Olá, seja bem-vindo a mais um vídeo do canal. E seguinte, eu quero continuar a conversa do que eu já comecei ali nos outros últimos vídeos sobre o inevitável, sobre o portfólio, sobre a jornada de 2026, só que sem cair naquele lugar repetitivo que a gente já falou mil vezes aqui no canal, porque tem um ponto que eu acho que talvez vamos falar de um verdadeiro gargalo e o gargalo do momento, só que eu acho que quase ninguém tá falando e se estão falando talvez não estejam falando direito ou eu não tô encontrando. Então, se você souber, me fale, mas portfólio é evidência, só que evidência empacotada, como eu falei no vídeo anterior, ele importa.
Só que o que vai decidir a tua vida não é o portfólio. É o que acontece na terça-feira, no meio da correria, quando tem prazo, tem pressão, tem não dá, tem dependência técnica, tem reunião demais e o teu trabalho precisa sobreviver. E tudo isso sem virar nada, sem virar fumaça, porque tem muita gente boa fazendo coisa boa.
Isso é óbvio. Só que talvez ninguém perceba, não porque o teu trabalho é ruim, mas porque o trabalho tá sumindo, porque o trabalho não tá sendo guardado, memorizado. Ele não tem, ele não cria reputação, ele não gera, ele não vira confiança nisso.
E aí vamos lá, vamos falar o incômodo do vídeo. Agora minha meta é sempre trazer um incômodo em algum vídeo. Eu acho que tem muitas pessoas de design vivendo como se o trabalho fosse só produzir, só entregar, só.
Tá aqui a tela. E em 2026, isso é o caminho mais curto para virar um fornecedor interno. Aquela pessoa que executa bem, manja de design, mas que ninguém coloca na conversa que é importante, na conversa de decisão.
Eu nem vou falar de conversa estratégica, porque isso daqui para mim é um tendão de Aquiles. A estratégia, eu morro de medo de tocar sobre isso. Então, hoje eu quero te dar uma coisa bem prática.
Não é tese. Eu quero te trazer talvez um conjunto de microábitos pequenos mesmo assim de bastidor que podem ajudar o teu trabalho a melhorar sem você ficar performando senioridade. É literalmente você mudar o jeito que talvez você fala, que talvez você registra e que talvez feche uma visão de decisão.
Só que antes disso tudo, se inscreve aqui no canal, dá o like, aperta o sininho, porque isso daqui ajuda demais. E eu gosto de conversa, mas como eu já falei, de conversa inteligente. Então bora paraa vinheta.
Beleza? Vamos lá. Eu vou começar com uma metáfora bem simples.
Trabalho de design sem sem rastreabilidade é igual um perfume numa sala aberta. Você sente na hora, só que em 10 minutos depois já era. Não dá para apontar, não dá para defender, não dá para repetir.
E eu acredito muito que o mercado tá com alergia a perfume e o mercado quer trilha, quer prova, quer previsibilidade. Por que que eu usei a metáfora do perfume? Porque eu descobri a diferença entre perfume, perfume e aquilo que f dura rápido.
É por isso que eu usei a metáfora. Foi mal. Mas é aqui que entra uma frase que eu uso muito, até comigo mesmo, quando eu sinto que eu tô trabalhando demais e aparecendo de menos.
Não é sobre trabalhar mais, é sobre talvez deixar o trabalho ah encontrável, rastreável. Rastreável é exatamente quando alguém consegue responder três perguntas sem te chamar no chat. O que foi decidido?
Por que foi decidido e o que acontece agora? Se o seu trabalho não tá respondendo isso, você vai virar aquele tipo de pessoa que é boa, mas dá trabalho. E ninguém fala isso na sua cara.
Não vão falar isso para você. só vão te colocar para fora das decisões. E isso se não acontecer, pior que é uma demissão, porque nunca vai ter um feedback direto que vai te falar, você vai ficar ali no ar, esse tipo de coisa, porque as pessoas nem sabem falar isso.
Então eu quero te entregar aqui três coisas para você testar amanhã no teu contexto, sem planilha, sem template, sem framework em PDF. É uma conversa que eu acho que talvez seja útil, que eu tenho aplicado para mim. A primeira é recorte.
Vamos lá. Muita gente entra numa conversa e tenta abraçar o universo. Parece até maturidade, né?
Até porque tem empresa que olha dessa forma. Ah, porque tem vários cenários, várias personas, várias possibilidades. Só que na prática isso vai virar sujeira, ruído.
E ruído vira paralisia. E paralisia vira, ah, legal saber disso, depois a gente vê, depois a gente fala. Então, o primeiro hábito é sempre que você chegar numa discussão, você recorta o problema em uma frase do jeito mais seco possível, sem floreio, sem palavra difícil, sem termos de design.
Por exemplo, você pode falar assim, um exemplo aqui, o que a gente tá tentando mudar aqui é esse comportamento. Só isso, só aponta isso. E se você quiser um truque muito simples para não viajar, usa uma pergunta que parece boba, mas ela é inteligente.
Por exemplo, o que a pessoa faz hoje e o que a gente quer que ela faça depois? Se você não consegue responder isso, você não tem problema definido. Mas daí o que que você gera assunto?
Olha só, não é se colocando como uma pessoa, olha como eu sou inteligente, não, mas é mudando uma estratégia de comunicação. E eu sei, tem produto que é complexo, tem regra de negócio, tem exceção, tem legado. OK, OK, OK, eu sei.
Mas recorte não é negar complexidade. Recortar dessa forma, como eu falei, é escolher por onde entrar para não morrer no lugar secreto ali no abismo. Então, microacionável.
Amanhã, na primeira reunião em que você sentir que o assunto tá se espalhando, você pausa e fala: "Posso só recortar? " Porque se a gente não recortar, isso vai virar uma conversa infinita. E você manda a frase do comportamento atual e do comportamento desejado que eu acabei de falar.
E pronto, ponto importante aqui pra gente pensar, né? Isso te faz parecer mais sior? Não, não é isso.
Isso na real é te faz ser mais útil. E utilidade para mim agora é o que, querendo ou não, reconstrói reputação. Então é muito importante você ter isso, não é senioridade, tá?
É utilidade. A segunda coisa aqui que eu quero também te provocar é sobre DOF. E aqui eu vou ser muito direto.
Design que não fala sobre tradeof é design amador, seja o que você quiser chamar. E desculpa, mas é verdade, porque o mundo é escolha. Toda escolha piora alguma coisa.
E quando você não verbaliza o que você piorou, você passa a sensação de que você não entendeu o custo. E eu falei disso no portfólio, lembra? Eu comentei lá, pô, qual é o tradeoff no seu portfólio?
Você tem que ter isso e isso na real tem que estar no seu dia a dia. E é exatamente por isso que muita pessoa de design, mesmo talentosa, não vira referência em produto, porque ela chega com a solução legal, bonita, pronta e não consegue explicar o preço disso, porque tudo tem preço, não tem como. Então o teu hábito aqui, esse número dois que eu quero te provocar, é toda vez que você fizer uma recomendação, você coloca o tradeoff na mesa como parte da entrega, não como desculpa, porque sempre vai ter tradeoff, não tem como.
Pacto, legado, tempo, prazo. Então, fala assim: "Se a gente for por esse caminho, a gente ganha isso e a gente vai perder aquilo e pronto. " Não precisa dramatizar, você não precisa pedir perdão.
é só honestidade operacional. Eu tô aprendendo isso com o meu trabalho. As pessoas de outra cultura, de outro país, estão me ensinando muito sobre isso.
Assim, eu tô aprendendo pra caramba. E puts, isso é um baita insight. E aqui entra uma coisa que eu gosto muito, porque ela é uma maneira simples de conectar estética à experiência em negócio, sem ficar naquela conversa vazia.
A estética importa, a experiência importa, sim. Mas no fim do dia, o resultado que a empresa mede é o negócio. E negócio é consequência de decisão e de decisão bem tomada sob restrição.
Não é discurso bonito, é corte, é prioridade. É ser adulto, uma discussão corporativa de uma empresa que deveria ser empresa. Então o micro acionável aqui é pega uma entrega tua recente, qualquer uma, e tenta dizer em voz alta qual foi o tradeoff.
Se você travar é porque o tradeoff ficou implícito. E tradeoff implícito vira risco, porque ninguém vai descobrir o custo depois. E se descobrirem vai ser do pior jeito possível.
E aí, design tá ali colocado de canto. Terceira coisa, fechamento. E aqui mora o verdadeiro motivo de muita pessoa sumir dentro da empresa.
Ela participa, ela pesquisa, ela desenha, ela propõe, ela facilita, ela faz workshop, ela usa postite no fig, no muro ou no miro e ela faz tudo, só que ela não fecha. E não fechar em produto é sofrimento lento, porque quem fecha a decisão vira referência. Quem não fecha vira suporte.
E eu sei, tudo bem, existe questões culturais dentro de empresas que tem empresas que adoram não fechar. Eu sei bem que é isso, mas não seja você. Então eu quero te dar um hábito bem simples, que até pode parecer burocrático, mas na real é o contrário.
Ele talvez te dê liberdade. E olha que liberdade hoje em dia dentro de empresa é algo que não tem preço. Toda conversa que termina você precisa sair com três linhas.
Três. Eu vou falar como se fosse um roteiro de mensagem mesmo para você copiar e colar no Slack, no Teams, no e-mail, no Notion, onde você quiser tatuar. Eu tatuei uma frase aqui, ó.
Então, a primeira linha, linha um, decisão. Vamos pôr X, linha dois, por quê? Porque o risco maior é Y e o tradeof aceito é Z.
Linha três. Próximo passo, fulano faz tal coisa até tal dia. Acabou.
São essas três frases. Não é documento, não é, não é ata de reunião, é como eu posso chamar trilha. Isso.
E se você tá pensando, nossa, além de frases estranhas, são tão simples. Sim, exatamente. A maioria das pessoas não faz o simples porque acha que é estranho.
A maioria deixa tudo no ar e tudo que vira no ar vira política, vira disputa de narrativa, vira eu lembro diferente. Ã, vira retrabalho, vira desgaste. E adivinha quem fica com a culpa, quem não deixou rastreabilidade.
Rastro. Então, para você acionável amanhã você vai mandar pelo menos duas mensagens de três linhas. Duas, duas linhas, só isso.
E você vai perceber uma coisa meio mágica. As pessoas começam a te procurar não para perguntar: "E aí, como tá? " Mas para pedir direção.
Porque você de alguma forma levantou um questionamento que deu clareza na discussão ou provocou isso. Então, logo você pode virar um ponto de clareza para as pessoas. Simples assim.
Então agora deixa eu eu juntar tudo isso, inclusive inclusive com os últimos dois vídeos que eu gravei, o de inevitável de 2026 e o de portfólio. Lá no vídeo de 2026, no inevitável que a IA vai expor você, vai expor generalismo vazio, vai expor discurso sem prática, vai expor área de design que vive na estética, como se isso resolvesse a empresa e a gente sabe, não resolve. Então, temos esse pacote daquele vídeo.
Já no vídeo de portfólio que eu falei, a ideia é a para de contar historinha, mostra restrição, mostra a decisão, mostra evidência, mostra a viabilidade, mostra tradeoff. Lembra? Se não lembra, assista os outros dois vídeos, faça esse exercício também.
Agora, esse vídeo aqui, ele é como se fosse a ponte, como você vira essa pessoa no dia a dia, não documento, não case na terça-feira. Eu não sei porque eu não gosto de terça-feira, gente. É por isso que eu tô falando de terça-feira.
Por portfólio é a tua narrativa do passado. Eu falei disso. Rastro é a tua narrativa do presente.
E empresa, óbvio, o presente vale mais e a gente quer garantir empregabilidade. Então agora eu quero trazer um ponto que talvez vai agradar quem já tá mais tempo na estrada, tem mais experiência, porque eu sei que tem muita gente experiente aqui, tem ou de que tá em imigração, que já trabalhou ou que, ou seja, tem experiência numa área pré e agora tá entrando ou já tem experiência em ex mesmo. Por quê?
Porque tem uma confusão que eu acredito que destrói muito senioridade. É achar que ser sênior é ter opinião forte, não é? Ser sên é reduzir a entropia, é reduzir bagunça, é reduzir ruído, é fazer o sistema funcionar melhor com você dentro.
E as pessoas confundem isso porque algumas culturas corporativas até pregam a forma errada. Isso não acontece com carisma, isso acontece com recorte, com tradeoff, com fechamento. Agora, se você tá começando, isso ainda é mais valioso, porque é o jeito mais rápido de você parar de ser a pessoa que faz tela e você começa a se transformar na pessoa que ajuda o time a decidir, a pensar.
Você não precisa de posição nível para isso. Você precisa de hábito. Começar a adotar esses pequenos hábitos que eu tô trazendo aqui.
E só para deixar claro, eu não tô te vendendo uma fantasia de faz isso e sua vida vai mudar. Não, o que eu tô querendo dizer é isso reduz risco percebido, isso aumenta a confiança, isso aumenta a chance de você entrar em conversas melhores e no longo prazo isso vai gerar reputação. E reputação, meu amigo e minha amiga, é o ativo mais valioso na carreira hoje em dia.
Se você não sabe disso, está sabendo agora, mas já deveria estar sabendo há muito tempo. Então, aqui nesse nosso terceiro vídeo do ano, eu vou fechar com um desafio bem curto de 7 dias, bem em pé no chão pr te ajudar a caminhar nessa visão e trazer uma questão mais prática. Nos próximos s dias, você vai fazer três coisas.
Você vai recortar pelo menos uma conversa por dia com a pergunta do comportamento atual e a do comportamento desejado. Você vai verbalizar um por dia, nem que seja pequeno. E você vai mandar duas mensagens das três linhas que eu passei por dia, fechando decisão com próximo passo.
Só isso. Se você fizer isso, você vai sentir uma mudança real. Ou pelo menos eu espero que você sinta.
Talvez aí nessa visão que eu estou esperando, o seu trabalho vai parar de ser perfume e vai virar trilha. Simplesmente isso. É um, estamos trabalhando aqui com experiências e vamos testar isso.
E comenta aqui embaixo uma coisa, qual desses três você mais falha hoje? Recorte, perdof ou fechamento? Eu quero entender o termômetro de vocês para montar os próximos episódios, os próximos vídeos, que vai ser sobre entrevista, sobre discurso, só que do jeito certo, não como responder pergunta, mas como sustentar a decisão sobre pressão, sem virar arrogante, sem virar defensivo, sem virar aquela pessoa que fala bonito e não prova nada.
Tudo isso nesse pacote de plano de ação aqui de conteúdo para você nesse ano. É isso. Um grande abraço e lembre-se, em 2026 quem sobrevive não é quem fala mais, é quem vai deixar elementos para que seja rastreável, rastro.
Olha, uma nova palavra para começar a adotar. Ciao.