[Música] bom meu nome é Arlei Ramos Moreno em São Paulo no dia 26 de janeiro de 1943 em São Paulo meus pais eram pessoas simples o meu pai era era espanhol né Nasu em Granada uma família de agricultores que veio pro Brasil durante a guerra né E se estabeleceu aqui na e não mais na agricultura Lógico né não tinha mais chance para para para para para isso vieram na verdade um pouco enganados aqui com Promessas de alguma coisa e depois eh não encontraram essa coisa mas e se tiveram que se se virar né uma família
assim de 11 filhos 11 filhos mais a mãe e o pai né sendo que o pai o o meu avô paterno né morreu logo depois do segundo o terceiro ano de Brasil então ficou a a minha avó né a viúva né cuidando de 11 filhos ela e o filho mais velho né o meu tio Antônio né durante a infância toda eu assisti infância que eu digo então é é anos 40 né Tá 40 eu nasci em 43 40 50 né Eh eu assisti debates em família tinham muitos irmãos dele né E a minha mãe também
tinha três irmãos né a família se se reunia e Então tinha mesas uma mesa comprida assim e muitos debates que o meu pai sempre tomava a palavra e ficava refutando rebatendo tal tal muito inflamadas essa cena assim essa disposição de de de de debater ã sobre temas políticos no caso dele né Eu acho que me marcou bastante né E também a ideia de de de uma sociedade comunista também isso me marcou muito né desde que eu era pequeno e ele tinha muitos livros né que que indicaram a ele para para ele era autodidata né ele
tinha uma espécie um senhor italiano que era uma espécie de não sei como chama isso mentor Espiritual do meu pai que se apegou a ele ao meu que ele se apegou ao meu pai o seu Afonso e como se fosse filho dele né achava o meu pai muito inteligente então indicava uma bibliografia de literatura de política etc então meu pai tem eu eu ainda tenho os livros do do do meu pai né que eu também Lia né também Lia desde a mais ten rdade né procurando de imitar o pai certamente né Então essa essa ideia
de uma sociedade comunista sempre me me me fascinou muito a filosofia surgiu na minha vida foi na no antigo curso científico né isso então Eh Corresponde à década de 50 né no curso científico em que a gente tinha várias disciplinas né h eh português latim eh várias línguas eh francês espanhol etc eh numa aula de português veja só que interessante quando a a nossa professora de de português colocou um uma espécie de desafio pros para paraa criançada né que era o seguinte ela fez a seguinte pergunta vocês são capazes de ã pronunciar a palavra Coelho
sem pensar num Coelho bom aí eu fiquei tão surpreso eu nunca tinha ouvido um tipo de de Pergunta assim né pronunciar uma palavra sem pensar na sua referência bom e eu durante muito tempo fiquei me exercitando né tentando pronunciar palavras sem pensar na sua referência né e achei que tinha conseguido Tá mas enfim quer dizer essa esse desafio da da professora de português eh me fez pela primeira vez pensar eh nessas relações complexas e estranhas né e misteriosas aparentemente entre pensamento e linguagem tá me despertou a curiosidade de pensar nessa nesse tipo de questão V
lá ao mesmo tempo e na mesma época no no científico ainda eu tinha um outro elemento que contribuiu né para para meu interesse em que eu viia descobrir depois como sendo a a filosofia foi a um um professor de francês que que nós tínhamos na na escola ele era austríaco uns 2 m de altura muito simpático professor covax e ele eh depois das das aulas de francês ele convidava a criançada para ficar ao invés de pro Recreio ficar com ele conversando sobre temas variados temas filosóficos também né sobre Deus sobre a vida etc temas assim
ele ele ele sugeria livros inclusive pra gente ler né sobre esses temas e ele fez também uma pergunta que me surpreendeu muito pela primeira vez eh que eu nunca tinha usado essa palavra no sentido em que ele fez a pergunta e deu e formulou a a resposta o que é verdade eu fiquei pensando em M abstratas tal não sabia responder ele falou não a verdade é simplesmente Quando você diz uma coisa está chovendo e chove então coincide há uma adequação entre o que você diz e aquilo que acontece mais uma surpresa enorme surpresa que eu
tive também que me quer dizer entende eu quero dizer esse tipo de questão passou a me interessar pensamento linguagem verdade como adequação a aos fatos que você descreve e um outro evento também agora foi na aula de física de física nessa mesma época eu Nós aprendemos O professor deu a a a a le Newton da da gravitação universal que eu esqueci direito com como é mas eu eu lembro bem da formulação inicial da Lei no universo tudo se passa como se os corpos se atraíssem agora não lembro razão inversa ou direta das suas massas tal
das suas distâncias mas no universo tudo se passa como ser E aí vem a formulação da da lei né eu pensava na lei ó que interessante eu entendia a relação inversa da distância e da massa tal entendi bem né mas aí me surgiu uma questão falei mas aí eu eu eu eu descobri essa cláusula Inicial na formulação da Lei no universo tudo se passa como ser eu tava imbuído ainda da ideia de verdade que eu tinha sobre a qual tinha refletido graças ao professor covx Né verdade como adequação tal e na aula de física você
aprende leis eh da natureza né as ciências naturais formam leis da natureza verdadeiras Claro mas aquela formulação tudo se passa como ser falei gente mas como assim O Newton formulou uma lei verdadeira e disz se como ser então quer dizer que pode não ser assim e é isso então quer dizer foi se formando uma digamos uma espécie de de estilo assim de de reflexão e cada vez mais então fui eu fui me orientando para PR que eu eu descobri que era na filosofia que isso acontecia que não tava muito claro né para mim né que
era na filosofia que isso acontecia então aí eu eu resolvi fazer mesmo eh filosofia pura pura né e eu comecei oficialmente a a o meu curso de graduação em filosofia lá na Maria Antônia em 1900 e 64 o ano da da maldita né exato exato exatamente no meu primeiro ano aliás de de de de de curso né na Maria Antônia por vezes eu eu eu comparecia lá no eu fazia o curso noturno né eu comparecia de de uniforme do CP do CP eu não lembro bem porquê Porque era uma questão de horário eu tinha que
eu saía de lá não dava tempo para ir para casa me trocar então ia direto alguma não lembro bem mas eu lembro ter ido uma vez ou duas de de uniforme quer dizer não não de não farda de campanha mas uniforme civil né com com com palitó tudo bonitinho tal mas ia lá de de né inclusive com uma com uma bengala uma vez eu fui de bengala que eu que eu quebrei o pé eu fui lá como como fraturado de guerra [Música] lá enfim mas enfim enfim bem nos anos Brabos assim da que tava começando
a a coisa lá né mas depois com correr dos anos a situação política foi ficando cada vez mais complicada né Eh porque nós tínhamos inclusive entre os nossos colegas né Eh pessoas que e o pior era isso ou já conhecidas ou desconhecidas que eh poderiam ser a gente chamava de dedo duro de de indicadores da da da do dops lá da polícia eh política e a gente não tinha certeza disso então era uma um clima de muita tensão muito desagradável funcionários mesmo lá da Maria Antônia conhecidos da Gente assim de longa data né funcionários lá
da da de alguns setores lá eh se revelaram serem depois nós descobrimos isso né Eh indicadores do dops coisa incrível funcionários amigos nossos assim e xerox tal eles denunciavam as pessoas né então era o clima muito complicado assim muito tenso né de muita desconfiança em que certas como se diz hoje hoje palavras chave não podiam ser pronunciadas vermelho e liberdade pensamento coisas bobas assim razão né Eh eu eu soube que o pessoal do dops entrou na biblioteca de acho que foi do Cruz Costa Se não me engano do Cruz Costa foi um dos nossos professores
e e um dos fundadores do departamento de filosofia né Eh e Descobriu um livro assim extremamente extremamente perigoso por politicamente A Crítica da Razão Pura de de de cant né e levou o livro lógico tem a palavra crítica também né Crítica da Razão Pura gente coisas assim né então era uma situação muito muito desagradável muito tensa né e um outro evento também muito marcante foi a invasão da Maria Antônia mesmo né pela o ataque da Maria Antônia pelo pessoal do McKenzie né o Eh meu CCC e mais policiais que estavam infiltrados lá no no prédio
do do maen né eu eu eu tava lá nessa ocasião né e eu ajud ajudei a quer dizer ajudei precariamente é lógico né Não tinha eh instrução de de de de guerrilha nada né ajudei a a proteger um pouco né o o prédio da Maria Antônia dos coquis Molotov que que que vinham lá de cima do do prédio do maen né foi nessa ocasião que mataram o o menino né o sujeito lá de Dev ter sido um alguém da polícia com um um revólver deu deu um tiro lá e matou o menino né que se
tornou o mártir Né o primeiro mártir lá da também essa essa recordação tenha sendo que então em 71 em Julho em Julho de 71 eu eu eu pedi uma bolsa de estudos para pro governo francês o que era comum na época né quer dizer os os os os jovens estudantes que se formavam no no departamento quando eram julgados bons né Eh o departamento mesmo entrava em contato lá com com com com o o pessoal da da francês lá do do do do ministério e indicava os bons candidatos para concorrer à bolsa e eu peguei uma
bolsa do governo francês em Julho de 71 eu fui pra França né Não antes então de 68 A 71 né Não antes de fazer o meu o meu mestrado eu dava aula e fazia o mestrado né e fazia o mestrado assim e também ISO era em tempo parcial né E também eu peguei um tempo parcial em em Assis em Assis era era Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de de Assis eram os institutos isolados naquela época né ajudei a fundar o departamento de filosofia lá jovenzinho né já fundando departamentos né E todos os meus colegas
eram jovens lá né Eh muitos mortos pela repressão né Eh fundamos o departamento de filosofia lá lá em Assis Então tinha dois tempos parciais um na USP um Assis e eu fazia Minha tese de de meu minha dissertação de Mestrado né Isso deve ter sido de 68 a ser ao primeiro semestre de 71 defendi o mestrado e parti paraa França fui pra França né para para fazer o meu doutorado meu meu doutorado com um professor francês que já tinha que eu não não conhecia só de ouvir dizer né o o professor Gil Gastão Granger que
já tinha vindo ao Brasil tinha vivido no Brasil uns 4 anos já tinha vindo quando da missão francesa né que foi lá paraa USP né para para ajudar fundar vários departamentos lá o lev strose veio n nessa época e outros né e pouco depois veio o Ganger e eu fui estudar com o Ganger né no Professor G G lá no sul da França emon Provence fui para lá fazer uma tese sobre viken Stein e foi uma relação muito feliz essa minha com gang de trabalho acadêmico né porque o g e quer dizer eu aprendi muito
com ele e eu aprendi não porque ele me ensinasse ostensivamente digamos né mas porque que ele era exímio em eh dar o exemplo de um trabalho de um estilo de uma maneira de fazer filosofia e eu também era um Um bom aprendiz eu acho um bom estudante né Eu era muito curioso respeitava o mestre e todos os exemplos que que ele podia dar eu aproveitava acho que foi uma coisa bem feliz assim né ele gostando de dar exemplos e eu gostando de de extrair dos exemplos o máximo que eu podia né então eu aprendi muito
com ele isto é eu aprendi um eu diria isso um um um estilo é uma coisa vaga né porque aprender um estilo não é através de regras você aprende primeiro olhando e imitando você olha a coisa você atribui a ela o papel de modelo aí você imita o o modelo eh até incorporar coisas do modelo e depois é com você tá depois aí você conserva do modelo aquilo que você sente que diz alguma coisa para você e você Abandona coisas que você vê que não dizem nada para você e assim aconte acu comigo e foi
e foi muito muito bom né ele foi o meu modelo eu eu eu imitei o modelo eu assimilei o modelo e eu também fiz a seleção isso sim isso isso não tá E aí foi para minha conta a partir daí o problema a vida eh foi minha né Eu tive uma outra fel felicidade lá na nesse meu estágio lá na França que foi o estágio que na verdade durou não qu mas 10 anos né que eu passei a morar com uma uma com uma moça né que era artista plástica e aí eu fui introduzido também
então eu eu eu essa chance né Muito interessante de ter o convívio acadêmico com os filósofos via G que tinha um seminário dele lá que frequentava sempre frequentei durante os 10 anos né e de outro lado lado a essa minha companheira né que era artista plástica eu tive a oportunidade de conviver com artistas eh europeus e especificamente franceses né e aprender muito com isso quer dizer eu já conheci história da arte mas aí eu eu fui conheci história da da arte francesa e regional lá do Sul arte provençal tá conheci todos os artistas desde os
mais os mais tradicionais até os mais modernos né Isso foi muito interessante acho que eu aproveitei muito e eu e e foi bom para para mim também foi foi bom nesse sentido e agradável porque os artistas me tomavam um pouco como filósofo de plantão então eu exerci um pouco esse esse papel também de comentar as coisas que eu vi o que é que eu achava tal e foi uma coisa bem agradável tá então essa minha passagem pela França foi foi foi marcante nesse sentido é eu acho que atribuir tudo ao ao acaso a ao bom
acaso a sorte eu acho que que que não é interessante Hã Eu queria dizer o seguinte que essa minha estrada lá na França né quer dizer foi foi foi boa né mas não foram Coincidências fortuitas não é que a gente você vai construindo as coisas sem perceber você vai construindo bom eu já Tinho interesse pela linguagem tá eh wik Einstein é um filósofo eminentemente que reflete sobre questões da linguagem né Eh eh esse meu contato com novas linguagens plásticas né da arte e tal né tudo tudo isso não é por por por acaso quer dizer
que a gente vai construindo sem perceber a gente vai construindo o o caminho sem perceber vai construindo as as nossas regras de de pensamento e de comportamento na Medina que você vai agindo né e depois você percebe o que que eu tô fazendo olha olha isso aí você percebe algumas constantes assim que nós chamamos de de regras né ou de né Mas você vai construindo isso vai né na menina que você vai agindo então não foi por por por acaso não quer dizer eh e aí eu fui percebendo justamente isso né de que de que
da importância dessa relação Estreita entre nós falávamos antes log logo nos anos 50 pensamento e e linguagem né agora eu eu diria eh ação pensamento e linguagem né em que medida eh é importante a a ação e a ação aqui é nível mais senso comum ah aquilo que você faz no dia a dia as decisões que você vai tomando né ã fazer isso ou aquilo seguir esse caminho Ou aquele as escolhas tal em que a como é importante a ação as coisas que você faz né na tua atividade diária cotidiana eh é importante eh juntamente
com aquilo que que dá forma a essa ação que exprime essa ação que é é a linguagem né quer dizer você você age e diz você age e pensa entendeu quer dizer a conjunção da ação não irrefletida mas da ação pensada e dita tá essas três coisas que se juntam assim então a ação bruta aquilo que você exprime da como você exprime esta ação e como você reflete sobre sobre ela a conjunção dessas três coisas é que me levou então a eu acho né a ir formulando projetos de trabalho temas de reflexão que atualmente eu
chamo de pragmática filosófica tá tem um livro sobre isso que foi publiquei aqui na na Unicamp aliás né Essa em que medida essas coisas estão interconectadas e não dá para você Ah você até pode separar mas se você separa ficam coisas mortas como coisas mortas e sem vida né que tem algum interesse pro físico pro químico pro para para para quem estuda os os objetos na sua materialidade pesos medidas cores tal etc etc eh é isso né mas eh na verdade a ação humana é sempre uma ação com sentido né E esse sentido vem dessa
junção de pensamento com linguagem né que dá que dá forma isso né então Eh o meu interesse por essa ideia de pragmática filosófica né para compreender eh Justamente a a inseparabilidade né Digamos que o simbólico né o o sentido ele é um ele é a é um um resultado direto da conjunção dessas três coisas entende se você separa você cai numa física numa química numa acústica tal que você faz outras coisas tá mas se você quiser compreender o sentido da ação tá você se se você não pode prescindir da linguagem por por por exemplo sem
sem linguagem você você só age você sequer pensa entendeu então o d eu devo ter defendido lá na lá na França eu não lembro bem mas deve ter sido em o que eu cheguei lá em 71 em 7 e 5 ou seis por aí não lembro bem defendi e eu resolvi continuar na França né aí comecei a trabalhar lá na faculdade a dar aulas lá continuei frequentando a os seminários do gong até que que por razões pessoais meu meu pai ficou muito doente aqui no Brasil e eu era filho único né sou ainda né Continuo
sendo filho único eh eu eu fiquei muito preocupado com isso e resolvi voltar para cá né e voltei sozinho né Eh voltar para cá eh pro pro Brasil e mas antes de vir eu contactei pessoas né conhecidas minhas da universidade e consegui um emprego na na PUC de São Paulo tá que me recebeu muito bem me acolheu muito bem e onde eu fiquei por uns bons 3 anos ã dando aula mesmo e depois ainda mais eh com orientações que ficaram pendentes lá né e depois eh E no meio desse período do PUC de São Paulo
eu ã eu fui convidado pelo Porchat quer dizer um tinha sido meu professor na Maria Antônia ex-professor lá na Maria Antônia que tava na ativa ainda E por acaso tava aqui na Unicamp tava dando aulas aqui na Unicamp aqui no departamento de Filosofia e foi o fundador do cledo centro de lógica e epistemologia o Osvaldo pochar Pereira da Silva né e o e o Porchat me convidou então para fal menino você não quer vir aqui pra Unicamp falei porcha e falei quero que eu gostava muito da pu era um ambiente muito simpático mas o regime
de trabalho não era muito condizente com a pesquisa você tinha que dar se dedicar muito com coisas administrativas e aulas né e sobrava menos tempo para pesquisa e aqui na Unicamp foi uma Maravilha quer dizer foi na época em que eu cheguei aqui portanto deve ter sido em 70 em 80 e sim porque eu voltei então pro Brasil em exatamente em Julho de 81 saí em Julho de 71 e voltei em Julho de 81 10 anos exatamente então eh porcha deve ter me ligado 84 3 4 por aí né e eu falei sim né que
o regime de de trabalho lá então era isso e aqui na Unicamp era uma maravilha né quer dizer você naquela época você podia dar eh quatro aulas um semestre e Oito aulas outro semestre entendeu puxa isso era um paraíso tá E foi a partir dessa época nesse período né que eu consegui então ter o tempo e a paz suficiente foi aqui na na Unicamp não foi na PUC não eh para para formular esse meu o esse projeto atual sobre a pragmática eh filosófica porque que eu tive esse tempo esse tempo que eu que eu acho
indispensável né paraa área de humanas tempo de reflexão de maturação tá e eu tive esse tempo eu tive esse esse esse tempo né mas depois a coisa foi mudando muito né foi mudando muito atal ponto que quando eu eu assumi a direção do Instituto né Eu não lembro quando foi agora acho que você deve lembrar melhor do que eu eu eu eu não lembro já foi uma época em que a coisa tinha mudado bastante né tanto que eu Isso isso eu lembro bem na da minha fala de posse né eu h eu me referia a
isso né eu me referi a isso Isto é que no caso das humanas o tempo de reflexão é muito importante Diferentemente de outras áreas né de de outras áreas engenharias e outras áreas mais técnicas né ou tecnológicas eh em que é é em que o tempo é diferente quer dizer o tempo é mais célere tá e um físico por exemplo eu sei que produz muito bem e bastante na juventude para um para um literato um filósofo ao contrário ele produz melhor quando Quanto Mais maduro ele for tá eh Então e o e um um dos
e e tanto é assim que um dos pontos centrais da minha digamos do do lado mais Acadêmico da minha gestão que um lado da minha gestão não foi acadêmico ele foi o que eu acabei de falar conseguir dinheiro da fep para paraa infraestrutura e nós conseguimos assim muito dinheiro né e eu nem esperava isso mas o que me interessava mais não era isso que me interessava mais era o lado acadêmico e o ponto eh principal para mim Eh dessa gestão foi foi de disseminar ideia uma coisa muito simples se singela né a ideia de que
cada área de conhecimento tem a sua especificidade isso para para dizer que a área das das humanas tem a sua especificidade e e não pode se reduzir a outras áreas ao tempo das outras áreas ao Espaço das outras áreas a importância de bibliotecas importância de classes não muito cheias né de de de de alunos Então tudo muda tempo espaço tudo muda né foi disseminar essa ideia foi introduzir essa ideia nas instâncias superiores da Universidade n no consu em todos os outros colegiados na CP e tal Don de 4 anos eu consegui no final de 4
anos tava todo mundo já incorporando no seu discurso a especificidade das áreas uf eu consegui tá mas aí eu fui percebendo aos poucos quão efêmera foi essa essa minha cruzada digamos com efêmera porque e bom que esse discurso acho que esvaiu-se em fumaça né isso eu eu consegui isso aí mesmo em certos documentos oficiais especificidade das áreas pá acho que se esvaiu no ar mas pior do que isso ainda durante a minha gestão eu eu eu fui percebendo aos poucos que colegas meus das humanas se Av de uma maneira diferente da minha concepção de humanidade
da área das humanas eles se comportavam e cada vez mais para minha surpresa como se fossem Engenheiros como se fossem de outras áreas a saber eles próprios jogavam um jogo da produtividade e ainda mais eh eh com a facilidade da dessa tecnologia de computadores que você colle e corta né Essa essa coisa aí você sabe o que é isso né col col Claro que sabe né colhe e corta de um artigo de uma ideia eles fazem vários textos entendeu então e quando você vai ler os textos você vê repetições quer dizer não não se aprofunda
não se avança nem se retrocede fica no mesmo lugar mas isso dá pontos entende então os currículos antes o os currículos eram de duas páginas né Agora são calhamaços assim publicações conferências bancas e palestras tá pá pá pá pá pá então eu percebi para pro pro pro meu espanto e e tristeza né que essa concepção que eu defendia especificidade da área de humanas Isto é de um tempo extenso para maturação das ideias e da pesquisa é uma concepção dentre outras e eu tô vendo que o que tá tomando lugar agora hegemônico é a concepção inversa
não quer dizer não a gente pode produzir tanto quanto as pessoas da da da da das engenharias digamos o filósofo não se um engenheiro mais ou menos isso um pouco caricatural né é eu digo isso é uma tendência claro que há exceções Lógico né mas é uma tendência há uma há uma há uma tendência geral nesse sentido de mostrar serviço eu até entendo que são as circunstâncias sociais se você não mostrar serviço se você olha um exemplo interessante eu vou vou dizer isso sobre mim mesmo né o livro que eu publ por exemplo sobre a
pragmática filosófica é um conjunto de artigos que deveriam servir como introdução a um livro que tá na gaveta que eu tô preparando agora que eu não queria publicar eu tava amadurecendo ainda esse conjunto de artigos né e a diz não mas já já tão bons isso já dá um livro publica aí eu li fal assim já dava um livro Tá mas eu não queria publicar e se eu não publicasse eu publicaria ainda ainda não talvez não tivesse publicado ainda e eu fui levado a eu fui seduzido pela ideia de publicar porque lendo aquele conjunto né
de artigos falei bom sim para public dá dá para publicar Claro que dá dá mas não é o não era aquilo que eu queria realmente para mim teria que amadurecer mais refazer mais enfim talvez levar quase toda uma vida né entende que talvez seja outro outro extremo né um outro exagero né para amadurecer Bem tal e isso aí então quer dizer então eu eu eu eu eu eu também fui pego nesse Roldão entendeu nesse Roldão que é uma coisa que que chegou tá dominando tudo e vai arrastando as pessoas assim Mas eu continuo pensando ainda
defendendo a ideia de uma especificidade sobretudo para pras humanas que é diferente da da das das outras áreas se há espaço para filosofia nessa conjuntura e sim há espaço paraa Filosofia mas para uma outra concepção de filosofia entendeu sempre haverá passo paraa Filosofia mas o estilo é tão diferente que o é claro que sempre há exceções sempre haverá filósofos que que aprofundarão as suas ideias tomarão tempo de claro que sempre haverá isso né ah haverá mas eh dentre o a a nova geração pessoal de 30 40 anos né não é tão novinho assim os os
mais novos ainda é é mais exacerbado ainda é uma outra concepção de filosofia Filosofia é produção de papers né quer dizer de de pequenos artigos né pequenos artigos sobre sobre temas subtemas e sub subtemas entendeu que os colegas vão eh criando discussão entre ele eh debate entre eles fechados produção filosófica cada vez mais produção filosófica cada vez mais se torna isso entendeu quer dizer formação de grupos fechados que inventam subtemas a partir de um tema central tradicional digamos e ficam debatendo entre eles né isso é filosofia é um outro tipo de Filosofia é uma filosofia
eu confesso que que não gosto disso acho que isso eu diria é uma má Filosofia mas é ainda Filosofia é a filosofia que está cada vez mais se implantando tá eh E outra coisa se há espaço para essa reflexão mais demorada tal Acho que cada vez menos espaço né devido a isso que você mencionou a presença cada cada vez mais forte das agências de fomento né que tão eh fomentando Justamente a pesquisa na universidade não é mais a a a Reitoria que faz isso né não são os departamentos são as as agências né com essas
exigências das agências bom o que você vê é isso então né quer dizer essa as pessoas os pesquisadores não têm mais tempo inclusive material para para para sem Tent e calmamente refletir porque eles têm que dar conta de de tarefas administrativas que os projetos agora e a a administração dos projetos 80% é o próprio pesquisador que tem que dar conta disso prestar contas etc etc né Eh H então Eh tarefas administrativas que dizem respeito aos aos os projetos tá e como também tarefas administrativas dos seus departamentos da própria Universidade é muita coisa entendeu quer dizer
você desvia a tua energia e a tua atenção para coisas que você não tá preparado eu eu não sou contador eu não sei fazer contas assim ficar fazendo tabelas quanto eu gastei Quanto falta quanto tem de saldo tal e e e cada vez mais a a gente tem que fazer isso agora e foi muito interessante porque essa essa posição de direção né porque ela me permitiu ter uma visão da Universidade que como professor apenas você não tem você não tem você fica eh fechado na tua pesquisa fica fechado no teu departamento no teu Instituto né
com os conflitos próprios de de todos esses essas situações né e não tem uma visão da Universidade Global da universidade e isso foi muito interessante eu gostei muito disso e me pareceu até que essa relação com a pessoas de instâncias externas ao ifch foi muito mais frutífera e agradável do que com os meus colegas do ifch Claro que há exceções né Lógico mas grosso modo foi mais interessante foi mais frutífera por várias razões que você até conhece né E que eu não vou repetir aqui foi mais frutífero e mais interessante acho que deu mais frutos
nesse sentido então foi foi uma experiência boa foi é foi que a ideia de solidariedade colaboração não é uma ideia natural é uma é uma conquista isso tem que conquistar tem que trabalhar muito para conquistar para que isso para para compreender para assimilar e para se para que você se imbua do conceito de solidariedade e de colaboração não é uma ideia natural eh na natureza só a colaboração em casos assim eh eh muito graves assim de de última de de Socorro em que a pessoa tá precisa da outra para para sobreviver assim em últimos casos
mas sen não em casos normais é só conflito mesmo disputa conflito disputa e conflito né que o sistema capitalista soube muito bem trazer né para pra sociedade uma forma da competição da competição né e a e a lei do mais forte tornou-se a lei do mais competente né quer dizer eu acho que isso tudo é muito ideológico né e e mas enfim quer dizer eu eu eu eu vi nesse laboratório da Unicamp essa essa ideia de em ato né em exercício né a o a lei do mais forte o conflito a disputa a luta constante
né E muito pouco de solidariedade e de colaboração que é muito difícil isso e eu eu vi isso aqui né e o mais interessante só para continuar um pouquinho nessa apóstola né nessa mesma veia aqui de que eu já comecei é que apesar disso por exemplo ifish é um é um lugar que há muito conflito muita disputa que os anos ânimos são muito acirrados né eh mas eh refletindo sobre isso e aproveitando uma situação circunstancial da sociedade aqui depois eu explico Qual é refletindo sobre esse conflito essa constante eh entre grupos de pesquisa entre pessoas
entre funcionários e professores enfim conflito constante generalizado eu comecei a perceber que que havia resultados fascinantes e importantíssimos que que emergiam dessa desse aparente caos né e eu consegui organizar esse aparente caos hã de uma forma através de conceitos né conceitos que eu fui inventando fui que fui criando na hora né Eh Que permitiram organizar esse aparente caos numa de numa forma palatável por exemplo pras agências de fomento como a fep como que naquela época durante os meus 4 anos de gestão estavam financiando eh eh trabalhos de infraestrutura né conseguiu organizar esse aparente caos do
fch no através de conceitos que foram palatáveis a fep a ponto de o ifish receber durante 4 anos ganhar todas as as competições de que ele participou com a fep os concursos né apresentando projetos todos os projetos foram selecionados e ganharam Um dinheirão da da fep né Eh para Constru construção da da nova biblioteca a reforma da da nova biblioteca construção do prédio de centros e núcleos né tudo isso foi dinheiro da da fep inclusive boa parte do dinheiro do para pra Construção do do do prédio da do do arquivo Edgar L né não não
apenas né mas parte também foi devido a esses projetos que nós fizemos lá pro eich né mostrando as qualidades acadêmicas da sua produção né que tinham como fundamento conflitos e brigas e um caos etc então isso eu aprendi quer dizer que a que a colaboração e a solidariedade não são atividades conceitos atitudes comportamentos naturais eles são o resultado de uma tarefa espiritual que você tem que a qual você tem que se dedicar eh com com afinco para obter algum resultado eh no final e a aposentadoria me permite retomar a minha concepção de Filosofia e de
humidades em geral que é de usar o tempo eh para reflexão Sem pressão externa Sem pressão alheia um tempo autônomo para reflexão isso aposentadoria eu acho que tá Tá me permitindo né nesse sentido né então é e o o e como últimas palavras né Hã agradecendo Então essa oportunidade de de conversar com vocês eh é dizer o seguinte quer dizer o que eu acho importante né o que eu tiro disso tudo né claro tiro mais coisas mas só só para para para palavras finais né quer dizer a ideia de que a importância de você você
não ser intransigente nem com o pensamento e nem com a ação tanto na no no na na parte mais acadêmica de de reflexão de pesquisa né a a intransigência é uma coisa que mata mata no seio assim eh in né a a criação tá do pensamento da pesquisa e da da reflexão a intransigência o dogmatismo né assim como a intransigência mata também a ação Isto é Mata na sociedade as ações novas e criativas e só serve para criar injustiça mesmo e e desigualdade quer dizer e eu acho que com a filosofia dá para você você
perceber isso muito claramente é perceber compreender e tentar agir de acordo né Muito obrigado então e até [Música] breve [Música] C