muito boa tarde senhores senhoras acadêmicas amigos da academia brasileira de letras colegas que assistem às nossas reuniões pela internet muito boa tarde vamos hoje encerrar o ciclo sob o título a academia ea língua portuguesa com a palestra a última palestra encerrando o grupo de três do professor cavalieri conhecido de todos nós pela sua atividade universitária e também pelos livros e artigos publicados em revistas da especialidade mas antes gostaria de dar notícia do próximo ciclo que vai começar no dia 1º de dezembro terça feira às 17 30 com o título memória reverenciada a coordenação do acadêmico
alberto venâncio filho e o conferencista para a palestra o nosso querido acadêmico alberto venâncio filho que falará sobre um acadêmico de transição souza bandeira como disse o professor cavalieri ricardo cavalli anne é muito conhecido mais a um protocolo academia no sentido de fazer uma pequena lusão ao seu currículo e vou ler o currículo brevíssimo preparado pelo querido conferencista ricardo cavalieri é professor associado da universidade federal fluminense onde atua nos cursos de graduação e de pós graduação em letras possui o título de do douro em língua portuguesa pela universidade federal do rio de janeiro e cumprir
o estágio de pós doutorado em história da gramática no brasil na universidade do estado do rio de janeiro é membro da academia brasileira de filologia conselheiro do real gabinete português de leitura que lhe conferiu o título de grande benemérito e conselheiro do liceu literário português atualmente é editor de revistas da revista confluência coordenada coordenador do grupo de trabalho de historiografia na língua na linguística brasileira anpoll e membro de várias associações científicas vinculadas ao isto aos estudos lingüísticos tem experiência na área de letras e lingüística com ênfase na descrição do português e na historiografia dos estudos
lingüísticos brasileiros dentre suas obras destacam-se a gramática no brasil idéias percursos e parâmetros numa edição de 2014 que recebeu o prêmio celso cunha da união brasileira de escritores fonologia e morfologia nas gramáticas científicas brasileiras publicada em 2000 e pontos essenciais em fonética e fonologia de 2005 e para concluir esta pequena relação de obras entre livros e artigos e palavras denotativa suas e termos afins uma visão argumentativa publicado em 2009 de modo que com a palavra o nosso conferência de hoje que falará sobre um tema que é sempre atual falando a favor ou contra mas sempre
atual intitulado intitulado a palestra a final que é a gramática tradicional com a palavra portanto o nosso conferencista boa tarde prezados acadêmicas apresenta cada um dos presentes prezados amigos colegas e alunos presentes é com grande prazer que eu mais uma vez estou aqui na academia brasileira de letras para participar de um ciclo sobre a língua portuguesa e agradeço a gentileza do convite que me foi feito pela academia na pessoa no acadêmico e apanhou deixada o meu texto trata de um tema atualmente polêmico que suscita muita discussão no meio acadêmico e na realidade o texto que
inicia com uma pergunta retórica sempre traz a expectativa de que o seu povo a responder a essa pergunta talvez no final causa uma certa frustração porque a pergunta afinal de contas não será respondida como se espera mas certamente o texto deverá contribuir para o aprofundamento da discussão sobre este tema no conjunto dos textos que hoje se lei acerca de matéria linguística não é incomum encontrar se aqui e ali uma referência à tradição gramatical via de regra como um contraponto à menção que igualmente se faz aos novos rumos da linguística contemporânea a tradição gramatical assim é
uma entidade um tanto nebulosa indefinida que todos aparentemente sabem reconhecer embora quase ninguém se ocupe de definir este é o motivo pelo qual gramáticos brasileiros de tão diversificado perfil tais como antónio dacosta do art um padre maranhense do século 19 e carlos henrique da rocha lima um professor de língua vernácula do século 20 sejam irmanados pelo mesmo epíteto de grammatikos tradicionais não obstante as bases conceituais de sua obra sejam absolutamente distintas aquele discípulo do modelo racionalista que não chegou pelas páginas da gramática filosófica de jerônimo soares barbosa este vinculado aos cânones da filologia de frizz
bits com este ou aquele contributo da teoria estruturalista percebe se pois que o significado de tradição gramatical no corpo dessas referências generalizadas remete a um horizonte que não se define com precisão já que serve a rigor como observado aqui de início como um parâmetro comparativo e o positivo ao que se faz o dinheiro na mente em matéria de descrição linguística o objeto das palavras que se seguem é exatamente o de mergulhar um pouco mais nessa questão um tanto inquietante de tal sorte que possamos afinal entender ativação desta inclusão em distinta e inidônea de tantos textos
diversificados sob o manto da gramática tradicional partamos de um porto seguro que dê certo nos auxiliará bastante para descortinar o mistérios os mistérios desta gramática tradicional há um tempo tão humana e difusa tão óbvia e enigmática trata-se do emprego do termo tradição na literatura lingüística cujas diretrizes apresentam pelo menos dois significados senão antagônicos inegavelmente distintos em um precioso estudo sobre modelos de investigação em historiografia linguística conrado cana atenta para o fato de que quando uma certa corrente teórica está em evidência outras correntes sejam mais antigas ou mais recentes permanecem em vigor embora em plano secundário
em outras palavras não é incomum que um modelo teórico que tenha dominado a linguística ao longo de um período determinado não obstante se tenha tornado menos influente a partir de um dado momento do percurso científico logre readquirir prestígio no futuro este fato não induz a observação de uma mera alternância dialética no plano dos paradigmas científicos porém a constatação de que há uma permanente com a existência de modelos distintos numa relação de continuidade e descontinuidade em suas digressões cana refere-se às tradições linguísticas segundo uma concepção discreta no sentido de que se podem identificar várias tradições que
confluem no processo de construção e difusão do saber sobre a linguagem humana segundo aqui referido alternância de continuidade e descontinuidade temos pois no campo da linguística a tradição latina a tradição racionalista a tradição histórico comparativa a tradição geraghty vista e tantas outras em outra dimensão pode se atribuir a expressão tradição linguística um significado que exigem plano mais abstrato no qual encontramos idéias que se sedimentaram ao longo do tempo e em face de sua especial aceitação no meio científico não mais se vinculam a uma dada a tradição particular porém há uma tradição lato sensu de cunho
contínuo este fato é flagrante nas ações em que a referência à tradição se faz mediante o uso do advérbio referencial tradicionalmente como ocorre nas seguintes passagens e aqui eu leio três pequenas passagens em que esse é advérbio é usado dentro do sentido de tradição a cronológica ou contínua uma primeira mas se uma língua é um sistema então como parte desse sistema wii é o pronome em inglês está relacionada a outras palavras mas obviamente há a eo az e outras que são tradicionalmente dedão denominadas pronomes uma outra exemplificação a noção de gênero implica a possibilidade de
identificar características formais tradicionalmente conhecidas ou seja nessas duas situações que eu faço os autores usam advérbio tradicionalmente remetendo a um conceito de tradição não específico na suposição de que o leitor saiba final que tradição é esta o uso do advérbio tradicionalmente deste modo implica uma referência conceitos enraizados na ciência linguística que perdem sua identidade paradigmática para constituírem um saber consolidado que brotou no percurso de continuidades e descontinuidades nos modelos de investigação ao longo do tempo tal fato explica por que certos conceitos lingüísticos citem se aqui as partes do discurso as unidades estruturais significativas a noção
de gramática qualidade entre outros mantêm se válidos mesmo nos períodos em que o paradigma aqui estão diretamente vinculados não está em evidência são conquistas científicas que se inscrevem no plano dessa tradição a cronológica ou contínua uma vez que continuam válidas para além das fronteiras de seus respectivos modelos teóricos mas temos agora há uma tentativa de definição de gramática tradicional levando se em conta essa perspectiva do álbum com que se trabalha a noção de tradição linguística seja no plano das tradições discretas seja no plano da tradição contínua poderia se em princípio atribuir a expressão gramática tradicional
uma conceituação análoga em que nela reside sem as idéias de gramática pertencente a uma dada a tradição linguística ou gramática fundada em um repertório de conceitos teóricos atinentes à várias tradições no caso do brasil em especial parece prevalecer a segunda vertente visto que não se encontra nas referências ordinárias ordinariamente feitas à gramática tradicional uma vinculação direta com dado o modelo teórico pelo contrário as referências sempre são genéricas inespecíficas exatamente dentro da premissa de que afinal todos já sabemos o que é a gramática tradicional numa tentativa recente de definição encontramos em josé borges neto o seguinte
trecho diz borges neto chama de gramática tradicional a teoria das línguas humanas surgida na antiguidade clássica e que se mantém essencialmente igual até os nossos dias dando forma as gramáticas escolares por exemplo essa teoria tem sua formulação completada já na idade média e é base do pensamento sobre as línguas humanas em pelo menos todo mundo ocidental encerro aqui a definição de borges neto a definição de borges neto conduz nos a um perfil da gramática tradicional que detém os seguintes traços primeiro pauta se em aparato teórico proposto pelos gramáticos gregos e latinos da antiguidade segundo tem
propósito pedagógico o terceiro mantém se viva na fundamentação teórica contemporânea embora não se refiram claramente a propósito normativo infere se que o viés pedagógico referido por borges neto implicam necessário perfil prescrito de vista da gramática tradicional fato que se corrobora na seguinte passagem de joaquim matoso câmara júnior então sinto matoso câmera ao lado desta gramática propriamente dita chamada descritiva porque se propõe a fazer a descrição da língua aagra a tradicional gramática normativa apresentação do que estabelece uma língua dada a sua disciplina gramatical essa vinculação entre tradição gramatical e ensino normativo das línguas funda se efetivamente
em uma outra tradição que não é a rigor linguística senão pedagógica como assinala judiciosamente o lingüista australiano ken filiano durante séculos a educação européia faltava se no conhecimento do latim o que implicavam naturalmente entender se a disciplina escolar gramática como a gramática do latim as línguas vernáculas eram consideradas corrompidas pelo pedagogos razão porque as regras da gramática latina tornavam-se por adequadas tomavam se por adequadas para a descrição das línguas modernas adverte ainda e lan que citando o lingüista esta visão foi condenada com razão pelos lingüistas agora efetivamente autodenominados linguísticas em oposição aos gramáticos nos primeiros
60 anos no século 20 infelizmente a maioria desses críticos rejeitam não apenas os excessos da gramática tradicional como também suas conquistas daí se conclui necessariamente que o conceito de gramática tradicional não se estabilizou propriamente no plano da tradição científica da linguística se não no plano da tradição pedagógica o fato se pode explicar ainda que precariamente nessas poucas reflexões que aqui fazemos pelo progressivo afastamento que sim pois entendeu entre teoria linguística ensino a partir do século 19 quando a linguística fundo as bases de uma nova ciência com efeito as conquistas pontuais com que a ciência linguística
vem contribuindo para o ensino das línguas vernáculas a partir de então se tem que ser aqui conceitos como o de unidade estrutural significativa constituintes imediatos instrumento de coesão textual entre outros não são suficientes para desconstituir uma tradição pedagógica ainda que fundada em parâmetros da tradição greco latina como por exemplo a identificação das partes do discurso ou classes gramaticais e seu papel na construção da frase na verdade os modelos formais que a lingüística assumiu sobretudo até o último quartel do século 20 não deram margem a uma reformulação teórica no plano pedagógico exatamente porque se trata de
aparato teórico excessivamente complexos diante da relativa simplicidade do modelo aqui a tradição gramatical até hoje que a tradição gramatical até hoje oferece se linguiça mergulha fundo no mar revolto da ciência o professor resguarda se prudentemente nas marola da tradição mas como pesquisa e ensino em última análise são indissociáveis por sinal essa é uma das bandeiras da universidade pública brasileira disso resulta que praticamente todas as propostas de descrição linguística hodiernas acabem por lançar âncora na tradição gramatical ainda que como mera estratégia pedagógica que em vez de abrir nova estrada opto por modernizar uma velha sendo aberta
pelos antepassados parece ser esse o propósito por exemplo de maria helena de moura neves ao advertir em sua gramática de uso do português aqui cito a maria helena de moura neves para a facilidade de acompanhamento pelo público comum e estudantes tomam se os itens da língua e descreve se o seu funcionamento levando se em conta como ponto de partida a organização em classes preparada pela tradição da gramática o que significa que não é propósito da obra trazer uma proposta de classificação um outro exemplo expressivo e se recolhe é um texto clássico do gênero ativismo no
brasil intitulado análise sintática em que a autora professora mirian em lhe oferece uma proposta de categorização ou classificação das palavras em nome de objetivos determinante quantificador verbo preposição advérbio complements a dor conjunção e antecessor observe se que não obstante pautada em um modelo teórico absolutamente distinto da gramática tradicional a proposta de lei e não evita o uso de conceitos consolidados tais como adjetivo verbo reposição advérbio e conjunção mesmos conceitos inovadores determinante modificador antecessor são definidos a luz de um conhecimento teórico prévio e necessário por exemplo diz a autora em um trecho do seu trabalho sobre
o termo antecessor esse termo antecessor nada mais é senão o rótulo novo para o velho termo pronome relativo e para a expressão inglesa w em word interessante notar que a crítica severa de lem ele a classificação de palavras da gramática tradicional que efetivamente terá seu fundamento não desconstitui o fato de que se quisermos entender a nova teoria havemos de dominar antiga isto obviamente se deve ao fato de que todo leitor de uma nova teoria no plano científico detém o conhecimento meta lingüístico que recebeu previamente no plano pedagógico ou seja as bases da tradição gramatical acima
referidas ainda hoje os jovens que ingressam nos cursos superiores e venha a tornar-se ao fim de alguns anos de estudo lingüistas funcionalista gerar ativistas pragmatismo 77 carregam consigo as bases teóricas que a pedagogia lhes transmitiu no ensino básico e será essa teoria que ensinarão aos que se dedicará os que se dedicarem no futuro o ensino básico num ciclo em que pedagogia e pesquisa se unem para perenizar a combatida gramática tradicional agora já ingressando numa reta final dessas considerações gostaria de dizer duas palavras sobre a crítica que se vem fazendo a gramática tradicional para aprofundarmos apenas
mais um pouco a análise da crítica que ordinariamente se faz a gramática tradicional no brasil partamos de uma opinião oferecida pelo conceituado linguiça ataliba de castilho em sua nova gramática do português brasileiro diz o professor ataliba de castilho as relações entre a linguística brasileira ea gramática tem sido uma complicada história de amor e ódio a gramática tradicional foi atacada em todos os seus flancos sua convicção um padrão único mesmo num país continental como o brasil o curioso silêncio que cultivou a respeito da variação lingüística e consequente apego a língua literária escrita do período no período
clássico como esse padrão lingüístico fosse igual a língua literária e como se depois do século 19 a literatura tivesse entrado em remediável decadência seu gosto por misturar argumentos estruturais ao semânticos e aos discursivos seu desgosto pelo debate das questões que expõe e consequente afastamento do modo problematizadora de fazer gramática de um jerônimo soares barbosa por exemplo a força da gramática tradicional manifestava-se ainda se manifesta na convicção de que ensinar português confunde-se com ensinar gramática a base do argumento é que sabendo gramática escreve se bem e leci melhor varrendo se para debaixo do pé petit o
ensino do português como uma continuada reflexão sobre a língua muito mais do que outra coisa encerro aqui a situação do professor ataliba alonga situação justifica se pela riqueza de comentários que proporciona já que há de certo nessas linhas de castilho uma série de equívocos isso seja de caráter historiográfico seja de cunho conceitual acerca do que se deve entender por gramática tradicional primeiro cumpre reparar a asserção de que a relação entre lingüística e gramática tem sido uma história de amor e ódio pois acatando se a premissa de que não há descrição gramatical sem prévia teorização linguística
daí resulta concluir que uma depende da outra ou em outros termos uma é a aplicação da outra se admitirmos com antuã mãe é que cada época tem a gramática de sua filosofia entenda-se aqui filosofia como teorização também haveremos de admitir que sempre houve e haverá uma linguística como pondo-lhe como pano de fundo para o surgimento de uma gramática em outros termos não há e mesmo nunca houve gramáticas em teoria linguística assim como não há e mesmo nunca houve medicina sem teoria biológica ou engenharia sem teoria física observe-se que castilho condena a gramática tradicional por não
descrever a língua e aqui sinto uma expressão dele de modo problematiza a dor como se seu papel fosse não o de descrever os fatos da língua mas especular sobre os parâmetros da descrição ora há evidentemente aqui uma instituição de intuitos em que se quer atribuir a gramática um papel que cabe à lingüística se bem entendemos o sentido de descrição problematizadora o que se quer aqui não é de escrever mas especular sobre os parâmetros e fundamentos da descrição curioso notar que castilho contrapõe à práxis condenável da gramática tradicional a figura de jerônimo soares barbosa ele próprio
um dos representantes mais expressivos da tradição gramatical racionalista na virada do século 18 na virada do século 17 para o século 18 cabe perguntar pois terá sido júlio ribeiro a quem devemos o primeiro texto de lingüística teórica - problematizadora do que usuários barbosa que dizer de sair dali antenor nascentes mário pereira de souza lima cláudio brandão para citarmos nomes do século 19 e 20 seus textos são meros receituários de regras ou são problematiza dores uma outra afirmação que consta na situação de castilho nos confere a oportunidade de discutir o carácter teológico da gramática tradicional afirma
castilho que há aqui novamente uma expressão do mestre paulista a força da gramática tradicional manifestava-se e ainda se manifesta na convicção de que ensinar português confunde-se com ensinar gramática uma crítica ao excessivo conteúdo meta conteúdo metalingüístico dos textos gramaticais aqui percebe se uma leitura dos textos antigos em que se desconsidera o denominado princípio da contextualização a que se refere com rádio turno em vários de seus estudos lingüísticos historiográficos esse princípio nos ensina que todo o texto deve ser avaliado à luz do contexto sócio político e cultural em que se inscreve as idéias linguísticas como disse
nos ensina cana jamais se desenvolvem em dissonância com outras correntes intelectuais de seu tempo razão porque se ensinar português no passado significava ensinar gramática no sentido de teorização gramatical isso se devia obviamente há uma episteme que considerava produtivo o ensino científico da língua bem como o da metalinguagem atinente hoje decerto já não se pensa assim mas nem por isso podemos condenar os antigos gramáticos por terem tido cometido o pecado de viver o seu próprio tempo ademais a tese de que a gramática tradicional varreu para debaixo do tapete o ensino do português como uma continuada reflexão
sobre a língua é uma injustiça que chega a causar estupefação já que desconsidera os fatores injunções que estavam na gênese de um compêndio gramatical escrito até pelo menos à primeira metade do século 20 com efeito se hoje a um mercado editorial que dá oportunidade para a publicação de textos específicos sobre descrição lingüístico do português isso não acontecia em passado recente em que a circulação de gramáticas destinava se quase que exclusivamente para o ensino médio e elementar sem contar com o fato de que os próprios gramáticos eram profissionais que trabalhavam trabalhavam nesses níveis de ensino passemos
então algumas últimas palavras ainda dentro desta linha da crítica à tradição gramatical considerando que a crítica à gramática tradicional dentro dessa diretriz e colocou classista é reincidente repete se em vários textos escritos por lingüistas de excelente formação poderíamos aqui citar sírio possenti mario perini carlos alberto faraco entre outros como explicar essa investida depreciativa que se expressa de modo mais veemente no meio acadêmico brasileiro seus estudos sobre a história da ciência thomas khun defende a tese de que o pensamento convergente é tão essencial para o desenvolvimento da ciência quanto o divergente segundo com a pesquisa tradicional
não importa com qualificada ela seja repousa sobre opiniões convergentes advindas de um consenso já consolidado permeado pela educação científica e ratificado pela vida profissional assim considerando que as reviravoltas revolucionários na ciência são incomuns pode-se concluir que elas dependem da prevalência de uma longa ordem consensual no campo da pesquisa científica dentro dessa linha de raciocínio com se refere a uma tensão essencial implícita na atividade de pesquisa em que citando com somente investigadores firmemente enraizado na tradição científica contemporânea são propensos a quebrar essa tradição para criar outra por tal motivo o cientista de cuja pesquisa resulta uma
nova ordem para diagnóstica necessariamente atuará no duplo papel de tradicionalista e ecológico bem e falar mal dessa velha senhora a gramática tradicional e por extensão dos gramáticos parece ser o hábito de uma outra tradição uma lei recente que se estende pelos séculos e pelo que se vê não dá sinal de arrefecimento atribui-se a apolônio de rodes a referência os gramáticos como roedores e lagartas que desqualificam as grandes obras literárias cuba voltar a afirmar que os gramáticos são homens que vivem a pesar cova de aranha em balanças cujos pratos são asas de mosquito francisco manuel de
melo já no século 17 resume o ofício dos gramáticos a dedução das regras e leis do bem falar e escrever arrematando que fizeram eles desse ofício são impertinentes guisados que na maior fome do mundo não os comer a o diabo saltando para o século 20 cite-se medeiros de albuquerque um dos fundadores da academia brasileira de letras que não raro se referiria as sacrossantas bobagens dos gramáticos por sinal em seu quando eu era vivo num livro de memórias medeiros e albuquerque nos relata que quando era diretor da escola normal convidará valetim e valentim magalhães para dar
um curso prático de português havendo lhe dito que precisava de um professor que soubesse escrever e ensinasse a escrever mas não ensinar se gramática sob o argumento de que por comodidade todos os professores tinham o hábito de só ensinar gramática no mesmo dia à tarde medeiros encontrou machado de assis na rua do ouvidor contou o fato a ele machado então respondeu lhe por que você não me no meu eu servia perfeitamente explicando que alguns dias machado explicando que alguns dias havia aberto a gramática de um sobrinho e ficar impressionado com a própria ignorância pois não
entenderam nada que dizer enfim de uma velha senhora que na opinião de mário quintana é responsável por visitantes bizantinice de complicações que estão a pedir um golpe de estado como sobreviver a essa velha senhora a veia sarcástica de um luís fernando veríssimo que certa vez afirmou as múmias conversam entre si em grão ática pura até gramáticos dos mais digamos tradicionais como gladys gonçalves de melo investe encontra gramática intolerável dos killers que legislam por opinião própria e sem fundamentação evidente que o alvo dessa crítica legítima deveras procedente não é a gramática tradicional mas o mau uso
que dela fazem os que vêem na gramática e obtuso e anacrônica um modo de autoafirmação luis fernando verissimo por exemplo percebemos e seus textos conhece a gramática do português e não apenas pouco conhece muito lá estão em seus textos nas concordâncias as regências a construção sintática tudo de acordo com a norma padrão de seu tempo que está nas páginas das boas gramáticas tradicionais o problema não está na gramática muito menos dramático mas na mente das pessoas que fazem uma leitura deliberadamente deturpada do texto gramatical para dele se servirem como fiscais do texto alheio são da
mesma linhagem dos que dos que transformam os códigos legislativos em instrumentos de opressão e lançou mão dos textos religiosos como motivação para bar bar e em seu conhecido poema aula de português diz nos casos do mundoo de andrade e aqui digo poema de drummond a linguagem na ponta da língua tão fácil de falar e de entender a linguagem na superfície estrelada de letras sabe lá o que ela quer dizer professor carlos góes ele é quem sabe e vai desmatando o amazonas de minha ignorância figuras de gramática equipar típicas atropelo nome à turnê mi seqüestro e
já esqueci a língua em que comia em que pedia para ir lá fora em que levava e dava o pontapé a língua breve língua entre cortada o ouro com a prima o português são dois o outro mistério drumond como tantos outros escritórios escritores talentosos que se formaram nas aulas da gramática tradicional enxergou a dupla dimensão da língua que falava percebeu usuário e artífice que a realidade lingüística é dual hoje diríamos plural percebeu decerto que nela comporta tanto o dn o cigarro do mulato sabido quanto o me deu cigarro do bom negro e do bom branco
de que nos fala oswald de andrade o mistério linguístico de tron está na coexistência pacífica dos usos lingüísticos sem preconceitos pelo avesso obrigado como acabado de ouvir estamos diante de uma crítica pensada pesada medida e muito bem amparada pelo que de melhor se tem feito em historiografia linguística uma das características do nosso querido conferencista é o seu amor pela historiografia linguística aliás este era o título primeiro que ele nos havia proposto no ano que vem a ser essa nova disciplina historiografia linguística então ele mostrou um fato importantíssimo que bom em devido termo a crítica que
se faz à gramática tradicional é que cada momento tem a sua gramática como diz muito bem antônio meia cada gramática não é cada tempo tem a sua gramática e o professor trabalhar e nos mostrou que com os subsídios da história geografia linguística nós podemos realmente separar o joio do trigo de modo que ele com muita consciência e com muita ciência sobre tratar do seu tema sob como os colegas que precederam sob também trazer para o seio da academia essa nova visão porque a academia não pretende ensinar gramática a academia do seu estatuto no primeiro artigo
do estatuto diz que pretende o cultivo da língua e da literatura nacional e não pretende fazer gramática a academia brasileira de letras não é uma academia da língua como é por exemplo a academia espanhola a quem cabe escrever durante desde a sua fundação no século 18 uma gramática do espanhol isso não significa que a gramática da academia tenha outras dramáticas até de acadêmicos como por exemplo é gramáticos mais recentes que escreveram gramática do espanhol não é mostrando que nem sempre eles seguem os parâmetros dos primeiros gramáticos da real academia de modo que ficamos a dever
ao professor cavalieri esta lição de prudência essa lição de ciência pura de que pode haver a crítica e é natural eu tenho aqui um texto de um dos escritos de um dos lingüistas mais recentes do espanhol inácio busch que no seu livro recente ele diz o seguinte fala se mal da gramática tradicional mas todos nós devemos começar por aí porque a gramática tradicional trás do passado erros e verdade o que nós devemos fazê-la é com o fazer é colocá-la no bom trilho da ciência é o que o professor cavalieri nos procurou mostrar quando fiz esta
bela alocução que será publicada com toda certeza na revista da academia como as demais conferências deste ciclo não é mostrando o papel dos escritores citou muito bem o caso do nosso querido não é escritor que sabia fazer a diferença entre ciência e arte porque a gramática está nisso está aí não é uma coisa é conhecer a mecânica do carro outra coisa é saber dirigiu para que os desastres não se amontoem como tem acontecido nas estradas brasileiras de modo que o professor cavalieri nos deixa esta lição para reflexão dos novos e para contentamento dos velhos escrevem
dramática neste país muito obrigado obrigado