Meu nome é Alessandra Vick e hoje vamos falar sobre comunicação de alto e baixo contexto. Eu gosto bastante desse tema porque é muito fácil de identificarmos tanto como nós somos e como são as outras pessoas. Então, o que seria isso, essa comunicação de alto e baixo contexto?
O antropólogo Edward Hall foi pioneiro nessa definição. É uma questão que envolve também o ponto cultural e vamos falar um pouquinho mais disso. Então quem são as pessoas de alto contexto?
Vamos fazendo um comparativo: Pessoas de alto contexto e de baixo contexto. De alto contexto lida com o tempo de forma mais flexível digamos assim, porque é mais importante conhecer a outra pessoa do que ir direto ao ponto. Quando falamos de uma negociação, essas pessoas primeiro precisam perceber com quem estão lidando para depois fechar um acordo.
Enquanto uma pessoa de baixo contexto, ela acaba sendo mais direta, ela vai direto ao ponto, tem uma comunicação mais clara com foco e objetivo. O tempo é importante no sentido de valorizar cada minuto, tempo é dinheiro, e vai direto ao ponto. As pessoas de alto contexto, elas já acabam falando de uma forma mais circular, então ela vai falar sobre aquele ponto, mas antes ela vai contar alguns pontos e falar um pouquinho dela, falar de outras questões, para depois ir no ponto principal.
Ainda falando de alto contexto, eles são mais detalhistas no sentido de bastante informação, bastante questão para mostrar, para contar uma situação. Já a pessoa de baixo contexto é aquela mais linear, ela vai direto para a questão que ela deseja colocar. O alto contexto acaba sendo no sentido de dar bastante detalhe, contar toda aquela situação, então vai contar uma história acaba demorando mais porque para essas pessoas é importante o contexto, é importante falar um pouco dela, falar um pouco dos outros, valorizam isso.
Enquanto pessoas de baixo contexto não são por esse lado, eles acabam indo direto, então são mais direcionados no que querem dizer. De alto contexto acaba por preferir uma comunicação oral. Baixo contexto prefere comunicação por escrito justamente por isso, porque podem colocar todos os pontos e já avançam com aquela questão.
No tocante ao espaço: alto contexto prefere tá mais próximo, prefere ser tocado, aceita uma proximidade muito maior e até gosta disso, se sente mais acolhido, sente maior conexão. Pessoas de baixo contexto já é o oposto: preferem estar mais reservados, preferem manter um certo distanciamento físico mesmo e não gostam tanto de serem tocados. O alto contexto acaba fazendo várias coisas ao mesmo tempo, multitarefas.
Baixo contexto prefere ser direto, direcionado, foco, uma tarefa por vez e por quê que isso é importante né? ! Quando nós identificamos quem nós somos diante disso e quem é o outro, nós podemos adaptar a nossa comunicação.
Se eu estou falando com alguém que alto contexto, então talvez ela precise, seja importante para ela falar mais de mim, identificar as questões com aquela pessoa, criar uma conexão maior. Agora se eu vou me comunicar com uma pessoa de baixo contexto é o contrário: ela não vai gostar se eu ficar falando de forma circular, ela prefere que eu vá direto ao ponto porque ela é uma pessoa que opta por isso e o tempo para ela é mais importante, então é melhor ser mais direta com esse tipo de pessoa. Aqui não é uma questão de certo e errado, é uma questão de identificar quem somos, o que nós preferimos e quem é o outro, para nos adaptarmos a nossa comunicação, porque eu não posso me comunicar simplesmente de acordo com quem eu sou, eu preciso perceber quem é o ouvinte porque isso vai impactar na mensagem, como nós falamos no outro vídeo.
Então se eu quero realmente que aquela comunicação, ela tem um impacto que eu desejo, eu preciso adaptá-la em função do receptor daquela mensagem. E também é importante identificar isso, porque às vezes uma pessoa de baixo contexto ela não tem tanta paciência com uma pessoa de alto contexto, porque ela prefere ir direto ao ponto enquanto para ela pode parecer que o outro está enrolando. Já uma pessoa de alto contexto, ela pode achar que a outra pessoa é meio brusca ou que vai direto demais e que não leva em consideração a relação.
Então quando nós conseguimos identificar isso e ter consciência dessa questão, nós paramos de julgar e simplesmente identificamos as pessoas são diferentes e podemos, como eu disse, readaptar a nossa comunicação para aquela pessoa. E como eu coloquei no início, é uma questão cultural. Então nós temos contextos onde culturalmente é mais aceito algumas coisas do que outras.
Então se nós falamos: Estados Unidos, tempo é dinheiro, eles querem ir direto para uma questão. Então se você vai fazer uma negociação, eles são mais diretos, eles querem ir direto para aquela questão resolver. Agora se vamos para um contexto da China, eles preferem primeiro a questão da relação, à questão de perceber com quem estão relacionando para depois passar para questões dos negócios, e isso influencia para questões profissionais como pessoais.
E agora falando de um lado pessoal, quando eu fui fazer mestrado na Universidade de Coimbra eu me deparei com situações bem desafiadoras, e olha que eu estava acostumada com a cultura portuguesa, que meu pai nasceu lá. Mas quando eu estava diante das questões do dia a dia eu acabava levando muito para o lado pessoal, porque pelo menos é o que eu sinto que no Brasil a gente tem mais dificuldade em dizer não, de ser direto. Então muitas vezes nós damos, falamos mas não dizemos diretamente que não sobre aquela situação, e lá não, lá eles são mais diretos nesse ponto eu achava que aquilo era algo pessoal, que era alguma coisa que eu não estava fazendo bem ou que eu não estava sendo aceita, mas depois eu percebi que não, que era uma questão deles, que não era nada pessoal, que era uma questão cultural e eu aprendi a lidar e ver a situação de forma diferente.
Isso não quer dizer que não foi desafiador, continua sendo desafiador para mim, mas o fato de perceber, identificar que é deles, é uma questão deles e tudo bem, a gente é diferente é uma questão cultural e eu fui aprendendo a lidar e visualizar com esse novo olhar. Isso me ajudou muito: me trouxe mais leveza, fiquei mais tranquila que percebi que não era comigo, mas era assim deles. Então fui adaptando em função dessa nova realidade.
E aqui é importante também colocar que não é uma questão de certo e errado, mas são maneiras diferentes de lidar com as situações, eu só preciso ter consciência disso para adaptar, como eu comentei, a minha comunicação e também o meu olhar na recepção daquela mensagem. Porque se a pessoa é mais direta, isso não quer dizer que ela tá sendo grossa se eu perceber que faz parte da cultura dela falar "não" sem se justificar, por exemplo. Então eu posso até continuar achando que aquilo não é a melhor forma de lidar, como eles podem achar que a nossa, em alguns contextos, nem é melhor forma e tudo bem, mas respeitar essas diferenças.
Todos esses pontos que a gente foi colocando de espaço, de tempo, eles não necessariamente são para tudo, ou seja, não necessariamente eu sou baixo contexto para tudo. Eu posso ser alto contexto para algumas coisas, em outras são um pouco mais de baixo contexto. Agora eu chamo para ação: tenta identificar como que você reage em função do tempo, da questão de espaço, como que você era, é mais alto ou baixo contexto?
E você lida bem quando você tá conversando com uma pessoa de um contexto diferente? Tenta colocar isso em prática e depois compartilhe comigo quais são suas maiores dificuldades, o que que você achou de interessante nesse tema. Meu nome é Alessandra Vick e eu agradeço por você ter assistido o vídeo até aqui.
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Então te vejo no próximo vídeo.