o olá caríssimas e caríssimos com vocês tudo bem eu sou o túlio augusto os professores sociologia apareço aqui mais uma vez hoje para falar daquela que é seguramente a maior dentre todas as polarizações da vida brasileira e olha que nós estamos vivendo um período de muita polarização né trata-se da diferenciação entre o público eo privado entre a casa ea rua a casa tomada que como uma extensão da vida privada e à rua claro que uma dimensão da vida social da vida pública né no âmbito social é eu pego de empréstimo essa essas esses dois polos
aí casa e rua a partir de um autor chamado roberto da matta nascido em 1936 um carioca ceni carioca vai que nasceu em niterói que tem passagem por muitas universidades ao redor do mundo ele fez e é professor emérito da universidade de notre dame na frança foi professor em muitas universidades americanas tá atualmente estabelecido na puc do rio de janeiro ele tem mais de 20 livros publicados tem uma vida muito ativa é um dos meus intérpretes para favoritos do brasil sou um grande admirador da obra dele não só eu muita gente ele tem centenas de
artigos e livros publicados e é o mais importante deles é dos dentre os livros dele é esse aí carnavais malandros e heróis para uma sociologia do dilema brasileiro um livro publicado em 1979 já foi traduzido para muitos países quem sabe falaremos aqui desse livro um dia a noção que eu extrai hoje ela está presente no texto dele que se chama a casa ea rua vai ter uma ideia desenvolvida e muitos outros livros ele estabelece que essa oposição entre casa e rua é fundamental para se entender a identidade nacional é fundamental para si e a noção
aqui o brasileiro tem de si e da sua sociedade elas são verdadeiras categorias sociológicas fundamentais para o brasil a categoria sociológica entenda-se aqui como aquele conjunto de regras de valores aqui notei uma sociedade né que determinam como a sua cidade pensa e como ela age de maneira concreta e específica né a casa compreenda-se aqui também não é o espaço físico na casa onde você mora você habita a casa é um espaço moral acaso seria aquela dimensão onde as relações elas se dão pela simpatia pela afeição aonde a um onde você é uma pessoa compreendida e
dotada das suas particularidades e a rua em uma posição seria aquele espaço onde as relações se dão no nível contratual onde a regra da impessoalidade onde a os domínios da vida pública onde o nosso a nossa gramática amor e é diferente das regras da casa né ah se a casa é hospitaleira e trata cada um conforme as suas particularidades a rua não a rua aí nós fica a rua pertence a todos na rua nós somos massa nós somos povo e em casa você é você com a sua singularidade ele ele explica como isso definir muito
da da nossa identidade nacional ea como se nós tivéssemos a dois sistemas operacionais para rodar o mesmo software e aí que a coisa índice porque nós sempre estamos lidando com essas duas lógicas com a lógica da casa ecológica da rua e normalmente nós estamos transplantando a lógica da casa nos domínios da rua e aí que a gente em vista sobretudo na vida pública né porque ele entende que a sociedade brasileira é uma sociedade movimentada sempre em movimento de estabelecimento de conexões estabelecimento de relação entre os a dinâmica da impessoalidade que aquela regente na vida pública
ela não dá muito conta de explicar tudo isso é por isso que a gente sempre diante de um problema a gente quer englobar a rua na casa né a gente se refere à sociedade como uma grande família ou no âmbito da política onde se é muito comum a gente a se refere como algum político como o nosso guia o nosso líder é isso é a semântica básica do populismo né o como o pai dos pobres como era chamado o getúlio vargas né que foi um dos políticos mais importantes e populares aí da nossa história a
gente está sempre a querendo atuar nos domínios da rua com a lógica da casa né é por isso que a coisa a gente lida tão mal com a nossa cidadania né porque porque a rua é um ambiente inóspito a gente é povo a gente é massa na o que é da rua não é bom né os conflitos que vem da rua não são o nome da rua não é boa a ideia existente de que o tudo uma mulher por exemplo quando ela não vale nada é uma mulher da vida né uma criança que não tem
ninguém quiser e por ela é um menino de rua portanto a gente está sempre ali dando mal com a ideia da coisa pública porque a gente entende que o que é público não é nosso portanto a gente pode depredar o bem público porque ele é problema do governo ele não me diz respeito né na rua a gente é oprimido pelas autoridades daí vem o medo da polícia daí vem a desconfiança com o político porque o polícia é só alguém que quer te passar por traz tudo que representa o público é meio nocivo então a gente
está sempre tentando recriar a lógica da casa nas dimensões da rua né é por isso que quando a você por exemplo leva uma multa você não pensa na primeira coisa é no na instância recursal do detran se lembra daquele coronel é amigo dos e quem sabe pode quebrar essa para você a sua filha precisa entrar no mercado de trabalho você pensa você se lembra primeiro naquele dia todo mas estatal que é seu vizinho e quem sabe poderia arrumar um estágio para sua filha porque a gente tá sempre me dando mal com a regra da impessoalidade
e mais do que é consagrada na constituição como um este definidor da vida pública ela é o elemento fundamental para a gente conviver nos espaços públicos e nós brasileiros e damos muito mal com isso que a gente quer sempre a recriar a especialidades existentes na casa no ambiente da rua por isso a gente queria subterfúgios tais como você sabe com quem você está falando né ou a daquele dá carteirada que na prática tá dizendo olha eu não sou um zé ninguém eu não sou alguém sem eira nem beira que não tem casa não eu sou
alguém porque eu tenho mereço um tratamento exclusivo eu mereço uma relação a diferenciada um privilégio né e a nossa subir cidadania se dá nessa dificuldade que dia entender a coisa pública e por isso a gente não respeita as regras de trânsito por isso a gente joga o lixo pela janela a gente limpa a casa sujando a rua varrendo a sujeira de casa para rua por isso a gente ah entendi ah muito mal que o que é coisa do governo é problema do governo não nos diz respeito é muito complicado você conviver com essa dupla cidadania
né é muito complicado você incorporar essa dinâmica né por isso que o político assumir o poder ele não quer que a polícia federal por exemplo investir que o filho dele que andou fazendo coisa errada porque porque é a lógica da casa afinal de contas eu tenho que zelar pelos meus pelos meus amigos e por aí vai isso é muito definidor da vida política nacional e muito definidor da nossa noção em todos os laços por exemplo aí negócios também fica muito claro né aquela conversa típica do camelô né para você eu vou é basicamente é com
eu crie uma relação aqui com você portanto você merece tratamento distinto não igual ao dos outros da rua o que você não é um zé ninguém será alguém da rua né você agora é alguém com quem eu tenho uma feição né o nosso capitalismo tá muito permeado por isso né a lógica do jeitinho a lógica da propina da do criar dificuldades para vender facilidades oxe você não pode tratar um amigo como conforme a relação contratual ou de que olha isso está estabelecido em contrato que tem que ser assim ah mas eu te conheço há tanto
tempo quebra esse galho para mim faz diferente para mim você me conhece você sabe quem eu sou a gente é amigo essa lógica da casa sendo sempre transposta para rua né e a gente está sempre criando uma série de metáforas a respeito disso né quando você quer romper com alguém um grupo social você diz que aquela pessoa foi posta no olho da rua né ou alguém está provido de a simpatia por parte de um grupo social e ele é alguém que tá na rua da amargura amargura a ideia de rua sempre remetendo a uma coisa
ruim e a ideia de casa como ele é casa casamento né casal nessa semelhanças são palavras de tintas e essa rede de metáforas aí elas ilusão muitas das ideias que a definirem as nossas relações né em casa não fala de negócio né mas na rua você tem que cobrar os seus credores né e você tem que ser um águia nos negócios mas com os amigos é diferente você tem que ter um tratamento diferente e vim é uma série de extinção a tese fundamental do roberto da matta é de que a gente está aqui a nossa
o nosso pendor inclusive por festas por por ritualísticas ela é por cerimônias e tudo mais mais do que um lado meu cínico e festeiro do brasileiro é um pouco essa tentativa de conjugar as esferas que são antagônicas isso elas que são complementares mas que são separados e tentava tentar colocá-los em conjunto né esses mesmo que são domínios diferentes de um mesmo sistema social a casa ea rua essa lógica do público e do privado do pessoal ou do impessoal e a gente está sempre tentando recriar isso o carnaval ele vai nos dizer no fundo é uma
uma ideia é uma tentativa de recriar essa essa coisa viver com essas lojas essas lógicas e ponta cabeça nem que seja momentaneamente de uma forma utópica por alguns dias e por isso a gente incorpora lógicas tipo ninguém conhece ninguém ninguém é de ninguém e tudo mais que são a tipo regentes da nossa vida nacional e o nosso espírito festivo é no fundo uma tentativa uma modalidade de tentar conciliar essas duas lógicas antagônicas tô falando aqui de uma noção muito e você vai ver que ele bebe das fontes do sérgio buarque de holanda que vai falar
das relações cordiais o do homem cordial brasileiro né cordial aqui entenda-se como que vem do coração na cordial no sentido de simpatia é da nossa dificuldade estabelecer relações que não sejam que que não sejam pessoais e essa mais essa opção para outra a hora e eu essa é uma noção muito arrasa e superficial do pensamento do da mata eu te convido então a lê a casa ea rua espaço mulher cidadania e morte no brasil é o livro muito gostoso ser lido e se você quiser começar com uma maneira mais light recomendo a lê o da
mata as quartas-feiras no jornal o globo ou no jornal estado de são paulo ele escreve sempre textos primorosos falando a respeito de tudo pra gente manter essa relação aqui essa relação cordial pra gente manter essa simpatia aqui nada de intencionalidade da ua eu sou nesse vídeo recomendo esse canal para alguém e por favor se inscreva também no canal final eu não sou um zé ninguém não sou alguém da rua você já me conhece então por favor se inscreve aí um abraço até a