Se me perguntas se o tratamento em hospital é tão eficaz como um tratamento em domicílio, se isto fosse um um teste americano de verdadeiro ou falso, a questão era falsa, não é? Porque não não é tão eficaz, ou seja, tratar ao domicílio é mais eficaz. E na fisioterapia estava muito na moda, por exemplo, as pessoas irem para Cuba fazer reabilitação.
Isto porquê? O que é que eles lá tinham diferente? não era propriamente técnicas, era o tempo que eles dedicavam exatamente à reabilitação da da pessoa, ao domicílio.
A a fisioterapia aqui também tem h duas duas vertentes, por assim dizer. Nós podemos ter a vertente de reabilitação ou de manutenção. Eh, porque muitas vezes os chos somos chamados na situação de reabilitar e às vezes podíamos ter trabalhado ali na prevenção.
Isto a fisioterapia não é como tomar um comprimido, não é? Que a gente enche o copo e e já tá. Neste plano, no plano de da recuperação, hh 50% tem que ser o paciente, ele que tem que querer.
A fisioterapia em casa é mais cara do que na clínica. Se tenho que pedir a alguém para ir comigo, se vou também não vou de graça, não é? Tenho que pagar o combustível do carro ou o parquímetro associado.
Portanto, se formos fazer a a conta a isso tudo, >> o tempo que vai demorar na própria deslocação, né? >> Sim. Seguramente a fisioterapia ao domicílio fica mais barata.
Cuidar é a canja quando temos os ingredientes certos. Bem-vindos ao podcast que todos os cuidadores precisam de ouvir. >> Muito bem-vindo a mais um episódio do Cuidar Canja.
Hoje convidei o Miguel Santos Costa, fisioterapeuta, para falarmos sobre os benefícios da fisioterapia ao domicílio. Miguel, muito bem-vindo ao podcast Cuidar é Canja e muito obrigado por teres aceito o nosso convite. >> Obrigado, António.
Eh, antes de mais, eh, deixa-me agradecer o convite e dar-te os parabéns aqui também por este programa. Acho que é algo que que é bastante importante para, por exemplo, quem está lá em casa a ouvir-nos e tem uma uma pessoa eh quem tem que cuidar, hh ter aqui uma ferramenta importante que lhe possa dar algumas estratégias eh sobre como é que pode cuidar, nem que seja para saber se está no bom caminho ou não ou tirar algumas algumas dúvidas, não é? Porque isto é como tudo, nós cuidar não é não é fácil, não é?
a nós temos os nossos filhos de quem cuidamos e dedicamos amor e e dedicação a a eles, não é, e tempo, mas às vezes também temos as nossas dúvidas e e muitas vezes é importante termos quem nos oriente eh e sabemos que estamos nem que seja para validar a dizer que estamos no bom caminho. Portanto, aqui estou com esse propósito para responder às tuas questões. >> Muito obrigado.
Olha, eh para começarmos, gostava que tu falasses sobre o teu percurso profissional. No fundo, quando acabaste o curso, como é que para onde é que foste trabalhar e como é que chegaste e eh ao ponto de criares a a tua empresa de fisioterapia ao domicilio? Olha, quando acabei o curso, eu quando acabei eh nunca tive eh a vontade, por assim dizer, de de trabalhar a numa clínica há tempo inteiro.
Sempre sempre achei que que queria outra outra coisa. Tive a sorte na altura em que em que estava a fazer formação, ter passado por nós durante a formação passamos por por várias áreas e quer hospitalares, quer centro de saúde, tudo. E e na altura no nos centros de saúde estava-se a iniciar o que hoje em dia se fala das dos cuidados continuados.
Eh, isto temos que ver que já já acabei o curso há umas décadas, portanto estávamos ali no início. E então >> já agora, há quanto tempo? >> Há 20 anos.
20 anos. >> 20 anos, 20 vai fazer 21 anos e que acabei o curso. Portanto, há 21 anos atrás, h, >> as coisas eram bem bem diferentes, eh, e e algumas foram evoluindo bastante nesta área do do cuidado da pessoas a ao domicílio.
E então, hh, na altura tive, como estava a dizer, tive a possibilidade de durante o estágio já ter essa essa experiência no estágio em em centro de de saúde e e achei que era por aí. Portanto, quando acabei depois efetivamente o curso, eh sempre quis virar-me para para essa área. Depois foi aqui mesmo, lá está, por necessidade, necessidade minha, porque achava que era que era por ali que eu queria fazer a minha vida.
Eh, e necessidade eh da a nível da população, do mercado, por assim dizer, porque não havia resposta efetiva hh na altura h a esse nível. >> Muito bem. Olha, e existe uma questão que é muito importante quando a pessoa pensa na fisioterapia ao domicílio.
Há sempre aquela dúvida das pessoas e dos familiares em questionar se a fisioterapia ou domicílio tem as mesmas os mesmos resultados neste caso que a fisioterapia que é feita ao nível do hospital ou ao nível das clínicas. Eh, será que estamos a privilegiar o conforto da pessoa estar em casa eh em prol da eficácia? >> Isto no fundo é a grande questão que nos traz aqui hoje >> e eu gostava de saber a tua a tua opinião sobre isso.
>> A essa eh a resposta a essa pergunta tem várias camadas, OK? Portanto, não sei quanto tempo é que temos para responder a isto, >> mas eh >> eh, portanto, se me perguntas se eh o tratamento em em hospital é tão eficaz como um tratamento em domicílio, se isto fosse um num teste americano de verdadeiro ou falso, hh a questão era falsa, não é? Porque não não é tão eficaz, ou seja, tratar ao domicílio é mais eficaz.
>> OK? >> OK? Porquê?
Isto eu vou vou dando sempre exemplos que muitas vezes é mais é mais fácil eh para se perceber o que o que é que quer dizer. Isto é a mesma coisa de tu teres eh por exemplo ir ao ginásio, não é, e ires fazer eh lá o teu treino ou teres um PT, um personal trainer junto a ti, em que te vai motivando, em que te vai orientando, em que vai adaptando o treino à medida da que tu vais evoluindo, porque o treino não tem que ser obrigatoriamente sempre igual, não é? Nem tem nem deverá ser sempre igual.
Portanto, eh aqui tens isso, o facto de nós no domicílio conseguirmos eh ter um um acompanhamento muito mais personalizado eh com com o paciente. E depois vamos chegar aqui também a um a um fator que é muito importante, que é a o tempo, não é? Ou seja, o tempo que é dedicado.
Eh, há, lá está, remontando também há há há um há umas décadas atrás, eh, na fisioterapia estava muito na moda, por exemplo, as pessoas irem para Cuba fazer reabilitação, nomeadamente a nível de de LVMs, ilusões verbodulares, sei que Cuba tinha ali eh que sabia mais do que >> exato o restante partes do mundo. Eh, isto porquê? O que é que eles lá tinham diferente?
Não era propriamente técnicas. As técnicas todos nós as fazíamos. era o tempo que eles dedicavam exatamente à reabilitação da da pessoa, em que sei disso porque acabei depois por acompanhar alguns pacientes que que tiveram essa experiência de ir para Cuba.
H, e o que me diziam é isso, é que desde que acordavam até que se deitavam estavam em reabilitação, estavam a recuperar. Ou seja, portanto, uma semana lá 8 horas por dia ou 10 horas por dia, não é? podes imaginar que faz uma grande diferença do que uma semana cá em que tu fazes a fisioterapia uma vez por semana, não é?
Portanto, logo aí o tempo que se dedica também é diferente. Portanto, tu em clínica, infelizmente, na maior parte das clínicas, sobretudo clínicas eh convencionadas, não podes dedicar tanto tempo à à pessoa como podes dedicar ao domicílio. Isso faz a diferença.
Nota-se a diferença. Isto sobretudo porque em ambiente clínica, muitas vezes para haver rentabilização do próprio profissional estão na mesma sessão e três, quatro, cinco pessoas ao mesmo tempo. >> Exato.
Exatamente. >> É isso que pode acontecer. E no domicílio, basicamente consegue-se fazer um para um, ou seja, um fisioterapeuta dedicado em exclusividade durante aquela hora eh àquele paciente.
>> Aquele paciente, exatamente. Enquanto que, imagina, muitas vezes estou em clínica, às vezes as as pessoas também me dizem: "Ah, mas eu estou lá 1 hora ou 1 hora e meia". efetivamente até pode lá estar, mas com o com o o fisioterapeuta muitas vezes está no máximo eh 20 minutos, porque o o resto tem que ser para para os outros pacientes que também eh lá estão.
Eh, a pessoa depois pode lá ficar a fazer bicicleta, pedaleiro, seja qual for o a a patologia, não é? e e o plano de tratamento. Agora, voltamos a ao mesmo, a pessoa até pode estar lá a fazer h eh alguns exercícios, mas se tiver o fisioterapeuta ali a motivá-lo ao lado, se calhar vai fazendo os exercícios de outra maneira, o fisioterapeuta também pode ir corrigindo.
É totalmente diferente do que estar ali a fazer sozinho e o fisioterapeuta já está a tratar de outra pessoa. Portanto, em casa nós temos damos esse acompan acompanhamento e temos essa possibilidade. >> Muito bem.
em casa, que tipo de alterações é que às vezes vocês têm que fazer para tornar o ambiente mais propício à fisioterapia? Vocês têm que fazer grandes alterações ou por norma >> não há essa necessidade? >> Não, não, não, não há.
Portanto, porque o objetivo é exatamente h tu trabalhares com o paciente para lhe dar a autonomia e a independência dentro do ambiente que ele vive. Portanto, se ele vive eh num terceiro andar sem elevador, tu tens que ir trabalhar com e se ele tem há uma uma limitação que ficou impossibilitada de descer as escadas, tens que trabalhar com ele. Exatamente.
Para ganhar autonomia para voltar a a tentar descer a a as escadas. Se a se se ele tem uma uma um uma cama que não é adaptada, aí muitas vezes nós podemos também trabalhar eh o levante e as e o caminhar em casa. Às vezes podemos é dar sugestões eh transitórias, não é?
Imagina, muitas vezes a pessoa vem com alguma alimentação eh que não lhe e não consegue levantar-se da cama. Então, se calhar poderia eh alugar um equipamento eh de apoio, uma cama articulada, por exemplo. E eu falo aqui no alugar do que o comprar, porque lá está, porque muitas vezes estamos aqui, uma coisa temporária.
>> Exatamente. Estamos aqui a falar de uma fase transitória, não é? a pessoa eh teve aqui uma um problema de saúde e que está dependente, mas essa dependência pode ser temporária, portanto às vezes não não se justifica comprar porque são h por vezes são são equipamentos eh caros e então eh há há já e muitos sítios onde se pode alugar este tipo de equipamento.
Então, faz-se o aluguel, por exemplo, da cama articulada e isso vai facilitar, por exemplo, eh eh a a pessoa levantar-se da cama, eh poder estar, se estiver acamado, estar mais confortável na cama, porque as camas articuladas podem levantar a cabeceira, os pés, várias coisas. Eh, e também sobretudo aqui é um é um foco que nós também temos muito h tratamos alguém em casa, é também o cuidador, não é? Ou seja, a a pessoa que está responsável, pode ser um cuidador profissional ou ou um cuidador informal, mas também dar estratégias para que h possas estas tarefas possam se tornar mais fáceis de de concretizar, porque senão às vezes é como eu costumo dizer, eh nós fazemos o ensino porque senão daqui a uma semana ou duas para além de de ir lá tratar o paciente, estou estou que ir lá tratar também o familiar porque tá com uma dor nas costas ou porque não é porque muitas vezes em num grau maior de dependência Às vezes é preciso fazer alguns esforços.
Se tivermos o equipamento que nos facilita exatamente esses esforços ou que evita que nós façamos esses esforços, torna-se muito mais fácil. Portanto, eh, nós trabalhamos sempre com hh as barreiras arquitetónicas que a pessoa tem em casa, se tem um corredor muito longo ou estreito. A, é, sim, a não ser que a pessoa pense em mudar de casa, é ali que temos que que trabalhar e temos que lhe dar autonomia e independência para a viver nessa nessa casa, mas podemos dar sugestões h de algumas e de algum material de apoio sempre nesta lógica de naquela fase ser importante para >> entendido.
Relativamente à à questão da relação da família e a participação da família ou dos cuidadores neste processo, vamos chamar aqui de reabilitação, né? É o tipo de trabalho que vocês fazem em casa, não é? É a principal base do vosso trabalho.
>> HH é importante e que a família tenha uma boa relação com o fisioterapeuta e possa colaborar nas orientações que ele que ele dá. Que experiência é que vocês têm nessa área? >> Sim, aqui é aqui a relação eh é bastante importante.
Portanto, nós temos que que estabelecer aqui uma uma relação terapêutica, uma relação de de empatia. hh eu trabalho numa numa empresa com diversos eh fisioterapeutas e por vezes temos a necessidade de de ter que alterar às vezes um fisioterapeuta eh que está a acompanhar um determinado paciente. Exatamente.
Porque não tem nada a ver com com os com as questões profissionais ou competência técnica da pessoa, é porque às vezes não se estabeleceu ali uma relação e terapêutica ou não houve ali uma empatia e e por vezes o colega que que é mudado até é bastante bom noutros casos, mas naquele não é. Portanto, nós não podemos, como se costuma dizer, toda exat ou gregos e troianos, como havia aquele aquele ditado. Portanto, às vezes pode haver essa essa necessidade.
Portanto, a relação de empatia e uma relação terapêutica é fundamental para que o processo e ocorra e e role eh na na sua na sua perfeição. Agora, não não levem mal também aquilo que eu ou não interpretem mal aquilo que eu vou dizer, mas eh nós não somos amigos do nosso paciente, que nós não estabelecemos uma relação de amizade, uma relação terapêutica. Eu, por exemplo, eu não trato amigos nem família.
Porquê? Porque não há o distanciamento, não é? a, para que eu possa fazer um bom diagnóstico ou para que eles me levem a sério em muitas coisas que eu digo, porque há uma certa proximidade.
Portanto, nós não somos amigos dos nossos e pacientes, mas é importantíssimo estabelecer uma relação terapêutica e de empatia eh e de confiança também eh para que as coisas funcionem bem. E muitas vezes a família também eh é importante também estabelecer no no seguimento que me estavas a perguntar, não é, com a família também é importante essa essa estabelecer essa relação de de confiança com a família, porque muitas vezes também eles próprios, voltamos ao que que estávamos há pouco a falar, se sentem um pouco perdidos e também muitas vezes desabafam connosco e e para isso também têm que ter confiança para muitas vezes falar connosco e e e sentirem abertura para exporem as suas as suas dúvidas. E é por isso que lá estamos.
Parte do nosso trabalho é também o ensino, OK? fazer o ensino. >> Relativamente a esse ensino, vocês quando vão por uma determinada situação, encontram lá um cuidador, fazem eh as sessões de fisioterapia e muitas vezes é faz sentido darem orientações ao cuidador para, por exemplo, fazer o levante de uma forma mais correta ou existem exercícios que ele possa fazer em segurança ou eh vocês acham que isso não é viável?
Não, não. Um cuidador eh profissional, se tiver lá um cuidador profissional ou que ou mesmo um cuidador informal, se mesmo o familiar, desde que tenha disponibilidade, é é no mesmo sentido de o tempo, não é? É importantíssimo dedicar tempo à reabilitação.
Portanto, a pessoa não recupera naquela hora de fisioterapia. eh eh a sua reabilitação é desde que acorda até que se data, aquele exemplo que estávamos a falar há pouco de de Cuba. Portanto, é a mesma lógica que temos que implementar no domicílio.
Portanto, se tivermos lá um cuidador eh profissional, ele é uma ferramenta essencial neste processo para h dar continuidade a muitos dos exercícios que que nós fazemos durante a sessão ao longo do do dia, para ir motivando também eh o o paciente para fazer. Isto é um pouco como a a medicação, não é? a quando tem que se ir fazendo algumas vezes por dia, não basta só fazer naquela hora, convém muitas vezes fazer duas vezes por dia, três vezes, quanto mais vezes melhor.
E então nós damos muitas vezes essas indicações também ao ao cuidador para fazer e e também damos estratégias a a eles para lá está para poderem fazer para sua segurança. muitas vezes lá está porque estamos estamos aqui a falar de de vários h tipos de patologias que podemos ter, pessoas com maior dependência ou menor dependência e que às vezes h é mais é tão importante h tratar o o paciente, mas também dar ferramentas para que quem está a cuidar saiba cuidar e e possa cuidar com mais facilidade e sem provocar lesões, não é? Imagina, uma pessoa muito dependente e nós temos que fazer a transferência da cama para a cadeira de rodas, é preciso saber fazer e se e a pessoa pode colaborar mais ou menos.
H e muitas vezes há estratégias que podem que se podem dar para facilitar este processo, porque muitas vezes a pessoa às vezes também me dizem eh os familiares: "Ah, olhe, se calhar aqui devia vir uma pessoa com mais força". Ou assim, não há, muitas vezes não é força, é técnica. É técnica técnica.
Exatamente. Olha, quais são as patologias que tu encontras mais frequentemente nos pacientes ao domicílio? >> Olha, temos e sobretudo a a nível musculoesquelético, não é?
Por exemplo, fraturas do col do fémeroro. Temos muito esse tipo de de patologia que, lá está, ao domicílio, a a fisioterapia aqui também tem h duas duas vertentes, por assim dizer. Nós podemos ter a vertente de reabilitação ou de manutenção.
Portanto, quando estamos a falar de uma de uma reabilitação de uma fratura de do de col do febre, não é? A pessoa pôs pode ter posto uma prótese ou algo mais simples e vai ter ali um uma necessidade de de reabilitar. Eh, portanto, aí estamos a falar de uma reabilitação eh noutro tipo de patologias, eh, sobretudo numa população mais mais idosa, que cada vez há há mais eh, demências, a parte da das demências também.
A, e aí se calhar podemos já estar a falar também mais de uma fisioterapia de manutenção, ou seja, o que nós a procuramos e os nossos objetivos não é tanto a recuperar, porque muitas vezes já não é possível recuperar e determinadas coisas que se foram perdendo eh devido à patologia, mas evitar a a perda eh mais acentuada e mais rápida. Eh, e aí trabalhamos não só o componente motor, mas também a parte mais cognitiva, não é? que a fisioterapia h trabalha em em diferentes áreas, não é?
Não é só a parte musculoesclética, pode ser a parte cardiorrespiratória, por exemplo, no inverno também temos muitos casos de de pessoas com doenças eh respiratórias que descompensam. HH >> portanto eh sobretudo na área musculoesclética, fraturas na parte respiratória, diria. >> As fraturas habitualmente falaste que era do col fémeror, >> col féor, sim.
sobretudo h >> patologias do joelho, cirurgias ao joelho, próteses de joelho também apanham també, mas normalmente eh mais por queda é mais fratura do do col do fémero e numa população mais mais idosa, mais fratura do col do fé. Às vezes o joelho, sim, mas mais por uma uma situação de de desgaste de artrose, não é? OK.
Mas normalmente quando somos chamados e por vezes é por situações em que a pessoa caiu e às vezes lá está, nem é a primeira queda. muitas vezes quando, e isso tem que ser um sinal de alerta, eh porque muitas vezes já somos chamados na situação de reabilitar eh um um um pós-operatório e às vezes podíamos ter trabalhado ali na prevenção, porque lá está a prevenção de queda hh para evitar isto, porque se conseguimos trabalhar a parte do equilíbrio e da coordenação, muitas vezes conseguimos evitar que as pessoas que eh estão sempre a cair e eh h deixem de de cair ou reduz usam o risco de queda e sobretudo aqui no na redução do risco de de queda. Depois a nível respiratório, temos então aqui as insuficiências respiratórias, as DPOCs, doenças pulmonares obstivas crónicas, h >> a nível neurológico, os AVCs, também acompanhamos muita muita gente com com AVC.
E depois na parte sobretudo da das demências ou ou doenças terminais, doenças oncológicas, nós trabalhamos sobretudo h com uma população idosa e quem nos procura procura sobretudo os nossos serviços é uma população mais idosa. Portanto, é muito estas e patologias quer do for agudo, mas sobretudo crónico. Eh, são coisas que lá está, e daí estáamos a falar da fisioterapia de manutenção, são coisas que se se houver uma manutenção, muitas vezes evita-se que haja ali uma um um desequilíbrio, uma fase aguda, não é?
Se nós formos mantendo, muitas vezes também vamos alertando a família ou ou vamos nos apercebendo que olha, atenção que est que esta pessoa tá tá a descompensar e quanto mais depressa a atacarmos o problema, por assim dizer, mais facilmente ele recupera e estabiliza, porque são doenças crónicas. >> Exatamente. >> Tu falaste aí também em situações de cuidados paliativos.
Aí as pessoas pensam em cuidados paliativos que a pessoa tá numa fase terminal e que, entre aspas, não há nada a fazer, não é? Exatamente. >> Eh, vocês na vossa intervenção o que é que podem acrescentar?
No fundo, eu sei que depende de cada situação, não é? Cada situação e cada caso é um caso, mas no geral e o que é que tens a dizer sobre esta questão? Olha, sobre os paliativos e ia começar exatamente por por isso que que disseste, ou seja, os paliativos são o mundo.
Eh, portanto, muitas vezes há essa ideia que quando a a o familiar recebe um um diagnóstico, olha, é paliativo, a pessoa pronto, tá para morrer. Mas eh para teres uma noção, eu já acompanhei paliativos durante anos, portanto não o paliativo propriamente dito quer dizer que não há nenhuma intervenção no na lógica da reabilitação, não é? Há tratamento, por assim dizer, um tratamento viável, mas >> ex mas há algo a fazer, não é?
>> H vida e >> exatamente >> e h dignidade e a e ao dia- a dia que a pessoa pode recuperar. >> Exatamente. Portanto, eh e aí é é sobretudo isso, é é trabalhar ali para a manutenção do que a pessoa ainda tem.
Sabemos que vai e exato. Devido à doença, vai perdendo essas faculdades, mas enquanto elas existirem vamos lhe dando e sobretudo a autonomia. Vamos sempre voltar a vou voume repetir muito nestes termos, mas é isso que nós privilegiamos na em a novolver a autonomia, independência às pessoas, porque nós não nos podemos esquecer que esta pessoa eh que que estamos agora a a acompanhar e que já tem 70, 80, 90, eu tenho trato uma senhora que tem 102 anos, por exemplo, portanto a expansa média de vida cada vez é é maior.
Portanto, isto é algo que vamos que vamos nos separar cada vez mais. Lá está, há há umas décadas e sempre que alguém fazia 100 anos aparecia no telejornal, não é? É, hoje em dia, se se fôssemos a dar essa notícia, estávamos todos os dias a dar essa notícia, se fosse preciso.
Portanto, e aqui nós acompanhamos uma uma população bastante idosa. E o e o que estava a dizer é, mas não nos podemos esquecer que estas pessoas a já foram CEO, CEOs de uma empresa, já foram ex-bancários, bancários, já for foram atletas da de alta competição, portanto já apanhei um bocadinho, já apanhei tudo um pouco eh em termos de de pacientes. Portanto, tem uma história e temos que respeitar, temos que respeitar isso e temos que perceber que que aquela pessoa também está a aprender a viver com uma nova realidade, não é?
Por exemplo, a sociedade h impõe-nos às vezes e determinados e eh objetivos, não é? Então não quando é que acabas o teu curso? Então quando é que eh casas?
Então quando é que tem filhos? Quando é que tens filhos? Mas nunca ninguém te diz: "E então já preparaste a tua reforma?
E então já pensaste quando é que vais morrer? " Essa é outra questão que habitualmente habitualmente é aquilo que estás a dizer, ninguém fala. Eh, e havemos de fazer um podcast, um episódio, aliás, eu falar sobre isso, porque eu acho que é traz aí muitas questões por trás e acho que cada vez é mais importante nos tempos que correm haver precisamente este tipo de conversa entre as famílias, né?
preparar eh porque a maior parte das pessoas chega a à velhice, digamos assim, não tem nada preparado, seja em termos financeiros, seja mesmo em termos de projeto de vida. Exatamente. >> E nós no Ocidente sempre tivemos ainda continuamos a ter e aquela aquele paradigma que é trabalhas, juntas dinheiro e depois na reforma vais viver o el dourado.
É que vais viajar, é que vais fazer isso quando tiveres 60 e tal anos, quando começam a aparecer problemas de saúde e depois não te permitem fazer sequer um décimo daquilo que tu podias fazer aos 30, 40 ou 50 anos, não é? Portanto, tem muito a ver com isso. Olha, uma curiosidade que eu também tenho aqui é >> eh, que tipo de equipamentos é que vocês habitualmente utilizam nas vossas sessões de fisioterapia ao domicílio?
Que tipo de instrumentos, digamos assim, médicos são eh indispensáveis no dia- a dia de um fisioterapeuta que faça sessões ao domicílio? Ora, o equipamento, lá está, depende muito da patologia que formos tratar. Nós temos a equipamento que que levamos, temos uma uma mala com equipamento que que levamos.
Mas depois depende muito do que formos tratar. Às vezes eh nós também somos muito, tá, na, por exemplo, na na área do desporto fala-se muito da calestonia, que é trabalhar com o peso do próprio do próprio corpo. Às vezes é o suficiente, não é?
Quer dizer, se a pessoa eh está acamada e e nem se consegue levantar, portanto, o conseguir levantar o o braço dela ou levantar a perna dela já é o suficiente em termos de de de exercício, de esforço eh inicial. Depois temos eh numa numa fase mais avançada da recuperação, podemos ter alteres, elásticos, eh temos, por exemplo, umas umas barreiras para treinar ali a a o equilíbrio e a coordenação para preparar depois a o a vinda à rua para subir e descer escadas e andar e na na no passeio cá fora na rua. Portanto, nós tentamos eh levar algum equipamento, mais mas mais importante do que isso é as próprias barreiras arquitetónicas muitas vezes que a pessoa tem em casa no seu dia- a dia para fazer as suas AVDs, ou seja, as suas atividades da vida diária, o como é que vai-se conseguir levantar da cama, como é que vai à casa de banho e depois conseguir levantar-se da sanita, por exemplo, ou entrar para a banheira.
Eh, depois numa fase mais e avançada, lá está, descer descer escadas ou ir para a rua. é totalmente diferente andar eh ou fazer marcha, não é, em casa e depois vir fazer marcha para para a rua. H, e então é é muito por aí no isto no caso de de uma de uma reabilitação do ponto de vista motor.
Eh, muitas vezes numa reabilitação mais cognitiva, lá está, no caso das demências e tudo mais, temos também alguns equipamentos que levamos mais da da parte para a estimulação cognitiva que com que trabalhamos com com os pacientes. aqui uma uma questão também que eu te que eu agora estavas a falar e que que me ocorreu, que é quando vocês chegam para fazer uma sessão e a pessoa naquele dia diz: "Eu não quero fazer a sessão, hoje não me apetece". Habitualmente, como é que vocês gerem este processo?
Por isso, simplesmente dizem: "Ok, então tchau, vou-me embora" ou e tem alguma estratégia para motivar a pessoa? Sim, lá está, para já é preciso perceber o que é que o que é que se passou. Às vezes a pessoa até pode estar a recusar fazer a sessão, mas não tem nada a ver connosco.
É porque se aborreceu com o filho ou com o cuidador ou recebeu uma má notícia ou passou uma uma noite a a pior. Portanto, é perceber ali o que é que se passou. Depois, muitas vezes, quando estamos a a falar aqui do do de uma sessão, eh, a sessão às vezes não tem que ser só técnicas, muitas vezes mais do que a técnica de ir lá, olha, levanto os braços ou venho a andar, eh, às vezes uma uma conversa tem mais efeito naquele naquele dia do que uma sessão propriamente efetiva de de fisioterapia.
Portanto, é perceber aqui um pouco a a conversar, estabelecer aquela a tal relação de confiança, a tal relação de empatia com o paciente e perceber o que é que se passou. E e já tantas vezes que que ao fim de 10 minutos a pessoa eh já está colaborando e até e até faz a sessão melhor naquele dia do que no nos outros dias em que em que não tinha recusado inicialmente. >> Exato.
>> É sempre é preciso perceber aqui o que é que se passou e lá está e respeitar sempre a pessoa que tu tens à frente, perceber ali o porque é que ele está a recusar, não é? Ou muitas vezes e podem recusar logo desde o início, não é? Mas tem que haver, ninguém gosta de estar doente.
Portanto, se há uma recusa eh para não querer recuperar, tens que perceber o que é que o que é que se passa. É o quê? a pessoa tá desmotivada, tá com com uma uma depressão, tem um um uma qualquer que não já não se sente bem no seu próprio papel, porque lá está, tinha um papel importante, era ele que controlava as situações e agora é toda a gente a mandar nele ou sente ele que estão a mandar nele.
Portanto, é preciso eh desmontar todo este estes contextos h e perceber o que é que se passa. E é aí que se estabelece esta, a tal relação terapêutica e a relação de empatia e as coisas funcionam bem. Isto não é, isto a fisioterapia não é só tomar um, não é como tomar um comprimido, não é?
Que a gente enche o copo e e já tá. Portanto, eu costumo dizer, não é, que no neste plano, no plano de da recuperação, hci, ele que tem que querer, não é? 50% é dele.
HH ele é o é o principal interessado na sua recuperação. Se esses 50% estão a estão a faltar, a gente tem que perceber porquê. Porque lá está, ninguém gosta de estar doente.
Portanto, se ele não tem motivação, se não tem interesse, alguma coisa se passa. Depois os outros 25% é a família ou os cuidadores formais ou informais, é quem quem depois pode ali orientar, puxar, motivar. e os outros 25% somos nós que vamos ali fazer o ensino, que vamos orientando, mas lá está, vamos ali hh pouco tempo dentro do do horário eh disponível que a pessoa tem durante o o dia.
Portanto, é importante que ele esteja motivado e que a família também esteja presente e o motivo. >> Muito bem. Olha, vamos falar aqui de alguns mitos e verdades aqui nesta área e que eu gostava que tu comentasses.
>> OK. Eh, começar aqui pelo primeiro. Sem as máquinas da clínica, a fisioterapia é menos eficaz.
De certa forma, já falaste no início, mas assim de uma forma direta. >> Depende, lá está, depende muito da patologia que eh que eh que estejamos a falar. Imagina, a fisioterapia ao domicílio também não é adequada para toda a gente.
Imagina que tu és um atleta de alta competição, tiveste uma lesão de um joelho e fizeste uma ligamentia, por exemplo, não é? Eh, se calhar a fisioterapeut domicil não será o mais adequado para ti. Se calhar deverás ir para uma clínica, até porque eh nessa fase estás num processo agudo e precisas ali de eletroterapia, aparelhos de eletroterapia para te ajudarem, se calhar não será o mais adequado.
A, mas na no tipo de população que nós acompanhamos, população idosa, com em que as doenças, pode não ser idosa, mas em que as doenças são mais crónicas do que agudas, h, é, é totalmente e eficaz o tratamento ao, ao domicílio e não requer assim tanto tanto equipamento. Por porquê? Porque lá está, numa prótese danca, por exemplo, tu tu nem podes fazer equipamento de eletroterapia ou a maior parte do equipamento de eletroterapia até nem é adequado, porque tu tens uma uma não quero entrar aqui muito técnicos, mas tens material de osteocíntese, tens ali uma coisa estranha e que o aparelho de eletroterapia h pode aquecer o o esse material à profundidade e provocar uma uma lesão ou de queimaduras à profundidade em que tu nem estás a perceber.
Portanto, esses equipamentos nem se aplicam em em eh em em determinadas patologias e noutros nem fazem sentido utilizar. HH E então é é mais eficaz eh o o trabalho manual, a terapia manual, por assim dizer. >> Muito bem.
Que o segundo mito ou verdade, o fisioterapeuta ao domicílio também treina o cuidador e não apenas o doente. >> Sim. eh é um pouco aquilo que também falamos há pou há pouco, ou seja, o cuidador eh é uma parte importante no processo.
Cuidador, seja ele profissional ou informal, eh ele vai dar muitas vezes o apoio moral que a pessoa precisa ou o incentivo moral que a pessoa precisa para h continuar a sua recuperação. E muitas vezes nós vamos lhes dando a algumas estratégias e algumas vamos deixando lá muitas vezes um plano terapêutico para eles irem fazendo alguns exercícios. Nada de muito complexo, mas que facilmente conseguem fazer.
E isso é é o suficiente para que nós eh consigamos ver uma recuperação contínua e vem e e perce e percebe-se perfeitamente quem quem o faz e quem não o faz. Eh, se a pessoa tiver motivada e for fazendo e e o cuidador também ajudar, nós na sessão seguinte vemos logo uma evolução. HH Se não se não fizer, nós apercebemos >> também.
V logo. Muito bem. Agora há aqui outra.
A fisioterapia em casa é apenas para quem não se consegue mexer ou está acamado? Não, não, não. Eh, temos várias patologias que podemos tratar e lá está, a fisioterapia em casa é sobretudo para para pessoas com mais com mais idade, que tenham dificuldade em se em se movimentarem, que já que já seja um desafio hh ir para uma clínica muitas muitas vezes ou às vezes por também por eh comunidade própria.
Imagina, porque eu para ir para a clínica tenho que estar a incomodar o meu filho para para me levar ou tenho que ir pelos bombeiros e os bombeiros depois vão-me buscar a mim e vão buscar mais três ou quatro até chegar à clínica. Às vezes não se torna é e é cansativo e este este processo e torna-se muito mais confortável e prático fazê-lo em casa. >> Ex.
Exatamente. Muito bem. Basta fisioterapeut uma vez por semana para haver resultados.
ou então fazer fisioterapia uma vez por semana é o mesmo que não fazer nada. >> Aqui vou parece que me estou a repetir, mas voltamos também muitas vezes sempre ao mesmo. É, não há verdades absolutas, não é?
Portanto, depende sempre eh do que do problema que temos à frente. Isto é como nos medicamentos. Tu podes ter um medicamento que necessitas tomar de oito em 8 horas, podes ter outro que é de 12 em 12 ou uma vez por dia.
Portanto, aqui é a mesma coisa. hh uma vez por por semana, não era? Desculpa, a pergunta, uma vez por semana, pode ser adequado para para a pessoa que que temos à frente eh e para outra pessoa não fazer qualquer sentido.
Mas isso nós também numa na primeira vez que vamos e à casa da do paciente, h, fazemos essa avaliação e e falamos do nosso, qual é o nosso plano terapêutico. E lá está, uma das coisas que o plano terapêutico contempla é a frequência. qual é a frequência que nós achamos que é adequada.
E depois temos aqui o problema que é eh nós a eh a nível do serviço que prestamos é é um serviço particular, portanto tem um custo associado e às vezes temos essas questões por parte da família, olhe, mas financeiramente para nós eh acaba por ser difícil a frequência que tá a propor. Uma vez por semana é suficiente e nós dizemos: "Olha, não, isso isso aí então é estar a gastar dinheiro resultados". Ou então sim, olha, no caso do do seu do seu pai ou do da sua mãe ou ou do seu irmão, porque o o outra coisa é o o a pessoa com quem nós tratamos não não precisa ser sempre o pai e a mãe.
Às vezes há o há o irmão, pode haver um um tio, eh apanhamos de de tudo também. Quem quem tá dependente naquela fase nem sempre é o pai ou a mãe, mas aí é sempre a avaliação é que nos dirá qual é que é a frequência. Portanto, aí não é nem não nem é mito nem é verdade, é depende do que da situação.
Agora há aqui o último, a fisioterapia em casa é mais cara do que na clínica. E eu diria que é que é que é mito. Eh, é um mito porque lá está, aquilo há pouco estava a dizer, depende se formos ver só o valor base, não é?
quanto é que eu pago numa clínica e depois depende também das clínicas, porque há clínicas convencionadas, não é, em que a pessoa pelo Serviço Nacional de Saúde, há outras clínicas privadas que têm acordos com com seguros. Eh, mas depois também eu tenho que associar eh se tenho que pedir a alguém para ir comigo, se vou também não vou não vou de graça, não é? Tenho que pagar o combustível do carro ou o parquímetro associado.
Portanto, se formos fazer a a conta a isso tudo, >> o tempo que vai demorar na própria deslocação, né? Seguramente a fisioterapia ao domicílio fica mais barata, diria que sim, seguramente. >> Muito bem.
Olha, agora vamos fazer aqui o o nosso jogo do cuidar canja. Eu tenho aqui os quatro ingredientes da nossa canja. A hortelã, a cenoura, a galinha e a massinha.
>> OK. >> Eu vou baralhá-los. Tu vais escolher uma carta e depois eu vout-e fazer a pergunta que tá agregada.
Eh, essa carta. OK, então pode ser esta aqui. Posso ver o quê?
Hortlã. >> Hortã. >> Há cá.
Aqui é a hortelã. Hortlã dá aquele aroma que muda tudo. Na fisioterapia em casa, o ambiente é mais íntimo.
Qual é o teu toque de hortã para entrar na casa de uma família desconhecida e conseguir logo no primeiro dia que o paciente confie em ti para dar aquele primeiro passo difícil? Olha, é respeitar a individualidade da pessoa, é é perceber quem é que estemos à frente. H perceber porque é se é se se aquela situação é é momentânea e transitória, se é uma coisa que uma doença neurodegenerativa, mas nunca nunca esquecendo, lá está, quem temos à frente, respeitar a sua individualidade, respeitar o seu espaço.
Nós nunca nos podemos esquecer que estamos a ir à casa da pessoa, que somos um convidado, não é? Ex e nós como convidados temos que que que respeitar a a a a a pessoa que que que está lá. E, portanto, imagina, eh, muitas vezes vamos a casas em que a a pessoa o o chão é todo alcatifado, não é?
Então, eu tenho aqueles protetores de, de sapatos em que ponho o protetor de de sapatos para não estar a sujar a casa da pessoa, não é? Eh, portanto, é é isso, é é respeitar a a pessoa e e depois eh à medida que vamos conversando e já visto que eu gosto de conversar, portanto à medida vamos conversando, as coisas vão rolando, >> vão rolando. Olha, eh por falar nisso, qual no teu entender é o perfil ideal de um fisioterapeuta que faça fisioterapia ao domicílio?
Que características é que deve ter? Olha, deve lá está estar preocupado com com com o paciente, com perceber como é que nós podemos ser uma uma maisvalia para para aquela pessoa. E às vezes a maisvia não nem é a técnica, não é?
Nós não temos que ser muitas vezes excelentes eh executores excelente na naquela técnica. Eh, sobretudo o mais importante é fazer um bom diagnóstico. E às vezes o o diagnóstico é isso, é perceber que que aquela pessoa, antes de nós iniciarmos, se calhar eh o plano terapêutico com muitas técnicas, precisa ali de perder ali um tempo com a a estabelecer uma relação de confiança, a a desbloquear ali algumas questões psicológicas que possa ter, que os que os que os estejam a impedir de recuperar.
Portanto, eh, o os colegas têm que que ter esse esse perfil perceber e nem todos têm. >> Isso é é isso que eu também queria chegar. Ou seja, se não for uma pessoa que se calhar goste tanto do contacto, eh, eu diria relacionamento físico e e ter ser uma pessoa naturalmente simpática, porque na minha ótica acho que isso é uma das características importantes, é a simpatia, a empatia, é disponibilidade que temos para ajudar, >> é o ouvir, saber ouvir, >> saber ouvir também h no fundo é que dizias, vamos entrar numa casa que não é a nossa e saber respeitar o ambiente e muitas vezes até as tradições ou cultura da própria pessoa, não é?
Isso também é fundamental. >> Ex. Eh, e que lá está, nem toda nem todos os profissionais, como em noutras áreas, têm o perfil eh diríamos, não queremos ser idealista, mas o um perfil adequado eh à fisioterapia ao domicílio.
>> Domicílum. Sim. Sim.
Isso nota-se muitas vezes, por exemplo, temos colegas que que vêm eh trabalhar para para a empresa e que vêm de da clínica, tem a experiência de clínica. Eh, e nota-se uma uma certa diferença, nomeadamente até a nível do dos tempos, eles estão habituados a a ter aquele tempo de de tratamento e as coisas ao domicilo, lá está, eh, não é só o tratamento, não é só propriamente ali o o estar a fazer a técnica. Há toda uma uma necessidade muitas vezes de te falar um pouco também com com o cuidador, com com a família, perceber ali o que como é que as coisas estão, ir uma coisa também diferente que é h tu tens que ir adaptando o teu plano de tratamento às necessidades, não é?
Tu numa clínica estás muito habituada a a trabalhar por eh pacotes de sessões. Ora, faz 15 sessões e o tratamento é sempre igual. Não pode ser, não é?
Porque num dia que tu chegas à casa da pessoa e a tu até vais lá tratar o joelho, mas se ela tá-lhe a doer o ombro, então não lhe vou tratar o ombro só porque e o problema que eu tenho e diagnosticado é o joelho. Não, não faz sentido. Portanto, nós vamos lá e tratamos a a o que está a incomodar a pessoa naquele naquele dia ou falamos com a pessoa sobre o que o está a incomodar naquele dia.
Eh, tem que ver isso. Portanto, aqui eu diria que a principal ferramenta que que os os colegas têm que ter para trabalhar ao ao domicílio é esta sensibilidade, esta é é perceber estas nuances mais do que serem excelentes profissionais. E eu tenho tenho colegas que são excelentes profissionais, mas que depois não encaixam eh com determinados pacientes.
E aí eu eu como coordenador da da empresa, esse é o meu papel, não é? muitas vezes fazer este match entre o fisioterapeuta e o paciente. Sim.
Eh, e e há e há e há colegas que eu já sei que nem vale a pena eh enviar eh porque não vai funcionar, tendo em conta as características do colega, tendo em conta as características do paciente, não nem vai funcionar. Portanto, é fazer, tem que haver aqui esse métodos. Muito bem.
Olha, para terminarmos, é uma pergunta que eu costumo fazer a todos os nossos convidados. Para ti, cuidar é canja? Para mim cuidar é canja, mas lá está, como fazer, como se quando se faz uma canja, não é?
H pode não sair bem à primeira, não é? é preciso ter experiência e à medida que vamos cuidando vamos aprimorando e vamos melhorando. Portanto, eu eu volto ao que falamos ao início.
Eh, este podcast é bastante importante para quem nos possa estar a ouvir lá em casa e se sinta um pouco perdido, porque realmente cuidar pode não ser canj ao início, mas à medida que vamos eh percebendo, vamos nos munindo também de quem nos possa ajudar e nos orientar, torna-se uma canja. >> Muito bem. Olha, muito obrigado pela tua participação.
Paraci que teve-nos a acompanhar durante este período. Espero que tenha gostado deste episódio. Portanto, se gostou, eh, partilhe, deixe o seu comentário, para nós também é muito importante.
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Cuidar melhor começa aqui.