Módulo 7 aula 4 Vamos falar agora sobre um procedimento importantíssimo para quem trabalha com a ABA: o pareamento. A construção da relação terapêutica entre o cliente e o profissional é um componente essencial para o sucesso da interação. E, para isso, nós usamos o pareamento.
Essa aliança está fortemente relacionada aos resultados terapêuticos favoráveis, ajudando na melhoria de questões como ansiedade, esquiva social e comportamentos desafiadores que o cliente pode vir a apresentar. O princípio comportamental utilizado para construir relações que sejam significativas entre cliente e profissional é denominado pareamento. Então, esse é um nome que nós já vimos quando falamos de princípios básicos, e acabamos trazendo esse termo para falar desse procedimento.
Como conceito, o pareamento é basicamente um procedimento baseado na construção de relação entre estímulos, geralmente entre dois, mas podendo envolver mais, por meio da apresentação sucessiva entre esses estímulos. A base desse procedimento é o condicionamento respondente. Através do pareamento, um estímulo novo, por exemplo, um novo terapeuta para aquele cliente, pode ganhar propriedades de um outro estímulo já conhecido do cliente, como brinquedos e outros reforçadores.
Assim, se alguns brinquedos e reforçadores já são conhecidos e fazem com que o cliente esteja disposto e animado para fazer algumas atividades, o terapeuta também pode adquirir essas propriedades e passar a evocar respostas semelhantes às evocadas por esses estímulos. Não usar esse procedimento pode dificultar muito a relação entre cliente e terapeuta, devido à constante associação entre o terapeuta e atividades e demandas. É uma atividade dos terapeutas propor tarefas para o cliente, propor algumas atividades e, como costumamos dizer, "colocar demandas" para o cliente.
E se o terapeuta estiver associado apenas a pedidos, tarefas e atividades, essa relação pode não ser muito positiva. Aqui estou enfatizando a relação entre terapeuta e cliente, mas podemos estar falando também da relação entre qualquer pessoa que interage com frequência com o cliente, como familiares ou professores. As relações entre pessoas são construídas, em grande parte, por meio de pareamentos.
As exigências que nós, profissionais, fazemos aos nossos clientes em relação às tarefas e atividades podem fazer com que o cliente associe nossa imagem e nossa voz a desconfortos, ou seja, às exigências e dificuldades envolvidas na realização de uma determinada tarefa. Por isso, o terapeuta deve investir parte do tempo da terapia em se associar, se emparelhar ou se parear, esses termos todos são utilizados nesse contexto, com atividades consideradas reforçadoras para o cliente. Ou seja, o terapeuta deve se apresentar junto com brinquedos, com brincadeiras.
Se o cliente faz um lanche, o terapeuta também estará presente nesse momento, podendo ser quem busca o lanche, ajuda a abrir a embalagem, tirar da vasilha, da mochila. Ou seja, o terapeuta se aproxima e se coloca à disposição do cliente para dar acesso a itens reforçadores com pouca ou nenhuma demanda, tornando-se esse profissional divertido, que transforma a sessão em algo mais interessante e agradável. Então, parear-se com reforçadores é algo essencial.
Aqui vão algumas dicas de como você pode fazer isso na sua sessão de terapia. Participe de maneira sutil quando a criança estiver engajada em alguma atividade de interesse, como um brinquedo ou assistindo a um vídeo no tablet, por exemplo. Você pode se aproximar com discrição e buscar alguma interação com a criança, tomando cuidado para não atrapalhar o acesso que ela está tendo ao item.
É muito importante conversar com o cliente durante as brincadeiras e atividades preferidas. O que queremos nesse momento é parear a nossa voz com esses itens agradáveis e de interesse do cliente. Durante a própria intervenção, devemos utilizar procedimentos que proporcionem maior quantidade de acertos do que de erros.
Isso também contribui com o pareamento. O que acontece nessa situação? O terapeuta acaba pareado com momentos de sucesso do cliente, e não com momentos de frustração ou desconforto por estar errando uma determinada atividade.
É fundamental realizar atividades baseadas na motivação do cliente. Devemos observar o que o cliente gosta e busca dentro da sessão, e proporcionar isso não de forma isolada, mas participando da interação. Pareamento é, basicamente, se colocar junto com itens de interesse da criança, momentos de diversão com ela, evitando que a brincadeira ocorra de forma solitária e isolada.
É claro que o cliente também precisa aprender a brincar e se entreter sozinho, pois haverá momentos em que isso será necessário ou até preferível. No entanto, especialmente no início do trabalho com um novo cliente, devemos nos parear com itens reforçadores e atividades divertidas, com sensibilidade para o que é interessante e agradável para aquele indivíduo, evitando excessos. Alguns clientes não consideram agradável ou divertido quando os terapeutas são muito efusivos, falam alto, cantam ou agem de forma exagerada.
Isso pode ser incômodo. Por isso, devemos perceber e respeitar o que aquele cliente específico gosta e o que ele não gosta.