Bem-vindos ao podcast caos planejado seu programa sobre cidades eu sou Anthony ling e Hoje converso com Fernando Ferreira e Raul da Mota Silveira Neto sobre o impacto do zoneamento na acessibilidade à moradia nascido em São Paulo Fernando é professor cfq da escola de wharton da Universidade da Pensilvânia é formado em economia pela Universidade de Maringá mestrado na ufgs na Federal do Rio Grande do Sul e Doutorado na Universidade da Califórnia em berkley de Recife Raul é professor titular do departamento de economia da Universidade Federal de Pernambuco a UFPE e da pós-graduação em economia da UFPE
é graduado em economia pela UFPE tem mestrado e doutorado em economia pela USP e pós-doutorado pela Universidade de illinoi Urbana champaign tanto Fernando como Raul são especialistas em economia Urbana e regional tendo publicado inúmeros Artigos acadêmicos sobre o assunto também estão presentes durante a gravação apoiador do Caos planejado que tem a oportunidade de fazer perguntas ao final da nossa conversa Para apoiar o caos planejado acesse caos planejado.com bar apoie este Episódio é oferecido pela Place plataforma que usa a expertise de arquitetura Big Data e inteligência artificial para gerar estudos de viabilidade financeira e urbanística em
tempo real um processo que antes Demorava Dias dentro do Place pode ser personalizado e feito em um clique entre em ospa.com.br barace e gera o teu também bom professor Raul Professor Fernando é um grande prazer ter vocês aqui no episódio pra gente falar um pouco sobre economia Urbana eh no tema do impacto do zoneamento na acessibilidade à moradia né e e o título aí que eu escolhi faz uma referência a um paper do Ed glazer né economista de Harvard que que Analisou essa relação em cidades Americanas e ah a gente eu tô chamando aqui de
zoneamento restrições US solo em geral né normalmente com critérios separados por zonas da cidade principalmente referente ao potencial construtivo de um determinado terreno e vocês dois convidados né são ah aí que eu vejo referências brasileiras estudaram esse impacto do zoneamento nos preços de móveis de aluguéis em cidades brasileiras e para começar a nossa Conversa eh eu pensei em em pedir para vocês cada um de vocês explicar Ah assim muito brevemente né um minuto eh qual é a relação entre zoneamento e acessibilidade de moradia aí eente o professor Raul pode começar e e o Fernando pode
complementar E aí a gente faz um um preâmbulo aí da nossa conversa eh isso obrigado eh Anthony é um prazer estar aqui com vocês né cumprimento Fernando e demais Eh claro que eh como economista né Eh a minha o meu enfoque e Vai ser eh muito associado à a abordagem Econômica eh da do fenômeno né Eh então Eh basicamente a nossa leitura eh a nossa forma de ver eh o impo de restrições sobre acessibilidade e é essencialmente via e restrição né a moradia restrição uma oferta de moradia Ah que e no curto mas também no
Médio prazo e às vezes no longo prazo reverte aumento de preço n porque a oferta não reage de forma rápida e portanto e o acesso à Moradia fica mais difícil o que termina eh levando a um certo espraiamento né das moradias espraiamento significa eh quando não emprego quando o emprego não acompanha na mesma velocidade e às vezes nem acompanha em velocidade alguma a localização das moradias Isso dificulta o acesso de quem né Eh tem que morar nas periferias as oportunidades de mercado de trabalho então basicamente é por essa via que a gente eh percebe que
não que não haja motivos Para zoneamento ou restrições no uso do solo urbano é muito fácil argumentar a presença de externalidades negativas em várias situações mas o nosso ponto é que e as restrições não ocorrem sem custos né Eh que devem ser ponderados no m né quando da da implementação das restrições perfeito perfeito Obrigado Fernando Anthony Obrigado por me convidar ah por um prazer est aqui com você com com o Raul Ah e tudo que o Raul falou eu endosso e e fala um pouco mais Ainda essas restrições a oferta de Imóveis que que que
é o o padrão dessas das várias leis de zoneamento que todas as cidades têm Ah é um é um dos temas econômicos mais importantes da atualidade antes de covid era o tema mais importante aqui nos Estados Unidos ah por um por um simples motivo afeta todos nós eh quanto mais restritiva for as leis de zoneamento mesmo que essas leis tenham boas intenções de de de de transformar a Cidade de deixar a cidade mais organizada mais planejada são essas boas intenções são todas Jogadas pela janela e o que importa pras pessoas é o o custo é
o custo dos imóveis é o custo do aluguel e essas restrições feit por por nós pela sociedade acabam fundamentalmente afetando a o o nosso bolso e e quando afeta o nosso bolso afeta todo o resto como como aul falou a escolha de onde morar de como morar como dirigir trabalho e etc não perfeito que São são temas que a gente tenta trazer com bastante recorrência no caos planejado Já que é um assunto que ainda eu acho em gatinha no Brasil infelizmente mas e aí justamente o o intuito de trazer vocês e a pesquisa de vocês
a um público Mais amplo né Raul você escreveu um artigo com o Ricardo Andrade Lima avaliando a restrição do solo e o zoneamento em cidades brasileiras como um todo e em seguida um artigo com a Raí S Dantas sobre o caso Emblemático da chamada da lei dos 12 bairros em Recife restringiu o uso do solo em 12 bairros na região central da cidade Quais foram os principais achados desses estudos e quais seriam as principais lições para as políticas Urbanas em grandes cidades brasileiras eh bem Anthony eh Na verdade são dois estudos sobre uma temática só
só que dois estudos bastante diferentes do ponto de vista do do alcance das unidades que foram tratadas né uma eh é Sobre as cidades brasileiras como um todo na verdade é um estudo eh bastante abr gente eh eh praticamente todos os municípios brasileiros onde a gente consegue eh estimar uma relação bastante robusta entre a existência no município de leis que restringe o uso do solo e o valor do aluguel e essa relação é bastante eh eh robusta é positiva n Eh agora eu lembro que eu acho que em torno de 7 ou 8% a presença
do do de algum tipo de legislação impactando sobre o Valor do aluguel ou seja é uma média que vale para de forma geral para as cidades brasileiras e o outro artigo é um artigo a gente muda bem o foco né ou seja vai para um conjunto de bairros da cidade do Recife onde como você bem o disse emblematicamente né e e recentemente né enfim houve em 2001 e eh o governo um governo eh eh definiu que existiria uma existe passará existi uma uma restrição à construção a verticalização de residências em 12 bairros da cidade do
Recife daí o nome lei do 12 bairros popularmente eh e a gente avaliou o impacto disso sobre o preço dos apartamentos e o preço dos das casas e o que a gente a achou confirmando aquele resultado mais geral para as cidades brasileiras é que os apartamentos aumentam em torno de 7 a 10% o preço né e curiosamente mas absolutamente e e eh entendível do ponto de vista da da da economia o preço das casas C em torno de 25% cai bastante depois da lei O que Significa na verdade que os lotes que estavam sendo usados
para construir edifícios perdeu o valor tá ou seja eh os bairros como eram bairros são bairros atrativos para moradia estava acontecendo é um processo de incorporação e uma resposta de mercado Ah há lugaris lugares a menos e a pras livas para se morar aumenta a oferta mais pessoas vão mor reação de mercado é e eh aumentar o que a gente chama relação área construída Área do lot como ficou proibido né construir prédios altos na verdade grosso modo falando só se permitia só se permite hoje até seis andares nesses bairros que aconteceu que os proprietários de
casa né tiveram uma perda de riqueza né ou seja desvalorizaram noos lotes para construir absolutamente tanto o resultado dos apartamentos como os resultados das casas consistente com as nossas expectativas a partir do da nossa Análise econômica do impacto da Lei tá eh curiosamente complementando esse último estudo esse segundo estudo que a gente notou é que eh os bairros fronteiriços a lei que não estavam sob a lei eh passaram por processo de verticalização Ou seja você joga o problema pro lado então para você ter uma ideia o o entre 2000 e 2010 e a lei é
no meio né 2001 2002 o bairro que mais aumentou sua população é exatamente o bairro que tem mais fronteira com os Bairros da luz do do bairos ou seja Ah você não resolveu o problema você jogou o problema para pro lado esse bairro eh tá passando passou né um processo de gentrificação e enorme ou seja era um bairro mais popular deixou de ser e a boa pergunta é onde foram Ah as pessoas ou as pessoas de mais baixa renda que moravam nesses bairos evidentemente foram morar mais distantes do lugar e e sobre o regime da
Lei tá então e em resumo Eh claro que existe boas razões em várias oportunidades para se ter zoneamento mas muito provavelmente na maioria das vezes eu diria dos estudos que eu conheço essas razões não são ponderadas ou confrontadas com os impactos que os ziam traz em relação a localização das pessoas que mais necessitam do acesso a emprego perfeito é frase que eu costumo falar aqui no Casos planejado é que as pessoas que morariam naqueles prédios caso os Prédios não não não são construídos elas não somem né elas elas vão para algum lugar e esse lugar
normalmente é um pouquinho mais distante do que elas gostariam eh mas só para fazer um um Fall up antes de passar pro Fernando Raul eh quando você fala né na na São de de de uso do solo no caso de Recife nesses dois bairros é que parâmetros você está falando né porque a gente enfim um dos uma das temáticas aí às vezes discutidas aqui no caos planejado É que enfim nem sempre verticalização significa mais potencial construtivo por causa do da questão de recus e e taxa de ocupação do lote e tudo mais né então qual
algum parâmetro específico que você avaliou que impactou mais como uma restrição de uso do solo eh não sei se eu entendi bem sua pergunta mas a a a a gente olhou pro preço do met qu né ou seja eh aumentou dos apartamentos e da das casas Caiu né Eh o enfim não sei se eu te respondo a avaliação foi em Relação à restrição aplicada na nos bairros né como um conjunto como um conjunto ba Exatamente exatamente claro que esse trabalho pros bairros foi um trabalho mais eu diria eh com uma estratégia de identificação ou seja
com a estratégia aprimorada de obter causalidade na nossa análise do que aquele mais geral eh porque os dados assim permitiram né aliás eh se me permite uma das minhas hipóteses a respeito dos enfim não sei se poucos mas Certamente a gente poderia fazer mais estudos sobre cidades no Brasil é a dificuldade de obter informações sistematizadas sobre eh cidad né enfim eu conheço colegas economistas que fogem de Economia urbana porque eh não é tão fácil eh ter dados disponíveis e quando tem os dados não permitem ou colocam obstáculos sérios as estratégias mais rigorosas de identificação de
causalidade né mas o que eu sempre falo para ele olha a dificuldade não faz Desaparecer a importância do fenômeno Eh Ou seja a gente tem que fazer o melhor possível com com a informação que tem dada a importância do fenômeno urbano no Brasil não excelente entendi a a a minha dúvida era mais assim se se era o potencial construtivo ou a altura né já que eu não conheço exatamente qual foi a restrição aplicada no caso de Recife é a a restrição aplicada foi eh a eh restrição altura eh ah Ou seja que o máximo a
construir eram 60 m de altura Tá a gente está acabando o estudo ainda sobre a Lei olhando a a razão área construída área do lote a famosa far né far né na nossa linguagem né E novamente o que a gente mostra é que não só realmente reduziu a far dos 12 bairros mas teve um efeito spillover nos bairros vizinhos ou seja essa farra esse cor ente nos bairros vizinhos e elevaram muito né se elevaram muito ou seja mais uma comprovação de que olha você resolveu aqui entre aspas e gerou o Problema lá se é que
era um problema perfeito Fernando Ah você publicou também muito recentemente outubro desse ano um paper com coleg seus analisando o impacto da nova lei deocupação do solo em São Paulo também decorrente do novo plano de jetor de São Paulo olhando principalmente o aumento do potencial construtivo na e o impacto social né o vocês chamaram de welfare no no paper né E a conclus e assim Acho que primeiro né Tem várias conclusões interessantes mas Queria que você fizesse né Um breve comentário aí sobre sobre esse artigo e algumas conclusões que vocês chegaram em relação à acessibilidade
à moradia em São Paulo não com prazer e por favor me interrompa se eu se eu falar muito sobre o paper Ah então a cidade de São Paulo fez essa reforma interessantíssima que foi e não foi discutida por V vários anos e aplicada em 2016 e quando os políticos que er prefeito Fernando Haddad na época que ele promulgou essa Reforma os objetivos eram bem in sonhadores né como como todas todas essas políticas de qualquer tipo de política vamos ajudar a população de baixa renda A cidade vai crescer mais ter mais igualdade etc etc etc são
mais na prática e o que aconteceu foi foi uma coisa bem interessante que que a reforma não foi uniforme paraa cidade inteira foram várias reformas diferentes acontecendo ao mesmo tempo dependendo da vizinhança ou até mesmo dependendo do Bloco e não em certa vizinhança então houveram áreas Ah que mais na e não nas Fronteiras da cidade com mais matas vegetação e e reservatórios de água que teve mais proteções ambientais foram implementadas e e menos construções foram permitidas e o parâmetro de construção que é que é o Far que o ra mencionou que nos Estados Unidos nós
chamamos de flor ratio diminuiu aqui acho que em São Paulo se cham isso de coeficiente de aproveitamento da área Mas cada cidade usa um termo diferente e é basicamente a quantidade de densificação Então se esse se esse Faro é baixo prov vai ser só um andar que depende da área do lote e se o Faro for alto você pode construir vários andares se não tiver uma altura máxima de restrição mas mas and as áreas ambientais na na pares mais centrais da cidade o que aconteceu que ah houveram esse esses corredores de transformação que que a
cidade autorizou Mais densificação mais construção vertical e mais mais prédios e e mais altos eh e não ah seguindo algumas rotas de de de trânsito das Avenidas principais da da da cidade enquanto nos bairros mais interiores ou nos bairros mais estabelecidos de classe médio até mais ricos houve o processo inverso ou ou não mudaram a quantidade de densificação permitida ou até diminuíram um pouco ah então essa essa variação no que é permitido ou não é permitido em Vários blocos da cidade e e Foi uma foi foi uma coisa muito interessante que na verdade até o
estado da da Califórnia que tentou aprovar Em algum momento nos Estados Unidos e não conseguiu não não tiveram sucesso mas a cidade de São Paulo conseguiu e e na média essa essa essas mudanças aumentaram a habilidade das construtoras de de construir mais e construir mais verticalmente Tá mas com depend dependendo do bloco então foi basicamente teve várias outras mudanças Nessa lei vários outros parâmetros mudaram como essa taxa de recu quantidade de de vagas na garagem etc etc mas mas habilidade de densificar essa mais importante disparada é mais importante Ah e que aconteceu então nessa pesquisa
Nós usamos essa variação na na na no coeficiente de aproveitamento né nesse Farm e para verificar pelo menos no curto tem duas duas partes a pesquisa eu vou falar a primeira parte depois a segunda deixa Pra segunda pergunta primeira parte é no curto prazo o que que vai acontecer essa reforma foi implementada em 2016 no curto prazo o que que acontece pra maioria das pessoas não acontece nada porque essa essa essa e não mercado imobiliário é assim con tudo é tudo no longo prazo demora muito tempo pras construtoras e não ver o que aconteceu a
reforma planejar comprar o lotes entrar em acordos para comprar o lote fazer todo o projeto conseguir o financiamento Verificar se realmente eles vão ter lucro nesse projeto E aí tem que pedir a a e não mandar toda a papelada pra prefeitura para conseguir a permissão para construir e aí demora 1 2 3 vários anos às vezes para para conseguir a resposta até que finalmente é aprovado E aí depois começa não bem no futuro começa o processo de construção então no curto prazo não não se verificou absolutamente nada em termos reais visuais das famílias andarem na
rua oh Não isso não não acontece mas aí o que o que nós fizemos foi bem interessante que a gente conseguiu todos esses dados dessas dessa da da da papelada da burocracia do construtoras aplicando para essas permissões de construção então e o que a gente cons viu no a reação das construtoras foi foi quase imediata na nas áreas nos blocos né nos blocos vizinhas tem blocos vizinhos um que não deixa densificar pode construir casas ou apartamentos baixos não se Acontece nada basicamente ninguém se interessa mas no bloco vizinho que a reforma pegou e que virou
uma área de transformação e que agora esse fara aumentou de um para três ou de um para quatro você pode construir para cima alente três vezes mais ou quatro vezes mais ah o número de de de de de aplicações para essas permissões aumentou disparou Ah então e isso isso foi foi foi foi bem foi bem interessante e dispara mais em áreas mais lucrativas Né pros construtoras áreas que e não tem um tem um potencial de mercado maior a vizinhanças mais atrativas ah e e e isso a gente conseguiu documentar muito bem ah quantitativamente quantitativamente mas
essa foi a primeira parte do P posso ir pra segunda pode pode né a gente quer ouvir aí o digamos assim o o né inacessibilidade a moradia né que que que se prevê que que se projeta Pois é então mas no longo Prazo Isso vai ser apesar de demorar para ver os efeitos é é crucial porque a população no Brasil mundialmente continua crescendo a taxa de urbanização continua crescendo urbanização dos anos 60 mundialmente era 30 3% em 2009 56% e a em 2019 56% antes do covid né 56% em 20050 vai ser 68 por. vai
ser e vai continuar aumentando se moradias foram construídas na cidade se a gente não construir não não aumenta Como diz as pessoas aumentam vão morar n na selva em Algum lugar mas mas prisão de casa Ah então Toda vez que você elimina essas restrições feita por nós e não os os condutores vão construir porque tem demanda e se precisa de demanda né Precisa dessas construções não as pessoas não TM onde morar as cidades não vão crescer o país não não consegue crescer Então o que a gente fez é este é coletar o máximo de dados
possíveis nos dois lados lado da oferta e no lado da demanda no momento Ok e botar num modelo Econômico esses lados de oferta e demanda por moradias nas vizinhanças em São Paulo para verificar quando você tem esse choque de na habilidade de construir apartamentos na habilidade de construir esses Esses prédios mais altos na habilidade de aumentar a oferta de imóveis na cidade em vizinhanças diferentes né não não não foi uma não uma oferta uniforme né porque não foi a reforma não foi uniforme o que que vai acontecer com a cidade o que que vai Acontecer
com essas vizinhanças em termos de preços o que que vai acontecer com as pessoas como é que as pessoas vão mudar paraas vizinhanças diferentes pessoas mais ricas mais escolaridades ou mais pobres que vão mudar para essas vizinhanças que estão construindo mais ou vão ser as pessoas que moram na periferia da cidade Periferia mais pobre ou Periferia mais rica né Tem tem também essa variedade na na na área Metropolitana da cidade São essas pessoas que vão mudar pra cidade elas vão dirigir menos pro trabalho então a gente pôs tudo isso nesse nesse modelo de oferta e
demanda para entender no longo prazo o que que vai acontecer e os resultados foram interessantíssimos Ah então vou vou vou resumir algum dos resultados né primeiro a a questão do dos preços diminuem muito a a o o efeito nos preços é bem localizado toda isso é uma coisa muito isso é uma Isso é uma Lei geral toda vez que se aumenta a oferta tem um efeito muito pequeno na cidade inteira mas o efeito maior é localizado vizinhança por vizinhança então nas vizinhanças tem mais oferta o preço diminui preço de aluguéis preço de imóveis não na
na minha visão Isso é muito bom pra sociedade e é especialmente para as pessoas mais jovens especialmente para as pessoas mais pobres especialmente para as pessoas que no futuro querem comprar Casas ou querem alugar Imóveis tá mais tarde vou falar que tem outras pessoas talvez não sejam muito felizes com isso mas na minha visão isso é excelente melhora e não a qualidade de vida das pessoas A a segunda é as pessoas tem uma e não tem na na linguagem de Economia as pessoas ficam tem uma utilidade maior ficam mais felizes melhor o bem-estar quando elas
conseguem morar em apartamentos novos né e isso é meio óbvio né não e as construções antigas Apesar em algumas vizinhanças a serem mais charmosas mais interessantes tem um um valor estético maior mas e não vizinhanças antigas tem muitos problemas de manutenção e o custo mais caro de qualidade que tem que reformar etc a construções novas são são muito mais valorizadas porque são são novas não tem muito menos problemas então as pessoas estão muito melhores por ter acesso a essas construções novas é o que o que as famílias querem ah elas conseguem Escolher vizinhanças mais próximas
do trabalho também que melhora o bem-estar mas tem algumas coisas que elas não gostam também tá uma coisa que as pessoas não gostam é de morar num prédio com um número de unidades muito grandes se se é um prédio familiar prédio de aluguel que tem 20 unidades 30 unidades é muito melhor do que morar num apartamento que tem 200 unidades Então esse esse esse tipo de congestão no prédio as pessoas gostam numa parte que É o preço é menor prédio novo mas tendo muita gente mas o PR não não não é tão interessante Ah mas
na na média as pessoas e não estão muito melhores ah por essa aumento na habilidade de construir e essas construções ah novas que vão ocorrer Mas o problema de que quando quando a gente calcula o aumento de bem-estar para a cidade inteira né paraas pessoas novas que se mudam pra cidade que tem n ofertas móveis pessoas que já moram na cidade o benefício não é Muito alto É é meio % do do do gdp né do PIB da cidade 5% parte do motivo é que essa oferta Não essa essa essa reforma não foi uma oferta
uma uma reforma radical que ia transformar por exemplo São Paulo em Hong Kong ou Singapura que tem a densificação 10 vezes maior do que a cidade de São Paulo ah Singapura e Hong Kong todos os prédios são arranha celus não são não são prédios médios de altura média como na cidade de São Paulo tá então a reforma foi importante foi na Direção certa mas podia densificar ainda mais tem o São Paulo tem demanda para se densificar ainda mais então essa foi a primeira questão a segunda questão é que eu completar o que eu falei antes
tem algumas pessoas que não ficam muito felizes com esse tipo de reforma ah por exemplo pessoas como eu eu sou um dono de móvel aqui na minha casa minha vizinhança só tem casas em volta de mim se uma construtora consegue uma permissão para construir um prédio Gigante de apartamentos do meu lado aqui eu vou ficar muito triste não vou ficar muito feliz porque vai vai ter sombra aqui na minha casa vai ter muito trânsito vai ter vai ter talvez se os apartamentos forem de um quarto vão ser pessoas e solteiras fazendo festa fazendo barulho e
e o preço da minha casa vai diminuir por causa disso então esse esse é o lado ah problemático de se aumentar oferta que tem algumas pessoas que vão ter e vão vão sofrer com isso e E no paper o a nossa medida de sofrimento é é a diminuição no preço então todas as pessoas que são donas dos imóveis nesse momento na cidade Ah quando você tem uma redução de preços ótimo para Quem aluga Ótimo para quem vai comprar no futuro péssimo para quem é dono de imóvel que essas pessoas ficaram menos ricas no sentido que
o preço do dos imóveis caíram e esse efeito de diminuir o preço de todos que já possuem Imóveis é 10 vezes vezes Maior do que o bem-estar gerado para as pessoas que se beneficiam de uma beneficiam de uma redução de preço e esse fando não acho que esse esse ponto acho que foi super assim Ah interessante né da conclusão do do seu artigo E aí talvez até para esclarecer algum alguma dúvida que um ouvinte possa ter aí até com a conclusão da pesquisa do Raul Já que no seu estudo a gente tá falando de uma
aumento da do potencial construtivo e o Raul estava Analisando a diminuição do potencial construtivo né e eu imagino que essa perda no valor das construções que você falou não é de fato naqueles terrenos de casas que tiveram o seu potencial construtivo aumentado né mas sim os os demais e esse esse seria o caso que se fosse um terreno é nos dois é nos dois que pensa que você tem dois blocos vizinhos um do outro então um bloco você consegue construir mais o primeiro efeito é Naquele Bloc que os efeitos são bem localizados Então você constrói
um apartamento ali naquele bloco você tem outras cas cas os outros apartamentos vai diminuir o preço e são por dois mecanismos um é a oferta e demanda você aumenta mais oferta Você tem uma quantidade fixa no curto prazo de pessoas interessadas naquele bloco se tem mais oferta o o preço vai diminuir mesmo no curto prazo e o segundo é é a qualidade do bloco diminui por causa Dessa brincadeira que eu falei das amenidades que mudam né Tem mais trânsito mais jovens fazendo barulho e tudo mais tá mas que acontece também então esses esses dois efeitos
fazem faz fazem diminuir o preço Ah mas você tem um bloco vizinho bem mas tem que ter bem Tem que ser bem próximo mesmo tem que ser bem vizinho que tava ali perto também também vai diminuir mas se o Se o se o bloco que não que que conseguiu ser preservado né esses BL ess essas Vizinhanças mais ricas da cidade Conseguiram fazer o Lobby e e não terem afetadas a a habilidade de densificar de construir essas sofreram bem menos bem menos em algumas circunstâncias até o preço aumentou porque agora você tem menos vizinhanças na cidade
que que são mais preserv Então essas vizinhanças ficaram mais atrativas pra classe média alta por exemplo então mais gente querendo ir lá porque Ô tá mais preservada tem menos trânsito tem Menos Barulho tem menos jovens tem menos pessoas de menos renda lá então Ah então acontece todas essas coisas ao mesmo tempo entendi entendi Raul se você puder fazer um comentário não sei como é que isso pode costurar com os os resultados aí da da sua pesquisa Ou pelo menos na na na lógica né É E esses resultados do Fernando são bem interessantes né que eu
diria eh ele captura efeitos mais Gerais ou seja de Equilíbrio geral a nossa linguagem enfim eh e a gente olhou mais Efeitos parciais né mas existe algo em comum que é o fato de que esse comentário final que ele fez eh em algumas circunstâncias certos sítios da cidade T melhora do ambiente eh em em relação aos conjunto de amenidades dela né Eh na verdade eh isso foi a algo que aconteceu nos 12 bairros que foram eh objetos da lei né o argumento enfim era para preservar o verde né os casarios coloniais que o bairro ainda
tinha alguns o padrão arquitetônico e evitar Eh a maior congestão do uso das vias públicas e das e da infraestrutura urbana dos bairros né mas eh eu não tenho dúvida de que ah efetivamente pros proprietários né de apartamentos e vamos combinar que não eram proprietários de baixa renda né Eh na caneta se deu um ganho e eh eh eh para de riqueza né para para esses proprietários né com argumento e novamente não que o argumento não exista Né mas a existência não significa suficiência né insisto sempre eh e eh isso gerou eh eh mais trânsito
e congestão das vias públicas nos bairros vizinhos Fora da Lei ou seja não sobre a a a a imposição da Lei tá e eh se me permite eu queria fazer uma observação eh em relação a ess essa questão da acessibilidade que é o tema mais geral a gente tá discutindo muito localização das famílias acesso ao emprego mas e eh Há um um conjunto eh interessante de Estudos mesmo pro Brasil mostrando que acessibilidade eh e a os serviços de forma geral que inclui também ocupações é importante porque afeta a saúde é importante porque a a a
afeta o acesso a a à educação via efeito sobre a falta das escolas tá e e e tem estudos que mostram também que afeta a chance no caso brasileiro Claro do sujeito ser vítima de violência urbana ou seja e eh não é só que o sujeito mora longe do emprego né é ele tem um desgaste físico Maior ele tá submetido a um nível de violência ou de risco pelo menos de violência maior no caso brasileiro tá e provavelmente seus filhos e suas famílias eh terão mais dificuldade eh de frequentar as escolas né e eh todos
esses efeitos o caso brasileiro eh eh a gente tem resultados de artigos publicados Claro sobre essa Ótica Econômica enfim eh que eh torna difícil a gente eh superestimar a importância da Acessibilidade paraa qualidade de vida das cidades brasileiras né é importante eu acho que isso é muito importante eh eu acho que o Fernando tocou também em outro ponto é importante eh que é o fato de que olha enquanto melhoria de serviço de saúde né atinge muito mais os idosos ou talvez as crianças melhorias da educação Eos jovens melhoria de acessibilidade se atinge todo mundo na
cidade tá Ou seja a prestação né de esse serviço público de Melhoria de acessibilidade aos serviços da cidade né você atinge todas as camadas eh sociais e e demográficas eu diria assim né ou seja É difícil ver eh como eh eh uma melhoria de serviço público pode impactar de forma tão irrestrita né a população né e eh a minha eh enfim a a minha aposta pras próximas décadas né é que eh Essa vai ser né A A A A Menina dos Olhos né Eh eh das políticas públicas Né nas próximas décadas pro Brasil o Brasil
voltar a crescer você né razoavelmente otimista 4% né Eh as cidades brasileiras Principalmente as mais antigas a a minha particularmente é um caso clássico elas vão parar né Elas vão parar é E aí a gente tem uma situação que é muito difícil pro poder público se a gente acompanhar a importância dos gastos de transporte urbanismo nos orçamentos municipais do Brasil o que tem acontecido é que ele tá Se reduzindo em termos de importância né Eh eu acho que o o nas últimas duas décadas a gente teve um avanço muito grande nas políticas sociais eh eh
e eh é coincido que em parte importante delas a contrapartida da atuação Municipal exigiu recursos municipais né então o que aconteceu é que essas rubricas saúde educação principalmente e assumiram um um uma presença né no orçamento Municipal que claro a variável de ajuste né como não tem gasto mínimo com a Habitação não tem gasto mínimo nesse constitucional com o urbanismo eh tal qual aconteceu com o investimento público né no Brasil na União eh entre aspas sobrou paraas rubricas né que visam melhorar em estura das cidades brasileiras esse ponto é muito importante deixa eu só complementar
uma coisa R porque na prática as prefeituras não precisam gastar um centavo para aumentar a qualid de vida das pessoas da cidade inteira é só diminuir a Burocracia diminuir essas regulações absurdas que estão sendo implementadas na cidade é só é só falar assim setor privado pode construir pode construir verticalmente Então essa essa Seria a primeira parte é só dar uma canetada Amanhã e pronto o setor privado vai construir não não ninguém precisa se preocupar com isso mas aí precisa pensar no segundo na segunda etapa Porque se o setor privado na hora que o setor privado
construir muito e vai se Construir cidades mais com mais demanda em vizinhanças que são melhores que vai melhorar a população Mas inevitavelmente vai ter congestionamento inevitavelmente precisa da infraestrutura para para suportar essa população então é essa parte que o setor público daí precisa agir o cidades como São Paulo o metrô tem que funcionar metrô o metrô tem que ser expandido o sistema de ônibus tem que tem tem tem que dar certo tem tem que ter essa infraestrutura básica para Para lidar com essa demanda futura que que vai chegar senão como Raul falou no começo a
cidade esp e e e no final das contas se isso não acontecer ah aí esse crescimento de 4% que vamos dizer que esse é o seria o normal daqui alguns anos não vai se realizar não vai se realizar porque as pessoas ficando no no trânsito um tempo inteiro as pessoas não conseguindo morar na cidade as as pessoas tendo que se morar para áreas rurais menos produtivas porque não tem Casa porque não consegue pagar aluguel tudo isso afeta a produtividade do país em algum momento sem dúvid então Fernando e Raul Então acho que você Fernando Você
tocou num num ponto importante aí né Do bom então vamos vamos liberar a construção acontecer e eu acho que assim o que vocês falaram sobre a a explicação também do dos dos papers de vocês que bom ah as regulações sobre do solo acabam muitas vezes favorecendo grupos de alta renda das Cidades né a liberação do zoneamento ah ah destrói valor de proprietários de móveis né que muitas vezes são vistos como como os beneficiados por essas regras por alguns urbanistas e ao mesmo tempo né ah muita gente h que se envolve no debate da cidade diz
exatamente o oposto diz o seguinte né bom mas nunca se construiu tanto na cidade e os aluguéis continuam subindo e eu vejo aqui edifícios construindo sendo con construídos né e o setor privado Constrói apenas voltado para alta renda e o sobrado né ou ou o predinho pequeno antigo que tinha no meu bairro se tornou uma torre voltada aí para uma alta renda gentrificado o bairro então ao observar esses efeitos ah a economia Urbana não serve para nada né vou vou colocar assim de uma forma um pouco esdrúxula né para para ilustrar o caso Ah mas
só para dizer que são são narrativas eh frequentemente reforçadas por aqueles que Ah não querem né uma mudança radical Na permissividade dos potenciais construtivos como que vocês respondem né a essas questões eu eu eu eu eu achei isso no meu paper nessa pesquisa que eu que eu fiz como essa reforma de São Paulo aumentou ah a habilidade de construir em 30% mas não não se aumentou em 200% Então o que se viu é que por exemplo em 10 anos se continuasse a lei antiga iriam se construir 5% mais de móveis comparado com o stock de
imóveis da cidade de São Paulo em 10 anos como Com essa Reforma em vez de 5% mais Imóveis São Paulo vai ter 7% mais de m então a diferença não fo é 2% a mais e e como se a demanda para viver em São Paulo é tão grande primeiro que é uma cidade rica com muitos empregos segunda que tem área metropolitana que já é maior do que do que a cidade e todo mundo e não não todo mundo mas uma fração muito grande e não demorando horas no e não no trânsito para para dirigir pro
trabalho na cidade a demanda Para se viver num prédio na cidade é muito grande então quando se aumenta a construção de desse nos próximos 10 anos de 5 para 7% não vai não não satisfez toda a demanda tem satisfez de uma parte muito pequena da demanda então esses Esses prédios novos vão acabar sendo utilizados e comprados e alugados pela classe média alta ou pras pessoas que se dispõem a pagar mais ou para as pessoas já com com e não com uma uma quantidade de renda maior que moravam nos subúrbios E agora não pode morar na
cidade diretamente essas casas não vão beneficiar as pessoas mais pobres diretamente né importante ol que falei agora no Paper A gente a gente simulou uma reforma maior que em vez de se construir 7% do Stock Vamos Construir 20% do Stock que é uma reforma mais agressiva densifica muito mais muitos mais prédios aí já começa começam se a construir prédios muito mais baratos que que vão ser ocupados por pessoas de Classe média ou média baixa já diretamente se começa a afetar uma camada muito maior da população então a questão da oferta é é se construir só
um apartamento Não não muda muito a situação tem que se realmente ter uma reforma mais radical no futuro para se construir muito mais para pegar diretamente uma uma uma camada maior da população agora indiretamente enara todo mundo no meu paper falou indiretamente os preços de São Paulo são altos mas aí É o é o é o é o jeito que é o treinamento de economista que a gente tem o qual qual que é a alternativa a alternativa seria muito pior se essa com esse aumente de 2% os preços ainda tão caros sem isso os preços
seriam mais caros ainda agora isso é uma questão que politicamente boa sorte explicar isso pras pessoas né boa sorte explicar isso no jornal boa sorte explicar isso na estação de rádio boa sorte com qualquer pessoa que você encontra na rua falar Não reclama que os preços estão altos porque poderiam ter sido muito pior não não é um argumento muito bom ninguém gosta muito de ouvir esse argumento então fica muito fácil paraas pras pessoas e políticos que não gostam dessas reformas falar viu a reforma aconteceu mas o preço Continua as alto é o argumento errado é
o argumento distorcido mas infelizmente politicamente é o que acontece fica é muito fácil de de se falar isso e e é um Perigo e é um perigo porque porque se você não deixa o mercado construir pra classe média em vez disso Fala Não não vamos restringir aquele tipo de construção e forçar o mercado a só construir unidades de baixa renda isso isso é um erro que vai ter um um um tipo de consequência completamente diferente pra cidade e e vai na direção errada também isso eu eu acho Anthony complementando o eh a solução eh primeiro
é é é importante entender as Causas do aumento de preço né enfim eh eh Por que que os preços são mais altos depois da reforma enfim eh eh parte como O Fernando falou eh do aumento de preço pode simplesmente refletir a melhoria né das condições de vida da cidade que torna ela mais Atrativa né Eh é o que eu digo sempre nas discussões que eu tenho aqui com os urbanistas e e com os economistas quando a gente Analisa sítios específicos da cidade né ou seja o lugar é caro ou é mais verticalizado Porque revela preferência
né Eh revelando preferência significa que ninguém vai construir verticalmente num lugar eh que não É valorizado né ou seja eh eh então parte do aumento do preço eh pode e muitas vezes reflete a melhoria das condições de vida e a a atratividade da cidade que foi e eh eh aumentada né em segundo lugar eh Na Linha Do que o Fernando colocou ah novamente entender porque é que os preços sobem e qual a a a a a a o Incentivo de política para fazer facee a esse preço mais alto que de fato parte do orçamento familiar
é paraa habitação então é um ponto eu acho substantivo do ponto de vista social né agora como lidar com isso ah ou você restringe demanda ou você aumenta oferta né e eh eu não conheço outra ou controla preço né tem essa terceira eh E então Eh o que eu diria nem fala isso não fala isso vai que alguém tá ouvindo po po pois é pois é eh mas e eh eh eu Acho que eh não sei se a a mídia exatamente mas eu acho que a discussão quando fica eh na superfície impede que a gente
de fato a trate devidamente tá eh e eu acho que esse é o ponto né eu vejo a discussão enfim eh tenho medo até de entrar para não ser enfim apedrejado ou enfim tá E aqui uma uma correção não uma correção mas um uma vírgula que eu quero fazer quando eu falei que a parte os gastos sociais na educação e saúde cresceram nos municípios não vai Nenhuma Crítica né a a esse crescimento né aliás eh eu tenho ótimas avaliações em relação a a fundeb a contrapartida dos Municípios toda a sistematização que as prefeituras fizeram e
t que fazer com cadúnico relativo ao Bolsa Família foi um trabalho de engenharia governamental extraordinário na verdade então não vai aqui só um parêntese não vai uma crítica enfim que tem que diminuir o gasto social para aumentar com urband não se trata disso né se trata de uma Constatação de que eh nossas cidades né Eh os problemas aumentaram em relação à congestão do uso da infraestrutura e eh eh eh Urbana né e os recursos né Eh eh foram diminuindo né ou eh absolutamente ou relativamente certamente relativamente em face ao problema Ah então E isso tem
que ser dado uma solução porque enfim como eu já defendi e o Fernando colocou várias dimensões da vida do do cidadão das cidades é afetada pela mobilidade urbana né no fundo em Resumo uma visão eh mais simples não obstante para mim precisa olha Eh cidades existem para convergir pessoas nessa convergência se tem ganho de bem-estar e de produtividade há duas forças econômicas que né tensionam Essa convergência uma é preço dos imóveis né E a outra é a dificuldade de mobilidade então por exemplo você tem cidades que começam monocentrica a dificuldade de mobilidade aumenta muito e
ela o emprego vai caminhando pra Periferia e ela Adquire um perfil mais policentro né Eh as cidades que se preservam mais monocentric são aquelas que a fluição né da mobilidade ocorre de forma mais fácil tá então eh você quer tornar uma cidade pouco Atrativa a a receita é fácil não Cuide da mobilidade tá e não cuide e e e e e e de ofertar não Cuide da oferta de residên e um pouco é o enredo das cidades brasileiras infelizmente né quando a gente olha e aqui vai uma observação anedótica mas eu acho que Talvez interessante
de uma pessoa que viveu quase 10 anos em São Paulo e enfim frequenta muito ainda São Paulo e conhece as cidades no Brasil pelo menos as capitais bem né esses n últimas duas décadas eu acho que relativamente às demais capitais brasileiras né Eu acho que houve um movimento né na cidade de São Paulo de perda menos rápida de qualidade de vida do que as demais cidades tá essa Claro é evidência anedótica que eu tenho mas eu tenho Sempre essa impressão né ou seja eh eh aquela história de dizer ah não vou morar em São Paulo
mais porque eh para chegar ao trabalho eu gasto uma hora Desculpa Isso isso vale para todas as capitais brasileiras agora eh ou seja eh eh a situação da mobilidade ela é absolutamente eh eh eh abrangente quando você olha o território brasileiro tá eh eh enfim eu acho que quando a gente fala que as cidades brasileiras estão dificultando né a a a a fluição e a Convergência de pessoas a gente não tá falando só das grandes metrópoles brasileiras Rio São Paulo tá a gente está falando das capitais brasileiras né importantes tá eh eh Ou seja é
um problema eh eh para além eh de qualquer regionalismo hoje em dia não excelente Raul gostei muito da das observações suas e do Fernando ção essa essa provocação que eu fiz e vocês têm o tempo para para uma última pergunta eh então Ah eu queria perguntar para vocês Sobre o efeito da outorga onerosa né então o o Lincoln institute publicou um texto no ício do ano falando sobre sobre Ah um um relativo sucesso do que eles chamaram de captura de valor do solo no Brasil né então eles explicaram sobre o instrumento da autorga onerosa onde
basicamente o incorporador paga um valor pra prefeitura para obter um potencial construtivo maior pro seu terreno até um limite pré-determinado e também do cpac que é um instrumento semelhante usado em Operações urbanas onde esse potencial é revertido também para um propósito específico e até vendido em leilão aberta e eles eles argumentam que esses instrumentos têm sido importantes para financiar a infraestrutura urbana né e e eu até Acho interessante né a lógica disso né o a outorga o cpac de certa forma financi o capex né o investimento inicial aí para construir uma infraestrutura e o IPTU
ou os impostos municipais o o opex né os custos Operacionais da da da infraestrutura da cidade mas a a a minha dúvida é a seguinte né e é uma dúvida que surgiu num debate em Belo Horizonte que implementou a autorga onerosa e que teve muito debate Na cidade principalmente de incorporadores que diziam que tornaria a moradia menos acessível né que seria um custo adicional Ah para construir na cidade e aí eu fico a seguinte dúvida né Essa autorga ou cpac elas efetivamente capturam o valor do solo ou elas Adicionam um custo adicional né Eh que
vai ser transferido por sua vez a a a população né Qual que é o efeito de de ter ou não a outorga na acessibilidade de Habitacional né porque ã da forma que atualmente tá sendo discutido no Brasil é como se fosse um crédito livre né paraas cidades usarem para financiar sua infraestrutura E aí eu queria ouvir a opinião de vocês economistas a a respeito disso eu posso começar simples Toda vez que você impõe Um imposto sobre qualquer firma o preço do produto vai aumentar porque aumentou o custo daquela firma então a a torga oneros a
a taxa que se paga né a taxa que se paga tor aumenta o custo da construtora aumenta o custo de construção vai aumentar o preço do imóvel ISO Isso é inevitável então se essa taxa cobrada for muito grande e se as cidades não não não se controlarem que acharem que isso é uma uma forma rápida de de aumentar receitas isso Causa um problema porque eventualmente os construtores não TM mais lucro ou preço dos imóveis vão ser muito caros ou impossíveis de construir por causa disso então se se olhar só isoladamente a taxa taxa é um
imposto a gente sabe como imposto funciona tá então is isso Isso é uma versão Então as cidades que a isso tem que tomar cuidado não cobrem se cobrar taxa tudo bem mas por favor taxa baixa e a justificativa é o que você falou ah toda vez que tem uma construção Nova e exige um pouco de de gasto com infraestrutura local para conectar com energia com água esgoto Às vezes precisa fazer o asfalto conectar as ruas etc e é normal as construtoras pagarem um pouco ou parte desse desse custo da cidade e e não no mundo
ideal seria cada projeto você teria uma taxa diferente dependendo do do custo específico do projeto às vezes é difícil operacionalizar isso então comprar e não cobrar uma taxa fixa acaba sendo mais fácil Se a a torga Onerosa se essa taxa fixa tudo bem mas de novo como essas construções beneficiam tanto a cidade tantas pessoas na cidade ah e e e principalmente cidades como São Paulo tem um déficit de moradia e um custo muito alto eu acho que não vale a pena cobrar esse imposto acho que a cidade vai ficar muito melhor não comprando esse imposto
com um detalhe políticamente às vezes é difícil aumentar o o coeficiente de aproveitamento far sem cobrar isso às Vezes politicamente o o o prefeito o vereador Fala Não tudo bem a gente aumenta o número de andares permitido altura etc mas só se a construtora der uma coisa em em retorno às vezes politicamente é é o único jeito mas economicamente eu não faria economicamente Eu não colocaria este imposto num produto que é tão necessário tão importante de se ofertar nesse momento entendi Raul algum complemento comentário só só só um complemento e uma E um carimbo né
e uma reafirmação eu tô com de forma geral eu tô com Fernando né ou seja o o contrafactual de não ter ortoga certamente é mais oferta de de de moradia né então portanto e é um preço menor então portanto eh é muito difícil o argumento eh eh eh pró e eh restrições né agora eh eu também vejo viu Fernando e e Anton eh uma dificuldade e aí a ciência política melhor do que os economistas eh eh podem nos ajudar pros prefeitos né ou seja os Os sujeitos têm eh 4 anos né Eh o o o
os ganhos de restrições e são muito fáceis de ser identificados ou seja quem ganha com ortoga enfim e é muito fácil e e as perdas são muito difusas né Ou seja no mais das vezes e eh eh eh eh a a o preço começa a aumentar atinge todo mundo mas atinge eh eh eh eh eh fracionarios as pessoas Tá e por outro lado eh enfim eh infelizmente aind no Brasil o meu sentimento é que a gente não vê as incorporadoras como parte das Soluções pra cidade né ou seja eh o o Construtor o incorporador é
parte da solução do problema então e eu acho que tem que ter essa perspectiva né e e e e deixar de ver né e e eh como um problema Ou seja é parte da solução agora eu acho que como os efeitos benéficos da maior oferta vêm com tempo né Tem uma dificuldade né pros prefeitos né Eh eh reagirem a enfim a a a pressões localizadas né é aquela aquela situação é fácil agradar né e rápidamente alguns Né Eh é mais difícil agradar todos ao longo do tempo tá então a gente tem uma dificuldade eh que
requer né um tratamento mais eh eh mundo dessa questão que eu acho que não tem ainda no Brasil incorporadoras repito são vistas como parte do problema são parte das soluções né Ou seja é ótimo uma cidade em que as pessoas quando constroem ganham dinheiro né ou seja significa que a cidade é Atrativa ou tá ass permanecendo Atra então basicamente é essa percepção que a gente tem e da situação olha Raul e Fernando Eu eu adorei conversar com vocês né esse tema eu acho que a gente ah é um diria que é um dos poucos ah
veículos de Urbanismo que debatem esse assunto com com recorrência né então eu tô bem feliz de de poder divulgar esse esses estudos né opiniões de vocês para mais pessoas e Ah assim a gente inclusive recebeu o Ciro biderman em outro episódio que também escreveu um Estudo relacionando a restrições do solo em formalidade e que o Raul falou que conhece né é um interlocutor frequente mas eu confesso que eu não conheço muitos outros estudos ou economistas publicando eh sobre cidades brasileiras né e e e e eu imagino que muitos aí que estejam ouvindo talvez se interessem
pelo assunto di assim bom aonde eu vou atrás de mais informação né então se vocês tiverem aí alguma alguma dica algum alguma direção para esses ouvintes Seria seria muito legal mesmo que acadêmica enfim eh né E as minhas referências são de e periódicos papers publicados enfim eh po pode ser e sendo brasileiros melhor né mas acho que o que vocês puderem passar né seria já seria legal olha tem e um paper que eu gosto muito né Eh sobre e a relação na verdade tenta capturar causalidade entre tempo de commuting das regiões metropolitanas brasileiras e risco
né de ser Eh roubado e Furtado né Eh foi publicado em 2019 no paper in regional né a do um autor e o Cléberson Moura tá eh tem um outro paper que eu também e eh gosto muito sobre o efeito né de commuting sobre ah condições de saúde né das regiões metropolitanas brasileiras então novamente eh o que a gente tenta fazer o que eles tentam fazer é estimar o efeito que o commuting tem sobre as condições de saúde do Trabalhador tá eh esse tá naquele Journal transport Jal of transport eu posso mandar tudo para você
eh Anthony eh e eh tem um paper eh Super Interessante Você conhece o paper do do Eduardo hadad e da Ana baruffi né no habitat sobre eh acessibilidade e produtividade em São Paulo né 2016 acho que é um paper bem bacana né Eh sobre isso sobre a relação entre commuting e em São Paulo e eh produtividade né Eh enfim a acho que posso ter esquecido alguns né Eh mas tem Um paper bem interessante também nessa napec anec é no nosso encontro de pós--graduação em economia do ano passado da Vanessa nadl né que é uma pesquisadora
no nosso no nosso podcast isso tem tem um paper dela e eh tentando estimar a relação entre a localização das favelas e acesso a emprego né em São Paulo e acho que é bem interessante também é um Pap embrioná ainda mas eu acho que é bem interessante tá então eh tem uma literatura é tudo muito Recente ou seja 2015 para cá e Mas e o meu sentimento é que essa literatura tá crescendo tá E e que vale a pena acompanhar né vale a pena acompanhar eu acho que geram alguns subsídios pra gente defender mais objetivamente
a importância da melhoria da mobilidade urbana nas cidades brasileiras Fernando você que foi pros Estados Unidos ainda tem tem referências brasileiras ou livros que você gostaria de recomendar Qual é o o o o Raul o Raul conhece mais Ah o Brasil tem essa história interessante né porque nós tivemos tantos problemas macroeconômicos na década de 70 80 e só na década de 90 que foram resolvidos quase todos os economistas que se formaram naquele período viraram macroeconomistas por por bons motivos porque o o país precisava e E aí a partir dos an 2000 e 2010 ah outras
demandas foram acontecendo no país né Depois da estabilização macroeconômica Então já se falou isso ó Questão da renda mínima questão da educação questão da Saúde então Teve teve uma nova cepa de economistas se formando em em microeconomia aplicada e nesses assuntos os assuntos de mercado de trabalho então acho que só agora então são muito poucos infelizmente os os os pesquisadores em economia urbana porque er foram assuntos que foram sempre ficando no pro final aqui não estavam e na fronteira Então acho que então você vê mais no exterior Acadêmicos mesmo fazendo trabalho sobre isso que todos
esses problemas ou já foram resolvidos ou e não eles estão resolvendo detalhes enquanto problema Urbano sempre existe sempre afeta a todos ISO Então pode falar R você sabe eh você tá tocando num ponto absolutamente eh razoável meu ver eh você sabe que isso gera problema né até pra gente publicar né Ou seja a gente tá atrasado e descobre achados pro Brasil mas Submete os papers Ah isso já foi feito aqui para para Austin Ah isso já foi feito aqui para né ou seja uma dificuldade enorme Mas de fato o Brasil tá e bem atrás né
na produção de conhecimento na área de Economia Urbana né E então eu assino embaixo e completamente mas o meu conselho o ano pass dois anos atrás Teve um aluno do Insper que me visitou aqui Rafael puti ele escreveu um paper sobre sobre favela e incêndios na cidade de São Paulo que é Bem interessante e então tem uma nova leva de de pesquisadores que que tão se interessando mais por esses assuntos Ah eu meu conselho para Eles continuam nessa área essa área do Futuro era do presente Era Era do Passado também mas ninguém estudou se interessou
por isso no Brasil porque o Brasil teve problemas catastróficos mais mais importantes mas se tudo der certo os problemas catastróficos resolvidos ah essa áa social é extremamente importante Socialmente que afeta tantas partes da nossa vida né a parte do custo de vida a parte de onde morar de onde trabalhar de da distância do trabalho onde a criança vai estudar se a a questão da da Saúde T tudo impacta o lugar de moradia impacta tantas áreas da sua vida que quanto mais pessoas trabalharem nisso melhor e no curto prazo e é replicar um pouco que foi
feito no no resto do mundo para aprender porque só porque teve um paper que foi feito por por Nova Yorque Paris Ou Londres não quer dizer que os resultados aplicam imediatamente no Brasil porque é uma situação diferente no Brasil nas cidades brasileiras tem realidades um pouco diferentes então é é é bem importante Ah fazer mais trabalhos empíricos sobre as cidades brasileiras e e é importante também pro pro pro e não pras pras firmas e governos contactarem mais a gente também para ter para ter essa relação e esse trabalho que você faz é importante também de
ajudar mais Nesse meio-campo e e e não espalhar essas informações para todo mundo não olha excelente ah boas dicas eu vou cobrar vocês para enviarem esses esses links pra gente disponibilizar pro pessoal e também para para dar uma olhada e Ah olha agradeço novamente a participação de vocês dois né Já já esgotamos já esgotamos nosso tempo e deixo vocês para considerações finais caso caso tenham eh eu eh só rest quero ressaltar a importância Anthony do des Espaço né Foi um prazer est aqui eh podendo e eh compartilhar com você e com os demais né ter
a presença de Fernando só enriqueceu foi ótimo conhecê-lo Fernando eh saber onde você está e que tá trabalhando também com questões urbanas e estamos sempre eu Aberto ao debate n a debate qualificado objetivo e obrigado Mais Uma Vez pelo convite a mesmas palavras Obrigado pelo convite foi um prazer conversar com Raul e com você Anthony e até a próxima nesse Episódio conversamos com Fernando Ferreira e Raul da Mota Silveira Neto na descrição desse Episódio você encontra o link para as referências citadas ao longo da conversa e se você gostou desse conteúdo e é um amante
de cidades seja apoiador do Caos planejado visite caos planejado.com para conferir centenas de artigos e todo conteúdo que produzimos e faça uma doação para apoiar o nosso trabalho para nos ajudar a levar essa Conversa a um número cada vez maior de pessoas com doações a partir de R 25 por mês você participa ao vivo das gravações do podcast tem acesso ao nosso grupo exclusivo no WhatsApp a nossa biblioteca virtual com centenas de artigos e muitas outras vantagens a nossa edição de som é feita pelo Cristiano Botafogo obrigado por ouvir o podcast caos planejado e espero
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