Cobori, boa noite. Parabéns pelo seu canal no YouTube e seu posicionamento. Me considero de direita, mas suas palavras me trazem um contraponto e reflexão bem legais.
Um ponto muito relevante para mim e, se possível, seria muito valioso se em algum momento você pudesse elucidar é o seguinte: eu me considero de direita, principalmente pela revolta com a corrupção. Temos evidências de que boa parte do que é público é fonte de corrupção no Brasil, desde cabide de cargos, CCs, fundão eleitoral, indicações políticas, emendas sem transparência, privilégios, como em poucos países se vê, e tudo o mais que poderia ficar aqui citando. E é inevitável, pelo menos para mim, associar isso à esquerda, pois defende a manutenção desta mão pesada estatal, o que passa, a clara impressão para mim de permissividade com esse status qu, uso do estado em benefício próprio, etc.
Você entende meu ponto de vista? Penso que muitas pessoas se posicionam à direita por este tema e nem tanto pelo viés econômico. Obrigado.
Me chamo Guilherme Gomes de Porto Alegre. Guilherme de Porto Alegre. Muito obrigado pela sua pergunta.
Você aqui se considera direita e você na realidade associa a ser de direita a ser contra corrupção. Então, deixa eu te dar uma notícia. Eh, você, como você faz esse essa associação, é como se a direita não fosse corrupta, né?
E tudo que a gente olha ao longo da história, né? Eh, existe corrupção no estado, assim como existe corrupção nas empresas privadas e existe corrupção em todos os governos, não só de esquerda, quanto de direita. Eh, ou você acha que no governo do Temer e no governo do Bolsonaro não teve corrupção?
É isso que você tá chamando de direita, né, que não teve corrupção. Lób teve e teve inclusive muito mais, né? Eh, não só as evidências de que houve corrupção na máquina estatal, na estrutura do estado, como é a corrupção própria do próprio Bolsonaro, né?
Ou você acha que dos 101 imóveis quase que a maioria comprados em dinheiro vivo, não são frutos de de dinheiro de corrupção? Ou se você acha que se apropriar das joias eh que ele ganhou enquanto o presidente da República e a lei é clara que aquilo ali é do estado e ele querer se apropriar, se querer se desviar tanto das formas que foram feitas, né? Você acha que isso não é corrupção?
Ou as rachadinhas do Flávio Bolsonaro, você acha que não é corrupção? Aí existe um pessoal que quer relativizar, né? Eh, que quando é o deles ali pode não ser e quando é o dos outros é.
Então isso é uma, digamos assim, é uma falácia. Existe corrupção na máquina estatal, não só no Brasil como no mundo inteiro, tanto em governos de esquerda quanto em de direita. Nós, enquanto sociedade, a gente tem que cobrar para que essa corrupção seja combatida, né?
seja cada vez eh menos presente, né, na no dia a dia e na operação do da própria economia, da própria máquina estatal, tá? Mas existe corrupção no Brasil, existe no Japão, existe na Suíça, existe, só que obviamente em eh em proporções diferentes, né? que isso é um mal, né, que tá no próprio ser humano, que se as coisas forem fáceis, né, se as coisas eh tiverem maneiras, né, de se burlar as regras e as leis, eh, as pessoas em algum momento, infelizmente, né, da natureza humana, ela vai tentar tirar benefício próprio de uma coisa que é pública, tá?
Então, novamente, né, agradeço a sua pergunta, sinto que que é muito sincera, mas você eh se julga de direita, não pelo viés econômico, pelo que eu entendi, né, da da visão de país, de economia, de condução, de modelo econômico, de modelo de de sociedade, né, de distribuição de riquezas, mas você se associa muito mais porque, eh, na sua cabeça ser de direita é ser contra corrupção, não corrupção existe na direita e na esquerda, né? É como se a corrupção fosse uma uma coisa que só existe em governo de esquerda. Mas aí depois você dá uma evoluída e fala que por que a esquerda defende uma presença maior do estado é porque a esquerda estaria atrelada à corrupção.
Isso não tem nada a ver, né? A presença do estado aí está ligado ao mais ao viés econômico, como você disse, né? O modelo de condução da economia com uma forte participação do estado que você está associando à esquerda é um estado desenvolvimentista.
Então, é uma economia onde o estado participa mais, o estado é o indutor da economia e o organizador, né, da economia junto, obviamente, com a iniciativa privada. Então, isso também é uma outra, digamos assim, é uma outra forma de que você talvez não esteja vendo eh da forma correta. Eh, mas isso posto, né, esse preâmbulo, eh, a gente vê essa corrupção tanto quanto foi lá no petrolão, quanto foi durante o governo Bolsonaro no orçamento secreto e tá sendo agora, né, com essas emendas do relator, né, que só mudaram o nome do orçamento secreto.
Eh, quem tá sempre envolvido nisso é o centrão, né? Então, lá no Petrolão, todo mundo associa isso, né, ao PT, ao Lula, teve obviamente eh pessoas ligadas ao PT, que foram indicadas ao PT pelo pelo PT na Petrobras, que inclusive, né, admitiram e devolveram dinheiro. Então, ninguém tá dizendo que não houve a corrupçagem.
Quando a gente fala da operação, tá falando de uma forma mais de como aquilo foi conduzido. Mas quando você pega a pesquisa, é simples, dá um Google, você vai ver os partidos que mais se corromperam nesse episódio do Petrolão. Você vai ver lá que o partido, né, que mais se envolveu não foi o PT, o PT também, mas o que mais se envolveu foi os partidos do Centrão, inclusive foi o PP, né, o partido progressista lá, que é um partido centrão.
Quando você vê no orçamento secreto, ele era conduzido, né? O Bolsonaro se tornou refém do centrão, né? Quando começou a fazer todas as esse lado autoritário dele, acabou ficando no na mão lá do, na época o Artur Lira.
E aí o orçamento secreto saiu ali como a como a uma troca, né? Eu não deixo levar à frente todos os pedidos de impeachment que tem contra você em troca, né? você vai liberar uma parte do orçamento para ficar sobre o encargo do Congresso.
Foi lá que surgiu esse negócio do orçamento secreto. E com a eleição do Lula agora, apesar do PT ter sido eleito como presidente da República, ter trocado, né, no espectro que a gente chama de direita e de esquerda, mas o Congresso permaneceu o mesmo. O Congresso continua dominado pelo centrão.
Por isso, essa dificuldade de acabar lá o que era o orçamento secreto, deram uma reduzida, mas o tal do emendas do relator é o mesmo princípio, né? É uma parte do orçamento público, uma grande parte do orçamento público na mão do Congresso Nacional, tá? Então, isso posto a corrupção tá nos partidos do Centrão.
Isso parece bastante óbvio. Agora vamos analisar. Você acha que os partidos do Centrão estão mais alinhados à esquerda ou à direita?
Pessoal, para quem ainda tem essa dúvida, né, para quem se engana, o centrão é direita. Partidos do centrão, não, Brasil, republicanos, Partido Progressista, PL, esses partidos são partidos de direita, tá? Eles estão ali com essa denominação central, mas são partidos de direita, né?
Ou você acha que o Tarcísio, que se não me engano é do Republicanos, ele é de esquerda, ele é de um partido do centrão. Você pega vários governadores, são dos União Brasil, né? São do desse partido, partido progressista, PP, eles são de direita.
Então, apesar de ter essa denominação de partidos do centrão, o centrão em si, que a gente conhece como centrão no Congresso Nacional são partidos de direita. Então, o Congresso Nacional é dominado por partidos de direita, tá? se a gente fosse dividir nesses espectros.
Então, assim, longe dessa discussão, dessa polarização em direita à esquerda, nós temos enquanto sociedade de combater a corrupção, né? E a corrupção está entranhada, né, em todos os partidos, em um, uns mais, outros menos. E é isso que a gente tem que combater.
Então é muito reducionista esse raciocínio de eu sou de direita porque eu sou contra a corrupção. Não, se fosse contra a corrupção, você pode ser de direita ou de esquerda, porque a corrupção tá em todos, inclusive a maior parte dele, tanto passando quando passou, eu expliquei aqui do do famoso petrol lá da Lava-Jato, os partidos mais envolvidos em montante em importância, né, na corrupção na Petrobras era o PP, era o partido progressista, não era o PT. De novo, ninguém tá dizendo que não houve.
Houve tanto que teve, né? Aqueles diretores foram indicados pelo PT, foram pegos, tiveram inclusive alguns devolveram dinheiro, ligados ao PP, foram pegos, devolveram dinheiro. Eh, mas quando você pega em toda a operação Lava-Jato, é só você pesquisar, você vai ver que os partidos que mais, né, estavam envolvidos com a corrupção lá eram os partidos do centrão.
Só que eles não ficaram na vitrine, né? Por que que eh existe esse negócio do essa falácia do centrão, né? Porque é justamente para eles não serem identificado, né?
Nem com esquerda, nem com direita. Eu sou do centrão, tô aqui, eu vou conforme me interessa. Então, se for um partido de esquerda, opa, tô aqui, centrão, precisar de mim para provar algumas coisas, eu tô aqui.
É só me convencer, né? Sou convencível, tô aqui. Se é um partido direita, a mesma coisa, ó, eu tô no centrão aqui.
Sou porque se ele se denomina eh de direita, ele não vai ter moeda de troca para negociar com partindo de direita. Se ele se denomina de esquerda, ele não vai ter uma moeda de troca para negociar com o partido de esquerda. Então essa é a pior face da nossa política.
É aquele que não se denomina nem de direita, nem de esquerda para ele poder ficar ali ser fisiológico e negociar eh os seus votos, tá? Então isso é bem complicado. Eh, Guilherme, mais novamente agradeço a sua a sua pergunta, porque ajuda a ilucidar isso, né?
Então, se você, assim como o Guilherme, se identifica de direita porque você é contra a corrupção e isso não faz o menor sentido lógico, né, nessa afirmação, porque se você é contra corrupção, você pode ser de esquerda ou de direita, né? você é contra a corrupção. O espectro ideológico que aí a gente coloca na mesa, ele tem muito mais a ver sobre o viés, não só político, como ideológico, de formas de organizar a sociedade, né?
Formas de organizar a economia. E aí entra nesse nisso que você tá falando, né? O a direita, na realidade, se eu fosse resumir, ela tá mais achando que é a o laser fair, né?
é o livre mercado, a livre iniciativa que vai gerar prosperidade econômica, com isso gerar riqueza e com isso tirar as pessoas da pobreza. Teoricamente é isso que a direita acredita, né? A direita, que eu tô dizendo a direita que come garfo e faca, né?
Que a gente costuma brincar, direita, digamos assim, aquela que você consegue debater ideias. Então, ela realmente, muita gente acredita nisso, que é o livre mercado, né? a livre iniciativa.
Eh, quanto menos estado, mais inevada, a economia vai prosperar, vai desenvolver mais e essa riqueza vai ser distribuída. E se você tá à esquerda, você não, você acredita que o Estado tem um papel importante, né, no desenvolvimento da economia, eh, nessa relação de forças desiguais, né, na nossa sociedade, porque o estado, como eu sempre sempre falo, o Estado é um terceiro que regula uma relação desigual. Se ele é um terceiro que regula uma relação desigual, ele obviamente ele tá ali para proteger os mais fracos, né?
porque os mais fortes não precisam de proteção. Eh, então quando você defende o papel do Estado, e aí sobre o ponto de vista econômico que eu defendo, que é um estado que planeja a economia, um estado que investe em infraestrutura, investe em pesquisa, em desenvolvimento, investe em ciência e tecnologia, investe em infraestrutura, investe e inclusive junto com a iniciativa para desenvolver a sua economia. Eh, é o estado que vai fazer com que a economia de forma organizada e planejada cresça, que seja bom para iniciativa privada, mas obviamente o estado vai est lá para regular essa relação desigual.
Em a economia crescendo, sendo bom para iniciativa privada, o estado tá lá para garantir que essa riqueza que foi gerada por toda a sociedade seja melhor distribuída, né? É isso que a esquerda defende, tá? Eh, e a direi defende que não, que naturalmente, né, quando essa riqueza for gerada, essa riqueza gerada vai ser distribuída por toda a sociedade.
Na realidade, quando a gente olha a história, a gente sabe que isso não acontece, porque, eh, a natureza humana vai sempre ser acho que eu gerei a riqueza, eu vou acumular essa riqueza. Inclusive, uma boa parte das riqueza que eu vou acumular, ela não vai voltar pra economia. Se ela virar patrimônio, renda, ela não volta pra economia, né?
E essa riqueza acaba se concentrando na mão de poucos, né? Sendo que a riqueza foi gerada por toda a sociedade, por dois motivos, né? você não gera riqueza sozinho.
Você precisa, eh, se você tem uma empresa, você precisou de todo, né, toda a sua força de trabalho para gerar aquela riqueza, das parcerias com seus fornecedores para gerar aquela riqueza, você precisou da ajuda do estado, principalmente as grandes corporações que são contra o estado e são contra estado para os outros, porque o Brasil dá mais de 800 bilhões por ano em benefícios fiscais, isenções fiscais para as grandes corporações. Então elas também precisam, né, do estado para ajudar o negócio dela a crescer. Só que quando a riqueza é gerada, essa riqueza fica só com os acionistas da empresa, né, com os donos dessas corporações.
E ela não é distribuída para quem ajudou a gerar aquela riqueza, inclusive os consumidores, né? uma empresa não que eu costumo brincar que o o Elon Musk aí é o ídolo de muita dessa gente e ele quer ir para Marte, vai lá para Marte, abre uma empresa em Marte, ele vai gerar riqueza, não vai, porque não vai ter quem produz para ele, não vai ter quem consome o que ele produzir. Então, eh, sobre esse ponto de vista macro, quando eu falo para vocês que é toda a sociedade que produz, é exatamente porque toda a sociedade ajuda a produzir e consumir aquilo que foi produzido.
Então, de alguma forma, toda riqueza é extraída da sociedade. É, e o que a gente defende, o que eu defendo é que essa riqueza que foi gerada, ela seja melhor distribuída e não seja concentrada. E esses 40, 50 anos aí quase, né, de dessa experiência neoliberal que tem provado se você pega os números que isso não aconteceu.
Esse discurso poderia até ser convincente lá na década de 80 do século passado, só que nós já estamos em 2025, no século XX, né? já mudamos até de século. Então, 45 anos dessa experiência, na realidade mostrou que se concentrou mais riqueza nesses últimos 40 anos, né?
A riqueza foi cada vez mais concentrada, a desigualdade aumentou muito, aumentou muito a pobreza, cada vez mais, menos pessoas ficando cada vez mais rica e mais pessoas ficando cada vez mais pobre. Então, se era um discurso convincente lá na década de 80, hoje já não deveria ser mais. E a história já provou isso.
Então, o que a gente nós precisamos, né, conscientizar enquanto sociedade é que a gente precisa mudar esse modelo para que a grande maioria das sociedade seja beneficiada pela riqueza que ela gerou, a sociedade como um todo gerou. Então é isso que eu defendo, tá? Então, sobre ponto de vista de direita e esquerda, do ponto de vista de desenvolvimento de economia, essas seria as diferenças.
tem aí aqui essas, infelizmente, né, vira pauta em toda a discussão, que é essa pauta dos costumes, que aí isso é muito pessoal de cada um e a gente não deveria estar discutindo isso. Eu eu sou a favor de que as pessoas têm que ser livre para ser feliz da forma que elas quiserem, né? A gente não deveria, mesmo você sendo contra, você não deveria ficar tornando isso como se isso fosse a coisa mais importante que vai levar nossa sociedade em frente, não é?
Mas é um discurso mais fácil, um discurso, digamos assim, te pega mais pelo fígado, né? Então é um discurso mais fácil de você aglomerar grupos, de polarizar a sociedade nessa discussão, que não é a discussão mais importante que a gente tem que ter, né? Então, so ponto de vista macro, cada um seja feliz do jeito que quiser, desde que siga as as leis, né?
Desde que tenha siga as regras que a própria sociedade criou. E aí cada um é livre. E aí eu já mato toda essa essa discussão sobre sobre costumes, né?
Acho que todos nós, para quem acredita, né? Para quem é cristão, para quem acredita em outras religiões, para quem acredita no seu Deus, acho que para Deus todo mundo é igual, né? Independente eh das escolhas que ele faz na vida.
Se Deus existe, tá lá em cima, ele tá preocupado apenas se você é uma pessoa boa ou não. Não tá preocupado com suas preferências. Então, sobre essa pauta, eu acho que é isso que a gente acaba eh definindo, que não é essa pauta de costume que tem que tá polarizando a a gente deveria estar discutindo modelos econômicos de tornar a nossa sociedade mais justa.
Eh, então, muito obrigado por sua pergunta. Eu sei que tem muita gente que me segue aqui, que se considera de direita, mas que ainda tem, né, essa capacidade de ter um pensamento crítico, de refletir vários pontos de vista que ainda não tá nessas bolhas aí, que às vezes as pessoas não quer nem escutar, né, o que o outro tem a falar. E por isso, eh, eu agradeço novamente, né, que você tenha dado essa oportunidade da gente falar sobre isso, tá?
OK, Guilherme aí de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Tenho grandes amigos aí no Rio Grande do Sul. É um forte abraço para você e espero, né, ter ajudado aí a estimular ainda mais, né, essa reflexão que você já vem fazendo, tá?
Ok, Guilherme, muito obrigado.