[Música] [Música] essa é uma dimensão importante a reação das elites crioulas foi tão dura foi tão resistente em relação ao perfil desses imigrantes que chegaram à argentina foi uma reação tão violenta às vezes que a segunda geração ou seja os filhos desses imigrantes que viajaram para lá que atravessaram o oceano atlântico os filhos dos imigrantes muitas vezes procuraram se fazer assimilar pela sociedade argentina procurando incorporar a identidade procurando incorporar os códigos necessários para se tornar argentino e não mais um emigrante ali sempre externo sempre colocado de uma forma separada do restante da sociedade então esse
processo o processo também muito interessante observar por um lado esses imigrantes são combativos e por outro também a esse processo de um conflito de gerações em que os filhos procuravam se fazer melhor procuravam reconhecimento procuravam ingressar nessa sociedade enquanto muitas vezes a primeira geração era leal à sua pátria de origem afirmava a sua língua e afirmava os seus hábitos e afirmava os seus heróis e isso muitas vezes redundou em um conflito de gerações bom então falando um pouquinho agora sobre buenos aires como uma cidade que se moderniza na virada do século 19 para o 20
essa modernização como eu disse é uma modernização que se deve ao crescimento demográfico que se deve ao impacto dessa modernização econômica que vai diversificando as atividades que vai incrementando o papel do porto e ao mesmo tempo essa modernização se deve a novos hábitos ea novas configurações por bani chica e termos dos novos hábitos essas elites que antes viviam na grande aldeia nessa buenos aires pré explosão demográfica nesta buenos aires ainda de um momento em que ela tinha sua importância mas se valorizavam com as províncias ainda não era uma elite plenamente vitoriosa muito bem há nessa
elite que antes dizia uma vida muito fechada de hábitos que praticamente se restringiam às saídas dominicais para ir à igreja o catolicismo é uma referência importante eram famílias que se visitavam e que se conheciam assumidas tradicionais da cidade eram famílias que tinham nome sobrenome e podiam ser facilmente evitadas essa situação se transforma a partir de 1880 essas famílias então são famílias que também vão se multiplicar e já não são aquelas poucas famílias facilmente identificáveis essas famílias enriquecem de uma forma extraordinária e assumem hábitos de ostentação essa sustentação está presente em toda a literatura que descreve
buenos aires nesse período essa buenos aires deixou nada dela toca por exemplo um livro que foi escrito na época na argentina no início do século 20 da copa daqui a pouco vou falar um pouquinho sobre a indústria editorial e vou voltar a esse desinteresse livro se chama estela foi escrito sob o pseudônimo de sesa do rn mas na verdade foi escrito por uma mulher chamada íman de la barra e ele foi publicado por uma coleção de livros lançada pelo principal jornal argentino la nacion essa coleção foi lançada pelo jornal nacional em 1901 e ela ela
se chamava a biblioteca de lá nacional a biblioteca de la nación era uma coleção que editou ao longo de praticamente 20 anos biblioteca aqui no sentido de colecção muitas vezes as coleções argentina levavam o parquímetro risco porque o mano do jornal lance levava o nome de biblioteca essa coleção lançada em 1901 foi uma coleção que ao longo de 20 anos editou mais de 800 tipos mais 800 títulos ea tiragem desses títulos era uma tiragem grande sendo que dos 800 e poucos títulos publicados costela foi um verdadeiro bes é bem foi provavelmente o livro mais vendido
de la nación la nación publicou muitos livros estrangeiros ou livros da espanha publicados agora também na argentina ou livros escritos em outros idiomas traduzidos ao espanhol e ao lado dessas desses livros estrangeiros publicados agora um louco a biblioteca bela nação também publicou autores nacionais alguns poucos autores nacionais houve mais autores estrangeiros do que os autores nacionais isso é muito interessante porque a biblioteca nacional ajudará a criar espaço para que escritores nacionais publicassem no seu próprio país no século 19 era muito comum que um escritor argentino fizesse publicar a sua obra no exterior o host por
exemplo que foi um escritor argentino defendia muito desde sempre publicou seus primeiros romances na espanha ele gente que publicou os romances na frança não havia casas de edição que dessem conta dessa nova demanda e la nación então abriu esse espaço para esse tipo de afirmação de uma literatura nacional não é atoa 'que não claro que tem razão exclusivamente disso né a questão é complexa e há várias razões para isso mas não é boa que a literatura argentina vai ganhando força e dinamismo nesses anos 1910 e nos anos 1920 a literatura argentina seja uma literatura nacional
argentina já tinha um furor extraordinário grandes escritores muitas revistas muitos livros publicados em loco ea literatura argentina afirma portanto a sua vitalidade já nos anos 20 é claro que esta força da literatura nacional argentina esteve também relacionada às oportunidades do mercado editorial que se desenvolveram a partir de princípios do século 20 a via já como eu disse impressores editores no século 19 mas a partir do início do século 20 isso aparece com mais clareza e depois na década de 1970 com a guerra civil espanhola a argentina praticamente substitui a espanha como principal centro de edição
de livros em espanhol a espanha mergulhada na guerra civil e as editoras argentina assumem esse lugar ao mesmo tempo em que exilados da guerra civil vieram da argentina ou para fundar editoras ou trabalhar em editoras que já existiam e ajudaram então as editoras argentina já dá um salto ainda maior bom voltando ao estela que tem a ver estela contudo estela é um dos romances escritos no ano de 1905 e um romance que também faz referência a essa prática ostentatória que se torna comum as oligarquias argentinas especialmente a essas oligarquias sediadas em buenos aires a partir
da virada do século 19 para o 20 essa tentação se manifestava de diversas formas se manifestava por exemplo na prática de se viajar à frança uma vez por ano praticamente levando se presta temporada na frança a família inteira junto e muitas vezes inclusive está em vários autores levando também uma vaca para garantir que as crianças teriam o leite argentino garantindo né isso citado sempre como um exemplo dos excessos praticados por essa oligarquia então essa vida para a frança por alguns meses por ano ea vaca junto para fornecer o leite ao mesmo tempo essas garantias passam
a mudar de bairro a construir a si novas casas por exemplo na praça san martín é um lugar nobre da da cidade de buenos aires mas que não era só um nobre assim no final do século 19 quando ainda buenos aires era uma grande aldeia a praça san martín vai se tornar um lugar de elite um lugar elegante um lugar sintonizado com as novas tendências da arquitetura em virtude também da entrada dessas elites que constroem para se verdadeiros palacetes muitas vezes palacetes encomendados arquitetos franceses paris era a grande referência e esses palacetes então com todo
um estilo arquitetônico ses abrigam essas elites em novos bairros que têm praças separando as casas em que essas elites podem passear podem desse lar e o que é característico também nesse momento é uma valorização do espaço público em que essas pessoas podiam aparecer podiam se mostrar que podiam se fazer admirar pelos transeuntes e ao mesmo tempo em que elas caminham pelas calçadas caminham pelos parques e as calçadas largas e os parques e as praças vão fazendo parte dos investimentos públicos urbanístico em buenos aires especialmente no ano de 1902 um tutor 4d a lear é responsável
por uma reforma urbanística que não começa aí que já vem acontecendo antes mas em 1902 o torquatto de a lear de fato implementa mudanças importantes na organização da cidade de buenos aires que obedecem ao modelo da reforma urbanística de paris nos anos 1860 a reforma em cabeçada como vocês sabem pelo hausmann pelo osman como dizem os franceses e assim como em paris a reforma urbanística de buenos aires tem um propósito fundamental que é o de tornar a cidade permeável transitável elegante com simetria entre as ruas com ruas e avenidas que desembocavam em grandes praças com
toda uma concepção de uma cidade que se harmoniza no seu conjunto e nessa harmonia não cabem vielas tortuosas casas que se amontoavam grudadas umas nas outras não cabem ruas em que a ordem pública não pudesse passar vigiar e portanto transitar aquela reflexão toda que vem do sul co ea vários autores que se inspiram focou para fazer esse tipo de reflexão a respeito de estratégias de controle social estratégias de normatização dos costumes dos hábitos das formas de morar das formas de se portar tudo isso está relacionado a essas reformas urbanísticas que aconteceram em várias partes do
mundo que aconteceu em paris em buenos aires e por exemplo no rio de janeiro como vocês sabem não seja esse critério da elegância esse critério da da visibilidade do espaço aberto que as pessoas os cidadãos pudessem deste lar em com condutas condizentes com esse novo momento condizentes com essa concepção de cidade do público de elegância da civilidade então esse é o tecido urbano deveria permitir favorecer esse tipo de conduta dos cidadãos normatizados e aqueles que fugissem a norma aqueles que fugissem anormalidade deveriam ser corrigidos e é por isso que as instituições todas de controle da
anormalidade ganham espaço nesse momento então a sanatórios para os loucos a orfanatos para as crianças abandonadas e assim por diante todos aqueles que escapavam a esse ideal de sensibilidade dos cidadãos deviam ser enclausurados e deveriam então ser objecto de uma intervenção normatizadora quem faria essa intervenção normatizadora e quem dizia que era normal e que não é quem não era que tipo de critério e servia para se definir esses padrões de normalidade como você também já sabem por que esse é um tema que aparece em relação às várias disciplinas e aos vários países do mundo nessa
virada do século 19 para o 20 o parâmetro para essa intervenção era a ciência e quem fazia a intervenção fazia em nome da ciência em nome de um conhecimento científico objetivo técnico que estabelecia a linha de fronteira entre louco e aquele que era são entre a criança comportada e à criança diz regrada entre as mulheres de bem e as prostitutas nem há toda uma ação contra a prostituição como vocês sabem também todo um discurso enfim para sanar essas regiões de boemia de bagunça de enfim de um mundo que escapava a esse conceito de normalidade de
civilidade de ciência de clareza e por isso é que a cielo as tortuosas não eram bem vistas porque era preciso que a cidade pudesse ser observada é aquela imagem do focou a respeito do panóptico se em que todos se sentem vigiados e isso seria o mais eficaz de todos os poderes porque é um micro poder que na verdade o sujeito em projeto é a partir do momento em que ele projeta pode não tem ninguém olhando mas ele se auto policia então essa função também se aplica a uma reflexão sobre a reforma urbanística em curso em
buenos aires no espeto com o tempo essa população dos conventions também vai ser de alguma forma dispersa e os conventions com utilizados considerados hábitos insalubres considerados imorais imagine a família inteira piada no quarto só não pode tem que separar isso tudo vai também entrar em cena em relação aos com 22 e aos poucos na medida em que bongi se difundiu em buenos aires poucos setores populares tiveram a possibilidade de morar em bairros mais distantes do centro o bonde fazia essa comunicação conceito e quando ele se fixam em bairros mais distantes já o padrão de moradia
o padrão de comportamento em relação a esse espaço privado era outro ea tudo muito interessante sobre isso a gente vai voltar a esse assunto no curso de américa 2 ele acontece em relação à frança por exemplo nos livros da michele pirro quando ela mostra o que são esses camponeses que vieram do campo para morar nos cortiços de paris no início do século 19 e quem eram esses camponeses em paris no final do século 19 e ela também mostra essa mudança de padrão de moradia de organização da família em quando há a lógica normatizador era e
ainda a fábrica que vem de uma normatização que traz disciplina para a vida do trabalhador para além dos muros da fábrica também uma uma discussão interessante que o tom faz a disciplina do trabalhador não pode se restringir à fábrica porque senão ela não é eficaz ela tem estrapolar o mundo da fábrica e alcançar algo tasso privado doméstico desse trabalhador então isso tudo vai modificando aos poucos o ambiente dos conventions ainda então voltando às elites o que nós temos é uma convenção de limites que usam esse espaço agora das calçadas das avenidas dos tacs buscar café
café lembro do espaço público aquela moça no radar mas os cafés vão se multiplicando por buenos aires e são espaços de encontro são espaços de ostentação e por outro lado além dos cafés o teatro colony o teatro colón de buenos aires que é uma que é construída no final do século 19 tem uma primeira sede depois se muda para a sede definitiva onde está até hoje que recebe as grandes companhias de ópera européias é um teatro que recebe o que há de melhor no mundo da música e das artes em toda a europa e nas
américas não é atoa que se para uma geração de elite brasileira dos anos 20 o máximo suprassumo era evitar buenos aires precisava ir para nova york paris londres e buenos aires era o toque em termos de fruição cultural de elegância de fato a cidade incorpora todos esses signos de pertencer a um circuito ocidental civilizado e sofisticado gato colônia até hoje situado em um prédio elegante meu clássico e arquitetura neoclássica foi a chave para essas intervenções de grandes prédios públicos de grandes prédios com um todo um peso simbólico que davam portanto tom a essa cidade que
surgia além do teatro colômbia chama a atenção de vocês para a catedral de buenos aires na praça de maio que foi construída bem antes porque a catedral de bônus a eles vêm da época do rivadávia mas o rivadávia já antecipando essa concepção de cidade de buenos aires inspirada em paris e ele pra construir para mandar construir a catedral de buenos aires se mirou na chamada marlene materna o nome da daquela construção neoclássica com sorris greco-romanas em paris na glande que havia sido construída há pouco tempo antes e que se torce se trata na verdade na
frança de um templo que recupera toda uma concepção arquitetônica do mundo clássico greco romano e portanto compondo isso que nós chamamos de um estilo neoclássico que tem as colunas que tem aquele pórtico com as pedras esculpidas e é isso que é levado à catedral de buenos aires que é belíssima e que faz parte desse complexo da praça de maio que abriga os edifícios simbólicos do poder então essa arquitetura neoclássica também faz parte desse disse ele de elegância e requinte das elites portenha e e último exemplo que eu vou citar aqui o jockey club buenos aires
xingu jockey clube que se tornou também um ponto de encontro dessas elites onde elas viviam os bailes as corridas e ali portanto mostravam toda sua a sua atmosfera cosmopolita toda a sua abundância de recursos de possibilidades e como mostra esse romance é que esse romance faz a crítica desse modelo de elites já em 1905 com uma futilidade uma superficialidade muito grande esse romance conta a história de uma de duas jovens irmãs filhas de uma senhora que pertencia a essa elite criou a de buenos aires portanto parte dessa oligarquia e 1 ruralista da noruega e passando
por buenos aires conhece essa mulher que apaixona por ela e eles vão juntos à noruega e as filhas são criadas lá mas a mãe morre lá pelas tantas o pai morre e ela voltam pra ser criadas para terminar a sua criação junto da família portenha mas elas vêm com toda uma formação e ilustrada de um naturalista norueguês que precisava ciência que precisava natureza que conhecia toda a alta cultura européia essa visão do livro e chegam a buenos aires e tem um só que com os hábitos da sua família de sangue que cultivava coisas na opinião
da estela e aço da sua irmã alexandra muito frio muito frio então mas há um cenário é esse a fala do jockey club ela fala do teatro colony enfim esse é o cenário [Música]