[Música] a chuva é um dos elementos mais importantes assim pra civilização é a fonte da água né E ela dentro da das ciências atmosféricas a chuva ela representa o resultado final de uma de interações que acontecem e que podem levar uma chuva ah rápida 20 minutos Acabou ou pode levar uma chuva que leva uma semana e não sai do lugar como essa que a gente tem observado no Rio Grande do Sul nesses últimos essa última semana os últimos 10 dias né O que que a gente tenta entender primeiro a gente quer prever a chuva a
gente quer dizer pras pessoas onde vai chover Quanto que vai chover quanto tempo vai chover isso é é realmente um grande desafio apesar da gente já ter melhorado muito desde o início das atividades de previsão mais quantitativa né ainda é algo que a gente erra muito a quantidade de chuva Ah quanto tempo vai chover em que lugar você pode est aqui numa na num local chovendo muito você anda 1 km não tá chendo nada então ela tem essa característica ela é Ela é muito localizada mas ela pode ser muito Ampla pode cobrir um estado inteiro
como no Rio Grande do Sul né nesses últimos dias e e persistir durante muito tempo e os processos que levam a formação de chuva tem muito a ver com o local Então se é uma cidade uma região urbana se é uma floresta amazônica se é é uma região árida tudo isso vai influenciar na no processo de formação das nuvens e portanto da chuva porque o que que é a chuva né a chuva é a formação passa pela formação de gotinhas pequenininhas ou de Pedrinhas de gelo né a boa parte da chuva Numa tempestade foi gelo
mesmo que a gente não veja granizo caindo no chão ela passou pelo processo de gelo e como é que ela se forma como é que a poluição do ar afeta a formação dessas gotinhas né ah tudo isso são aspectos que foram aos poucos sendo destrinchados nas nas pesquisas e sendo incorporados de alguma forma nos modelos de previsão de forma que a gente partiu de uma situação H 30 40 anos atrás em que a previsão era extremamente genérica para algo eh que nós temos hoje que já é muito mais específico falo para você que vai chover
na cidade de São Paulo a à tarde né E que provavelmente mais do que 50 mm né então dá esse detalhe na verdade os usuários Querem muito mais querem saber exatamente né Isso tá dentro vamos dizer assim da fronteira do conhecimento existe muita incerteza e o trabalho da da pesquisa é tentar reduzir essa incerteza né dar algo um pouco mais concreto Os desafios da da previsão do tempo ou da previsão do clima e e avaliação das projeções de mudanças climáticas evoluíram muito né ah mas no contexto de mudanças climáticas a gente tem muita novidade coisas
que nunca aconteceram antes né então se você conseguia fazer muita coisa com com técnicas estatísticas né médias quanto que chove no i no verão no inverno você tinha médias e os desvios da Média não eram tão grandes na hora que você entra com mudança climática os desvios são muito grandes e acontecem fatos inusitados que nunca aconteceram antes então isso é um é um Desafio monumental né Eh a gente vê extremos de chuva ou secas ondas de calor que são muito mais intensas e mais amplas pegam áreas muito maiores do que acontecia antes então não basta
só olhar pro passado e dizer não o clima aqui é assim o clima tá mudando ele não tá constante tá mudando a a ocorrência de eventos extremos tá aumentando né então a esse cenário de mudanças climáticas nos leva a refletir sobre os fundamentos né Nós temos que incorporar nas nossas previsões os processos físicos associados ao aquecimento global e E com isso eh melhorar a nossa nossa visão de futuro né de como é que vai ser o clima da terra acontece que nos últimos anos ah eh nós tivemos a prova de que a o que o
que se falava na ciência era de fato verdade inclusive um um dos exemplos assim marcantes do aquecimento global é o derretimento de geleiras né ah Imaginem vocês que a o derretimento das geleiras na Groenlândia afeta o nosso nosso tempo aqui por uma razão muito simples porque tem uma corrente Oceânica que vai indo é vira a corrente do Golfo passa ah passa aqui na na no norte do Brasil ao norte do Brasil no Atlântico né vai pela corrente de Golfo chega na Groenlândia essa essa corrente ela mergulha e volta só que com o derretimento das geleiras
ela não tá conseguindo ir ir mergulhar e então o calor vai ficando para trás Então ela essa corrente vai mais devagar e Vai juntando oal nos trópicos no Equador isso afeta ter assim diretamente o clima da na Região Norte do Brasil do região Nordeste né E aí é uma região que tá passando por extremos as secas e cheias e enfim ah na Amazônia são mais frequentes do que eram então a a atmosfera está nos provando que essa que isso é real que é não era uma imaginação ou da ciência era algo que estava na nas
projeções é algo que tava sendo pesquisado como sendo o que viria acontecer agora já está acontecendo Então é muito mais difícil hoje você negar que esteja que exista uma essa componente as temperaturas se você pega registro de temperaturas você vê que elas estão cada ano você bate records aqui em São Paulo mesmo cada ano você bate record mais quente mais quente isso não dá dá para negar é é algo concreto Então hoje as mudanças climáticas acho que o leigo já tá convencido de que que isso existe você você ouve as pessoas falarem sobre isso olha
só uma enchente aqui ou uma seca ali isso daí já é mudança climática então mudou muito a Amazônia ela vamos dizer assim Amazônia Floresta Sem desmatamento né como é que como é que funciona você tem a predominância de entrada de ar do Atlântico um ar úmido que vem do Atlântico ele vai encontrando a floresta e ah formam-se nuvens e chove forma nuvens e chove Então esse ar vem e vai sendo reciclado forma nuvem chova chove até chegar aqui no sul quando você tira vamos supor que você tirasse completamente a floresta esse ar do Atlântico ia
vir direto pro sul isso a gente consegue fazer em simulação em computador você troca o chão tinha Floresta você põe uma pastagem né aí o ar passa direto Chove muito no sul e chove menos na Amazônia porque é a floresta que tá fazendo promovendo essa reciclagem da água que vai entrando né agora o que acontece que não o desmatamento não é total né você tem lugares que tem desmatamento outros não isso causa quando você desmata um pouquinho até aumenta um pouco a chuva porque você ajuda a a atrapalhar esse ar que vem vindo ele vai
Aos Trancos e Barrancos sobe forma nuvem e chove passou de um certo ponto você começa a afetar a temperatura né a a temperatura no lugar desmatado sem dúvida é mais alta o solo na região desmatada ele seca na estação seca na estação chuvosa volta a umedecer quando você tem Floresta não seca nunca ela permanece úmida né tá sempre alimentando as árvores as árvores eh evapotranspirada no ar né então a floresta ela ela age diretamente no clima local mas tem impactos remotos também né E você começa a ter muito desmatamento você muda a temperatura mudou a
temperatura mudam as correntes de ar pronto isso daqui pode ser transportado essa informação pode ser transportada a gente fala do do processo da e não linear complexo foi estudado desde os anos 60 Você tem uma borboletinha batendo asas aqui no Rio de Janeiro e isso vai afetar daqui uns dias o tempo lá em Nova York né então isso é um eh pequenas causas podem ter grandes efeitos né É Uma das uma das questões básicas da dinâmica do ar né é justamente isso que Pequenas Causas podem gerar grandes efeitos e o desmatamento Ah já não é
tão pequena a causa né porque já tem grandes áreas desmatadas isso acaba tendo impactos remotos né Não só localmente localmente todo mundo sabe que o lugar que desmatou tá quente e seco na estação seca na estação chuvosa cresce e tal a vegetação mas não aguenta Como a Floresta né a floresta passa pelo pela Estação seca Sem problema nenhum nem seca as folhas capta as raízes captam água nas profundezas e ela permanece verde não é como nas latitudes médias que as árvores secam na Amazônia não seca mas as pastagens secam né então muda muito na a
o ambiente local com possíveis impactos remotos uma das modificações que a gente pode ter da superfície eh é justamente uma área urbana área urbana você muda totalmente você tem concreto asfalto e poluição né então projeto go Amazon teve como objetivo justamente entender um pouquinho melhor a interação e de uma região urbana com a floresta em volta envolvendo não só aspectos de aquecimento local por causa do do asfalto da e do concreto Mas também como é que essa poluição afeta o ambiente tem uma um efeito quase que direto que é toda vez que você tem poluição
as reações acabam produzindo O ozônio e o ozônio trafegando ali pelas em cima das árvores ele é danoso ele é irritante né ele afeta as a vegetação mas tem um outro efeito que eh foi muito bem eh conduzido durante o gol Amazon que é o efeito na formação de nuvens né a as as as gotinhas na nuvem elas para se formar elas precisam de uma superfície uma poeirinha um cristalzinho de sal né E quando você tem poluição você aumenta muito essa essa quantidade de possíveis núcleos onde as gotinhas vão se formar Então você altera o
jeitão da nuvem Então você tinha lá em no go Amazon você tem a Manaus os ventos predominantes de Leste para Oeste e então do lado depois de passar pela cidade você fazia você tinha a pluma de poluição você sabe exatamente onde tá você pega um avião você começa a atravessar essa pluma para cima para baixo medindo os compostos químicos as particulas inhas no ar etc e detectou uma diferença bastante grande e qual que é o impacto disso nas nuvens né Quanto mais poluído mais difícil é para essa nuvenzinha de algodão assim que você vê pequenininha
chover na amaz onia ela chove quando o ar tá limpo quando o ar tá limpo ela chove no mar no oceano também elas chovem você polui elas não chovem elas S elas crescem desaparecem elas promovem um uma um umedecimento da atmosfera eventualmente você vai ter uma nuvem profunda que tem gelo e tal que vai ver mas essas nuvenzinhas pela manhã né uma chuva lá pelas 10:30 assim é coisa de ah mar e do mar verde o Green Ocean que foi o apelido que a amazônia levou depois que se descobriu que ela tinha a mesma característica
de ter nuvenzinhas pequenas chovendo mesma coisa que acontecia no Mar Azul os oceanos então o go Amazon a palavra go é Green Ocean né Parece que é go Amazon vá pra Amazônia mas o go é Green Ocean é Entender esse processo de de interação da poluição com a formação de chuvas acontece em regiões urbanas e acontece quando tem Queimadas também quando você tem Queimadas você aumenta uma quantidade de partículas no ar imensa as nuvenzinhas não chove as pequenas não chovem então a Amazônia é um Green Ocean na época das chuvas né o lba é um
programa que teve início nos anos 90 basicamente na metade dos anos 90 começou na década anterior Ah nós tivemos algumas campanhas pequenas com grupos estrangeiros vindo paraa Amazônia para eh fazer medidas de de chuva temperatura de composição do ar né e mas essas equipes elas tinham alguns brasileiros mas os brasileiros tinham um papel secundário eles eles não não eram os idealizadores e ficavam assim numa posição h não de de liderança de participar ajudar aqui ajudar ali e às vezes nem o nome nos na nos artigos científicos aparecia né então ah convenci de que assim não
dá né a comunidade eh de meteorologia aqui especificamente aqui da região de São Paulo né nós começamos a a a pensar no no projeto mas que ele tinha que ser diferente ele tinha que ter forte liderança fortes lideranças brasileiras para poder falar de ciência com os participantes de fora ah de igual para igual né e e tinha que ter um algumas coisas fundamentais que é formação de pessoal formação de estudantes no ambiente de pesquisa eh de campo e também depois no tratamento dos dados enfim ah qualquer projeto que fosse participar tinha que ter essa componente
de educação isso era básico né aí houve muita interação aí foi começou com as pessoas mais da área de de de clima mas aí foi se já tava começando aquela noção de que o o clima ele é o resultado de uma interação entre a superfície o que que as atividades humanas enfim era uma área interdisciplinar então para entender como é que o clima ia mudar a gente precisava olhar pra Floresta pro desmatamento para pras queimadas enfim essa visão integrada que acabou levando ao nome do lbe large scale biosphere atmosphere experiment in amazonia né biosfera atmosfera
um experimento de de grande escala biosfera atmosfera na Amazônia Eu particularmente participei desde o início das das reuniões e eu tinha convicção de que ah vinha novidade a gente ia descobrir um monte de coisa que não podia deixar todas essas descobertas na mão do pessoal que vinha de fora tinha que ter participação Brasileira e naquela época eu já tinha tido alguns projetos da Fapesp na área experimental fazendo medidas aqui no interior de São Paulo e então eu submeti já desde desde o começo eh recursos paraas campanhas intensivas o lba tinha uma parte que era permanente
uma medidas permanentes com Torres de 50 60 M hoje a torre do que e mais eh nova tem 300 m de altura né naquela época As mais altas eram da ordem de 60 m né a a floresta ia até 30 35 M você ainda tinha um pedaço da torre pro lado de fora né Essas Torres uns 10 ou 15 lugares eram permanentes ficavam lá medindo direto e a gente fazia campanhas intensivas para entender melhor a o que que tava acontecendo a primeira campanha eh que eu participei que eu liderei os esforços aqui eh pelo lado
brasileiro eh da pelo menos da componente meteorológica né Eh foi de dezembro de 98 a fevereiro de 99 né ah essa foi uma campanha que foi muito curioso porque a gente estava reunido lá no em Cachoeira Paulista no í tava reunido aí baixou um apareceu lá um visitante na reunião um americano chamado Ed zipser o Ed zipser eu conhecia de quando eu tava fazendo doutorado lá nos Estados Unidos teve uma reunião e eu conheci era uma pessoa com uma incrível especialista em Meteorologia Tropical ele apareceu na reunião e veio falar comigo ó nós estamos querendo
fazer uma campanha na Amazônia para validar os produtos desse satélite novo o trim Tropical rainfall measuring Mission triam Nós queremos fazer uma campanha trim lba topa Você topa né basicamente assim fi aham vamos lá vamos fazer e foi um espetáculo de de campanha porque na hora que nós demos ok que eles conseguiram as licenças Eles vieram com uma quantidade de equipamento enorme eu consegui um recurso da Fapesp para bancar a nossa equipe né E poder falar de igual para igual com eles e nós passamos mais de dois meses fazendo medidas ah treinando estudantes nós temos
eh ao que que estudantes que a gente levava a gente levava meninada com 18 19 20 anos levava para pro campo pro meio da floresta pras pros pontos onde tinha que lançar balão tinha equipes grandes e e esse pessoal dizer assim 90% é hoje pesquisador muito ativo muito engajado não só aqui no Brasil tem alguns que nós exportamos noos Estados Unidos imagina tudo gente formada no campo nessa primeira campanha né Ah era tudo muito Inicial mas é nessa primeira campanha depois na seguinte nós fizemos uma uma seguinte na na época de transição entre a estação
seca e a chuvosa Setembro até novembro de 2002 essa também foi bem bem significativa já tinha muito mais recurso Brasileiro né teve participação de fora mas Nós já tínhamos crescido 3 anos depois da primeiro a gente já já tinha crescido né em termos de comunidade de equipamentos e tudo mais e essa nessa campanha é que surgiu o nome da Amazônia o apelido da Amazônia do Green Ocean que foi uma publicação no Science das Medidas com avião comparando as nuvens no Green Ocean na Amazônia Verde no na estação chuvosa eh e com a com o Mar
Azul né as medidas lá no mar né então ah foi uma época em que a gente se reunia tinha um o o lba tinha um comitê científico que envolvia todos os líderes de projetos que tinham recursos brasileiros estrangeiros tinam eram um um fórum bem amplo umas 30 40 pessoas com formações diversas você tinha pessoal de clima pessoal de de biologia botânica agronomia os químicos olhando paraa poluição era uma uma comunidade completamente interdisciplinar que teve no início muita dificuldade falar entre si saber o que que um tava falando pro outro entender né então foi uma escola
para todos nós de como levar um uma pesquisa interdisciplinar multidisciplinar em frente e esse esse caldo vamos dizer assim de culturas ali naquele momento H abriu todo um um novo uma Um Novo Horizonte ah teve a formação de muitos estudantes nesse nesse ambiente aprendendo a pensar multidisciplinar né muitos deles hoje estão S são professores pesquisadores as nas universidades nos institutos na Amazônia aqui também mas na Amazônia formaram ah eh grupos eh que aprenderam a fazer essas pesquisas naquele naquele momento que a gente estava abrindo caminhos né a gente não sabia exatamente como é que faria
isso mas foi extremamente bem-sucedido né E claro a as comunidades evoluem aquele momento era o início mesmo foi empurrão Inicial E aí os grupos foram se estabelecendo ganhando Independência hoje as pesquisas são feitas continuam sendo feitas com parcerias de fora mas já não é e não não é aquela aquele espírito de corpo nós somos lba né agora cada um tem seus projetos amadurece u muitíssimo né você você tem pesquisas de ponta acontecendo o tempo todo aparecendo a descobertas novas né mas o o o início foi foi assim foi mais sofrido tal mas muito interessante teve
alguns Essas atividades teve um grupo da Nasa que fez algum algumas pesquisas lá eh em Manaus e Belém teve um grupo da Inglaterra que foi para Rondônia começaram a a a vamos dizer assim apontar que tinha coisa interessante para ser aprofundada né mas era coisa muito sim e o que que acontece que ah hoje tudo que você descobre em termos de pesquisas de Campo assim você quer levar isso para dentro dos modelos de previsão de tempo naquela época os modelos erravam assim barbaramente na Amazônia Então essa era uma motivação grande pro pessoal de fora né
nós pamos dar um jeito de levar para modelo as coisas mais realistas né e evoluiu bastante ainda não tá perfeito não mas evoluiu muitíssimo em função disso né a grande motivação Eh vamos dizer dos órgãos internacionais a organização meteorológica mundial as a os os grandes órgãos de meteorologia do mundo é sempre melhorar a previsão de tempo previsão de clima as mudanças climáticas se você não tá conseguindo acertar o básico na Amazônia tem algo que tá faltando né porque a Amazônia é muito grande então o impacto é muito grande também no Globo né não é só
aqui então foi crescendo foi se aprofundando e os resultados foram sendo levados para para os modelos de previsão e nos trouxe até hoje num outro patamar né com certeza tem alguns lugares poucos mas tem alguns lugares que tem séries de dados mais longos e eh são importantíssimos são a base pra gente realmente constatar mudanças né Ah se você você pode usar por exemplo como exemplo você tem lá a cota de inundação do Rio Negro perto de Manaus né você tem séries muito porque o pessoal media né o até onde chegava a água na régua com
isso você consegue identificar períodos secos períodos chuvosos né o rio ele integra né o clima daquela região né então [Música] ah você diz não o desmatamento tá provocando isso aquilo como é que era quando não tinha desmatamento né E aí tá indo um pouco mais mais longe existe toda uma atividade de dos chamados testemunhos do gelo né o ar da Amazônia sobe os Andes lá nos Andes Neva tal pessoal faz os testemunhos tira uma coluna de Gelo e aí começa a analisar e lá naquela análise ela descobre que as queimadas da Amazônia chegavam lá as
queimadas vamos dizer assim naturais ou das pessoas que estavam lá ou enfim chegavam lá e pode encontar está com com o que a gente mede hoje né Isso você volta milhares de anos para trás né porque o testemunho de gilo quanto mais fundo for mais para trás você vai né então isso é fundamental pra gente entender essa as mudanças que ocorrem em escalas de décadas né Eh Será que a gente consegue modelar isso se a gente conseguir modelar isso tem uma CH da gente ter sucesso em modelar o futuro né então é parte fundamental entender
o passado e procurar os dados que assim são indiretos Muitas vezes os anéis das árvores os anéis de crescimento coisas que o pessoal de p Paleo clima desvenda né E que traz também nessa visão interdisciplinar Ah para uma discussão do clima como é que o clima não mudou clima da América do Sul clima do Brasil ele é ah afetado diretamente pelas fontes de umidade né Fonte de umidade principal são os oceanos evaporando água né Floresta também evapora água e você tem o transporte dessa umidade toda ah pro sul as chuvas que se no centro-oeste no
Sudeste e no sul do Brasil tem uma grande componente do ar que veio da Amazônia que era tava lá no oceano passou pela Amazônia e veio da aqui tem até o nome dessa corrente de ar que é um rio voador né E como se fosse um um rio passando a mais ou menos 1000 m de altura né não é água líquida é vapor d' água né mas alimenta as chuvas aqui no sul né nós acabamos de de passar por um euninho o euninho é o aquecimento das águas ali na Costa do Peru um lugar que
normalmente é de água fria né ah quando isso acontece começa a chover num lugar onde normalmente não chove e chuva assim numa região impacta as outras não só não a água que cai mas as correntes de ar que ela provoca então Ah nós tivemos uma seca na Amazônia tivemos muita chuva no sul né são os impactos típicos de oninho só que o ninho também não é a única coisa que afeta né O que acontece no Pacífico lá na Austrália que acontece no Índico acaba vindo para cá também a infuência é o que a gente em
em clima fal chama de teleconexão é algo que acontece numa região e afeta a outra vai a influência pelo ar É como se fosse uma ondinha Você joga uma pedra no na piscina forma ondinhas a nossa pedra na atmosfera é uma nuvem de tempestade ou um agrupamento de nuvens que é muito mais eficiente Então você tem lá hoje por exemplo Nós estamos vendo essas chuvas h contínuas no Rio Grande do Sul que levaram a enchentes porque elas não param elas não vão embora não é uma frente que passa e vai embora ela tá lá parada
a origem delas vem lá do a origem dessa estacionariedade do negócio ficar parado é Eh tá no Índico tá no Oeste do Pacífico na na parte central do pacífico que forma um padrão parado e que mantém a as condições para formação de chuva no Rio Grande do Sul né então ah quando você tem um evento como esse a sempre tem a tendência a tentar simplificar dizer não é porque desmatou a floresta e então tá chegando mais água mas não é só isso tem vários ingredientes né a floresta contribui remover Floresta não foi removida totalmente né
então não é um um efeito assim tão forte né mas tem um efeito a o euninho Laninha e as teleconexão também então você tem vários ingredientes para explicar a chuvas constantes num determinado local e por serem constantes Não para inunda né esse é um evento parecido com com esse ah você volta para trás ah nos anos 40 1941 teve uma uma inundação no Rio Grande do Sul parecida com essa né ah só que este ano já é assim em poucos meses Já é a terceira tá acontecendo quer dizer tá acontecendo com mais frequência você passou
décadas em que não acontecia e de repente você teve em setembro você teve em novembro e agora de novo em maio né tá acontecendo mais né então a teleconexão aí tá funcionando ah por quê Porque os oceanos estão aquecidos então o índico tá aquecido e forma chuvas muito fortes e tá parado lá a chuva fica parada lá então o trem de onda fica parado e acaba influenciando aqui então a A grande questão do clima é que você não pode ter um olhar só local né você tem que ter uma visão do todo pensar em tudo
aquilo que pode afetar o clima de um determinado local então nós nós nós temos o costume sempre de Ah falar muito de o ninho L Ninha tal e realmente no Brasil tem um impacto grande acontece que por exemplo vou dar um exemplo aqui do nordeste do brasileiro nordeste brasileiro em anos de uninho tinha seca esse ano não teve seca Choveu e choveu por quê Porque o Atlântico tava quente e aí tá grudado lá então o efeito ne uninho se diluiu e e dominou o efeito do Atlântico E aí que a gente vê como a gente
vai aprendendo novas aspectos né ah na interpretação e na previsão pro ano que vem né vem uma Laninha como é que vai ser bom se fosse a Laninha de sempre né seria a gente sabe como é que costumava ser mas não tá sendo mais né então tem muita coisa evoluindo Ah nós estamos entrando numa Laninha as perspectivas são de chuvas abaixo da média em boa parte do centro-oeste do sudeste né Mas será que só isso resolve só pensar em Laninha resolve o único ingrediente para para pro clima não não resolve né então o olhar integrado
é algo que a gente tem tem visto que é fundamental para explicar o que que tá acontecendo né A minha carreira n ciências atmosféricas comeou bom eu fiz matemática né não tinha nada a ver né quer dizer tem muito a ver né a matemática é fundamental para ciências atmosféricas mas eu comecei fazendo pesquisas de iniciação científica com bolsa da Fapesp no Instituto oss sonográfico da USP aqui do outro lado da rua né ã e e acabei me interessando né por isso e fiz o mestrado e doutorado em ciências atmosféricas nos Estados Unidos né trabalhando com
alguns dados de de campanhas internacionais no Atlântico é uma era uma pesquisa que foi feita nos anos 70 com vários navios trafegando ali pelo Atlântico durante vários meses Brasil até participou com um navio do Instituto o sonográfico e eu trabalhei com esses dados né E aí quando voltando e assumindo a a posição aqui no IAG [Música] a minha preocupação é que a gente não tinha muitos dados concretos sobre Nossa meteorologia aqui a gente tinha os dados operacionais nos aeroportos assim mas um uma visão mais aprofundada a gente não tinha então ah eu cheguei em 79
e em 80 eh comecei a a preparar essa primeira campanha tinha um radar em Bauru que foi também financiado pela Fapesp na época do Oscar sala então ele foi nossa base o o radar permite você ver onde tá chovendo nós fomos para Bauru com equipamentos de superfície para medir radiação solar temperatura umidade e tal e também com balões para fazer sondagens da atmosfera com mais frequência né eu convidei meu orientador que era um especialista nessas coisas para vi ele veio também financiado pela PES passou esses meses nos treinando né Nenhum de nós tinha eh treino
para pesquisa de campo assim ele nos treinou foi se embora e aí nós fizemos mais outra campanha aqui ao redor de São Paulo e vários alunos fizeram mestrados e doutorados com esses dados né E foi como começou e foi como eu fui tendendo para essa questão da Amazônia que era assim o o grande terreno desconhecido na época e que acabou sendo onde eh eu acabei me especializando né nessa interação das chuvas com as com a floresta tinha um curso de meteorologia no Rio de Janeiro na UFRJ que havia sido instalado por uma equipe da organização
meteorológica mundial e e o IMP tinha um programa de Mestrado doutorado em Meteorologia era tudo muito eh Inicial né aí nessa época quando Tava terminando a a graduação o yag teve um um diretor o Giorgio jacala ele era da da Poli e veio ser diretor do IAG e ele viu que tinha astronomia tinha geofísica e falou Cadê a meteorologia o IAG tinha uma estação meteorológica com medidas que começaram nos anos 30 H mas não tinha um departamento de meteorologia aí o jacala descobriu a mim e o meu marido Pedro fazendo iniciação científica no Instituto sonográfico
fazendo análise de dados meteorológicos as estações do do sonográfico em Ubatuba e Cananéia E ele nos nos trouxe pro IAG né Ah ele queria que tivesse um departamento de meteorologia com curso de graduação com pós-graduação E aí nessa época nós fomos fazer o mestrado e doutorado fora para trazer uma formação nova né pro pro IAG E aí no cenário brasileiro começou a pipocar cursos de meteorologia hoje tem vários tem uns 10 ou até mais Eh mas naquele começo era muito pouca gente você contava nos dedos das mãos o número de doutores em Meteorologia e hoje
tem centenas né Eh Então teve uma evolução muito grande da daquele início né pros dias de hoje o IMP já já tinha meio que acordado que meteorologia era importante já tinha mandado uma meia dúzia de pessoas para fora para fazer doutorado e eles já tavam retornando eles eles são S um pouquinho mais velhos do que eu e o Pedro né Eh então nós quando nós voltamos Eles já estavam de volta já fazia uns 4 5 anos né então eles foram montando esse departamento que foi fundamental pro lba né Foi de lá que saiu boa parte
das ideias H do que fazer e e tinha uma interação grande eh entre a universidade e o IMP naquela época né Eh durante todo lba teve uma interação muito grande [Música] [Aplausos]