[música] Olá, pessoal. Sejam bem-vindos para essa aula de supervisão de casos clínicos três. Eh, talvez alguns de vocês já me conheçam.
Meu nome é Ciao Azevedo, sou psicólogo, psicanalista, tenho uma experiência de mais de 10 anos em clínica, né? Já me supervisionei bastante. Então, eu gostaria de de transmitir para vocês um pouco dessa dessa dessa minha experiência com a supervisão em psicanálise.
Vamos dar uma olhadinha então no que que a gente vai ver hoje nessa aula. Bom, então para essa conversa inicial, os temas que a gente vai se utilizar para falar hoje da supervisão em psicanálise são organizados assim. A gente começa pensando então primeiro o porquê, o quando e o como se supervisionar, né?
Por buscar uma supervisão, quando buscar uma supervisão e como fazê-la. Depois a gente vai falar um pouquinho a respeito do caso clínico, o que que faz de um caso, de uma história, de uma narrativa, qualquer um caso. Depois a gente vai falar um pouquinho a respeito da transferência.
tema central em psicanálise. Depois falaremos um pouquinho então a respeito das resistências na supervisão em geral, como que essas resistências se manifestam e por fim as resistências na supervisão, na modalidade em grupo, né? a algumas eh algumas resistências são amplificadas, outras são diluídas nessa nessa modalidade de supervisão.
[música] Bom, pessoal, ah, um tema bastante importante pra gente começar, então, eh, o porquê de uma supervisão, né? Eh, por se supervisionar, eh, quando se supervisionar e como se supervisionar. O porquê são pelo menos duas necessidades, duas formas básicas da gente localizar a necessidade de uma supervisão.
Sempre que se vai iniciar com a prática clínica, por motivos óbvios, a psicanálise ela ela implica uma técnica muito específica, muito sutil, né? diferente de qualquer outro tipo de de prática, embora não seja uma coisa eh ela acaba sendo sim um pouco complexa. Eh, porém não só no início, né?
Eh, no início o neófito, né, o novato, a pessoa que tá se iniciando na prática clínica, ela acaba eh precisando, né, relatar essa esse atendimento a um profissional mais experiente para ir tomando um pouco. Ou seja, isso faz com que a psica com que a supervisão em psicanálise ela tenha eminentemente um caráter pedagógico, didático, né? Eh, trata-se de uma transmissão, de um saber fazer, né?
A gente sabe que a gente estuda muita teoria, muita teoria, até chegar a esse ponto. E quando você vai fazer, às vezes é coisa como que eu transponho, como que eu utilizo, né, todo aquela toda aquela teoria complexa. Então, é comum a gente ficar até um pouco, né, travado assim para para colocar tudo aquilo em prática, né?
Eh, porém não só no início, né? Eh, então o o Lacan, né, eh, cunhou esse termo sintomê, né, do analista para falar não dos sintomas, eh, que a gente acaba analisando e inclusive resolvendo ao longo de uma análise, de um tratamento que se faz ao longo da vida. [suspirando] Esse sintoma com th eh, no ensino de Lacanja mais tardio, eh, trata-se daquilo que a gente que se chamou num outro texto de um comentador, de um comentador, não, do Gerro, do Lacan do Jaquel Miler, de Oso de uma análise, né?
Quer dizer, aquilo que se roi e após terse atravessado um período relativamente longo de uma análise pessoal, né? Ou seja, o analista, embora o analista e qualquer pessoa em geral, embora num processo analítico de extensão razoavelmente longa, ou seja, levado até o final, o analista eh ou qualquer pessoa, ele acaba se livrando, de fato, de uma série de sofrimentos, de uma série de embaraços, de uma de uma série de questões, porém ele não se livra de si mesmo, né? Não é possível eh curar-se do inconsciente, né?
o fato de que o ser humano eh se relaciona com com a civilização e com a linguagem e com as regras, eh, e principalmente com a linguagem, isso eh nos causa, eh, uma um efeito, né? E esse efeito, por mais problemático que seja, ele pode sim melhorar ao longo de uma análise, mas a gente não se cura do nosso próprio inconsciente. Ou seja, resta sempre um resto inanalisável, né?
Inabordável pelas vias da linguagem, pelas vias de um tratamento. Bom, isso faz com que eh haja, portanto, sempre uma um ponto cego, né? Ou ou talvez, melhor dizendo, um ponto surdo, né?
Quer dizer, é possível que o analista, mesmo após tendo estendido a sua análise durante muito tempo, ainda assim existam questões nele que não tenham sido analisadas, seja na primeira, na segunda ou na terceira análise que ele fez ao longo da vida. Bom, fora isso, fora o fato de que existem limitações, mesmo uma pessoa que investe na sua formação ao longo do tempo ainda assim possa ter limitações, existe ainda o fato de que a vida é muito maior do que a psicanálise, né? Então, são muitas as diversidades que se podem encontrar.
eh, numa determinada numa clínica que se faz, né? Então, eh por mais que a gente trabalhe, escute muitos casos, estude muito, se analise, faça supervisão, ainda assim aparecem casos que você não conhecia antes e que Freud não conheceu também, que nem Lacan, nem Klein, nem ninguém daquilo que você leu, né? Então, eh, somadas essas duas características, tanto as limitações de uma análise pessoal, ainda que bem feita, quanto a diversidade mesmo que que a humanidade, né, engendra e que a gente se depare e que se confronta na clínica.
Então, faz com que mesmo depois um analista jamais experiente, não necessariamente um iniciante, mas um analista experiente, analisado ou eh ainda assim eventualmente reconheça a necessidade de buscar uma supervisão. A escolha do supervisor, ela tem a ver com a um outro conceito também lacaniano bastante útil pra gente pensar, que é o sujeito suposto saber. o sujeito suposto saber, que é a suposição por aquele que busca uma supervisão de que a a esse supervisor tenha um saber, tenha uma experiência que possa lhe ajudar.
Ou seja, como é que quem que eu escolho para me para me supervisionar? Aquela pessoa que você reconhece que tem um saber que possa lhe ajudar. Geralmente a gente reconhece um suposto saber em pessoas mais experientes do que a gente, né?
pessoas que tenham aí uma trajetória clínica já mais extensa, mas não necessariamente. Eh, faço essa supervisão, faço individual, faço em grupo, né? Será que faço com um analista lacaniano, com analista e freudiano ortodoxo, faço com com alguém da Escola Britânica de Psicanálise?
Isso fica a critério do próprio eh supervisionando, né? Existe o supervisor e existe o supervisionando, quer dizer, a pessoa que busca uma supervisão, né? Eh, e quantas sessões eu faço também?
Não, não há uma prescrição prévia, né? Com quase tudo em psicanálise. Essas coisas se relacionam, elas são definidas de uma maneira muito pessoal, né?
É possível que você tenha uma questão com um caso que se lhe apresenta e que você faça uma única supervisão, isso seja ã suficiente, né? E pode ser que você leve durante 3 anos um caso para supervisão, eh, com alguns espaços intercalados. Enfim, trata-se, em suma, de um investimento que um analista faz na qualificação continuada da própria clínica, um compromisso ético com a sua própria escuta.
[música] Bom, pessoal, ah, uma das primeiras questões quando se busca uma supervisão é a respeito do caso clínico, né? como que a gente, o quer dizer, o que levar para uma supervisão, né? Eh, eu vou até vou buscar um supervisor, vou relatar para ele uma escuta que eu venho fazendo, mas o que levar, né?
De repente eu escuto essa pessoa já há 1 2 3 anos, né? Quanto escuto ela? Uma vez por semana, né?
Às vezes seis meses que sejam, né? Então, quanta coisa eu já escutei, quanta quanta informação, quanto detalhe já me foi trazido e o que eu levo? Então, o caso clínico é o tema que a gente trata agora.
E o caso clínico ele se trata do quê? Da narrativa ou história ao caso clínico, né? Eu coloquei assim para organizar o pensamento pra gente, né?
O analista. Ora, o que exatamente faz de uma narrativa ou de uma história um caso clínico? Eu escrevi história aqui com e porque diferenciando de história com H, porque história tem bastante relação história com H, com uma história verídica ou com a disciplina que a gente estuda, ou seja, aquilo que a gente busca em termos de fatos verídicos, né, não é o caso, né?
Ah, em psicanálise, o termo história me parece até mais adequado, porque é como em inglês você tem history e story. Em português, história com H ou história. História tem a ver com a ficção, com a estrutura de ficção.
E é geralmente isso que a gente escuta no consultório. Você não escuta necessariamente aquilo que de fato tem ocorrido na vida do sujeito, mas muito mais daquilo que o sujeito significa da sua experiência, da ficção, da fantasia que ele faz acerca daquilo que ele supõe que tenha ali acontecido. Bom, de qualquer forma, uma narrativa qualquer ou uma história que nos contam não é um caso clínico.
A gente senta no ônibus, conversa com com uma pessoa, a gente conversa com outra pessoa na fila do banco, encontra um amigo e nada disso é uma um caso clínico. Isso são narrativas, né? São histórias.
O que que faz efetivamente de uma narrativa continuada um caso clínico? O que faz é o analista. O analista é a pessoa que é é o responsável por fazer de uma narrativa, de uma história qualquer, um caso clínico.
E e como que o analista faz isso? Como que o analista transforma uma narrativa qualquer em um caso clínico? Ora, ele o faz através de um trabalho, de uma elaboração, né, que se faz acerca dessa história, dessa narrativa.
Antes, porém, é preciso sempre ter em mente que o caso clínico, toda vez que a gente leva o caso paraa supervisão, o analista, o supervisionando, ele faz uma seleção do material a ser levado. Ou seja, você não tem como levar todo o material, senão seria absolutamente impossível que você fizesse supervisão. Porque se você escuta uma pessoa durante uma ou duas horas, uma hora em cada sessão, mas ao longo de 6 meses, você precisaria do mesmo número de supervisões que você fez de escuta, o que é absolutamente inviável.
Pois bem, a história, eu trouxe aqui alguns elementos, né, pra gente pensar justamente a elaboração do caso clínico. Pois bem, a história são os detalhes. A pessoa nasceu lá, por exemplo, eh, em Santa Catarina.
Ela, ah, o, a gestação dela não foi, eh, programada. O pai morreu durante quando ela tinha um ano, né? aos 6 meses ela se mudou de de cidade.
Ou seja, a história ela precisa compor o caso clínico para situar um pouco quais são os eventos mais significativos da vida dessa pessoa. O caso, especificamente, ele não é a história. O caso, ele é o que se extrai da intervenção e elaboração do analista.
Ou seja, você escuta uma pessoa, essa pessoa traz uma série de informações e o e o caso clínico é aquilo que dessa história um analista faz, né? Como que ele eh teoriza, como que ele pensa, como que ele problematiza esse caso, né? Como que ele elabora esse caso, eh, de uma forma clínica, né?
como que ele situa sintoma, como que ele pensa um diagnóstico, como que ele pensa a direção de um tratamento, né, em torno de quais questões ele situa sujeito, o que que ele trabalha, o que que se trata. Pois bem, para tanto, é necessário que o analista se atenha aos significantes do sujeito, né, às palavras do sujeito, né? Então, eh, a pessoa conforme ela vai contando a própria história, conforme ela vai situando os eventos da vida dela, que para ela foram definidores da pessoa que ela é e que ela quer mudar e que ela precisa trabalhar porque ela tá com problema, tá sofrendo, na medida em que ela vai narrando essa história, algumas palavras elas vão se destacando, né, ou às vezes elas não as não aparecem com as mesmas com os mesmos nomes, mas aparece ce a mesma posição por trás dessa palavra, né?
Então, a pessoa, por exemplo, o pai dela era um nadador, ela nadou desde pequeno, de repente ela tá te falando e ela diz: "Ah, eu tô nadando como é como se eu tivesse nadando, nadando, nadando e morrendo na praia", né? Ou seja, ela vai trazendo metáforas, ela vai situando posicionamentos que, de certa forma, compõem essa história, né? O po.
E aí aqui é fundamental, quer dizer, para que se tenha um caso clínico, é necessário então que o analista situe um ponto de não saber, ou seja, um enigma do caso e da supervisão. Pois bem, então a pessoa vem, ela lhe conta um caso, mas esse caso provavelmente a pessoa vem até você, se ela tá pagando para você, ela tá provavelmente com alguma, algum sintoma, alguma questão que ela quer eliminar, que ela quer trabalhar, que ela quer entender e ela não sabe como, né? Ela não sabe porque ela faz isso.
Ela faz regime a semana inteira e assalta a geladeira de noite. Ou ela sempre fica com aquele tipo de homem que ela não gostaria de ficar. Ou ela não consegue ficar com aquele tipo que ela gostaria.
Ou ela então eh se corta, ou ela tá com pensamento suicida, ou ela não tem prazer em nada. Enfim. Ã, e por que ela estar assim, que ela está assim, ela não sabe, né?
Então esse ponto de não saber, esse enigma é importante, tá? tanto para que você construa um caso clínico, ora, porque você vai ter que trabalhar em torno de alguma coisa, né? Algum ponto terá que ser perseguido, será a força motriz desse trabalho.
Eh, agora também é em torno disso que se dá definição eh de procurar a decisão de procurar uma análise, né? Então, por que que vou fazer uma análise? Porque alguma coisa, não sei, né?
Eu tô ouvindo uma pessoa e alguma coisa me parece que tá escapando, alguma coisa não tô entendendo. Parece que alguma coisa tá passando ali, eu não tô conseguindo captar ou eu não sei porque que esse paciente me causa um certo, uma certa angústia, ou não sei porque que essa voz me irrita ou então, na verdade não, pelo contrário, que eu tô achando muito, muito legal atender essa pessoa, tô gostando muito, eu fico esperando que ela venha, na verdade, eu acho que eu tô é apaixonado pelo paciente, né? Ou seja, há que situar, seja no caso, para que ele se torne um caso clínico, um enigma, um saber, algo em torno do qual girar, em torno do qual trabalhar e é o mesmo pra supervisão, né?
Quando a gente leva um caso pra supervisão, geralmente a gente tá querendo entender alguma coisa. [música] Bom, pessoal, hã, então, a gente quando vai para uma supervisão, a gente leva os fragmentos seletivos da história daquele caso. A gente eh traz vários elementos, os significantes.
a gente procura se ater aos significantes do sujeito que nos fala, eh, para situar um pouco dessa atmosfera psicológica, dessa eh desse oceano dentro do qual esse sujeito nada sem saber que tá dentro da água, né? tá dentro desprezo aos significantes que são dele. Pois bem, eh, um tema fundamental, né, para se trabalhar sempre, que sempre compõe uma análise e, portanto, uma supervisão de uma análise, é o tema da transferência, né?
A transferência é um fenômeno bastante complexo, né, que acontece numa análise, que acontece numa supervisão. É aqui que estão, segundo Freud, as principais os principais obstáculos e desafios que o analista encontra durante uma análise, né? Eh, mas estão aqui também eh nesse terreno, é no terreno da transferência que se podem efetuar os maiores ganhos, os maiores eh eh os efeitos mais duradouros de cura, né, de uma neurose.
A transferência, ela costuma aparecer em uma supervisão muito relacionada à forma como o analista se sente ao escutar esse paciente. Então, é é uma das formas, né, de situar senão a transferência contra a transferência, aquilo que se chamou de contransferência. Então, a gente viu até agora que o o quando você vai fazer o relato de uma supervisão, é necessário que a gente traga um pouco da história desse sujeito.
Mas se você fica só na história, a coisa fica muito longa, né? São muitos detalhes. Então você vai situar alguns eventos a respeito dessa história que para a pessoa que lhe falou e para o analista que escuta são significativos dessa pessoa, dessa história, desse dessa problemática que se apresenta.
Mas também é muito importante que nessa história o analista vá entendendo em que lugar ele está sendo posto por essa pessoa que fala para ele, né? qual é o lugar que ele ocupa na economia subjetiva dessa pessoa que tá eh lhe falando, né? Então, será que o analista incorpora ha uma uma figura de autoridade paterna?
Será que o analista tá sendo visto ali como aquela pessoa, a repetição daquela pessoa que sempre injustiçou esse que fala como se fosse um injustiçado? Ou seja, oh, paciente vai sempre colocar o analista numa determinada posição que não tem a ver com a pessoa do analista, mas com a própria história, com a própria fantasia ã desse sujeito que tá se analisando. É importante que o analista saiba em que lugar está sendo colocado, né?
Eh, justamente para que não responda desde esse lugar, porque isso é um erro. H, é muito no terreno da fantasia que se situa a angústia. do analista.
Essa é uma das grandes causas pelas quais a gente busca uma supervisão quando um caso está nos causando uma determinada angústia, né? Alguma coisa nesse caso não está me deixando confortável, né? A gente sabe que a posição do analista nunca é muito confortável, né?
Mas ainda assim não deve ser uma uma posição de angústia, né? Ahã. A angústia é muito valiosa, tanto numa psicanálise quanto numa supervisão de psicanálise.
Por quê? Porque angústia, ela é sempre o sinal de desejo. Não o desejo de analista, mas o desejo da sua pessoa, o desejo de sujeito.
Ou seja, eu quero que essa pessoa melhore e ela não melhora. Eu quero que ele largue esta mulher e ele não larga. Eu quero que esse cara pare de beber e ele não bebe.
Ou então alguma outra questão que suscita no analista uma angústia. Essa angústia, ela tem a ver com o desejo dele enquanto sujeito, não o desejo de analista, que é o que ele tá sendo pago para fazer e que é o desejo que uma supervisão visa reencaminhar, né? O sujeito ele precisa eh o analista quando vai para uma supervisão, ele geralmente vai para voltar para essa posição de analista, né?
A angústia do analista é uma coisa que o desencaminha, né? Faz com que ele se desloque dessa posição de objeto. Vocês sabem que em psicanálise a posição do analista é uma posição de objeto, não é de sujeito, né?
Eh, e ele provavelmente esteja se desencaminhando, esteja tendo dificuldades para se manter nesta posição de objeto, como uma pessoa que escuta sem colocar o seu eu, sem trazer os seus desejos, mas apenas escuta. e ele vai para uma supervisão justamente para eh se reencaminhar, né, justamente para e o escutar, né, esses pontos surdos que eventualmente ele não esteja conseguindo ver e que um outro analista vai ajudá-lo para retornar então para essa posição, para esse papel que é o do analista. H, a transferência, portanto, é mais uma das além da história do sujeito, além dos significantes do sujeito, a transferência é sempre um tema que deve ser problematizado, deve ser trazido, deve ser elaborado ao longo de um processo de supervisão.
Dando seguimento ao tema da transferência, então as manifestações é transferenciais, elas são muito importantes que se tragam e que sejam pensadas e problematizadas numa supervisão, porque as manifestações transferenciais, como vocês já sabem, elas têm a ver com o diagnóstico em psicanálise, né? Ou seja, o diagnóstico em psicanálise é um diagnóstico estrutural. Ele, portanto, o diagnóstico em psicanálise, ele é feito muito a partir da transferência, né?
Quer dizer, como que se estabelece a transferência eh desse sujeito que está em análise, né? Em que lugar ele toma o analista? Será que ele estabelece uma transferência do tipo neurótica, né?
Se do tipo neurótica, será que fóbica, será que obsessiva? Será que histérica? Ou não?
a a o tipo de transferência, o padrão transferencial desse sujeito em análise não é do tipo neurótico, é do tipo eh psicótico, né? Então ele será que ele que é é um sujeito que a gente pode hipotetizar para um quadro de esquizofrenia? Será que é um sujeito, pelo contrário, paranóico?
Ou então, será que a pessoa tá numa situação de melancolia, né? E a gente sabe que a transferência nesse tipo de afecção, nesse tipo de quadro psicopatológico, é de uma extrema dificuldade ou não. Então, de repente, nós estamos falando de um de um perverso, né, de um fetichista ou então de um de uma de uma pessoa mais sádica ou masoquista.
Quer dizer, cada uma dessas posições elas vão transferir para o analista de uma maneira diferente. Eh, durante muito tempo a gente chegou a pensar que quadros psicóticos não estabeleciam a transferência, que o perverso não vinha paraa análise. A gente sabe hoje que tudo isso tá muito relativizado, né?
O fato é que se não houver a problematização, o reconhecimento por parte do analista da da manifestação transferencial do lugar em que esse paciente coloca o próprio analista, não há como você estabelecer uma hipótese diagnóstica. E se você não tem uma hipótese diagnóstica, você não tem uma direção de tratamento. Portanto, o tema da transferência é fundamental que seja também incorporado ao relato, né?
Quer dizer, qual é o que que eu levo para uma supervisão quando eu vou me supervisionar? Você leva a história, partes da história, seletivamente, aquilo que você entende como sendo eh que que que o próprio paciente traz e que o analista também escuta como sendo significativo para entender aquele caso, né? É necessário situar, utilizar os significantes do próprio sujeito para entender melhor qual que é a própria atmosfera psicológica da vida dessa pessoa.
É necessário situar um problema específico, né, ou mais de um, alguns problemas, alguns pontos de não saber, né, em torno do qual vai se fazer um trabalho, então em busca de saber a respeito. E é necessário também trazer manifestações transferenciais do tipo que possam estabelecer, ajudar a estabelecer um diagnóstico estrutural. [música] Bom, ah, um tema bastante importante pra gente pensar a supervisão é o tema das resistências, né?
Como vocês sabem, as resistências compõem uma psicanálise e compõe, portanto, uma supervisão, né? Eh, são várias as formas que uma resist que as resistências eh têm de comparecer, de se fazerem presentes, né, num processo de supervisão, assim como também são várias as formas com que elas têm de aparecer em uma própria análise. Vejamos um pouco então, né, as resistências na supervisão.
Bom, eu trouxe aqui algumas formas assim bastante comuns da gente identificar quando um supervisionando está com uma certa resistência ao processo de supervisão, ou seja, a não concordância, por exemplo, com o que é apontado pelo supervisor. É possível que o supervisor aponte para essa possível que o supervisor aponte para algo que não tá sendo escutado, para algo que o analista não está escutando e, no entanto, não haja, né, uma concordância por parte deste com o que ele é apontado. Ora, não é necessário que sempre haja uma concordância.
eventualmente pode ser que o supervisor, pode ser que o supervisor erre, pode ser que o supervisor aponte para algo que de fato não faça sentido, pode ser que o supervisor não tenha razão, acontece que não se trata de razão, né? A gente sabe que uma psicanálise não é uma coisa que visa a racionalidade, né? Ela visa o inconsciente.
Então, não se trata de ter ou não razão, se trata de escuta, né? O processo de supervisão é um processo em que os sujeitos se escutam mutuamente, né? Ao invés de chamar de supervisão, a gente deveria chamar de super audição, né?
Porque uma pessoa, um lhe contou, uma pessoa trouxe o caso dela, né? Você escutou e você tá contando aquilo que lhe foi contado, né? Então é é uma é se trata de de escutas, né?
Nem sempre eh se trata de razão, né? É muito comum, né? Que o o supervisionando, né?
o analista que está em processo de supervisão faça certas omissões, né, no relato do caso, certo? Eh, e às vezes omissões que são absolutamente eloquentes, né? Quer dizer, a pessoa está lhe contando um caso e ela vai dando para esse caso um certo sentido, mas tem uma informação óbvia que deveria ter sido perguntada e que não aparece, né?
Eh, e então não necessariamente omitir uma informação eh eh faz com que ela de fato não apareça na supervisão. Às vezes é possível eh a gente tá, mas e e o que que aconteceu que levou essa pessoa até esse lugar, né? Por exemplo, eh, quando o analista supervisionando omite informações eh do caso, não raro, nós também estamos falando de um processo de resistência, tá?
A irritabilidade, né? É, é comum que as pessoas às vezes fiquem um pouco irritadas, né, com alguma alguma coisa que lhe é apontada e que lhe soa como uma insuficiência, como uma falha, como um erro, né? Eh, às vezes, ah, quando você tem uma correção de rota, tem sujeitos que não lidam muito bem com isso, né?
Eh, justificações de uma determinada conduta apontada ou da falta dela, né? Então, se de repente o analista diz assim: "Mas por que que você fez essa pergunta? " "Ah, eu fiz essa pergunta porque é, mas essa pergunta, veja, essa pergunta não faz muito sentido, né?
Eh, eh, eu lembro de uma supervisão que eu fazia em grupo, eh, quando eu ainda estudava na faculdade de psicologia eh com psicanalista, eh, em que, e isso já aconteceu em várias outras supervisões também que eu fiz, eh, da pessoa atender, por exemplo, o neurótico obsessivo e fazer uma pergunta daquela que levava o sujeito a pensar racionalmente sobre alguma coisa. Eh, e aí o o analista supervisor pergunta: "Mas por que que você fez essa pergunta? " "Ah, porque eu achei que poderia ajudá-lo.
" Então, mas veja, mas é porque um neurótico obsessivo já é um sujeito, né, que sofre do pensamento. Então, se você o estimula a pensar mais, você tá corroborando, né, já a forma viciada desse psiquismo se orientar, né? Ou seja, o sujeito adiciona mais uma camada de pensamento racional quando o que ele sofre é disso, é de pensar demais, né?
Ou seja, existem algumas perguntas, algumas correções de rotas que são absolutamente inequívocas, né? Eh, eh, no entanto, uma vez apontadas, acontece do sujeito eh em supervisão eh tentar justificar. Não, não, mas é porque na verdade o que eu quis dizer para ele eh não sei, eu eu tá é um processo de resistência, né?
Eh, ou então a falta de uma conduta, mas por que que você não perguntou tal coisa? Ah, não perguntei porque eu achei que seria inconveniente, né? Tá, mas eh seria muito interessante que você tivesse perguntar, não, eu acho que, enfim, a pessoa tenta justificar a respeito.
Eh, nada disso que eu estou falando aqui eh implica no fato de que o supervisionando precise eh escutar passivamente, concordar com tudo aquilo que lhe é apontado pelo pelo supervisor. É que assim, mas na verdade ele pode simplesmente desconsiderar, né? De repente aquele supervisor falou alguma coisa, ele achou que olha, não faz muito sentido.
Agora se ele transformar a supervisão num debate, né, perde um pouco o seu sentido daquilo, né? Lembrando que o o supervisor, tal, como analista em análise, o supervisor em supervisão, ele não visa acertar necessariamente, né, mas em produzir algumas ressonâncias, criar outras possibilidades de pensar o caso, né? não é, não se trata tanto de uma, de uma questão eh [roncando] de você acertar, mas às vezes de você apontar por só para uma outra possibilidade que não esteja sendo vista naquele momento, né?
Eh, retificações do relato anterior, isso é bastante comum. você vai contar, né, a o caso que você está atendendo para um supervisor. Eh, esse supervisor vai escutar, depois ele vai fazer alguns apontamentos, ele vai eh fazer algumas perguntas, etc.
, né? Eh, e às vezes, né, destacar alguma coisa que lhe pareça eh a ser observada e tal. Então não é é bastante eh comum que o supervisionando eh retifique, corrija alguma coisa a respeito do relato que ele fez anteriormente.
Ah, mas ó, é é na verdade eu falei isso, mas não é bem isso, não, entendeu? Eu eu disse isso, mas na verdade o que ele me disse foi outra coisa, né? Não, eu disse assim, mas é, mas essa palavra eu usei errado, tá bem?
Eh, tudo bem, né? É possível você fazer uma correção. Olha, eu contei isso, mas não é bem isso, cara.
Que na verdade lá na sessão ele falou, era mais isso aqui. Tudo bem. Não raro nós estamos diante de uma resistência.
Bom, de uma resistência a quê? Ora, de uma resistência ao processo de supervisão, de uma resistência à posição de analista, que é uma posição essencialmente uma posição de não saber, né? Como a gente sabe, as resistências elas devem ser problematizadas na supervisão.
É importante que elas não passem em branco. Ou seja, portanto, uma supervisão não é, como vocês devem supor, eh uma um lugar mais confortável do mundo, né? Eh, eventualmente a gente vai ter que olhar, assim como numa análise, nós teremos que olhar para uma resistência, para algo que em nós não aceita bem, ou seja, o caso, seja as propostas de intervenção do supervisor.
Seja o que for, seja de de que ordem for essa resistência e de e independentemente da maneira com a qual ela se apresenta, ela deve ser problematizada com clareza no interior da própria supervisão. É isso que faz de uma supervisão uma possibilidade de otimização, eh, de refinamento da escuta desses, desse analista que se supervisiona. [música] Bom, pessoal, ah, o tema das resistências, ele se transforma, em alguma medida, ele se intensifica, eh em alguma medida ele ele dilui, ele diminui, eh, na modalidade em grupo, né?
Eh, ora, as supervisões, elas podem ser feitas individualmente ou em grupo. A modalidade em grupo acaba sempre sendo a modalidade mais comum. eh, por exemplo, nos cursos de psicologia, no curso de psicanálise, nas instituições, ficando a modalidade individual quase que restrita eh ao a iniciativa individual de um profissional de buscar uma supervisão.
Bom, eu tenho a minha clínica, eu trabalho, escuto lá, eu escuto no no num dispositivo, sei lá, num num dispositivo de saúde pública, num CAPS, num CRAS e ou então eu tenho minha clínica particular e eu quero fazer um procedimento de supervisão da minha própria escuta. Então, eu contrato geralmente e acaba sendo individual. Agora, dentro do equipamento em que eu trabalho ou então no curso que eu estudo, eh, haverá um processo de supervisão.
Ela acaba sendo uma supervisão em grupo. Por quê? Por questões óbvias, né?
Eh, não há, não é possível, seja instituições de ensino e formação, seja instituições de saúde, que a gente de eh que que que as direções disponibilizem para cada uma das pessoas que escutam o supervisor individual. processo de supervisão não costuma ser um processo tão barato, eh, dado que é feito geralmente com uma pessoa de maior experiência, que, portanto, tem uma estrada e etc. Eh, bom, as supervisões em grupo, portanto, são uma modalidade bastante comum e as resistências nas supervisões em grupo, né, toda vez que a gente relata a nossa prática, a gente acaba por se expor.
Toda vez que vocês e escutarem alguém relatando e a escuta que ele faz de alguém, ou seja, toda vez que vocês escutarem um analista transformando uma narrativa qualquer em um caso clínico, vocês vão poder ver até onde vai esse analista, tanto no que diz respeito ao seu domínio conceitual, a desenvoltura que ele tem com os conceitos psicanalíticos, até que ponto que essa pessoa pessoa não só se apropriou da teoria, mas consegue, ao invés de ficar repetindo os conceitos, consegue manipular os conceitos e trabalhar, operar com esses conceitos em uma situação clínica real, quanto também a gente sempre vai poder colher um pouco da até onde foi a análise dessa pessoa, né? Vocês sabem que não é possível levar um caso clínico para além de onde de onde a gente foi com a nossa própria análise, né? Eh, isso não significa que a pessoa que nós estamos escutando vai ficar igual a nossa, vai, né?
Não, mas significa que a minha escuta depende também da minha análise pessoal, né? Ou seja, o fato de que ao relatar uma prática, a gente sempre, às vezes, a pessoa relata uma prática, ela relata um caso e de repente ela tá embaralhada com o caso e você fala: "Poxa, aí eu perguntei para ela tal coisa, por exemplo, né? " Você fala: "Poxa, mas por que que você perguntou isso, né?
Ela já falou lá atrás tal coisa, né? Essa pergunta ela não tá, ela não faz sentido, ela tá só prestindo espaço, né? Eh, essa pessoa já lhe disse isso lá.
Ou seja, quando você relata a sua prática, você expõe, né, a tua em que ponto está a tua clínica. Eh, isso faz com que despertem-se vários sentimentos, né? Eh, constrangimento, timidez, né?
Eh, porque e e isso isso na própria na própria supervisão individual, quando a supervisão é em grupo, isso se amplifica, né? Se nós temos aqui sete pessoas, cinco pessoas, três, quatro pessoas, eh, relatando as suas práticas ou escutando o relato de alguém, o olhar e a escuta dessas outras pessoas, né, eh por si só vão causar na pessoa que relata o próprio caso, às vezes algum desconforto, tanto mais ela esteja eh apegada ao próprio eu, né, aos próprios fantasmas, né? Quanto mais essa pessoa estiver ali, eh, quanto menos despojada ela estiver de si própria, né, mais difícil vai ficar dela, eh, relaxar e fazer de fato um processo de supervisão.
Por quê? porque ela vai estar preocupada eh com essa concorrência ou com a disputa, né, em uma supervisão em grupo. É muito comum que existam disputas, seja pela atenção, pela aprovação do supervisor, né, eh, seja pela própria relação concorrencial entre os participantes.
Isso tudo diz respeito a uma dimensão imaginária, né, em que o ego dos sujeitos se coloca numa em primeiro plano e consequentemente se tratando de ego, né, ou é eu ou ele, né, não há espaço para nós dois, né? Então essa esse tipo de relação eh ele se estabelece numa supervisão, tá? Eh e tudo bem, né?
faz parte de uma supervisão que isso aconteça, né? O que cabe é a ao analista supervisor identificar, apontar, problematizar isso, né? E no interior do próprio grupo de supervisão e dirimindo esse tipo de de efeito eh imaginário, né?
Isso não depende só do analista supervisor, por óbvio, isso também depende da qualidade da do comprometimento, do interesse das pessoas que estão fazendo parte da própria supervisão. Então assim, priorização, formas com que a resistência tende de se manifestar nas supervisões de grupo. Mesma coisa, priorização de um suposto acerto.
Por que que eu coloco um suposto e ainda coloquei as aspas, que é para ficar bem indicado que é um suposto acerto. sujeito tá relatando alguma coisa e ele supõe que essa foi uma intervenção muito boa. Olha, eu fiz uma pergunta para ele ou uma interpretação a respeito do que ele falou e que foi muito boa.
Então, ele prioriza isso, ele dá uma ênfase para isso, ele sublinha isso, ou então ele omite e disfarça um suposto erro, né? E por que que eu tô chamando de suposto erro de novo? Porque às vezes não é um erro.
Nem tudo aquilo que a gente acha que foi o máximo, de fato, foi do ponto de vista analítico, e nem tudo aquilo que a gente acha que foi um erro também foi, né? Então, às vezes, a supervisão ela acaba eh criando espaço para que a gente possa justamente reconhecer que aquilo que a gente situava como erro ou acerto não necessariamente é retificações do tipo, retificações é correções, né, gente, do tipo, mas eu disse isso a ele, só me esqueci de relatar, isso vai ficando inconveniente ao grupo, tá? Então, assim, não é problema, tá?
que de repente eu tenha dito uma coisa para para pro meu paciente, né? E aí chega na supervisão e esqueço de relatar. E aí as pessoas, poxa, mas você deveria ter dito isso.
Poxa, mas eu disse, né? Tudo bem, né? Isso pode acontecer, mas é um tipo bastante eh comum de resistência, tá?
Eh, e isso vai se tornando inconveniente ao grupo, né? Ah, uma das na na aula escrita, eu trago então, portanto, uma forma de lidar com isso seria, por exemplo, eh, que o analista supervisor separasse os tempos de uma supervisão. Então, primeiro você faz o relato e depois nós fazemos as intervenções justamente com vistas a não possibilitar que esse tipo de resistência, porque o que que tá em jogo?
Por que que uma pessoa eventualmente resiste assim, né? Olha, você deveria ter dito isso pro seu paciente. Não, mas eu disse, né?
Eu aqui não tem furo, né? Eu disse isso, só não relatei para você. Percebe?
Isso é uma forma de você se defender de uma progressão, de uma de uma evolução, ou seja, de alcançar justamente o objetivo que você busca ao fazer uma supervisão. [música] [música] Bom, pessoal, a uma atividade prática, então, pra gente pensar um pouquinho a respeito disso tudo que a gente conversou. Vocês têm na rota de aprendizagem, então, três encontros em que são feitas três supervisões em grupo, né, reais, tá?
eh para atividade na prática. Então, eh eu convido você a assistir o vídeo, analisá-lo, né? Eh, e conversar, trocar com os colegas da sua própria fase, do seu próprio eh da sua própria, eh, fase, né, da da disciplina, eh refletindo, né, sobre essa modalidade de supervisão, que é a supervisão em grupo, não é?
Então, destaque prós e contras, né, dessa modalidade. Eh, agora eu gostaria que vocês eh fizessem o exercício de discorrer não sobre o caso relatado, né? Não tanto sobre o caso que tá sendo relatado, se se essa pessoa eh aconteceu isso ou não, qual que é o sintoma, etc.
, mas mais ou sobre o mérito das interpretações que o analista fez, etc. , eh, que foram ali expostas e discutidas, mas eu acho sugiro que vocês façam mais uma discussão sobre a dinâmica da supervisão, né? Eh, com base nos temas apresentados nessas aulas, né?
Ou seja, em que momento é situado algo a respeito da transferência? Em que momento aparece uma resistência, né, ou aparentemente aparece uma resistência. Eh, em que momento são feitos determinados giros na dinâmica da supervisão?
[música] Bom, pessoal, então, basicamente é isso, sintetizando tudo que a gente viu, né? Finalizando, a gente começou lá vendo o porquê, quando e como se supervisionar, quais são os motivos que nos levam para uma supervisão, quando a gente vai e como é que a gente escolhe o nosso analista ou o tipo de supervisão que a gente vai fazer. Depois a gente viu o caso clínico, como que a gente constrói um caso clínico, né?
a gente viu que o que faz diferença aí para que um uma história, uma narrativa, né, se transforme num caso clínico, é necessário um analista que o transforme como tal, que situe nesse caso clínico, principalmente um enigma, né, algo que essa pessoa não sabe a respeito de si própria e que, portanto, ela tende eh a querer saber mais. Depois a gente viu o tema da transferência, vimos que é fundamental a transferência, fundamentalmente porque ela aponta para uma uma hipótese diagnóstica. E essa hipótese diagnóstico estrutural em psicanálise é o que vai eh nortear então tá aí as diretrizes, né, pro tratamento, a direção de tratamento.
A gente viu eh em penúltimo tema ali as resistências na supervisão, né? Vimos que elas são muito comuns, que elas fazem parte de uma supervisão, não é necessariamente falta de humildade de uma pessoa, não é esse tipo de coisa. Às vezes é simplesmente o fato de que cada pessoa tem dentro de si um ego e esse ego às vezes não quer eh resiste em saber em olhar para certos pontos cegos ou certos pontos surdos, né?
No caso da escuta em psicanálise. E a gente viu que essas resistências na supervisão em grupo tendem a ser amplificadas. Eh, aqui nós trouxemos um recorte mais especificamente sobre aquilo que as amplificam, né?
e que é justamente esse olhar do outro, essa escuta do outro, essa exposição, às vezes a exposição de um saber, né? Tudo isso acaba eh amplificando um pouco as resistências na supervisão grupo. Existem outras que outras formas de resistência que acabam sendo diluídas, mas por hora a gente ficou com essas.