Pronto, agora estamos mais ou menos. Meu Deus, estamos, mas não estamos em 1988. O profissional do termina o mandato dele, e aí vem a bela proposta do projeto Uniso.
Estou contando um pouco agora desse projeto maravilhoso, que resultou no estudo onde nós estamos nesse momento. De fato, quando termina o mandato, no dia 15 de março de 1988, houve eleições para a diretoria. Quem assume é a professora Sônia Febre.
Eu me lembro de uma reunião da fundação onde eu participei e propus a criação da Universidade de Sorocaba a partir das duas faculdades que a fundação mantinha juridicamente: a Filosofia e Administração (Fafe) e a Facas. Eu fiquei até surpreso; imaginava alguma dificuldade nessa aprovação, mas a aprovação foi unânime. Uma outra questão foi levantada, mas a aprovação foi unânime.
Faço questão de lembrar que, além da presidência do conselho, o senhor José Lambert foi totalmente favorável. Logo, eu apresentei a proposta, e fazia parte também do conselho superior, como vice-presidente, um grande amigo meu, o senhor Bauru Vallini, colega no clero, cujo único defeito era ser palmeirense, como eu, porque eu sou moreno, roupa às vezes sofrido, às vezes sumamente vitorioso. Mas, vamos lá, o Mauro defendeu imediatamente, e a ideia foi aprovada.
A partir daí, eu comecei com apoio, portanto, da Fundação Dom A qui. Claro que eu não ia trabalhar de graça; minha família continuaria dando aulas ainda na faculdade, mas apenas quatro vezes por semana. Termina a reunião e, no mesmo dia, procurei a prefeitura de Sorocaba, e o então prefeito Paulo, que era aluno da faculdade.
Ele foi uma pessoa muito ligada a mim desde menino; ele me conhecia porque era sobrinho-neto do monsenhor Canguru, que era o pároco da catedral, chamado pela população de Padre Chiquinho. Então, Paulo deve-lhe pela catedral até certas pinturas. A catedral está em cima, e lá em cima, a pintura dos quatro evangelistas.
Um dos evangelistas, se não me engano, Mateus, está com o livro dos evangelhos; o pintor caracterizou assim, né? E ao menino do lado, o menino é Paulo, pintado pelo pintor italiano da época, que era nosso amigo e também era Bruno de Justiça. Paulo recebeu a ideia com muito entusiasmo, e a ideia era que a prefeitura apoiar a proposta, me assumindo como funcionária da prefeitura, remunerado.
Portanto, ouvi uma medida interessante; cima hoje, principalmente errada, proibida, mas na época passou. Ou seja, o Paulo me criou o coordenador do ensino superior municipal, que não existe. Não existe porque a prefeitura não tinha nenhuma faculdade e, portanto, nem podia ter, porque a lei de diretrizes e bases da época, e até hoje, determina claramente que o ensino municipal só pode arcar com a educação em cima de formação básica.
A parte básica é isso: da creche até a nona série, até o antigo colegial, ou seja, é o terceiro do ensino médio. Mas o cargo foi criado, então, juntando o salário da Fundação e o da prefeitura, dava para eu viver razoavelmente, até porque esse processo durou seis anos. Em março de 1988 e setembro de 1992.
. . um processo de seis anos é longo, sim!
Eu via colegas de outras instituições de São Paulo e do país, colegas que encontrava em Brasília, que esse processo exigiu que fosse todo mês a Brasília, todo mês, às vezes duas vezes. Eu ouvia colegas ali que conseguiam as coisas com um passe de mágica, conversando com tal conselheiro, falando com tal funcionário do MEC, convidando para almoçar junto, oferecendo carro no aeroporto para levar o fulano daqui pra lá, coisa que eu não tinha condição nenhuma. E, a bem da verdade, não tinha nem estômago pra isso.
Eu pegava o ônibus do aeroporto até lá, o MEC. Uma vez, eu consegui o carro do deputado federal Teodoro Mendes, que era o pior legal da época, da minha barba dele. Eu pedi, e ele me concedeu esta grande honra, esse grande bico: o carro dele.
Ele mandou me pegar no aeroporto para me levar até o centro, fazer assim, Brasil. Mas eu realmente não via com bons olhos aquela sistemática de envolvimento de pessoas-chave para apressar o processo. Era muito chá de banco, somente chá de banco.
Mas tudo muito válido, muito e, graças a Deus, eu tive muita força para enfrentar o bicho. Lembro até de coisas interessantes. Às vezes, eu fui professor de português por muitos anos, às vezes entrava no MEC, no Ministério da Educação, e via algum outro cartaz, algum outro aviso com português errado, né?
Lembro que uma vez, no elevador que levava ao gabinete do ministro, o pessoal vai chegar perto, mas pelo menos no oficial de gabinete. Mas antes de um do elevador subir, olhei um dos vizinhos lá e imediatamente peguei a minha caneta Bic. Não sei se era a qual, a partir, com crazy ou coisa semelhante.
Havia também em outros momentos interessantes a assistência às reuniões do Conselho Federal de Educação, onde o nosso processo tinha que estar ali. Era interessante ouvir em partes e, num mal, sabiam que muitos anos depois eu seria chamado para fazer parte desse conselho. O contato direto também com o outro conselheiro da época, mais afável, mais acessível, também era muito interessante.
Por que tantas idas e vindas a Brasília? Porque não estava o processo em. .
. era a tramitação normal da época. O processo precisava começar com a chamada carta consulta, que tinha que ser feita.
Ali, eu consegui da fundação autorização para ter uma salinha; acho que não chegava a três metros quadrados para trabalhar nesse processo ali dentro. Sei que trabalhavam ali dentro porque a documentação básica da Faf na Faca estava ali, estava na minha casa, nem da prefeitura, naquele espaço, sem um mínimo. Então, me encaixei, eu e a secretária que foi escolhida para me ajudar, a pessoa.
De grande valor, me ajudou muito a Ismênia. Embalo x6, muito tempo sem dúvida é a provação da universidade. Ela foi a secretária e ajudou bastante na preparação da documentação, na datilografia, numa via computador.
Sim, ainda então era preparar a tal carta consulta, onde se mostrava, devia ter mostrado, e foi quem eram as faculdades, quem era a fundação, como era o nosso porte na época. A lei exigia nove cursos de graduação, e nós tínhamos conseguido convencer. Lembro: pedagogia, letras, filosofia, história, geografia, ciências, administração de empresas, ciências contábeis, ciências econômicas.
A gente tinha conseguido um ano antes e, naquele tempo, exigiam-se nove cursos de graduação no mínimo. Nós estavam, a mim, esse documento básico, então tinha que contar isso: o corpo docente, a estrutura física, um orçamento possível. Pronto, isso tinha que ser apresentado.
A gente aprontou no tempo devido. Quando achei, mas quando estava isto pronto, houve um decreto do presidente Sarney fechando o protocolo. Só vai ser aberto em 1990, 1º de janeiro.
Nós já tínhamos trabalhado dois anos; sim, estava pronta a carta consulta. Até tentamos ir a Brasília, fui, mas não houve jeito. O trabalho, o processo continuou, nos sentimos a preparação interna.
E aí começou-se a acrescer um movimento estranho, contrário à ideia, muito estranho, muito triste, muito perturbador, porque começou de dentro, na própria faculdade de administração. Não sei como, mas havia alguma penetracão na própria faculdade de tiros, porque eles foram contra a criação da universidade. Algumas razões eram inconfessáveis na época, como o medo de perder o emprego, porque perderiam; porque não eram pós-graduados e estavam acomodados.
Não havia professores naquela época, cairam a São Paulo, já iam a Campinas, já ao Rio. Aqueles que se pós-graduaram estavam, mas havia os acomodados, agora temerosos. Em contrário, havia também um medo, a ideia de que não havia estrutura, que era um sonho possível.
Havia também a disseminação, a contaminação dessas ideias negativas no próprio corpo docente. E aí, certeza, acadêmicos trabalhando contra, pelo menos alguns grupos lá dentro. Isso também acontecia.
Infelizmente, o Partido dos Trabalhadores de Sorocaba também era contra, e a alegação básica era que era um processo totalmente inoportuno, porque Sorocaba precisava era de uma universidade pública, gratuita e de qualidade, e o que a Uniso, a universidade que nós pretendíamos, não ia oferecer. Portanto, a luta para vencer essa força contrária foi muito grande. Passei a escrever nos jornais quase que diariamente explicando que a universidade, esse é um ponto básico, em Sorocaba não tinha noção do que era uma nas casas.
Há pouco estava em Sorocaba há muitos anos, mas como a faculdade isolada e com uma dependência absoluta da direção já em São Paulo. Então, a faculdade de medicina em Sorocaba era a faculdade, me dizer que não era vista como um grande ponto da universidade em Sorocaba. A população não tinha ideia do que a universidade, o próprio professorado das próprias faculdades, a grande maioria não tinha também.
Eu mesmo consegui crescer nessa ideia, desse conhecimento um pouco, porque eu vim de universidades, né? Em várias universidades europeias, onde eu fui aluno. Mas a si mesmo, como o sorocabano honorário desde criança, eu não via Sorocaba a falar, e a universidade, atividade universitária em Sorocaba.
Para dizer assim, bem, razoavelmente, Sorocaba era um pouco caipira, assim muito provinciana, realmente província. Lembro de anos atrás, um exemplo, Plínio Salgado era um grande líder nacional e era um grande escritor, um grande orador. Independente dos aspectos políticos da sua pregação, mais uma vez ele vem a Sorocaba.
Havia um grupo integrista em Sorocaba conforme ele ia falar do Sorocaba Clube, e eu me lembro, era às sete da noite. Eu era coroinha na catedral, e me lembro que, brincando ali na praça, esperando a hora da missa, sei lá, eu vi alguém sair do Sorocaba Clube. Falou do alto, veio a calçada do Sorocaba com gente: "O prêmio Salgado vai falar daqui a pouco.
" Por favor, apareço. Coisas de crise, pois em crise. Mostra, assim, Sorocaba, muito a linha, não há qualquer análise do pensamento, qualquer reflexão crítica sobre o país.
E aí, no aspecto político, muita coisinha miúda, detestável. Mas é nessa Sorocaba que, de repente, começa a querer crescer essa semente vizinha e um projeto de universidade. Por isso, então, não é muito surpreendente que tivesse havido dificuldade na criação da Uniso.
Assim, mas esse foi o processo, o caminho. Quando se abriu em 1992, 92, o protocolo às oito da manhã. Abriu às oito da manhã; eu estava na porta, só não fui o primeiro protocolado porque uma colega de outra instituição do Rio de Janeiro chegou depois de mim, mas chegou assim, falante, vistosa, bonitona.
E eu já via, durante os anos do processo de 88 até 92, a gente já se encontrava inúmeras vezes, e eu já tinha visto o jeito dela trabalhar, muito diferente do meu. E até por deliberação, eu fui, então, começa. Ela foi o número 1 do mundo e eu fui o número 2 aqui.
Ela, num rapaz, às 8h55 da manhã ou às 8h10 da manhã. Bom, então vai nos dar uma pequena pausa, depois vamos continuar falando a partir de 1992. Então, até daqui a pouco, continuando a ouvir o profissional.