entrada numa escola de medicina, né? Eh, isto existe em muitos países, né? Eh, o nos Estados Unidos é muito comum que o existem doações milionárias para as escolas. Geralmente os filhos desses milionários que fazem doações, né, entram nas escolas, né, eh, com mais facilidade que os outros,
né? Então, quando nós estamos falando de privilégio hereditária, nós Vamos dizendo o seguinte: "Olha, eh, o indivíduo, né, tendo possibilidades, né, que não dependem da sua capacidade específica, por mais capaz que seja, mas depende, né, da sua origem, né, depende do ambiente em que ele foi criado, né? Eh, outro exemplo muito muito fácil de dar, né, do privilégio hereditário na política é muito comum, né, existem famílias inteiras, né, eh, que dependem de uma linhagem, né, de políticos, Né, não é porque é um em si um grande político, né? Aliás, nós temos visto vários herdeiros políticos
que são medíocres, né, eh, mas que acabam, né, podendo prosperar eh na política, não porque tenham assim grande capacidade eh ou alguma visão própria, rica, eh que lhe que lhe eh permita, né, ocupar esses espaços não é simplesmente porque faz parte de uma família, né, em que essa família acabou criando um nome, né, eh, em torno, eh, do de um patriarca Qualquer ou de uma matriarca, não é são só patriarco, mas geralmente são patriarcas, né? Eh, então, bem, o exemplo mais gritante, evidentemente, neste momento, é a família Bolsonaro, né? assim, eh, o o Bolsonaro não
é especificamente, né, nenhum gênio da política, né, eh, mas ele conseguiu aglutinar em torno dele, né, eh, uma um movimento reacionário, né, que tem substância eh política e eleitoral e os Filhos deles se beneficiam disso e eles não são eh para necessariamente nenhum deles é muito brilhante, né? A gente conhece e pode ver, mas é tem outros exemplos que a gente poderia dar. Vou dar esse porque é o mais imediato, o mais visível, né? Mas isso ocorre também eh não apenas na política, isso ocorre também em vários eh setores do Estado brasileiro. Eh e enfim,
ah, eu lembro que quando eu fui professor da da do do Rio Branco, né, e fui convidado pelo Embaixador Samuel Pieiro Guimarães, que já faleceu, né? Eh, e qual era a preocupação do Samuel, né, quando ele me convidou, eu falei: "Olha, eu quero alguém com uma visão diferente sobre economia, né? Não essa visão aqui convencional, né? Eh, e naquela época estava tendo um esforço muito grande de trazer pessoas de vários segmentos sociais para dentro do Itamarati, porque Itamarati, né, também é uma escola, é uma uma instituição, né, que a a o Hereditário pesa muito, né,
o sujeito é embaixador hoje porque o pai foi embaixador, o bisavô foi embaixador e assim por diante, né? mesma coisa acontece no meio militar, acontece eh no meio jurídico, enfim, em várias instituições. Então essa essa questão do privilégio hereditário, né, é muito séria, né, que nós temos que ter muita atenção em relação a isso, né, eh, e é diretamente algo, né, que colide a ideologia da da Meritocracia, né? Então nós temos que ter esse elemento, né, que é eh que é importante, né, e é justamente esses privilégios hereditários que que justificam uma série de políticas
sociais, mas depois nós podemos debater isso mais adiante, né? Tem um segundo privilégio que eu acho bastante relevante, né? Eh, isso vem muito da escola francesa de de sociologia, do Bodrilar, né, Burdier, eh, e outros, né? Eh, também tem alguns inglêses, mas, eh, o Daniel Bell, que trata esse esse tema também, que é o chamado privilégio estético, né? O privilégio estético e talvez seja um é um privilégio que pode ser muito sutil às vezes e muito brutal outras vezes, né? Depende da perspectiva que você vê, né? O que que é esse privilégio estético, né? Esse
privilégio estético, Ele tá relacionado ao que seria eh os símbolos de eh de status, né? Esses símbolos de status, ele também reflete, né, uma hierarquização dentro da sociedade, né? Então, eh, e é absolutamente incorporado à sociedade de consumo, né? Então, essa ideia do dos consumidor Soberano, né, é uma ideia eh também que faz parte da ideologia eh liberar, né? Não existe consumidor soberano, né? O consumidor ele consome conforme as necessidades criadas pela indústria, criada pelo sistema eh capitalista, né? É o sistema capitalista que vai criando essas necessidades. E alguém que disse isso de forma muito
direta, né? Eh, foi o o ex presidente da da Apple, agora eu Esqueci o nome dele, que já faleceu, que ele dizia o seguinte, ele falou: "Olha, eh, eu não faço pesquisa nenhuma de mercado para saber o que que meu meu consumidor quer, né? Eu crio o produto, né, e crio a necessidade no consumidor. Steve Jobs, obrigado, Reinaldo, né? Eh, então ele dizia isso assim de uma forma bem direta, bem cínica, né? Mas o fato é esse mesmo, né? Eh, a sociedade de consumo, né, ela tem uma construção, né, ela cria, né, toda uma necessidade,
Né, artificial para que o consumidor esteja permanentemente, né, eh, querendo comprar algo novo, né? Isso é visível hoje em dia, né? Porque você tá lá com o iPhone eh 14, que é muito bom, excelente e tal, mas não, mas eu eu quero um iPhone eh 17, fica de olho de já de olho no 18, né? Mas não sabe nem utilizar eh todo o potencial, né? Que esse aparelho tem. E é isso, é na televisão, na Smart TV, é no aparelho De som e no carro. é elétrico agora que, né, que é cheio de também de
eletrônica embarcada, etc., né? Bem, por que que esse privilégio estético é é um elemento de de discriminação, de hierarquização, né? Bem, vou dar um um detalhe para vocês. Eu li recentemente que a Comissão Europeia, né, resolveu proibir a destruição eh de vestuário, né, em cada Eh no final de cada estação, né, na na na União Europeia, né? Eh, eu como morei na Europa, não é, e ia com a minha esposa, com a minha filha fazer compras, né, ela sempre esperavam passar, né, a chegar ao final da estação para comprar, porque os preços baixavam, né, de
forma muito grande, né? E o que que os fabricantes fazem, né, destróem esses produtos, né? Então, existe uma destruição monumental, né, eh, de produtos da moda, né, justamente para Que você possa valorizar aquilo como algo que é seletivo, especial, né, que distingue, né, que é distintivo, portanto, eh a ideia do privilégio estético é a ideia de que você olha para uma determinada pessoa, né, e já faz com que você eh estratifique, né? Você fala: "Não, essa pessoa tá absolutamente eh fora da moda, né? Eh, o Diabo veste Prada. Vocês veem o diabo veste de Prada
com aquela eh Mary Street fazendo o papel, né? Ela esnobando da mocinha que trabalhava com ela o tempo todo. Falei: "Não, essa cor que você tá usando, nós criamos isso não sei quando, assim, assim, pá, pá, pá, isso já não, inclusive nem é mais usado, etc.", né? Ou seja, o privilégio estético é a é o privilégio de você eh usar, né, algo que te distingue, que te dá um status, que te projeta, né, de forma Diferente da pessoa eh comum, né, que não está ali dentro daquele eh espaço eh estético, né? Agora, isso é muito
mais grave, viu, gente, do que simplesmente eh a roupa, o sapato, o perfume, o carro, a televisão, é o iate, o relógio. é, é muito mais grave, porque ele também se expressa, né, eh, na postura, no modo de falar, eh, na conversa, né, a conversa eh distingue, né, e assim Por diante. Então, eh eh é uma é uma marca, né, eh extremamente eh cruel, né, e hierárquica, né, que gera, né, a a a hierarquia simplesmente pela a projeção da imagem da pessoa e da da sua modo de se expressar e de se colocar no mundo,
né? Isso aqui é algo que tem que ser levado eh muito a sério quando a gente analisa, né? Um outro outro elemento importante é o que a gente chama de privilégio instamental, né? Que geralmente tá relacionado às Burocracias de estado, né? Eh, é uma corporação de estado, né? que reproduz desigualdades, né? Recentemente a gente tá com esse debate todo, como querem desgastar o o judiciário, né? Aí volta começa a mostrar de novo, não é? Eh, a quantidade de benefícios que os juízes têm, né? Os tais dos penduricalos que eles estão chamando. Não, penduricalos nada, é
muito dinheiro, né? Eh, por que isso? Porque Essas burocracias, né, elas conseguem estabelecer, né, privilégios dentro da lei. Quer dizer, a ideia de do privilégio é a ideia sempre de que você beneficia um grupo, né, eh, em detrimento de toda a sociedade, né? Então, quando nós estamos falando do privilégio estamental, nós estamos falando de de juízes que ganham salários altíssimos, de militares que têm benefícios também eh eh extravagantes, né? Recentemente o STM teve um caso Também de um de militares aposentados recebendo milhões, etc., né? Eh, esse é um tema eh muito delicado, né? É o
privilégio estamental. Esse é um é um conceito weberiano, né, de que tá mais ligado a a determinados grupos eh que fazem parte do estado, né? Eh, não é uma classe, né? É um grupo dentro do estado, né? Eh, e essa esse privilégio mental, ele tem mecanismos de proteção dele mesmo, evidentemente, né? E geralmente são Funções de poder. Então, elas consegue, vamos dizer, eh, legalizar, apesar de ser imoral, né? E, e muitas vezes até ilegal mesmo, como o Dino tá mostrando claramente, né? Eh, ele consegue inclusive naturalizar isso, né? Vem lá juíza fala: "Ah, eu não
tenho, eu não recebo nem para comprar o lanche e etc e tal". A gente sabe que aquilo é uma besteira, né? Teve um juiz de um presidente de tribunal, eh, acho que foi até do STJ, né? Dizer: "Não, mas o o Juiz tem que ter dinheiro para ir para Miami comprar o terno novo, etc." falou aquilo como se fosse a coisa mais natural do mundo, né? Ora, esse privilégio é uma forma de reproduzir a desigualdade, né? Eh, e é uma forma que tá dentro do próprio estado, né? Outro outra forma de privilégio é o privilégio
territorial, né? Que a gente poderia chamar a geografia dos privilégios. Né? Eh, eu vi recentemente um estudo sobre desigualdades na na cidade de São Paulo, não é? As desigualdades são significativas. Quer dizer, você entre entre eh eh um bairro, sei lá, Pirituba, né? Você compara com os jardins, né? você tem diferença eh desde taxas de desemprego, de nível de renda média, de expectativa de vida, eh de acesso a equipamentos públicos como creche, escolas, hospitais, posto de Saúde, eh eh transporte, eh qualidade de de tratamento de água e esgoto, até acessibilidade idade, porque falta água dia
sim, dia não, quer dizer, né? Então, eh, o privilégio também se expressa territorialmente, né, dentro das cidades e dentro do país como um todo, né? Eh, então é um tema é um tema relevante, né? Eu lembro quando eu ainda tava no Dese, né, o a secretaria de de trabalho do Estado de São Paulo, o Barelli era o secretário na época, contratou o dieso em relação a a aos fatores que facilitariam ou dificultariam, né, seriam obstáculos a obtenção de empregos, né? Bem, o que que essa pesquisa mostrou, né? Mostrou que eh havia uma uma resistência dos
empregadores na região oeste da cidade, né, de contratar gente da zona leste, Né? E por quê? Por causa da na época, você já faz mais de 20 anos, né? Mas não significa que melhorou muito, né? Eh, porque a qualidade de transporte era muito ruim, né? Então, as pessoas chegavam atrasadas, né? Eh, e isso era uma coisa que os empregadores, né, das regiões mais centrais não estavam dispostos a a suportar, né? Então, vejam que não é uma coisa qualquer, né? A última a última POF do do IBGE, por exemplo, identificou que numa cidade como São Paulo,
né, pode se gastar até 4 horas, né, por dia dentro do transporte público, né, o que tem todo sentido a gente discutir agora o fim da escala 6 por um, porque é um absurdo absurdo total eh obrigar as pessoas a suportar arem, né, esse tipo de dificuldade. Isso tá ligado à geografia mesmo, a como o privilégio se distribui territorialmente, né, o acesso a Jardins, chamo jardins, porque tem uma arborização significativa em relação ao resto das cidades, né? Igenópolis, chama Igenópolis, que foi criada num período que tinha eh né, nas regiões mais baixas da cidade de
São Paulo, não é, e assim por diante. Quer dizer, essas coisas, né? Tô dando o exemplo de São Paulo. Vocês que vem de 12 eh estados e mais Distrito Federal, né? 11, Mas mais Distrito Federal, vocês podem identificar em cada uma dos dos lugares que vocês vivem esse tipo, né, de eh fenômeno de privilégio eh territorial, né? o o outro privilégio que eu acho muito importante, né, porque tem diretamente, tá tá diretamente ligado à ideia eh de que a lei é igual para todos, né? Eh, e todas, depois eu vou falar porque eu falei todas,
assim, não só como uma menção de gênero, mas tem uma coisa Muito específica aí que eu quero falar, né? Eh, o fato é que quando o o sistema jurídico os opera, né, aquilo que está na lei não necessariamente se realiza, né, no sistema jurídico, né, quer dizer isso, né? Quer dizer que, por exemplo, você eh pode, se você tem uns um um cidadão ou cidadã, né, negro, pobre, favelado, né, e que vai ser julgado, né, provavelmente vai ficar eh um ou dois anos preso porque roubou o Salamin, Né? É, enquanto isso, né, cidadão que vai
lá no Banco Master e rouba bilhões, né? Eh, pode ser que tá preso prisão domiciliar, pode ser que não não nem nunca fique preso mais do que 2 anos, né? Por quê? Porque tem toda um aparato, né? eh a à sua disposição, né, para defendê-lo no sistema judicial, né? Eh, às vezes nem chega a ser nem chega a ser eh eh julgado, dependendo da da qualidade do eh dos advogados e da Banca de advogados disponível. Então, essa ideia de que a lei é igual para todos, é igual para todos. aqueles que têm capacidade eh de
se defender, né, no sistema legal, né? Um exemplo de impunidade absolutamente comum, não é, é a impunidade da de impunidade fiscal, né? a lei brasileira, né, ela ela penaliza Eh a sua negação com Tumas, né, mas ela penaliza, quer dizer, é crime, né? Mas se o o segador quanto mais iniciar uma negociação, né, eh, ainda em nível administrativo, né, ele não vai ser eh penalizado, não vai ser tratado como como criminoso, mas como alguém que já se manifestou, né? Isso não tá na lei, isso tá na na jurisprudência, né, do nosso sistema judiciário, né? É
o privilégio da impunidade, Lara, né? Então é é o privilégio de todos somos formalmente iguais perante a lei, né? Eh, mas a lei se aplica, a lei se aplica eh de uma forma para quem tem dinheiro e para outra para quem é desprovido de de recursos, sejam eles financeiros, de sociais, eh redes de apoio, etc., né? Então, não é só o dinheiro que conta, também tem esses outros elementos. Isso é um privilégio. Isso é um privilégio muito comum, né? E que é um escândalo, né? Quer Dizer, aquelas coisas bem que democracia é essa que todos
somos iguais eh perante a lei, né? Mas quando eh a lei é operada dentro do sistema jurídico, né? ela cria diferenciações significativas, né, entre um ou outro infrator eh, da lei. Um outro elemento importante, né, que a gente tem que tem que tratar, né? Eh, eu vou tratar agora do privilégio Fiscal, porque já liga aí com a coisa da impunidade, que geralmente a impunidade da na sua neegação é muito significativa, né? Então, bem, o privilégio fiscal, né? Eh, nós estamos vendo aí a toda essa discussão em cima da da isenção, né, do imposto de renda
até R$ 5.000 e também parcialmente até R$ 7.350, né? Bem, como pagar isso, né? Tributando mais aqueles que ganham acima de R$ 50.000 R$ 1000 por mês, não é? Tributando no máximo até 10%. Vejam só, quer dizer, não é nada significativo assim, né? E tá esse maior escândalo, né? E tem até E tem até até gente, né? O o como GS hoje chama, pobre de direita. Depois a gente pode até debater se isso é um termo adequado e tal, mas é, vou colocar nesse momento porque Expresso o que eu quero dizer, né? Tem você tem
cidade gente que não tem absolutamente não ganha R$ 50.000, que tá longe de ganhar os R$ 50.000, né? E que tá lá dizendo não, porque tem aumento de tributos nesse governo, etc, né? Eh, aí você vai ver que aumento de tributo que você teve. Não, mas aqui aumentou o geralmente a resposta assim, não todos os tributos. Aí você já viu que a criatura tá simplesmente repetindo, né, a papagaiando alguma Coisa que eu viu, né, mas é por causa principalmente disso, porque a, né, o governo tá fazendo, né, os ricos pagarem imposto e financiarem, né, essa
isenção de imposto para quem tá embaixo, né? Eh, mas o privilégio fiscal é gigantesco. É gigantesco, né? A tecnicamente a gente chama de gasto tributário os subsídios e renúncias fiscais, né? Eh, isso é contabilizado, né? O governo tem, mas é autodeclaratório também, né? Vejam só Que é uma questão complicada, né? A empresa declara, né? o quanto teve de renúncia e e subsídio, né? Mesmo sendo autodeclaratório, chega a 560 bilhões só em nível federal, né? Bem, a gente poderia dizer, bem, evidentemente existem eh subsídios e incentivos que são necessários, né? Eh, mas os estudos que o
próprio Ministério da Fazenda tem feito, porque o Ministério da Fazenda tá de olho nisso Por motivos óbvios, né? Eh, mostram que a, vamos, vamos chamar assim, de produtividade social, quer dizer, o retorno social dessas renúncias, incentivos e subsídios, né, é muito baixo, né? Geralmente não diminui nem preço, né? não aumenta emprego, não aumenta investimento, eh não significa aumento de inovação e muito menos aumento de produtividade, né? Então os empresários são muito rápidos em dizer: "Não, olha, não pode reduzir aí a Jornada de trabalho porque tem um problema de produtividade, etc e tal" assim, mas eles
recebem R$ 560 bilhões de reais por ano, né? E isso se perde desse ponto de vista, não vira produtividade social em nenhum dos aspectos, né? Pouquíssimas exceções, né? Evidentemente sempre tem, mas em geral não. E o e o Ministério da Fazenda foi lá, fez um estudo e e está ali, né? Isso é muito Dinheiro, né? Eh, o Hadad recentemente falou que se for considerar renúncias fiscais de estados e municípios, esse valor sobe de 560 para 800 bilhões, né? Então, imagine 800 bilhões, né? Eh, e isso é um tremendo, tremendo privilégio, né? e todo ano sendo,
né, bombeado aí para para grandes empresas e grandes contribuintes, eh, pessoa física, não, né? E então é muito dinheiro, 800 bilhões e é muito Dinheiro e sem produtividade social eh é significativo, né? Então esse é um ponto que a gente tem que levar eh em conta, né? E vejam vocês que se você somar a coisa da sonegação, né? Eh, não sei se tem alguém algum auditor fiscal entre esse nosso grupo, né? Mas eles fazem estudos sobre sobre esse tema, né? Isso chega a mais ou menos R$ 500 bilhões deais também, né? Então, veja, mais de
1 trilhão, né? de 500 bilhões. Eu tô falando de Nível federal, você pega os todos os níveis, é 800 mais 500, 1 trilhão 300, né, que é perdido, né, simplesmente perdido do ponto de vista eh do retorno social. Quer dizer, porque que a sociedade tem que financiar isso se não dá retorno nenhum, né? Eu sou um economista com com formação heterodoxa, cepalino, etc. Eu não sou contra subsídios, né? Eu sou favorável desde que os subsídios, né, tenham um Retorno social significativo, né, e que sejam monitorados, né, e avaliados regularmente, não é? essa coisa de dá
o subsídio e esquece que o subsídio existe, não tem que avaliar, né, regularmente, né? Eh, um outro privilégio, e esse no caso de vocês é muito especial, né? Porque vocês são militantes sindicais e militantes políticos, né? Maioria de vocês, eh, que é o privilégio De vóz, né? Nós discutimos muito a liberdade de expressão, né? tem liberdade de expressão, liberdade de opinião, né? Eh, bem, mas a liberdade de expressão e de opinião, né, ela precisa de veículos, né? Então, é claro que eh assim, nós temos organização sindical, bem, a organização sindical brasileira já foi eh muito
poderosa. Caiu, Bárbara, não? Já foi muito poderosa em outros Tempos, né? Mas mesmo nos seus melhores tempos, a sua capacidade de vocalizar as suas demandas sociais, né? eh enfrentava grandes dificuldades frente a aos grandes veículos de comunicação, TV, né, jornais, rádios, né? Então tudo isso eh quando a gente fala de privilégio de voz, é é a capacidade de você levar, né, a sua visão de mundo, os seus interesses específicos ou os interesses da sociedade como um todo, né, para eh a Toda toda a sociedade, evidentemente, né? Bem, hoje nós temos as primeiras eh a concentração
dos meios de comunicação tradicionais, né, é muito significativo, né? Então, se vocês ligam a televisão, eh, sei lá, na Rede Globo, né, eh vocês vão ver assim a visão específica que a Rede Globo quer passar sobre um determinado assunto, né? Isso é óbvio, está sempre ali, né? Agora nós temos um fator adicional, né, que é a financeirização Desses meios de comunicação. Quer dizer, financeirização não só eh pelos pelos interesses bursáteis dele na bolsa de valores, etc., né? mas também porque eh eh agentes do sistema financeiro de bancos, corretoras e etc, né, são donos de de
determinados órgãos de comunicação, né? Portanto, forma opinião diretamente. Então, esse é um é um debate eh significativo. Privilégio de voz Significa eh ter a capacidade de de levar, né, as opiniões eh aos espaços que essas opiniões são necessárias, né? Mesma coisa, eh, na Congresso Nacional, por exemplo, né? Eh, 2/3 dos parlamentários são empresários, né? Eh, a quantidade de mulheres, né? Eh, no parlamento brasileiro é muito pequena, de negros no parlamento brasileiro é muito pequena, né? Então, a geralmente o pessoal debate muito a Questão da da igualdade, né? Falei: "Não, mas essas populações não são minorias,
elas são maiorias, né? Negros e mulheres, verdade, são mesmo, né? Mas são minorias políticas. A gente precisa ter isso em mente, né? Maiorias populacionais, mas minorias políticas. Isso significa que tem algo de muito errado na nossa democracia, né? Então esse esse esse elemento, essa debate sobre o privilégio de voz é importante. E hoje nós temos também, né, O problema das da das redes, né, em que as redes têm um um uma capacidade muito grande de formar opinião e de distorcer opiniões com base em em fake news, né? Então, esse tema aqui ficou ainda eh mais
relevante, né, que eh paraa gente considerar. Existe outras duas dimensões, né? Eu devo ter pulado aqui da minha lista. Eh, eu tô com dois celulares porque eu tô sem computador. Eu tô com dois celulares, um ao lado do outro para poder conversar com vocês e ir vendo, né? Eh, aqui a eh os pontos, né? Bem, tenho privilégio de cor, né, que eu já coloquei para vocês da a sociedade brasileira com 350 anos de de escravização, né, eh é evidente, né, que existe uma uma forte discriminação eh de negros, né, e índios, indígenas, né, né, em
relação a aos brancos, né, eh, na nossa sociedade, né? Eh, e aí isso isso não é Uma questão identitária, isso é uma questão estrutural, né, que se reflete no mercado de trabalho de forma significativa, né? Então, essa coisa de falar, não, porque isso é uma coisa identitária, eh, divide a classe trabalhadora. Não, por que que divide a classe trabalhadora? Porque quando o negro recebe menos do que o branco, né, o capitalista ele sabe muito bem, né, o quanto ele tá ganhando por essa discriminação. Mesma coisa em relação às mulheres, né? Então, a gente tem que
tomar muito cuidado com essa crítica imediata assim, né? Não, isso é identitarismo, isso divide, etc. Não, né? Eh, tem que olhar isso a partir dos interesses do capital, que se a gente não olhar a partir dos interesses do capital, aí parece que é simplesmente uma caracterização pessoal, né? Não, o capital ele sabe muito bem, né? eh que está ganhando com essa discriminação, Com a discriminação eh dos negros e com a discriminação das mulheres, né? Eh, o Diz fez lá na quando eu tava aí, né, faz um tempo já, eh dois estudos que depois continuaram, né?
Um era o mapa da população negra no mercado de trabalho, né? teve uma importância muito grande, né? A Solange participou, ela coordenou diretamente, né? Eh, e o mapa das mulheres no mercado de trabalho, né? O mapa dos negros do mercado de trabalho Foi foi um trabalho muito importante, né? Porque a gente acabou identificando a a pirâmide de rendimentos e a pirâmide de de desemprego usando as pedes nas regiões metropolitanas, né, em todo o país. Nós achamos que iríamos achar isso mais no Sudeste, Sul, né? Não é inacreditável. Mesmo nos estados de maioria negra, maioria, né,
significativa de negros. né? Existe uma pirâmide de rendimento e uma pirâmide de condições de trabalho Que vai do eh do homem branco paraa mulher branca para o homem negro paraa mulher negra. Então, se isso é olhar e falar assim, não, identitarismo, não, isto é parte da forma de exploração, né, do capital no mercado de trabalho, né? Então, eh, eu acho que eu já falei bastante. Deixa eu ver se eu esqueci de algum ponto. Eh, acho que não. Basicamente é isso mesmo. Obrigado, Bárbara. Espero que que eu tenha eh colocado a pulga atrás da orelha da
dos alunos, né? Eh, e eu quero dizer o seguinte, olha, eu não usei estatísticas, né? Eh, primeiro que eu tô sem o meu computador, fica mais difícil, né? Eh, e segundo, porque eu tô convidando vocês a pesquisarem os dados do dies e do IBGE, né? Tudo isso tá disponível aí no no DIES e tá disponível também no IBGE, né? Eh, e aquilo que vocês precisarem, eh, Bárbara, falar comigo, eu posso dizer também aonde procurar, mas eh a ideia era essa. A ideia era colocar, vamos dizer assim, essa inquietação, né? Todos vocês, né, e todas vocês
conhecem muito bem do que eu falei, né? A contribuição aqui é é organizar essa coisa toda e dizer: "Olha, tá aqui, né, um bloco que a gente pode trabalhar, né, intelectualmente, né, e politicamente, né, quer dizer, você trabalha construindo conhecimento, Mas também trabalha, né, construindo políticas públicas que mudem, possam mudar, né, esse cenário, transformar, né, esse cenário, que é o que você falou no início, né, Bárbara, quer dizer, a ideia É, eh, não é apenas não é apenas e eh obter conhecimento, mas é obter conhecimento para transformar o mundo que a gente vive. Obrigado, Bárbara
e obrigado por todos toda a atenção que vocês me deram até agora. Obrigada. >> Obrigada, Prado. Excelente. E acho que Em termos de transformação, né, Prado, não sei se você tem acordo, mas acho que um plano pro século XX deveria incluir o combate às desigualdades como centro, né, pensar as nossas instituições, porque a desigualdade que pra gente sempre foi, né, um grande problema, ela agora é gritante no capitalismo global, né, uma a gente tá num período de geração de bilionários e, por outro lado, pros trabalhadores eh de constituição de uma Economia com poucas as alternativas,
né? Então, acho que esse tema tá ficando mais latente. Ele não era tão falado, ele ficou muitos anos esquecido, né? as desigualdades eh econômicas propriamente ditas foram ficando mais escanteadas, mas acho que desde que o desde do lançamento do livro do Piqueti, né, no Capital no século XX, >> sim, >> esse tema voltou com força. Então no Brasil tem muita gente também retomando A economia política das desigualdades. Acho que os estudos eh estruturalistas, né, o debate sobre heterogeneidade tem sido retomado. Então a gente fica feliz porque a gente aqui sempre tratou, né? Nunca deixou esses
temas em segundo lugar, mas eh é bom que eles voltem paraa agenda pública, né? Então tá interessante. Quem quer fazer a primeira pergunta aí, lembra de se apresentar e já >> tem um privilégio que eu não tratei, mas Eu vou esperar que alguém acabe perguntando sobre ele. Vamos ver. Tá bom. >> O grande ausente. >> Vamos descobrir qual que é. Alguém quer falar? >> Eu vi que tem uma pergunta do Audi, mas não sei se ele quer falar. Se ele não quiser, eu posso ler. Ah, o pessoal agradecendo aqui. Tô vendo aqui no chat. Eu
que agradeço a a atenção. >> Tem uma pergunta do Audi que é assim: quem ganha com a questão da cor é o capital ou é uma fração da classe trabalhadora? >> Olha, é por isso que eu quis eh deixar eh bem visível o tema, né? Eh, eh, evidentemente o capitalista quando ele quando ele contrata, né, ele tá considerando qual é o nível de exploração que ele vai poder realizar, né? Então, assim, eh, é O capitalista, né? Se isso se reflete eh em eh na classe trabalhadora, isso é uma coisa secundária, né? Por isso que eu
tô falando, não é uma questão identitária, não é uma questão de se eu falar assim: "Ah, eh, o, o, o negro recebe menos para que o branco receba mais, né?" Não, não é isso. É o capitalista, né? conhecendo toda a a o contexto social e em que o negro é discriminado, né? Eh, é considerado eh subalterno, é humilhado, né? O o GC, o Gé fala isso eh com muita frequência, né? Da questão da humilhação, etc. Então, isso é uma coisa que o capitalismo sabe explorar muito bem, né? Então são duas dimensões distintas. Uma dimensão assim,
ah, eh, o branco só recebe mais porque o negro recebe menos. Não, não é isso, né? O negro o negro recebe menos porque o o o o capitalista sabe explorar, né, melhor, né, essa essa essa condição, né? Eh, por isso que a gente chama de discriminação, Né? A discriminação é se você coloca um negro com as mesmas qualificações, né, no mesmo ambiente de trabalho, ele pode até começar, né, com o mesmo salário, né, de um outro trabalhador branco, mas a mobilidade dele não é a mesma, né? Eh, e isso tem a ver com a discriminação,
tem a ver com uma série de elementos que são mais sociológicos, né, eh, do que do que de estabelecer a relação de o branco se beneficia, né, da Subremuneração do negro. Não acredito que seja isso não, né? Aliás, isso já era trabalhado eh não em relação aos negros, mas em relação às mulheres lá no século XIX. Já já se identificava nitidamente, né, que a entrada das mulheres no mercado de trabalho era um mecanismo, né, eh, de reduzir a a a remuneração geral no mercado de trabalho, né? Então eu não eu não faria essa contraposição, né?
Não que ela não exista em em no microcosmo, né? Mas Assim, como análise geral, não? Quer dizer, o capitalista sabe muito bem, né? Quem ele tá explorando. >> Muito bem >> assim, né? >> E a ideia dele é explorar todo mundo. Agora, quem ele pode explorar mais? Ele explorar a mais, né? Eu não sei se vocês conhecem as análises do Ford quando ele tava criando a a a linha de produção, né? Porque ele dizia, né? E o Taylor Também chegava a falar essas coisas, diz, ele dizia: "Não, nesse posto de trabalho, né, eu posso colocar
uma pessoa que tem um braço só, né? ou nesse posto trabalho, eu só vou colocar mulheres porque as mulheres são mais delicadas no tratamento de dessas peças mais finas e não sei o quê, né? Ou seja, eles têm uma um um método, um protocolo, né, de como explorar da forma mais intensa cada trabalhador que eles contratam, né, e certamente, né, sabem Muito bem quais o que que a própria sociedade em geral, né, eh, cria para desvalorizar determinados e trabalhadores, apesar de terem a mesma capacidade que os outros. Bem, agora é o Reinaldo, depois o Cléon,
depois a Júlia. Diga, Reinaldo. Boa noite, Bárbara e demais. Professor, muito bom. Eh, eu acho que o intuito é que cada um se apresente, né? Eh, eu sou aqui de Recife, de Pernambuco, Sou funcionário de um estatal federal de TI, que é o CERPO. Então, sou analista de tecnologia há 21 anos e há 8 anos tô no movimento sindical da nossa categoria aqui dos profissionais de TI no estado, tá? Eh, primeiro eu queria fazer uma observação, o professor falou aí do segundo privilégio, privilégio estético, né, quando ele falou ali do Steve Jobs e tal, porque
criou-se ali aquele conceito de obsolescência programada, né? Então você vê telefone, né, o iPhone 13, 14, Os caras começam a desligar coisas nos mais antigos para forçar que você compre o >> o mais atual. >> É, a União Europeia montou agora. >> Pois é, me me surpreendeu aí essa essa notícia. Eu acho que se a gente for para um outro >> ambiente que é um ambiente de moda, eu acho que a Zara fez muito isso, né, com essas essas coleções que eh constantemente estão ali substituindo. Eu queria só fazer essa observação, professor. E e aí
falando do meu, né, assim do do dessa questão do do movimento sindical que eu tenho tentado acompanhar, essa questão dos trabalhadores por plataforma, né, os uberizados. Eu acredito que aqui na PO a gente vai falar muito sobre isso, né? Eh, e como a gente falou e estamos falando muito de desigualdade, eu tenho dito muito que a o desenvolvimento e o uso da tecnologia não pode aprofundar as Desigualdades que a gente já tem. E é o que tem acontecido hoje com a inteligência artificial, a meu ver. Então, é uma tecnologia que existe há muito tempo, mas
da forma que ela é desenvolvida e utilizada hoje, ela reproduz e aprofunda essas desigualdades na medida em que a gente tem uma, né, uma quantidade enorme de de trabalhadores aí por plataformas, né? Acho que números do IBGE entre 20, 22 e 24 aumentou em 25%, acho que deve estar Perto de 2 milhões de trabalhadores aí que são explorados o tempo todo, porque tem um conceito que a gente discute muito que é a transparência algorítmica. É zero transparência. O cara se cadastra numa plataforma, começa, por exemplo, eh, a, se o cara for motorista de Uber, começa
a pegar a corrida e ele não sabe como é que aquela aquela corrida é distribuída para ele ou para um outro. Não existe nenhum tipo de de transparência nisso aí. Então se dá uma Uma exploração brutal e a gente tem uma massa de trabalhadores aí que afinal de contas tem sua renda dessas, né, atividades que são intermediárias plataformas, mas tem muita coisa que não se tem visibilidade. Então, professor não sei se exatamente uma pergunta, se eu quiser fazer um comentário, não sei se eu tô falando bobagem, mas era o que eu queria deixar aqui de
contribuição, dizer que tem uma colega minha de CERP também, Márcia Ronda, que tá aqui na Sala, não sabia. Bom estar com ela aqui nessa turma também. É isso. Obrigado. >> Legal. Prazer, Reinaldo. Será que a gente já faz as outras juntas, Prada? Você já quer responder? Como é que a gente fica? >> Eu respondo imediatamente que >> tá bom. eu tô num lugar sem muita coisa para eu anotar e tal, vou acabar esquecendo, então eu não eh O olha eh o curso vai tratar disso, né, Bárbara? Não, eu participei de um debate que foi um
um sociólogo da USP, qual que é o nome dele mesmo? Não sei se você lembra, >> Rui Braga. >> Uhum. >> Rui Braga, né? Rui Bra que trata eh de forma muito eh muito boa essa questão da inteligência artificial e da das plataformas, né? Eh, eu vi um dia desse Um comentário, eu acho que foi do presidente da República, foi do Lulo, né? Ele dizendo: "Olha, eh quando você tem eh algoritmos que ninguém tem acesso, né? Eh, e tem grandes eh centros, né, de de computação da data centers, né, eh que são apropriados, né, com
com por poucas empresas, né, e ainda o o o mecanismo de de de transmissão de tudo isso, né, dentro da internet, etc. É controlada por principalmente por um único país, né? Isso é um mecanismo, né, de exclusão e de poder, né? Então, acho que vamos olhar isso de uma forma mais ampla, né? Bem, o que nós estamos vendo é simplesmente eh eh essa segmentação, né, que não é só social daqueles que têm acesso pleno à tecnologia, né, eh, mas também daqueles que estão submetidos ao poder dessa tecnologia, né? E isso inclui países, como inclui o
motorista do Uber, né? Eh, Porque essa tecnologia ela é eh eh ela tem essa essa essa capacidade de fazer um um controle eh total, né, e distribuir o o a carga de trabalho da forma que ela achar mais conveniente, né? Eh, isso nos debates sobre mudança tecnológica, a gente, né, sempre vai eh vai encontrar, né, eh, esse tipo de de debate. Só que agora nós chegamos num nível, né, que é absolutamente e profundo, né, porque ele incorpora conhecimento alheio, né, acaba Incorporando todo o conhecimento da humanidade dentro desses sistemas, né, eh, que são muito úteis
em determinadas ocasiões, né, mas tem uma questão aí que é justamente você pode gerar uma super exploração né, e está gerando, né, está eh e ao mesmo tempo eh criar uma uma mais uma divisão internacional do trabalho entre aqueles que dominam profundamente essa tecnologia e aqueles que adotam, né, e cupiam como podem, né? Então não é Bobagem não o que você tá falando, pelo contrário, isso é uma coisa nesse momento é central no no debate no debate eh político, né? Então não é à toa que a a China investiu tanto nisso, né? Porque a China
sabe muito bem de que a disputa de hegemonia passa por aí, né? Então é relevante, sim, é fundamental. Eu recomendo, viu, por essa questão da da eh da obsolescência precoce e provocada, né? Eh, eu Recomendo ler um livro chama da morte de um cairo viajante do Artur Miller, né? Que tá lá na Já é uma análise lá do início da da sociedade de consumo, tá? Muito interessante, uma bela crítica. Vocês vão vão vão gostar, né? É, agora é o Cleverson, >> é uma peça de teatro, viu? >> Boa noite, comp. >> A morte de um
cacheiro viajante é do Arthur Miller. >> Pronto, Leverson, pode falar. >> Isso. Boa noite, companheiras. companheiros Cleverson, ajustador ferramente sindicatos metalúrgicos Joinville, departamento dos metalúrgicos da CNM CUT Santa Catarina do Paraná e CUT Santa Catarina. Bem, primeiro parabenizar o JZ em nome da professora Bárbara, né, pela essa essa oportunidade que ela traz para nós, né, representantes dos trabalhadores e das trabalhadoras no Brasil, né? É muito importante a gente ter um uma Pós-graduação aí eh voltada, né, para nossa capacitação. A segunda, agradecer o professor Antônio Prado aí. Muito bacana, professor. E aí, a essa questão de
privilégios traz algo bem bacana pro meus próximos três dias. Amanhã, quarta e quinta, eu estou aí em São Paulo na Conferência Nacional do Trabalho como delegada aqui pela CUT Santa Catarina. E aí, hoje à tarde nós fizemos uma reunião companheirada sobre a questão das propostas aí, né, as que São propostas de consenso do da bancada dos trabalhadores, dos empregadores do governo. E dentro disso, professor, me chamou atenção duas, cara, são tem várias propostas aqui, mas duas propostas dos empregadores que fala sobre essa questão de privilégios, né? A primeira deles é que eles falam que precisa
reduzir o gasto com recursos de assistência social. É aquilo que o professor falou. Eh, querem querem fazer que a gente acredite que nossos direitos São privilégios e que os privilégios deles são direitos, né? E a segunda, professor, olha só, eles ag primeiro eles falam que tem que reduzir a os recursos com assistência social. Aí eles falam aqui sobre a questão da pessoa com deficiência, condicionar a punição pelo descumprimento da cota de pessoas com deficiência no âmbito de procedimento procedimento administrativo e não mais multa, essas coisas blá blá. E aí eles colocam aqui de que o
prévio cumprimento Da obrigação legal ao poder público é de ofertar programas de habilitação profissional. Eles pedem para reduzir as a a os recursos nossos para paraa assistência social, mas quando fala em pessoas com deficiência, eles querem que o estado dê essa habilitação para eles, né, concursos, coisa e tal, né? E aí a gente vê também que a boa parte das empresas que poderiam contratar essas pessoas com deficiência não o fazem, né? Então, nós temos aqui empresas aqui em Joinville eh muito grandes de marcas nacional, Tupi, a Cônul em Braco, a Tigre, a Crona, são empresas
aí seão de de renome nacional, mas até de multinacionais brasileiras, né, que não faz esse cumprimento. E aí a gente vai para uma conferência onde todos lá são prestadores de serviços e a gente vê advogado lá, infelizmente, defendendo o patrão porque ele também é um prestador de serviço, né? É um explorado também como a gente, mas ele não se acha, né? Infelizmente nada contra os advogados, companheirada, são pessoas importantes, né? Mas tem alguns aí que vendem alma pro diabo. Era isso, professor, que eu queria falar sobre essa questão dos privilégios que o os PCDs não
têm os menos privilégios que a gente tem enquanto pessoas eh sem nenhum problema de locomoção ou de ou de condução, essas coisas. >> É, isso é política afirmativa, né? Isso não é privilégio. Ah, o empresariado, né, eles o tempo todo, né, eles agem dessa forma, que é aquela coisa assim, eles não querem pagar imposto, né, e ao mesmo tempo querem que o estado pague, né, por despesas que eles acham que eles como empresari que empresários não deveriam ter, mas que o estado deveria prouvir, né? É uma é uma situação eh é curiosa, né? Aquela coisa
de você querer ter benefícios, mas não querer, né? Contribuir para que os os Benefícios existam, né? Eh, é isso, exatamente isso. Você tem você tem aí eh o número que eu te que eu dei aqui para vocês é 560 B, né? mais 500 bit de sonegação, então dá 1 trilhão 60, né? Eh, isso sem falar, eu não falei da coisa da da taxa de juros, nem nada, eu só tô falando da questão fiscal e estrito senso, né? Se a gente for falar da taxa de juros, são mais o trilhão, né? Então nós vamos passando já
para 2 trilhões 300. Quer dizer, é uma Barbaridade a quantidade de dinheiro, né, que que eles recebem sem muito sem nenhum esforço, né, na verdade. >> Eu vou compartilhar o seu texto sobre a dívida, né, Prado, que saiu recente. Vou passar para eles aqui também. >> Ah, é, é, tem essa essas considerações lá. >> Uhum. Eh, agora é a Júlia Ramos. Boa noite. Boa noite a todas e todos. Primeiro que você já agradecer a Exposição, professor. Eh, agradecer também a Bárbara pela exposição inicial no curso. Tô bem animada para começar o curso. Eu sou advogada
trabalhista. Eh, atuo no escritório LBS aqui em Campinas, São Paulo. É uma atuação a favor do sindicato, direito sindical. Eh, eu ingressei nesse mundo sindical há pouco tempo, né? E e foi aí que eu entendi onde tá o Negócio mesmo, onde que vem a transformação. Nesse sentido, professor, em relação à sua exposição, né, dos privilégios e até a ausência de algumas observações, eu senti falta de de um de um de um apontamento em relação à exploração da mão de obra reprodutiva, como que ela tá ali inserida entre todos esses citados. Eh, eu entendo ali uma
interseccionalidade entre todos, mas eu entendo que também tá dentro de todos Eles ali essa exploração da mão de obra reprodutiva, né, que dentro da lógica patriarcal ela é reservada para as mulheres. E é claro que isso também acaba encejando no papel da mulher ali no mercado de trabalho, que tá reservado também alguns trabalhos de cuidado, como enfermagem, professores da educação básica e são categorias que eh tem uma atuação sindical forte, presente, mas também são muito atacadas, né, eh no ponto de vista trabalhistas, direitos Trabalhistas. Então, é isso que eu gostaria de saber, se seria esse
o ponto de ausência. Eh, mas é o ponto que eu senti falta essa observação dessa exploração de mão de obra. Obrigada. >> Eh, Júlio, eh, eu fiz só uma uma visão panorâmica, né? Quando a gente trata do privilégio de gênero, né? Eh, esse tema aparece, né? Eh, porque eh essa ideia de que eh o trabalho, né, da mulher eh em casa, né, não é trabalho, né, é uma é Um é um debate muito importante, né? eh uma das pessoas que participou eh eh dessa discussão, né? Eh, a a Solange, que já foi do dia, tratou
desse desse tema conosco. Eh, e também a Laísa Brama, que hoje é a secretária, né, de eh secretária de economia. Deixa, deixa eu só perguntar aqui só um pouquinho de que eu Tá fechado microfone. A Laisa Bramo, ela é da ela é secretária do Ministério de Desenvolvimento na área de cuidados, da secretaria de cuidados, eh, e da família que chama, né? né? Se ela trata principalmente dessa dessa dimensão e isso tem toda a relação eh com isso que você tá falando, Júlio. Eh, e quando eu tava na CEPAL, né, tinha inclusive o debate de como
incluir, né, eh, essa contribuição, eh, produtiva da das mulheres, eh no Trabalho doméstico, né, no não não como empregada doméstica, mas no trabalho doméstico, né, como como incluir no cálculo do PIB, né, porque tá geralmente tá fora, né? Então assim, é assim um elemento eh um elemento importante, né? Uma das críticas que a gente faz a a discussão do dos ninis, né? Nem estuda nem trabalha, né? É que tem um erro de abordagem aí, porque na verdade eh eh são eh geralmente meninas que estão Contribuindo, né, com a família, né? eh que, portanto, não aparece
nas nas estatísticas eh do mercado de trabalho, né? Eh, então, eh, esse é uma esse é um tema realmente bastante relevante. Eu acho que você fez bem, mas não é o tema que eu deixei ausente não, viu, Júlio? É outro. >> Tem mais alguém, gente, que quer perguntar? Todo mundo tímido hoje ainda, né? Isso Que dá não fazer a apresentação, né? Antes a gente Prado, eu tenho pergunta, então eu sempre tenho sempre de coisa pro Prado. >> Diga. >> Pensando, Prado, eh, a gente tem hoje, né, uma sociedade muito baseada nos serviços, né? Na verdade,
na América Latina sempre os serviços foram preponderantes, né? mesmo no auge do nosso crescimento industrial, a maior parte das da população tava no serviço e Agora também como setor econômico, eh, ele costuma eh abrigar, lógico, né, um monte de pequena empresa, um monte de setor que até pro PIB não tem tanta relevância, mas ele também abriga as empresas mais centrais do capitalismo mundial, então as a empresa de tecnologia, plataformas, eh os próprios bancos, enfim. E eu fico pensando, né, esse setor é o setor da heterogeneidade e das desigualdades mais latentes, né, Que ele tem essa
diferença de produtividade que é gritante, muito mais gritante que na indústria. a gente não deveria, Prado nesse momento, né, pensando que desde os 70, mais ou menos, o capitalismo é um capitalismo quase que marcado, né, pela por esse predomínio dos serviços. Pensar um plano paraa superação da heterogeneidade que tivesse os serviços no centro, sempre fico me perguntando, Acho que casa um pouco com a inquietação da Júlia, sabe? Mas eu acho que certos planos, por exemplo, eh, para setores que são relevantes, né, paraa produção da vida e que tem eh uma importância no espaço econômico, a
própria economia eh de cuidados, eh setores de saúde, né, a parte de serviço, setor de saúde, a economia da cultura, a gente precisava, né, talvez ter um plano de desenvolvimento para esse setor. Não sei, não sei se você já Trabalhou sobre isso, se eu sei que a CPAL tinha uma abordagem bem interessante também. Queria te ouvir um pouquinho sobre o tema. >> Eh, essa é uma das maiores dificuldades, né? Porque justamente pela heterogeneidade do eh do setor, né? O, geralmente a a abordagem em relação à política industrial, não é? eh é que É que os
serviços eles eh se organizam em torno, né, eh do do setor industrial, né, e e agrícolo, né, eh eles eles eh têm uma certa autonomia porque na medida que você vai eh urbanizando, né, eh esse estoque de riqueza né, exige uma um gerenciamento, né, que nunca será feito pela indústria, tá? Eh, então, eh, esse, esse é um tema, esse é um tema bastante interessante. Vou dar um, um exemplo, né, por eh, de pegando a coisa da urbanização. Você já Imagine uma uma grande metrópole, né? Eh, quantos milhares de edifícios, né, tem numa grande metrópole, né?
Então são centenas e centenas de milhares de edifícios com condomínios, né? Esses edifícios são uma riqueza que tem que ser eh cuidada, mantida, tem que ter manutenção, etc e tal, né? E assim vale para uma série de outras de outros Edifícios que aí são comerciais, etc e tal, né? Então isso é um estoque de riqueza eh gigantesco. Quando a gente pensa quando a gente pensa em indústria, né, geralmente tá pensando em criação de riqueza nova, né? Eh, mas esse esse estoque de riqueza tem que ser eh tem que ser eh gerenciado, eh mantido, etc. Para
para para não para que não haja degradação, né? as próprias cidades são a, né, um um macroque de riqueza em todos os sentidos, a sua Infraestrutura, né, tudo isso, você for calcular o valor é altíssimo, né? Eh, então os os serviços eles se desenvolveram não só pela sofisticação da indústria, né, mas também um resultado do processo eh eh de urbanização, né, e do estoque de capital que você acumula, né, nesse território. É uma coisa relacionada a território principalmente, né? Eh, eu não eu não saberia dizer. A gente sempre eh quando tava na CEPAL, isso era
Um tema também que a gente discutia, né, de eh como que você faz uma uma política industrial, né, eh que extrapole, né, não trate apenas, né, da da indústria em si, mas de todas os todos os impactos paraa frente e para trás, né? que a indústria tem, né? Então, assim, eh, o serviço ele pode ser, eh, melhorado significativamente, né, desde que você tem uma indústria por trás. Porque esse o que que seria você um setor, sei lá, o setor bancário sem a Indústria eh de informática, né? Eh, ou de telecomunicações, eh, né, e de softwares,
etc., né? Então, eh, você tem por trás, né, eh, uma indústria. Não, não, isso não quer dizer que não, não se possa pensar, né, eh, num grande programa de aumento de eficiência do setor de serviços, né? Eh, acho que sim, acho que poderia, né? Eu até hoje não vi assim uma uma política industrial, né? eh e produtiva, né, que leve em consideração essa essa Dimensão especificamente, né, mas sim, tem todo sentido, né, mas eu acho que a grande dificuldade tá na heterogeneidade mesmo, sabe, de como você fazer, né, porque quando você vai fazer política industrial,
né, você pode até fazer uma política industrial eh horizontal, né, eh como é que tá sendo feito. Agora o NIB é isso, né? Eh, Nova Indústria Brasil, né? Quando ele pega missões, né? Essas missões elas se encadeiam horizontalmente Dentro do tecido industrial, não é setorialmente, né? Pega vários setores e tal, né? Eh, mas eu sinceramente não vi até hoje assim algo eh que tenha esse esse foco, né? Certamente existe, viu, Bárbara? Eu acho que se a gente pesquisar, né, eh, a gente pode achar. Eu acho que vale a pena ser um campo de pesquisa aí
para eh paraa escola, sabe? Porque, eh, é um tema relevante, né? E como é que a gente Pensava isso lá na CPAL, né? Eh, quando a gente começou a debater, né? Eh, quando você tem o processo de eh de industrialização e de urbanização que acompanha esse processo de industrialização, né, você tem o aumento geral de produtividade na sociedade. Por quê? Porque o o pessoal que tá saindo do campo, que é um setor de de produtividade mais baixa, né? tá indo paraa indústria e outros setores que tem produtividade maior. Então você aumenta a produtividade geral da
economia, né, nesse processo de urbanização, né? Agora, já estabelecido processo de urbanização, que você tem 80% da população nas grandes cidades, né? Eh, a comparação é justamente a que você fez. Qual é o setor de baixa produtividade nesse caso, né? é o de serviço. Existe possibilidade de fazer essa mesma migração que foi feita? Não, porque é justamente Tem acontecido o contrário. Você migra da indústria, né, para o setor de serviço. Então você migra de um setor de alta produtividade para um setor de produtividade mais baixo, né? Então você não tem essa essa compensação que tinha
lá no processo anterior, apesar de todas as dificuldades sociais que esse processo gerou. Isso é outra dimensão, né? Mas eh a gente chegou a pensar nisso, mas não não se elaborou mais, né? Eh, mas eu Acho que vale a pena. Eu acho que vale a pena pensar e ver, né? Como tratar isso, mesmo que seja setorialmente, inicialmente, né? você estabelece, existe algumas coisas que são são horizontais, por exemplo, tornar a a internet pública, né, eh para determinado eh faixas de de banda, né? Eh, seria uma coisa interessante porque você beneficiaria milhares de pequenas empresas, etc,
e tal, que teriam acesso A essa essa internet, né? Então, tem algumas ações eh ações eh horizontais poderiam ter algum resultado bastante relevante. Teria que identificar quais são. Essa é uma, né, a coisa de de tornar internet pública até um determinado nível de banda, né, eh certamente beneficiaria muitos autônomos, né, muitas pequenas empresas, etc., que geralmente tem eh aparelhos celulares, mas são aparelhos celulares mais simples, né, que tem Muita sofisticação para você poder eh usar eh ferramentas mais poderosas. Mas eh acho que sim, acho que é bastante interessante. >> Legal. E você não vai contar
pra gente qual? Ah, fala, Jackson. Eu vou deixar essa pergunta pro fim, então. Tô curiosa para saber qual desigualdade. >> Vou contar, vou contar, vou contar que eu esqueci. Não, se quiser eu posso, você faz logo a sua, então se você quiser eu falo depois, sem problema não. >> Não, pode falar você. Ele vai, ele vai contar qualquer coisa. A gente fica com um suspense. >> Ah, então tá. Então, muito boa noite a todas e todos. Eh, meu nome é Jaqu, sou Brandão, eu sou auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego. Eh, tô aqui
em Brasília nesse momento, mas sou lotado lá na Bahia. Mas apesar de ser lotado na Bahia, tô ocupando atualmente uma coordenação Nacional, né, de fiscalização do trabalho rural, né? Eh, já tive contato assim, muito contato com o pessoal do Die lá da Bahia, a Georgina, uma pessoa, né, excelente lá, que a gente tá sempre lá em conversa, etc. A gente utiliza muito aí do do material, dos estudos eh estatísticos aí do Die para fazer a parte ali de planejamento, né, diagnósticos. setoriais, enfim, né, para dar subsídio ali a à fiscalização. E assim, era uma área
que realmente Eh eu tinha, né, já um interesse e surgiu essa oportunidade, né, dessa APS e eu tive esse interesse de fazer para Clara também agregar ainda mais eh robustez, né, na atividade a qual exerço. Mas a minha dúvida assim, né, já também parabenizando aí o a explanação do Antônio Prado, da própria Bárbara também, né, parabenizando todo vocês aí do do DIES pelo curso. Minha dúvida é o seguinte, assim, não sei se vai ter uma Resposta pronta, muito provavelmente não vai ter, né? Normalmente temas tão complexos assim que tem tantas variáveis envolvidas com tantas repercussões,
nunca se tem uma resposta muito clara, mas é uma é algo que que me inquieta e com certeza também deve eh mexer com muitos aí dos de vocês. É que assim, né, o o professor aí, né, Antônio Prado, demonstrou uma uma gama aí de privilégios, né? E muitos desse privilégio, né, o a totalidade Deles aí serve para consolidar, né, esse esse ciclo aí repetitivo de exploração que a gente tem em nossa sociedade, né? privilégio aí das mais variadas naturezas que ali na ponta do processo sempre tem uma repercussão econômica, né, uma repercussão socioeconômica, né, que
começa a ler economicamente, que de certa forma reflete também na questão social, né, a questão além de de onde a pessoa mora, de qual vai ser o acesso a serviço público que ela vai ter, de como Vai ser o processo educacional, enfim. Mas assim, o que é que eu penso assim, né, o que eu a observação que eu que eu faço que assim ao longo do dos anos aí, né, da história e da humanidade, eh, por mais que tivesse essa essa condição de do privilegiado e daquele, né, do explorado ali, aquele que era explorado, assim,
acho que em sua maioria, né, por essa condição de exploração, buscava a todo momento ali, né, se subverter contra esse sistema, porque Percebia essa condição de explorado, mas muitas vezes, claro, não conseguia fazer ali essa essa pressão para que essa situação deixasse de existir por conta de da força que não se tinha, né? Embora fosse um número maior, né? embora seja um número maior, eh, não tinha força econômica nem política para reverter isso. E como agora também a não se tem muito, mas assim, né, de uns tempos para cá a gente vê a a, né,
o essa coisa contraditória de que, Né, aquele que é menos privilegiado, aquele que é explorado, se coloca naquele papel de defensor do seu, né, do ponto de vista do explorador, né, que assim, é algo que a gente vê a todo momento e é algo que eh é eh eh muito contraditório, mas assim, qual a minha é dúvida, né, assim, sobre o que me inquieta, eh, sociologicamente, né, quais seriam os caminhos, né, para tentar fazer com que, né, essas pessoas, né, esse público que, eh, advolgam assim Numa causa que eh de maneira, né, muito contundente, só
vem ali a prejudicá-los. Então assim, é claro que os sociólogos, né, já tem tudo isso mapeado, mas assim no médio prazo, assim, que a gente só vê cada vez mais é um público de, né, eh seja ali pela questão da mídia, seja, né, por uma questão também eh né, muitas vezes ali ligada à parte eh religiosa, não, né, muito mais a questão até religiosa. Acho que pega muito o dogmatismo religioso. Acho que pressiona Muito isso, né? Você acreditar naquilo que você ouve sem ter que fazer muita crítica. Mas assim, qual seria na visão do do
professor, né, do Antônio Prado, um caminho plausível para tentar, né, a sociedade tentar reverter esse ciclo aí, nesse processo? >> Esta é a pergunta do milhão, né? O, olha, todo o nosso trabalho, né, nesse sentido, né, quer dizer, quando o dieso, né, mais de 55, Eh, ele já foi criado justamente para poder dar eh ferramentas, conhecimentos, né, eh discurso, né, eh, pra classe trabalhadora poder enfrentar, né, eh, essa esse esse ambiente, né, a de exploração, a própria escola do Diez, né, ela o Dzi já há muitos anos, o PCDA, por exemplo, que é um um
uma coisa que tem mais de 30 anos, né, acho que começou lá no no início dos anos 90, né? Eh, é um é Um é um curso, né, de formação de de dirigentes sindicais e assessores, né? Tudo isso no sentido de você criar uma uma massa crítica, né? Eh, massa crítica no sentido político do CT volume, né, eh, de pessoas que possam eh, militar, né, da nas suas diversas áreas de militância, né, para transformar a sua área e transformar uma coisa mais ampla, né? Eh, você poderia até ter assim uma uma visão eh mais crítica,
né? sobre o que que foram os Governos Lula 1, Lula 2, eh Dilma, né, e Lula novamente, né? Mas obviamente quando você olha, né, você pode dizer assim, bem, eh, e pense no sentido contrário, se não houvesse o que o que seria, né? Então, eh, basta ver o interregno aí do golpe sobre a Dilma, né, até a eleição do Lula, né, a quantidade de retrocesso que nós tivemos, né, eh, justamente porque você não tinha Uma força política, né, ali com poder, né, para realizar políticas públicas numa numa determinada numa determinada direção. né? Eh, o você
tem muitos exemplos, né? Eh, por exemplo, né? Eh, quantos médicos eh negros existiam no Brasil, não é? Eh, antes do primeiro governo Lula, né? Quantos existem hoje, né? Eh, e assim por diante. Quer dizer, eh, você tem que Ir olhando, né, em cada uma das políticas públicas que foram realizadas, né, os ganhos, né, mesmo que pequenos pelo pelo pelo que é necessário pelas nossas expectativas, né, os os ganhos que aconteceram, né, então assim, eh é a mobilização política e é o conhecimento sobre a realidade que permite você e transformando a realidade com efetividade. Quer dizer,
se você não sabe, né, onde tá o problema, né, eh, com certeza fica dando murro em ponto de Fac, né, mas conhecendo a realidade, né, e sendo capaz de mobilizar em torno disso, é a forma de transformar. A a pergunta sempre é bem, eh, isso é um processo eh rápido? Não, não é, não é, né? É muito lento, né? Eu eu lembro que eu participei de um debate que eu vi um cartaz assim da eh da CUT, né, que tava lá falando eh sei lá, era tipo fora o FMI, salário mínimo de não sei quantos
Do, né, de o valor lá, tal, que e mais alguma outra coisa, né? Eh, isso era lá de 80 e qu, sei lá, uma coisa bem bem antiga, né? Eh, aí eu falei: "Bem, o FMI a gente já pode fora porque não tá foi justamente no no governo Lula, né, que o Brasil saiu do FMI e pelo né, até emprestou dinheiro com o FMI, né? eh a política de valorização do salário mínimo, que conforme se você calcular usando o índice do dies, né, eh vai praticamente Dobrou, né, eh até do do primeiro governo Lula até
agora, né? Então você vai olhando, né, você fala: "Pô, mas demorou muito tempo". É, demora, né? é muito demorado mesmo. Eh, e tem e nós estamos vivendo no no sistema capitalista, portanto, nós estamos vivendo eh em intensa contradição, né? Inclusive a contradição de você ter gente que tá sendo prejudicada por uma determinada tendência política e tá Apoiando por a, né? Eh, é uma coisa que nesse livro do Gessé, né? Já disse, olha, pode até não concordar com ele ter o conceito que ele usa de o pobre de direita, né? Mas se você for ler ali,
ele vai explicar todo o mecanismo eh de comunicação e de formação de opinião e de manipulação de mentalidades, né, que o capitalismo tem para fazer com que o sujeito que tá sendo prejudicado apoie justamente a tendência política que tá prejudicando Ele. Eu recomendo ler, né? Eh, principalmente essa parte da área de comunicação, que aí você vai ver, né? Mas eu não acho que a gente tá parado, não. Acho que a gente tá eh caminhando, é muito lento, né? Eh, quando o programa do Lula falava de reconstrução, né? Eh, você que é do Ministério do Trabalho,
você sabe muito bem o que aconteceu, né? Com o Ministério do Trabalho, inclusive tinha acabado, né? Não é isso? Eh, e toda a estrutura de fiscalização certamente, né, foi muito prejudicada, né, ou desmontada, né? Então você reconstruir isso, né, isso faz parte da contradição desse processo que a gente vive, né, é um é um processo eh absolutamente que tem caminha paraa frente, volta para trás, é é extremamente difícil, mas nosso trabalho é esse, né, o trabalho eh sindical, o trabalho de instituições como e de outras instituições que estão Eh justamente criando eh e lideranças, né?
eh para poder formando lideranças, não só criando, mas formando liderança para poder intervir, né, eh nesse processo de transformação. Acho que eh é isso, né? O plano de transformação, né? Eh, você vai, eu vou ficar devendo porque eh aí realmente esses planos de transformação aparecem justamente nesses grandes momentos, eh, de de debate eleitoral, etc., tal. Lamentavelmente, né? Porque deveria ter coisas que de Mais longa duração, né? de não só de duração de uma administração, mas que fossem políticas de estado, que dure mais tempo, etc e tal, né? Mas a gente chegaremos lá, né? Acho que
chegaremos lá. Eu sou um otimista, apesar do mundo tá próximo de uma de uma grande guerra aí que tá um problema gravíssimo, né? Eu ainda sou mantenho um certo otimismo. Tem que manter, viu? Porque senão a gente não Consegue levar as coisas adiante. >> No começo do século XX tava pior, vai. >> E a gente >> bastante coisa boa ainda. Então, >> exatamente >> da transição tem as suas possibilidades também. Também sou uma otimista, eu sempre sempre acho que vai ter resistência e a gente vai alterar um pouco os rumos. >> É, é, vai de
pedrinha em pedrinha, né? Vai construindo. Uhum. É só ver uma instituição como de imagine, não tem lugar nenhum do mundo, algo assim tem. E sobreviveu a todos os tipos de turbulência e continua, né, >> com dificuldade, mas vai indo, vai levando. >> Gente, eu tenho um problema técnico básico aqui. Minha bateria vai acabar. >> Mas você tem que contar pra gente qual é, qual é a desigualdade aqui. F. >> Ah, verdade. Não, é o privilégio de classe >> apenas. é o fundamental, né? Eh, é a é a é a luta entre as classes fundamentais. E
e aí, gente, é uma questão de ver justamente a concentração da riqueza, concentração da propriedade, a concentração eh de poder, né? Eh, é analisar a partir daí, né? Então, eh nós somos assalariados, né? classes subalternas. Tem gente que acha que faz parte da da elite, né, apesar de ser assalariado. Bem, eh temos muito ainda que explicar aos companheiros que acham Que tão na eh na elite, né? Eh, mas eh é isso. Nós vivemos uma sociedade de classe, né, muito mais complexa do que a sociedade de classe que o Marx analisou. né, o que o Weber
e outros analisaram, né? Eh, mas eh ainda sim é uma sociedade de classes. >> Bem, Prado, eu queria agradecer muito, assim, é sempre fantástico te ouvir. Quero que você venha mais vezes para cá, enfim, tô abusando, né? tudo que a gente vai organizar, eu chamo Prado, mas é que Uma figura para nós aqui muito assim muito e que inspira mesmo. Acho que eu já usei a palavra porque é um economista com um nível de solidez, com muita experiência, que também tem uma trajetória pública notável, né, brilhante. E além de tudo tem um jeito deano de
fazer conversas muito complexas, serem traduzidas, né, numa linguagem eh que a gente consegue aprender, consegue extrair. Além de tudo, tem uma Postura democrática com conhecimento, enfim, uma generosidade que é admirável. Então, fico muito feliz com esse nosso primeiro encontro. Espero que a gente se encontre muitas vezes ainda pro pessoal que tá ingressando, gente, é um prazer ver vocês aqui. Eu fico fico nervosa ao longo do dia, ansiosa aqui esperando vocês. É muito legal, né? Porque é a chegada de novos amigos, de um novo grupo que se forma também eh aqui que vai ter um convívio
intenso ao longo de Um ano e meio e que eu espero que seja uma trajetória de muita transformação para nós, né? Normalmente é isso que acontece aqui na pós-graduação. Então, na quarta-feira a gente vai se encontrar eh, como eu disse, né, com uma equipe maior da escola, com a Fabiana, com a Eliana, que vão se apresentar e a gente vai discutir um pouco como é que vai ser a nossa dinâmica de aulas aqui. vão tirar algumas dúvidas, mas também vocês vão ter um espaço eh para de fala, De apresentação e também de algumas trocas de
expectativas, né, pra gente dar o start no nosso curso aqui. Então, acho que missão cumprida por hoje. Vamos pro nosso merecido descanso e eu vejo vocês quarta-feira. Um grande abraço, viu? >> Obrigada, abraço. Boa noite a todas e todos. Abraço, abraço a todos e todas. Não sei como faz para sair. >> Tem ali do lado um botãozinho. >> Deve ter um botãozinho escrito. Tem uma porta em vermelho. >> Ah, tá aqui. Ainda escrita em inglês. Que beleza. >> Até mais. Eu vou. >> Boa noite. >> Bom te ver, Lisa. Então digo mesmo. Tchau. Tchau. >>
Eu não consigo sair.