Olá bem-vindo bem-vinda a mais um programa de Podcast do promundo o promundo pode ressignificando masculinidades e paternidades e hoje aqui tô com uma visita ilustre né Fernando pessoal bu escreveu ess livro maravilhoso homens masculinidad SA tal em base a seu estudo de doutorado né Fernando exatamente e o Fernando é psicoterapeuta doutor de saúde coletiva pela Faculdade de Medicina da USP com Pesquisa sobre saúde mental masculina e o cuidado na rede de atenção psicossocial Fernando bem-vindo Que bom que você tá aqui com a gente Miguel primeiro muito obrigado pelo convite é muito bom poder dialogar sobre
essas temáticas que a gente gosta de gênero masculinidade e saúde com uma instituição como promundo com você com tanta experiência nessa discussão eu acho que a gente consegue levar pras pessoas tanto o histórico que o promundo Traz Quanto questões recentes que a gente tá produzindo que a gente tá discutindo como as temáticas de saúde mental de dinâmica das emoções masculinas as problemáticas sobre o uso de álcool também acho que a gente vai ter um papo poder repensar os homens né ressignificar as masculinidades e pensar em outras possibilidades de ser homem de ser homens né no
caso que lindo que lindo e eu acho que aqui é o espaço é para isso Né fando pra gente pensar nessa temática de uma maneira muito mais aprofundada mas também num diálogo direto com o ouvinte né que possa realmente refletir trazer pra gente comentários né o que tá pensando perguntas pra gente poder repassar né pros nossos convidados tamb tambem convidados e lógico que nós não vamos estar só aqui com podcast com homens né Nós vamos ter também a visão das mulheres a a visão né lgbtq a mais e todas essas formas né que são expressas
Né dentro do nosso cotidiano agora Fernando não tem como eu não começar de outra maneira né Eh pegando seu livro Porque para mim é uma referência né Meus parabéns por esse livro incrível né que todos têm a oportunidade de comprar e de ler bastante né os ensinamentos que tem aqui mas uma coisa que já me chama atenção logo no começo porque mexe muito comigo né é que você começa a sua apresentação depois do Prefácio em primeira pessoa né você fala assim sou Um homem branco de classe média heterossexual aí fala dos privilégios né mas contudo
né em minha narrativa eh de vida fui tocado por desejos dúvidas e angústias e você se coloca também como objeto do seu próprio estudo né Então fala um pouco pra gente como é que é isso né Você tá estudando masculinidade você tá trazendo isso né dentro de um contexto muito mais amplo mas ao mesmo tempo é sua dor né Tem uma dor aí né como é que funciona isso eu primeiro né As boas pesquisas as boas questões sempre tem muito a ver com a nossa dor né Aprendi um pouco isso com o velho Freud né
de que a gente sempre s interessa por algo que a gente busca responder né E aí Miguel eu né na minha história que eu conto justamente né Sempre fui eh um um menino gordinho e aí e aí você começa a ter uma inserção no jogo entre os meninos no mundo do dos meninos e aí eu essa ideia que a gente trabalha de conceito que é a casa dos Homens que níveis a gente acessa dentro desse mundo de aprovação das masculinidades em que a cacha dos Homens A Casa dos hom a casa dos homens eu queria
que você até que você explorasse um pouco é é um conceito que me faz muito sentido aham já que você perguntou mas eu vou iniciar fazendo uma brincadeira vou dar exemplificar esse conceito com um termo até mesmo pra gente falar de um jeito bem Geral com um termo que o o goleiro do Palmeiras o Marcão uma vez fala assim né ele brinca assim ó se você joga muito bem em bola você vai virar meia se você só corre você vira lateral se você só tem força você vira zagueiro se você não não domina nem um
pouco bem a bola você vira goleiro exatamente tem uma escala essa brincadeira dessa escala hierarquizada é uma coisa que tá no cotidiano da sociabilidade masculina gente né os homens éos brancos com mais acesso que desenvolvem habilidades esportivas No nosso mundo que desenvolvem eh estratégias de afirmação e de mais prestígio social a virilidade né que demonstram virilidade que demonstram força que competem entre eles pelo interesse feminino também esses homens vão acessar Como diz a professora valesc zanel quartos mais privilegiados na casa dos homens gente eu não conhecia esse conceito que interessante é um conceito do Daniel
vezer langang que é um antropólogo francês que ele justamente Aponta e aí é uma coisa bem interessante Miguel a gente um pouquinho antes a gente conversou sobre um pouco da por exemplo da minha experiência com povos indígenas Uhum em sociedades indígenas patriarcais você tem por exemplo entre os Carajá um lugar onde os meninos vão passam se meses só convivendo entre homens historicamente uma iniciação é uma iniciação dos meninos é uma iniciação eles não podem ter contato com as mulheres e vão participar de disputas De lutas para reafirmar a masculinidade Uhum E aí eh e aí
e isso por exemplo isso acontece dentro dos Carajá que tão na Ilha do Bananal aqui aqui no no Tocantins e em várias outras sociedades indígenas e em várias outras sociedades sociedades patriarcais uhum o exemplo que eu dou pra gente eu vejo que o vestibular é o nosso rito de passagem complexo para no caso para meninos e meninas né dentro dessa nossa sociedade patriarcal capitalista né Mas voltando a Tua pergunta eu acabei entrando na casa dos homens Mas que que faz muito sentido para mim eu apesar de ter alguns privilégios de ser de classe média ser
de de ser um homem hétero Eu sempre tive um certo estranhamento até mesmo por Não exercitar uma masculinidade mais tradicional né mais convencional né me interessar quando for me interesso por fazer psicologia por exemplo no mundo eu eh se interessar por uma profissão de cuidado em especial nos anos 90 era algo Ainda muito exclusivo do mundo feminino verdade é verdade né Eu exato na minha turma que tinha umas 90 pessoas pess na psicologia tinha 11 10 homens é é e eu acho que isso tem tudo a ver com esse tema que a gente aborda né
como a gente falar de Emoções como falar de cuidado como eu sempre gostei muito dessa dinâmica de sempre me interessei por estudar as emoções por estudar era uma coisa você já tinha essa sensibilidade né uma coisa intr des adolescência Inteira né E aí eu acho que isso causava um est entre amigos também sempre me achei meio e aí você é meio você é meio fresco E aí eu acho tem tudo a ver as piadinhas você é meio fresco você é meio Tanto que uma das coisas que eu mais falo né do quanto que esse modelo
hegemônico de masculinidade faz a gente ao emocionar-se se a gente demonstra emoção a gente é visto como o fresco ou fraco ou frouxo exato e nos afasta completamente do cuidado e do autoc Cuidado né Fernando aí na adolescência a gente isso temp Tod Muler isso é coisa de mulherzinha né Então até tem tudo a ver com esse processo de iniciação dos meninos em que qualquer elemento do feminino eu tenho que negar de novo professora professora valesa Zanela fala que a construção da masculinidade é misógina né eu tenho que limpar qualquer coisa que é feminina da
minha da minha história e como é que a Gente faz isso quando a gente tem um interesse pelo feminino pelo cuidado por falar da das emoções e aí voltando a tua pergunta eu me interesso por isso E aí tem uma outra coisa pessoal que eu queria partilhar com com você eh eu também eu sou de uma família de homens muito calados enquanto a isso eu sempre fui mais falante né meu pai é um cara muito calado muito fechado muito na dele e eu sempre observei o quanto que a gente vai não não falando sobre aquilo
Que e mexe com a gente aquilo que nos emociona né também repertório muito pequeno né Fernando que de emoções de de expor isso né vai ficando o mundo a parte um mundo que a gente vai botando um monte de coisa para debaixo do tapete uhum né Então aí como homem Ness nesse estranhamento nesse mundo do feminino nesse mundo do cuidado eu falo opa pera aí acho que a gente tem que falar sobre isso pra gente deixar de resolver as coisas na Mão na na briga no grito uhum no sem diálogo né praticamente sem interação sem
relacionamento exatamente examente e vai criando um isolamento totalmente mas foi isso que foi te levando então a observar e a tentar pensar sobre isso uma reflexão que depois desencadeou um estudo uma carreira para você né exatamente na faculdade ainda no final da faculdade eu vou para dentro de uma delegacia da defesa da mulher fazendo Estágio e eu entrevisto homens autores de violência contra a mulher uhum né E nessa de E como eles explicavam as situações de violência e justificavam essa situações de violência e aí por exemplo eu vi nesse estudo por exemplo Miguel Quanto que
o sujeito Tá desempregado o cara tá se sentindo menos homem muitas vezes ele usa da violência para recuperar um lugar de prestígio um um lugar de opa não pera aí você tá me questionando a Minha autoridade aqui Dentro de casa só porque eu não tô pagando conta só e aí você usa como uma forma de restabelecer a autoridade né E aí eu acho tem esse lugar de poder desse lugar em questionável da autoridade masculina que é uma coisa num mundo mais equânime como é que a gente consegue desconstruir isso sem apelar para situações de violência
como Muitas vezes os homens apelam para isso isso até mesmo por causa da falta de vocabulário emocional né também é porque a é Geralmente a as consequências disso Fernando são péssimas né eu não consigo ver um artigo ou um estudo que me diga que esse tipo de rigidez traz algum benefício para esse indivído pra família e pra sociedade né e a gente vive sobre essa quase uma ideologia mesmo né que totalmente fechada pode ser pelo A Iniciação como você tá colocando mas começa eu eu até tô convencido que o ser humano ele é predisposto quando
nasce ao cuidado e aut cuidado é é é até uma Questão de sobrevivência né Eh isso em termos de de como é que você vai se relacionar mas durante um tempo a gente é formado para perder isso a gente perde né E e aí aí tem que falar ressignificar exato né porque na verdade não deveria ressignificar né deveria ser já um significado que vem desde do pré-natal Desde da barriga né da eh no na gestação conjunta né que que viria Mas você falou uma coisa muito interessante Fernando que é uma das abordagem você traz essa
Relação do homem com trabalho né você menciona muito isso no seu estudo nos depoimentos que você tem qual essa relação realmente assim ela é Acaba virando uma relação eh única eu não eu não consigo me ver fora eh dessa perspectiva do trabalho por pressão Social pela pressão que eu exerço para mim mesmo e qual é a consequência disso eu acho tem dois níveis aí bem importantes a gente lidar uma coisa é Quando a gente fala dessa importância do trabalho dentro de uma lógica de classe média em que você tem acesso a trabalho em que os
homens vão edificando a sua identidade dentro do trabalho por exemplo vou dar um exemplo a até falando sobre dados epidemiológicos né também homens os homens apresentam no país homens idosos solteiros são a população com maiores taxas de suicídio no país e aí quando a gente começa a estudar entender um Pouquinho mais isso você começa a entender que esse homem idoso muitas vezes se aposentou quando tem acesso a direitos a direitos previdenciários e eh hoje em dia vivencia uma outra relação com a sua sexualidade né Por já tá numa fase mais idosa por vivenciar situações de
envelhecimento nessa hora ele acaba vivenciando duas dois infra quecimento de eh de símbolos da mascul da Masculinidade tradicional a eficácia no trabalho e a eficácia no na na cama no sexo é quase uma endr opaa social exatamente para a identidade masculina eu chutei isso agora viu tô fora da linha não mas me parece isso exatamente para a identidade masculina isso é um Abalo uhum isso é um Abalo em que eu perco o lugar eu perco eu eu perco sensação de pertencimento em que esses homens vão tendo uma sensação de pertencimento muito maior na rua no
Trabalho muito menor dentro de casa esse cara se aposenta na melhor das opções e E aí o que que ele faz dentro de casa as mulheres vão envelhecendo vão cuidar dos netos muitas vezes vão cuidar de alguém vão à às vezes mulheres hoje em dia com mais de 60 anos estão sobrecarregadas cuidando de pessoas com 90 anos é uma pauta da da discussão da política de cuidados por exemplo né que tem tem sido discutido e os homens não é que vire um filho mas vira até mais trabalhoso às Vezes né pela questão de comportamentos de
risco levar a doenças crônicas a uma morbidade até né muito sim e aí tem uma coisa muito perigosa que aí por exemplo esse cara com mais de 60 anos que deixa de trabalhar e reencontra no álcool um lugar de resgate dessa identidade masculina por exemplo E aí voltando nesse assunto quase preenchendo um pouco o espaço deixado essa é uma dinâmica Miguel que eu acho muito interessante da gente abordar e da Gente dialogar é como se tivesse um modelo hegemônico de masculinidade que esse cara trabalhador provedor agressivo que compete que tem a sua sexualidade livre livre
não é e não é uma sexualidade livre é uma sexualidade eh tem uma tem uma coisa compulsória em que eu sempre temho que est umaa prontidão sexual e aí esse homem ele vai compensando elementos né aí o sujeito desempregado negro de uma de uma de uma local periférico como é que ele faz para Se reaproximar desse ideal de ser homem muitas vezes o álcool vai surgir como uma possibilidade essas outras determinantes começam a afetar com mais magnitude esse processo de falta de auto cuidado compensar eu tenho compensar fazer uma brincadeira você perguntou uma coisa pessoal
minha né Sabe aquela coisa de não já que eu não tô já que eu não jogo bola sou tenho tenho sobrepeso Vou investir no estudo uhum queer uma coisa Falar uma coisa bem simplão e com toda a delicadeza a o nível de desenvolvimento profissional de homens gays de classe média a gente tem que falar sobre isso de um certo modo os homens gays muitas vezes vão vivenciar essas situações não vamos vivenciar a orientação sexual não se sentindo homens uhum e aí você compensa isso ganhando uma legitimidade na vida digamos assim no meio do trabalho no
meio do estudo uhum essa é Uma coisa isso eu acho eu aprendi muito com o pessoal do papo de homem também do como é que a gente consegue fazer masculinidades possíveis assim a gente e aí eu acho que eu recito essas pessoas propositalmente esses grupos né pra gente poder ir construindo essas outras formas menos idealizadas eu queria até antes disso que você tá tocando que eu acho você é a pessoa ideal para isso para os nossos ouvintes as nossas ouvintes você você Explicar esse conceito que nós utilizamos muito da masculinidade hegemônica e masculinidade subalterna até
no seu livro você expande a masculinidade subalterna para outras categorias não vou encontrar aqui mas eu achei bem interessante porque eu só tinha ouvido falar da da teoria né conel que é o que você cita muito eh é dentro dessa dessa lógica Mas explica pro nosso ouvinte que teoria é essa E por que que ela é tão importante para esse tipo de De de reflexão vou terminar uma questão da questão do trabalho L lógico L que aí tem uma dinâmica do capitalismo em que o sujeito desempregado uhum o sujeito que não consegue bancar família que
não consegue sustentar os filhos ele vai eu eu vou juntar com a história da midade hegemônica eh ele vai se sentir menos homem ele não vai se sentir legitim legitimado no seu lugar social no seu prestígio social e aí a culpa recai Sobre ele que que você tem um sistema que funciona que só funciona em cima do desemprego uhum com baixas taxas de desemprego a economia vai travando porque as pessoas começam a poder ter melhores salários o lucro da da da da burguesia reduz E aí o que que a gente faz que que a gente
fala assim não você tá desempregado porque você não se qualificou direito porque você não se esforçou direito a lógica neoliberal vai culpabilizando o sujeito sobre uma Estrutura social Uhum eu vi isso muito Miguel no cotidiano dos serviços de saúde né esse cara que tem problema com álcool aí o profissional fala assim não você tem que parar de beber para voltar a trabalhar como se desemprego lá de Samambaia onde eu fiz o estudo Samambaia Periferia daqui de Brasília o desemprego daquele homem negro fosse culpa dele sendo Você tem uma estrutura social que funciona em cima da
Super exploração do trabalho po você existe uma formação Rígida você já tem todos esses atributos aí chega quando você chega um momento da sua vida que você não tem nem mais condição direito de de exercer aquilo porque o tempo você tem que pegar transporte você tem que ir você tem que né Toda essa pressão social ainda te desqualifica ainda mais Exatamente isso tem tudo a ver com com a lógica do patriarcado uhum né Eu acho acho que eu tô tentando lembrar aqui eh tem um filósofo chamado Renato Nogueira se eu não me engano que eu
tava vendo um podcast dele que ele falou assim o patriarcado é um sistema hum o machismo é uma estratégia de reprodução desse sistema E aí a gente entender esse conceito de masculinidade hegemônica que é de um jeito mais fácil Essa Ideia de Homem de verdade esse homem machão esse homem duro esse homem firme esse homem que não leva desaforo para casa esse homem que controla a Sexualidade Feminina que repulsa a homossexualidade o homem de Hollywood o homem de Hollywood exatamente construído no no faroeste americano Exatamente isso e como essas imagens vão sendo construídas pra gente
e que no mundo de hoje em que as em que a gente teve uma transformação social tão grande a partir dos anos 70 em que as mulheres passam a ocupar mais lugares no mercado de trabalho aí eu sempre lembro né gênero é sempre relacional que que é gênero né é Essa ideia de qual que é a ideia de homem quando a gente descobre que alguém tá grávida ai se for uma menina ai ela quero que ela seja x delicada bonita princesinha que são as normas rígidas de gênero que nem o o Prom mundo traz historicamente
exato até daquela surpresa que tem né Às vezes vem um avião jogando Rosa néz V um avião jogando rosa se é um menino eu quero ter espada eu quero ter a arma eu quero ter essa essa Força competição na competitividade exato tem uma coisa psicanalítica que eu eu tenho eu tenho uma abordagem psicanalítica nisso que é a gente precisa observar o quanto esses padrões de gênero estão em meninos de meninos e meninas de 2 3 anos de idade gente isso é muito cedo na construção da nossa subjetividade isso é claro isso é né Eu acho
que as pessoas precisam entender que é é o o o tornar-se homem ou tornar-se mulher vem de muito cedo vem Da gestação aqui exatamente vem da da gestação e aí nessa hora eu volto no Lacan sujeito se constitui sobre do outro né a expectativa que a gente tem sobre uma criança sobre uma criança e aí diferença né de uma uma criança de classe média de família Branca Você tem uma expectativa uma criança de classe média de uma família negra periférica que expectativa que a sociedade vai olhar sobre essa criança e que às vezes se radicaliza
isso por achar que é uma Masculinidade subalterna né exato então a pressão é ainda maior isso que para você tem que tentar alcançar né o topo dessa pirâmide topo dessa pirâmide idealizada que aí aia o jente fala que na masculinidade hegemônica praticamente não não existem homens que acessam todas essas características da masculinidade hegemônica Porém você tem as masculinidades cúmplices que são essas masculinidades que se aproximam da Masculidade hegemônica né você que adorei masculinidades cú sim que por exemplo a gente viu esses tempos um um ator falando Ah agora não tem mais lugar para homem branco
por exemplo né a gente tem que botar os homens aí a gente e essa é um tema que a gente tem que botar em Pauta que tem tudo a ver com contexto também tem uma uma coisa que falam por exemplo eu já ouvi muito ouvindo assim é qualquer momento se tá na praia cara eu fui numa boate eu era a exceção só tinha Não tem uma coisa enlouquecida dessa né que gente Miguel o que a gente vive masculidade cúmplice interessante E aí a conel vai chamar essas masculinidades mais próximas a masculidade hegemônica de masculinidades cúmplices
E aí ela categoriza as masculinidades subalternas em duas grandes categorias em masculinidades marginalizadas que são homens homens gays homens negros que muitas vezes não são vistos como homens né o eles são visto primeiro como o Fran Fanum vai falar isso eu sou visto primeiro Como um negro depois como um homem essas masculinidades que são quase que desumanizadas masculinidades indígenas também vivenciam a mesma situação né vão sendo desumanizadas eu gosto ele não é considerado gente ele não tem essa ideia de gente de humanidade é quem tem os seus direitos respeitados dizer tentar categorizar um ser humano
né como ser humano e a gente nasce realmente livre né aberto e é como Se fosse botar numa no que a gente chama numa caixa também né esse processo E aí o Fran manum vai justamente dizer assim que a concepção eurocêntrica de humanidade apresenta pro nosso mundo que existe um modelo de humano que é branco heterossexual e burguês essa ideia do europeu e aí tem uma coisa aqui para mim eu tava até lembrando para falar isso de masculinidades negras aqui que eu acho que o promundo produz e faz uma discussão de primeira linha com o
Relatório das paternidades negras também que aí o franç anon vai dizer assim que esse sujeito negro ele vai olhar para esse modelo eurocêntrico de humanidade no caso de masculidade de masculidade hegemônica não mas eu gostei de você falar humanidade chega a radicalizar esse ele joga no nosso subconsciente a ideia raliz de que isso é humano que loucura porque totalmente for de um de porque o negro é animalizada uhum historicamente na história desse país Quem estuprou mulheres indígenas e mulheres negras tá muitas vezes foram o os nossos colonizadores uhum não os homens negros que são animalizados
que são como uma sexualidade que tem que ser perigosa né novamente como diria a professora uma ultr assexualidade uma ultra a professora Vales casanello usa a música do lá vem o negão cheio de paixão que vem essa hipersexualização do homem negro que vai o animalizando e eh fazendo ele se educar para se Identificar com um ideal eh um ideal branco então eu vou cortar o cabelo porque o meu cabelo não pode ser crespo eu atendi até para falar sobre questões raciais eu atendi uma paciente minha que ela falava assim não a gente começou a discutir
uma mulher parda uma mulher parda com cabelo crespo mas que sempre alisava o cabelo ela começou a terapia falando assim não que meu cabelo Fernando é muito ruim Esso daqui é um perigo olha isso Meu cabelo é ruim Características negras são é foram historicamente vistas Como é lindo é uma coisa fantástic felizmente a gente tá evoluindo nisso Felizmente eu fico muito feliz com isso e a gente continuou aprofundando o processo terapêutico ela falou assim Fernando eu lembro de quando eu tinha uns 8 9 anos de idade aí as meninas ficavam assim ai eu tenho que
com quem que eu vou namorar como é que vai ser quando eu casar aquelas brincadeiras e ela falava assim ai ai eu Tenho que que arranjar um homem branquinho assim né Para dar uma para melhorar a família essa entender e aí completando o que o fanon fala esse sujeito o fanon Lê psicanálise ele tá lá nos anos 30 é um o franç fom é um psiquiatra da Martinica que é ali na no Caribe eh e que vai parar na França e estuda Freud e ele fala assim esse homem negro que é visto como negro e
não como homem Porque ele não é humanizado ele vai ficar identificado ele vai negar a sua própria autoimagem e se identificar com a imagem do colonizador para mim na minha na minha let bomba na saúde mental uma bomba Então você tem um você tem um selfie Como diria o o in você tem um um núcleo do sujeito que é negado a todo momento que é negado é feio é ruim Como diz minha paciente Exatamente isso e e muitas vezes sem a consciência real Disso né é quase um subconsciente que ele vai sendo levado a acreditar
na que aquilo é o o que é né é a realidade e aí voltando a masculidade hegemônica para mim tem uma coisa simplória a vou até você tinha me perguntar da minha história né meu pai meu pai é nordestino e vem vai para São Paulo Meu pai é per uco vai para São Paulo com um ano de idade e meu avô passa um umas situações muito complicadas em São Paulo depois constrói A vida mas tem uma coisa dessa lógica de classe proletariado do proletariado que é como se a gente sempre pudesse perder aquilo que a
gente tem né sempre meio um risco Olha se você não se cuidar se você não cuidar direito se você não for não economizar não não você pode perder esse trabalho você pode passar uma situação difícil na vida Isso vai causando medo na gente em que a gente vai se identificando com esse ideal de trabalho Uhum em que eu tenho que trabalhar para Caramba independente da minha saúde independente do sentido do meu trabalho independente das relações para poder sustentar essa vida que eu acho que tem tudo a ver com isso né eu passo a me a
a extrapolar a minha capacidade para ser alguém para ser alguém essa ideia existencial volar até tocando no assunto de que eu não tenho lugar para Esse homem sabe é para esse menino possível para esse homem possível esse homem real vai ficando sempre Idealizado sem dúvid E agora o que me espanta Fernando é o seguinte E aí na minha realidade né que sempre joguei bola participei então poderia ser uma característica assim não eu tô bem na na fita totalmente desnorteada dessa realidade né eu tô ali na no topo da pirante né Eu sou branco eu tenho
tudo ô ô Fernando e sem vitimar de forma alguma né Que privilégio é esse Porque eles estão todos destruídos na sua saúde mental Também esses atores de Hollywood que nós estamos falando essas pessoas que nós estamos falando o que as pessoas que eu come tá suicídio sim né é é problemas de saúde mental seríssimos uso de álcool Seríssimo dificuldade assim que privilégio que isso nos leva quando você chega ao topo dessa pirâmide perversa né que ela é perversa e e é perversa e é a base da P e é uma pirâmide que regula demais a
sociedade né e e e pro homem Eu fiz até uma brincadeira com a minha mãe Né perguntando para ela ela fez 87 anos ontem e perguntei quantas amigas ela tinha eu tava fazendo umas contas né porque ela tem amigas lá em três cidades que ela gosta muito né o Rio e Minas tal dava mais de 20 aí eu perguntei e quantos homens estão vivos né tinha um parece mas ele táa meio debilitado sabe então acho assim interessante eh eh como é que é isso Será que a gente não se enxerga Será que a gente não
Entende que isso tem consequências severas que você traz muito bem no seu livro né Eh porque você falou com homens que tão na no topo dessa pirâmide né também né você não se furtou a isso como é que é isso como é como é que a gente lida com isso eu sinceramente acho essa é uma questão muito interessante né você também tinha comentado até comigo né Eu acho que a gente tem que tem alguns dados que a gente tem que trazer né dados do Ministério da Saúde né os Homens morrem 40% a mais do que
as mulheres por doenças cardiovasculares morrem 50% a mais do que as mulheres por doenças eh pulmonar né que é a gente chama de doença obstrutiva crônica pulmonar obstrutiva crônica 30% a mais do que as mulheres por cânceres E isso tem muita relação os homens em geral Começa por aí E isso tem muita relação com o menor acesso aos Serviços de Saúde a menor busca por Ajuda também tem a ver e a gente morre mais do que as mulheres em todas as faixas etárias até os 80 anos porque só depois dos 80 que tem mais que
só tem muito mais mulher do que homem é só por isso uma super população feminina que já a partir dos 20 anos são 7 milhões de mulheres a mais que isso é muita coisa é muita coisa é uma coisa absurda né esses dados a gente tem que olhar para isso gente essas idades a gente tem que olhar E se entender e aí eu trago um uma questão que eu queria até ter desenvolvido melhor no livro mas pode ser em outros artigos depois que é a ideia da Bell hooks que é uma uma feminista negra americana
que ela traz a ideia de que os homens acabam se ressentindo de por não alcançarem aquilo que o patriarcado lhes prometeu eu acho tão important frase forte hein nossa que que clareza né E aí tem tudo a ver com a tua Pergunta não me lembrava dessa frase del tem tudo a ver com a tua pergunta interessante que é esse cara de 60 anos de classe média que teve acessos a várias questões ao poder né de ao poder teve acesso a esse esse lugar fálico né esse lugar de de de virilidade chega depois dos 60 esse
cara também não sabe envelhecer porque ele também vive uma idealização de Hi de Hiper virilidade que também faz ele não não vou ficar procurando serviço saúde Não para Vou ficar tomando remédio para que coisa coisa são mole agora é o que a gente vê no no na nos urologistas quando eu vou hoje né assim o homem muitas vezes vem vem completamente duro né ali que que eu tô fazendo aqui muitas vezes empurrado pela própria mulher né tem que fazer tem que fazer e não vê aquilo como um direito e aí é importante nessa coisa da
da Saúde como direito ele não percebe que paternidade é um direito e o patriarcado ele tem isso né ele traz Essas questões como um dever né e perde essa Essência né do olhar no olho de um filho de dar um banho num bebê olha Eh Fernando eu não tenho dúvida se todo homem pudesse dar um banho no seu filho na sua filha quando o bebê cheirasse a nuca você não fica M não é possível né você não fica a mesma pessoa e a gente não tem essas habilidades né Isso tem muito a ver com qualidade
de contato né Meal verdade a verdadeira humanidade né a verdadeira Human tem uma pesquisadora Em inglês que eu depois eu até posso procurar o nome a gente bota não e que eu li ela faz uma reportagem pra BBC de Londres que ela fala assim os homens são educados a exercer uma paternidade do dever que nem você tá justamente falando né então o menino tem que ser o menino tem que ser Olha eu tenho que educar esse menino essa menina para ela ser alguém na vida por exemplo e a gente perde uma possibilidade de uma de
um cuidado de uma paternidade afetiva exato Né a gente vai sendo sempr essa paternidade corretiva né E nessa hora a gente perde a possibilidade de ter uma conexão real conexão humana mesmo de olho no olho de contato pele a pele né que tem influência hormonal né nisso você toxina ela pode ser produzida pelo homem né o hormônio do Amor com esse contato isso tem um reflexo ex né em toda a nossa biologia em termos de de de vivência e de bem-estar né E você fala uma coisa no no livro que eu acho eh Bastante interessante
né que você até se refere a bonino que a ilusão de normalidade dos homens Ou seja a ilusão de que isso é normal né ele acaba contribuindo para mantê-los ausentes das estatísticas de transtornos mentais e dos serviços especializados de saúde mental eu achei isso Fantástico né exato tem uma coisa né que que loucura isso os hom essa esse silenciamento das vai fazendo a psiquiatria apenas identificar depressão no choro Inconstante em desânimo em em aspectos que muitas vezes a gente vai ver mais nas mulheres do que nos homens tem uma psicanalista já entrando nessa questão da
dinâmica das emoções tem uma psicanalista que ela vai falar assim muitas vezes o sofrimento psíquico masculino vai se expressar não com ansiedade depressão Então essas com com uma um aspecto de em que a pessoa vivencia o conflito internamente a essa psicanalista ela fala assim a hornstein Ela fala assim Os homens vão sempre expressar a sua o seu Sofrimentos de um jeito um tanto quanto barulhento por meio da irritabilidade do nervosismo da da agressão da compulsão por álcool por dirigir por por sexo por dirigir de modo perigoso assumindo comportamento de risco e aí no livro eu
abordo essa uma ideia que é da psicanálise que é da passagem a um ato essa mesma psicanalista ela fala assim como esse homem não vai poder sentir a dor ele Acaba agindo a dor se vem uma uma tensão emocional no nosso aparelho psíquico e eu não tenho espaço para descarregar ele e eu não consigo dar nome devido a falta do vocabulário das emoções eu tenho que arranjar um jeito de descarregar essa emoção que eu tô negando ela e muitas vezes isso se dá por meio da única emoção reconhecida e admitida no mundo da mascar jônica
que a Raiva você tira quase o filtro que poderia ter que as emoções trazem né como um filtro de Construção de uma ressignificação daquele sentimento você tira completamente Então minha resposta ou é depressão completa ou é a violência completa né agora eh Fernando você acha então que eu faço uma eu tô num exercício de masculinidade hegemônica acho que cheguei lá e tô usufruindo por exemplo do que eu acho que essa ilusão que você coloca de normalidade do Poder mas isso tudo acaba sendo uma grande bomba relógio né me parece né S tem duas Questões aí
Miguel quando você traz essa ideia que a que essa essa idealização vira uma bomba relógio porque eu tenho que sempre est reconquistando Essa idealização eu tenho que tá todo momento comprovando a minha masculinidade e sempre com medo de perder essa idealização tem uma coisa um tanto quanto paranoica nesse lugar de homem porque senão Alguém pode me tirar esse lugar de Poder esse lugar de homem de verdade um um outro psicanalista que É o Pedro ambra ele puxa o mito de sisfo que é aquele que leva uma pedra até o alto de um morro todo dia
e que é essa pedra cai todo dia ele usa o mito de sisfo para exemplificar a ideia da conquista dessa masculinidade todo dia tem que eh aí que a masculinidade não seria algo dado é algo para que se conquista meus os pacientes que eu entrevistei no Caps ela falou assim ah Fernando eu não sou mais homem eu sou meio homem é tem vários relatos no livro Realmente o livro é sensacional e você faz uns recortes incríveis né sobre esses relatos é muito importante ler essa parte ti eu tive uma dedicação que eu comecei a escrever
se bem que eu eh sobre psicanálise e chegou uma hora hora que eu falei não pera aí na apresentação da tese eu parei e falei eu vou praticamente só botar as falas desses homens durante a apresentação você tomou quando tava montando a apresentação aí tava lá não você tá fanom Você tá Não eu Quero citar esses sujeitos que são silenciados também pelo patriarcado silenciados de um outro jeito diferente das mulheres mas também são subjetivados nessa bomba relógio que você tá falando também e a gente acaba se emocionando né F porque a gente se vê ali
naquele momento né mas o título do seu livro tá aqui masculinidades no plural né Uhum uhum isso é um certo tipo de forma da gente olhar como um ou um antídoto talvez não seja por aí mas alguma coisa Que a forma de ressignificar isso é entender que você pode não trabalhar por performance de masculinidade mas por exercícios de masculinidades que te deixam abertos essa ressignificar isso que é verdadeiro humano do homem é por isso tá no plural O que que você como é que você eu gosto dessa ideia do deixar aberto hum eu acho bonito
essa ideia que você fala do deixar aberto porque eu acho que a vida acho Às vezes a gente é exigido tanto na Vida para tem que ser tem que ser tem que ser né Tem tem que vencer na vida e parece que a gente tem que estar com a vida sem sempre preenchida nessa hora aprendi com Lacan essa falta faz parte da vida a gente tem que lembrar isso mas esse ponto que você traz Miguel eu acho bem interessante da gente abordar vou você vê que na minha apresentação eu uso a música do Faro Caboco
é que é Jeremias eu sou homem coisa que você não é e não atira pelas costas não esse e vocês veem Que o questionar Ah se você não é homem no mês passado provocou uma cadeirada no mundo político impressionante a partir o que disparou a cadeirada foi Você não é homem gente e a reação de apoio muitas vezes de um lado é olha o ideal de masculinidade Olha esse ideal de homem de verdade bombando no no nosso mundo político que esses homens vão se ressentindo desse mundo mais diverso Miguel desse mundo de que podem existir
várias experiência de vida rica né que seria a experiência de vida rica dessa convivência com a diversidade eu vi no capr né não poxa agora a mulher pode te trair em masculinidades bem tradicionais bem agora a mulher pode te trair você não pode fazer nada falando de violência lógico um dos hom olha e eu sou uma pessoa que não entende nem o que que é violência psicológica porque acho que violência é a física isso fora o que Acontece no dia a dia fora que acontece dia né de outras violências que estão em outras dinâmica do
ressentimento masculino de um mundo um pouco mais equânime que a gente tem que discutir aqui porque senão esses movimentos de redpill esses movimentos que vão trabalhando um resgate de uma masculinidade arcaica o Pedro ambra lá no mito do sfo que eu tava contando ele fala assim ele conta que o CFO ele tem que carregar pedra todo dia até o alto De morro porque ele foi punido pelos Deuses quando ele tento roubar a poção da imortalidade Uhum E essa ideia volta na idealização a gente quer ser viril onipotente e negar qualquer qualquer vulnerabilidade né caminho quando
eu boto masculinidades é que a gente possa poder construir masculinidades que reconheçam as suas faltas as suas vulnerabilidades menos idealizadas um pouco mais de um contato mais real com a gente mesmo eu gosto de Dizer por exemplo que a igualdade de gênero salvou minha vida e eu falo isso com muita tranquilidade no sentido daquilo que eu sinto que essa possibilidade de exercer a minha masculinidade a partir do feminino ou da do do emotivo ou do relacionamento do Cuidado Eu por exemplo tô sentindo agora já falei outro eh Episódio também eh o ninho vazio perfeitamente vezes
eu tô olhando assim cai lágrimas normalmente porque assim a Função de cuidado onde que tá aquela convivência aquele toque mesmo que você não tá assim conversando o tempo todo mas tá ali aquele ambiente e e isso eh é o que nos conecta à humanidade no sentido do que é realmente importante pra gente né para um um indivíduo e não viver em função de um de um padrão que você vira servo daquilo né um totalmente e e se colocando em situações de risco Então quando você coloca aqui aí vem seu Capítulo e que é muito interessante
né Esse capítulo que você que você já traz aí já entrando na metodologia né O que você tá trabalhando Pera aí que eu vou me achar aqui eh sobre concepções de masculinidades e a vivência do sofrimento mental um capítulo Fantástico né porque aí você traz essa abordagem também como ressignificar isso dentro dessa toda Porque como não ser por exemplo um outlier ou uma pessoa fora do padrão dizer assim eu gosto Demais de cuidar do meu filho e da minha filha eu eu eu tenho prazer é um direito que eu sinto porque isso aí tem consequências
nas separações né que a gente vê também na guarda compartilhar dier vai repercutindo né exatamente como fazer para que você eu sei que uma das soluções que você traz e é realmente muito importante é a reflexão né eu acho grupos reflexivos essa reflexão acho tem vários sentidos você tava contando E aí eu acho que você perguntou Por que que era uma bomba relógio eu acho que tem a nossa subjetividade masculina vai sendo constituída muito pelo fora pelo que a gente consegue na rua seja de conquistas amorosas seja no trabalho seja no dinheiro seja no valor
do dinheiro Nossa objetividade masculina e a gente vai ser ensinado a não ter contato com a nossa própria intimidade né olha que legal é a questão da intim gostei intimidade legal quando você tá cuidando do teu filho você tá Tendo esse contato e aí ah aí a gente vê no cotidiano ai ah não ele quantas amigas minhas Falam assim ah não eu que troco meu filho porque às vezes meu marido não tem paciência do quanto que esse manejo com as crianças para mim me chama muita atenção o mod o modo de resolver problemas com as
crianças problemas domésticos né as mulheres vão manejando e construindo um para m para mim me lembra muito essa coisa de um manejo de agricultura sabe Até é um manejo de você vai trabalhando a terra digamos assim é um é um modo feminino de de agir não eu não vou enquanto a gente é na lógica da caça né não você tá proibido de fazer isso você tá a gente vai na lógica mais rígida né Uhum mas tem uma coisa que aí eu volto na psicanálise nisso que eu nego as minhas emoções eu faço o que não
tô vendo eu falo no livro que os mecanismos de defesa que eu mais observei na minha Pesquisa e na minha clínica também são fuga não quero nem tocar nesse assunto projeção quer eu tô desse jeito tô nervoso desse jeito que aquele trabalho me enlouquece é meio é externo sabe não aquela mulher também fica pegando meu pé por isso que eu tô desse jeito é é nunca é comigo digamos assim né fuga projeção e e negação não tá tudo bem não tá tudo bem tipo não precisa no médico não tá tudo bem né essa esse movimento
do e E aí quando ah Os homens vão no médico no No no psicólogo muitas vezes as mulheres que falam porque a gente não pode não não se dispon ar entrar e aí nesse entrar em contato com a intimidade tem um movimento assim como eu dei uma congelada nas emoções botei lá para botar aqui para baixo sabe eu tenho medo de olhar para Aquilo é bem assim ó eu tô olhando e me dá um receio eu não quero nem ver e isso vai causando um Congelamento e vai dando muita vergonha nos homens isso dos grupos
de homens é muito legal isso Miguel porque aí um homem fala assim tem muita vergonha fala chorando por exemplo é um relato que eu tenho no livro chorando Olha eu tenho muita vergonha de admitir que minha mulher me traiu faz dois anos a gente separou e até hoje eu choro todo dia pensando nela já tava separado tudo o cara fala isso chorando morrendo de vergonha de admitir isso e os outros Homens ele fala [ __ ] eu já passei por isso mas aí o terapeuta da porque ele não consegue chegar na não conseguiu chegar na
intimidade da relação intimidade e não aí o terapeuta vira para ele e fala quando ele admite essa dor esse choro o terapeuta um do o meu colega de facilitação vira para ele e fala assim Nossa você foi muito corajoso de botar essa dor para fora desse jeito o homem para e fala assim toma um susto toma um susto dá um estamento eu Sempre di que ser corajoso era segurar a dor e não mostrar tem uma pedagogia de gênero que é muito atrapalhada pra gente você admitia a dor você admitia a fraqueza e você tá Você
tá perdendo então você perdeu é a demanda dos homens na terapia amig os homens chegam assim Fernando o que que eu preciso fazer Quais são os três passos Quais são as tras eu eu faço uma cara assim não calma no começo fazer loucura Na na muitas vezes a relação de homens na terapia que que eu pago para resolver isso eu quero a gente a gente constrói uns a gente quer ir atrás de uns gurus digamos assim sabe porque o nosso contato com a nossa própria intimidade tudo é trabalhoso reverter isso é interessante né e muitas
vezes vai até pra questão medicos né porque o que é um praticamente algo Eh que que é artificial né em muitos casos lógico tem casos que são importantíssimos né mas Acaba criando uma artificialidade nisso né e os depoimentos que você traz no livro vão muito nessa direção né e e eu acho que que isso vai repercutindo ao ponto eh de um de um esse desequilíbrio ele vai deteriorando ao ponto de você ter essa consequência dentro de um padrão de transição demográfica que a gente tem transição epidemiológica que aí você falou dessa relação com o álcool
né Eh no seu estudo eh e o álcool acaba sendo E agora o Bet também né na na época até que você tava estudando o Bet não tava tão assim né então eh São por exemplo três coisas na saúde pública que a gente não pode nem trabalhar né com arma com jogo e com eh cigarro e e agora o Bet também né como é que você vê eh a questão do álcool e até falando um pouco dessa questão mais atual né do Bet como é que essa coisa eu tenho que tentar tá resolver o problema
financeiro e e tem relatos tristíssimos né F que a gente tá Vendo de de situações de divórcio e tudo mais por assim e e o caso é esse né a gente já tinha do alco e agora tá vindo a questão dos bets também eu eh para mim são dois comentários que para mim tem muito a ver num ponto que é como esse sistema vai eh em especial no álcool e nas bets né no nessa coisa do nessa coisa recreativa das bets né também ou da aposta em especial das apostas dos jogos de futebol né e
é isso porque aí eu vou Apostar não porque eu sei Eu manjo de futebol sou técnico eu sei que vai dar do a um naquele jogo que é uma forma que você fala aqui do seu livro que é uma forma de sociabilidade masculina exat e processo de alcoolização e pode ser processos de de gamificação né exatamente ainda mais mais no jogo ainda mais no jogo aí ó ganhei tanto virar para você falar ó acerte eu consigo beber cinco né assim esse ainda estimula ainda mais essa essa disputa seja por Quem bebe mais quem sabe beber
eu bebo e guento né Por exemplo ou essa disputa das bets agora que é não Olha apostei naquele jogo lá do Corinthians acertei sabia que ia empatar né vai é um lugar de prestígio mas eu acho que tem uma ponto que é é um sistema usufruindo dos recursos da classe trabalhadora e o o álcool funciona desse jeito né o álcool vai muitas vezes sujeito aí eu relato bem isso no livro O como ambiente do bar é um lugar desse sujeito que Muitas vezes é humilhado Nas condições de trabalho faz um trabalho repetitivo sem senti faz
um trabalho de um subemprego pouquíssimo remunerado mas o bar é o lugar em que há uma lubrificação das tensões sociais um deles vira para mim e fala Fernando ó aqui no bar no bar não tem Doutor não tem advogado não tem mendigo todo mundo é igual ele vira para mim e Fala essa frase que eu lembro da música do do H lá no bar todo mundo é igual gente é uma dinâmica do quanto o papel do bar para aliviar as tensões sociais é super necessário para essa classe trabalhadora super explorada não se rebelar digamos assim
né E que aí o álcool vai entrando no lugar de que quando eu bebo aquelas humilhações que eu passei no meu trabalho aquelas humilhações que Eu passo eh em condições de trabalho muito precárias aquelas humilhações são aliviadas e descarregadas eles falavam assim para mim ah Fernando a cachaça para mim a cachaça para mim é um refúgio ah cachaça para mim é um é um lugar eh tô tentando lembrar as outras palavras mas ah é com a cachaça eu tomo coragem tem um artigo que de um pesquisador americano que fala que a cachaça muitas vezes é
a coragem líquida dos homens né O cara toma cachaça arranja arranja briga vai resolver coisas tem a história des do cai né que não é cachaça mas era um espinafre meu espinafre né exatamente o como é um lugar de restituir um lugar de prestígio Uhum eu bebo mais e agento e o meu lugar de de voltar me sentir homem né também é a gente não sabe ainda as consequências que vem do vício do jogo né no Brasil em Termos de saúde mental Ach gente que vai esperar um tempinho pra gente saber a gente já tá
tá pipocando né mas eh a dimensão deve ser muito grande em breve quem quiser o Ministério da Saúde fez alguns posts e uns materiais sobre vício eh em em jogos tá no Instagram do Ministério da Saúde com botando esse tema que já está sobrecarregando mais ainda o Centro de Atenção psicossocial com Ah já já é nítido Isso pessoas pessoas extremamente endividadas pessoas Dependentes do J dos jogos e da e das betes de futebol também fingindo ainda mais esse processo de doenças crônicas e que né que vão afetar essa transição epidemiológica cada vez mais forte e
o duro que mexe numa questão financeira muito grave né as pessoas são tem questão econômica e endividamento é uma questão de saúde mental grave né também né porque é uma compulsão uhum né que nem as pessoas que compulsivo por jogo compulsivo por compras compulsivo por Eh por por compra de sapato né muitas vezes as mulheres têm algumas compulsões por compras os homens entram muito mais na compulsão por jogos né Por exemplo Fernando então seu livro incrível né que eu recomendo demais lerem que tem parte de um princípio até que você se coloca um pouco como
objeto depois faz toda essa trajetória conceitual traz os depoimentos traz suas reflexões mas pra gente aqui eh qual é a mensagem positiva no sentido assim dá para ressignificar Dá como é que a gente faz um trabalho de ressignificação que possa chegar né aos homens de uma maneira mais aberto ou se já tá acontecendo o que que você tá sentindo porque é um confronto né Eh você tem uma área de marketing comercial muitas vezes ou do álcool ou ou de jogos que querem transformar eh desejos e necessidade eu preciso beber eu preciso jogar né como transformar
essa necessidade humana de entender a sua intimidade de ter esses relações Realmente fortes né em momentos às vezes eh eh muito críticos da vida da gente como transformar essa necessidade humana que a gente tem num desejo eu acho que a gente tá você usou a palavra confronto eu acho que essa é a palavra bastante delicada porque quando eu olho pros meninos por exemplo eu vejo os meninos entre no lugar de querer ir atrás de lógicas mais tradicionais e resgatar aquela masculinidade antiga de poder e De não vamos botar ordem nisso aqui como se a Equidade
fosse uma desordem né tem o extremismo dos redpills né e de um outro lugar a gente vê meninos mais em contato com as suas emoções mais eh reconhecendo a necessidade deidade de igualdade de gênero com as meninas né e trabalhos como o projeto meninas do futuro do papo de homem como eh ações que de discutir masculinidades nas escolas como tem feito algumas locais do programa saúde na escola eu acho que a Gente tem algumas tentativas o pré-natal do parceiro que é uma política hoje né Nacional sim sim o a a inclusão dos homens para distribuir
cuidados dentro de casa em especial no Cuidado com as crianças e aí A Estratégia do pré-natal do parceiro puxada pela coordenação de saúde do homem do Ministério da Saúde é uma bisa estratégia pra gente já convidar esse homem pro mundo do Cuidado Uhum é um extremamente estratégico para esse homem que vai ser pai vem aqui como É que eu dou banho mudar lá na semente exatamente não ficar na redução de danos né a gente mudar lá na semente a gente tem falado sobre isso também eu chego assim eh São dois programas que eu tenho grande
orgulho no Brasil né primeiro programa de prevenção e e tratamento GV aides que foi Brasil foi referência e o programa de saúde do homem do ministério é uma referência Mundial também porque a gente vai nos países e não encontra né então o Brasil é bom salientar isso Né que a gente tem uma política de saúde do homem e um programa pré-natal do parceiro que é para tentar realmente desde esse momento não só ajudar o homem a reduzir seus danos né mas como também já ali participar desse cuidado né então é que é isso O Brasil
é o único país da América Latina que tem uma política de saúde específica para população masculina Ah ainda é o único ainda é único ainda é único a gente felizmente tem algumas estratégias a Argentina tá Aplicando a estratégia pré-natal do parceiro também amos tentando estratégia o PR mundo tá querendo levar a estratégia pro Peru também né Isso é muito importante pra gente e Para justamente poder eh tem uma um um dado da OMS que mostra que um a cada cinco homens nas Américas morrem antes dos 50 anos gente a gente tem que olhar para isso
números horríveis e essa questão tá totalmente relacionada com esse exercício dos comportamentos de risco Relacionados à masculinidade álcool dirigir rápido se envolver em briga sem machão né ser machão E aí nisso eu acho que a gente conseguir dar essa outra visibilidade pros homens ache engraçado teve uma vez que eu fiz um videozinho do do draus Varela eh eu tava no Novembro Azul do ano passado na história do novemb lembro aí das campanhas né e eu falei Dra O que que você falaria pros homens ele fala e ele daquele jeito de comunicador de Primeira que ele
é né ele falou assim pô Pega Leve esse negócio de ser machão é um perigo Pega leve procura procura se cuidar não deixa só pra tua mulher não vê o que que você pode fazer para você pros seus filhos se ame basicamente né essa conexão entre masculinidades e cuidar é a saída é a saída Ô Fernando eu queria deixar assim um espaço para você quiser comentar ou fazer uma última fala pros nossos ouvintes nossas ouvintes né mas De antemão já agradecer por essa verdadeira aula aqui que a gente teve nesse Episódio Mas fica à vontade
e para dar o seu a sua última fala tá bom primeiro agradecer e é isso né um tema que eu sou apaixonado é estudo essa temática H 18 anos sou muito feliz com poder transformar isso em política pública é é é tudo que a gente deseja ainda mais com a parceria com promundo a gente tem uma coordenação de saúde do homem dentro do ministério Dentro da secretarias estaduais para você que tá ouvindo né todos os estados tem uma referência de saúde do homem grande parte dos Municípios também né acho que vale a pena a gente
construir essas estratégias ou para você que que tá com tá cuidando do teu filho né que tá cuidando do teu filho seja homem seja mulher como é que a gente pode eh não não Reproduzir uma lógica não de vira homem não a gente pode ser um pouquinho mais Est mais um pouquinho mais em contato com as nossas vulnerabilidades que lindo que lindo Fernando muito prazer tá aqui e olha é a primeira de muitas vezes que você vai voltar aqui no nosso podcast Hein você vai estar aqui vai virar sócio muito obrigado pelo conv obrigado a
você Fernando então tivemos aqui a participação de Fernando Pessoa nesse nosso incrível Episódio e Esperamos vocês nos próximos episódios do nosso podcast obrigado