Como diz Luís Antônio Simas, grande historiador e antropólogo carioca, o jogo do bicho e o carnaval ajudam a explicar a história do Rio de Janeiro. E os homens que fizeram o bicho são personagens complexos e fascinantes. Hoje vamos contar a história de Maninho, um dos chefes do bicho mais polêmicos da história da contravenção. Sua entrada na cúpula fez o Rio de Janeiro ferver em sangue, violência e carnaval. Rapaziada, Como é que vocês estão? Espero que vocês estejam bem. Hoje a gente tá aqui com um dossiê espetacular de detalhado. Para quem gosta de detalhes, de uma
coisa mais aprofundada, isso aqui é a pura nata. Sempre a gente começa o dos fazendo um exercício, certo? Eu gostaria que vocês vissem esse olhar, foca nele. Durante anos, as pessoas evitavam olhar para esse homem. O olhar dele poderia significar o limiar entre a vida ou a morte de alguém. Esse é Valdermir Pais Garcia, conhecido como Maninho. Ele foi um poderoso bicheiro que marcou a transição de uma geração do bicho pra outra bem mais violenta, de uma geração de homens mais velhos e mais calmos para a intempestividade e ambição de gerações mais novas e violentas.
Não que as mais velhas não mandassem tirar vidas, mas era mais calculado. A história de Maninho é complexa e hoje nós vamos contar ela aqui para vocês nos máximos detalhes que as referências e nossas Fontes proporcionaram. E não é apenas a história dele, mas a história sangrenta da saga da família Garcia e do início das guerras violentas do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Claro que os detalhes maiores estarão na vida do bicheiro, mas nós também deixaremos aí umas histórias e alguns detalhes sobre o que veio após a morte dele, apesar de colocar a
guerra da família Garcia em um outro dossiê. Fica com a gente aqui que vocês não perdem por esperar. Esse é o dossiê Produto mais completo de iconografia da história em que nós pegamos um personagem ou uma situação e nós descrevemos o mais detalhado possível. Uma pesquisa ampla de fôlego e que eu espero que vocês gostem. E quanto Edu Roda vinheta, deixa seu like para ajudar nas nossas pesquisas e no nosso trabalho e recompensar todo esse trampo que nós fizemos. Edu, roda vinheta. [Música] Rapaziada, o jogo do bicho é uma prática Muito antiga em nosso país.
Os pioneiros dessa contravenção ficaram por anos e anos organizando negócios em território nacional, mas principalmente no Rio de Janeiro, lugar onde se encontram os grandes barões do jogo. Muitas pessoas perguntam para mim, Joel, você não pode falar sobre o jogo do bicho em São Paulo? Não faz muito sentido, vocês não vão gostar do vídeo. A gente falou até do Ivio Noal, que era um bicheiro muito famoso, mas o bicho em São Paulo, ele é Muito dissimulado. Ele nunca teve o glamur e nunca teve a violência e as histórias cabulosas que tem no Rio de Janeiro.
Então, basicamente a gente fala do Rio. Vamos falar um pouco sobre essas histórias aí, um pouco sobre o bicho pra gente conseguir entrar no maninho, porque tudo tem o seu contexto. Em meados dos anos 80, uma nova geração de bicheiros passa a participar do negócio. Os filhos, netos e sobrinhos dos bicheiros antigos. O principal nome Dessa geração é o Valdemir Pais Garcia, também conhecido como Maninho, guarda esse nome. Com outras ideias mais violento e empreendedor que os bicheiros antigos, Maninho mudou para sempre a história do jogo do bicho no Rio de Janeiro e a figura
muito conhecida pela crônica policial carnavalesca e do cotidiano da cidade maravilhosa. Todo mundo que viveu próximo ali da região onde ele morava, que conviveu com carioca, se sabe alguma história do Maninho? Com certeza. Aqui no canal nós já falamos bastante do jogo do bicho. Tem vídeo sobre a história do jogo do bicho detalhada desde o comecinho lá, quando abriram o zoológico, instituíram o jogo até as últimas tretas. A gente vai deixar aqui para vocês no primeiro comentário uma lista desses vídeos. Tem desde o Natal da Portela que começou a misturar o bicho com carnaval até
do completaço do Castor de Andrade, que foi o maior bicheiro da história, segundo a Maioria das pessoas. Tem do Piruinha, tem do Miro, que é o pai do Maninho, tem vixe de do China Cabeça Branca, que foi um dos primeiros executados pela cúpula do bicho. Tem muita gente aí que vocês vão ver vídeos interessantes. A briga entre o Fernando Inácio e o e o Rogério Andrade, tem muitos vídeos e muitos vídeos corajosos também. Então não é só esse dossiê, você vai acabar vendo outras coisas aqui no nosso canal. Bom, no dossiê do castor que a
gente indicou Para vocês aqui, vocês vão entender muito melhor o que a gente vai falar agora para vocês. O castor era o que nós chamáamos de um bicheiro clássico. Ele era um bicheiro que ele tinha uma preocupação política de agradar as pessoas e parecer uma pessoa boa praça. Você pode ver que ele, por exemplo, apareceu no Jô Soares trocando uma ideia com o Jô e pá e os caras totalmente se divertindo ali. >> Mas o, como é que diz? Eu dei uma sorte Muito grande porque o assaltante me reconheceu e pediu desculpas e foi embora.
[Aplausos] O meu assaltante também me reconheceu, mas levou o meu relógio. É. Ah, é mesmo. João Soar, me dá o relógio. Mas foi assaltante pediu muitas desculpas. Foi interessante isso. Foi interessante numa casa de veraneio minha, eu fui surpreendido às 11 horas da noite. Quando fui fechar o portão, o Centro me apontou um revólver e em seguida apontou o revólver logo pro pro segurança que estava na casa. E eu pedi a ele para ter calma, porque ele realmente tinha chegado no lugar certo. Se o problema dele era dinheiro e joias, ele tinha ido no lugar
ideal, lugar certo, de forma que ele não devia se preocupar com aquele negócio. E convidei a entrar e o outro compasso entrou também. E o terceiro quando chegou ficou surpreendente e disse: "Meu Deus do céu, É a casa do teu castor, vamos embora que pintou sujeira". Aí pediu desculpa e foram embora. >> E os três foram e você falou o quê? Não, tudo bem, pode ir. Não tem, >> pode ir. Não, claro, não contestei a saída dele. >> Não. >> E aí você percebia que o pastor ele transitava entre o sujeito e boa praça, mas
que se precisasse fazer alguma coisa ele demonstrava o poder dele, tá? Esse Era um banqueiro do jogo do bicho clássico. Ele tinha essa preocupação da limpeza do nome. Já maninho é o personagem de transição de uma cúpula estabelecida com negócios consolidados e maior sabedoria na hora de fazer qualquer coisa e que estavam estagnados no negócio ali do escrito, né, do jogo do bicho escrito. E o maninho marca essa transição desses homens para homens empreendedores e violentos que queriam expandir as atividades e por isso Entraram em uma competitividade sangrenta. Para falar sobre humaninho, nós vamos usar
aqui várias referências. Para quem tá conhecendo o nosso trabalho hoje, vocês talvez não saibam, mas tudo que a gente faz aqui é referenciado em livros, artigos, reportagens, tá? Cada palavra que nós falamos aqui está dentro de alguma referência. As fortes que nós vamos usar aqui são as matérias, o livro e o podcast do nosso querido amigo Rafael Soares, grande jornalista gigante E que tem um livro chamado milicianos, que eu indico muito que vocês comprem, mano. Sem brincadeira, vocês não vão se arrepender e vocês vão entender muito bem o Rio de Janeiro. E outro que será
abordado é o livro que a gente sempre usa aqui, que é Os porões da contravenção do Alói Jupiara, falecido Aloy e Chico Otávio, tá? Chico Otávio, não é de jornalista, a gente tem uma live com ele, tá? A gente vai usar também o livro decaído do nosso amigo Sérgio Ramalho. Um beijão também, Sérgio Ramalho. Tamo junto. Além disso, as entrevistas da minha madrinha Vera Araújo, que são espetaculares. A Vera não só conta história, mas ela conhece com profundidade cada personagem no seu íntimo, na sua personalidade. Nós também usaremos aqui o artigo do Rômulo Bulgarelli Lebronice
que se chama Ação entre amigos, relação entre banqueiros do bicho e as milícias na disputa política e econômica da contravenção. Esse artigo foi publicado na revista acadêmica antropolítica da Universidade Federal Fluminense, conhecida como UF. Vamos lá, então pessoal, para falar sobre o maninho, temos que falar aqui sobre o cenário social em que o maninho estava inserido. Vocês lembram? Contexto ajuda a produzir o personagem e dialeticamente vice-versa. E eu acho que não há melhor forma de entender isso do que falar sobre o pai do maninho, o Valdomiro Garcia, conhecido como Miro. Miro era um dos chefes
da cúpula central do jogo do bicho, que tinha como principal porta-voz o castor de Andrade. Na época que Miro acendeu a grande banqueiro, faziam parte da cúpula o Turcão, o Zinho, Carles Maracanã, Luizinho Durmon, Piruinha, Capitão Guimarães, Anísio, entre outros poderosos aí que compartilhavam essa reunião de pessoas que definiu quais seriam os andamentos aí, os caminhos que o jogo iria tomar no Rio de Janeiro e no Carnaval também. Um desses poderosos importantes era um cara chamado Ângelo Maria Longa, o tio Patinhas. E o apelido tio Patinhas veio por conta de duas paradas. Uma porque ele
lembrava o tio Patinhas mesmo e outra porque ele realmente tinha muito, mas muito dinheiro. O Edu vai colocar uma foto pra gente que não conhece, porque a gente nunca sabe, né, que as pessoas não conhecem. Eu já conversei com pessoas da geração Z que não sabiam nem que tinha Acontecido o negócio das torres gêmeas ou que que era o poderoso chefão, né? O tio Patinhas, pessoal, ele é um pato, né, do desenho, parente do pato Donos, inclusive tio do pato e tio de vários, do Iguinho, do Guinho, Zezinho, Luizinho. E ele é um avarento que
tem muito dinheiro. E o tio Patinhas, Ângelo Maria Longa, né, o bicheiro parecia com esse tio Patinhas. E também tinha mundiro, mundieiro mesmo. O tio Patinhas é de uma geração ainda mais antiga que o Castor, até dessas que não se envolveu com o carnaval. Ele chegou a atuar com o pai do castor de Andrade, seus vizinhos. O tio Patins foi um dos caras que ajudou a constituir os bancos do jogo do bicho. Presta atenção no que são os bancos do jogo do bicho, porque ele que criou essa geração de mandantes do bicho. Antigamente os apontadores
do jogo do bicho, ou seja, aqueles caras que fica na ponta numa mesinha vendendo ali os as apostas, eles não podiam pegar, eles não Podiam pegar apostas muito grandes, porque muitas vezes eles não tinham dinheiro para pagar essa aposta. O tio Patinhas então montou um banco com dinheiro guardado para poder aceitar apostas maiores. Então qualquer ponteiro aceitava a aposta e passava pro tio Patinhas, que fazia uma descarga, ou seja, ele liberava o dinheiro quando o cara ganhava essa aposta, o cara que apostou muito, tá? E aí os banqueiros garantiam que o ponteiro poderia vender Aquela
aposta ali sem problema nenhum. E aos poucos os banqueiros foram dominando grandes áreas do Rio de Janeiro, porque eles foram comprando os ponteiros. Os donos de bancas menores tiveram que vender suas bancas para eles. Aliás, os banqueiros, eles também garantiam a segurança desses ponteiros, porque era comum que o ponteiro do jogo do bicho fosse executado, fosse assaltado ou perdesse o ponto para um outro cara. Esses grandes banqueiros, eles começaram A ter relações com policiais e, lógico, né, com grupos ali armados que protegiam esses ponteiros e garantiu o território à bala. O tio Patias virou um
dos banqueiros mais ricos da história do bicho. Ele construiu uma realidade em que todo mundo podia ter uma banca para uma realidade que os grandes banqueiros controlavam todas essas bancas. Só que o Tio Patinhas não tinha família, ele era um homem solitário que tinha apenas irmãs. Ele acabou adotando um cara para Trabalhar com ele. Esse cara era o Valdomiro Garcia, que mais tarde ficou conhecido como Miro. O Valdomiro Garcia acabou sendo conhecido como o Bradesco da Contravção, que é o pai do maninho, né? O Mir, o pai do Manin, é interessante contar a história dele,
ele veio de uma família bem pobre, tá? Manin, o Miro não tinha dinheiro. Quando eu digo pobre, é pobre mesmo. Era gente que engrachava sapato, diferente do castor que já veio com uma família que Tinha dinheiro. Ele prestou muito serviço da infância e de vários trabalhos precários, tá? Então ele conhecia a pobreza. Quando entrou na vida adulta, lá pelos 20 anos, o Miro conseguiu o trabalho como apontador do jogo do bicho na região de Andaraí. Inclusive, por ter origem muito pobre, o Miro trafegava pelos morros, conhecia a pobreza e os apontadores menores do jogo do
bicho. Desde moleque também, o Miro frequentava a escola de Samba Vila Isabel, que vai ser muito importante em sua história até que ele vá para Salgueiro, pro Salgueiro, tá? Desculpa cariocas, às vezes a gente erra pra Salgueiro, vocês fica bravo para aqui, tá? No serviço de apontador do bicho, Miro rapidamente se mostrou muito habilidoso e sério. Então ele foi transferido pra zona sul da cidade para verificar o trabalho dos apontadores do bicho naquela região. Na zona sul era a região com os jogadores ou clientes mais Exigentes e que jogavam com tias maiores. E Miro dava
conta de organizar as bancas e pagar todo mundo. Inclusive na zona sul, região de Copacabana, essas regiões aí, existiam muitos militares do exército, das Forças Armadas mesmo, que garantiam que ninguém ia tirar o jogo do bicho dali, porque o carioca convive com o jogo do bicho na mais pura paz e amor, tá ligado? A relação do carioca com o bicho é impressionante. Bom, de pronto, o tio Patinhas viu no Miro um potencial E ofereceu para ele pontos da zona sul para que ele fosse a visão do tio Patinhas ali, já que o Miro era uma
espécie de assessor e assessor muito bom. Ele já tava como gerente da maioria dos pontos do contraentor, que contava com pelo menos 1000 funcionários. Era muita gente e era muito dinheiro. E o Mir acabou gerenciando tudo isso aí enquanto o tio Patinhas envelhecia. Em pouco tempo, o Miro virou sócio de tio Patins e ofereceu sua família para ser Família do tio Patinhas. Já, como eu falei para você, o tio Patinhas não tinha herdeiros. E aí o Patia vai virar padrinho de um dos filhos do Miro, o filho chamado Valdemir Pais Garcia, conhecido como Maninho. O
maninho já andava junto com Miro percorrendo pontos do jogo do bicho e gostava muito disso. Daí parecia que ele tinha nascido para trabalhar com o bicho. Valderemir Pais Garciano nasceu em 1962. Era o filho querido de Miro e desde Criança acompanhava o pai no carnaval. Mani aprendeu desde sendo comiro a dar ordens para vários tipos de pessoas que circulavam pelo universo do bicho. Não é fácil você ser um chefe do jogo do bicho. Nós já fizemos um vídeo aqui e nós vamos regravar ele agora mais ampliado sobre o filho do castor de Andrade, tá? O
Paulinho Andrade. Paulinho era um cara que gostava muito de carnaval, mas não sabia mandar. Então ele acabava, ele acabou não tendo muita Habilidade para lidar desde o ponteiro do jogo do bicho a presidente de bateria que tem um dizem que tem egos, muitos deles tm um ego bastante inflado, mas o maninho já sabia fazer isso e fazia isso de forma bastante violenta, apenas com o olhar. Manin também ficou responsável pela supervisão das bancas do tio Patinhas. Quando Patinhas estava mais velho e acabou ficando doente, o Maninha acabou tomando tudo. E foi dessa forma que o
maninho entrou pro jogo do bicho. Ou seja, ele entrou pra cúpula sem necessariamente ser por herança do pai. Ele entrou por herança do tio Patinhas, tá? Então ele não entrou como filho do Miro na cúpula. Isso é muito importante. Você tem que ficar claro aqui no dossiê, certo? Ele não entrou com herdeiro do Miro, ele entrou a partir do momento que ele obteve as bancas do tio Patinhas. Tudo bem? Ele não era o filho do Miro ali, apesar de ser filho do Miro, tá? Vocês entenderam o que eu tô falando? Observem essa foto aqui que
é muito simbólica. Ela mostra o enterro de tio patinhas e cada alça do caixão ali, primeiro plano está o Miro e o maninho. Diz que essa imagem é o início da verdadeira saga da família Garcia, que a partir de maninho vai derramar muito sangue em todo o Rio de Janeiro. É uma história fascinante de verdade. Não quer dizer que eu ache essas pessoas mocinhos. O Miro, pai do Maninho, esteitou laços com a Vila Isabel e com o Salgueiro, e ele acabou se consolidando com o nome Salgueiro. Ali Miro reinava sozinho e Maninho era o braço
operacional de tudo, mas ainda assim ele tinha por respeito que pedir permissão ao Miro. Isso aos poucos foi acabando. Temos aí uma entrevista do Miro falando no Salgueiro. >> Meus amigos, tem uns convidados meu do Paraguai, tem senador do Paragua, presidente do partido Colorado >> e agora tá com negócios lá. Tem o Deputado Medina aqui também que tá prestigiando nosso camarote. E eu fui feliz, fiz uma amizade no Paraguaia. Hoje eu sou dono de um cassino de sócio com Paraguai. É. Boa sorte então. Boa sorte pro Salguero. >> Tá vendo como é que o Miro
é um bicheiro mais classicão? Bom, após a morte do Patinhas, a herança ficou com maninho e ele adentrou na cúpula do jogo do bicho com os mais antigão. E aqui queria dar uma parada para explicar um pouco do Conflito de geração que vai acabar sendo importante para compreender o destino e a história de maninho e do resto dos coroas da cúpula do bicho. A entrada do maninho na cúpula causou um choque. Maninha era um homem expansivo, violento e estriônico. Estriônico é aquele cara que fica e do nada ele explode. Ou seja, ele não pensava duas
vezes antes de dar um tapa na cara de alguém, que é uma coisa muito grave, tá? Mas ele era cercados de policiais corruptos que Faziam sua segurança e o serviço sujo que ele precisava. Manino nunca dava um tapa na cara de alguém sozinho, mas as ações dele e a vontade de expansão acabou causando problemas com a cúpula dos mais velhos. Ele tinha uma visão de que se deveria colocar máquinas, caçanis, bingos eletrônicos e o bicho deveria começar a mexer com outras coisas ilícitas, que é o exemplo disso. Eu vou dar um exemplo muito claro para
vocês aqui. Para quem conhece, gosta de Crime, conhece esse filme, vai saber disso daí. Fernandão, lembra do Poder do Chefão? >> Com certeza, primo. >> Que que acontece do Poder do Chefão? A gente tem o Don Corleone, que é um cara das antigas, e ele mexe com o jogo legal, com várias coisas assim, meio pagando por, é, cobrando por proteção, coisas que a cultura norte-americana não achava tão grave assim. De repente chega um cara chamado Soloso, que mexe com Entorpescentes e o Soloso oferece pro Dom Corleone, o chefão mais antigo da família, se ele queria
financiar uma parte da produção e ajudar com proteção jurídica para que o Soloso pudesse fazer ali o comércio de entorpecentes na cidade. O Dom Corleone recusa, mas o Sony Corleone, o Santino, que é filho do Dom Corleone, que já é um cara meio humaninho mesmo, meio violento assim, estriônico, ele topa. Ele na cabeça dele aquilo funciona, precisa se atualizar, Precisa entrar esse novo negócio e tal. E aí acaba acontecendo várias tretas, acaba acontecendo várias execuções e tal, acaba acontecendo uma guerra por conta da entrada dos entorpescentes, mas o do Corleano é completamente contra. Era mais
ou menos isso que o maninho queria. E os mais antigos eles se colocavam meio que contra essa expansão fora do jogo escrito que na cabeça deles não causava transtorno para ninguém, né? Eh, e que os outras atividades talvez Poderiam causar. Fala, Fernando. >> Por do meu ponto de vista, o jogo, a bebida clandestina eh dá muito menos bo que o próprio entorpescente, né? que a polícia fica em cima do entorpecente. >> É, não que a gente esteja romantizando bebidas e essas coisas, mas os entorpecentes realmente por conta da guerra, os entorpecentes e tal, mas no
caso, no caso dos bicheiros, não era a questão do entorpecente. A gente tá Dando a o exemplo do poderoso chefão para vocês, tá? É muito doido, porque quando a gente vai estudar o comércio de entorpecentes também é bom deixar claro, a gente vê que a primeira geração do Comando Vermelho, por exemplo, era uma geração mais não mais tranquila, mas era uma geração que tava se estabelecendo enquanto a segunda, a terceira geração ali, que já é do Fernando de Beiramar, do Marc VP, já é uma geração de empreendedores ilegais. U eram caras que Queriam deixar o
negócio gigante, chegaram aí para fora do país e eles eram extremamente violentos porque eles estavam abrindo o mercado. E aí a gente vê que a segunda, terceira geração, sempre de um poder estabelecido, criminoso, ela sempre muito mais violenta, porque ela entra numa guerra de expansão e de concorrência. No crime, a concorrência não é o preço que você vende, né, o mais barato, é bala. Bom, para explicar essa situação para vocês Desse conflito de geração que marca muito o contexto da história do maninho, a gente vai trazer um autor aqui para vocês e uma teoria sociológica.
Na sociologia, esse choque de gerações encontra explicações de um sociólogo muito famoso chamado Carl Manheim. Calmanheim, que explica um pouco as contradições e o que acontece quando uma geração entra em conflito com a outra. Vou dar um exemplo para vocês. O seu pai que é xarope, o seu avô e tal, não batem Com as suas ideias. O Manheim diz que uma geração pode ser caracterizada por pessoas que viveram eventos incomuns e compartilham de fatos históricos, hábitos e aspectos culturais em comum. Não necessariamente idade, mas precisa ter ali e vivido fatos em comum. Então, a minha
geração, a geração milênio, que a gente chama, que é uma geração que viveu com pé no analógico e com pé no digital. Um garoto hoje ele não vai entender jamais que a única forma de Comunicação, as duas únicas formas de comunicação que a gente tinha era TV e rádio, né, Fernandão? Tipo assim, o filme antigamente a gente tinha que esperar tela quente. Eu lembro que a gente esperava o começo do ano, Fernandão, que mostrava todos os filmes que iam passar na tela quente. Aí tinha lá Batman, tá ligado? Você esperava o ano inteiro para chegar
o Batman. Era uma ansiedade. Aí à noite você tinha que assistir, rezar pro teu pai, não achar Que aquilo era sacanagem e não deixar você assistir, etc. Hoje, mano, com o a unipresença dos swimmings, os caras nem liga para isso. Essa sensação esse moleque não vai ter, porque ele não viveu com o pé no analógico, tá? Então é uma coisa, como eu disse para vocês, que nós que dessa geração convivemos e nós temos a mesma visão de mundo, apesar de ideologias diferentes e tal, nós convivemos essa parada. Então, as gerações elas são mais ou menos
essas, Tá? Como de uma nova geração chega, ela entra em choque com a geração antiga. Os bicheiros mais velhos eram de uma geração diferente da de maninho e eles controlavam a cultura e as práticas do jogo do bicho e achavam que aquilo era o correto, que sempre deu bom. A entrada de novas pessoas gerações diferentes, segundo a fala do autor, obstrui os bens culturais constantemente acumulados, mas também produz inconscientemente nova seleção e revisão no campo que está Disponível e nos ensina a esquecer o que já não é útil. e desejar o que ainda não foi
conquistado para outra, paraa geração mais nova, o que os caras fizeram antigamente já não é mais útil. Então ele tem que montar as suas próprias conquistas. Outros caras também chegavam com força e não era só maninho, tá? A gente tá falando maninho aqui porque o doci é sobre ele, mas outros caras chegavam com força no jogo do bicho nessa época. Mas eles eram Herdeiros que os pais ainda estavam vivos. Beleza, o maninho e o pai ainda estava vivo, mas ele é um herdeiro do tio Patrido. Beleza? Bom, no início dos anos 90, vários caras desses
chegaram. Roger Andrade, Fernando Inácio e outros caras aí também. Mas como eu disse para vocês, eles não apitavam muito porque os velhões ainda estavam vivos, né? O castor. Dito isso, guarda a informação do conflito de interesses entre maninho e a cúpula. E vamos falar um pouco da Vida e da fama desse cara em detalhes. Galera, o maninho realmente tinha fama de alguém muito muito mal e que gostava muito de treta. Maninho também era muito conhecido da boemia carioca. Ele era visto por jogadores com jogadores de futebol famosos da época dos anos 90, tá? Sei lá,
Edmundo, tem foto com o Renato Gaúcho, tá? Eu vou contar uma historinha aqui para vocês que uma pessoa famosa contou para mim. Não vou abrir o nome dela aqui, mas é um cara Muito gente boa. Ele deve estar assistindo isso e ele contou essa historinha para mim e eu vou tomar licença de contar sem colocar os nomes. Mas ele era um cara muito famoso, eh, um humorista aí. E ele conhecia uma moça dessas moças que dançam, dançava no programa dos anos 90 que era o Sex Symbol. E essa moça chama ele para ir no ensai
quadra do Salgueira ali no final, no início dos anos 2000. Quando ele chega com essa mulher, o maninho fica Com ciúmes achando que essa mulher era namorada dele, pega ele pelo pescoço e levanta ele pelo pescoço, quase estrelando o pescoço do cara mesmo. Aí ele ia meter o louco no cara. Aí a moça falou: "Não, não, pelo amor de Deus, ele é minha amiga, conhecida, que trouxe ele". Tá, tá, t. Aí o maninho soltou ele no pescoço e deu para ele uma um tratamento muito bom, muito real assim e tal. Então era aquilo, o cara
tinha uma uma personalidade totalmente, mano. Você Não sabia se o cara ia explodir ou se ele ia ficar quieto. Não falo com a família dele, mas com as pessoas de fora. Obviamente que isso é incontestável. Qualquer um que você perguntar na época do maninho vai saber disso daí. Inclusive, velho, a gente tem alguns, né, Fernandão, comentários aqui no vídeo. A gente tem o vídeo antigo do maninho aqui, que era um pouco mais enxuto, mas que a gente consegue ver no vídeo várias pessoas contando assim Sobre histórias do maninho que são de arrepiar, mano. Uma vez
fui ao desfile das escolas de samba e meu amigo foi ao banheiro. voltou assustado, dizendo que viu um maninho enchendo de tapa a cara de um puxador de samba da escola famoso, dizendo que não conquiria ele fazendo aquilo na quadra e nem em dia de desfile. Aquilo era cheirar cocaína. Sua testemunha viva de como o maninho fazia sucesso com as mulheres, inclusive com as atrizes da Globo. Ele era bonitão, Rico, poderoso e tirava maior onda de artista. Jogadores de futebol, cantores de pagode samba, todos frequentavam as festas do bicheiro. Maninho era o cara. Conheci o
maninho quando ele era adolescente. Naquela época já andava cheio de segurança e tocava o terror em Copacabana. casou-se com a Sabrina, que na época era namorada de um primo meu. Agora, a atrita mais histórica que ele se envolveu e que muita gente conhece, até hoje conta, parece que virou lenda Nos Rio de Janeiro, apesar do coitado do cara que foi alvejado ter ficado, infelizmente e com sequelas, foi uma treta que envolve o Maninho e o Tarcíio Filho, filho do ator Tarcío Meira e da Glória Menezes. Não que o Tarcis Filho tenha sido vítima dessa história
propriamente. A principal vítima não foi ele, tá? Foi o amigo dele. O Tarciso Filho era chamado de Tarcisinho na época, mas quem se ferrou, como eu disse na treta, não foi ele. Quem se ferrou Nessa treta foi um cara chamado Carlos Gustavo Moreira, que tinha o apelido de Grelha e era bastante conhecido no Rio de Janeiro. Olha a história do Grilia, pessoal. Que triste isso daí. É no final de outubro de 1986 e o bicheiro Maninho já tinha entrado com tudo no jogo do bicho, mas ele ainda era um cara muito jovem. O maninho foi
jantar num restaurante no Leme junto com a sua namorada na época, que mais tarde vai se tornar a sua esposa, né, a Sabrina. Lá No lugar estavam grelha, Tarcísio Filho e alguns outros amigos. O que contam as fontes e os inquéritos policiais que nós consultamos e vamos deixar aí para vocês no comentário, é que o Manin estranhou os caras e foi arrumar confusão na mesa. Maninha chegou pr pros caras ali, né, e falou assim: "Rapaziada, vocês estão olhando pra minha mina e eu não tô curtindo o que vocês estão olhando para ela". E essa caminhada
aí tá errada. Claro que ele não falou necessariamente Assim, né? Tô usando gira de paulista e tal, mas basicamente o maninho ele encasquetou que os caras da mesa que eram sujeitos bonitos também, galãozão assim e tal, estavam olhando pra mulher dele e querendo cobiçando a mulher dele, a mulher do próximo. Dizem as pessoas que o maninho ficou meio com ciúmes, que ele, tipo, não podia ver um cara que parecesse mais bonito, mais galã do que ele, que ele ficava em choque ou talvez por insegurança, sei lá. Então ele vê o Gril, o Tarciszinho e ele
vai embaçar com os cara, tá ligado? Só que ele tava com segurança com essas coisas, né? Eles saíram fora do lugar e realmente para não arrumar a confusão com o Maninho, que era um cara bastante poderoso, eles resolveram sair fora, falar: "Ó, mano, deixa quieto isso aí também, já conhece o cara, cara, dá maior problema e tal". Só que é o seguinte, mano. Os seguranças dele que tava armado, que era o polícia na época, os caras entraram no Monza e Saíram fora e seguiram o Gril e o Tarcizinho. Aí em um túnel em Botafogo, os
caras emparelharam o carro com o carro do Tarcinho e do Grelha e os caras meteram bala no carro, tá ligado? Deram tiros com uma calibre 9 mm. O Grelia, um jovem de 20 e poucos anos, cheio de vida pela frente, foi ferido na coluna e perdeu os movimentos da perna. Foi trágico, cara. Ele ficou paraplégico. Coitado do Grilan, né? E na época o acabou virando o principal suspeito, que Ele tinha tretado com os caras ali pouco tempo, eram mon pá, etc e tal. Mas o bicheiro foi absolvido e o segurança do maninho acabou segurando o
BO e foi condenado pelo crime, mas ficou pouco tempo preso, tá? O Ministério Público chegou a jogar a denúncia de tentativa de homicídio, tá? Mas acabou não dando em nada. E aí o maninho, pelo outro cara ter assumido, ele acabou. Bom, enfim, ele acabou não sendo condenado por nada disso. Daí acabou saindo livre. Mais Tarde a gente ficou sabendo, né, fomos procurar que o maninho foi condenado a pagar 10 ou 12 salários mínimos pro grelha pro resto da vida, tá? O maninho também foi um dos bicheiros mais jovens a ser preso durante a investida do
poder judiciário contra o jogo do bicho no início dos anos 90. A gente fala muito dessa investida do estado contra o jogo do bicho num outro vídeo que a gente conta sobre os bicheiros e a história do jogo. Na época, o Ministério Público do Rio de Janeiro resolveu agir contra a contravenção e contra os contraventores e meteu um monte de bicheiro no banco dos réus. A ação foi por conta do crescimento dos caçaniques que, como eu disse para vocês, ficou mal visto pelo governo. Tem imagens disso, tá? Desses julgamentos dos tribunais. Os bicheiros inclusive eles
tivam sarro dos do judiciário, tá ligado? Eles iam lá e falaram: "Eu não tenho nada a ver com isso, eu não sou bicheiro, sou Comerciantes, tal e etc. Todo mundo sabia que os caras eram bicheiros, tá? Qual é a avaliação dessa situação toda? O senhor acha que o senhor vai conseguir sair da prisão ainda com esses recursos? Qual a avaliação que o senhor tá fazendo? >> Se anos por causa de quê? Raz, não tem prova de nada. >> Pra a juíza Denise Frçar, que era juíza do caso, magistrada do caso e o Ministério Público, conseguiram
a Condenação de vários desses bicheiros. por contravenção e formação de quadrilha. Para vocês terem ideia, mano, de como que o bagulho era louco, os policiais que faziam a vigia do fórum na frente, quando eles estavam de folga, eles iam fazer a segurança dos bicheiros, tá ligado? E aí que que acontece? Ah, Denis Fross conseguiu prender os caras por formação de quadrilha porque a polícia trabalhava junto com eles. Vários bicheiros foram Condenados e entre eles o próprio Maninho. E Maninho virou uma espécie de patrocinador de jogos dentro da prisão. Diz que ele patrocinava até briga entre
presos do sistema de apostas. Nós temos um vídeo aqui, Fernando, que nós gravamos há muito tempo atrás e o vídeo na época não fez tanto sucesso, mas a gente pode retomar com eles, que é a bagunça que virou as cadeias do Rio de Janeiro quando os bicheiros foram presos, mano. Os cara patrocinava Churrasco. Fernando, tem umas histórias de cara que nunca tinha comido carne e de repente o Miro tava fazendo churrasco de picanha dentro do bagulho, tá ligado? O turcão, o o Zinho, comprou o a cantina da cadeia, o castor de Andrade reformou a cadeia,
tá ligado? botou até elevador no bagulho, virou um hotel cinco estrelas de Panema, o lugar tá pintter, enfim, é uma história muito boa. Inclusive a gente pode colocar esse vídeo, Fernandão, não vale a pena ver de Novo de sábado. Todo sábado a gente tá revisando um vídeo, tá? A gente tá pegando o vídeo antigo e colocando ele de novo, porque às vezes foi um vídeo que a gente lançou quando tinha 50.000, 100.000 e muitas pessoas não viram. Então eu peço paciência para vocês, porque tem muita gente que fica: "Ah, tá repetindo tudo e tal". O
cidadão chega aqui, ele vê um vídeo repetido, fala: "Ah, agora tá repetindo tudo e etc." Quando ele assiste, vale a pena ver de Novo aí para ver as mulher dos anos 90, né, cidadão? Você é um desserviço. Mas enfim, vamos continuar. Todos sábados a gente tá colocando aí um Vale a pena ver de novo. O maninho então foi preso junto com os e idosos, os mais velhos da cúpula do bicho. E os mais novos começaram a tomar o lugar ali enquanto eles estavam presos. E o tempo que ele ficou na prisão deu uma atrasada na
vida dele, do maninho. E guarda essa informação que mais tarde ela vai ser Importante. O tempo que o maninho ficou preso atrasou os negócios dele. Retomando aqui algumas características do Maninho. Ele dirigia a escola de samba com Monte Ferro. Era um homem temido, mas a sua verdadeira paixão era a criação de cavalos e uma raça de cavalo cara chamada Campolina. Maninho tinha um aras em Cachoeiras de Macacu. Esse aras era tocado por um homem chamado Rogério Mesquita, o Mesquita. Ali foram criados dois filhos de Funcionários. Um deles chamava João e o outro chamava Adriano, o
Aras do Maninho. Mais tarde eles serão conhecidos como tenente João e capitão Adriano da Nóbrega. Conhece Fernandão? Tenente João e capitão Adriano da Nóbrega? >> Conheço não, primo. O negócio é colocar um card aí. >> Ninguém conhece. Ó, agora que os cara tá morto, todo mundo conhece, né? O tenente João e Adriana da Nóbrega mais tarde Serão peças chaves na história da família Garcia. Guarda essas informações também, esses dois nomes. Por favor, não percam a linha de raciocínio. Maninha teve três filhos com Sabrina, sua esposa, as gêmeas Tamara e Shana Arou Garcia, tá? E o
filho mais novo, Valdomiro, conhecido como Mininho, que é em homenagem ao pai do Maninho. As filhas do Maninho se envolveram com dois homens. A Tamara se casou com Bernardo Belo Pimentel Barbosa, conhecido como Bernardo Belo, aquele cara que quem assisti o vale escrito fala: "Não faz sentido". E a casou com José Luiz de Barros Lopes, conhecido como Zé Personal. Dizem que o maninho deixou ela casar com o Zé Personal, porque o Zé Personal era um cara que não oferecia nenhum perigo. Mais tarde ele vai começar a se envolver numas paradas pesada aí também. Você se
recorda quando eu falei que o maninho passou parte dos anos 90 preso? Então ele acabou ficando Para trás num negócio muito importante. Quando o maninho sai da prisão, ele percebe que os mais velhos entraram no ramo dos caçaniques através dos mais novos. Castor de Andrade, por exemplo, entrou no negócio de caçanik orientado pelo seu genro Fernando Inácio. Outros membros também já estavam espalhando maquininhas pelo Rio de Janeiro. E pessoal, a maquininha, vamos lá então nós falar, a maquininha ela rende mais do que o jogo do bicho. Por quê? Porque O cara joga freneticamente, o cara
vicia no bagulho e fica lá apertando o botão e puxando alavanca, tá? Na época os mais velhos haviam feito um pacto e dividido o Rio de Janeiro. O cara só podia explorar o jogo do bicho na área que ele tinha sido designada. No caso do Maninha, só a zona sul. Mas o Rio de Janeiro estava se expandindo muito pra zona oeste e a zona sul estava ficando pequena. Maninho então começa a colocar máquinas caçanques em território que não Era dele e passa a questionar o combinado. Tipo assim, o negócio valia pro escrito e não valia
para eletora. Deixa eu explicar para vocês como é que funciona isso daí. Até então, a zona oeste do Rio de Janeiro, ela era conhecida como uma roça, tá? Jacaré Paguá. É depois da barra ali, Jacaré Paguá, Musema, Gardenia Azul, Campo Grande, nada chegava lá. E os caras quando dividiram os territórios do jogo do bicho, os mais Velhos, a zona oeste ficou meio deficitária, mais para lá, né? A zona, a extrema, a zona oeste. E de repente, no final do meados pro final dos anos 90, essa área da zona oeste começa a crescer muito. E aí
todo mundo, como não tava dividido o bagulho direito, todo mundo queria socar a maquininha ali. E uma nova classe média tava surgindo no início dos anos 2000. E essa nova classe média tava consumindo muito. Então, quem começou a explorar a zona oeste? eram Policiais e foi grupos milicianos. Daqui a pouco a gente vai explicar melhor isso daqui para vocês. Como o maninho começou a socar maquininha em lugar que não era dele, porque o lugar dele era zona sul, isso começou a causar um problema terrível no Rio de Janeiro, até porque na zona oeste outras forças
começavam a nascer e crescer. Os bicheiros sempre precisaram de policiais para fazer sua segurança e garantir a sobrevivência deles e o medo que eles empham nas Pessoas. Mas ali na zona oeste começa a nascer milícias, policiais que viraram quebras. O que que é quebras, galera? Quebra é um policial, a paisana que domina como xerife parte de uma região. Então, zona oeste do Rio de Janeiro praticamente não tinha delegacia e batalhão. O que que acontecia? Quem fazia segurança ali era o policial da área. Então ele era um policial que ele ia trabalhar e aí os caras
procuravam ele cas fal: "Ah, tá tendo uma confusão, Você pode ajudar a gente e tal". Um desses policiais que era chamado de quebra era o Geraldo Pereira e o Marcos Falcon. No caso Geraldo Pereira, assim, na zona oeste do Rio de Janeiro, ali em Curicica, o Marcos Falcon mais na zona norte e em Campo Grande ali que é um grande bairro do Rio de Janeiro, o Ricardo Batman. Esses caras passaram a mandar nessas regiões e ser uma força que se tinha que negociar para inserir maquininhas de caça níquel. Rapaziadas, O Geraldo Pereira e o Marcos
Falco, a gente tem vídeo falando sobre os dois aqui. Se você pegar os comentários sobre esses vídeos, dos vídeos dos caras, é muito louco. Depois vai lá nesses vídeos e veja os comentários, as histórias que os caras contam. Maninho passou a enfiar máquina em tudo quanto é lugar. Inclusive, temos até uma fala do Sérgio Ramalho quando ele veio aqui sobre o maninho, que ele resolveu, o maninho, né, resolveu colocar máquinas caçanikas Em Angola. E aí ele meteu as máquinas em Angola. Tio, sabe o que que os caras fez? da máfia angolana meteu o louco de
todo mundo lá paulado e tomou as máquinas pros caras. O Vanin deixou quieto, né, pô? Investia bastante em reportagens, era uma época muito boa. Eu tinha um dos melhores editores que eu trabalhei lá, eu tava aí com muita gente boa, mas o Sérgio Costa era um cara sensacional. Você falava uma história para ele, ele vinha com lei de Título e eu falava assim: "Cara, vai pro inferno, meu, que que é isso?" Aí ele falou: "Cara, se prepara que tu vai para Angola". Aí eu falei: "Tá de brincadeira, bicho". Ele falou: "Não, se prepara, tu vai
para Angola". Falei: "Não, pera aí, tem que saber como é que aquilo lá. Nem tinha ideia, bicho". Pô, aí eu fui pesquisar, os caras tinha acabado de sair de uma guerra civil. Quem controlava o bicho em Luanda, junto com algumas pessoas, obviamente, de Angola, era o próprio a família Pasarc, tá? com um cara nacional, um português mesmo, eh, que fazia essa ponte entre Lisboa, Luanda, Rio de Janeiro. Então, assim, é, cara, não é coisa de, ah, decidi investir nisso agora, não, né, não, bicho, o negócio é pesado. Maquininha de videopóker. Quando eu era moleque criado
no subúrbio, essas maquininhas, bicho, anos 80, essas maquininhas estavam por tudo quanto era lugar. Tudo quanto era lugar. Caramba, eu não tinha noção disso, Sérgio. Olha que ideia interessante, cara. Se tu tiver reportagem das antigas, manda aí para nós. Se for reviver ela, manda que nós faz um vídeo sobre assunto. Eu, cara, eu acho que eu tenho guardado em algum lugar, tenho que pesquisar e achar. Mas, cara, foi pra final de um prêmio S de economia. O que mais me surpreendeu foi o cara riu para caramba, falou: "Bicho, tu foi para final do S de
economia, não ganhou, mas Pô, só tá ali foi sensacional". >> É. E é uma economia ilegal, né? É, é, é ilegal mesmo. É uma economia ilegal. E, e você conseguiu se inserir nesse prêmio, né? Para quem não conhece, pessoal, o prêmio S, ele é o grande prêmio, é o polito, né? >> É, foi, né? Acabou, né? Ele acabou, mas ele foi, ele foi. >> É, >> olha como é que você percebe, como é que o jornalismo sério ele tá cada vez mais Eh rareando, né? Porque para você ver até os grandes prêmios assim, que eram
umas coisas absurdas, eh, tá acabando, né, cara? É, mas eu acho que isso faz parte até de uma mudança mesmo, porque você vê o que que foi acontecendo, né? Eh, o jornalismo foi deixando de ser eh reportagem, tem ainda, né? Tem alguns lugares que ainda dá um certo espaço, mas é muito difícil para ser uma coisa de opinião. Então, você vê um monte de Opiniólogo falando, né? Pô, sai um pouquinho, tem uma fonte ali fala, mas é um monte de opiniólogo. Io local lá meter o pé na lama e ver as coisas é meio complicado
e custa caro, né? A grande verdade é essa, assim, eu fui, para você ter ideia, bicho, eu fui para Angola, meu irmão, eu fiquei 15 dias naquele lugar, um horror. Não, hoje eu não sei como tá, tá, mas quando eu fui era um horror. Tinha acabado a guerra civil, você encontrava criança na rua Sem perna, sem braço, >> né, gente? Uma miséria extrema, extrema. >> E o joguinho já rendia. Então assim, eu filmei, >> os caras enviando máquina lá para viciar os caras que já tava tudo ferrado. >> E não, mas com uma curiosidade, tá,
lá o jogo não era ilegal, tanto que hoje depois de um tempo foi regularizado inclusive e aí os os mafiosos de Angola tomaram dos caras aqui. Teve isso. >> Os mafiotos de Angola tomaram dos bicheiros aqui do Brasil. >> Exatamente. Agora a máquina toda nossa e ficou pra gente. Acabou. Baba bau. >> Nossa, que história muito louca. Depois vê se você consegue resgatar aí o Sergão para para trazer pra gente. Cara, qual que foi o caso de corrupção que você estudou, que você leu lá é o território dos caras, né? Tentou me enfiar aqui, não
deu certo e já era. Essas enfiação de máquina em todo lugar vai dar início No Rio de Janeiro ao fenômeno chamado Guerra dos Caçaniques, porque vários bicheiros, principalmente de nova geração, começaram a se movimentar para garantir espaços. Eles instituíram, por exemplo, a sexta-feira 13. Fernando sexta-feira 13 era uma marreta gigante que os caras chegavam no boteco e quebravam a máquina. Então primeiro o cara chegava assim para você e falava assim: "Boteco do Fernandão, boteco do Piauí". Todo lugar tem o boteco do Piauí Ou boteco do Lagoa. Ele chegava pro Lagoa e falava assim: "Lagoa, que
que é essa máquina aí?" "Ah, essa máquina é do Fernando Inácio, tudo bem, mas essa máquina aqui tá perto do território do Maninho. Você vai trocar essa máquina?" "Ah, não posso porque eu vou roubar confusão com o cara". Então nós vai dar um jeito, quebrava a máquina do cara e colocava deles. Olha que bagulho louco que quem fazia isso geralmente era polícia ou cara armado, né? É, Rapaziada, agora vocês estão vendo aí um boteco na beira da do Rio de Janeiro. Tá uma cervejinha ali, os caras tomando uma seva, de repente começa a chegar uns
caras ali com já. Tem cara mesmo de ser tira o jeitão, trocou uma ideia, falou com o cara ali, pá, já teve mais dois outros caras vindo lá no fundo e os caras já dá uma geral, já faz uma revista. Isso aí é o mods operand da sexta-feira 13, certo? Os caras entram, já fazem uma Revista no cara e aí já começam a mexer nas coisas. O dono do boteco já fica ligado. Isso. Amarretona na mão. Essa é a famosa sexta-feira 13. Os caras chegam na maquininha. Brau. Ô Fernandão, você tinha me explicado esses dias
atrás por que é o nome sexta-feira 13. Você lembra dessa explicação? Eu lembro, primo, é que tipo assim, eh, a pessoa que trabalha com essa marreta, por ser um negócio pesado, Bruto e tem que ficar batendo o dia inteiro, ele ficaria dois dias sem trabalhar por causa da dor no corpo. Então, já era chamado de sexta-feira porque o sábado e domingo é a folga. Que doideira da bexiga, mano. Bom, além disso, esses conflitos fizeram crescer ainda mais a relação dos novos bicheiros com o jogo do bicho, tá? E aí muitas mortes começaram a acontecer para
garantir os pontos de instalação dos jogos e um sistema de pistolagem foi Constituído entre os bicheiros mais novos. Enquanto os bicheiros mais velhos cuidavam da parte escrita do jogo, do carnaval e outras atividades mais tradicionais, os mais novos, como Maninho, Fernando Inácio e Rogério Andrade se dedicavam à colonização da zona oeste por meio de maquininhas. Aqui é interessante contar uma história de uma disputa de dois fios desencapados no Rio de Janeiro. Essa história é muito boa, Fernandão. A briga começa com um Cara chamado Irapu David Lopes ou Irapuan David Lopes ou Gangã da motoserra do
Morro São Carlos, próximo à região central do Rio de Janeiro. O gang era brabo, rapaziada, para vocês terem uma ideia, ele tinha o Satanás tatuado nas costas, tá? Aqui nas costelas do lado direito. E ele chegou a metralhar a prefeitura do Rio de Janeiro. Pai, para você ter uma ideia, Fernandão, nós temos uma história do Gangã. Gangã versus Rogério Cocão. O Rogério Cocão era dono De um morro e desafiou o Gangã. O Gangã subiu sozinho com a pistola, matou o Rogério Cocão, picou o Rogério Cocão com serra elétrica, tomou um copo de pinga desses de
americano que a gente chama, com o sangue do cara e falou assim: "Ó, já era, já fiz o que eu devia, pode pegar fora." Malando, gangara bravo. Um determinado momento, o maninho mandou instalar máquinas caçanques na região em que o gangão, andava. E o Ganganã revoltado com o maninho, né, de não ter Perdido permissão para ele, se apostou das máquinas, mano. Entrou e meteu sexta-feira 13, né, sequestrou as máquinas do maninho. Ele chegou nos bares que havia ocorrido as instalações e disse que a partir dali não era mais para dar dinheiro pro maninho. E era
para dar dinheiro para ele, senão ele ia e ele ia no bar e ia sentar o dedo nos caras. Que que o maninho fez numa dessa? O maninho iria lá enfrentar o cara, tá ligado? Porque o gangã era bem louco e Tinha homens armados. O maninho resolveu que não valia a pena. E na verdade o Banin não enfrentava ninguém sem polícia, sem segurança e tal. Ele mandava fazer o serviço. O cálculo do Manin era o seguinte, galera, essas máquinas dão problema e quebram. E para conseguir consertar, você precisa encomendar elas da Itália. As máquinas vieram
da Itália, vinham da Itália, da máfa italiana e as peças pra reposição eram da máfia italiana também, tá Ligado? Vinha através da máfia italiana. O gang não tinha um nok. Olha ess que palavras bonitas para usar no LinkedIn, né? não tinha o no ou seja, ele não tinha sabedoria, o conhecimento e nem eh conhecia pessoas para conseguir importar esse tipo de peça e consertar aquilo lá. Gangã, por sua vez, mandou avisar o maninho e falou para ele buscar as máquinas lá no morro São Carlos desafiando o bicheiro. Tá, vamos ver se, né, que como assim?
Ah, vamos ver se Você tem coragem de vir aqui. Geralmente comércio ilegal de substâncias não enfrenta bicheiras porque sabe que vai ter problema com a polícia. Mas como eu disse para vocês, eu acredito que Maninzinho não iria fazer esse tipo de coisa de subir lá. Vai muito além da masculinidade. É loucuro. O gangan realmente era violento e ele meteria bala no maninho, sim, sem pestanejar. Bom, maninho deixou quieto. As máquinas quebraram por falta de manutenção e os Bares de São Carlos ficaram sem maquininha. Gangan foi morto em uma operação tocada pela polícia do Rio de
Janeiro alguns meses depois. O chefe dessa operação era o policial civil delegado Alan Turnovsk. Depois dessa parada com Gangã, Maninho passou a sofrer ameaças e procurou Rogério Mesquita para arrumar homens para cuidar da sua segurança. Segundo o nosso amigo Rafael Soares do livro Meliciano, Mesquita foi atrás de policiais das Forças especiais do Rio de Janeiro que pudessem proteger Maninho 24 horas por dia. Ele tava enfiando máquina na casa dos outros, né? E aí ele tava arrumando problema com gente que tem o dedo mole. Foi nesse momento que Adriano da Nóbrega vai entrar de vez na
vida do Bichino na família Garcia. O Adriano já havia saído do BOPE e estava passando uns dias na prisão por conta da execução do Flanelinha. Como o Mesquito conhecia e conhecia o seu grande amigo, né, o Grande amigo do Adriano, tenente João, ele ofereceu um dinheiro para que Adriano indicasse nomes de policiais da sua confiança para fazer segurança do maninho e de seus filhos e esposa. O que ocorre aqui é que o Adriano aprendeu a gerenciar um sistema de proteção e de pistolagem que o deixará muito famoso e rico e depois ajudará a formar o
escritório do crime. O Adriano percebeu que essas disputas poderiam render dinheiro porque existia espaço para Fazer pistolagem ali, porque nessas guerras alguém precisa sentar o dedo, né, descer bala. E quem faz isso é quem sabe fazer o serviço em um caveira com a da Nóbraga, que foi um dos melhores que passaram por lá, é sinistro. Veja, pessoal, novamente uma informação importante. Maninho tinha máquinas na zona sul, local demarcado pela família, mas ele estava colocando máquinas na zona oeste novamente. Isso já tinha causado muito problema. Não importa quem É você, não importa quanto dinheiro você tem,
quantos soldados estão dispostos a morrer por você, sempre terá alguém para apertar o gatilho e lhe dar uma rajada de balas para te mandar pro quinto dos infernos, pro outro lado da vida. E isso aconteceu com Maninha no dia 28 de setembro de 2004 numa noite quente de terça-feira no Rio de Janeiro Punjante. Manin estava treinando em uma academia em Jacarpaguá, quando terminou o treino pelas 23 horas e pouco e foi sair com Sua moto junto com seu filho Mirinho. Aí uma rajada de balas levou embora, um dos homens mais temidos da história recente do
Rio de Janeiro. Acompanhe comigo a leitura da matéria de jornal do Brasil de 29 de setembro daquele ano. Essa matéria é de Duo Víctor e de Marco Antônio Martins e uma matéria muito bem feita. Bichiro maninho é assassinal. O patrono da escola de samba acadêmicos do Salgueiro, Valdemir Pais Garcia, o maninho, integrante da cúpula do jogo do Bicho, foi morto a tiros ontem à noite, quando saía da academia Body Planet, na estrada do Gabinal, na freguesia, na zona oeste. Ele saía de moto da academia quando homens e um carro passaram. e atirando. Levado para o
hospital municipal Cardoso Fontes em Jacarapaguá, ele acabou morrendo com três tiros. Mani era dono de pontos do jogo do bicho e de máquinas caçaniques na zona sul do Rio de Janeiro. O crime aconteceu por volta das 23:30, Quando o maninho deixava a academia onde costumava a se exercitar com o filho conhecido como Miri. Ele estava em sua moto, uma Kavazak, quando foi atingido pelos vários disparos no tórax e no braço. Pelo menos três tiros atingiram o paturno da escola dos 10 disparados. Os suspeitos fugiram em direção à Barra da Tijuca, segundo testemunhas. Após tomar os
tiros, Manin foi socorrido dentro da academia, então e ali já apareceram jogadores famosos, policiais e até Políticos para prestar solidariedade. Mas o Maninho não resistiu e faleceu. No velório, ele recebeu mais de 50 coroas de flores e passaram pelo enterro mais de 5.000 pessoas. Tem uma imagem muito pesada desse dia, que é o Miro, pai do maninho, que já estava doente, e o Mininho, herdeiro do Maninho, ao lado do corpo. Na época, o Miro estava com o efisema por manar muito pesado e a morte de Maninha só adiantou ainda mais a sua derrada. Dizem os
mais íntimos que me Enlouqueceu, que pensava 24 horas em como vingar o filho e se pegasse o cara ia destruir mesmo. Ele chegou a pagar investigações para tentar descobrir o que tinha acontecido. Algumas reportagens dizem que ele passou a achar que a cúpula antiga do jogo do bicho teria permitido a morte do filho. Dois meses depois, Mir também veio a falecer. A imagem da família chorando em cima do caixão era um prelúdio de mais uma série de mortes e sangue no Rio de Janeiro. Na Mesma semana da morte de Maninho, Alcebia Pais Garcia, o seu
irmão voltou pro Rio de Janeiro. Ele tava no norte do país para começar a falar de divisão de herança. Rogério Mesquita, braço direito de maninho, acreditava que ele poderia gerir a herança também. Os dois genros de maninho, o Zé Personal e o Bernardo Belo, também ficaram de olho na herança. Daí paraa frente vai ocorrer muito sangue que vai praticamente dizimar a família Garcia. Mas se liga aqui numa Fita. No fim das contas, quem será que teve a coragem de arrancar a vida de um dos homens mais temidos do Rio de Janeiro? O Robocop da contravenção,
como era conhecido o Maninho. Quem será? Alguns dias após a morte dele, a polícia passou a trabalhar com a seguinte tese. E eu vou ler para vocês a matéria do Jornal do Brasil do dia 30 de setembro do ano da morte do Maninha. Na época foi cogitado que um dos poucos homens que teria coragem de pegar um serviço para Tirar a vida do maninho seria Geraldo Pereira, o Sargento Pereira ou também conhecido como Geraldinho. E acho que aqui eu preciso parar um pouco para falar sobre o Geraldo Pereira. Mas antes vamos ler a reportagem aqui
que não sou eu que estou falando, porque se a polícia não resolveu esse assunto até hoje, não sou eu aqui que vou ficar afirmando quem tirou a vida do maninho, quem não tirou, certo? Vamos lá ler a reportagem comigo. Reportagem de Marco Antônio Martim. Policiais civis e militares são os principais suspeitos de terem assassinado o bicheiro Valdemir Pais Garciac, de 44 anos, maninho, na noite de terça-feira diante de uma academia em Jacarapaguá, na zona oeste. A equipe do 41º DP do tanque e da delegacia de homicídios aporam três linhas de investigação para elucidar o crime.
A mais provável é que a expansão dos jogos de maninho para a região tenha desagradado um grupo de policiais que Gerenciam as máquinas caçanikel em mais de cinco bairros do subúrbio da zona oeste. Todos esses mais de 50 pontos foram vendidos à maninho em março desse ano pelo bicheiro do segundo escalão da contravenção, conhecido como ruim cascadura. O desentendimento aconteceria porque policiais querem controlar os pontos e não aceita administração de maninho. Na Secretaria de Segurança Pública da Polícia Civil, cogita-se a possibilidade de que possa haver uma Guerra pela disputa dos pontos. Está claro que é
isso que está acontecendo. Ninguém tem dúvida de que há uma disputa entre grupos e o Ministério Público precisa acompanhar isso de perto", afirmou o deputado federal do Partido dos Trabalhadores, Antônio Carlos Biscaia, ex-procurador geral da justiça e responsável pela coordenação de 14 bicheiros em 1993. Entre eles estava Maninho, na época com 33 anos. Os pontos comprados por maninho estão localizados Entre os bairros de pilares no subúrbio largo e tanque. Esses pontos serão incorporados aos que Contraventor possui na zona sul. Inicialmente entre os investigadores, os pontos entre Lem e Leblon não mudaria de mãos. Mesmo doente,
o pai de Maninho, Miro, se manteria à frente dos negócios. Os outros pontos da região pertencem aos herdeiros de Castor de Andrade, morto em 1997. Então, na época ventilou-se que um dos caras que poderia ter feito isso era O sargento Pereira, conhecido como Geraldinho. Beleza? Aí acho que a gente precisa parar aqui um pouco para falar, para vocês entenderem que que é o Geraldo Pereira e vocês vão compreender em alguns comentários do nosso vídeo que a gente fez sobre ele, porque nós temos também um vídeo sobre Geraldo Pereira, que acho que é muito bom. E
há alguns comentários nesse vídeo que falam por si só quem era o Geraldo Pereira, tá? >> Vou contar uma história que eu tenho com Pereira. Moro em Jacaré Paguá há 30 anos. Assim que eu cheguei aqui, todos falavam do Pereira. Eu tinha 16 anos. Eu era do baile funk do corredor, mas nunca usei drogas e sempre fui trabalhador. Eu trabalhava como ajudante de caminhão para um amigo dele. Uma vez encontrei com Pereira no Clube Bandeirantes Tênis Clube e fiquei cheio de medo. Aí ele virou para mim e disse: "Ô moleque, vem cá apertar minha mão.
Você é trabalhador e eu gosto de gente assim. foi maior Alívio. Joel Geraldo era muito meu amigo. História das rodas é verdadeira e fui eu quem levou o então namorado da minha irmã para falar com ele e ele resolveu da forma em que foi contado. OK? Agora tem muita lenda e histórias criadas a seu respeito, tais como a que conta que ele curtou a mão do ladrão na serra da marmoraria. Geraldo ou quebrava na bala ou dava coça e expulsava da área. E se reincidente, não tinha ideia, era cerol. Na minha opinião, isso era um
tipo de trauma. Ele teve o pai assassinado a facadas numa tentativa de roubo quando adolescente. Esse cara fez história, viu? Uma lenda no maior bairro do Rio de Janeiro, Jacaré Paguá. Ele nem aparecia mais e o nome dele ecoava nos quatro cantos de todos os bairros da grande Jacarpaguá, principalmente na base dele Curica, e adjacências. Jacaré Paguá era outro nível, área nobre, hoje tomado Pela violência em todos os seus subbairros. Geraldo, pessoal, era o xerifão e quebra de Curisique, Jacaré Paguá, tanque, aquela região, local em que o Mania insistia e tentar enfiar suas máquinas caçanques.
Porém, a suspeita foi logo descartada e Geraldo nunca foi indiciado formalmente pelo crime. Na época se ventilou o nome dele até nos jornais. Segundo Sérgio Ramário, no livro Decaído, o qual eu indico muito que vocês comprem, cara, é muito bom. O Geraldo Pereira teria tirado a vida do tenente João, que era amigo do de infância do Adriano da Nóbrega. E o Adriano gostava muito do Maninho e do tenente João. E Pereira estava engasgado na garganta do ex-caveira. O Pereira foi executado uma década depois, saindo de uma academia igualzinho aconteceu com o Maninho. Muita gente disse
que só Adriano teria coragem no howow para tirar a vida de Geraldo Pereira. um dos maiores robocopes da zona oeste do Rio De Janeiro, que só tinha cara brabo. Mas de fato a morte do maninho até hoje não foi investigada e ninguém realmente sabe qual foi a teia de negociações para levar embora um homem com tanto poder como ele. Veja bem, meus amigos, não se mata um cara desses por nada. Uma pessoa não acorda um dia, numa terça-feira de manhã, e resolve que vai fuzilar um dos bicheiros mais conhecidos do Rio de Janeiro. Tem que
ter uma costura, uma série de pedaços de retalhos colados Para fazer o maluco como maninho parar de respirar. Isso até hoje não foi esclarecido, pessoal. E se a polícia que tem arma e poder não fez isso, eu que não vou mexer nesse vespiro.