[Música] Olá caros alunos vamos dar continuidade a essa segunda semana de estudos do curso de ética filosófica na nossa última aula nós apresentamos as orientações dessa semana e agora vamos dar continuidade a esse aprof nós vimos que a pergunta central dessa semana que dá direção pro nosso trabalho é a ética filosófica é uma ciência ao final dessa semana nós queremos responder essa pergunta então na nossa última aula nós apresentamos duas formas de se compreender o termo ciência afinal se queremos responder D ética filosófica é uma ciência nós temos que ter Claro de antemão o que
nós estamos entendendo aqui por ciência viemos que o sentido moderno de ciência confere primazia ao método sendo este compreendido como um conjunto de regras que são dadas de antemão e que tem primazia sobre o objeto de pesquisa O que é diferente em relação ao sentido clássico de ciência no qual a primazia é do objeto sobre o método mas aqui no sentido clássico o método já é compreendido como um caminho de explicação do objeto Portanto o método tem que se adequar ao objeto então nós vimos também que se a gente deseja descobrir se a ética filosófica
é uma ciência nós temos que explicitar bem qual que é o seu objeto de pesquisa e qual que é o seu método de investigação uma vez feito isso nós podemos também entender qual sentido de ciência poderia ser mais adequado à ética filosófica então nessa aula nós vamos focar no objeto da ética então como dissemos o objeto de uma ciência é a realidade e será investigado portanto Qual que é a realidade que a ética investiga E se a gente retoma O que foi dito na primeira semana do nosso curso a gente percebe que a ética investiga
aquele sistema de costumes normas valores e crenças que orientam a vida em comum de uma sociedade então a gente já percebeu um pouco do objeto que a ética trabalha em outras palavras a ética se constitui como uma reflexão racional sobre a moral Desde que entendamos moral como esse sistema valorativo né esse sistema de de normas costumes e valores quando nós distinguimos então ética e moral a gente tem que ter bem claro na nossa mente que essa é uma distinção didática isso a gente falou na primeira semana e agora a gente torna a frisar porque moral
vem do vocábulo latim mores e que designa morada casa abrigo protetor da mesma forma ética prové do vocábulo grego etos e que também designa morada casa abrigo protetor isso quer dizer que o latim mor é uma tradução posterior do vocábulo grego etos a ética surgiu inicialmente como uma pesquisa sobre o etos e a gente vai adotar essa palavra aqui para designar o objeto da ética isso porque ela tem uma riqueza semântica maior do que a sua tradução Latina e a gente vai falar disso agora então a gente pode dizer que a ética se constitui como
uma investigação sobre o etos e a pergunta que a gente faz agora é o que que é o etos então o que que é isso que chamamos deos o objeto da ética o termo designa o conjunto de modos de comportamento que configuram a identidade social de um grupo humano então o etos é a sínteses do costume de um povo são aqueles traços característicos de um povo que o permite distinguir de outros povos então aqui se dá uma identidade coletiva uma identidade social Então esse termo etos é a transliteração de dois vocábulos gregos um escrito com
ET Inicial e outro com éson a gente vai ver agora como que essas duas formas deos elas nos ajudam a compreender melhor o objeto da ética então o éos pode ser escrito nessa primeira forma a primeira letra sendo a letra grega eta e que designa a morada do homem então ela tem um sentido metafórico de de abrigo protetor e sobre esse sentido se dá dá origem a significação do etos como costume estilo de vida ação o éos aqui é compreendido como a morada simbólica construída pelo homem pelo qual ele rompe com aquele domínio da natureza
Onde reina a lógica da Necessidade e se insere o domínio propriamente humano onde se escrevem os valores os costumes as normas e as ações então éos em primeiro lugar remonta a esse sentido de abrigo protetor quando nós vivemos na nossa cultura nós nos sentimos em casa nós nos sentimos protegidos porque há uma certa Constância no agir Então esse o primeiro sentido de éos por outro lado o etos também pode ser escrito segundo essa grafia que tem o é como Letra Inicial e aqui nós já compreendemos o etos como o comportamento que resulta da repetição de
Atos isso é o hábito nesse caso é aquilo que ocorre com frequência mas não sempre ou de maneira necessária então o etos segundo essa grafia denota uma Constância no agir com contraposta ao impulso e ao desejo e a gente vai ver que essas duas formas de se compreender o éos estão intimamente relacionadas elas não são excludentes na verdade elas estão num processo de implicação mútua ou que a gente também pode chamar de circularidade dialética vejamos o etos como costume diz respeito àquela real histórico social de um povo e se configura como princípio e norma dos
atos que irão formar os hábitos por outro lado oos como hábito é fonte das ações consideradas Virtuosas que quando são realizadas dão efetiva realidade para o etos como costume portanto podemos dizer que o etos educa o li dando fornecendo princípios práticos para suas ações e esse indivíduo uma vez educado ele é capaz de agir de forma virtuosa e suas ações é que garantem a permanência dos costumes aqui pelo exposto nós podemos perceber que as ações então exercem papel mediador entre os dois momentos do etos como costume como hábito então eu temos aqui um um pequeno
esquema que nos ajuda a entender isso melhor então o éos como costume é aquele conjunto de normas valores os princípios que orientam a ação individual essa ação individual à medida que ela é orientada e repetida várias às vezes ela se torna um hábito esse hábito ele é uma disposição permanente de agir segundo as normas do os então se torna virtude e essas virtudes dão consistência continuidade à existência dos costumes nós podemos perceber então pelo que foi exposto que há uma comunicação Fixa aqui entre etos e tradição a noção de tradição aparece diretamente associada ao conceito
de éos então a tradição é a forma pela qual o etos assegura sua permanência histórica e é por meio da tradição que oos institui seu corpo de normas e assegura sua permanência uma das principais formas de manifestação do etos é claramente por meio das tradições religiosas as tradições religiosas nos comunicam eh valores normas preceitos que nos ajudam a orientar nossa vida individual ajuda a orientar a vida coletiva na medida que as pessoas fazem expectativas das ações dos outros então a tradição fornece o corpo histórico pelo qual o etos surge como uma obra de Cultura por
meio da tradição o éos se apresenta como uma realidade objetiva e se impõe ao sujeito daí a sua na sua natureza normativa a tradição introduz um Horizonte de normatividade para a ação do homem mas a afirmar essa natureza normativa da tradição não é suprimir a liberdade e autonomia do sujeito ético nós podemos ver que também o indivíduo aparece de maneira muito clara aqui quando consideramos o etos e ele não é suprimido em momento algum então não há uma negação do indivíduo pela tradição a tradição na verdade possui um dinamismo próprio que possibilita a corrência nem
seu próprio interior de conflitos crises revoluções deste modo está sempre aberta a possibilidade para o indivíduo remodelar aprofundar ou até mesmo romper com uma tradição Porém para que todos esses processos ocorram é necessário que haja primeiro uma educação na tradição o próprio fato de negar a tradição já pressupõe que o indivíduo se inseriu nela tomou contato com a tradição então ele precisa firmar a tradição até mesmo para negá-la Então como podemos notar é que o indivíduo não é compreendido desde esse ponto de eh de vista da estrutura social como uma molécula livre que se move
des desordenadamente no espaço sem nenhuma direção privilegiada pido simplesmente pela lógica do acaso Então existe na vida social uma cadeia de mediações que ordena os movimentos do do indivíduo E essas mediações são elas a economia a cultura a política a convivência social por meio dessas mediações o indivíduo encara o éos a partir de pontos de vistas diferentes e tece relações diferentes em cada um desses âmbitos então o indivíduo através dessas mediações ele é integrado ao etos ocorre aqui um processo de socialização do indivíduo e nesse processo a ação a praxe do indivíduo se socializa na
forma de hábitos de um agir em conformidade com as demandas do etos e ao final desse processo a liberdade frente a sociedade não é eliminada ao contrário o indivíduo ele aprofunda sua liberdade fazendo a passar da simples liberdade de arbítrio aquela liberdade de escolha a uma liberdade ética isso quer dizer que ao final do processo de socialização o indivíduo não deixa de ser livre ao contrário ele se torna mais livre porque ele é capaz de agir de uma maneira ponderada conhecendo os motivos pela qual pelo qual ele tá exercendo uma determinada ação ou outra então
é um grau maior de liberdade e a simples liberdade de escolha de sim não de arbit então a gente pode perceber também que o etos comporta no seu interior o conflito é que entreos e indivíduo há uma relação propriamente dialética isso quer dizer que o etos como tal como conjunto de costumes ele é incorporado pelo indivíduo ao longo de uma educação ética e depois o indivíduo agindo ele dá consistência para esse éos então afirmar essa de relação dialética entre éos e indivíduos estamos admitindo que pode ocorrer no próprio interior do éos situações de conflito mas
o conflito ético aqui não é compreendido como uma falha moral ou então como nilismo ético que é simplesmente eh A negação do próprio etos mas se trata de um conflito na ordem dos valores que se que acontece devido a uma nova percepção das exigências do éos então conflito ético se desenha como um fenômeno constitutivo do etos que abriga em si a indeterminação da liberdade e também atesta a natureza histórica do os em constante evolução porque o conflito eles são desencadeados devido a uma visão mais aprofundada das exigências do etos e alguns indivíduos viveram um conflito
étnico na sua mais forte implicação é que a gente seguindo o padre Vas pode citar Buda Sócrates e Jesus como esses personagens excepcionais que introduziram no interior do seu próprio etos uma nova compreensão de bem virtude valores que vão além que aprofundam ao próprio sentido da comunidade no qual eles estavam vivendo então o conflito surge aqui não devido a uma negação das tradições mas por meio de um aprofundamento radical Então os conflitos dentro dessa ótica São positivos porque Eles garantem a evolução das tradições não deixa a tradução se está esta tiar fixar somente num ponto
e assim merecer ao contrário o conflito promove um uma evolução nas tradições então chegado ao fim desse percurso nós vemos que o objeto da ética é o éos esse conjunto normativo no qual um indivíduo recebe os princípios as orientações e a sua educação moral que lhe permitem viver eticamente e também no qual esse indivíduo uma vez que assimila esse todo esse processo educativo ele é capaz de dar subsistência a uma tradição e até mesmo aprofundado [Música]