Olá, bem-vindos ao Holomorpho. A África foi e continua sendo um lugar linguisticamente muito diverso. Com a colonização europeia intensa no século X, muitas pessoas foram escravizadas e levadas para novo mundo.
E hoje, por mais que a maioria das pessoas tenha pelo menos um pouco de DNA africano, são só esses genes, cultura e religião, que passaram à frente. Já as línguas em si ficaram para trás. Dentre essas línguas que foram esquecidas no Brasil, mas ainda sobrevivem na África, nós temos uma cujas fagulhas ainda existem de forma muito especial na religiosidade do Brasil.
Essa é a língua yorubá. [Música] Seguindo a nossa trilogia de línguas africanas, nós falamos, é claro, no último episódio sobre o rumbundo. Hoje vamos falar sobre o yorubá e daqui duas semanas sobre uma próxima língua.
Mas fica até o fim do vídeo para descobrir qual vai ser a língua yorubá. É falada mais no litoral sudoeste, né? litoral oeste da Nigéria e mas também espalha ali para Benim e Togo.
E daí você pode pensar: "Ah, mas a Nigéria não era território português, não era colônia portuguesa, como por exemplo a Angola era? " Mas tem um detalhe, muitas pessoas escravizadas que foram levadas ao Brasil eram de origem yorubá, porque afinal era um negócio e os escravagistas não se importavam com qual povo era qual. Eles vendiam e trocavam.
E era isto. E como eu disse, não é mais falada no Brasil, mas por mais que não seja de fato falada, ela tem um uso litúrgico muito importante no Brasil. Ela é usada por religiões afro-brasileiras, como Canomblé e Umbanda, né?
Os nomes dos orixás, a própria palavra orixá é de oigurá. Ou, por exemplo, o nome da importante orixá yemonja, que se torna yemanja no Brasil. E se você gostar desse tema de língua e religião, nós temos vídeos sobre algumas línguas litúrgicas, como o árabe, o hebraico, o latim, é claro, até o pale, né, pro budismo, aramaico, vai lá conferir.
E é claro, restam também algumas palavras típicas de coisas, principalmente da cultura afro-brasileira, como por exemplo o prato típico baiano, o akarajé. O yorubá não é uma língua banta, né, bantu como um mundo, mas é, assim como as línguas bantas, uma língua da família atlântico conongolesa, que pode fazer parte da família ainda um pouco hipotética Niger Conongo. Outras línguas que também são dessa grande família Niger Kongo, né, e da Atlântico Congo, são o Suarahili, o Zulu, o aquelas outras línguas com cliques.
E, aliás, todas essas que eu citei são línguas bantas também, ou seja, muito mais próximas de um bundo do que do yorubá. O yorubá, com praticamente todas as línguas do mundo, tem muitas variedades dialetais, né? Muda a língua muda um pouco de região para região, variação diatópica.
E é uma língua que, felizmente é bastante falada por mais ou menos uns 50 milhões de pessoas. E isso faz com que ela seja a terceira língua mais falada na Nigéria. Então agora, sem mais delongas, vamos ver mais detalhes sobre a língua Iorubá.
Então, começando pelas vogais, nós temos I, e, e, a, o, o, u. Quatro níveis de abertura, como no português. Inclusive as médias mais baixas são representadas com um ponto embaixo.
Eu achei isso tão legal. Eu não sei se essa foi a intenção, né, de representar algo mais baixo com ponto embaixo, mas eu gostei. E cinco delas podem ser nas ais.
E, a, a, o, u. Nas consoantes nós temos b. O jorubá não tem o som p sozinho.
Temos t, d, ga, c, g. E nós temos consoantes com articulação dupla velar e labial ao mesmo tempo. P ba.
E o B é escrito com G B. E o P escrito com P. Então, essa sílaba aqui é escrita com P.
A é dita pa. Nós temos as fricativas f, s, j, x e r. E aqui colocando as suantes, né, nós temos m, l, que alterna com n, o que é mais ou menos comum, l tem o mesmo ponto de articulação, né?
Até em português nós temos lembrar, que vira lembrar. Mas o que é escrito com n antes de uma vogal é quase sempre um l mesmo. Nós temos também, l, ó temos o r, que pode ser por influência inglesa.
A estrutura da sílaba, né, estrutura fonotática, é mais CV. Você vê também mais ou menos como um bundo, mas também pode ocorrer uma nasal silábica, como na palavra, com tom médio. E ela muda dependendo do ponto de articulação do som seguinte, né?
Ela pode ser só um m silábico se a seguinte for uma um som labial, ou pode ser só um n silábico se for mais alveolar. E sendo silábico também vai ter tom. Sim, nós não escapamos dos tons.
O yorubá tem basicamente três, um alto, um médio e um baixo. Muitas vezes, inclusive na escrita oficial, os tons não são escritos, mas usa-se assentos para fins didáticos. Então, nós temos o acento agudo pro tom alto, o acento grave pro som baixo e nada pro tom médio.
E naturalmente há regras fonotáticas para tons. Por exemplo, nenhuma palavra pode começar com som alto. Então, nós temos, por exemplo, a palavra ilé, em que a segunda vogal é mais alta.
Nós temos um tom médio e um tom alto. Isso significa casa. E eu já aviso que eu vou destruir o sistema de tons, porque eu sou muito ruim fazendo tons.
Me perdoem. Falantes de Yorubá. E o Yorubá, felizmente, é sem gênero nenhum.
Agora superando o trauma que um bundo nos causou com os 300 gêneros. Se bem que na verdade eu me divido porque gênero gramatical é uma coisa muito interessante, mas enfim. E os pronomes de sujeito são m, a nazalidade do M vai pra frente, né?
Como ocorreu na palavra mãe e na palavra muito em português. Isso é uma coisa mais ou menos normal. Pra segunda pessoa, o pra terceira o e pra primeira do plural a.
Segunda, é. E a terceira, won. No objeto nós temos me.
E isso é coincidência. Tira esse chapéu de papel alumínio. O é dependendo do dialeto.
O pronome de objeto da terceira pessoa do singular é muito interessante porque ele é uma vogal. E essa vogal é igual à última do verbo que vem antes. E aqui vou dar um exemplo que foi tirado desse artigo aqui, que é uma das fontes usadas nesse vídeo.
Se nós pegamos o verbo of a significa ele o puxou, né? Ele puxou isso. Já se for ó, si i ele abriu isso.
Então note que no primeiro é a porque o verbo termina com a e no segundo é i porque o verbo termina com i. E no plural, primeira pessoa segunda nin e terceira won. E há também os enfáticos, né?
Eu mesmo, que são em mi, iw, ou um, aá, e, au, omon. O yorubá também é bastante isolante, ou seja, ele não aglutina muito, nem flexiona muito, mas cada elemento gramatical ou com alguma informação gramatical é um morfema livre. como o mandarim e até as línguas G no Brasil.
E também quanto contexto permite, pode não ter especificações linguísticas de tempo, por exemplo, mas o contexto desambigua isso. Se, por exemplo, eu pego molou, isso significa vou ou fui, ou seja, o presente ou passado. Se eu falo mo lô, e essa nasal é um n por causa do ponto de articulação do l seguinte, né, que é o o mesmo, é o progressivo.
Isso aqui significa eu estou indo ou eu estava indo. E eu posso dizer também motilo, que é fui perfeito mesmo, ou motinlo, tenho ido, né? Algo mais como have been going em inglês.
Mas existe informação dada também mais de forma lexical, não é? Então verbos que representam eventos tendem a ser mais passado, né? E estados presente.
Mas dá para passar tarde falando de marcadores modais e aspectuais do Yorubá e como podem ser combinados com até três juntos, né? indicando possessivo, prospectivo e tudo mais. E um fenômeno de interface interessante entre a sintasse e a fonologia é o prolongamento da vogal final para indicar certas relações sintáticas.
Nós vimos, por exemplo, a palavra pra casa que é ilé. Já se eu quiser falar a casa do Vittor é il Vítor, ou seja, com essa última vogal prolongada. Se eu disserem o prolongamento só lê Víor, não significa nada, é só casa Víor.
E esse é um resumão. O iorubá tem diversas coisas interessantes. Aliás, eu acho línguas que são isolantes muito interessantes no geral, mas mais detalhes podem ficar para um próximo vídeo se vocês quiserem.
A maior parte da população brasileira tem DNA africano, mas sabe o que todos os brasileiros têm? O corpo constituído por 70% de água. Mas sabe o que 70% dos brasileiros deveriam fazer?
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O Yorubá tem uma variedade assobiada. Isso existe em outras partes do mundo também. Outras línguas têm variedades assobiadas e elas geralmente servem pra comunicação a longa distância.
E como o eurorubato tem tons, isso fica muito funcional e muito interessante. E eu queria finalizar recomendando para vocês o perfil do Muen. Desculpa se eu pronunciei o seu nome errado, se você estiverem vendo isso.
Eu gosto muito dos seus vídeos e recomendo muito que vocês vão lá conferir porque é muito interessante. Ele fala muito sobre cultura e língua e ourubá. É no Instagram, vai lá, vale muito a pena.
E na próxima semana, e é claro, se você gostou desse vídeo, curte e compartilha nas redes sociais. E segue também o Lomorf nas redes sociais. Comenta qualquer coisa embaixo, qualquer dúvida, qualquer sugestão.
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