Você está lá no seu WhatsApp, Facebook ou qualquer outra rede social e de repente recebe uma notícia bombástica. Parem as máquinas! "Isso a imprensa tradicional não dá.
Por favor, repasse, é urgente! A verdade sobre a farsa. Por essa você não esperava.
" Dá um trabalho pequeno, mas é preciso desconfiar. Isso porque a notícia pode ser falsa. Oi, meu nome é Juliana Gragnani, repórter da BBC News Brasil em Londres, e vou dar 7 dicas pra vocês nesse vídeo para identificarem notícias falsas.
Se quiser, pode mandar esse vídeo para sua avó, seu tio, sua prima, para a família toda. Primeiro: leia a notícia inteira, não só o título. Parece muito óbvio dizer isso, mas quem nunca fez?
Número dois: checa fonte e autoria da notícia. Se não tiver fonte nem autoria, desconfia já de cara, é muito provável que seja falsa. Se tiver autoria, joga esse nome no Google, no Bing, em qualquer outro buscador, e checa o que mais essa fonte tem publicado.
Entra no site que reproduziu a notícia. O site tem muitas notícias de esquerda ou de direita? Esquerda e direita.
. . Direita, esquerda.
. . Falta de equilíbrio é um tipo de desinformação também.
Fique atento para isso. Terceiro passo: digite o título da notícia no buscador. Se for falsa, é muito provável que algum veículo de checagem de notícias já tenha desmascarado o boato.
Número quatro: olho vivo para os fatos da notícia. O que eu quero dizer com isso? Os fatos têm que ser verificáveis.
Você pode pegar um fato, jogar no Google, e ver se isso aconteceu de fato. Ou no Bing. .
. Ou qualquer outro. Uma autoridade disse x coisa?
Disse: "Vou invadir o Paraguai". Que vai fechar uma fronteira? Que acabou vacina?
Joga essa frase no buscador e verifica. Se for verdade é muito provável que outros sites de notícia estejam comentando sobre isso ou reproduzindo a notícia. Quem nunca recebeu aquele texto ou áudio falando: "Isso a mídia tradicional não dá.
" "Isso a imprensa ignora". Muitas vezes, a imprensa não deu porque não aconteceu mesmo. É mentira.
Ou deu, você não viu e a mídia contextualizou de uma forma diferente. Número 5: busca reversa por imagem. É um nome chique, mas é moleza, é fácil, eu prometo.
Você recebe uma imagem como notícia. Essa imagem conta uma história. Se for no computador, é super fácil.
Primeiro passo: salva essa imagem. Segundo: entra no buscador, como o Google, entra na parte de "busca reversa por imagem" e sobe, carrega essa imagem. Apertar o botão de busca.
O resultado mostrará o histórico de onde a imagem já apareceu na internet. No celular é muito parecido: você também salva foto no seu celular. Abre a internet, entra no buscador, e procura "busca reversa por imagem".
Entra no site, carrega a foto e procura desse jeito. No final é a mesma coisa. O mesmo vale para perfis falsos.
Se você desconfia que tem um perfil falso interagindo com você, salva a foto lá do perfilzinho, entra na "busca reversa por imagens" e tenta ver se essa foto apareceu em outro lugar. Eu usei esse recurso para identificar dezenas de perfis falsos em uma reportagem que eu fiz sobre o uso de perfis falsos nas eleições de 2010 e 2014 no Brasil. Pegam fotos de gente que já morreu, de banco de imagens, de blogs, de atores espalhados pelo mundo.
. . Eu achei um na Grécia.
Uma infinidade de fontes. É muito interessante o que uma busca simples pode revelar. A busca só não funciona se tiverem manipulado um pouco a foto original, o que acontece de vez em quando.
Tipo essa aqui, que mudaram o nariz desse jornalista que teve a foto roubada. Sexta dica: receber um áudio, um vídeo que é muito bom para ser verdade? Normalmente é isso mesmo: é muito bom para ser verdade.
Se te causou muita surpresa, repulsa mexeu com suas emoções, sinal de alerta. Tipo o áudio atribuído ao comandante do exército que falava em intervenção militar no Brasil. "Aqui é o general Eduardo Villas Boas.
Por causa da greve dos caminhoneiros, no dia 31, a partir das 8h da manhã, nós iremos intervir". Cara, isso não aconteceu. Você acha que o comandante do exército ia mandar um áudio no WhatsApp anunciando a intervenção?
Ou então aquele áudio lá. . .
"Olá, pessoal. Aqui quem fala é o presidente do sindicato dos caminhoneiros do Brasil. Quero falar para vocês prevenirem.
Avisem suas famílias! Vão ao mercado! Comprem comida!
Abasteçam seus carros. Se previnam. Vai trancar tudo!
A guerra está começando. Greve já! ".
A gente aqui da BBC News Brasil foi atrás da confirmação. O sindicato nem existia. Enfim, uma forma fácil de resolver o problema: tenta resumir o que ouviu no áudio, no vídeo.
Bota o nome do sindicato no buscador. Bota o nome do general. Bota as palavras principais no buscador.
Se for verdade, uma notícia bombástica como essa já vai ter sido reportada por outros sites. Sétima e última dica: pergunte para a pessoa que te mandou notícia quem mandou aquilo para ela e se ela conseguiu verificar se é verdade. Você provavelmente vai se surpreender com respostas tipo: "não sei se é verdade, mas recebi isso um grupo de colegas de trabalho, no grupo da escola do meu filho, num grupo de religião".
. . Essa pergunta é importante porque pode ajudar também a pessoa que te passou a notícia a refletir sobre o papel dela na circulação de notícias potencialmente falsas.
Agora, por que você precisa se preocupar com isso e seguir esses passos, ter todo esse trabalho? Porque a verdade é essencial para uma democracia saudável. Por hoje é só.
Dá uma olhada nos nossos outros vídeos. Segue. Comenta.
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