em 1790 William Blake num livro chamado o casamento do céu e do inferno diz que as prisões são construídas com as pedras da Lei e os bordéis com os tijolos da religião ele tá fazendo uma crítica que os românticos vão incorporar que as instituições da modernidade sobretudo da modernidade Industrial elas nos afastam nos separam do que é mais próprio de nós mesmos assim como elas nos distanciam da natureza as cidades jogam a natureza para fora elas também fazendo o homem eh servir a máquina servir a indústria faz com que o homem fique distante de quem
ele realmente é que o ser humano não saiba realmente eh quem ele é e a partir daí os românticos propõem que o projeto de vida é você descobrir quem você é só assim você pode ser feliz por isso que os românticos falam pra gente sair da cidade pra gente ir pro campo para ir pra natureza para tentar entrar em contato com uma força muito mais profunda que o corrido do dia a dia nos não nos permite de ver e que revela de fato quem nós somos é claro que essa é uma tarefa muito difícil né
saber quem você é muito difícil a gente já falou da Alice caindo no poço para tentar descobrir quem ela é a psicanálise vai sem dúvida se estruturar a partir dessa necessidade de dar sentido de quem eu sou das minhas práticas da minha vida como um todo mas a arte é um lugar super importante para que isso se expresse em primeiro lugar ela ela nos diz que não só nós temos uma especificidade importante mas que nós somos algo de muito precioso nós somos não só diferente desse sistema que tá aí do sistema da indústria da produção
do ganho material da da vida pelo dinheiro mas que nós temos dentro de nós o a o a inclinação para algo que é muito mais profundo e muito mais realizador então a grande busca da dos Poetas dos pintores é expressar essa realidade rica que nós temos dentro e só a partir daí a gente pode realmente ter algum sentido nessa miséria do cotidiano isso claro eh tinha um um preço muito forte a pagar que é o sentimento de solidão se eu sou Algo irrepetível Se eu sou algo único se eu sou algo tão particular e individual
com quem falar com quem conversar claro uma coisa eu já falei uma coisa é arte você pode se expressar quase que em contato com consigo mesmo mas existe uma outra dimensão que seria a dimensão do amor então a gente fala do amor romântico havia um momento em que você encontraria naquela época que se dizia sua alma gêmea alguém cuja solidão misteriosamente se encaixava com a sua de tal maneira que vocês podiam ser companheiros pra vida pra vida inteira a busca do Da Da Da minha outra metade é como se a gente fosse dividido é um
mito antigo já tentar encontrar ao outro para encontrar a mim mesmo numa relação de amor quando chega aí na metade do do século XX né essa percepção começa a se esgarçar um pouquinho a gente começa a achar que sim é verdade que o amor é um caminho pra gente descobrir quem a gente é mas é tulice achar que ele pode durar para sempre que ele pode dar um sentido mais permanente a percepção do Vinícius de que que não seja eterno posto que a chama mas que seja infinito enquanto dure é o que encapsula essa noção
de que olha nós teremos relações de amor mas nenhuma delas poderá nos preencher desse sentido também nós estamos irreversivelmente sozinhos quer dizer o preço para não se render a uma vida de consumo de produção sem sentido é você aceitar que você tá sozinho no mundo e que vai ser uma jornada que não vai ter solução Na tentativa de recuperar isso aí nós temos também e um um uma visão um pouco mais positiva e aí nós temos o Walt Whitman que já o Whitman escreve metade do século XIX e ele escreve esse Song of myself um
dos dos dos poemas né e do livro leaves of grass E aí ele fala olha eu celebro a mim mesmo e eu canto a mim mesmo mas ele eh celebra essa identidade dele achando que ao Celebrar profundamente a sua própria identidade sua própria singularidade paradoxalmente ele canta a humanidade como um todo porque todos nós temos essa mesma singularidade e que o reconhecimento dessa singularidade sofrida única perplexa é a base pra gente poder chegar a um tipo de comunhão diferente curiosamente quem tá retomando nesse tempo de pós-modernidade essa reflexão é o Charles Taylor numa obra que
chama a ética da autenticidade the ethics of authenticity ele fala que o problema não é a gente querer descobrir quem a gente é que isso é absolutamente necessário o problema é que a gente a gente achar que a gente pode descobrir quem a gente É na ausência do outro ele fala os seres humanos nós somos fundamentalmente dialógicos eu só existo na sua presença você só existe na minha presença eu não consigo entender quem eu sou senão no diálogo com o outro com aquele que é diferente de mim e é só nesse diálogo que eu posso
me construir descobrir quem eu sou isso retoma portanto a a intuição do Whitman no Song of myself e acho que é um dos Capítulos é o início de um capítulo pós-moderno né nessa busca para responder a pergunta afinal de contas quem é você a pergunta que a Alice nunca conseguia responder P lagarta Who are you nesse momento eu acho que é nesse caminho que nós estamos nessa nessa tentativa de perceber que sim que a busca pela gente mesmo passa por enxergar o outro como alguém que tá em consonância comigo se você curte discutir as questões
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