Você provavelmente ainda não entendeu o que que tá acontecendo. O PSG, aquele PSG dos egos inflados, das super estrelas mimadas e das eliminações constrangedoras, tá na final da Champions jogando o melhor futebol da sua história, sem Neymar, sem Mbappé e sem Messi. E mais, com um time jovem, coletivo e operário.
Um time que parece ter saído de um laboratório tático e não de uma vitrine de grife. Calma, porque isso aqui não é mais uma historinha de superação ou de espírito de grupo. Esse PSG é extremamente tático, tem método e tem organização.
E tem conceitos avançados que você precisa entender para parar de repetir por aí que o jogo de posição inessa o jogador. E se liga porque agora eu vou destrinchar com calma e com profundidade tudo que esse PSG faz com e sem a bola para desmontar as estratégias adversárias. E porque que esse sistema de jogo é hoje um dos mais eficientes da Europa?
Primeiro eu preciso te situar que para atacar existem basicamente três ritmos. Você pode atacar por meio de ataques rápidos, com muita velocidade, poucos passes e poucos jogadores envolvidos. Você pode atacar por meio de contra-ataques, que é basicamente autoexlicativo, ou você pode atacar por meio de ataques posicionais ou ataques cadenciados, que vai envolver mais passes, mais ocupação do campo de ataque e mais jogadores.
O que que de uma forma não muito correta a galera acaba chamando de tictaca. E o PSG do Luís Henrique é fã disso, mas tudo começa lá atrás com a saída de bola. Quero chamar atenção primeiro para esse jogo aqui entre PSG e Manchester City pela própria Champions League.
E aqui o desenho tático mais comum que vocês vão ver do PSG. Uma saída de três. Em quem faz essa saída de três pela esquerda é o Nuno Mendes.
Centralizado a gente vê o Pátio e pela direita nesse jogo, se não me engano era o Beraldo, mas geralmente costuma ser o Marquinhos. Uma linha de dois volantes e na frente mais cinco jogadores. Mas você vai ver que as coisas não são tão óbvias assim.
Uma vantagem de você fazer essa saída de três que geralmente você vai conseguir encontrar com o zagueiro pelo lado uma vantagem a mais. Qual que é? Geralmente quando ele recebe quem vai saltar para fazer a marcação é o Ponta.
E se o Ponta tá saindo para marcar, geralmente esse espaço pelo lado do campo vai est mais disponível. E aqui ele tem a oportunidade de encontrar o passe e gerar uma vantagem ou pro Fabian Ruiz que tá se oferecendo, ou pro Dué aqui na ponta. E a bola acaba entrando no Fabian com uma certa vantagem.
Nesse outro lance aqui já contra o Aston, a gente vai ver a vantagem desenhando mais em prática. Mais uma vez o Marquinhos vai dominar essa bola, vai conduzir e por mais que ele não atraia completamente quem venha marcar ele seja o Trossar e não o Martinelli, perceba como o Martinelli a todo momento tá mais fixado no Marquinhos e no Hakim do que propriamente num ponta que pode receber por aqui. E o próprio movimento, o próprio gesto do Hakim apontando para onde deve sair esse passe é que vai indicar todo o desenho, toda a estratégia da saída de bola do PSG.
Atrai por dentro para liberar o passe por fora no barcolar. Não é de primeira que esse passe vai gerar uma vantagem, mas na sequência da jogada a gente vê um PSG que consegue progredir em campo e com muitas trocas de posição, que o Rakimi começa a jogada por dentro, o Barcolá por fora e o Kivara mais avançado, a gente já vê esse desenho rodando. Perceba o Rakimi vem ocupar a beirada do campo, o João Neves, não, o Kivara, vem baixando e o Barcolá vai jogar por dentro justamente com tabelas, vai pisar na área e gerar grande perigo pro gol do Arsenal.
Percebeu como tudo parece orquestrado? Quem ocupa o que, em que espaço? Porque o jogo de posição, a filosofia do Guardiola, do Hans Flick, do Art Luís Henrique se baseia exatamente nisso.
Foca para que os movimentos dos jogadores sejam sempre intencionais, ocupando espaços pré-determinados do jogo para mesmo quem tá distante da bola conseguir influenciar no andamento da jogada. Naquele lance, por exemplo, Hakim começa por dentro e com isso ele ajuda a atrair a marcação e mesmo que de forma muito sutil, libera espaço para outros companheiros. E o Luiz Henrique coloca uma pitadinha de movimentação nisso.
Para ele não vai importar se quem tá fazendo determinado papel é o meia ou lateral, centroavante ou até o zagueiro. O que importa é alguém tá fazendo aquele papel. Essa primeira jogada aqui na Champions contra o Aston Villa vai ajudar a gente a entender um pouco mais disso.
Mais uma vez, aquela saída de três que vocês já estão ficando acostumados. Eu quero chamar a atenção para o comportamento desses três jogadores. Um jogador que vai est na base da jogada, um jogador que a gente vai chamar de interior, que vou ocupar essa zona mais central do campo e o extremo que vai ocupar a amplitude, a beirada do campo.
E percebam, nesse momento começa com Nuno Mendes, Fabian Ruiz por dentro e com o Kivara por fora. Mas com o andamento da jogada, percebam como que o Kivara baixa para atrair o lateral e quem vim ocupar o espaço da beirada é o Fabian Ruiz. Com o andamento da jogada, não é exatamente isso que vai acontecer.
A bola volta e o PSG vai circular. Nem sempre a estratégia vai dar certo, mas quando ela volta aqui na beirada, olha o gesto, olha a sinalização do Kivara. Ele chama o Nuno Mendes para vir ocupar o espaço dele para gerar esse tipo de dinâmica.
O triângulo tá formado mais uma vez. Nuno na base, Fabian Ruiz por dentro e Iquivara por fora, mas eles vão girar os movimentos, sempre ocupando os mesmos espaços, mas com jogadores diferentes. A partir disso, a gente vê esse desenho.
O Nuno se deslocando para vir jogar por fora, o Fabian Ruiz passando a jogar na base da jogada praticamente como um terceiro zagueiro, e o Kivara indo jogar por dentro. A jogada não se desenrola por aqui, mas ela vai acontecer do outro lado, em que a gente vai ver mais uma vez essas interações por triângulo, geralmente com um lateral, com um volante e com um ponto. Aqui na base da jogada a gente vai ver o João Neves e com o andamento tudo vai mudar mais uma vez.
Pronto, girou. O Rakim passa a fazer a base da jogada. Se não me engano aqui o Duê vai passar a jogar por dentro e o João Neves por fora.
O triângulo tá rotacionado e as posições estão mais uma vez ocupadas, mas por jogadores diferentes. E nesse jogo contra o Astonvilla a gente vai ver o potencial dessas movimentações aqui. Mais uma vez o triângulo.
Dessa vez Rakim na base da jogada, me parece aqui o Duê por fora e o Dembelé por dentro. o ponta, o interior e o jogador da base. E as movimentações vão todas ajudar ao desenho ir girando.
E percebam, se o Dembélé fori jogar mais como o interior, quem vai fazer um papel de um camisa nove é praticamente o volante, o João Neves ali. Pouco importa quem tá ocupando essas posições. As posições têm que ser ocupadas para gerar esse tipo de dinâmica aqui.
Inclusive, só para fixar mais uma vez, a saída de três tá bem desenhada agora com Marquinhos, com Pátio e com Vitinha nessa situação, porque perceba quem que tá sendo o interior aqui. Bruno Mendes, enquanto Vitinha faz a base da jogada e provavelmente aqui fora da imagem é o que vara quem tá colado na ponta. E aqui mais uma vez aquela ideia da saída de três ajudar a atrair o ponta.
O Marquinhos domina, vai atrair o marcador do Liverpool, me parece o Luiz Dias para encontrar o passe na ponta. Provavelmente aqui o Dembélé livre. E aí mais uma vez trocas de posições.
O lateral Hakim que deveria estar por fora, na verdade ele tá por dentro. O Dembéé ganha no drible e mais uma vez tabelas, movimentações e o que que a gente vai ver é o Nuno Mendes praticamente por dentro na beirada o que vara e quem vai pisar na área como um centroavante é o João Neves. Perceba como as posições trocam, mas as funções são sempre ocupadas.
E aqui eu vou trazer o time do PSG para campo para tornar tudo ainda mais fácil de entender. A gente vai ver aquele 325 organizado com Nuno, Pátinhos, João Neves e Vitinha, Kivara, Fabian Ruiz, Dembélé, Dué e Rakim. Mas eu quero destacar as principais dinâmicas.
Você vai ver geralmente o PSG com dois jogadores pisando sempre na linha lateral. Destacando, não importa quem sejam esses jogadores, mas essa posição vai est sendo ocupada. A ideia é principalmente atrair os laterais e abrir a defesa adversária.
Se os laterais não se sentirem atraídos, ótimo, você tem bons jogadores de um contra um na beirada, agora com tempo e espaço para atacar. A ideia é você também ter dois jogadores interiores. Aqui eu tô destacando com o Dué e com o Fabian Ruiz, porque se os laterais forem atraídos, você tem bons jogadores para infiltrar nesse espaço para pisar na área e concluir a gol.
E aquelas dinâmicas de triângulo que eu comentei, elas vão existir e aqui na prancheta vai ficar ainda mais claro de entender. Nuno Mendes, Fabian Ruiz e Kivara. E do outro lado a gente geralmente vai ver com o Duê, com o Rakim e com o João Neves, já que quem faz a saída de bola aqui é o Marquinhos e não teria tanta qualidade para jogar em todas essas posições.
O que que a gente vai ver? Se, por exemplo, o Nuno avança para jogar como um ponta, é natural que o Kivara jogue por dentro e que o Fábio Ruiz seja o jogador da base da jogada. A mesma coisa vai acontecer do outro lado.
O Duê pode vir jogar por fora, o Rakim vind jogar por dentro e o João Neves na base. Ou quem sabe até o João Neves entra mais, o Hakim baixa. E muitas vezes a gente vai ver até isso daqui acontecer, principalmente com o Vitinha tomando conta de todo esse espaço.
A importância de quem joga na base é construir de frente as oportunidades, na lateral atrair o lateral ou aproveitar um contra um e no meio espaço pisar na área para concluir. Empezam a fluir. Já empieza a fluir.
Já vakius warren. que ellos solo se van colocando cambi de posian pronto aquí como aquí como aquí y cuando está en depende posición los dem cambiamos el posicionamiento lo que te permite es que cuando pierdas el balón y lo vas a perder tarde o temprano puedas pressionar e nada disso é aleatório cada movimento vai gerar uma reação no adversário. Cada desmarque arrasta um marcador cada inversão é planejada para abrir um espaço.
Cada troca de posição confunde a marcação e o Luís Henrique tá aí para provar que o jogo de posição não é estático, é a ocupação racional dos espaços com a liberdade para trocar entre si. Na fase defensiva, o PSG é igualmente moderno, vai pressionar alto com gatilhos muito bem definidos. Onde tem o adversário vai também ter um jogador do PSG.
Então aqui é até difícil a gente colocar o desenho defensivo, a formação defensiva com que o PSG marca, principalmente porque ela vai se adaptar muito à formação do adversário. E aqui vai dar para entender muito bem quando a gente bate o olho assim, é até difícil falar qual que é a formação que o PSG tá usando para marcar a saída de bola do City. Exatamente porque onde tem um jogador do City, tem também um jogador do PSG.
O objetivo não é proteger o espaço, é tirar as linhas de passe e incomodar a saída do adversário, exatamente como vai acontecer, recuperando já no campo de ataque e conseguindo levar mais perigo a defesa do adversário. E da mesma forma com que todo mundo ataca junto, todo mundo defende junto também. O time tá lá em cima e por mais que ainda esteja com a bola, os jogadores, principalmente os volantes, vão estar em posições para ser um passe de recu, para organizar o jogo de frente, mas também para fazer o que que a gente chama de atacar marcando para caso perca a bola, você tá mais próximo para contrapressionar, recuperar e continuar atacando.
Então, voltando com a nossa prancheta aqui, o PSG tá construindo as jogadas e atenção nesses jogadores, Fábio Ruiz, Vitinha, João Neves são principalmente quem vai ocupar esse espaço daqui na base da jogada. O próprio Hakim faz isso muitas vezes. Para quê?
Não só para ser um passe de retorno e encontrar uma outra alternativa para construir de frente, mas principalmente para caso a situação de ataque não dê certo e o adversário tente contra-atacar, você tem mais jogadores próximos da bola para vir pressionar, incomodar, recuperar e continuar atacando. É por isso que o PSG low profile deu tão certo, porque é um time, não um conjunto de individuais. E no futebol eu gosto muito de uma frase que fala que o valor do coletivo é sempre maior que a soma dos individuais.
Ou seja, o poder da conexão entre os jogadores que torna o elenco verdadeiramente um time competitivo. E aí você soma com uma boa fase do Marquinhos, do Pátio e do Donaruma, que geralmente são menos falados. E a gente vê um PSG extremamente consistente, que agora vai jogar uma final de Champions League contra a Inter de Milão.
Por sinal, aqui no canal eu tenho um vídeo que analiso a principal arma ofensiva da Inter de Milão, que foi o principal motivo pra eliminação do Barcelona na semifinal. Esse vídeo ele faz parte dos vídeos exclusivos dos membros aqui do canal. Então faz o seguinte, clica aqui no seja membro e venha fazer parte desse nosso clube que toda semana tem novos vídeos exclusivos.
Mas voltando aqui pro nosso PSG, porque eu acho que nessa altura do vídeo, assim como eu, você também tá apaixonado pela forma com que o time joga e também vai torcer pros franceses na final da Champions. Talvez o mais importante seja isso daqui, que o PSG entende hoje os momentos do jogo. Não é um time que entra em campo para fazer 70% de posse por vaidade.
Eles sabem a hora de também baixar o bloco e acelerar em transição, muito pela característica das peças. Um time que tem qualidade para acelerar com Kivara, com Dembélé, com Duê, com Barcolá. É um time inteligente para organizar, mas também para usar os ataques rápidos.
Esse lance contra o Aston vai deixar tudo bem claro. O PSG organizado defensivamente na frente do placar, não precisando fazer o resultado nesse momento e recupera e vai verticalizar muito rápido. Isso aqui é o que a gente chama de desarmar ou recuperar a bola.
Já armando no primeiro toque, lança o Kivara na profundidade para gerar um grande perigo contra a defesa do Ars antes do Barcolá perder uma boa oportunidade aqui. Aqui mais uma vez o PSG humilde, low profile, com bloco mais baixo e que vai saber o momento certo de recuperar e em poucos toques acelerar. O que Vara tem sido um dos principais jogadores com essa qualidade para acelerar e explodir nas costas do defesa e com muita qualidade de um contra um gerar uma grande situação.
E aqui sem nenhuma surpresa, Hakim, o lateral atuando por dentro, é quem vai concluir para liquidar o placar. E aqui mais uma vez, que é um outro exemplo, num outro jogo aqui contra o Aston Villa, vai fazer a mesma saída de três e vai procurar aqui no Marquinhos como um homem livre. E percebam mais uma vez, se o zagueiro recebe, o ponto é quem vai saltar e vai gerar geralmente espaço aqui pelo lado do campo.
O Marquinhos tem dúvida? A marcação do Aston Villa tá muito bem encaixada e tem dificuldade para progredir, inclusive chegam a perder dentro da área, mas o Marquinhos reage muito rápido e aqui que entra o PSG no modo velocidade máxima. acelera com o Kivara, que vão ganhar rapidamente as costas da defesa.
O Rakimi tem sido uma peça muito importante, assim como Nuno Mendes. O time acelera, pisa no último terço e quem vai concluir com um golaço é o outro lateral, Nuno Mendes. E o PSG tá longe de ser um time perfeito, mas para mim talvez a gente esteja vendo que ofensivamente é o time mais organizado do futebol europeu nesse momento.
E se você acha que o futebol se resolve só com craques, talvez você precise rever os seus conceitos, porque esse time aqui tá na final da UEFA Champions League, jogando um futebol coletivo e extremamente moderno e com uma identidade que, sinceramente, talvez nunca tenha sido visto no Parque dos Príncipes. Yes.