[Música] Olá pessoal tudo bem sejam bem-vindos ao nosso bloco de psicofarmacologia eu sou a Fernanda eu sou graduada em biomedicina pela Unifesp e sou mestre e Doutora em farmacologia também pela Unifesp Hoje a gente vai falar sobre uma introdução à psicofarmacologia e Mais especificamente vamos falar aí sobre farmacologia né alguns conceitos básicos De farmacologia que vão ser importantes para que esse módulo todo de psicofarmacologia faça sentido a gente vai começar discutindo O que é um fármaco E também o que que seria uma droga né pela definição científica e vamos também falar aqui sobre como os
fármacos se movimentam pelo nosso organismo então por exemplo como o medicamento sabe ir para onde ele precisa ir né no organismo a gente vai falar também sobre Como funcionam as barreiras à distribuição de drogas e aqui dentro do contexto de psicofarmacologia a gente tem uma muito importante que é a barreira hematoencefálica e a gente vai falar também sobre como os fármacos são eliminados do nosso organismo e quais são as coisas que impactam nessa eliminação Então vamos lá começar falando sobre farmacologia farmacologia é uma palavra que vem ali do grego que significa Estudo dos fármacos então
farmacologia é a ciência que estuda a origem as ações e as propriedades dos fármacos mas essa frase toda só faz sentido se a gente entender o que é um fármaco né então vamos antes definir o que é um fármaco pra gente entrar na definição de fármaco a gente precisa antes definir o que é droga pra farmacologia pra ciência droga é qualquer substância química que produz alguma alteração quando Introduzida em um organismo vivo essa alteração que a gente tá falando ela pode ser tanto uma alteração fisiológica então por exemplo aumentar ou diminuir a frequência cardíaca mas
ela pode ser também uma alteração comportamental como por exemplo melhora do humor é muito comum para os psicofármacos a gente observar alterações comportamentais as drogas por sua vez então que são essas substâncias que quando introduzidas no organismo Promovem alguma alteração elas podem ser subdivididas em fármacos e agentes tóxicos os fármacos são aquelas drogas que podem produzir efeitos benéficos ou úteis enquanto que os agentes tóxicos vão ser aquelas drogas que não produzem efeitos benéficos produzindo apenas efeitos nocivos então o nosso foco aqui vai ser estudar fármacos eh e a gente vai falar também um pouco sobre
drogas de abuso vamos conversar sobre isso melhor mais Paraa frente os fármacos eles podem ser de três origens eles podem ser de origem natural que são fármacos obtidos da natureza então por exemplo eles podem ter origem animal como é o caso da insulina atualmente a maior parte das insulinas é obtida ali por biotecnologia Então ela é uma insulina produzida ali em bactérias mas antigamente insulinas eram extraídas dos pâncreas de bois e porcos então estamos falando aí de um Fármaco que tinha uma origem animal muitos dos fármacos também eles podem ter origem vegetal então vir de
plantas como é o caso de um fármaco chamado digitálico que é usado para tratamento de insuficiência cardíaca e eles podem também ter origem mineral como é o caso do cálcio eh existem alguns fármacos que não são exatamente de origem natural mas são sintetizados em laboratório a partir de produtos naturais Nesse caso eles são Chamados de semissintéticos coloquei aí um exemplo que não é bem um fármaco né uma droga recreativa que a heroína mas ela se encaixa bem nessa história e a gente tem ainda fármacos que são de origem sintética sendo produzidos ali por manipulações químicas
em laboratório não dependendo de substâncias naturais para sua produção como é o caso da Aspirina é importante a gente entender que fármacos sempre vão ser substâncias exógenas e eles podem tanto promover um Efeito direto sobre as nossas células ou ainda promover um efeito indireto a através da produção de substâncias endógenas o que tudo isso significa então é importante a gente definir o que que é endógeno o que é exógeno endógeno é tudo que seja uma substância de origem interna então Endo é dentro né então uma substância que tenha sido produzida ali pelo próprio organismo então
por exemplo os nossos hormônios nossos neurotransmissores são substâncias Endógenas e exógeno é tudo aquilo de origem externa que não foi produzido pelo organismo então sempre os fármacos vão ser substâncias exógenas substâncias de origem externa eles tanto podem ter um efeito direto sobre a células então por exemplo agir ali na célula do coração estimulando a contração muscular ou eles podem ter um efeito indireto porque eles podem levar as nossas células a produzirem uma substância endógena então por exemplo estimular a Produção de um hormônio como a insulina eh outra definição que é importante porque que são termos
que às vezes se confundem é a definição do que é um medicamento quando a gente fala de medicamento a gente tá falando de um produto farmacêutico que foi Tecnicamente obtido ou elaborado e os medicamentos eles são preparados em farmácias ou indústrias e eles precisam seguir ali as determinações legais de segurança eficácia e qualidade da Anvisa Eh eles vão sempre conter ali na sua composição um ou mais fármacos esses fármacos vão ser o que a gente chama ali de princípio ativo eles vão ser as moléculas responsáveis pelo efeito terapêutico daquele medicamento Mas além de conter os
fármacos os medicamentos vão conter também o que a gente chama ali de recipientes ou aditivos que são produtos que são inseridos ali na fórmula farmacêutica né ali no produto farmacêutico para impedir Alterações no medicamento manter a estabilidade ali dos nossos princípios ativos também podem funcionar ali para dar cor ou sabor ao alimento ou até permitir que ele seja liberado de forma prolongada então por exemplo quando a gente pensa em medicamentos que são formulados para crianças eles geralmente tem recipientes que dão cor ali e dão aquele sabor muitas vezes artificial tal mas eles dão um saborzinho
ali de cereja laranja aquilo são recipientes Tá trouxe aí um exemplo de um pedacinho da bula da Aspirina para vocês entenderem o que eu tô falando se a gente olha aí Aspirina é o nome comercial do medicamento o fármaco que tá ali compondo a Aspirina sendo responsável pelo efeito terapêutico dela é o ácido acetil salicílico então ele é o princípio ativo da Aspirina além do ácido acetil salicílico cada cápsula de Aspirina ií ela contém recipientes que são nesse caso amido e celulose Certo outra coisa que é bem importante a gente entender sobre os medicamentos é
que qualquer fármaco qualquer medicamento sempre vai promover efeitos desejados e efeitos indesejados então o que que seriam os efeitos desejados do medicamento aqueles efeitos terapêuticos principais intencionais a razão pra gente tá usando aquele medicamento então por exemplo a gente pode usar Aspirina para baixar febre a gente pode usar Dipirona que é Um princípio ativo que tá por exemplo na Neosaldina para diminuir a dor de cabeça a a gente pode usar bicarbonato de sódio que é um princípio ativo que tá por exemplo no Eno para reduzir a zia esses efeitos que a gente tá listando aí
são os efeitos intencionais né e o a razão pra gente usar aquele medicamento os efeitos desejados mas todo medicamento que a gente usa e todo fármaco ele vai promover além dos efeitos desejados Efeitos indesejados os efeitos indesejados vão ser qualquer resposta a um medicamento que seja prejudicial não intencional e aconteça em doses que são normalmente utilizadas eles também podem ser chamados aí de efeitos adversos ou efeitos colaterais vocês vão ver que essas palavras esses termos vão aparecer muito nas aulas de psicofarmacologia então é importante entender que quando a gente fala de Efeito indesejado a gente
tá falando de um efeito que acontece nas doses que normalmente são utilizadas não estamos falando aí de um efeito que acontece porque a pessoa usou uma dose muito superior a que ela deveria isso aí seria um efeito de sobredose né overdose estamos falando aqui de efeitos que vão acontecer mesmo nas doses normais recomendadas Isso faz parte todo medicamento vai induzir esses efeitos indem desejados quais serão eles depende Muito de qual é o medicamento que a gente tá falando por isso quando a gente começar a falar sobre os psicofármacos a gente vai falar especificamente para cada
um deles Quais são os efeitos desejados quais os efeitos indesejados outra coisa que é importante a gente entender é que para que um fármaco aja ele precisa chegar ao seu local de ação então por exemplo se a gente pensa ali num comprimido que a gente toma para dor de cabeça a gente precisa que ele chegue No local de ação ali um local que ele precisa agir para ele ter efeito então ele precisa chegar ao sistema nervoso central se a gente pensa ali numa pomada de ação local ali que a gente quer que tenha uma ação
na pele a gente passa ali ela na pele ali aquele aquele é o local de ação dela ela vai ter o efeito dela certo E esse local de ação faz a gente diferenciar os fármacos em fármacos de ação sistêmica e fármacos de ação local os fármacos de ação sistêmica são Aqueles que vão precisar do sangue para chegar até o seu local de ação então por exemplo quando a gente pensa num comprimido tomado para dor de cabeça ele ele vai precisar do sangue para chegar até o sistema nervoso central a gente vai engolir o comprimido ele
vai cair ali no trato gastrointestinal E aí ele precisa ser absorvido ali no intestino no estômago passar pro sangue e depois que ele tiver no sangue ele vai ser distribuído vai Acabar chegando ali no sistema nervoso central Agora se a gente pensa por exemplo numa pomada pra pele que a gente aplica ali direto no local que ela precisa agir estamos falando de um medicamento que não precisou do sangue para chegar ao seu local de ação não precisou ali da circulação sistêmica Então esse é um fármaco de ação local eh é importante a gente entender também
que o efeito farmacológico de um medicamento vai depender muito da Concentração dele no local de ação só que na maior parte dos casos vai ser inviável a gente avaliar ali a concentração no local de ação então por exemplo se a gente toma ali um medicamento para dor de cabeça e a gente a quer saber a concentração dele no sistema nervoso central não dá pra gente simplesmente dosar isso quantificar isso no sistema nervoso central né Eh como geralmente a gente não vai conseguir avaliar a concentração no Local de ação a gente acaba avaliando a concentração no
sangue então a gente avalia a concentração plasmática concentração no plasma como que se comporta a concentração ali de um medicamento no plasma ao longo do tempo ela se comportam como a gente vai ver nesse gráfico aí Então veja que quando esse gráfico começa ali no tempo zero a gente tem uma concentração plasmática zero tô imaginando que você acabou ali por Exemplo de tomar um comprimido para dor de cabeça no momento que você tomou não tinha nada ali do princípio ativo no seu sangue concentração zero e aí o que vai acontecer Esse princípio ativo vai começar
a ser absorvido vai começar a passar pro sangue né lá no intestino no estômago se a gente tá pensando aí num comprimir isso vai fazer a concentração plasmática desse princípio ativo ir aumentando que é o que a gente tá vendo ali nesse Começo de curva e a partir daí a gente vai ver essa concentração plasmática ir diminuindo tanto porque ela vai sair da circulação sistêmica e ser distribuída ali para os órgãos quanto porque esse princípio ativo vai comear a ser eliminado do nosso organismo Mas não se preocupe que a gente ainda vai falar bastante sobre
esses processos de absorção Distribuição e eliminação uma coisa importante que eu quero que você pense aqui perceba aqui é que a Gente precisa que para que o medicamento tenha ação ele chegue ali no local de ação numa concentração adequada se a gente tomar ali muito menos do que o necessário a gente não vai ter efeito então sei lá por exemplo você vai lá compra um comprimido para dor de cabeça e aí para economizar você falar Ah vou dividir aqui o comprimido em quatro pedaços e tomar só um pedaço dá para imaginar que isso não vai
ter efeito certo porque a gente Tomou menos Do que o necessário para ter o efeito terapêutico Então existe uma concentração plasmática a partir da qual a gente observa ali o efeito terapêutico da mesma forma se a gente exagerar Então você for lá e tomar cinco comprimidos para dor de cabeça a invés de tomar um é esperado que você tenha efeitos não desejados ali porque você tomou uma dose muito superior à necessária então existe também uma concentração plasmática a partir da Qual Aquela substância passa a ter efeitos tóxicos então aqui nesse gráfico a gente consegue traçar
o que seria o nível terapêutico que seria a concentração a partir da qual aquele princípio ativo começa a ter efeitos terapêuticos e o nível tóxico que seria a concentração a partir da qual aquele fármaco passa a ter efeitos tóxicos a distância entre esse nível terapêutico e o nível tóxico é o que a gente chama de de margem de segurança e Esse nível terapêutico e nível tóxico vão variar de fármaco para fármaco então para alguns fármacos a gente vai ter uma diferença grande ali entre a concentração terapêutica e a concentração tóxica então a gente fala que
a gente tem uma margem de segurança ampla para outros fármacos a gente vai ter pouca diferença entre o nível tóxico e o nível terapêutico então a gente fala que a gente tem uma margem de segurança Estreita o fármaco vai estar agindo ali Tendo seu efeito enquanto ele estiver aí acima do nível terapêutico e abaixo do nível tóxico para ilustrar o que estamos falando aí sobre cada fármaco ter o seu eh nível tóxico se o seu nível terapêutico eu trouxe aí uma tabela adaptada desse livro de farmacologia que é o katzun e eu quero que você
repare só nas duas últimas colunas dessa tabela que fala concentração eficaz e concentração tóxica então estamos vendo Aí a o nível terapêutico e o nível tóxico para cada um desses fármacos da lista Observe que para alguns deles a diferença entre o nível terapêutico e o nível tóxico é bem grande então por exemplo paraa nortriptilina a partir de 10 nanog por ml a gente já tem um efeito terapêutico e para ter um efeito tóxico a gente precisa administrar mais de 500 nanog por ml por outro lado para medicamentos como a digoxina essa diferença é bem pequena
Então na digoxina a gente vai ter efeito terapêutico acima de 1 nanograma por ml e acima de dois a gente já tem efeitos tóxicos Então a gente tem aí um caso de fármaco que a margem de segurança é Estreita a diferença ali entre a concentração terapêutica e a tóxica é pequena muito bom então a gente vai começar a falar agora sobre farmacocinética que é uma parte da farmacologia que se dedica a estudar Como que o o medicamento Eh se distribui ali eh se movimenta pelo organismo inclusive é daí que vem o nome fármacos sinética né
quando a gente fala de cinética a gente tá falando de movimento então estamos falando de movimentação do fármaco então a farmacocinética vai ser esse ramo da farmacologia que estuda a movimentação da droga pelo corpo ela vai estudar o que o corpo faz com a droga ou seja como o corpo modifica a droga do momento que ela entra no seu organismo Até o momento que ela sai Ah perceba também que eu vou acabar usando a palavra droga aqui como sinônimo para fármaco Porque de fato né todo o fármaco pode ser considerado uma droga Então não se
preocupe como quando estamos aqui falando droga e fármaco a gente tá trabalhando aqui com eles como sinônimos a farmacocinética ela pode ser dividida em quatro fases absorção distribuição metabolização que também Pode ser chamada de biotrans formação e excreção em conjunto biotransformação e excreção constituem aí uma fase chamada de eliminação Qual a ideia por trás aqui então Observe nesse esquema as fases da farmacocinética então Imagine que a gente administrou o medicamento então Aqui estamos as as moléculas laranj do medicamento no local de administração e aí esse medicamento ele vai ser absorvido estou aqui mais Imaginando um
medicamento que tem uma ação sistêmica então ele vai ser absorvido ali e ele vai passar pra circulação sistêmica então a absorção é essa etapa em que o medicamento passa do local que eu administrei pra circulação sistêmica uma vez na circulação sistêmica o medicamento vai ser distribuído pelo organismo isso quer dizer que ele vai para outros órgãos outros locais ele vai tanto pro local de ação dele como ele acaba indo para Outros tecidos essa fase de sair então da circulação sistêmica e ir pro seu local de ação ir para outros tecidos é o que a gente
chama de distribuição aqui até legal a gente chamar a atenção de uma coisa muitas vezes as pessoas têm a seguinte dúvida que é como o medicamento sabe para onde ir então por exemplo como que quando você Toma um medicamento pra dor ele sabe ir pro lugar certo que tá doendo e a resposta para isso talvez te Decepcione porque a resposta é que o medicamento não sabe para onde ir ele simplesmente vai para o seu corpo todo e aí ele acaba chegando ao local de ação mas ele vai chegar todos os outros tecidos também então esse
passo de chegar a esses locais é o que a gente chama de distribuição nesse local de ação nos outros tecidos a gente vai observar ali a transformação dessas moléculas a metabolização delas como essa Metabolização acontece ali dentro desse organismo biológico a gente pode chamá-la de biotransformação então então eu mudei aí a cor da molécula para você entender que ela foi modificada então algumas das moléculas vão ser modificadas outras vão continuar ali intactas depois disso esse medicamento né essa esse fármaco metabolizado ou não vai voltar pra circulação sistêmica o que pode ser chamado de Redistribuição E
aí quando ele volta pra circulação sistêmica ele vai também ser eliminado ele vai ser excretado por exemplo ele pode ser eliminado pela urina pelas feses vamos falar disso com mais detalhes depois E aí ele acaba sendo eliminado saindo ali do organismo a gente vai começar pelo começo da história Então a gente vai começar falando como funciona a absorção Então como falamos a absorção ela é a Passagem da droga do local que eu administrei pra circulação sistêmica depois de atravessar Barreiras biológicas e e que Barreiras biológicas seriam essas né a gente tá dizendo que que o
fármaco precisa atravessar ali paredes de células então ele precisa conseguir atravessar membranas plasmáticas de células no esquema aí a gente tá vendo o intestino o esqueminha do intestino e do vaso Então pense que para o fármaco sair Do intestino e ir pro sangue ele tem que atravessar algumas Barreiras biológicas ele tem primeiramente que atravessar aí a parede do intestino então ele tá atravessando uma camada de células vai cair no interstício E aí ele precisa atravessar uma nova barreira que seria a parede do vaso para entrar no sangue e ser ali distribuído então quando a gente
fala de absorção é importante entender que já que esse fármaco precisa atravessar a Membrana plasmática ele só vai ser absorvido se ele tiver essa capacidade aí de atravessar a membrana plasmática a gente vai falar um pouquinho sobre isso o que que interfere nessa capacidade do fármaco de atravessar eh outra curiosidade é importante é que a gente define absorção como a passagem da droga do local de administração para a circulação sistêmica depois de atravessar Barreiras biológicas Isso significa que quando a Gente administra um medicamento por via intravenosa que a gente injeta ali o medicamento diretamente no
vaso a gente não tem absorção porque o medicamento foi colocado ali direto na circulação sistêmica ele não teve que atravessar Barreiras biológicas então na vi intravenosa a absorção não acontece então lembrando aí como é uma membrana plasmática que você provavelmente já viu algumas vezes a gente tem aí uma membrana que é formada Por uma bicamada lipídica então o principal componente dessa membrana plasmática são os fosfolipídeos que são aqueles lipídios que TM uma cabeça polar hidrofílica e uma cauda Apolar hidrofóbica além dos lipídios que constituem a maior parte da membrana plasmática a gente tem ali proteínas
periféricas e integrais a a gente tem também glicolipídeos na parte externa né então a gente tem carboidratos também na Parte externa da membrana mas o que que é importante aqui que você entenda que como a maior parte da membrana plasmática é formada por lipídios para que um fármaco consiga atravessá-la é importante que ele seja solúvel em lipídios que ele seja lipossolúvel então uma coisa que interfere na taxa de absorção no quão bem absorvido um fármaco será é a liposil ade dele é se ele consegue se dissolver em lipídios eh portanto né Drogas lipossolúveis vão atravessar
a membrana com mais facilidade quanto mais lipossolúvel for um fármaco maior vai ser a facilidade dele ali para fazer essa travessia e uma coisa curiosa é que essa lipossolubilidade do fármaco para alguns dos fármacos vai depender do PH do meio que ele está existem fármacos que são substâncias neutras então para esses fármacos a lipossolubilidade não se altera ela é é uma coisa constante uma característica daquela molécula Porém alguns fármacos eles são eletrólitos E aí a lipossolubilidade deles vai depender do Estado de ionização Por quê O que acontece e que é o que tá representado nesse
esquema adaptado aí do Atlas de farmacologia é que quando o fármaco está ali com carga está ionizado essa carga seja ela positiva ou negativa ela vai atrair água e a gente sabe que água e lipídios não se solubilizam né não se misturam então quando essa carga está Presente no fármaco e ela atrai água isso torna aquele fármaco menos lipossolúvel dificulta a travessia dele eh portanto fármacos ionizados como atraem Água São menos lipossolúveis e essa essa ionização né se o fármaco tá ionizado ou não tá Depende muito do PH do Meio em que ele está que
que a gente precisa saber daqui a gente precisa saber que drogas ácidas elas vão estar ionizadas e portanto menos lipossolúveis Em meios básicos e portanto drogas ácidas vão estar mais lipossolúveis vão ser mais absorvidas nos meios que são iguais a ela que são também ácidos então drogas ácidas são mais bem absorvidas em meios ácidos é o caso de drogas como o ácido acetil salicílico o a S que é o princípio ativo ali da Aspirina e o ácido valpróico que a gente vai ver aqui em farmacologia em psicofarmacologia eh por outro lado quando a gente fala
de drogas básicas o Raciocínio inverte drogas básicas vão ser mais bem absorvidas em meios básicos E aí a gente tem alguns fármacos como Propranolol que é usado ali para hipertensão e diazepan que é um ansiolítico e codeína que é um opioide então esses fármacos vão ser como são básicos eles acabam acabam sendo mais bem absorvidos em meios iguais a ele também básicos a absorção de um fármaco vai depender de características da droga e Do local de administração que características da droga vão impactar né a lipossolubilidade dela como a gente falou então quanto mais lipossolúvel mais
absorção a gente vai observar outra coisa que impacta nessa absorção é a forma farmacêutica que que seria a forma Farm ela seria o formato daquele medicamento então o medicamento ele pode estar em xarope ele pode estar em comprimido ele pode estar em cápsula ele pode estar em cápsula gelatinosa que É aquela que tem um liquidozinho dentro né a gente consegue enxergar o líquido essa forma farmacêutica ela tem um impacto na absorção principalmente na velocidade de absorção é até um pouco intuitivo pra gente pensar então se eu falar para você assim ah o que que você
acha que vai ser absorvido mais rápido fazer efeito mais rápido um medicamento administrado em xarope em gota ou um medicamento administrado em Comprimido é meio intuitivo a gente pensar que é em xarope e de fato é então quando a gente administra o medicamento em gotas a gente tem um efeito mais rápido porque o medicamento em comprimidos antes a gente precisa que esse comprimido seja ali dissolvido para depois ele ser absorvido enquanto que o xarope ele tá pronto para absorção então a forma farmacêutica o formato do medicamento impacta aí a velocidade de absorção e outra coisa
que vai impactar É a concentração administrada então quanto maior a concentração que a gente administra mais absorção Ali vai acontecer outra coisa que impacta é características do local que a gente tá administrando então estamos falando aí que a absorção é a passagem da droga do local que eu administrei para a circulação sistêmica paraa corrente sanguínea é de se imaginar que o fluxo sanguíneo impacta isso então se eu administro aquele fármaco num local que Tem um maior fluxo sanguíneo eu vou ter mais absorção porque tem ali e mais vasos sanguíneos disponíveis para absorverem aquele fármaco se
tem menos fluxo sanguíneo a absorção vai ser menor Ou pelo menos mais lenta é legal a gente pensar eh comparando aí quando a gente pensa em administração intramuscular aquela injeção que é administrada no músculo geralmente ou a gente recebe ela aqui no braço ou a gente recebe no glúteo né A diferença é que o o músculo Do braço que é o deltoide ele é muito mais irrigado que o músculo do glúteo então a absorção quando a gente recebe o medicamento aqui no braço ela vai ser mais rápida a gente vai sentir ali o efeito do
fármaco mais rápido do que um fármaco administrado no glúteo outra característica do local de administração que impacta como a gente falou é o PH Então dependendo do PH e dependendo do fármaco ele vai estar ali ionizado ou não ionizado então ele vai Ser mais bem absorvido ou menos absorvido outra coisa que impacta também é a área quanto maior for a área do local de administração mais absorção a gente vai ter a gente faz geralmente essa comparação pensando em estômago intestino quando a gente administra o medicamento por via oral ele cai no estômago depois vai pro
intestino delgado ali e como o intestino é muito maior do que o estômago então pensando em área né a área do intestino é muito Maior que a do estômago a maior parte da absorção acontece no intestino exatamente por essa área maior então a área também impacta a gente tem várias de administração e o que a gente vai ver aí nessa tabela é um resumo das principais vias de administração pra gente pensar um pouco aí nas vantagens e desvantagens delas na vi oral a gente tem como vantagem então vi oral engolir ali o medicamento né a
gente tem como Vantagens ela ser uma via cômoda e indolor a gente pode se autoadministrar o medicamento por via oral ela é uma via barata e ela permite reversão de superdosagem O que que a gente quer dizer com isso com reversão de superdosagem se a gente administrar uma dose superior a a que deveria administrar a gente tem como reverter por via oral por exemplo induzindo vômito ou fazendo lavagem estomacal Então a gente tem como reverter se a Gente administrar a dose inadequada por exemplo por via intravenosa não tem como a gente reverter então a via
oral é mais segura pensando nisso que a gente tem como reverter em casos de superdosagem as desvantagens dela são que a absorção dela é lenta e variável então é um efeito demorado se a gente tá ali numa situação de emergência não faz sentido usar vi oral porque é um efeito lento E além disso realmente a absorção é variável e influenciada por coisas Como a sua alimentação Então dependendo se você estava ali sem comer há algumas horas ou se você acabou de almoçar a absorção vai ser diferente porque o alimento vai interferir nessa absorção então a
absorção é bastante variável pela via oral uma outra outra desvantagem da vi oral é que ela sofre o chamado efeito de primeira passagem que que seria esse efeito de primeira passagem o efeito de primeira passagem é quando o fármaco é Metabolizado antes de atingir a circulação sistêmica isso acontece na vi oral então o medicamento que é absorvido ali no intestino pela vi oral ele primeiro passa pelo fígado e depois ele vai pra circulação sistêmica e o fígado é o nosso principal órgão de metabolização Então antes de chegar na circulação sistêmica o fármaco já é metabolizado
e a gente vai ver daqui a pouco que essa metabolização geralmente inativa o fármaco então boa parte das Moléculas que são ali administradas por vi oral elas são inativadas antes de chegar à circulação sistêmica uma outra desvantagem da vi oral é que ela precisa da cooperação do paciente então o paciente precisa estar consciente para deglutir senão a via oral não vai ser uma opção ela também não é uma via adequada em situações de V então a gente não consegue usar essa via a gente tem que usar outra uma outra via super importante Bastante usada é
a via intravenosa a via intravenosa a vantagem dela é que a gente tem um controle total da dose a gente administra ali o medicamento direto no na circulação sistêmica então a gente sabe exatamente o quanto foi parar na circulação sistêmica ela tem um efeito rápido até porque ela nem tem absorção né como a gente comentou ela não precisa da cooperação do paciente a gente consegue usar Essa Via num paciente por exemplo que esteja em coma E ela permite infusão contínua então por exemplo a gente pode ali administrar soro ou alguma outra algum outro fármaco ali
na veia por um período de tempo né uma infusão contínua desvantagens ela é uma via mais cara ela requer coisas como agulha seringa pessoas que ten um treinamento adequado para fazer essa administração ela não vai permitir autoaplicação né o paciente se autoadministrar ela não permite reversão Em casos de superdosagem e ela precisa a de técnica e assepsia além da via intravenosa a gente tem uma via chamada intramuscular que é quando a gente administra o fármaco no tecido muscular no músculo uma vantagem dela é que ela permite o uso de substâncias oleosas que a via intravenosa
não permite a gente só consegue usar substâncias ali aquosas por vi intravenosa ela também não precisa da cooperação do paciente e ela Permite o uso de fármacos que tenam absorção lenta assim como a via intravenosa a via intramuscular tem como desvantagens um maior custo não permitir reversão de superdosagem requerer ali técnica e assepsia de quem tá administrando né e ter um ela ainda tem um risco adicional que seria o risco de injeção em veias e artérias então é importante que a pessoa que está fazendo essa administração então saiba fazê-la corretamente pra Gente não ter uma
injeção do fármaco em veias e artérias outra via que entra nessas vias eh de injeção né que são as vias que a gente chama de parenterais é a via subcutânea então via subcutânea quando a gente administra ali no tecido subcutâneo ela é uma via que eh tem como grande vantagem permitir autoaplicação então ao contrário da da intravenosa por exemplo a via subcutânea permite autoaplicação vou te dar um exemplo de Situação de fármaco que é administrado por via subcutânea para isso fazer mais sentido para você se você conhece alguém que faz uso de insulina então que
tem ali diabetes do tipo um e precisa se administrar insulina diariamente a insulina é um fármaco que a gente não consegue administrar por via oral Porque como a insulina é uma proteína se a gente administra ela por via oral ela acaba sendo degradada no estômago Qual que é a alternativa a insulina acaba Sendo administrada por via subcutânea Então as pessoas que fazem tratamento com insulina em geral vão usar ali uma injeção na geralmente na região aí da barriga no tecido subcutâneo então vantagens a própria pessoa consegue administrar ela tem aí uma autoaplicação ela permite autoaplicação
eh a via subcutânea também permite a implantação de implantes de liberação lenta então por exemplo você já deve ter ouvido falar de implantes de contraceptivo que A gente coloca aqui embaixo da pele então via subcutânea Assim como as outras que envolvem ali injeções Ela tem maior custo a gente precisa ali de agulha de seringa é uma via mais cara e ela também precisa de técnica e assepsia outra via muito interessante que faz muito sentido quando a gente pensa em psicofármaco é a via sublingual a via sublingual então consiste em você colocar al o fármaco embaixo
da língua e ele é absorvido por aquela mucosa da Boca Quais são as vantagens uma grande vantagem é que na Via sublingual o fármaco não vai sofrer aquele efeito de primeira passagem ele vai pra circulação sistêmica sem passar por uma metabolização antes então a gente acaba eh tendo mais fármaco chegando à circulação sistêmica ali intacto eh além disso a grande grande vantagem da Via sub lingual é que ela tem uma ação rápida Então ela é uma via Que faz sentido em situações de emergência talvez Você conhece alguém que tenha crises de ansiedade pessoas que TM
crise de ansiedade geralmente andam ali com um ansiolítico né que pode ser administrado por via sublingual então no momento da crise a pessoa coloca esse comprimidinho ali de ansiolítico embaixo da língua e o efeito é rápido então é é uma via que faz sentido a gente usar em situações de emergência e como desvantagens é é Incômodo né a gente fica ali com o comprimido embaixo da língua esperando ele ser dissolvido e absorvido Então os pacientes que fazem uso dessa via relatam que ela é incômoda mas ela é uma via muito útil para esse tipo de
situação a gente tem também a via retal que é a via então em que a gente administra ali por exemplo supositórios né a absorção acontece pela mucosa do reto ali o final do intestino grosso vantagens ela sofre pouco efeito de Primeira passagem e a gente consegue usar na Via retal tanto fármacos de ação local então por exemplo um antiinflamatório ali pra região do ré mas a gente consegue também usar fármacos gão sistêmica então por exemplo existem supositórios com fármacos para baixa febre muito comum a gente usar isso em criança né Se a criança tá vomitando
não tem como administrar um medicamento para baixar febre por via oral Mas você pode usar via retal Colocar ali um supositório para baixar febre e uma desvantagem é que ela é incômoda uma outra via de Administração é a via pulmonar que é então quando a gente usa drogas gasosas ela é droga ada Essa Via é bastante usada para anestésicos Gerais vantagens a gente tem ali um tecido pulmonar muito irrigado então a gente tem uma absorção rápida mas a gente tem uma absorção irregular que depende muito da frequência respiratória e a gente acaba tendo baixo Controle
da dose e nessa via a gente também tem efeito de primeira passagem e a gente tem por fim aí a via tópica que é quando a gente administra ali na pele a gente pode administrar por via tópica tanto fármacos de ação sistêmica quanto fármacos de ação local a gente geralmente pensa Ah se eu vou administrar ali na pele vou administrar um fármaco de ação local que tem ação ali na pele mas existem fármacos que a gente pode administrar aqui na pele que São fármacos de ação sistêmica vou te dar um exemplo e algumas mulheres quando
entram em menopausa fazem terapia de reposição hormonal que é feita ali com estrógeno né existem formulações que são gel de estrógeno Então esse estrógeno é aplicado na pele e a ideia é que ele tem um efeito sistêmico ali da pele ele vai ser absorvido vai ser distribuído para todo o corpo e vai ter um efeito sistêmico mas a gente tá administrando ele na pele E faz sentido o estrógeno para isso porque o estrógeno é uma é um fármaco muito muito muito lipossolúvel por isso ele é bem absorvido mesmo quando a gente aplica na pele que
tem ali uma certa resistência absorção vantagem dessa via também é que ela tem um risco de infecção muito baixo ao contrário por exemplo das vias que a gente tem injeção uma desvantagem é que essas essas formulações que precisam ser Aplicadas na pele não devem ser aplicadas em pele lesionada porque a gente vai ter uma absorção muito maior e aí às vezes a gente vai absorver uma dose inadequada E aí pra gente encerrar essa conversa sobre vias de administração eu preciso te contar o que é biodisponibilidade a biodisponibilidade é a fração de droga não modificada que
atinge a circulação sistêmica levando-se em conta tanto a Absorção quanto a degradação local Como assim então quando a gente pensa em biodisponibilidade a gente tá pensando assim Quantos por cento da droga tá chegando na circulação sistêmica sem ser alterado se uma parte ali não foi absorvida já perdemos Aquela aquele aquela porcentagem se outra parte foi metabolizada e portanto foi alterada antes de chegar a circulação sistêmica perdemos aquela parte também então a gente considera o quanto chegou ali no Final ali na circulação sistêmica sem ter sido modificado isso vai variar de fármaco para fármaco e de
via para via então geralmente a gente vê ali a biodisponibilidade por via oral e varia bastante de fármaco para fármaco então por exemplo coloquei aí três fármacos que são da mesma família de fármacos usados ali para paraa hipertensão e algumas outras coisas cardíacas que são propranolol metoprolol E betaxolol o Propranolol a biodisponibilidade oral dele é 25% quer dizer que de tudo que você ali ingere quando você toma comprimido por vi oral de Propranolol só 25% chega inalterado na circulação sistêmica o metoprolol é da mesma família já tem uma biodisponibilidade maior de 40% e o betaxolol
de 80% Isso significa que por exemplo betex olol é um fármaco melhor que o pranolol não significa apenas que tá chegando Mais droga inalterada na circulação sistêmica e que portanto talvez a gente temha que administrar mais Propranolol para chegar ali a quantidade necessária na circulação sistêmica Mas isso não torna um fármaco melhor ou pior que o outro na via intravenosa a nossa biodisponibilidade vai ser 100% por quê Porque a gente administrou o fármaco ali direto na veia né então a gente sabe que 100% do fármaco chegou inalterado na circulação sistêmica mas em outras vias A
gente vai ter uma biodisponibilidade menor que 100% qual via de administração a gente vai escolher então isso depende muito depende da estrutura do fármaco né então por exemplo seria ótimo a gente administrar insulina por via oral seria muito cômodo pros pacientes que tomam insulina todos os dias mas não é uma possibilidade dada a estrutura da da insulina a via também depende da rapidez De ação necessária Então se estô numa situação de emergência não faz o menor sentido administrar o fármaco por via oral a gente vai usar uma via como intravenosa sublingual que tem um efeito
mais rápido e vai depender também da conveniência né então não faz sentido você mandar um paciente para casa para fazer um tratamento por 7 dias com antibiótico e tem sendo que ele teria ali que administrar por via entra venosa a ao hospital não seria conveniente faz Muito mais sentido a gente usar Livia oral por exemplo certo ah depois da absorção a gente tem a distribuição do fármaco que vai ser a passagem da droga da corrente sanguínea para os tecidos e essa distribuição vai ser muito influenciada pelo fluxo sanguíneo então nos órgãos com mais fluxo sanguíneo
O fármaco vai chegar mais rapidamente e naqueles com menor fluxo sanguíneo como o tecido muscular tecido adiposo pele esse fármaco vai Demorar mais para chegar a distribuição vai ser mais lenta outra coisa que é importante aqui no contexto da distribuição é falar sobre ligação a proteínas plasmáticas Então a gente tem ali no plasma proteínas à Quais as drogas podem se ligar e o que que é importante entender que quando a droga tá ligada a proteína plasmática como você tá vendo aí no desenho então a gente tá vendo aí as proteínas plasmáticas são essa estrutura Roxa
e a droga no desenho é o verde quando a droga tá ligada a proteína plasmática a gente fala que ela não é farmacologicamente ativa por quê Porque quando ela tá ligada a proteína plasmática ela não vai conseguir sair do vaso e ter o seu efeito ela vai ficar ali dentro do vaso por que isso porque a proteína plasmática é uma estrutura grande então a proteína não vai sair do vaso a droga só vai conseguir sair do vaso se ela tiver desligada dessa Proteína então quando a droga tá ligada a proteína plasmática a distribuição dela diminui
porque ela tem dificuldade ali de sair do vaso e ir pros outros tecidos e quando a droga tá livre tanto efeito quanto a eliminação dela vão ser mais rápidas porque paraa droga ser eliminada A gente também precisa que ela saia do vaso agora quando a droga tá ligada o efeito e a excreção dela vão ser mais lentos então a ligação a proteínas Plasmáticas Varia muito também de fármaco para fármaco aqui é aquela mesma tabela que a gente já tinha visto ali do livro adaptada do livro do katzung e a gente vê aí a segunda coluna
é ligação a proteínas plasmáticas Então veja que varia bastante de fármaco para fármaco tem fármacos como o acetaminofen aí que 0% se liga a proteínas plasmáticas mas outros como a nortriptilina 92% das moléculas se ligam ali a proteínas Plasmáticas eh uma outra coisa que é importante é que essa ligação a proteínas plasmáticas pode interferir na interação entre medicamentos então duas drogas Que temam afinidade à mesmas proteínas plasmáticas quando elas são administradas simultaneamente elas vão competir pela ligação a essa proteína plasmática E aí Quem vai ganhar essa competição vai ser a droga que esteja ou em
mais quantidade né Ou que tenha mais afinidade pela Proteína a que tiver ali menor afinidade ou estiver em menor concentração vai acabar se desligando isso vai interferir no efeito dela para você entender isso melhor vamos olhar um esqueminha Então esse é o primeiro esquema que a gente já tinha visto a gente tem aí uma Droga Verde ligada na proteína plasmática E aí vamos imaginar que junto com essa droga verde simultaneamente ali a gente administrou uma droga amarela eh que ela tem mais afinidade pela proteína Plasmática do que a droga verde que que vai acontecer elas
vão competir só que a droga amarela vai acabar ganhando essa competição porque a afinidade dela é maior então vai acontecer o que tá esquematizado nesse outro desenho Isso significa que a droga verde que normalmente estaria ligada a proteína plasmática Agora como ela perdeu a competição ela vai est principalmente desligada da proteína plasmática Vai ter muito mais droga Livre nesse segundo Cenário do que existiria caso a droga verde fosse administrada sozinha isso vai fazer com que mais droga verde nessa segunda situação consiga sair do vaso e ter efeito Então a gente vai ter um aumento do
efeito dessa droga essa interação aqui pode ser observada quando a gente administra alguns anticoagulantes com antiinflamatórios os antiinflamatórios eles têm mais afinidade pelas proteínas plasmáticas então é como se eles fossem a droga Amarela aí no segundo do desenho e eles levam portanto a um desligamento maior das dos anticoagulantes que seriam a droga verde Então os anticoagulantes acabam tendo mais efeito e a gente tem risco de sangramento então ligação à proteína plasmática é uma coisa que pode levar a interação entre medicamentos interação medicamentosa outra coisa importante aqui no nosso contexto é falar sobre Barreiras orgânicas que
que seriam Barreiras orgânicas são tecidos em que as células endoteliais dos vasos elas são Unidas fortemente dificultando a passagem ali pelos espaços intercelulares então a droga precisa Obrigatoriamente passar pela célula porque a gente não tem espaço entre células a gente tem não tem ali espaços intercelulares isso é importante para proteger o nosso organismo então a ideia das Barreiras orgânicas é uma proteção contra toxinas patógenos e outras Substâncias nocivas a gente tem três principais Barreiras uma delas é a barreira mato encefálica que é uma barreira entre o sangue e o sistema nervoso central mas a gente
tem também uma barreira placentária que é uma barreira entre o sangue materno e o sangue do feto e a barreira hematotesticular que é uma barreira entre o sangue e os túbulos seminíferos que tem aí o objetivo de proteção dos Espermatozoides a barreira placentária tem exatamente o objetivo de proteger o feto em desenvolvimento de toxinas e fármacos e outras coisas e a barreira hematoencefálica Claro tem o objetivo de proteger nos sistema nervoso central que é tão importante a então Fernanda está me dizendo que se tem uma barreira hematoencefálica que tá ali dificultando a passagem de drogas
a gente não vai ter drogas chegando no sistema nervoso central Claro que vamos Né a gente sabe que existem drogas que estão tendo ação no sistema nervoso central o que acontece é que pra droga chegar até o sistema nervoso central e ter o efeito dela ela precisa conseguir atravessar a barreira hematoencefálica e quanto que ela vai conseguir isso quando ela conseguir atravessar células com facilidade portanto Quando ela for muito lipossolúvel então fármacos que T ação central ou Outras Drogas por exemplo recreativas que tem ação Central eles São substâncias muito lipossolúveis porque é isso que garante
que eles conseguem atravessar barreira hematoencefálica e fármacos que acabam atravessando a barreira hematoencefálica em geral vão atravessar também barreira placentária barreira hematotesticular então por exemplo álcool é uma substância uma droga que a gente sabe que atravessa a barreira hematoencefálica tem ação no sistema nervoso central e a gente também sabe Que a que atravessa a barreira placentária por isso que não é recomendado ali consumir álcool durante gestação esse esqueminha aí tá mostrando como na barreira hematoencefálica a gente não tem ali espaço entre as células a gente tem aí uma junção bem aderida aqui enquanto que normalmente
a gente teria ali espaços intra intercelulares a gente precisa falar também de metabolização e de excreção metabolização é o que a gente chama ali De biotransformação esses termos são sinônimos biotransformação é qualquer alteração que aconteça na estrutura da droga dentro do organismo eh e essa metabolização ela é mediada por proteínas chamadas enzimas quando a gente metaboliza um fármaco em geral a gente vai ter duas consequências alteração na atividade da droga a droga ela pode ser transformada então em metabólito ativo ou em metabólito inativo mas quase sempre essa Alteração leva a uma inativação daquela molécula então
a molécula é administrada na forma ativa e quando ela é metabolizada ela se torna inativa ela se torna um metabólito Inativo outra coisa que a metabolização faz é tornar aquela droga aquela substância mais Lipo Desculpa mais hidrossolúvel ou seja menos lipossolúvel mais hidrossolúvel isso Vai facilitar a excreção dessa droga como a gente vai ver mais paraa frente uma coisa curiosa um detalhe que A gente precisa falar aqui dentro de metabolização é que alguns fármacos são chamados de pró drogas e Eles seguem uma lógica um pouco diferente como assim essas pró drogas elas são drogas que
são administradas na forma inativa E aí bem dentro do organismo elas são transformadas em metabólitos ativos é o caso do enalapril que é a forma inativa mas dentro do organismo é convertido ali num metabólito ativo que é o enalaprilato e Da cortisona que também é uma prod droga inativa na forma de cortisona mas dentro do organismo é metabolizada transformada em hidrocortisona E aí passa a ser uma molécula ativa onde acontece essa biotransformação principalmente no fígado a maior parte da metabolização vai acontecer no fígado mas ela pode acontecer em outros locais como pulmão rins e plasma
eh dentro aqui de metabolização a gente Precisa falar sobre fármacos que aumentam e diminuem a atividade de enzimas os fármacos que diminuem a atividade de enzimas são chamados de inibidores enzimáticos então estamos falando aí de fármacos que inibem o funcionamento de enzimas faz sentido o nome né um exemplo legal aqui pra gente falar é um fármaco que interfere no metabolismo do álcool então o etanol o álcool etílico que é consumido ali recreativamente ele é metabolizado por Uma enzima aí que chama álcool desidrogenase e ele dá origem a um acetaldeído esse acetaldeído por sua vez é
convertido por uma outra enzima chamada aldeído desidrogenase e ele vai dar origem ali a ácido acético e água uma coisa curiosa é que esse acetal c aldeído é responsável por aqueles efeitos de ressaca eh como por exemplo rubor náusea cefaleia né que é dor de cabeça taquicardia aqueles efeitos fisiológicos Muito desagradáveis que aparecem depois que você consome álcool existe um fármaco que é um inibidor enzimático de uma dessas enzimas Mais especificamente da enzim aldeido desidrogenase esse fármaco chama de sulfiram quando ele é administrado ele inibe essa enzima aldeído desidrogenase e portanto o que que a
gente pode imaginar que vai acontecer se a gente inibe essa enzima A gente vai inibir a Conversão de acetaldeído em ácido acético isso vai aumentar a quantidade de acetaldeído no organismo e portanto vai aumentar os sintomas de ressaca né vai aumentar esses sintomas fisiológicos decorrentes aí do consumo de álcool e aí você pode estar se perguntando Mas porque alguém ia querer um medicamento que aumentasse a ress né Geralmente as pessoas querem um medicamento que cure a ressaca e a ideia é que esse disulfiram ele é usado na para auxiliar o Tratamento ali de alcoolismo claro
que o tratamento do do alcoolismo do etilismo ele não vai ser resolvido apenas com fármaco ele é uma coisa muito mais complexa que precisa ali de acompanhamento psicológico psiquiátrico mas o disulfiram pode ser utilizado para ajudar porque a pessoa que está usando disulfiram caso ela consuma álcool ela vai ter uma saca horrível então isso pode ser ajudado a inibir ali o comportamento do consumo de Álcool a gente tem também os fármacos que fazem o contrário do que o disulfiram tava fazendo né o disulfiram estava inibindo o funcionamento da enzima existem fármacos que aumentam essa atividade
da enzima como consequência eles vão aumentar a metabolização e vão acabar diminuindo a atividade farmacológica de outros fármacos levando a uma coisa chamada tolerância que é quando aquela mesma quantidade de fármaco para de fazer o Efeito esperado vou dar um exemplo para isso fazer mais sentido para você que é o exemplo da interação entre barbitúricos que são fármacos que podem ser usados como anticonvulsivantes nós veremos nas nossas aulas e os contraceptivos orais então normalmente o que que acontece o contraceptivo oral ativo ali ele acaba sendo metabolizado por uma enzima específica para ele que vai e
vai ali dar origem a um contraceptivo oral Inativo então a enzima essa metabolização inativa contraceptivo oral isso normal agora uma mulher que esteja fazendo uso de contraceptivo oral e também faça uso de um barbitúrico por exemplo porque ela tem epilepsia o que que vai acontecer o barbitúrico ele vai estimular o funcionamento dessa enzima Então essa enzima ela vai estar agora mais funcionante isso quer dizer que essa conversão do contraceptivo oral ativo para o inativo ela vai ser Estimulada então o que que a gente vai observar a gente vai observar uma diminuição da concentração do contraceptivo
oral ativo e o aumento da concentração do contraceptivo oral inativo se a gente tem agora no organismo menos contraceptivo oral ativo quer dizer que o contraceptivo oral vai fazer menos efeito isso pode levar a falhas do medicamento Então a gente vai ter uma diminuição do efeito que pode ser chamada aí de tolerância e a a gente Vai ter uma falha no funcionamento do contraceptivo Então essa é uma interação medicamentosa preocupante quando uma mulher está fazendo uso ali de barbitúricos isso é algo que é avaliado porque a gente sabe que interfere no funcionamento ali do contraceptivo
oral e por fim a gente chega na parte de excreção que é a eliminação do organismo dos fármacos inalados ou dos seus metabólitos e a gente tem aí três vias principais a via que é de longe a mais Comum ou seja quando o fármaco é eliminado pelos rins ali na urina a via biliar que a gente vai ver melhor mas é quando o fármaco acaba sendo eliminado pelas feses e a via pulmonar que é quando ele é eliminado ali na na expiração na Via renal é importante a gente entender algumas coisas aqui você tá vendo
nesse desenho é um néfron né e o que acontece o sangue ali no glomérulo ele é filtrado e ao longo do nefron esse Filtrado vai sendo reabsorvido 99% do que a gente filtra ali na na cápsula que é a primeira parte ali do nefron acaba sendo reabsorvido e a gente elimina na urina só 1% do que a gente filtrou tá aí nas setinhas indicando quanto a gente vai absorvendo em cada parte do néfron mas é importante a gente entender que de tudo que a gente filtra 99% a gente reabsorve e aí o que que é
a gente Precisa pensar aqui em relação aos fármacos que quando a droga ela é lipossolúvel ela acaba sendo reabsorvida porque veja para ela ser reabsorvida ela tem que atravessar ali a parede do néfron e chegar ali a circulação sistêmica como você tá vendo aí no segundo na segunda situação em drogas lipossolúveis a droga para conseguir fazer essa travessia ela precisa ser lipossolúvel caso ela seja hidrossolúvel ela vai ter dificuldade de Ser reabsorvida então ela vai acabar sendo eliminada na urina então uma coisa que facilita a excreção é tornar a droga hidrossolúvel é até por isso
que a metabolização aumenta a hidrossolubilidade da droga e com isso ela facilita a excreção com relação à excreção via biliar a gente tá falando como eu comentei com vocês de uma excreção que acontece ali pelas feses então a droga ela acaba sendo metabolizada no fígado e Ela é enviada ali pra vesícula biliar e fica ali junto com abile quando aile é ali jogada no intestino a droga metabolizada vai ser jogada junto ali no intestino uma vez no intestino a droga tem dois caminhos a seguir um deles é ser eliminada pelas fezes então seguir o intestino
e ser eliminada Mas algumas drogas elas Na verdade são metabolizadas novamente no intestino e elas sofrem ali no intestino a ação de Enzimas e bactérias intestinais e o que é curioso é que essas enzimas e bactérias intestinais elas aumentam a lipossolubilidade da droga Então depois de ser metabolizada aí por enzimas e bactérias no intestino a droga acaba ficando mais lipossolúvel e a gente sabe que fármacos lipossolúveis no intestino são o quê absorvidos então quando a droga se torna mais lipossolúvel ela acaba sendo reabsorvida ela acaba voltando ali ir Pra circulação sistêmica e continuando no organismo
por mais um tempo um fármaco que faz passa por esse processo é o contraceptivo oral então o contraceptivo oral é metabolizado ali no fígado vai pra vesícula biliar e lá no intestino ele acaba sofrendo ação de bactérias intestinais ficando mais lipossolúvel e sendo reabsorvido isso garante que ele fique por mais tempo ali no organismo eh a além dos contraceptivos orais essa Excreção biliar também é observada na morfina que é um opioide que a gente vai ver aqui no bloco de psicofarmacologia eh e aí tem toda uma discussão que os antibióticos podem diminuir o efeito dos
contraceptivos exatamente por interferir nessa reabsorção que acontece ali no intestino eu até não te falei o termo correto mas isso de o fármaco ser metabolizado ali no intestino e ser reabsorvido que eu tava explicando isso pode ser chamado de CIC enterohepática por quê Porque a gente tá falando de um ciclo que envolve intestino entero e fígado então ele volta pro fígado e vai pro intestino volta pro fígado vai pro intestino Então enterohepática e o que acontece é que se a gente administrar antibióticos de amplo espectro eles vão acabar matando essas bactérias intestinais e portanto a
gente não vai Ter esse caminho aí de tornar a droga mais lipossolúvel e ela ser reabsorvida ela acabaria sendo eliminada pelas fezes ou seja seguindo outro caminho isso vai fazer com que o fármaco fique menos tempo ali no organismo e portanto tenha menos efeito com relação a antibiótico e contraceptivo isso ainda é um pouco controverso mas você encontrar essa informação em livros clássicos de farmacologia como a farmacologia do Hang deale mas H faz um sentido né porque ele Acaba interferindo ali no ciclo Inter hepático eh e aí a gente precisa falar também de um parâmetro
que envolve a eliminação do fármaco que talvez você já tenha ouvido falar e aparece nas bulas de medicamentos que é a meia vida de eliminação que a gente representa aí por T me a meia vida de eliminação ela é um parâmetro numérico que corresponde ao tempo necessário para que a quantidade de droga no organismo seja reduzida pela Metade ela vai variar de fármaco para fármaco e vai ser uma informação que tá incluída ali na bula então por exemplo aqui a gente tá vendo a concentração plasmática ao longo do tempo Observe que ela não cai de
forma linear ela forma aí uma curva exponencial né e o que que seria a meia vida de eliminação ela seria o tempo necessário para que a concentração plasmática caia pela metade então no começo desse gráfico Observe que a concentração plasmática ela é de 100 certo ã para cair pra metade ela tem que cair para 50 então aqui esse ponto entre 40 e 60 veja que para isso isso acontecer a gente levou aqui 4 horas de 50 para ela cair mais metade ela teria cair para 25 veja que isso levou mais 4 horas agora estamos em
8 horas então Eh o que que a gente tá vendo para esse fármaco aqui hipotético nesse gráfico que a gente tá levando 4 horas para ter Um decréscimo de 50% então para cair de 100 para 50 para cair de 50 para 25 para cair de 25 para 12,5 então a meia vida de eliminação para esse fármaco do do exemplo seria de 4 horas e como a gente falou isso Varia muito de fármaco para fármaco então tem fármacos aqui da lista que tem uma meia vida curta por exemplo se a gente pegar aí o acetaminofen ou
a endomet cina ou mesmo a lidocaína eles têm meias vidas aí perto de 2 horas outros fármacos por Outro lado vão ter meias vidas maiores então por exemplo a digoxina tem uma meia vida de c 50 horas nortriptilina 31 horas e a cloroquina 214 horas eh outros dois parâmetros aí que envolvem a parte de eliminação e absorção são concentração máxima e tempo máximo que é o que a gente chama aí de cmax e tmax o cmax é a concentração plasmática máxima que um fármaco atinge e o tmax é o tempo necessário para que se atinja
a concentração plasmática Máxima esses parâmetros eles também variam de fármaco para fármaco então por exemplo coloquei aí um pedaço da bola do fenobarbital que é um barbitúrico que a gente vai ver lá na aula de anticonvulsivantes de tratamento PR epilepsia ah a concentração plasmática máxima ocorre dentro de aproximadamente 8 horas em adultos e 4 horas em crianças Então veja que ele tá dizendo que o tempo necessário pra gente atingir essa concentração máxima é de 8 horas em Adultos e 4 horas em crianças Portanto o tmax aí para adultos é 8 horas para crianças é 4
horas em crianças a meia vida plasmática é de 40 a 70 horas enquanto que em adultos é de 50 a 140 horas então Observe aí Que ele dá uma certa faixa de variação porque claro vai variar um pouco a eliminação de pessoa para pessoa mas a gente tem aí sempre na bula informada a meia vida estimada para cada fármaco e geralmente a gente tem essa diferenciação aí entre crianças e Adultos e aí então só para você enxergar isso nesse gráfico que a gente já viu né a concentração máxima seria esse Pico do gráfico certo a
concentração mais alta plasmática que o fármaco atinge e o TX seria ali o tempo necessário para que essa concentração máxima seja atingida Então é isso eu espero que vocês tenham aprendido bastante que tenha sido legal além de de instrutivo e a gente se vê numa próxima [Música] aula