oi [Música] oi você tá na mina e o assunto de hoje é empatia empatia pode ser definida como a capacidade de se colocar no lugar do de entender as razões do mas é impossível se colocar no lugar do outro se você não conhece quase nada dele e o que você sabe sobre os povos indígenas que já estavam por aqui muito antes do Brasil virar Brasil e estiver um papel Central na formação do país eu vou arriscar uma resposta já me incluindo nela a gente ainda sabe muito menos do que deveria sobre essas culturas ancestrais para
ajudar a mudar isso vamos conversar com uma das principais vozes indígenas o escritor Daniel munduruku ele Já publicou mais de 50 livros revelando a milhares de leitores a força a sabedoria ea um dos povos originarios Oi Daniel Que bom você aqui na mina é um prazer falar com você você é um especialista né em palavras então eu quero pedir para você começar a contando a história por trás da palavra que você leva como sobrenome munduruku Angélica uma grande alegria participar aqui do seu programa eu sou costumo dizer um brasileiro nascido munduruku é para lembrar as
pessoas que o Brasil é um país da diversidade né e infelizmente a gente acabou aprendendo de uma formar uma forma inadequada né é tratar essas populações por essa palavra índio que é uma palavra genérica é um termo genérico para gente se referir a uma diversidade tão grande e que acabou fazendo com que a gente não tivesse a oportunidade de conhecer essas essas Esses povos originarios sabe Então é eu sou a parte de um desses povos no Brasil somos 305 pro portanto a palavra em um não contempla toda essa nossa diversidade então quando eu digo que
sou munduruku tá dizendo que faço parte de um desses povos originarios e em especial o povo munduruku está presente em três estados do Brasil Mato Grosso Amazonas e parada onde eu sou oriundo né da onde vem e significa é uma palavra significa formigas guerreiros para lembrar que nosso correr um pouco de origem guerreira portanto um povo que tem todo uma construção de pertencimento ao mundo que passa também pela arte da Sobrevivência que muitas vezes a a batalha exige da gente né sim agora o seu primeiro livro ele foi histórias de índio né e ele foi
publicado em 96 aí de lá para cá As coisas mudaram inclusive o uso da palavra índio o que vem sendo substituída por indígena e o que essa mudança é tão importante o importante é exatamente para gente sair um pouco dessa dessa visão genérica né que nos colocaram a palavra índia basicamente um apelido que recai sobre nós e você sabe que não existem apelido dispositivos né Toda a pedida é quase sempre uma negação que a gente faz de alguém e para os povos indígenas foi muito é muito forte justamente porque esconde lá as nossas afirmações é
a escolha o nosso jeito de ser tão a palavra aí ela pra vazia de significado da palavra indígena quer dizer que nós fazemos parte de um povo originário do Brasil portanto Isso é uma afirmação nos dá a possibilidade de afirmarmos enquanto povos Por isso gosto de as pessoas ao se retratar e a minha invés de usar a palavra índio se retratem como indígena ou é de um povo originário do Brasil e essa mudança de palavra algumas pessoas podem achar que isso é só Politicamente correto mas não se trata disso né se trata efetivamente de um
jeito de a gente tratar outro tal como o outro é não como nós gostaríamos que ele fosse o que é exatamente disso que se trata a palavra empatia dentro de você ser ferida pouco bem-estar para você o que é isso é viver o dia de hoje o que que é o bem-estar para você os povos indígenas desenvolveram uma uma pedagogia de termos de sistema do Bem Viver né que é justamente essa ideia de que nós somos integrado nos corpo e mente uma coisa só mas não tem nada a ver diretamente com é com essa divisão
que a gente faz na cidade inclusive né é o ocidente ensinou a gente separar corpo alma separar as coisas né o bem o mal e os povos indígenas a gente sempre entende que nós somos uma integração disso tudo e portanto é a mente da gente Ela tá conectada ao a nossa alma nosso espírito né e os nossos saberes nos levam a a buscar esse equilíbrio cada vez mais a muito legal muito legal agora você falou uma palestra aqui na língua munduruku não existe a palavra futuro que só existem dois tempos possíveis o passado que é
o tempo da memória e hoje que é o tempo do agora é da para não se preocupar com o futuro vivendo no Brasil você acha que dá e olha eu eu acho que é possível aliás os povos indígenas têm mostrado que é possível isso ao longo dos quinhentos e vinte e dois anos que a gente resistir né É porque também esse esse mundo do futuro é que o ocidente nos propõe é ele nos tira da responsabilidade do das Cruzes né quando a gente joga muito pro futuro a gente acaba achando que alguém vai nos salvar
e na verdade a viver a vida com Plenitude é você se comprometer com o lugar que você está Não é com a mudança possível do lugar se você não tá satisfeito com as coisas que estão aí você não pode querer que apareça um super-homem para resolver por você você tem que chegar e se comprometer com essa mudança então o viver o presente ele é muito mais difícil do que eu futuro embora a sociedade ocidental nos ensine a viver só o futuro mesmo hoje dela as nossas crianças são educadas e para serem alguém na vida é
aqui é grande pergunta que se faz para as crianças que que você vai ser quando crescer quando a gente pergunta esse uma criança a gente está tirando do presente do seu presente de ser preso nós estamos tratando essa criança com um projeto um projeto de mudança para transformação com projeto de riqueza né porque o mundo ocidental ele é o mundo do relógio ele é o mundo da produção O mundo é o templo ocidental é o tempo da riqueza do acúmulo né ele as pessoas se realizam dizem por aqui quando elas possuem Outra coisa quando elas
podem ter tudo quando elas podem ter riqueza e tudo mais aí eu me realizei só que não no porque as coisas por si só não não não nos torna mais humanos nos humaniza não é eu fiz uma lista experiência que a gente tem com os outros mas quando a gente vive por futuro a gente não se preocupa com outro o que a gente está o tempo inteiro focado no nosso projeto de vida e o que vale é nós né para dizer assim um jeito bem Paulista 19 semana aqui e isso faz com que as pessoas
não se comprometam com a fome do outro com a carência do outro com aquilo que o outro está necessitando é uma sociedade temos que ia pro egoísmo os povos indígenas têm desenvolvido essa ideia do Bem Viver é exatamente a ideia de que nós somos coletivos o nós todos nós realizamos por igual pelo menos muito próximos ou a ou a vida não é boa ou a vida não é justa né então nós temos que somos educados não para viver o amanhã somos educados para viver o presente Parabéns principalmente né pelo seu trabalho que é tão importante
também é adorei que a gente possa te ouvir mais e muitas vezes tá eu vi essa cultura tão importante também que aqui a cultura é que a cultura indígena obrigada viu Obrigado você muito obrigado por me ouvir e espesso eu ouvi assim todas as nossas culturas indígenas do Brasil Obrigadão até a próxima obrigada E você que acompanha a mina já sabe semana que vem tem mais um papo super legal sobre bem está Já já a gente se encontra de novo tá bom [Música]