nessa quarta-feira agitada o destaque da Economia em uma decisão unânime o comitê de política monetária do Banco Central elevou a taxa SELIC em um ponto porcentual com isso a taxa básica de juros saltou para 12,25 por ao ano de volta aqui o repórter Álvaro nocera que acompanha também a saúde do presidente Lula agora sobre a saúde financeira do país Álvaro como é que o COPOM justifica essa decisão pois é inflação e política fiscal o comitê de política monetária do Banco Central acelerou o ritmo de alta da Celi em um ponto percentual a taxa básica de
juros passou de 11,25 ao ano para 12,25 ao ano esta que foi a terceira alta consecutiva no documento na ata eles explicam cupom informa que o cenário mais recente ele é marcado pela desancoragem recente adicional das expectativas de inflação e das projeções de inflação o que exige uma política monetária mais contracionista ainda neste documento eles chamam atenção para a política fiscal do governo federal o aumento ele já era esperado mas ele veio acima da expectativa do mercado financeiro que previa uma alta de 0,75 pontos ele acabou vindo então de um ponto percentual esta foi a
última reunião do Banco Central sob o comando do atual presidente Roberto Campos Neto a partir do ano que vem Será então pelo indicado pelo presidente Lula Gabriel galípolo que vai assumir este cargo volto com você Tiago Poisé bom Álvaro noira continua no Ciro Libanês você volta em instantes com mais informações sobre o estado de saúde do presidente Lula até já Álvaro bom e o que representa essa alta dos juros para os brasileiros o nosso convidado agora é o doutor em economia diretor Nacional do ibemc Reginaldo Nogueira como vai Reginaldo mais uma vez muito obrigado por
participar aqui da programação da Jovem P muito bem-vindo muito obrigado pelo convite sempre um prazer estar aqui com vocês Bom como a gente já destacou foi uma decisão unânime Mas é uma decisão que é possível considerá-la agressiva do ponto de vista do Banco Central de tentar conter inflação e também de olho no radar eles citam né no comunicado o que vem acontecendo com a economia dos Estados Unidos também de que forma isso mexe com a economia brasileira e também claro em relação à financiamentos tudo pode ser afetado com isso bem vamos lá né é uma
é uma decisão é uma surpresa é uma surpresa mas ninguém tá surpreendido na verdade eh se esperava 075 como um movimento em direção a um aumento maior talvez de 1% no ano que vem e dado que vínhamos de alguns aumentos de 0,5 nas últimas reuniões o mercado falar em 0,75 de aumento de maneira unânime Mas já havia ali uma discussão Clara de que um aumento de até um ponto percentual fazia sentido e fazia sentido por quê Porque temos aí um cenário de deterioração muito forte eh de todos os indicadores de expectativas de câmbio e relacionamento
do mercado com o governo juros futuros então a pior eh de todo o cenário da última reunião para essa ela dizia que sim haveria ali um aumento né juros mais altos eh acompanhariam então o 0,75 já era tomado como como base mas havia o espaço de um aumento de 1% né se a gente olha hoje e o e o COPOM a ata Foi bastante explícita eh sobre isso nós temos uma economia super aquecida eh e esse é o primeiro ponto né Eu acho que eh em alguns locais a gente ainda escuta vindo ali que não
a inflação brasileira não é de demanda Olha a inflação brasileira é de demanda se a gente olha os dados de inflação de serviços eles são fora da meta se a gente olha os dados núcleos inflacionários muito longe da meta e se a gente olha os dados eh dos dados trimestrais né do PIB que saiu recentemente está muito claro que é uma inflação de demanda uma economia tanto que cresce além do potencial que tem uma piora do do da da poupança doméstica então a poupança caiu abaixo de 15% do PIB quer dizer uma economia que está
ali sustentada por consumo privado e consumo do governo né das famílias e do governo piora do setor externo então quer dizer a demanda está tão agressiva que uma parte dessa demanda está vazando pro resto do mundo né vamos dizer assim com o pior aumento muito forte das ações porque a oferta doméstica já não consegue mais atender a demanda Nacional Então temos ali um cenário Claro em que os juros estão baixos demais casado com uma piora dos indicadores fiscais e das expectativas que tem colocado aí juros mais altos quer dizer quando a gente olha todo esse
cenário havia ali um há componentes para que esse aumento mais forte viés como ele acabou vindo né e mais do que isso eh já com indicações do cupom de que esse pode ser o primeiro de uma sequência de três aumentos de 1% Pois é aí os juros chegariam a quase 15% ou talvez mais não é há espaço para isso e o impacto na economia Isso segura a inflação porque muito se fala que é o remédio Amargo não é Reginaldo de que forma que há esse esse esse momento em que a inflação pode dar uma uma
uma freada por causa da Alta dos juros bom é é um remédio Amargo Com certeza né Eu acho que isso não tem dúvida para ninguém temos aí uma situação na qual os juros mais altos eh eles Com certeza terão impacto na economia real e a expectativa é que isso aconteça de novo né estamos falando de um país em que a demanda está muito acima da capacidade de oferta a poupança está muito baixa nós temos dificuldades de entregar a produção do de suprir essa demanda eh local Então existe ali todos os cenários para que sim o
banco central precisa esfriar o ritmo da economia se a gente olha Eh taxas de desemprego em queda recorde isso não é condizente com a capacidade de uma economia Com inflação subindo eh e limite de capacidade de de oferta né atingimento aí do do eh do máximo de capacidade de produção sim então teremos sim eh uma economia esfriando eu acho que esse é um cenário Eh que que não é muito como como podemos escapar eu acho que aí agora é o quanto esses juros precisam subir o banco central está dizendo eu acho até que para tentar
controlar um pouco as expectativas negativas principalmente com relação ao câmbio e também acho que nessa mudança que temos aí entre Roberto Campos Neto agora na próxima Eles já fizeram questão de deixar na ata de maneira unânime que o banco central está claro o cô enquanto instituição de que novos aumentos de 1% poderão seguir de agora até as próximas duas reuniões eu acho que tem um pouco disso envolvido ali também né então precisaremos chegar a 14,25 15 o que seja vai depender de muitas coisas vai depender do comportamento do câmbio vai depender do quanto a economia
vai resp mas principalmente vai depender do ajuste fiscal se houver ajuda do governo federal se houver ali da parte da do Ministério da Fazenda do planejamento do congresso um encaminhamento mais forte de ajuste fiscal os juros não precisarão subir tanto caso contrário sim perfeito Deixa eu chamar rapidamente os nossos comentaristas nosso tempo hoje infelizmente é um pouquinho mais curto Dora Cramer faz a próxima pergunta temos também o Nelson cobax Dora Boa noite Reginaldo pelo o cenário que você traça aí tá muito claro que o COPOM deu um recado pro governo recado claro que diz isso
tudo que você descreveu essas condições que levaram a necessidade dessa dessa alta e com expectativa para novas e pesadas altas você você não vou perguntar no geral Qual é a expectativa do mercado é que o o o governo ouça esse recado difícil saber Dora difícil saber porque eh a a decepção com relação ao pacote fiscal foi muito grande e E agora se esperava Ou pelo menos era um entendimento de que talvez o governo devesse já ter entendido um pouco mais do recado naquele momento acho que o pacote fiscal ele foi muito negativo em Duas Medidas
a primeira foi a confusão entre colocar bences tributárias misturadas com o anúncio de um ajuste fiscal acho que se essas coisas tivessem vindo separadas a maneira como o mercado teria entendido teria sido completamente diferente eu acho que ali foi um um um erro de comunicação muito muito grave e a segunda coisa é que o pacote veio muito pequeno o banco central agora na ata do COPOM reforçou isso que a situação fiscal hoje é determinante vai depender basicamente de quanto de novo o Governo está disposto a a assumir essa agenda e o congresso vai compartilhar dessa
agenda no ano que vem eu acho que é isso no final que vai determinar quão altos juros precisarão ser em 2025 perfeito cobai rapidamente Reginaldo esta reunião do COPOM marca também o fim da gestão do campus Neto foi a última reunião que ele participou qual a sua avaliação aí o saldo da gestão Campus Neto e e o que vai ficar marcado desse período em que ele esteve à frente do Banco Central acho que temos ali um presidente de banco central que passou primeiro precisamos lembrar pel uma pandemia Então acho que podemos ali eh criticar momentos
de juros eu acho que tanto que a crítica sobre juros altos que talvez hoje com a inflação fora da méa em crescimento parece um pouco fora de de de contexto mas também havia muitas críticas sobre os juros Talvez tenham caído de dem mais durante a pandemia Então existe ali eh dificuldades de avaliar ali o cenário mas num momento de crise internacional complexo então é preciso colocar ali em contexto que foi um momento que para a política monetária não só brasileira mas Internacional Os bancos centrais todos foram colocados em teste então tivemos ali uma recessão muito
grande em 2022021 pela pandemia com uma inflação Global na sequência também fora de padrão aí histórico eh nesse meio tempo ali né ele ele basicamente se conduziu muito com o que os outros bancos centrais das principais economias do mundo vinham fazendo até um pouco mais rápido né os juros brasileiros começaram a subir antes até do que grandes economias né do G7 tivessem notado já que a questão da inflação era tão alto tivemos ali o pics e também inovações regulatórias importantes mas para mim esse será lembrado Roberto Campos Neto e esse momento será lembrado por uma
mudança institucional que nós esperávamos no Brasil há décadas que foi a independência do Banco Central eu acho que mais do que tudo ele foi um banco central um banqueiro Central indicado por um governo que seguiu pela metade de um governo seguinte sem ruptura sofrendo ali todo tipo de pressão mas mantendo o seu trabalho eu acho que é isso que devemos lembrar desse desse período Ô Reginaldo e rapidamente também apelando paraa Sua bola de cristal hoje o dólar chegou a r 5,96 ou seja abaixo de R 6 algo que não acontecia desde o mês passado há
espaço para novas sequências de queda o que que é mais primordial para que isso continue acontecendo no limite eh ele vai depender bastante da questão fiscal para acalmar o mercado e mostrar aí uma trajetória eh mais sustentável ou acredito eu acredito de qualquer forma que um aumento mais forte dos juros e essas sinalização de que os juros devem continuar subindo Se necessário eh durante o governo de a a nova administração de eh galípolo isso deve dar alguma tranquilidade pro câmbio né então pelo menos e eh esse é um pouco do que eu espero dado essa
essa essa medida de hoje perfeito Reginaldo Nogueira Doutor em economia e diretor Nacional do ibemc Muito obrigado pela sua gentileza mais uma vez e volte sempre um abraço Muito obrigado boa noite