[Música] vamos pra terceira aula da quarta semana estamos estudando profundamente trabalhando profundamente o gênero do conto né fizemos uma primeira semana introdutória uma segunda semana sobre os gêneros antigos uma terceira semana sobre romance e agora estamos nesse par particular e maravilhoso tipo de narrativa curta que é o Conto primeiro nós vios a sobre o conto as características de incisividade de brevidade e quais as consequências dessa incisividade para o conto depois nós gastamos uma videoaula para explicar comentar ã enfim discutir as teorias e as formulações do Ricardo pigler sobre conto essa videoaula de hoje é a
videoaula talvez mais suscinta se dentro da semana do conto mas Embora ela seja sucinta é provável que as repercussões que a as consequências que as implicações dessa aula sejam as mais duradouras porque ela tá perguntando em eh de maneira mais atávica possível ou seja da maneira mais naturalmente humana possível qual é a origem do conto né Essa é uma essa é uma uma pergunta muito grave e tem a ver também com a nossa capacidade atual de contar histórias a capacidade humana de contar histórias e é por isso que essa aula se chama o narrador como
contadora de histórias bom para quem conhece a alguns aspectos da teoria literária quando eu falo em contador de histórias quando eu falo em narrador a figura do Walter benjam já aparece e ele é o dono da citação que abre a aula de hoje o que distingue o romance de todas as outras formas de prosa contos de fada lendas e mesmo novelas é que ele nem procede da tradição oral nem a alimenta ele se distingue especialmente da narrativa o narrador retira da experiência o que ele conta sua própria experiência ou a relatada pelos outros não sei
se dá para perceber mas o Benjamin está criticando o romance ele tá dizendo Olha o romance se distingue da narrativa né da contação de histórias porque ele não procede da tradição oral e nem alimenta essa tradição oral Ele tá dizendo o romance procede da tradição escrita e alimenta a tradição escrita e o Benjamin está sublinhando que o narrador o contador de histórias ele retira da experiência o que ele conta aquilo que o narrador conta aquilo que um contador de histórias conta é a sua própria experiência ou a experiência relatada por outros é isso que ele
está dizendo nessa epígrafe Bom a partir do Benjamin então a gente se pergunta tá e quando começam Os Contos né qual é a origem dos Contos eu sei que a resposta não vai ser a não vai ter a precisão que vocês gostariam mas a origem dos Contos remonta a prática de contar histórias Isto é o Primeiro Registro das histórias orais contadas remonta ao Egito 4000 Anos Antes de Cristo ou seja primeira vez que se registrou que havia histórias sendo contadas ali ou que se registrou muito rusticamente alguma história remonta a civilização egípcia 4000 Anos Antes
de Cristo Mas é claro que a prática de contar histórias é tão antiga quanto a organização antropológica humana né ou seja se você pensar em histórias de ninar se você pensar em histórias ao longo da em torno da fogueira se você pensar em histórias de viagem histórias de perigo tudo isso é Basicamente aquilo que nos define como seres coletivos né que que transportamos nossa experiência para outras pessoas a partir da história e aí nesse sentido registrar ou não essas histórias por escrito não altera a prática de contar histórias a princípio né Ou seja eu não
posso dizer que o conto Começou quando o primeiro livro de contos foi lançado porque a prática oral de contos é muito anterior ao primeiro livro de contos e o primeiro livro de contos ele não altera esse rio de contos que nós deixamos fluir digamos dentro da civilização humana há 4000 anos ou até muito antes disso evidentemente né bom desse ponto em diante ou seja de 4000 aantes de. Cristo até agora aí de ou seja pra gente se perguntar como que essas formas se se consolidam vidam não há consenso né aí a gente tem que eh
ir atrás de um teórico ou de outro eu trouxe para nós o Ebal que diz o seguinte o romance vem dos relatos de viagem ou seja em que eu havia a necessidade de informar eh fazer registro daquilo que aconteceu ao passo que os contos e as novelas que são gêneros narrativos mais curtos Eles são filhos das histórias infantis e das anedotas né eles trabalham mais com esse Imaginário Eles não têm o mesmo intuito comunicativo do que os romances né Lembrando que isso também está de certa maneira comentado pelo Platão e pelo Sócrates e pelo Aristóteles
tal como a gente viu na semana de número dois né e é a função de cada relato ou seja se é para registro histórico ou se é paraa fábula e pro anedotário é que teria distinguido o romance do conto e da novela aqui eu quero fazer duas observações antes de prosseguir a primeira a classificação de novela é uma classificação muito muito frágil assim ou seja a gente tem muito claro que seja romance muito claro que seja conto e em geral a novela é um conto um pouco mais longo né ela tem ela ela consegue abarcar
mais Arcos narrativos mas não é impossível que se que se Publique uma novela Como um romance ou seja essas coisas não são tão díspares assim tá eh mas a princípio a novela é uma narrativa um pouco mais longa e claro um pouco mais curta do que o romance mas a gente também pode pensar a a partir de classificações mais profundas que a novela também não tem essa ambição do epos que o romance tem ela nesse sentido assim como o ik kenb ela tá mais próxima do romance tá acho que acho que isso é é importante
ser dito uma uma outra coisa que eu gostaria de dizer é a seguinte eh reparem que essas classificações que vem desde a antiguidade E desde 4000 Anos Antes de Cristo passa pela antiguidade chega à modernidade e tal elas dependem muito de pesquisa de de enfim de de de estudos a respeito da da transmissão de tradição de estudo a respeito das formas Ela não é uma coisa tão precisa assim né então ou seja se adiante vocês encontrarem ah não tá falando aqui que o Primeiro Registro é da civilização mesopotâmica de tal então ah é da é
da civilização tal isso eh não não é enfim Só Queria Dizer para vocês não ficarem tão chateados com isso ou seja a gente fala a partir do ponto em que as pesquisas estão né E aí dos primeiros registros encontrados mas nada impede Que outros registros sejam encontrados daqui a pouco e altere essa historiografia tá de todo modo o nosso antepassado ocidental mais célebre é o decameron do bocao que foi escrito entre 1348 e 1353 não sei se vocês conhecem a história tem uma peste na cidade os nobres se retiram e para conseguir passar o tempo
eles começam a contar histórias um para os outros e tal e aí tem 100 histórias que são 10 noes cada um conta 10 histórias ao longo de de 10 noites e essas histórias são registradas a eh o decameron seria o nosso antepassado do conto E vocês viram que também existe uma classificação de conto clássico que é o dickens o Paul entre os séculos XVI e XIX e o conto moderno a partir do final do século X começo do século XX de volta ao Walter Benjamin eu vou encaminhar a reflexão final da nossa videoaula que é
a seguinte o Benjamin tem um texto celebríssimo celebérrimo chamado o narrador dois pontos com considerações sobre a obra de Nicolai leskov nesse texto o Benjamin estabelece uma relação muito profunda entre narrar que seria contar histórias e trocar experiências ou seja o que interessa pro Benjamin é menos imediatamente a ideia de ser oral ou ser escrito e mais imediatamente a ideia da capacidade ou não de trocar experiências né E aí na oralidade existe uma espécie de caráter orgânico da experiência né Ou seja eu conto a história a partir de mim do meu corpo daquilo que eu
ouço daquilo que eu falo etc o romance sendo um gênero estritamente escrito e contribuindo e contribuindo para o gênero escrito ele não estaria nessa tradição oral ao passo que o conto estaria mais próximo dessa tradição oral ou seja o Benjamin preocupado com a transmissão da experiência vai dizer contar história está em vias de extinção e a partir disso ele vai elencar uma série de características oralidade comunidade autoria coletiva em torno da importância da experiência para indicar que os contos ainda teriam um resíduo da prática de contação de histórias ao passo que o romance cuja tradição
é muito mais escrita do que oral Eh aí tem toda uma piada sobre isso que é o Walter Benjamin não leu Guimarães Rosa né porque aí tem todos os romances de característica oral Mas vamos deixar essa piada por hora os romances que teriam uma tradição mais escrita do que oral eles separ ariam o sujeito de sua experiência ou seja eles reforçaram Olha como isso casa com o lcat eh eles reforçaram a o caráter de indivíduo do sujeito e ao reforçar o caráter de indivíduo do sujeito eles interromperam uma certa transmissão de experiência que nos contos
ainda se dá mesmo que residualmente eu vou terminar o nosso o nosso encontro conversando antes da revisão né conversando eh lendo para vocês e comentando dois excertos desse texto ah o narrador reflexões sobre a obra do Nicolai leskov O primeiro é o seguinte nada facilita mais a memoração ambos do Walter Benjamin né nada facilita mais a memorização das narrativas do que aquela sóbre concisão que a salva das análises psicológicas quanto maior a naturalidade que o narrador renuncia à sutilezas psicológicas mais facilmente a história se gravará na memória do ouvinte mais completamente ela se assimilará a
sua própria experiência e mais irresistivelmente ele cederá a inclinação de recontá-la um dia olha que maravilha o Benjamin tá falando sobre a capacidade mnemônica memorialística das histórias e aí nesse sentido ele acaba comentando algo que depois vai ser retomado por teóricos por autores tal que é a característica da concisão do conto o conto não foi feito para perder-se nos pormenores da análise psicológica sociológica tarará tarará para isso existe o romance digamos né então ou seja ele tá marcando como essa concisão do conto também tem a ver com a troca de experiência também tem a ver
com contar uma história e menos com analisar com dar traços psicológicos com pensar a sociedade e tal tudo isso estaria a cargo do romance segunda citação do Benjamin aspas essa citação maravilhosa hiper citada esse processo de assimilação se dá em camadas muito Profundas e exige um estado de distensão que se torna cada vez mais raro se o sono é o ponto mais alto da distensão física o tédio é o ponto mais alto da distensão psíquica o tédio é o pássaro do sonho que choca os ovos da experiência eu sei que parece uma uma cação sem
pé nem cabeça mas eu me explico o benjam tá dizendo o seguinte o romance como forma escrita está relacionado a esse mundo que retira o nosso tempo de tédio e de ócio e aplica todo o tempo do humano no trabalho então o ROM lance é esse gênero colérico do mundo escrito e do mundo burguês o conto ainda manteria uma natureza do mundo antigo esse mundo que precisa do tédio ou precisa do Sono ou precisa desse espaço dessa respiração para que as histórias sejam contadas então quando ele chega a essa síntese o tédio é o pássaro
do sonho que choca os ovos da experiência ele está dizendo é preciso uma certa distensão na forma para que a experiência seja transmitida e essa distensão estaria em formas ligadas a uma tradição oral e que para o Benjamin é o conto nesse sentido repare como a formulação do Benjamin está completamente em oposição à formulação do cortasa o cortasa diz o conto é um gênero que não tem tempo a perder e o benjam tá dizendo o conto como um bom herdeiro da tradição oral é um gênero que parte do tédio parte essa distensão parte do Tempo
Perdido para contar as histórias que realmente importam pra experiência humana o que que eu tentei fazer hoje nossa revisão origem dos contos e a relação dos Contos com a contação de histórias começo do conto ocidental né Falei sobre o começo do conto antigo começo do conto ocidental e sua periodização em clássico e moderno e o mais importante do nosso da nossa terceira aula dessa semana eh falar sobre o Walter Benjamin e as relações que o filósofo faz entre narração e experiência e Quais as implicações dessa relação pra gente pensar o conto e pensar o mundo
moderno fiquem totalmente à vontade para rever as aulas o quanto for necessário acessem os monitores e o professor estamos sempre à disposição um grande abraço Estamos nos despedindo do conto agora e falaremos sobre poesia na semana que vem até a próxima videoaula tchau tchau [Música] [Música] e i [Música]