As narrativas compartilhadas têm o prazer da presença hoje do querido Mário Pérsico. O Mário Pé Seco é autor e diretor, coordena o Núcleo de Artes Cênicas da Fundec (Fundação de Desenvolvimento Natural de Sorocaba) desde 2001, tendo sob sua coordenação cerca de 150 pessoas em média. Sua formação teatral iniciou-se em 1976 em Sorocaba, portanto há 45 anos, e ele também tem o curso dele, que é o Google Google Curso de Teatro.
Mário Pérsico destaca em sua carreira a montagem de "A Mulher Zumbi", que recebeu 27 prêmios e representou o Brasil na 12ª edição da Escola Internacional de O Popular Latino-Americano, em Santiago do Chile, em 1998, e na Disco Show Portugal, onde realizou uma turnê em algumas das principais cidades, principalmente na região do Porto. O nome completo do Mário é Mário Rafael Pérsico, e para muita gente, ele não sabe que é bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Sorocaba, em 2007. Além disso, ele foi bancário e dono de bar até assumir o teatro como profissão.
Essas coisas ele vai contar para nós com mais detalhes. Em 2007, ele foi aluno especial do mestrado pela Universidade de São Paulo (ECA-USP) na disciplina "Teoria e Prática da Peça Didática" de Berto Braz, com a professora Ingrid O. Branco, que também foi professora do curso de teatro da Uniso.
Em 2010, ele concluiu também a pós-graduação Lato Sensu em Pedagogia do Teatro pela Uniso e coordena o Teatro Escola Mário PS, um espaço criado em Sorocaba desde 2013, onde ele tem a formação de atores e mantém também com regularidade apresentações em todos os finais de semana, totalizando mais de 600 apresentações. Com esse espaço, ele é bastante respeitado nas ações teatrais aqui de Sorocaba e região. Desde 2013, ele tem uma produção teatral significativa, sendo premiado como melhor agitador cultural da região por duas vezes consecutivas.
Em 2016, o Mário foi um dos cinco membros da comissão avaliadora do Prêmio Fomento José Renato, da Secretaria Municipal da cidade de São Paulo. Em 2017, ele também foi membro da comissão avaliadora do Prêmio Pro, pela Secretaria de Cultura, na modalidade de dramaturgia. Em 2021, ele foi membro da comissão avaliadora do Prêmio Pro na 144ª edição, da mesma secretaria estadual, e atuou também como autor, ator e diretor, exercendo essas três funções em mais de 130 trabalhos.
Ele trabalha com crianças, adolescentes, jovens adultos e também com a terceira idade. Dentro das peças que ele montou, podemos encontrar "Romeu e Julieta", "Um Noviço Antigo", "O Rei da Vela", "O Rapto das Cebolinhas", "Cinderela", "Pluft, O Fantasminha", "Meu Amigo Dom Pedro II", "Gibbs Oroch", "Sonhos de Uma Noite de Verão", "Marcelino Pão e Vinho", "O Crime do Padre Amaro", "A Hora da Estrela", "Cola de Mulheres", "Bodas de Sangue", "O Beijo no Asfalto", "Os Sete Gatinhos", "Um Milagre de Anne Sullivan", "Peixes Grandes Comem Peixes Pequenos", "Do Outro Lado do Rio", "Concílio dos Mortos", "À Vida Com Ela", "Sentimento do Mundo", "Incidente em Antares", "O Amor e a Cólera", entre uma infinidade de outras obras e montagens. Ele também participou de várias outros projetos, sempre com uma ligação direta com a história de Sorocaba, especialmente nas peças "Do Outro Lado do Rio", "Da Feira de Juarez" e "A Produção Industrial", além de ter base no livro dos espanhóis de Sérgio Coelho de Oliveira.
O Mário conhece muito da história do teatro de Sorocaba porque sempre exerceu inúmeras ações nesse contexto teatral e artístico sorocabano. Ele é muito respeitado pelo trabalho sério e significativo que desenvolve, e seu sorriso constante e sua maneira de ser são marcantes. A peça "A Mulher Zumbi", que ele mesmo escreveu, fez muito sucesso e até hoje as pessoas querem assistir novamente, e se ele a montar novamente, com certeza haverá um grande público.
Durante muitos anos, o Mário também apareceu em comerciais de televisão, acreditando que ao menos em 10 comerciais ele participou, além de uma série de outras coisas que ele vai contar. Então, Mário, seja muito bem-vindo aqui no "Narrativas Compartilhadas". É um carinho enorme que nós temos por você e muita gratidão pela sua presença.
Gostaríamos que você começasse contando onde nasceu e como foi sua formação inicial na escola, assim como sua relação com o teatro. Fique à vontade, a palavra é sua, e aqui estaremos ouvindo. De vez em quando, darei alguns "cutucões", mas é você quem vai contar.
Vamos em frente com o importante que é este bate-papo. Para quem está nos ouvindo, faremos em blocos de 15 a 20 minutos, para que seja mais fácil para quem deseja assistir em vários momentos. Então, Mário, a palavra é sua e, primeiramente, obrigado Roberto pelo convite.
É sempre um prazer poder compartilhar algo, seja um trabalho ou este bate-papo com você. Bom, vamos lá! Santa Cruz do Rio Pardo é uma cidade na região oeste do Estado de São Paulo, pouquinho depois de Ourinhos.
Eu vim de lá muito, muito pequeno. Acho que fiquei lá até os 23 anos de idade, no máximo, e aí viemos para Sorocaba. Então, posso dizer que toda a minha carreira, o meu tudo, a primeira escola que eu fui, tudo aconteceu aqui em Sorocaba.
E aí, o engraçado é que eu não tinha nenhuma ligação com o teatro; eu tinha, assim, com o cinema. Minha mãe me levava, às vezes, duas ou três vezes por semana nós íamos às matinês, né? Ele se opôs à tarde, eu, e o mais louco é que naquele tempo, hoje em dia você vê muito filme dublado em qualquer lugar, tem filme dublado.
Naquele tempo, não; era tudo com legenda, e eu ainda, na maioria das vezes, não sabia ler, né? Eu mais acompanhava as histórias ou, se soubesse, com oito, interesse, gostava muito daquele universo. E o que eu não ia entendendo, perguntava para ela.
E sim, é o fato de não entender o que as pessoas estão falando; isso é uma coisa que eu sempre lembro, nunca foi um problema. Eu falava: "ir para o cinema", pronto. E era raro ter filmes nacionais, né?
Filmes brasileiros, pena que não tinha o problema da legenda onde passava. Então, foi básica, peguei uma paixão pelo cinema, aquele universo de faz de conta que era muito maior. Eu sou filho único, né?
E eu sempre disse isso; acho que funciona um pouco até hoje que esse universo mágico de faz de conta que o cinema proporcionava sempre foi muito mais atraente para mim do que o mundo real, do que a vida real. Eu continuo, acho que ainda com um pé ou dois, dez, neste mundo de magia e o faz de conta. E é só que o cinema sempre foi algo muito distante, né?
E, vivendo em Sorocaba, eu lembro que uma vez a escola fez uma excursão até o quartel, aquele que tem ali do lado do bombeiro. E aí, ele sabe que no final tem uma apresentação de palhaços e estava lotado, a escola inteira foi. E eu lembro que eu gostei; foi a primeira vez que eu vi, basicamente, um teatro e não gostei.
Eu lembro que eu ter saído do salão, estava andando lá para aquele espaço enorme do quartel, né? Engraçado, e eu vi a palavra "teatro", ouvia "teatro" dentro de algum filme e nunca era algo que atraísse minha atenção e que me despertasse de alguma forma. Até que um dia, em 76, aconteceram um curso de teatro promovido pela P.
Tábuas, que era a associação Federação de Patroa da Baixa Sorocabanas, para isso, nome e que era garoto YouTube. Eles iam montar uma peça e eu pensei: "bom, não é cinema, né? Mas briga moldes, então".
Foi acrescentando lá: ver como é que é isso. Fui, tinha muita gente, acho que tinha mais de cem pessoas que se inscreveram. E conversaram sobre fazer esse curso.
A Mônica Minério era uma delas, o Maria Júnior, que depois virou bailarino, e estava hoje, é parecido, mas também começou naquele curso. E outros, a Correa que é escultor, se inscreveu nesse curso e montou sob a direção da Elvira. Gente, eu, o Romeu e Julieta, a essa altura já tinha caído para 36 pessoas, das cento e poucas que se inscreveram, estavam 36 que fizeram o Romeu e Julieta.
E eu vi uma paixão, assim, instantânea, nem eu fiquei com muito medo que aquilo ia acabar. Claro, aquilo acabasse, não tivesse uma continuidade. Então, no auge da ousadia, eu resolvi escrever uma peça, convidar algumas pessoas ali do estão mais próximas a mim, ali do Romeu e Julieta, pra gente montar essa peça porque o meu direito já estava acabando e aquilo ia acabar, né?
Bom, por sorte, essa peça não deu certo porque, claro, não, mas já tinha uma coisa muito significativa. E aí, essa peça não era uma criação original, ela era baseada no romance de Mario de Andrade, que é o "Amar, Verbo Intransitivo". O que, na época, tinha sido lançado o filme "Lição de Amor" com a Line Hebert e também era uma adaptação do "Amar, Verbo Intransitivo".
E eu não tinha assistido, eu tinha visto o trailer do filme "Lição de Amor" e aí fui pesquisar o que era um quilo. Me, e aí, oi, alô, oi. E você foi conhecer, já, baseado em Pirapora, no peça de um autor estreante, de uma pessoa que tinha começado aquele ano para de teatro, não é?
Mas a gente conseguiu a simpatia de uma professora do Liceu Pedro Segundo. Uma das atrizes estudava lá. E ela viu o drama desses jovens querendo fazer de qualquer jeito, né?
E ela falou: "olha, eu tenho um amigo que ele faz, ele dá aula na Escola de Arte Drmática da USP e é daqui, nacionais". Semanas, os pais moram aqui, ele vem para Sorocaba. Vocês querem que eu fale com ele e saber se, no final de semana, ele se anima e resolvemos fazer alguma coisa com vocês?
E aí ela forçou com ele, que é o Antônio Carlos Moreira, e ele tocou, né? E nós montamos um visto do mar que, espera aí, também, um trabalho muito legal. A gente foi apresentado aqui, no cine Absurdos, apresentamos até dentro de uma igreja, uma igreja católica ali na frente do altar, apresentamos os extremos no asilo.
É aquele asilo que tem ali no item, ali no centro, naquele casarão bonito, não sei se era São Vicente de Paula. A centralizamos apresentações em bares e locais, e foi uma. .
. Coisa muito legal! E aí começou o grupo.
Essas pessoas que estavam noviço foram dando continuidade. Eu acabei de sair, mas aí eu já conhecia o Mantovani, que não é grande diretor aqui da cidade. Ele ia fazer um antigo, antigo, né?
É dos óculos e foi a peça que inaugurou praticamente o teatro Pacote. Ele na obra, algum show chamado "Sempre", um musical contando. Então, mas a primeira festa foi o "Antigo, ele do motor iônico".
Aí depois do "Antigo", a gente fez "O Rei da Vela". Eu desci na praia, não está, no finalzinho da digitar durante, e o "Rei da Vela" era mais um dos inúmeros textos que estavam proibidos pela censura. Aí, uma coisa que ele foi conversar com o Zé Celso Martinez Corrêa.
E tínhamos a primeira vela de São Paulo dos anos 60 para dar uma força para a liberação do texto. Aí o Zé falou: "Vem para cá para a gente fazer uma apresentação aqui na sua oficina. " Aí a gente chama a imprensa, chama alguns intelectuais para fazer um mágico em cima para ajudar a liberação do texto.
A gente foi e fizemos duas apresentações lá. Na verdade, uma só para ele e o pessoal dele. Eu lembro que ele teve a ideia de fazer mais uma, chamando a classe artística e os intelectuais.
Só que essa apresentação, ele esperava, Zé, muito né, tipo revolucionário. E aí, quando terminou, eu acho que ele esperava um posicionamento mais contundente do motocross. Não, quero dizer, o diretor, e eu lembro que ele não fez isso porque ele não era uma pessoa que tinha a mesma liberdade que o Zé.
Ele era funcionário da Cia. Beijo, te amo! Numaquelas possibilidades, com todo aquele cuidado e tal.
E não, aquele final publicado não é mesmo. A gente estava voltando ao "Rei da Vela". Eu estou vendo, contava que várias vezes ele se sentiu sendo seguido pela rua.
Era uma época em que a gente às vezes encapava livro com jornal porque ninguém podia saber que a gente estava valendo aquilo, que aquilo era proibido. Enfim, aí nessa apresentação, com todo mundo lá, o Zé queria fazer um show, né? E o motor não abraçou a ideia.
Tem algum tempo, o Wi-Fi aí, o Zé destruiu a peça. Ele falou: "Mas nem Coelho Neto faz um carro! " Eu não sei o que lá, destruiu assim.
E eu, moto, uso. . .
É Celso, era e continua sendo um grande ídolo, uma grande referência do motor, Vânia, né, no trabalho dele. E eu acho que deve ter sido muito triste para ele ter seu hidrodíprio indo em público, assim, para todo mundo, né? Mas, enfim.
Foi algo. . .
De qualquer forma, o texto acabou sendo liberado. Nós montamos "O Brilho da Tela" aqui também no Teatro Fantoche, para jantarmos, ir em vários lugares. É que agora não foi indo, né?
Uma peça atrás da outra. Aí eu montei de novo, se reuni de novo algumas pessoas daquele grupo original e a gente fez via José. Amazon fez.
E uma coisa que achei interessante destacar é que todo esse começo, e eu não tinha muita. . .
como todo mundo. Eu acho que, está começando, a gente não tinha muita consciência do que era isso que a gente estava fazendo. Uma estava.
. . aquilo era mágico, era gostoso, era muito bonito.
A gente sabia que, de alguma forma, aquilo era importante, mas não tinha essa consciência mesmo do que era fazer teatro, da importância que tinha, do peso que isso tinha. Não. A gente estava indo, o barco estava indo e a gente estava indo junto.
E aí, eu acho que essa consciência foi vindo a posteriori, onde junto com essa práxis, ou essa prática do teatro, eu lembro que a gente fez até a partilha. Tem algumas coisas muito envolvidas, engajadas, aqui, até fruto mesmo do momento político que estávamos vivendo. E nós tivemos uma vertente com o teatro muito influenciada pelo.
. . quem?
São Paulo Freire. Nossas dicas, você quiser, da terra, aulas de alfabetização em alguns locais. E aí, algum teatro direcionado para alguns problemas que aquelas comunidades específicas tivessem, estivessem passando.
Eu lembro que a gente comprou um abrir com, na época, se chamava um grupo PG e queria fazer um loteamento lá na Vila Barão de Israel, chamado Tancão, que tem, quer dizer, teve aquilo. Mas a gente estava abraçando a causa dos moradores daquele lugar que ia ser. E o que eles pejados de.
. . a maioria estavam lá há 30 anos, tinham direito pelo menos por usucapião ao André, naquele espaço.
E aí, montamos uma peça discutindo, trazendo essa problemática. Enfim, era. .
. e mesmo toda essa atuação engajada e política, ainda estava no momento de vindo junto com uma consciência que nós estávamos começando a adquirir como artistas, como cidadãos. Mexe que a gente não tinha.
Mesmo a corda foi indo. Eu acho que quando eu quero incomodar para a classe A, vou ligar giratório. E aí, 90.
. . eu também não sabia que esse grupo, e até uma cara, eu acho que essa, a identidade, né, uma coisa que vai surgindo espontaneamente.
Ela foi adquirida, algumas vertentes. A primeira coisa já baseada no nome, não era se a clássica de repertório. Então, trabalhar é trazer esses textos clássicos e que estivessem discutindo alguma coisa que a gente achasse que era importante estar trazendo para as pessoas.
Irem sempre a um texto certo, cirurgia, você falou. Muitas vezes eram textos clássicos, mas da literatura. E aí, nós fizemos com Eça de Queirós, mesmo nós fizemos duas adaptações que não eram teatro: "O Primo Basílio" e "O Crime do Padre Amaro".
Enfim, há muitas. . .
Oi, oi, amor. Nos tempos do cólera, Gabriel García Márquez, que também é. .
. Um romance que, aliás, é um romance que eu lembro que me impactou muito. Eu ia assim com sofreguidão e, quando estava chegando perto do fim, eu queria ler menos porque não queria que acabasse.
Eu queria prolongar esse prazer, mas ao mesmo tempo tinha a vontade de concluir aquilo. Então, também foi uma adaptação que eu fiz da Hora da Estrela, que é o último romance, não é da Clarice Lispector? E também, tudo isso eu acho que tem uma coisa aqui, um gatilho que acionou isso.
Nós estamos fazendo também muito trabalho na escola, projeto escola. Então, eu aproveitava peças que estivessem sendo indicadas em algum ou alguns vestibulares. E assim, foi a Hora da Estrela, O Primo Basílio, e estavam nessa vibe despertada por esse interesse.
O que é bem ou mal é teatro. Você tem que sempre estar matando um leão por dia para atrair público. Então, tendo, pelo menos, assim, esse interesse, o que é unicamente você já teria um público pré-disposto a ir.
Não era uma peça didática para mostrar; tínhamos as nossas peças. Eu acho que estávamos fazendo teatro e bom teatro, porque eu já vi muita coisa assim de teatro voltado para a escola, assim como o teatro espírita, que fica mais na coisa didática e o entretenimento, a arte, né? Não parece que não cabe ali.
Eu tenho plena consciência que tiveram trabalhos de teatro, que as pessoas gostavam. Se entretinha e não era chato. No sítio do dia, eu tinha que mostrar o autor, a escola literária que ele está, e aí direciona o peso para a vertente didática e esquece o teatro.
Não tinham as duas coisas ali; era muito bonito, muito gostoso por esse lado também. Então, essa coisa dos clássicos acabou virando uma identidade nossa e, aos poucos, também curte surgindo uma outra vertente que é a história, né? A história da cidade, a história das pessoas aqui em Sorocaba.
Acho que isso começou com um trabalho que eu fiz na Grande Otelo. A mochila, e aí Cristina curta, três meses, e a finalização tinha que se apresentar o espetáculo. E aí, eu pensei em algo que dialogasse, né, com aquele em torno da Grande Otelo.
A noite ali era. . .
Ué, aí acho que ainda é ponto de garotos de programa. Então, surgiu o espetáculo que chegou com a noite. A gente foi criando histórias envolvendo este universo.
Foi uma coisa rápida, mas que já foi algo muito legal. Aí eu fiquei a dormir aprofundar isso. O meu grupo trouxe para cá, para a escola.
Bom, e nós fizemos entrevistas com garotos de programa, prostitutas independentes. Que me inscrevi, só pegando as histórias. Alguns minutinhos, a máscara trollando, né, mostrar o rosto.
E nós pagávamos aqui também; nós fizemos uma vaquinha. E o que seria o quê? Valente, eu preciso de um programa, era o que nós pagávamos para que a pessoa viesse e nos contasse as suas histórias.
E surgiram histórias muito interessantes, muito, muito tristes. E é isso, tudo foi despertado pelo espetáculo que a gente faz. A gente vai do nosso repertório da companhia.
Aí vem também a chance de fazer um espetáculo que era contando a história do tropeirismo, a feira de muares, foi a febre, né? Sobre a febre amarela em Sorocaba, na virada do século 19 para o século 20. Foi uma pesquisa muito legal, muito interessante.
Foi aí que eu conheci também a professora Ingrid; ela adorou o espetáculo, aí ela me convidou para fazer ser aluno especial de mestrado com ela. Na época, em função disso, eu fui para o. .
. nisso também parceira e a pós-graduação, pedagogia do teatro. É tudo por causa desse espetáculo, a febre, e em consequência dele que eu conheci a Ingrid pessoal.
Aí depois disso vieram os espanhóis. Peguei o livro Sérgio Coelho, que a gente também quer fazer uma pesquisa em cima disso. Isso aí, o espetáculo do outro lado do rio e a controle espanhola.
Era basicamente dentro, depois tá a ponte, depois de Sorocaba. E foi o espetáculo que a gente fez na escola Matheus Maylasky. A febre também foi a mão no Maylasky; os dois espetáculos eram itinerantes, não era no local só do grupo, e acompanhando os atores por todos os locais da escola.
E foi uma experiência muito, muito interessante, até usada. Sobretudo no do outro lado do rio, que ele era, ele era um musical também. Ele era o espetáculo, o personagem é um tal e era o musical.
Então, os músicos, como era itinerante, eles tinham que ir, pegar os instrumentos aqui, e vai. . .
É o outro lado para acompanhar os momentos dos atores de um cantar. Mas foi muito legal, a experiência foi um trabalho. E assim, pela força, não lhe disse, não sabia também que a coreografia veio da alma de Leves, né, que é da sala campeonato do Flamengo, e entrou e nos ajuda.
Oi, que de algumas coreografias. Então, foi uma grande ousadia que ele fez. E depois disso veio terminando essa trilogia inicial, né?
O espetáculo com O Filho dos Mortos, a palavra sobre o final, o fechamento da. . .
do moço. Moço não considero do convento de Santa Clara. Quero, peraí.
É, não saiu. O velho público não havia, é, retirado aqui do centro. E foi lá para cima, na Zona Oeste.
Existe até hoje, foi isso. 16, ia às seis. Trouxeram essa problemática da falta de preservação dos bens públicos em exatas, memória de aprender, relação com a água, com a demolição do prédio.
Que, aliás, era um prédio, acho que era projetado pelo Frei Galvão, uma coisa assim. Não lembro agora, mas é um prédio histórico e que foi. .
. Destruído de hoje, foi erguido ali o Conjunto Santa Clara e a discussão era também sobre um espetáculo muito bonito. Aí já não foi no Mailasqui, mas na escola Fernando Prestes, que também era algo itinerante, né?
Ele tinha um espaço imenso e era maior até que o "Til My Life". E também foi muito legal. Foi uma temporada de 30 espetáculos e todos eles foram espetáculos, uma morada de mais ou menos 30 espetáculos.
Isso foi ganhando, assim, também uma cara do grupo, né? Naturalmente, foi virando a nossa identidade essa discussão com temas da cidade, seja lá de trás, das nossas origens, seja de agora, como a questão dos marginalizados ou dos excluídos, que tentam, na noite, de alguma forma, encontrar um lugar ao sol. E, enfim, isso foi virando pouco a pouco a nossa marca, a nossa cara, e foi muito legal.
E hoje, também novamente, nós estamos aí com uma trilogia sobre a escravidão, a escravidão aqui em Sorocaba. Um, dois, três peças, que falam sobre aspectos diferenciados envolvendo esse poema aqui na cidade. Tá bom, dá uma pausinha agora e, em seguida, eles começam contando sobre a trilogia da escravidão.
Tá bom? Então, para vocês que estão nos acompanhando, daqui a pouco nós voltaremos com o segundo bloco. Então, até já!
E aí? E aí? Oi!