O homem estava chorando no culto, mãos levantadas, dizendo que sentia a presença de Deus de forma avaçaladora. Na semana seguinte, Wesley o encontrou embriagado numa taverna. Quando confrontado, o homem respondeu confuso: "Mas eu não sinto mais nada.
Deus me abandonou, então voltei à minha vida antiga. Esse tipo de situação se repetia constantemente e foi isso que levou Wesley a emitir um dos avisos mais urgentes de todo o seu ministério. Nunca jamais construa sua vida espiritual sobre o alicerce instável dos sentimentos.
Eles mudam com o clima, com a saúde do corpo, com as circunstâncias externas. Fé baseada emoção não é fé, é montanha russa que inevitavelmente termina em desastre. O aviso vinha de observação dolorosa.
Wesley presenciou centenas, talvez milhares de pessoas tendo experiências emocionais poderosas durante os cultos metodistas. [música] Choravam, tremiam, caíam no chão sob convicção de pecado, levantavam-se com alegria transbordante após conversão. Essas manifestações eram reais.
Wesley não duvidava disso. O problema começava quando as [música] pessoas voltavam para casa e dias ou semanas depois acordavam sem sentir [música] nada. Nenhum arrepio, nenhuma lágrima, nenhuma emoção intensa.
E então concluíam que haviam perdido a salvação ou que Deus os havia abandonado. Muitos simplesmente desistiam [música] da fé porque achavam que vida cristã era manter aquele pico emocional permanentemente. Wesley escreveu sobre isso extensivamente em seus sermões e cartas.
Ele dizia que a maior armadilha do avivamento era criar cristãos viciados em experiências emocionais. Eles pulavam de culto em culto, buscando o próximo momento de êxtase espiritual. Mas quando a vida normal voltava, com suas rotinas monótonas e sentimentos neutros, [música] eles naufragavam.
Ele chamava isso de religião dos sentimentos e alertava que era tão perigosa quanto não ter religião nenhuma, porque construía sobre areia em vez de rocha. O próprio Wesley havia caído nessa armadilha no início, após sua famosa experiência de conversão em 1738, quando sentiu seu coração estranhamente aquecido durante uma reunião na rua Aldersgate, ele esperava que aquele sentimento permanecesse para sempre, mas não permaneceu. Dias depois, ele acordou sem sentir nada especial.
Entrou em pânico, pensando que havia perdido a graça de Deus. Escreveu cartas desesperadas [música] para os irmãos moráveios pedindo ajuda. Eles lhe disseram algo crucial.
Você ainda é [música] salvo, apenas não está sentindo isso no momento. Fé não é sentimento, [música] é confiança na promessa de Deus, independente de emoções. Aquilo mudou tudo [música] para Wesley.
Ele começou a ensinar ferozmente essa distinção. Féiar no que Deus disse, não no que você sente. Se Deus prometeu nas Escrituras que quem crê em Jesus tem [música] vida eterna, então você tem vida eterna porque confia na promessa, não porque sente algo [música] especial.
Sentimentos podem e vão variar. Alguns dias você acordará sentindo-se próximo de Deus. Outros dias acordará sentindo-se vazio e distante, mas a verdade sobre sua condição espiritual não mudou, apenas sua percepção emocional dela.
Wesley usava uma ilustração prática. Ele dizia que fé é como casamento. No dia do casamento há emoções intensas, [música] amor ardente, alegria transbordante.
Mas 10 anos depois, numa manhã comum de terça-feira, você acorda ao lado do seu cônjuge sem sentir nada particularmente especial. Isso significa que o casamento acabou? Não significa que casamento não é mantido por [música] emoções, mas por compromisso e ações consistentes.
O mesmo vale para a vida cristã. Não é a intensidade do que você sente que determina se você pertence a Deus, mas a realidade do seu compromisso demonstrado em obediência diária. Ele observava que as pessoas [música] mais perigosamente enganadas eram aquelas que tinham muitas experiências emocionais, mas pouca mudança real de caráter.
Choravam nos cultos, mas continuavam mentindo nos negócios. Levantavam as mãos em adoração, [música] mas tratavam a família com crueldade. Sentiam arrepios durante a pregação, mas não abriam mão de pecados secretos.
Wesley dizia que isso era prova de que sentimentos sozinhos não significam nada. O verdadeiro teste de autenticidade espiritual não é o que você sente no domingo, mas como você vive na segunda-feira quando ninguém está olhando. Em 174, Wesley enfrentou uma crise relacionada a isso.
Um grupo dentro do metodismo começou a ensinar que cristãos verdadeiros deveriam ter sentimentos de alegria e paz constantemente. Se você não sentia isso, significava que não era realmente convertido. Isso criou pânico espiritual.
Pessoas genuinamente salvas começaram a duvidar de sua salvação porque passavam por [música] períodos de aridez emocional. Wesley confrontou essa heresia diretamente. Ele pregou uma série de sermões explicando que há [música] estações na vida espiritual.
Há verões onde tudo floresce e você sente Deus intensamente. Mas há também invernos onde tudo parece morto e você não sente [música] nada. Ambos são normais.
Ambos são parte da [música] jornada. Ele citava exemplos bíblicos. Davi escreveu salmos de júbilo exuberante, [música] mas também escreveu salmos de desespero sombrio, onde gritava: "Por que me esqueceste, ó Deus?
" Ambos eram inspirados, ambos eram válidos. Jó passou meses em sofrimento atroz, sem sentir nenhuma proximidade de Deus. Mas Deus mesmo disse que Jó era justo.
Jesus no Getsemmane suou gotas de sangue em angústia [música] e na cruz gritou, sentindo-se abandonado pelo Pai. Se o próprio Cristo passou por vales emocionais, por que cristãos modernos acham que deveriam estar sempre em picos emocionais? Wesley também alertava sobre o perigo de buscar intencionalmente experiências emocionais.
Ele via pessoas manipulando situações para provocar sentimentos. Ficavam acordadas a noite inteira orando, esperando alguma manifestação sobrenatural. Jejuavam até ficarem delirantes e interpretavam a confusão mental como revelação divina.
Forçavam lágrimas durante a adoração porque achavam que chorar era sinal de espiritualidade. Ele chamava isso de fabricar sentimentos religiosos e dizia que era perigosamente próximo de feitiçaria. [música] Uma tentativa de manipular o mundo espiritual através de técnicas humanas.
O antídoto que ele prescrevia era simples, mas difícil. Estabelecer disciplinas espirituais que funcionam independente de como você se sente. Leia a Bíblia todo dia.
Sinta-se inspirado ou não. Ore todo dia. Sinta a presença de Deus ou não.
Participe da comunidade cristã. Sinta vontade ou não. Pratique obediência aos mandamentos.
Sinta alegria nisso ou não. Essas disciplinas constantes [música] constróem fé verdadeira que persiste através de todas as variações emocionais. Wesley compartilhava sua própria [música] experiência nisso.
Ele disse que havia semanas inteiras onde pregava poderosamente, via conversões acontecendo, mas pessoalmente sentia-se espiritualmente seco por dentro. Não sentia nenhuma emoção especial, nenhuma alegria transbordante. Apenas seguia fazendo o que sabia ser certo porque Deus havia mandado, não porque sentia vontade.
E era exatamente nesses períodos de fidelidade, sem sentimento, que seu caráter era mais formado. Obediência emocional é fácil. Obediência [música] sem emoção, apenas porque é certo, essa é a verdadeira força espiritual.
Ele fazia uma distinção crucial. Não estava dizendo que emoções são ruins ou que devemos ignorá-las. Emoções são parte normal da experiência humana e Deus as criou.
Alegria, gratidão, admiração diante da presença divina. Tudo isso é bom e deve ser apreciado quando vem. O problema é torná-las o fundamento.
É fazer delas o termômetro da sua vida espiritual. é depender delas para saber se você está bem com Deus. Isso é construir sobre areia.
O fundamento deve ser a palavra de Deus e suas promessas, não seus sentimentos variáveis. Wesley usava um teste prático para ajudar as pessoas a discernirem. Ele perguntava: "Você obedece a Deus quando não sente vontade de obedecer?
Você ama seu inimigo mesmo quando não sente amor por ele? Você dá generosamente mesmo quando não sente alegria ao dar? Você perdoa mesmo quando não sente desejo de perdoar?
Se a resposta era sim, isso era evidência de fé genuína. Mas se a obediência dependia de sentir-se [música] inspirado primeiro, então a fé estava baseada emoção, não em Deus, e desmoronaria na primeira crise séria. Há registros de cartas [música] onde Wesley aconselhava pessoas em profunda secura espiritual.
Uma mulher escreveu dizendo que não sentia a presença de Deus há meses e estava desesperada. [música] Wesley respondeu: "Continue orando, mesmo sem sentir nada. Continue lendo as Escrituras mesmo sem emoção.
Continue servindo a Deus mesmo sem alegria. Você está aprendendo que Deus é digno de ser obedecido não porque nos dá sentimentos agradáveis, mas porque ele é Deus. Essa é a fé mais profunda.
Meses depois, a mulher escreveu novamente, dizendo que os sentimentos haviam retornado, mas que havia aprendido algo mais importante. Não precisava deles para permanecer fiel. Wesley também alertava contra comparações.
Ele via pessoas olharem para outros cristãos que pareciam [música] estar sempre alegres e emocionalmente elevados e então se sentirem inferiores ou falsas porque não experimentavam o mesmo. Ele dizia que temperamentos são diferentes. [música] Algumas pessoas são naturalmente mais emotivas, outras mais reservadas.
Isso não tem nada a ver com espiritualidade. [música] Um cristão melancólico e quieto pode ser tão espiritual quanto um extrovertido efusivo. Julgar espiritualidade [música] por manifestações emocionais externas é erro grave.
Nos últimos anos de vida, Wesley refletiu que esse aviso tinha sido um dos mais importantes de [música] todo o seu ministério. Ele havia visto muitos naufragarem por causa desse erro, mas também viu muitos serem salvos de naufragar, porque aprenderam a andar por fé, não por vista ou sentimento. em uma de suas últimas cartas, escreveu: "Sentimentos virão e irão como ondas do mar, mas o fundamento permanece firme.
Construa sobre Cristo e sua palavra, não sobre suas emoções flutuantes. Essa é a única forma de permanecer de pé quando as tempestades vierem". O erro que Wesley alertou para evitarmos não era ter emoções, era confiar nelas, era fazer delas o árbitro da verdade espiritual.
Centenas de anos depois, o aviso permanece urgente. Vivemos numa cultura que idolatra sentimentos, que diz: "Siga seu coração e se não te faz feliz, abandone". Mas Wesley, observando 60 anos de almas sendo ganhas e perdidas, deixou um alerta que [música] deveria estar gravado em letras grandes em toda a igreja.
Fé verdadeira funciona mesmo quando você não sente [música] nada. E se sua fé só funciona quando você sente algo, então não é fé em Deus, é fé em suas próprias emoções. E isso nunca sustentará ninguém até o fim.
Yeah.