O que é História Milenar? Até quanto uma cultura pode se adaptar ao momento e ainda assim, se manter a mesma? Essas são apenas algumas perguntas que podemos nos fazer quando estudamos com mais detalhes sobre a História da China.
Meu nome é Vitor Soares, eu sou professor de História, e seja muito bem-vindo ao História em Dez Minutos. Em poucos minutos eu vou resumir pra você toda a História da China. Meu nome é Vitor Soares, eu sou professor de História, e seja muito bem-vindo ao História em Dez Minutos.
A primeira coisa que precisamos pensar para falar da China é o período em que começou a habitação humana naquele território. Alguns estudiosos dizem que a Pré-História Chinesa começou por volta do ano 550 mil e 300 mil a. C.
. O território foi habitado pelo Homem de Pequim, uma subespécie do Homo Erectus que foi descoberta em 1927 na região de Zhoukoudian e que sabia manejar o fogo e a pedra. O Norte era formado por florestas densas, e achados arqueológicos indicam que nessas regiões os nativos praticavam a chamada Cultura de Yangshao, que consistia em domesticar animais como cães, porcos, ovelhas, cabras e vacas para o consumo local.
Pouco a pouco foi surgindo a necessidade de uma organização social mais complexa e a origem da organização política da China está ligada a uma mitologia. Essa mitologia serve para explicar como um agrupamento de clãs passou a obedecer a uma dinastia política. O mito fundador das dinastias chinesas geralmente é atribuído a um homem chamado Yu, O Grande, que foi responsável por liderar alguns clãs no leste da China no ano de 2070 a.
C. . Acredita-se que foi a partir dele que a dinastia Xia foi fundada.
Por volta do ano 2697 a. C. , um homem chamado Huang Ti, passou a governar a China.
Ele recebeu o apelido de Imperador Amarelo por sua associação ao Rio Amarelo. A proximidade com o rio permitiu um desenvolvimento muito importante da agricultura de subsistência baseada em grãos. Até esse momento, a dinastia chinesa era governada por uma monarquia hereditária, ou seja, o poder era passado de pai para filho.
Vai ser um descendente do Imperador Amarelo que vai mudar essa relação. O imperador Yao vai colocar em prática um governo de aristocratas, que significa colocar as famílias consideradas mais nobres no poder político, outro feito de Yao foi conseguir controlar as cheias que estavam acontecendo no Rio Amarelo e destruindo todas as plantações. Conseguir controlar uma situação como essa colocou Yao em uma posição de ser considerado o representante de uma divindade aqui na terra.
Na verdade, os líderes dos clãs na China nesse período eram considerados Filhos do Céu, e eram adorados como deuses. Com o passar dos anos, a Dinastia Xia foi substituída pela Dinastia Chin, que estava mais ao centro do território da China que conhecemos hoje. Por conta dessa vantagem geográfica, eles tinham contato tanto com as etnias mais ao Leste quanto os povos ocidentais da Ásia.
Além disso, os Chin começaram a construir alguns muros para se protegerem dos povos nômades ao norte, sabe aquela Grande Muralha da China que nós conhecemos hoje? Então, a gênese dessa ideia de se protegerem a partir de grandes muros começou com os Chin. O grande líder dessa dinastia se chamava Shi Huangdi e é considerado o primeiro imperador da China, ele foi responsável por unificar os outros reinos da China que basicamente guerreavam entre si.
Além da guerra, a forma que ele usou para unificar os clãs foi colocando dois homens de sua confiança em cada província. Somando a isso, Shi Huangdi unificou o idioma, a escrita e as unidades de peso e as moedas. Com essas mudanças administrativas e sociais, uma espécie de identidade foi se formando e temos aqui a unidade política do que irá se chamar China.
A Dinastia Chin foi tão importante que o nome China tem origem na nomenclatura dessa dinastia. Vai ser a partir dela que teremos uma aliança importante para a ideia de unidade entre os chineses: o Confucionismo, criado por Confúcio, pregava equilíbrio social e respeito às hierarquias, fortalecendo o poder imperial. Quando um império se sustenta na figura de um grande líder, quando ele morre, é provável que o Império passe um tempo enfrentando dificuldades e isso aconteceu após a morte de Shi Huangdi.
As crises só estabilizaram quando a dinastia Han assumiu o poder, aproveitando a unidade que o imperador anterior havia criado, o novo imperador chamado Wu colocou a China em uma posição de destaque no mundo daquele período. Com o crescimento econômico, o Imperador fez uma série de reformas internas possibilitando um crescimento ainda maior do seu reino. Wu fez uma pequena reforma agrária, permitindo que essa prosperidade fosse sentida por mais grupos sociais.
Outra identidade da Dinastia Han foi a chegada do Budismo, que acabou ganhando espaço na China. A entrada do dessa religião simboliza a mudança de um período de prosperidade e unidade entre os chineses. Com todo crescimento econômico, as províncias mais afastadas do centro do Império foram se tornando cada vez mais poderosas, reivindicando protagonismo em relação à administração central da dinastia Han.
Brigas internas, corrupção, conflitos por terras e pelas rotas comerciais foram alguns dos motivos que destruíram a dinastia Han. Após a queda dessa dinastia, a China viveu 400 anos de fragmentação. No ano de 618 d.
C. a dinastia Tang subiu ao poder na China, durante quase 300 anos à frente da China, os Tangs conseguiram reabrir as rotas comerciais para fazer com que a China voltasse a interagir com outras partes do mundo. Foi durante a dinastia Tang que uma mulher liderou o país!
A imperatriz Wu Zetian foi a única mulher da China Imperial a sentar no trono e governou entre 690 e 705 d. C. , mas sofreu oposição por ser mulher, contrariando princípios do confucionismo.
Para se manter no poder, Wu Zetian ordenou que alguns monges escrevessem um livro de interpretação do budismo, onde ela teria legitimidade à frente do Império Chinês. Séculos mais tarde, perto do ano 900, vários conflitos internos e rebeliões camponesas fizeram com que a dinastia Tang caísse e mais uma vez o Império Chines ficaria fragmentado. Porém, dessa vez essa fragmentação representou uma grande derrota militar, deixando a China vulnerável para outros impérios e infelizmente essa característica marcou um longo período de invasões contra os chineses.
Uma dinastia chinesa só retomou o controle da nação em 1368 com a chegada ao poder do Zhu Yuanzhang, que inaugurou a dinastia Ming, responsável pela urbanização de parte da China. Eles governaram a China até o ano 1644, quando a dinastia Qing tomou o controle, e essa representou a última dinastia da história da China Imperial. Nos dois primeiros séculos da dinastia Qing, a China manteve seu ritmo de crescimento e importância no cenário asiático.
Porém com a morte do Imperador, a dinastia Qing viu seu poder e influência enfraquecer cada vez mais, ao mesmo tempo que a influência de países ocidentais aumentava no Império. No século XIX a China se tornou um alvo fácil para o imperialismo de países como Inglaterra que estavam expandindo sua influência internacional. Nesse mesmo período a China enfrentou guerras e conflitos, como as Guerras do Ópio.
A derrota dos chineses nesses conflitos enfraqueceu a monarquia. Esse enfraquecimento resultou em uma revolução, conhecida como Revolução de 1911, que representou o surgimento de um movimento republicano e nacionalista na China contra o Imperador Pu Yi. Foi a partir dessa revolução que Republicanos e Nacionalistas conseguiram derrubar de uma vez por todas a Dinastia Qing e fazer com que a China não fosse mais governada por um monarca, o país passou a se chamar República da China, que foi liderada por Sun Yat-Sem e Chiang Kai-Shek Ambos faziam parte do Partido Nacionalista Chinês, conhecido também como Kuomintang.
Os nacionalistas governaram a China nos primeiros anos da república e lidaram com uma série de crises políticas. Durante esse processo, a China era reconhecida internacionalmente como uma República, mas internamente sua política estava completamente fragmentada, pois elites locais aproveitaram esse momento de instabilidade para exercer um governo paralelo em suas regiões de influência. Na década de 1920, o partido Comunista se organiza sob a liderança de Mao Tse Tung, por um certo período, Nacionalistas e Comunistas trabalharam juntos pela unificação da China, mas quando o objetivo em comum foi alcançado, as diferenças ideológicas ficaram mais claras e os dois grupos começaram a lutar entre si.
Os conflitos escalaram e em 1927 começou a Guerra Civil Chinesa, disputada entre Nacionalistas e os Comunistas. Mesmo tendo o apoio político de forças internacionais, os Nacionalistas não conseguiram evitar uma derrota. Para evitar um massacre, o Partido Kuomintang se deslocou para Taiwan e declarou que Taipei seria a nova capital da República da China.
Quando os Comunistas conseguiram vencer o Partido Nacionalista, Mao Tse-Tung inaugurou a República Popular da China! A partir desse momento ambos os lados afirmavam que existia apenas uma China! Assim que Mao e o Partido Comunista tomaram o poder, começaram a fazer uma série de reformas estruturais no país.
O projeto foi chamado de “Grande Salto a Diante”, lançado em 1958. Ao partir para o desenvolvimento da indústria pesada e de armamento, a China conseguiu criar sua primeira arma nuclear em 1964. Poucos anos depois entrou na corrida espacial, colocando seu primeiro satélite em órbita no ano 1970.
Em 1960 um chinês vivia aproximadamente 40 anos e nas duas décadas seguintes esse número chegou a 66 anos! O que levantava esses índices eram as políticas sociais de redistribuição de terras e renda, que após anos de erros estratégicos e mortes, enfim deu certo. Quando Mao Tse Tung morreu em 1976, a cúpula do Partido Comunista Chinês escolheu Hua Guofeng para sucedê-lo, mas ele ficou no poder por pouco tempo.
Com uma postura mais conservadora, Guofeng colocou fim à Revolução Cultural. Por mais que Guofeng tenha dado um passo atrás na repressão política, sua insistência em não abrir mão do maoísmo fez com que ele conseguisse alguns adversários dentro do Partido Comunista. Um político chamado Deng Xiaoping, se tornou uma voz importante dentro do Partido, ao ponto de conseguir articular a saída de Guofeng através de uma espécie de golpe.
Deng Xiaoping colocou o país em um rumo completamente novo, a partir da década de 1980 a China se abriria para o mundo e com isso vai iniciar um dos debates mais complexos que existem até hoje, que é a existência de capitalismo ou de socialismo dentro do mesmo país. Em 1989 diversos estudantes e outros membros da sociedade civil foram para a Praça da Paz Celestial onde jovens protestavam contra a falta de liberdade de expressão no país e a dificuldade de terem acesso às informações do governo. O Exército dispersou os manifestantes, resultando em centenas de mortos e feridos De acordo com algumas estimativas, o número de vítimas pode ter chegado a casa dos milhares.
Após esse acontecimento, a China deu uma resposta tanto interna quanto externa e fez isso a partir da administração de Jiang Zemin e Zhu Rongji, durante a década de 1990 o PIB chinês cresceu a uma média de 11,2% por ano! Em 2001 o país aderiu à OMC, Organização Mundial do Comércio, se colocando ainda mais para negociações com diferentes países. Ao longo do século XXI, a China tem estreitado seus laços com diversos países, se tornando o principal parceiro comercial de várias nações, inclusive o Brasil.
Ao analisar a história da China nessa longa duração, fica evidente que estamos tratando de um povo que sempre buscou unidade e estabilidade, mas isso foi alcançado de maneiras diferentes ao longo do tempo. Essa dinâmica mostra que a China não tem só uma história milenar, mas também um futuro próspero e otimista, mas esse já é um papo para outro vídeo… Se você aprendeu algo comigo, considere se inscrever no canal e curtir o vídeo no YouTube. Se você estiver assistindo no Spotify, clique em “seguir” e avalie a gente com 5 estrelinhas aí se puder.
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