ah [Música] bom gente eh eu sou o professor Charles né a gente tá aqui na aula sobre o sigilo profissional na legislação do serviço social eh Então vamos pro terceiro bloco né da nossa aula né Eu falei e terminei falando eh do papel da resolução 493 de 2006 que Versa sobre as condições éticas e técnicas do trabalho né eh e aí né a gente eh viu né no último bloco quanto eh a questão do sigilo aparece né ali nessa resolução eh essa resolução ela regulamentou dentre outras coisas né a linha a do Artigo 13 do
código de ética profissional né que afirma que é dever de assistentes sociais denunciar ao conselho Regional né As instituições públicas ou privadas onde as condições de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar os usuários profissionais ou profissionais né portanto né o conselho ele é um receptor de acordo com o código de ética ele é um receptor de denúncias né que eh ã de locais que não ofertam as adequadas condições de trabalho para que o serviço à população importante martelar isso seja prestado com a devida qualidade né porque um serviço desqualificado é violação de direito então
nós podemos estar participando dessas violações quando não trabalhamos em condiões adequadas e portanto eh desqualificam o exercício da profissão por isso o conselho profissional no caso Cris né que é a Instância mais próxima do dos assistentes sociais deve ser assada ã Quando essas condições não sejam eh não sejam dignas né E nós sabemos né que o exercício profissional nosso de assistentes sociais ele tá imerso nas Profundas transformações né que o mundo do trabalho vivencia no atual estágio do capitalismo né E que é marcado e por uma intensa precarização e degradação do trabalho né então e
eh o contexto do mundo do trabalho não é propício para as condições dignas de trabalho né porque a gente vive um contexto de precarização e degradação e é vasta a bibliografia né que descreve e Analisa as determinações do Mundo do Trabalho na sociedade contemporânea né a gente vem vien and aí nos últimos anos alguns fenômenos que os autores têm chamados de vem vem chamando de uberização pejotização né Eh enfim né uma o trabalho intermitente que tem a ver né com a a reforma da legislação trabalhista do governo golpista do temer né que tem a ver
com a reforma da previdência do governo neofascista do bolsonaro né onde a gente teve eh recorde de desemprego no Brasil enfim né um constante Ataque aos direitos da classe trabalhador né e dentre esses direitos os direitos as condições condignas de trabalho então eh a precarização das condições de trabalho de assistentes sociais não é um fenômeno que assola somente o serviço social né mas ele assola toda a classe trabalhadora diante dessa nova ofensiva do capital e das formas de precarização e degradação do trabalho né E essa precarização ela tem como objetivo dentre outros possibilitar o maior
controle do Capital sobre o trabalhador em toda a dinâmica que envolve o processo de trabalho né retirar a autonomia do trabalhador né E esse é e isso é um elemento de de luta de classes muito importante desde que o capitalismo existe né ou desde que o processo de acumulação primitiva do Capital existe não é e é é é necessário tirar a autonomia do trabalhador mesmo que para isso eu precariza as minhas relações com ele porque isso é uma forma de eu Manter o controle sobre o que ele tá fazendo né de eu Manter o controle
sobre o que eu quero que ele faça né e por isso né Eh também é preciso atacar as formas que essa classe que esses trabalhadores encontram de resistir a esse tipo de pressão né então os ataques as formas de organização bem como a precarização de contratos de trabalho né são estratégias fundamentais do atual estágio de padrão de acumulação de Capital Então nós não estamos falando quando a gente fala de precarização das condições de trabalho a gente não tá falando de um fenômeno só dos assistentes sociais né que assola somente os assistentes sociais ele assola toda
a classe trabalhadora incluindo os assistentes sociais né Nós não estamos imunes a esse cenário como demonstrou eh o artigo de seolin né na revista serviço social e sociedade ã numa edição de 2014 né agora isso é interessante a gente observar eh que eh esses ataques as formas de organização da classe trabalhadora atingem também assistentes sociais né Eh nós ainda que tenhamos uma ação crítica pautada em conhecimentos provenientes da tradição marxista que reconheçamos as lutas dos trabalhadores nós assistentes sociais né E tem dados que demonstram isso né Eh somos uma categoria que participamos pouco de lutas
sindicais né Eh o nosso índice de sindicalização é baixo né de Sindicatos seja de Sindicatos de assistentes sociais ou sindicatos eh dos pelos locais de trabalho ou pelo ramo de de atuação né ou pela área enfim nós temos um baixo índice de sindicalização né Eh de algum modo né Essa queda nas taxas de sindicalização ela é uma tendência geral da classe trabalhadora né em razão da própria PR precarização das condições de trabalho dos vínculos de trabalho né então eh não à toa a precarização também tem esse objetivo né de fragilizar as formas de organização né
mas também a gente tem né uma baixa sindicalização isso né é uma uma característica que eu particularmente é atribu né porque nós Ainda temos muita dificuldade de nos reconhecer como parte da classe trabalhadora né ainda que sempre tenhamos eh tenhamos sido assalariados né ã a gente ainda eh se reconhece como um agente missionário né ã como alguém que tá ali para se doar em nome de uma causa né Eh e não como um trabalhador né a serviço da ajuda né E que pode ganhar um outro nome né nó somos missionários a serviço do direito da
garantia do direito né mas nunca na condição de trabalhador assalariado né então acho que isso também é um dado interessante né e soma-se a isso tudo a própria estratégia né Eh promovida pelo capital dos ajustes neoliberais né que é o corte né dos gastos públicos que leva uma precarização né das políticas e dos serviços sociais né Então os cortes orçamentários e a gente ano após ano vai vivendo né dramaticamente um aumento dos cortes né Eh desse ajuste fiscal né compõe o conjunto de estratégias né das classes e segmentos dominantes de redirecionar o papel das políticas
sociais para as necessidades do atual padrão de acumulação né outrora políticas sociais universais de qualidade foram fundament Tais para alavancar a acumulação de Capital né para alavancar o desenvolvimento do capitalismo hoje não são mais né elas se tornaram em alguns aspectos elas se tornaram inclusive um entrave aos processos de acumulação Então os ajustes eh econômicos em torno do orçamento eh e financiamento das políticas sociais né Eh eh eh faz parte de um conjunto de medidas que são tomadas eh para promover aí e a acumulação de Capital no atual estágio do capitalismo né então isso ajuda
a precarizar os serviços né e as condições de trabalho né E aí né isso começa rebater como demanda nos Cris né como a gente tem um baixo índice de sindicalização Porque existe uma fragilização né dos dos sindicatos e a gente teve um um um um conselho profissional né que ã eh abraçou a pauta das condições de trabalho ainda que não pela Via sindical né pelas condições éticas e técnicas mas que abraçou a pauta das condições de trabalho né O que a gente passou a observar isso foi um documento né que o Cris eh publicou em
2013 sobre a diferença entre conselhos e sindicatos o que a gente eh observou no âmbito do cres é que boa parte das demandas que chegavam de assistentes sociais fosse nos eventos nas atividades que o cres realizava mas sobretudo nas aquelas ações cotidianas de de de orientação e fiscalização que a cof realizava eram demandas que não versava sobre o exercício profissional né mas versava sobre demandas de natureza sindical né incluindo alguns aspectos das condições de trabalho né alguns aspectos das condições de trabalho não é papel do Cris né Eh como conselho profissional por exemplo periculosidade insalubridade
não é isso é pauta sindical né mas chegava como demanda pros Cris né E aí como a né o o os conselhos têm limites né para para lidar com isso por conta da sua própria natureza né não à toa a gente escutava e escuta até hoje né frases como o cres no luta pela gente o cres não faz nada para melhorar os nossos salários eu pago anuidade do cres ele não me defende o cres não faz nada né como se fosse tarefa do cres fazer isso né e não é mas como a pauta das condições
de trabalho foi adotada pelo conselho a categoria acabou referenciando no conselho o espaço para levar essas reivindicações né que não são da competência do Conselho dele esse dado né ele foi um dado constatado para um levantamento que os agentes fiscais né que são assistentes sociais que trabalham no conselho fizeram dos atendimentos eh que chegaram a cof em 2013 né que boa a maioria das demandas que chegam ao conselho são demandas eh de caráter sindical né E aí quando a gente Analisa os dados apresentados é possível perceber que a questão das condições de trabalho aparece boa
parte das demandas né Eh como a questão da Autonomia técnica eh Então as condições né Para que o assistente social possa exercer sua autonomia exercício ilegal da profissão que também tem a ver com condições de trabalho né quando você contrata uma pessoa que não é formada em Serviço Social e diz que ela é assistente social que ela pode ganhar menos e fazer qualquer coisa né tem a ver com condições e é exercício ilegal da profissão né Eh debate de cargos genéricos né você contrata com uma outra nomenclatura para poder explorar mais esse esse trabalhador assistente
social né o estágio em serviço social né a contratação massiva de Estagiários para dar conta de uma demanda que deveria est sendo tá sendo dada por profissionais enfim né ã demandas que chegavam ao cres né que tinham impactos no exercício profissional mas eram demandas claramente nitidamente vinculadas a as condições de trabalho né E aí também né esse levantamento eh que é um trabalho que foi publicado no impis de 2014 né tá lá no anaise do imps para quem quiser consultar um trabalho bem interessante dos agentes fiscais do cres do Rio eh nos chama atenção que
18% das demandas dizem respeito às competências e atribuições e 12% referem-se especificamente ao sigilo profissional né a gente sabe que são questões que dialogam entre si né Eh e que a questão do sigilo pode aparecer tanto na questão das competências e atribuições como na questão da Autonomia técnica dos cargos genéricos de tudo todas essas demandas que no primeiro momento tem um caráter Cical mas que De algum modo o sigilo aparecia ele também né Eh bom por quê Por qu quando a gente falou lá da resolução 493 né de que eh a a instituição tem que
ofertar as condições necessárias para que o sigilo aconteça né ou seja tem que ter a sala tem que ter o arquivo a sala tem que ter a vedação do som não é tem que ter condições para que o profissional possa fazer o atendimento individual grupal não é isso começa a se degradar com a própria degradação das políticas públicas né o próprio sucateamento das políticas públicas vão produzindo esse tipo de precarização que interferia diretamente nessas prerrogativas que a resolução 493 falava que garantiriam o sigilo profissional né então né Isso começou a bater no CRZ eu não
tenho a sala que Garanta o sigilo né Eu não tenho arquivo ã que que eu possa guardar o material técnico sigiloso por quê Porque isso faz parte deste processo de sucateamento que o neoliberalismo promove né não é uma pers são a uma categoria profissional né mas é o o contexto né sociopolítico que nós estamos vivendo de desmonte das políticas sociais né então eh eh se coadunava com uma luta maior né Eh essa luta pelas condições de trabalho ela tá inscrita né nessa luta maior em torno da Defesa das políticas públicas né Eh ainda na cof
né assim uma demanda que passou a aparecer com frequência né dizia respeito a formulários eh eletrônicos né A substituição de formulários físicos por por formulários eletrônicos né Eh sobretudo por meio de redes eh vinculadas à internet eh e isso novamente fez com que a discussão do cilo profissional aparecesse relacionada às condições de trabalho né E aí né acho que uma conclusão que eu particularmente tiro né dessa dessa passagem e que com a pandemia né Eh eh eh isso se aprofundou aceleradamente né e significativamente né Eh é que o sigilo não tá na ferramenta de acesso
ao documento né mas se nas escolhas né que o assistente social faz sobre o que ele registra e sobre o que ele compartilha de novo né Por quê Porque a diferença entre o material físico e o material digital ã do ponto de vista da circulação desse material Talvez seja a velocidade né a velocidade de circulação de um material físico é muito menor do que o de material digital a informação circula mais rápido né mas a informação material físico circula também né E lembremos quando a gente entrega o relatório e outro ler ele deixou de ser
sigiloso né ele só é sigiloso quando só um outro assente social pode ler é o que tá regulado na legislação né E aí né o que a gente fez L enquanto C foi tentar criar mecanismos de material técnico sigiloso em rede digital né porque é do ponto de vista do sigilo profissional é o que a gente pode regular né como que a gente lá na 493 na resolução 493 fala lá do arquivo físico que guarda material físico registro físico né se a gente começa a fazer registros virtuais de material sigiloso de material sigiloso é preciso
criar dispositivos de guarda virtual né E aí a gente pensou em acesso restrito por senhas e outros dispositivos eh de segurança quando se tratava de material técnico sigiloso né não er o caso de material institucional por exemplo prontuários eletrônicos porque prontuários eletrônicos ele pode ter uma dimensão de sigilo institucional mas não tem uma dimensão de sigilo eso profissional porque uma vez que você escreve no prontuário a gente falou isso no bloco anterior uma hora que você escreve no prontuário uma outra categoria profissional leu aquela informação deixou de ess jogos né eh e aí né Eh
a gente se deparava com uma situação né bastante frequente de que eh Na verdade o que as equipes queriam manter sob sigilo não era material sigiloso né porque não produzia o material técnico sigiloso né produzia um material institucional e se tinha uma confusão de que aquilo era material sigiloso né E aí a gente questionava mas por que que então não se tem o material técnico sigiloso né tudo que vocês eh eh eh eh eh tudo que vocês tomam conhecimento é revelado né E aí duas explicações apareciam com mais frequência né do porque da inexistência desse
material técnico sigiloso o primeiro era que a intensificação do trabalho a que os profissionais estão submetidos não permitia que os mesmos tivessem tempo para registrar informações em outro instrumento que não aquele que já tava pronto que não aquele que já vinha da instituição ou que já vinha como requisição né não tinha tempo então escrevia tudo naquele e não não registrava as informações consideradas sigilosas em lugar nenhum né e uma outra explica porque não tinha tempo né e uma outra explicação era uma explicação de que não havia necessidade né de se ter material técnico sigiloso porque
tudo era compartilhado né Eh e o o a a justificativa para esse Total compartilhamento era a realização de trabalho em equipe multiprofissional né mas o nosso código de ética regula o sigilo no trabalho multiprofissional e aí a gente tem que voltar lá né Por tá lá no parágrafo no artigo 16 em trabalho multidisciplinar só poderão ser prestadas informações dentro dos limites do estritamente necessário então prestem atenção à gravidade da situação quando a gente acha não é que tudo que a gente coleta de informação é para ser compartilhado a gente pode estar compartilhando aquilo que é
além do estritamente necessário e o que que é o estritamente necessário aquilo que traz proteção para o usuário o o a obrigação da proteção né então Atenção para isso trabalho multiprofissional não é sinônimo de que eu posso falar tudo porque o uso da informação por um outro pode ser completamente diferente do uso que eu quero que ela seja feita né bom é importante então a gente deixar isso registrado né o resultado né dessa inexistência de material técnico sigiloso né Eh e ou seja anulando as diferenças né O que que é material técnico sigiloso e o
que que é manual é material de Manus institucional n faz com que as informações sigilosas ganham no mínimo dois destinos né ou elas não são registradas em nenhum instrumento ou seja elas se perdem né E aí um outro assistente social nunca vai ter acesso a ela né porque ela não tá registrada não tá guardada em lugar n ou elas são registradas os documentos ou seja elas são reveladas elas perdem o caráter deo né E aí nos dois casos a gente tem problemas éticos No primeiro caso né ou seja se a gente não escreve nada a
gente perde o registro da história do usuário né de informações que podem serem determinantes para intervenções do sigilo do serviço social na institui S junto do público alvo do serviço social Então essas informações se perdem né não tem continuidade do trabalho do serviço social se o assistente social morrer se ele for mandado embora se ele ficar doente Se ele tirar férias se ele não tiver no dia de plantão dele né o trabalho tende a não ter continuidade porque não tá registrado em lugar nenhum né por outro lado o contrário né de falar tudo nos documentos
institucionais né e registrar todas as informações em documentos que serão de acesso de outros agentes que na prática é não definir o que que é sigiloso escreve tudo né Isso é a própria violação do sigilo profissional quando você escreve tudo pro outro ler você tá violando sigilo Então isso é um problema de violação do Código de Ética né tal como inclusive Tá previsto aqui no parágrafo 16 que o o o a a a o nível de de de informação a ser compartilhada tem que tá dentro do estritamente necessário né quando você ultrapassa isso é a
violação do direito de sigilo do dever de sigilo do direito do usuário a ter sigilo do dever de sigilo do assente Social né no âmbito da comissão de orientação e fiscalização né Isso foi muito rico né porque o debate sobre a diferença entre documentos institucionais e material técnico sigiloso ele se intensificou quando a partir num eh de um dado momento da da da do trabalho né da fiscalização eh a gente começou a identificar uma tendência né que tava acontecendo nas instituições eu acho que essa tendência se confirmou né que é requisitar aos profissionais o preenchimento
de formulários prontos né vem o formulário pronto elaborado né em algum nível da gestão seja da gestão Central né ou se é uma instituição pequena mas enfim da diretoria enfim né Eh algum formulário pronto que chega e fala assim olha aplica esse formulário sem nenhuma participação né dos profissionais nenhuma contribuição dos profissionais que estão lá na execução eh para elaborarem esses formulários né Isso foi uma tendência né que começou a aparecer eh e e que eu acho que se confirmou ao longo do tempo né eh e aí chegava no cres por quê Porque frequentemente essas
administrações que que elaboravam esses formulários né indicavam que qualquer profissional poderia e e e preencher aqueles formulários né Não isso aí qualquer profissional pode fazer então aí o assistente social pode também eh aplicar né E aí de Fato né Tinha alguns problemas né tinham algumas informações que tinha mais a ver com a questão médica com a questão jurídica né e que de fato né era era complicado a gente pensar que os assistentes sociais que deveriam preencher aquilo na verdade quem deveria estar preenchendo determinados Campos eram profissionais de outras áreas por conta da sua formação né
e das suas competências né mas quando a gente pegava esses formulários e Lia né com mais apuro né passando um pente fino neles né a gente identificava elementos né que ali constavam que versava sobre aspectos da vida do cotidiano da população que se aquilo fosse divulgado significava produzir violação de direito não garantia né então não à toa né muitos formulários que vinham eh eh requerendo um detalhamento absurdo de e eh eh exagerado de renda familiar não é de gastos domésticos né de quantidade de móveis eletrodomésticos que tem na casa de hábitos de lazer aí tinha
formulário que dizia perguntava se nos hábitos de lazer as pessoas usavam drogas e drogas podia ser lícita ou ilícita não é tinha formulário que perguntava qual era a frequência de relações sexuais que que que as pessoas tinham ã quantidade de pessoas presentes durante as relações sexuais se fazia droga para fazer sexo assim começava a entrar no nível de detalhamento vamos lá se era para preencher o formulário esse formulário éa parar na mão de alguém então né eram informações que não seriam informações sigilosas certo então vamos lá né era interessante porque isso não era questionado o
que era questionado era o que era da minha competência e da minha não competência preencher Mas o conteúdo político dessas perguntas não era questionado e aqui eu não tô dizendo que em algum momento em algum serviço perguntas como essas não serão feitas não precisarão ser feitas e respostas não precisarão ser compartilhadas eu já falei aqui que algum Liv de compartilhamento de informações é a gente precisa fazer não é Então dependendo do serviço que eu trabalho né sei lá se eu tô num num serviço né de trabalho com doença sexualmente transmissíveis eu preciso saber um pouco
sobre os hábitos sexuais daquela pessoa não é e eu preciso compartilhar essa informação né e eh então tô dizendo que essas essas perguntas São perguntas que nunca serão feitas não é a questão é qual é o objetivo de se fazer essas perguntas qual é o objetivo político que tá por trás de se fazer essas perguntas né Isso não era questionado pelos profissionais que procuravam Cris para reclamar do formulário eles reclamavam do formulário porque tinha pergunta que o médico tinha que responder mas essas perguntas de cunho moral repressor isso não era questionado né então a gente
começou a ficar e atento a isso né e a provocar os profissionais a pensarem sobre o conteúdo político disso né Isso era um elemento interessante de de debate e reflexão sobre a ética profissional né É porque nesse momento histórico que a gente vivencia né de Ascenso do conservadorismo de Ascenso de ideias Racionas né de moralismo burgues exacerbado não não me parece que é à toa que perguntas como essa sejam feitas em formulários né É pra gente cada vez mais julgar condenar e controlar corpos né e comportamentos né então a gente precisa est atento a isso
também né não é só uma questão de competência e atribuição é sobretudo uma questão política né Eh agora eh quando a gente então né O cr investigar quem Quem elaborou o formulário a gente se deparava com uma um dado muito estarrecedor né que muitos desses formulários tinham assistentes sociais participando da sua elaboração não assistentes sociais que trabalhavam na execução mas assistentes sociais que trabalhavam nas instâncias de planejamento e gestão né Eh E aí gente quando a gente registra e uma informação que a gente considera sigilosa Ou seja que pode fazer prejuízo pro usuário em um
formulário e registra criticamente a gente tá produzindo violação ética porque a gente não tá Protegendo o usuário né e isso a gente visualizava com frequência né os impactos disso na vida do usuário não na cof a gente visualizava isso na comissão de ética né Por quê Porque durante o período né que eu pude estar presente lá foi observado a gente conseguiu observar que cresceu o número de denúncias éticas eh que chegavam no Cris eh através de usuários do serviço social né Eh a gente tinha antigamente uma tendência de um um profissional denunciar o outro né
agora isso começa mudar o que eu particularmente acho muito positivo né significa que a população tá atenta ao que a gente tá fazendo né E tem que tá mesmo porque é para ela que a gente trabalha né Eh e né sobretudo né Eh eh denúncias eh de documentos produzidos por assistentes sociais sobretudo laudos e pareceres né que De algum modo traziam Impacto judicial na vida daquele usuário né então foi um aumento né bastante significativo de de denúncias éticas de usuários e se queixando de conteúdos de relatórios e pareceres emitidos por assistentes sociais né eh e
aí por quê Porque esses documentos sim não todos mas muitos deles cam carregados de valores e posicionamentos que se remetem a uma ética conservadora por quê porque entre nós temos pessoas que assumem esses valores conservadores como demonstrou lá a pesquisa da professora Paula Bonfim nos processos éticos e como eu falei faz parte do mundo né E a gente não pensa todo mundo igual né Nós temos uma hegemonia que deve ser seguida mas nós temos colegas né como toda a profissão tem que pensam diferente outros projetos profissionais né mas aí também a questão né do sigilo
profissional aparecia tangenciando esses documentos né esses documentos né pareceres e laudos ã eles versavam muito sobre situação de litígio né geralmente disputa de guarda disputa de curatela então quando uma parte se sentia prejudicada né com a decisão judicial por conta do relatório do assistente social e a lá e e e e e denunciava o profissional Lu Cris né então presta atenção é é uma é uma lógica punitiva atrás da outra né Aí você pune a família depois pune o profissional então você vai acionando instâncias judiciais porque o CRZ é uma Instância judicial também é um
tribunal de ética profissional né então quando você faz uma denúncia CRZ você aciona uma Instância jurídica né E aí isso tem a ver com a tendência que a gente vive de judicialização de tudo né tudo eu vou resolver mediante a judicialização né inclusive me vingar da assistente social que fez um parecer que me prejudicou né o fato de você fazer um parecer se posicionando a favor de uma parte ou de outra né isso em si não é uma violação ética pelo contrário nosso papel é é É nos posicionar se a gente acha que a criança
tem que ficar com a mãe e não com o pai a gente tem que dizer se a gente acha que que o idoso tem que ser né interditado ou ele tem que ficar sob os cuidados de um filho e não do outro a gente tem que dizer né porque a gente tá pensando ali no bem-estar daquele daquela família no bem-estar daquele cidadão né o fato é que como se trata de uma situação de litígio existe uma forte tendência de ao você fazer a afirmação Por Um querer desqualificar o outro né e quando o assistente social
cai nesse jogo ele tá produzindo violação ética não é então a gente tomava muito cuidado não é quando chegavam essas denúncias por quê Porque a gente sabia que muita coisa podia ser Vingança vou me vingar e justiça Não é vingança vou me vingar da assistente social porque eu perdi o processo por conta do relatório dela isso acontecia muito e a gente arquiva a denúncia a pessoa era denunciada a gente arquiva a denúncia né mas alguns relatórios não né a gente via que alguns desses desses pareceres não é eram documentos excessivamente descritivos Ou seja que falava
um monte de informação desnecessária né informações com pouca relevância né Então tinha lá informação de quantas vezes a pessoa sai para beber na semana né quantas vezes ela saiu com a amiga para passear e deix achou o filho na casa de uma irmã assim co como como se mãe não pudesse fazer essas coisas então você vai vai percebendo a visão de mundo a visão da moralidade né de uma ética conservadora ali né E que informações né que tinham ali que dependendo de quem lê prejudicava o usuário e que eu me veio várias palavras na cabeça
antes de falar o prejudicar né porque era um desastre na vida dele né e que eram informações absolutamente desnecessárias de serem colocadas naquele contexto né mas que aos serem colocadas trazia prejuízos ao usuário Portanto violavam o dever de sigilo profissional né aí a gente vai continuar um pouco daqui a pouco mais [Música] r [Música]