não vou mentir para vocês acho que é a quinta versão que eu tô tentando gravar como eu acho difícil gravar falando de filme porque a gente tem que ficar contando a história do filme O conta não conta e eu me vi me alongando demais em coisas que eu não queria Então eu fui voltei fui voltei apenas cinco vezes ou seja me prestigia Brasil vamos falar que esse filme é muito amor se você acabou de chegar nesse canal meu nome é J vcard sou meu mesma Dona e proprietária desse modest espaço você pessoa do outro lado
é sempre muito bem-vinda por aqui você pode me encontrar também nas outras redes sociais Instagram Blu Sky tiktok e você pode me encontrar também no meu novo projeto podcast escrever sem medo em que eu tô entrevistando mulheres escritoras brasileiras que escrevem diferentes gêneros textuais e para bater um papo sobre escrita tá sendo muito muito gratificante fazer parte e Para apoiar todos esses projetos que acontecem de maneira independente ou seja sem financiamento sem publicidade você pode ir lá no ap Se barjan viscard pois Muito que bem gente e eu já falei de outros filmes por aqui
eu deixo a playlist para você acompanhar e ver sobre o que eu já falei e eu decidi vir falar de vidas passadas porque é um filme gente que me tocou demais que eu achei muito muito bonito e eu vou dar uma sinopse muito breve assim porque o que me interessa na verdade é pensar um pouco sobre alguns dos elementos desse filme é um filme que muita gente já falou sobre ele ele teve uma repercussão excelente assim ótima por aí foi muito bem inclusive na crítica e se você quiser saber mais né sobre o filme em
detalhes Você tem uma série de textos vídeos podcasts falando sobre ele eu posso dizer que esse é um filme que vai contar a história de uma mulher que migrou com os pais da Coreia do Sul pro Canadá e depois do Canadá para os Estados Unidos e nesse filme A história dela é contada A partir dessa dinâmica da da emigração da família e da carreira dela e da relação dela com algumas figuras que vão ser importantes pra trajetória dela uma dessas pessoas é o amigo de escola ainda na Coreia do Sul e a figura que se
torna o marido dela que é o Artur a quem ela conhece numa residência artística descrita e isso é um ponto importante também né Ela é uma escritora e tem essa esse elemento da carreira como passeando também pela história dela o interessante desse filme é que ele faz cortes eh passando vários anos no meio do caminho são 24 anos no total Então você tem Primeiro ela com 12 anos depois com 24 anos depois com 36 anos então são essas três fases da vida dela só que o começo do filme Ele é bem emblemático porque você tem
essas três pessoas adultas sentadas no balcão de um bar conversando só que você não tá ouvindo a conversa delas a câmera tá aberta né assim neles três mas o que você ouve é a voz de uma outra pessoa imaginando Qual a relação entre essas três figuras então é interessante você observar que essas vozes essa voz tá tentando criar esses diferentes cenários então ah esse cara Branco deve ser o guia turístico dessas duas pessoas que estão passeando aqui não não na verdade eles três são colegas de trabalho ai Será que o cara branco é casado com
a mulher asiática então dois asiáticos são casados e a outoa sabe se lá quem é então eles Vando dierentes cenos essoa vaiando diferentes cenários na conversa e a gente tá acompanhando isso tem um corte e a gente de repente nessas Du crianas na Coreia do Sul e aí enfim a história se desenrol se Desenrola mas é muito interessante essa cena fica na verdade não só essa mas essa também ficou uma cena muito conhecida e a fotografia do filme também é muito bonita as cenas tem assim enquadramentos muito interessantes é tudo realmente assim Ai gente sério
pelo amor de Deus Celine song um beijo sua maravilhosa que não tem a menor ideia que eu estou falando de você é um filme de estreia dessa diretora e é uma beleza assim e o que é que me interessa nisso ah tem um ponto importante esse esse filme é um filme que acontece em duas línguas coreano e inglês e é isso é sobre isso que eu quero falar aqui né e é muito interessante a gente observar porque essa personagem quando menina o nome dela é nong e o menino é haon só que no meio do
caminho enquanto ainda estão na Coreia do Sul a família tá conversando sobre a mudança você vê que eles vão entende que eles vão se mudar e a anong que tá conversando com a irmã sobre os nomes que vão escolher Então você tá entendendo que essas pessoas vão mudar de nome né e de fato mudam de nome aong passa a se chamar nora mun Então você já tem aí um elemento que é de quebra desse elemento da identidade digamos assim quando você precisa eh construir esse escolher um novo nome para si a partir do momento que
você vai viver numa outra cultura Então esse é um ponto que eu acho interessante o que acontece é que esse menino Hung e a nong vão se separar porque ela vai emigrar e ela descobre 12 anos depois eh já Vivendo em Nova York que ele tá procurando por ela você vê que ela tá lá conversando com a mãe e tal por e tela né por computador ela tá no computador e tá conversando com a mãe Acho que pelo celular já não me lembro mais mas eles elas estão estão conversando e acabam falando desse menino ai
como ele chamava mesmo e tal e aí ela entra lá sei lá no Facebook e vê que ele tinha procurado por ela tempos atrás Então ela fica curiosa faz amizade com ele então eles retomam o contato ela já adulta e ele também nunca mais eles tinham se falado desde que ela tinha ido embora da Coreia do Sul e aí a partir disso essa história tem esse desdobramento desse reencontro virtual dessas duas pessoas que nunca mais tinham se visto e aqui tem um elemento de linguagem muito interessante e tem relação com o nome também quando eles
começam a se falar ele pergunta ah eu posso te chamar de nong ela falou assim Pode mas na verdade ninguém mais me chama desse nome nem mesmo a minha mãe isso é um ponto interessante porque ela ele vai chamá-la de nong mas veja que é isso é um resgate de um elemento da vida dela que ficou mesmo no passado porque nem a própria mãe vai chamá-la do nome coreano então a volta desse rapaz pra vida dela é a reconexão é esse essa esse lugar de um passado mesmo né em que até o nome se altera
isso é um elemento que eu achei muito interessante e aqui um resgate da relação dela com a língua porque a partir do momento que é ela estabelece o contato com ele de novo ela se vê tem uma cena em que parece que ela tá decorando o teclado coreano porque veja ela mora nos Estados Unidos então ela faz uso do alfabeto eh como o nosso alfabeto do português o a b c d e e tal e em coreano a gente tem outras estruturas para escrita Então ela tem que eh trazer de volta pro teclado ela tem
que colocar no teclado essa estrutura então você vê que no começo isso tá lá tá posto ela tá resgatando esse contato com a língua para poder se comunicar com essa pessoa então é muito interessante pensar o quanto essa língua que é a língua materna não é a língua do presente da vida dela que ela precisa ir se refam com a língua e claro consigo mesma com essa eu do passado que tinha um outro nome e que se reconecta com esse rapaz que agora é um homem adulto e eles vão se eh reconectando no meio do
caminho eles ficam muito próximos muito muito próximos só que ela começa a não ver muito para onde vai essa história e eles eh e ela decide pôr um ponto final nessa nessas conversas que eles tiveram por um bom tempo porque nem ela os planos deles são diferentes eles se reencontraram tão muito felizes virtualmente né mas ela quer fazer as coisas dela da carreira dela e ele também tem planos ali da vida dele vai mostrar ele na Coreia com os amigos e tudo então são vidas que estão apartadas mesmo por assim um seano de distância né
então nisso eles ela decide não ficar mais com ele e sofre com isso vai para uma residência artística e conhece lá o Arthur Arthur vou chamar de Arthur mais fácil com quem ela acaba começando uma relação nessa residência artística e é interessante porque pulo do gato pro início dessa relação é uma cantadinha coreana que ela empreende um rapaz faz muito bem Foi algo que foi muito comentado por aí não vou e me estender sobre isso aqui que tem a ver com um uma palavra em coreano que é inum que tem a ver com a relação
da da da conexão entre as pessoas a maneira como elas a conexão que as pessoas têm que pode ser dessa vida mas de outras vidas vidas futuras vidas passadas e tal mas você acredita nisso ele vai falar para ela fal Ah não na verdade é uma cantadinha que a gente usa com as pessoas enfim que não são coreanas E aí Ino eles ficam e acabam eh se casando E aí o que acontece que você pula mais 12 anos então tinha 24 36 anos eles casados eles casados Ressurge ele mesmo ha suung Ressurge e diz que
tá indo e para os Estados Unidos e veja que o que a gente tem é ela já casada ele enfim estabeleceu lá a vida dele tinha uma namorada acabou se separando e decide fazer essa viagem e enquanto está na Coreia com os amigos amigos falam você não tá indo para ver aquela moça com quem você já se relacionou não né aquela moça lá sei lá daquela outra época não não não tem nada a ver e tal e os amigos tiram o sarro dele porque quando entram para ver como é que vai est o tempo em
Nova York vai tá chovendo um tempo ruim e tal e é muito interessante Observar isso também a maneira como a chuva se apresenta como o reflexo no espelho ou na água dele Ah é bem bonito assim enfim e aí Aqui tem um ponto que me interessa que tem tem a ver com os usos dessas duas línguas e você tem Claro tudo acontecendo em coreano enquanto eles estão na Coreia do Sul né ela pequena o rong lá também com ela depois quando ela emigra você tem os usos do inglês mas a primeira cena em que ela
e o já marido o Artur estão juntos na cama você vê a cena que você tem é as pernas entrelaçadas e uma conversa se eu bem entendi ele e o Arthur que é americano está conversando com ela em coreano e ela responde em inglês então você tem na cena da intimidade do casal e uma cena inclusive muito descontraída ele falando em coreano perguntando se ela tá com fome e ela só respondendo em inglês o que a gente percebe ali daquelas cenas é que ela não usa mais o coreano raramente vai usar o coreano no dia
a dia dela de trabalho por exemplo ou na relação com essa figura que é o marido porque ele fala inglês e ela também mas nessa cena justo nessa em que a gente tem esse elemento de intimidade quem está falando coreano é ele e não ela a próxima cena em que os dois vão aparecer juntos na cama de novo o marido Arthur e a nora e num dado momento ele vai dizer assim você você sabia que você fala em coreano quando você tá dormindo aí ela fala eu falo ele sim você nunca fala dormindo em inglês
você sempre sonha em coreano aí ela fica curiosa fala nossa eu não sab sabia disso ele fala sim Aí ela fala você nunca me disse isso aí ele falou na maior parte do tempo eu acho fofo algumas vezes eu não sei eu acho que eu fico com medo aí ela diz com medo de quê E aí ele vai dizer uma coisa que muito me interessa você sonha em uma língua que eu não entendo é como se houvesse toda uma parte dentro de você né em você que eu não consigo adentrar eu onde eu não consigo
ir e eu achei e bonito porque na verdade é uma ilusão a gente achar que em falando as mesmas línguas a mesma língua que a gente consegue decifrar o outro em completude então é tão bonito a gente pensar que tem essa outra camada de porque não falamos a mesma língua Ou porque em algumas circunstâncias nós não usamos a mesma língua que tem todo um conjunto de coisas que eu não decifro sobre você quando na verdade mesmo durante o mesmo quando somos da mesma Cultura a gente não necessariamente vai decifrar esse outro e eu acho esse
um elemento bonito desse filme porque quando raung que é o amigo dela né vem pros Estados Unidos ele passa pouquíssimos dias lá ele a postura eh do marido é de dar o espaço para ela essa questão do Y Jung vai aparecer nas conversas inclusive mas tem um lugar de dar esse espaço para que ela reveja essa figura e tem muita muita coisa bonita nesse filme mas uma uma coisa que me chama atenção demais é essa delicadeza os silêncios dessas interações e essa volta essa ela que ela não é e que ela é então tem esse
momento em que eles estão conversando e ele vai perguntar se ela tá atraída por ele algo nesse sentido que ela vai dizer que não então tem essa coisa dela dizer ele é muito coreano algo como muito tradicional né um pouco no dizer dela ali e o quanto isso vai aparecendo muito coreano muito americano então o quanto esse elemento do eh esse existe um parece ali um não é um confronto mas essa relação entre o ser Americana e o ser coreana isso sendo confrontado digamos assim com essa figura que vem do outro lado do mundo eh
para encontrá-la no final das contas e com quem ela tem essa história mas ao mesmo tempo um presente em que essa conexão está ali mas é alguém que parece ser de alguma maneira tão diferente dela mas tão próximo já que tem essa cultura também que os une digamos assim né Essa cultura Claro essas memórias essa relação que eles tiveram quando eram ainda crianças né e que depois se se restabeleceu já adultos mas que isso desapareceu e ela foi viver a vida dela e ele foi a vida dele porque ele teve também uma namorada e tal
então É muito interessante observar e eu fiquei mas eu fiquei muito com isso na cabeça Essa frase do Artur eh como quem diz se eu essa coisa do decifrar o outro e ou não decifrar porque não tem a língua e o quanto isso no final das contas é uma ilusão é óbvio eu entendo o que ele tá dizendo ali mas é muito interessante pensar que isso é uma ilusão no final das contas porque a língua ela não é o espelho do mundo e também não é o espelho do outro então tem muito de mal entendido
tem muito de indecifrável tem muito de eu falo isso muito nos meus cursos de escrita por exemplo né na no que são as nossas interações com o outro então mesmo diante da mesma língua essa língua ela não é um espelho daquilo que somos né então a muito a decifrar então você pode ter outras camadas a decifrar no caso de estar com alguém que fala uma outra língua mas na verdade esse acesso completo ao outro a gente jamais terá inclusive Porque os sonhos também são coisas que estão aqui dentro né e não no outro sei lá
e é interessante pensar sobre esse elemento do espelho eu tava lendo um texto sobre o filme que falava da importância dos jogos dos espelhos eh no filme ao longo do filme então quando o rung chega nos Estados Unidos eh a imagem dele refletida no vidro do hotel e aí a chuva lá fora o quanto eh ela quando chega na residência artística ela olha para o espelho e a maneira como ela tá se olhando naquele espelho na hora que ela tá conversando com o marido sobre o primeiro encontro que ela teve com o raung o quanto
ela tá olhando para um espelho e falando dessa relação com o outro e se olhando no espelho então Eh e tem vários momentos em que isso aparece no filme então isso também é muito interessante que me faz voltar de novo para essa questão da língua que não é espelho então nós ti com uma maneira somos indecifráveis talvez há muito de nós que não se decifra mesmo quando você vive uma longa relação mesmo quando eh nessa relação as pessoas falam a mesma lingua e então o que a gente tem são essas camadas daquilo que talvez a
gente não vai não vai conhecer do outro ora porque essa pessoa fala uma outra língua hora porque a gente acabou de conhecer ess essa pessoa hora porque mesmo estando tanto tempo com ela sempre há algo mais a saber e conhecer Enfim gente é um filme lindo eu talvez tivesse até outras coisas mas eu nem sei eu só queria trazer este elemento que tem a ver com pensar eh a relação das línguas da subjetividade sabe daquilo que somos a partir da língua que experimentamos e não aqui querendo fazer um determinismo barato não é isso mas entende
eh e o quanto a língua é um elemento importante daquilo que somos era isso que eu queria dizer da nossa identidade da nossa cultura o quanto esse elemento é presente marcante em nós e no caso de pessoas que são bilíngues e que emigram é claro que é depender de diferente as histórias de imigração podem ser muito diversas e e muito violentas inclusive mas eh o quanto essa trajetória de emigração tem um impacto muito importante também na nossa subjetividade quando a gente pensa a relação com uma língua e uma cultura e o quanto isso pode ser
abruptamente cortado em função da presença num outro lugar o que nos desloca para uma outra língua então a gente é deslocado não só fisicamente mas emocionalmente cognitivamente e corpó obviamente é tudo junto né e o impacto que isso pode ter na nossa vida e o quanto isso também vai eh tá marcado nas relações que a gente tem com as outras pessoas e esse filme tem é muito bonito pensar também aqui agora para uma outra coisa só para finalizar essa conversa a maneira como essas três pessoas se relacionam como esse marido se relaciona com essa essa
com a esposa que tem essa história pregressa que chega em chega ali em Nova York eh e como é que ele se coloca na como é que ele recebe essa história como ela recebe essa história e e se vê ali diante eh da sua corean didade né e a corean desse outro Essa palavra não existe né mas enfim Deu para entender e o quanto é que essa pessoa que se desloca lá do outro lado do mundo para vir para cá para vê-la basicamente como é que ele entende essa relação que tá ali mas que e
é um jeito de fechar a história que é muito bonito porque não é essa coisa ai sei lá do beijinho no final que agora muda tudo não é uma coisa assim a vida é assim tem histórias que se fecham mas que não se fecham no sentido de que ninguém quer mais saber um do outro não são coisas que ficam ali marcadas e emoções que estão ali presentes Laços que estão ali presentes mas que não vão poder ter continuidade porque as pessoas vivem mundos diferentes realidades muito distantes e distintas então não há mais aquela não não
há mais como Aquela relação acontecer inclusive porque outras já existem e como essas pessoas percebendo isso que fazem daquilo é assim de partir o coração e é belíssimo e é demais e esse elemento da língua dela reaprendendo o coreano no computador sabe reaprendendo nesse sentido né os usos do coreano naquela tecnologia eh é tudo muito interessante assim muito legal ele falando o marido falando coreano com l ela só falando em inglês com ele depois ela falando só em coreano com ha suung claro né é muito bonito então é um convite para você a do outro
lado para assistir esse filme Se você ainda não viu um beijo e tchau tchau