Queridos irmãos e irmãs, é uma alegria estar aqui com vocês nessa noite. Eu sou o padre José Eduardo, pároco da Paróquia São Domingos em Osasco. Fico feliz de que o padre Jefferson esteja aqui com vocês; ele é um querido amigo a quem pude acompanhar na sua vocação.
Fico realmente muito feliz de que ele seja esse sacerdote e exerça o seu ministério aqui nesta paróquia. Estamos em preparação para a festa do Padroeiro dessa paróquia, São Paulo, e esta é uma ocasião muito importante para que façamos o que estamos fazendo hoje: celebrando uma missa pelo perdão dos pecados. Hoje praticamente mais não se fala de pecado; as pessoas parecem que eliminaram essa palavra da pregação da maior parte dos púlpitos.
Quando nós pensamos, por exemplo, naquelas pregações multitudinárias que algumas personalidades fazem pela televisão, parece que tudo está bem; parece que tudo é uma questão de afagar o ego ou de dar uma solução para tranquilizar a consciência das pessoas. E mesmo dentro da igreja, tantos são possuídos por um zelo amargo. O que é isso?
É quando nós entendemos de uma maneira mundana o combate ao pecado. É quando não fazemos aquilo que as Escrituras Sagradas e a história dos Santos nos ensinam, e passamos a um ativismo: um ativismo de murmuração, um ativismo de escândalo, um ativismo de denúncia, como se a Igreja de Deus pudesse ser tratada como se tratam os partidos políticos. E não é assim, não é assim, por diversos motivos.
Quando nós lemos na Escritura que o povo pecou contra Deus, muitas vezes, se pensarmos, por exemplo, na passagem pelo deserto rumo à terra prometida, quantas vezes o povo pecou gravemente a tal ponto que nenhum dos que saiu do Egito entrou na terra prometida! Segundo as Escrituras, Deus tinha que punir o povo de Israel porque o povo de Israel pecava. Então, Ele estendia a Sua mão, o Seu braço forte, para fazer com que o povo se corrigisse.
E assim, durante o Velho Testamento, nós vemos Deus continuamente chamando o povo para a conversão, Deus chamando o povo para o arrependimento, mas o coração do povo se desviava de Deus e se voltava para ídolos. Por exemplo, nós vemos o profeta Jonas, que foi enviado por Deus para Nínive, que era uma cidade que não estava no território de Israel. Ele rejeita o chamado, mas depois de ser engolido pelo peixe, diz a Escritura que ele é vomitado ali mesmo na praia e leva a Nínive a mensagem de Deus, quando diz: "Em quarenta dias Nínive será destruída" por causa do pecado que subiu aos céus, por causa do pecado que clamava a justiça de Deus, do Deus Santo, do Deus que não tolera as nossas iniquidades.
Ora, quando Jonas pregou, os ninivitas fizeram penitência e Nínive não foi destruída. Isso é muito importante, porque às vezes nós temos uma maneira de ler os acontecimentos de Deus na história de forma muito mesquinha, muito tacanha, muito tosca e não conseguimos ver como Deus vai conduzindo tudo segundo a Sua Divina Providência, condicionando muitas das Suas intervenções à mudança que Ele possa encontrar em nós, promovida pela Sua graça. Ora, o profeta Isaías diz, no capítulo 59 da sua profecia, o seguinte: "Vede, a mão de Javé não está encolhida de modo que não possa salvar, nem ficou pesado o seu ouvido de modo que não possa ouvir; ao contrário, vossas iniquidades é que se interpuseram entre vós e o vosso Deus; vossos pecados é que esconderam de vós a Sua face, impedindo-O de vos escutar.
" Isso é muito sério, queridos irmãos! Isso é sério demais! O que o profeta Isaías está dizendo é que os nossos pecados criam uma barreira entre nós e nosso Deus.
Vejam, o Deus da Bíblia não é como o Deus dos outros credos que não se importam com os pecados do seu povo. Por exemplo, se você for recorrer à feitiçaria, ninguém vai perguntar para você se você pecou, se você precisa se arrepender, se você tem que mudar, etc. Por quê?
Aquela concepção de divindade é uma concepção meramente ritual. Você vai lá, oferece um sacrifício, apresenta uma oferenda e, em troca, aquela divindade vai te dar aquilo que você, por assim dizer, acordou com ela. Na Bíblia não é assim.
Na Bíblia você tem que se converter! Na Bíblia não tem essa conversa de "Ah, eu vou comprar Deus com uma oração; eu vou comprar Deus com uma oferenda". Não, querido!
Deus não se deixa subornar por ninguém. Você pode estar fazendo tudo muito correto aos teus olhos, mas o Livro dos Provérbios diz: "Para o homem, todos os caminhos são válidos, mas é o Senhor quem pesa os corações. " Os nossos pecados criam uma barreira entre nós e nosso Deus, e isso ocorre de forma individual ou coletiva.
E é aqui que nós precisamos começar a entender o modo sobrenatural pelo qual devemos enfrentar as aflições que a Igreja sofre em nossos dias. Em primeiro lugar, nós precisamos chamar pelo nome todos os pecados da nossa geração, como fez Moisés intercedendo pelo povo, como fez Abraão intercedendo por Sodoma e Gomorra, como fez o profeta Daniel, como fez a rainha Ester. Todos nós temos que aprender a chamar os pecados pelo nome.
Nós fazemos isso do ponto de vista individual quando vamos nos confessar. Então, por exemplo, não seria válida a confissão de quem dissesse: "Ah, eu cometi, sei lá, um pecado contra a castidade. " Pera aí, calma!
Há muitos pecados contra a castidade. Qual foi o que você cometeu? É fornicação?
É adultério? É um pecado contra a natureza? Há muitas formas de pecar contra a castidade.
Você tem que chamar o pecado pelo nome. Ora, se isso vale do ponto de vista individual, também vale do ponto de vista coletivo. Nós podemos pensar: quais são os pecados da nossa geração?
E até de uma maneira mais específica: quais são os pecados da nossa geração de cristãos? Isso é. .
. Importante, porque veja: se nós não sabemos chamar o mal pelo nome, nós não sabemos que mal é esse. É necessário que haja um diagnóstico.
Quantos pecados são característicos da nossa geração? A nossa geração é uma geração blasfema, que ofende a Deus com as suas palavras e com a sua conduta. A nossa geração é uma geração sacrílega; ela passa por cima das coisas santas e as atropela como se não fossem nada.
A nossa geração é uma geração naturalista; parece que tudo depende do homem e das forças humanas. A nossa geração é materialista; pensa apenas no dinheiro, no trabalho, em satisfazer as suas necessidades básicas. Nossa geração é uma geração depravada; quanta imoralidade sexual se comete de Norte a Sul, em todos os lugares!
Nossa geração é uma geração que se entregou à escravidão dos vícios, que entregou o seu coração à adoração de outros deuses, deixando de lado Jesus Cristo e a sua Igreja. A nossa geração é uma geração que deu as costas para Deus; através de um pensamento colado à terra, imanentista, não consegue mais transcender para as coisas do céu. E, como cegos, os homens da nossa geração caminham apressadamente para o abismo infernal.
Esse é o quadro. Só que tem um problema: não basta chamar os pecados da nossa geração pelo nome; não basta chamar, inclusive, tudo isso que é uma permissão divina pelo nome. Vejam, tudo aquilo que nós vivemos, individual ou coletivamente, é uma permissão divina.
E a grande pergunta é: por que Deus permite tudo isso? Cinquenta anos atrás, a nossa geração não era tão depravada quanto agora. Por que Deus permitiu que nós chegássemos aqui?
Nós temos que reconhecer, queridos irmãos, temos que reconhecer que nós [música] merecemos tudo isso. Pensemos, por exemplo, nas dificuldades que enfrenta o nosso país no presente momento: não foi por falta de aviso, não foi por desconhecimento. Nós estamos colhendo aquilo que nós plantamos; nós merecemos uma geração assim, perdida e cega, porque negligenciamos a pregação da palavra, negligenciamos a pregação sobre o inferno, negligenciamos a pregação sobre o pecado que conduz ao inferno, negligenciamos a pregação sobre o demônio, que é o nosso tentador, aquele que combate contra a graça em nossas almas.
Nós somos negligentes; ou seja, nós temos que entender que Deus está nos dando um remédio [aplausos] amargo. Quando o povo de Israel recebia de Deus, diariamente, o maná, a água que brotava da fonte, o povo se rebelou, dizendo: "Nós queremos carne. " Então Deus lhes disse: "Vocês comerão carne até sair pelos vossos narizes.
" É isso que Deus está fazendo com a nossa geração. Vocês querem carne; vocês querem carnalidade; vocês escolhem o mal, então vocês vão comer carne até sair pelos vossos narizes, até vomitarem pelas vossas narinas. Essa é a medicina de Deus, é amarga.
As pessoas dizem: "Nossa, por que não aparecem aquelas figuras tão cheias de unção, por exemplo, como nós tínhamos na década de 90, aqueles homens de Deus poderosos nos dons do Espírito Santo, tanta coisa maravilhosa? " Será que Deus mudou? É o profeta Isaías, não; a mão do Senhor não está encolhida de modo que Ele não possa salvar, nem ficou pesado o seu ouvido de modo que não possa ouvir.
Ao contrário, são as vossas iniquidades que se interpuseram entre vós e o vosso Deus; vossos pecados é que esconderam de vós a sua face, impedindo de escutar. Ou seja, se as coisas estão ruins e elas parecem que podem piorar muito, é porque nós merecemos. Nós temos que reconhecer: uma oração que não reconheça essa verdade não é sobrenatural.
É por isso que, vejam, nós temos que reconhecer que nós somos parte do problema, que nós nos deixamos levar por toda essa [música] onda de materialismo, de decadência moral, de indiferentismo religioso, sei lá o quê; de alguma maneira, isso penetrou no nosso coração; de alguma maneira, isso nos impede, de alguma maneira, a orar, a jejuar, a buscar a Deus, a ter um compromisso forte com o Senhor, a queimar de amor por Ele. Nós somos parte do problema. É por isso, queridos irmãos, que hoje eu olho com tanta tristeza para certos católicos da internet, cujo único esforço é denunciar o pecado dos outros, como se eles não fossem parte do problema, como se eles não olhassem para si e dissessem: "Veja, Senhor, tem misericórdia, porque eu sou parte disso".
Eu não sou como um justo que está do lado de Deus, enquanto o mundo já na iniquidade; eu também sou tocado pela iniquidade. Eu não posso pensar muitas vezes; talvez vocês já tenham pensado isso; eu também já pensei: "Nossa, por que eu vim nascer nessa época? Eu podia ter nascido num momento da história em que o catolicismo estava tão forte, vigoroso, em que todo mundo tinha fé, em que a Igreja tinha um impacto sobre a sociedade.
Eu podia ter nascido num tempo em que a virtude fosse vista com admiração e o pecado fosse visto com repulsa. Por que eu vim nascer nessa época, em que parece que só quem é bandido é que sobe, só quem não presta que vai pra frente, em que parece que o pecado é bom e a virtude é coisa de gente besta, de gente idiota? Por que eu vim nascer nessa época?
" Ora, eu vim nascer nessa época porque eu mereço; eu mereço. Eu faço parte do problema. A humildade tem que me fazer reconhecer que eu sou parte do problema.
Apenas quando isso estiver bem colocado na minha alma, é que eu posso fazer a oração de Daniel. Vejam, no capítulo 10 da profecia de Daniel, 9:10, o profeta faz uma oração maravilhosa. A Bíblia diz que Daniel era irrepreensível aos olhos de Deus, e como é a oração?
Eu vou até pegar aqui, já que estou com a Bíblia na mão. E como é a oração de Daniel? Está aqui no capítulo 9: ele diz: "Suplico-te.
. . ".
Senhor Deus, grande e temível, que guarda a aliança e a misericórdia para os que amam e guardam os seus mandamentos. Temos pecado. Temos pecado.
A Bíblia diz que ele era irrepreensível diante de Deus. Como ele disse, como ele ora, ele ora como alguém que diz assim: “eles pecaram, mas eu estou aqui, eu sou fiel a Ti. ” Não, a oração dele é: “temos pecado e cometido iniquidade, fomos ímpios, afastamo-nos e nos desviamos dos teus mandamentos e julgamentos; não obedecemos a teus servos, os profetas, que em teu nome falaram a nossos reis, nossos chefes, nossos pais e a todo o povo da terra.
” Tua, Senhor, é a justiça; nossa, é a vergonha no rosto, como hoje acontece a todo habitante de Judá, como aos moradores de Israel, tanto aos que estão perto, quanto aos que estão longe, em todas as terras para as quais os expulsaste, por causa das iniquidades que cometeram contra Ti. Vejam, queridos irmãos, ele se coloca como parte do problema, mas ao mesmo tempo em que ele se identifica com os pecados do povo, intercede numa espécie de arrependimento por identificação, ou seja, somos nós que estamos pecando contra Ti, somos nós que, de algum modo, temos atropelado a Tua palavra, pisado nos Teus mandamentos. Somos nós, ao mesmo tempo em que o profeta reconhece como seus os pecados do povo e se vê como parte do problema, confessando as iniquidades da nação como suas, ele reconhece que só Deus pode resolver tudo isso.
Somente Deus, só Ele é grande; só Ele pode fazer algo que de fato possa mudar a nossa sorte. É por isso que ele diz: “Agora, pois, ó Deus nosso, escuta a oração e as súplicas do Teu servo e, por amor de Ti mesmo, mostra a Tua face sobre o Teu Santuário abandonado. Inclina, meu Deus, o Teu ouvido e escuta; abre os Teus olhos, vê a nossa desolação e a cidade sobre a qual Teu nome foi invocado; pois não é por confiar em nossa justiça, e sim nas Tuas inúmeras misericórdias, que derramamos nossas súplicas diante de Tua face.
Escuta, Senhor! Perdoa, Senhor! Atende, Senhor!
E age por causa de Ti mesmo; não demores, meu Deus, pois Teu nome foi invocado sobre a cidade e sobre o Teu povo. ” Ele clama a Deus, sabendo que só Ele pode resolver toda essa situação. Se você acha que pode resolver a crise da igreja, você está enganado; você não pode nada.
Se você acha que as suas denúncias vão fazer algum efeito, não vão, porque só o Espírito Santo pode convencer o homem do pecado, conforme diz Jesus no capítulo 16 de São João. Isso não é tarefa tua; você não vai conseguir, você não consegue converter ninguém. Você e eu somos carne morta para qualquer efeito sobrenatural.
Só Deus pode tocar nos corações, só Ele pode transformar, e Ele só fará isso se nós reconhecermos que tudo o que tem acontecido em nossos dias é decorrente dos nossos pecados, dos pecados que se levantam contra Ele dia e noite, sem cessar. O Seu coração sacratíssimo é alvejado diariamente por nossas agressões. Quando nós reconhecemos que só Deus pode resolver, então nós começamos a pedir perdão ao Senhor, ao invés do nosso coração se encher de orgulho e nós ficarmos nos comportando como se fôssemos justos e os outros fossem pecadores, exatamente como aquele fariseu na parábola do fariseu e do publicano: “Senhor, eu Te dou graças porque eu não sou como esses homens.
Eu não sou como esses homens que desprezam, que pecam, que são ímpios; não, eu cumpro a Tua lei, eu pago o dízimo da hortelã, do cominho, eu não sou como esse cobrador de impostos. ” Nós não nos comportamos assim, mas nós dizemos: “Senhor, tem piedade de nós todos, porque nós todos somos culpados disso tudo. ” É então que esse pedido de perdão começa a tocar o coração de Deus, porque é o perdão de uma geração.
Vejam, queridos irmãos, a igreja nos nossos dias se tornou muito naturalista, mais uma vez por nossa culpa, porque nós todos somos assim. Todo mundo quer ser agradado. Mas, em outros tempos, quando acontecia uma calamidade pública, por exemplo, como há pouquíssimo tempo atrás, houve a pandemia.
O que estaria fazendo a igreja naqueles dias? Estaria fazendo procissões imensas, pedindo perdão a Deus pelos pecados do povo e pedindo clemência para que nós pudéssemos ser salvos. Era isso que nós estaríamos fazendo.
Vejam que diferença! Nós hoje não somos mais capazes de fazer um ato público de reparação diante de tantas blasfêmias que acontecem todos os dias, todos os anos. Irmãos são paradas para promover o pecado, para glorificar o pecado.
São shows horrendos em que acontecem as coisas mais vergonhosas, patrocinados com o nosso dinheiro; somos nós que pagamos por isso e nós não saímos às ruas gritando a Deus e pedindo perdão. Como é que nós queremos que Deus nos transforme? Como é que nós queremos que Deus transforme a nossa sociedade se não existe em nós um reconhecimento público?
Se nós não nos colocamos diante de Deus para clamar pela Sua misericórdia? Só Ele pode resolver tudo isso. Portanto, junto com a oração em que pedimos perdão a Deus, também deve haver a oração pela qual pedimos ao Senhor que intervenha, depois de perdoar o nosso pecado.
Queridos irmãos, isso é muito importante, muito, muito, muito importante, porque a oração pertence aos meios ordinários da Divina Providência. Toda ação tem um acontecimento, uma espécie de intervenção prodigiosa de Deus que mude instantaneamente tudo, a iluminação das consciências, sei lá, mais o que tem, a alguém propalando alguma aparição que promete isso, aquilo. Escutem, tudo isso é extraordinário, mas a oração de petição é o meio ordinário que em nossas mãos, para que tudo seja revertido.
É Jesus que diz: “Pedi e me recebereis. ” No Salmo 2, diante de toda conspiração que fazem contra Deus e o Seu ungido, o Senhor olha para o ungido. E diz: "Pede-me, e eu te darei as nações como herança.
" Pede, pede-me. Nós temos que pedir, queridos irmãos, menos murmuração e mais oração, menos reclamação e mais mãos levantadas para o alto. É isso que nós necessitamos quando oramos a Deus, levantando as nossas mãos e dizendo: "Senhor, eu não posso mudar isso, eu não posso transformar, mas o Senhor pode.
Tem misericórdia de nós, perdoe os nossos pecados. " Nós merecemos tudo isso, mas grande é a Tua misericórdia. Atende, Senhor, perdoa, Senhor!
Quando nós nos mobilizamos para orar, Deus escuta a nossa oração. Tudo que pedirdes em acordo entre dois ou três, isto vos será concedido pelo meu Pai que está nos céus. Disse Jesus.
Por último, e aqui encerro: tudo isso nós temos que pedir não para o nosso proveito. Quantas pessoas são como os apóstolos, né? Os apóstolos queriam que o Reino de Deus viesse; eles queriam mesmo, falavam, estavam lá animados.
Mas o que eles estavam pensando? Eles estavam pensando que iam ser os primeiros ministros aqui na terra, um à direita, outro à esquerda, que iam governar. Está todo mundo querendo a vinda do Reino de Deus, a mudança de tudo para tirar a sua casquinha daquilo que Deus tem a fazer.
Não! A palavra do Senhor é clara: não dividirei a minha glória com ninguém. Nós temos, irmãos, que ser apaixonados pela glória de Deus.
Por quê? Porque eu quero que a nossa geração se converta. Porque o meu coração grita por uma transformação, porque eu quero que Deus seja glorificado.
Para maior glória do nome dEle, para exaltação dEle, para que Ele seja conhecido, honrado, adorado, reconhecido, para que o Seu nome seja enaltecido, para que só Ele seja levantado acima de todo nome. É isso o que eu quero: que Jesus seja engrandecido. Deus não atende nenhuma oração interesseira.
Ele atende a nossa oração quando nós olhamos para Ele e dizemos: "Senhor, venha a Teu reino, seja feita a Tua vontade. " Depois de termos dito: "Santificado seja o Teu nome, o Teu reino, a Tua vontade, porque Tu és a glória. " Como nós dizemos: "O poder e a glória para sempre.
" Tudo isso, queridos irmãos, deve fazer o nosso coração exultar. Só que tem uma coisa. Uma coisa que nós hoje temos e que os profetas do Velho Testamento não tinham: nós temos a Santa Missa.
A Santa Missa é o mesmo sacrifício de Jesus no Calvário. Se você colocasse numa balança todos os pecados do mundo e uma única missa, uma única missa pesaria mais diante de Deus do que todos os pecados do mundo, porque a missa é o mesmo sacrifício de Jesus Cristo. Nós estamos oferecendo essa Santa Missa pelo perdão dos pecados, a começar pelo nosso, para tirar essa barreira que impede a graça de Deus de agir.
A Santa Missa é o sacrifício expiatório por excelência, porque é o próprio sacrifício do Deus encarnado para remover o pecado como obstáculo para a Sua divina graça. Portanto, queridos irmãos, esta noite nós estamos vivendo um dos momentos mais importantes. Se a nossa cidade aqui de Carapicuíba tivesse consciência do que nós estamos fazendo hoje, a cidade inteira estaria aqui, porque nós estamos oferecendo o sacrifício de Jesus Cristo no lugar dos pecados de toda a cidade, e o peso do sacrifício do nosso Senhor é infinitamente maior do que o peso dos pecados de toda a humanidade.
Por que a graça de Deus não se manifesta de maneira esplendorosa ao oferecermos esse sacrifício de Jesus Cristo ao Pai? Porque nós não nos convertemos, porque somos incrédulos, porque pedimos perdão da boca para fora. Mas se no seu coração existir hoje o mínimo desejo de ser sensível à voz do Espírito Santo, Jesus diz que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta montanha: "Sai daqui e transporta-te para o mar", e isso acontecerá.
Ainda que a nossa fé seja pequena, se ela for sincera, verdadeira, sobrenatural, ela poderá fazer esses sete passos: reconhecer os pecados pelo nome, reconhecer que os castigos são merecidos por todos nós, reconhecer que nós somos parte do problema, reconhecer que só Deus pode mudar toda essa situação e, portanto, pedirmos perdão, pedirmos a Deus que Ele intervenha, que Ele mude, que Ele transforme. E, em último lugar, unicamente para Sua glória. Se nós tivermos o coração convertido a este ponto, grandes graças de Deus estão para derramar-se sobre nós pelo sacrifício de Jesus Cristo ao Pai, que celebramos em cada Santa Missa.
Que o Senhor aumente a nossa fé e nos transforme em discípulos realmente sensíveis ao Seu coração, homens e mulheres que sabem escutar a voz de Deus e importar-se com o coração santíssimo de Jesus Cristo. Amém!