Uma vez que nós falamos dos princípios fundamentais para sermos verdadeiros devotos da Virgem Maria, podemos dar uma repassada no que não é um verdadeiro devoto, ou seja, São Luís coloca sete tipos de devotos que não são verdadeiros devotos, se o Tratado é da Verdadeira Devoção, é bom saber o que é a falsa devoção. E ele começa com os devotos críticos, bom, o devoto critico, na verdade, é aquele que não tem fé e aqui nós poderíamos colocar dois extremos porque também isso é um problema, ou seja, aquele que não crê em nada e aquele que crê em tudo, até no que não precisa crer. O devoto critico, em si mesmo, é aquele que olha com uma visão de falta de fé nos milagres, nas aparições, sinais claros da presença da graça divina no dia a dia, tudo isso é tido como coisa medieval, coisa ultrapassada.
"Nós precisamos ser críticos" e a pessoa é tão crítica, tão crítica que acaba depois criticando até mesmo aquilo que é a fé da Igreja, é raro encontrarmos hoje em dia, pessoas que, exatamente criticando a devoção à Virgem Maria, terminam reduzindo a Virgem Maria a uma mulher qualquer ou, no máximo uma discípula de Jesus, pois bem, essas pessoas têm uma imensa dificuldade para entender o verdadeiro mistério da Encarnação, ou seja, que Jesus não é um homem qualquer, é Deus que se fez homem, essas pessoas tem dificuldade de entender, por exemplo os mistérios da Imaculada Conceição, da Virgindade de Maria, da Assunção, enfim, esses não merecem nem o nome de devotos porque, já que não têm fé, no fundo, no fundo, eles nem sequer são verdadeiros membros da Igreja, eles tratam tudo aquilo que é matéria de fé com uma crítica e é exatamente essa atitude crítica que destrói a virtude teologal. Mas, por outro lado, existe o excesso contrário, que é aquela pessoa que crê em tudo, tão logo alguém diz que Nossa Senhora está aparecendo em algum lugar, o sujeito está comprando a passagem para ir, ele já embarcou na história, não precisa nem de argumentos, ele só precisa saber que é Nossa Senhora que está aparecendo. Bom, também não dá pra ser assim, porque exatamente esse excesso de credulidade, esta ingenuidade, faz com que essa pessoa preste um desserviço à verdadeira fé, àquilo que verdadeiramente está ligado à Virgem Maria.
Então, o primeiro tipo de devoto que nós devemos nos acautelar é o devoto crítico. Mas existe um outro tipo de devoto, além do devoto crítico, é o devoto escrupuloso, fica no número 94 e seguintes do Tratado da Verdadeira Devoção, bom, nós já falamos um pouco dessa realidade do devoto escrupuloso, próprio Papa São João Paulo II, testemunhou na vida dele que a um certo momento ficou em dúvida se ele deveria ser devoto da Virgem Maria ou se ele não deveria deixá-la um pouco de lado, deixar aquela devoção da sua infância para então, seguir um outro caminho, mais cristocêntrico e São Luis resolveu a coisa colocando no Tratado, como ele de fato coloca, Jesus Cristo no centro de tudo e razão de ser é essa: a Lua não tira a glória do Sol, muito pelo contrário, ao venerar e ao amar a luz que vem da Lua, nós estamos glorificando uma luz que, na verdade, é o reflexo da luz do Sol, portanto, quando nós nos ajoelhamos diante da Virgem Maria, estamos nos ajoelhando diante daquilo que há de Deus Nela e não precisamos ter medo disso, quando você se ajoelha diante de uma imagem, você não está realizando um ato de idolatria, você está reconhecendo que naquela mulher, cuja imagem é a representação, naquela mulher habita algo de divino e não somente porque o Seu Filho estava no Seu ventre durante nove meses, mas porque todos nós, quando a graça divina está lá, é o Cristo que está lá, se São Paulo pode dizer, como ele diz, na Carta aos Gálatas, "Vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim", quanto mais a Virgem Maria. então, podemos sim, venerar a Virgem Maria, adorando o Cristo, cuja luz está refletida Nela.
Pois bem, além desses dois tipos de devotos, existem também os outros falsos devotos, são os devotos exteriores. Bom, o devoto exterior é aquele que é apegado a sinais exteriores, o sujeito usa medalhas, correntes, sinais externos de devoção, mas não quer saber da verdadeira devoção interna, no fundo, no fundo, nós estamos aqui diante de um resquício do paganismo e das religiões não cristãs, onde há uma observação externa da Lei, das coisas, das práticas ritualística e externa, mas sem atitude interior, aquilo que diz o Salmo: "Esse povo me louva com os lábios, mas o seu coracao está longe de Mim", então, precisamos aqui nos colocar diante de Deus e pedir a Ele de converter verdadeiramente o coração, quer dizer, a devoção está realmente voltada pela mudança da vida do devoto e a mudança da vida do devoto e a mudança lá dentro, não exteriormente, não se preocupe com a fachada, se preocupe, em primeiro lugar, em mudar o seu coração. E é exatamente aqui que esta coisa de não se preocupar com a devoção desagua num outro tipo de devoto que é o presunçoso.
O presunçoso é o que acha que vai ser salvo sem conversão, sem mérito nenhum, então ele se apega ao fato de que usa o escapulário e que Nossa Senhora garantiu que ele seria salvo, mas ele não deixa o pecado, ele não muda de vida, não se confessa, não se arrepende de nada, acha que o negócio é simplesmente uma espécie de amuleto, pois bem, esses sinais exteriores não são necessariamente o típico do presunçoso, estou usando isso apenas como uma exemplificação, mas existem pessoas que: "Ah, eu fiz minha consagração a Nossa Senhora, pronunciei a formulazinha mágica e pronto, já tô no salvo, não preciso mudar de vida", bom, isso é muito grave porque a presunção é o verdadeiro pecado contra o Espírito Santo. Os devotos inconstantes, número 101, do Tratado, são aquelas pessoas que não conseguem levar para frente as coisas, uma das razões da inconstância muitas vezes é que a pessoa quer dar um passo maior do que as pernas, ou seja, ela coloca uma lista tão grande de coisas que precisa fazer, ao invés de se preocupar com a mudança do coracao e a atitude interna, que, imediatamente, viver heroicamente jejuns, terços, novenas, Missas, todo tipo de devoção, mas, muda, muda sempre e muda constantemente. É uma coisa tão comum que é importante nós pedirmos a Deus essa graça da perseverança.
Sexto tipo de falso devoto é o hipócrita. Sao Luís dedica somente um pequenino parágrafo no número 102, se ele escrevesse nos dias de hoje, talvez escreveria um livro somente sobre isso, porque é tão triste, tão triste ver a hipocrisia de algumas pessoas que, na Igreja, com saias e véus, correntes, escapulários, medalhas, fazendo caras e bocas, gestos e expressões de santidade e devoção dentro da Igreja, depois ofendem a Virgem Maria da forma mais grosseira e com o tipo de vida mais imoral. Infelizmente, a gente vê que isso não é uma coisa rara, é uma miséria, verdadeira miséria e eu diria até que são devotos que são usados pelo diabo porque exatamente vendo o seu contra-testemunho, tantas e tantas pessoas se afastam da Verdadeira Devoção, dizendo: "Bom, pra ser hipócrita assim, então esse caminho da Verdadeira Devoção não é um caminho pra mim".
E, finalmente, os devotos interesseiros, aqueles que querem negociar com a Virgem Maria, sei lá que bens temporais, aqui neste mundo, como se fosse uma espécie de feitiço, de despacho, onde você faz um pequeno sacrifício, um ebó, um despacho do candomblé, e você ganha do orixá algum favor, alguma coisa, esse tipo de troca que é típico das religiões pagãs, mas que no cristianismo, nós sabemos que perfeitamente que não deveria ter lugar. Esses são os sete tipos de devotos falsos. Para vivermos a Verdadeira Devoção então, devemos, antes de tudo, nos acautelar, mais do que isso, exorcizar esse tipo de atitude.
Que Deus ilumine você, para que você viva a Verdadeira Devoção. Deus abençoe.