Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, celebramos hoje a memória de São Martinho de Tours, este santo extraordinário, modelo de leigo, de monge, de padre e de bispo.
Quem foi São Martinho de Tours? Ele nasceu numa família pagã na Hungria, no entanto, já com 11 anos de idade, quis ser cristão, mas o seu pai não permitiu que ele se convertesse, mas ele, mesmo assim, escondido do pai se inscreveu entre os catecúmenos. Quando o pai soube disso alistou-o no exército para que ele fosse dissuadido de seguir como cristão, ele então, com apenas 15 anos de idade, tornou-se sub-oficial do exército romano, foi mandado para a Gália, atual França e ali ele começou a desempenhar o seu papel como soldado.
Foi exatamente nesta época em que ainda era catecúmeno, portanto não era ainda nem batizado, que se deu o famoso episódio que é narrado todos os seus biógrafos: São Martinho, com cerca de 20 anos de idade, oficial romano, ali na cidade de Amiens, na França, vê um pobre no frio, no gelo, na neve, tiritando de frio, ele então, soldado, tira a sua espada, corta metade da sua capa e dá ao soldado para que ele se agasalhe. De noite, Martinho tem um sonho e então no sonho ele vê o Cristo com a sua capa no ombro e diz: "Martinho catecúmeno, me agasalhou no frio", é assim que esse homem pouco tempo depois, pede para sair do exército. O Imperador que era cristão achou que ele queria fugir da batalha, Martinho heroicamente diz: "é o seguinte, então me coloque na frente da batalha, sem capacete, sem nada e eu irei lutar e voltar ileso e depois você verá, eu não estou fugindo da batalha, eu só quero me dedicar a Deus".
Deus milagrosamente poupou Martinho desta morte porque houve uma trégua, a paz contra os adversários e portanto não houve a batalha. No entanto, Martinho consegui ser liberado do seu serviço no exército e então se dedicou como monge. Ele voltou para sua terra natal para tentar converter os seus pais, converteu a mãe, infelizmente não consegui converter o pai e depois como missionário, depois de ter se dedicado também a um tempo à vida contemplativa numa das ilhas do Mar de Reno, ele volta para a França aos 45 anos de idade e ali se torna apóstolo e missionário também no solo francês.
Não queria de jeito nenhum ser bispo, foi então raptado pelo povo e sagrado bispo de Tours. Interessante nós vermos como a humildade de São Martinho que queria ser simplesmente missionário e sacerdote, ali é colocado como bispo, combate os hereges, fortalece a fé e finalmente, com 81 anos de idade, entrega a sua alma a Deus. O seu biógrafo Sulpício Severo na narrativa de sua vida que se encontra na leitura do Ofício das Leituras do breviário, nos conta a morte edificante de Martinho.
Com 81 anos, já combalido de tantos trabalhos e tantos sofrimentos, ele sente que vai morrer, então avisa aos monges e irmãos que estão lá que ele irá então entregar a sua alma a Deus dentro em breve. O povo, comovido, chora lágrimas, dizendo "Pai, por que vai nos deixar? Por que nós vamos ficar aqui entregues aos lobos vorazes?
Por que não ficas conosco? A tua glória no céu já está garantida. .
. " Então Martinho diz uma palavra edificante, ele diz diante das lágrimas dos irmãos diz: "Não recuso trabalho", aos 81 anos de idade, "não recuso trabalho". Mas embora ele generosamente tenha aceitado ficar aqui neste mundo, era chegada a hora e então Martinho se entrega a Deus e morre calmamente entrando na paz e na recompensa dos justos.
Agora vejam, a Igreja, que venera São Martinho, um dos primeiros santos a serem venerados sem ser mártir, aqui nos coloca um exemplo, um exemplo de dedicação de homem que viveu quase que todos os estados de vida e nos coloca como magnífico exemplo de generosidade, embora homem de Deus, com a recompensa garantida, não recusa o trabalho. Sigamos o exemplo de São Martinho, sua grande caridade e amor por Cristo. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amém.