[música] [música] [música] [música] Quando se fala em Nuremberg no cinema, quase sempre se fala em tribunal, sentenças e discursos memoráveis. Desde os anos imediatamente posteriores à guerra, o julgamento dos líderes nazistas foi transformado em um símbolo. Seria o momento em que o mundo teria finalmente colocado o mal no banco dos réus.
Documentários oficiais, dramas de tribunal, minisséries e produções televisivas já abordaram Nuremberg como um marco fundador da justiça internacional. Em quase todas elas, o foco está no processo jurídico, na retórica moral e na ideia de que ali nasceu uma resposta civilizada ao horror. O filme Nuremberg, que será lançado nos cinemas no início de 2026, parte deste legado, mas não se acomoda nele.
Em vez de repetir o tribunal como palco heróico da lei, o longa escolhe olhar para o que havia por trás das cortinas, as decisões políticas, o risco moral e sobretudo o fator humano. Ele dialoga com filmes anteriores, mas rompe com a visão confortável de que Nuremberg foi uma vitória da justiça. Aqui o julgamento não é o ponto de chegada, é um experimento e isso muda tudo.
Vamos saber um pouco mais sobre o filme Nurberg. [música] Entrar no Tribunal de Nuremberg é um privilégio. E o nosso grupo tá entrando agora.
Olha lá. Tá até, Marcelo tá até com medo. >> Quando a guerra acabou, o mundo queria vingança, mas em Nuremberg tentaram algo mais perigoso, justiça.
E justiça dá trabalho, porque exige provas, regras e, principalmente, sangue frio diante do mal. Hoje vou analisar o filme de 2025, Nuremberg, que chega ao Brasil, como eu disse, no início de 2026. Mas para entender o filme de 2025, você precisa saber o que veio antes, porque Nuremberg já foi filmado de vários jeitos.
Existe um documentário chamado Its Lesson for Today, ou seja, a lição para hoje de 1948. um documentário oficial construído a partir do próprio julgamento. Ele existe para deixar uma mensagem que tudo foi registrado.
Já o filme de 1961, que é um clássico absoluto do cinema, Nuremberberg vira palco de debate moral e jurídico e não só de reconstituição histórica. O filme de 1961 tinha um excelente elenco para a época, com Spencer Trace como o juiz principal do tribunal, Max Millianchell como um advogado alemão, Bart Lancaster como um psicólogo, Marlene Dietrich, Montgomery Cliff, Richard Widmark e um elenco multiestelar. O filme fez muito sucesso nas bilheterias e, como eu disse, é considerado hoje um clássico.
Já em 2000 chegou as telinhas das TVs americanas uma minissérie em dois capítulos que reconstitui em formato de docrama o processo de Nuremberberg e os personagens centrais. No elenco, atores como Alec Baldwin, Brian Cox, Christopher Plummer, Michael Ironside e outros. Em 2023, foi a vez do cinema russo lançar a sua versão dramática sobre o tribunal de Nuremberberg.
O filme russo acompanha os personagens soviéticos envolvidos no processo, incluindo um capitão tradutor que vai a Nuremberg em busca de ser irmão desaparecido. É um filme que mistura drama pessoal com a dimensão histórica do tribunal, focando mais em personagens fictícios e oferecendo um ponto de vista diferente sobre os mesmos eventos históricos. Ou seja, o cinema já mostrou Nuremberg de várias maneiras, como documentário, como tribunal moral e como uma reconstituição histórica.
Aí vem a pergunta: o que este filme de 2025 traz de diferente? E esta pergunta tem uma resposta interessante. O filme escolhe outro ângulo, o laboratório humano por trás da corte.
Ele de uma história real onde um psiquiatra do exército americano é encarregado de avaliar mentalmente os líderes nazistas presos, especialmente Herman Ging, enquanto toda a trama para a realização do julgamento se desenrola. Então, o coração do filme não é quem vence no tribunal, mas como mal se explica quando ele fala com calma, com charme e com lógica própria. O diretor e também roteirista do filme é James Verbuild, um renomado roteirista e produtor conhecido por filmes como Zodíaco, O Espetacular Homem-Aranha e Pânico de 2022.
Ele também dirigiu o filme Verdade de 2015 e sempre explora temas históricos e psicológicos com profundidade. Ao escrever o roteiro, ele se baseou no livro O nazista e o psiquiatra de Jack El High. O filme foi feito principalmente em locações em cidades como Budapeste em 2024, o que dá uma realidade conceitual ao filme, pois Budapeste em muitos aspectos se parece com Nuremberg.
>> Esta é a sala do julgamento de Nuremberg. Aqui os cabeças do partido nazistas que sobreviveram ao final da guerra foram julgados. a maioria foi posteriormente executado na prisão.
Este era o banco de réusioneiros ouviam o processo e tinham também o direito de se defenderem. No filme recente, Nurenberger, onde Russell C interpreta eh Herman Gen, esse julgamento é refeito. Essa sala é feita em estúdios e é apresentado todo um um uma visão diferente psicológica do duelo entre Garg e o seu analista psicológico forense.
O filme é um duelo de palavras e de pensamento e muito tenso. É um dos melhores filmes do ano que deve disputar aí o Oscar. E tendo a oportunidade de estarmos aqui em Nuremberg, a gente dá para sentir um pouco do clima de como foi esse julgamento e até comparar com o filme.
Mas sem sombra de dúvidas, o julgamento de Nuremberg foi o julgamento do século e marcou uma atuação de organismos internacionais contra criminos de guerra. Mas atualmente os organismos internacionais perderam a sua força e governos têm questionado isso. Será que o exemplo de Nuremberg ficou no passado?
Quem sabe? O ator principal Russell Crow, que interpreta Herman Gorn, tem um peso histórico no cinema bélico militar. Crow é um dos raros atores que transitam entre guerra antiga, moderna e psicológica, tendo feito filmes relevantes como gladiador, Mestre dos Mares, Promessas de Guerra, entre outros.
O ator domina personagens carismáticos e intelectualmente perigosos. Goren não era um fanático gritador, era articulado, vaidoso e manipulador. E Cell traz exatamente esse aspecto para sua interpretação, o vilão que fala baixo e convence.
Já Ramir Malek interpreta Douglas Kelly, um psiquiatra do exército dos Estados Unidos, encarregado de fazer um perfil dos prisioneiros nazistas. Malec esteve em produções como The Pacific, a minissérie da HBO, onde ele vive um fuzileiro americano e também outros filmes biográficos como Bohemian Hapsod sobre Fred Mercury. Já Michael Shannon interpreta Robert Jackson, o promotor chefe dos Estados Unidos, que lutou para que o julgamento fosse realizado.
Shann já esteve em produções marcantes como Bordo Walk Empire, a minissérie da HBO. também esteve os 12 heróis sobre a guerra no Afeganistão e até interpretou Elvis Presley no filme Elvis e Nixon. Muito interessante.
Em sua atuação, ele representa a lei em tensão constante com a pressão política, o peso histórico e o risco de transformar justiça em vingança. Ele ancora o filme no aspecto jurídico e institucional. Em Nuremberg, o ponto é exatamente este.
Depois da rendição, líderes nazistas são capturados e passam a ser avaliados. E o protagonista precisa então responder uma pergunta que parece clínica, mas é moral. Eles são insanos ou plenamente conscientes do que fizeram?
E o filme constrói então um duelo onde o perigo não é físico, é intelectual. Porque quando um criminoso histórico começa a se justificar com calma, no caso Ging, ele tenta reescrever o mundo dentro da sua cabeça e arrastar você, o personagem e também o psiquiatra do filme junto com ele. O filme quer ser histórico e é, mas também quer te prender como um suspense psicológico, o que também é a atuação de Hussell Crow como Ging se mostra carismática.
Isso mesmo, isso é dramático, mas exige cuidado para não virar uma glamorização. E este é um fio da navalha onde a história corre. O filme cutuca o espectador.
Se a mente por trás do horror é normal, o que isso diz sobre a sociedade, no caso sobre a sociedade alemã, mas que serve como análise para a nossa sociedade. Nuremberg não foi só um julgamento, foi a tentativa de criar uma regra internacional depois do caos da Segunda Guerra. Sem panfletar, o filme insiste que a engrenagem do horror não nasce do nada, mas ela pode se normalizar.
E este é o coração de Nuremberg, o coração do enredo do filme. A produção não quer apenas recontar fatos, ela questiona decisões morais e psicológicas que continuam desconfortáveis até hoje. No começo, o filme já traz um questionamento, que é a própria escolha de julgar os líderes nazistas ou simplesmente executá-los.
E o filme deixa claro que isso não era consenso. Havia uma pressão política na época. A opinião pública estava cedendo por vingança e até os líderes aliados defendiam execuções sumárias.
Julgar aqueles homens significava dar voz aos criminosos, permitir que se defendessem, correr o risco de transformar o tribunal em um palco. O filme mostra o julgamento como um salto no escuro. Não existia um precedente sólido.
Nuremberg não apenas julgava crimes de guerra, criava o conceito de crime contra a humanidade, enquanto julgavam os criminosos nazistas. Além da sala que a gente acabou de visitar, a o Palácio da Justiça aqui de Nuremberg oferece um museu sobre o julgamento, museu muito interessante, bem completo, que a nossa turma do Viagem na História está tendo a oportunidade de de visitar também. E lembre-se, você pode participar conosco na visita a Nuremberg, ao Palácio da Justiça, a sala 600 e todos os outros atrativos da cidade, historicamente falando.
Entre em contato conosco pelo nosso WhatsApp, tá aqui na tela, e garante seu lugar na próxima turma por esse roteiro incrível pela Alemanha. Nurberg não foi só um tribunal, foi um experimento moral com o mundo inteiro assistindo. Outro aspecto que ao longo do filme vai nos perturbando é o carisma de Goring.
Nullenberg não apresenta Herman Goring como um monstro. Ele é eloquente, confiante, inteligente, vaidoso, mas espirituoso, ao contrário de seus colegas de cela que chegam às vezes aos extremos. Isso desmonta a expectativa clássica do virão gritador.
Garing é perigoso justamente porque se sente confortável em qualquer ambiente, inclusive diante de psicólogos, juízes e oficiais aliados. Há uma cena quando ele é colocado em sua cela e o filme faz um contraponto com os outros nazistas que desmoronam ao serem encarcerados. Garing elogia a construção dizendo engenharia alemã.
Uma vez nazista, sempre nazista. O filme não o glamoriza explicitamente, mas flerta com um limite perigoso. Mas isso é intencional.
O diretor força o espectador a se sentir o mesmo desconforto dos personagens, perceber que o carisma não absolve, mas confunde. O filme nos lembra que o nazismo não foi comandado por loucos berrando, mas por homens que sabiam conversar e tinham o dom da palavra. O personagem de Ramimaleek, o psiquiatra, não enfrenta um homem em colapso, enfrenta alguém que se recusa a aceitar culpa e constrói uma narrativa própria, onde ele continua sendo um estadista derrotado, não um criminoso.
E isso gera o questionamento mais moderno do filme. A ciência consegue explicar o mal sem normalizá-lo? Ou então, dito de uma outra forma, entender é o mesmo que perdoar?
Até que ponto o observador permanece neutro quando o objeto de estudo é intelectualmente superior, mas moralmente vazio? São perguntas que nos perseguem ao longo do filme, mas estas perguntas não encontram respostas fáceis no filme, que continua a empilhar outras perguntas ainda mais desconfortáveis. Julgar foi a decisão correta.
Dar voz aos réus fortaleceu ou enfraqueceu a justiça. O carisma pode mascarar crimes absolutos? A análise psicológica explica ou relativismo o autor: "O maior perigo mostrado pelo filme não é Goring no banco dos réus.
É a facilidade com que a razão pode ser usada para justificar o injustificável. " E aí vem a pergunta principal. Quando a justiça vira espetáculo, ela continua sendo justiça?
O filme não responde, ele coloca o espectador dentro do problema. Desde o seu início, ele deixa claro que Nuremberg não é apenas um tribunal, é um evento mundial cuidadosamente observado, registrado, fotografado e narrado. Tudo ali tem plateia.
A imprensa internacional, os governos aliados, a opinião pública e a própria história em tempo real. O julgamento passa então a ter uma dupla função, punir juridicamente e ensinar moralmente ao mundo. E aí surge o coração dessa pergunta principal.
Quando a justiça precisa ensinar, ela começa a atuar e perde o seu sentido. A justiça tem que ser sempre neutra na acepção da palavra. O filme sugere isso, que Nuremberg foi inevitavelmente uma encenação necessária, mas ainda assim uma encenação.
E se é uma encenação e o réu consegue roubar a cena, quem está no controle deste espetáculo? A justiça tem de provar os crimes, deixar registros irrefutáveis para futuros questionamentos e também educar as gerações que virão. Mas o risco é evidente.
Ao transformar o julgamento em lição moral, você transforma o tribunal em um palco. E isso não é mais justo. Ao longo do filme, você vê discursos longos, provas chocantes exibidas como choque visual para impressionar cenas pensadas para causar impacto emocional.
Nada disso é falso, mas em Nuremberg e assim como outros tribunais, tudo isso é coreografado. Nuremberg foi justiça, mas também foi um Missansan histórica, ou seja, um espetáculo simulado, pois o espetáculo simplifica. O espetáculo cria heróis e vilões claros.
O espetáculo reduz zonas cinzentas, mas aí vem a lembrança de que o nazismo nasceu justamente nas zonas cinzentas da normalidade, não no excesso teatral. [música] Viu só? Essa aí é a nova camisa da promoção do canal Viagem na História.
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